IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PODEMOS ESTAR DESCANSADOS

    O admirável generalíssimo do PS, em mais uma das suas habituais manifestações de indiscutível genialidade, veio informar o povo desta maravilhosa promessa: o PS, se o deixarmos (xiça penico!), proporcionar-nos-á gastar mais 1.900 milhões de euros provenientes da baixa da TSU, ainda que tal baixa custe à Segurança Social a módica quantia de 5.000.000.000 (leu bem, cinco mil milhões de euros). Não é possível ligar uma coisa à outra, sendo de duvidar que os altamente esclarecidos economistas contratados pela irmandade socialista, o consigam fazer.

    Talvez por isso, alguns esclarecimentos foram prestados pela agremiação: a baixa da TSU é para recuperar… daqui a 4 anos! Estão a ver: a malta recebe do Estado um empréstimo que, a seu tempo, lhe será cobrado. Esse tempo será… depois de acabada a legislatura que o PS quer comandar. É a filosofia do 44 na sua mais requintada expressão: gastar agora para pagar depois. Se forem os outros a pagar, então, é uma maravilha! A habitual doutrina do “quem vier atrás que feche a porta” a funcionar na maior.

    É claro que isto é fruto de um olhar enviesado, o meu e de mais alguns incrédulos, olhar que a organização do generalíssimo já corrigiu, noutros papéis e declarações: os 1.900 milhões já não são 1.900, são 1.050; o buraco na SS não é de 5.000.000.000, mas de 612 em 2016 e de 1.166 em 2017, não se sabendo de quanto será a partir daí.

    (Não estou a inventar nada, estou a ler o jornal.)

    A conclusão só pode ser uma: estamos perante uma espécie de vale tudo. Vale tudo e o seu contrário, se não é preto é branco e, se convier, também pode ser amarelo às riscas. Preciso é cavalgar as ondas e ondinhas que forem aparecendo.

    Diz-se, e não foi desmentido, que as dívidas da irmandade socialista somam 19 milhões de euros. Não acreditem. À boa maneira da casa, tanto podem ser 19 como 50, como 0,2.

    Podemos estar descansados.

     

    5.6.15

  • A CABEÇA DO COSTA

    O inacreditável Costa decidiu  que o PR, se se recusar a nomear um governo minoritário, violará a Constituição.
    A Constituição postula (Artº 187, nº1): “O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”. Ponto final.
    A Constituição também reza que o PR deve zelar pelo “bom funcionamento das instituições democráticas”.
    O PR tem duas “liberdades” bem claras: a) nomear o PM que quiser tendo em conta as eleições e ouvidos os partidos e b) ajuizar da compatibilidade do governo que lhe é proposto com o regular funcionamento das instituições. Num caso como noutro, o critério é pessoal: formalmente, o PR nomeia o PM que quiser  (não há eleições para PM, o que há são aldrabices do PS a tal respeito); e, se tem o dever de zelar pelas instituições, tem o direito pessoal de estabelecer os critérios para a determinação do que é o seu bom funcionamento. Está, portanto, no seu pleníssimo direito de achar que um governo minoritário é incompatível, pelo menos neste momento histórico, com tal bom funcionamento.
    Onde está a inconstitucionalidade? Na cabeça do Costa. Só na cabeça do Costa.
    Há um lado positivo no seu “pensamento”: já percebeu que não vai conseguir maioria absoluta. Se ganhasse, seria por meia dúzia de votos. Ter percebido alguma coisa é uma grande novidade.
    E há um lado muito negativo: os partidos minhocas, e até o PC, já fizeram constar que estão prontos a alinhar, aproveitando a presidencial decisão. É esse o grande risco que corremos, se o PR for fiel ao que diz: podemos apanhar com uma coligação de esquerda, ou seja, cair na maior desgraça da nossa história e na maior bagunça política que imaginar se possa.

    *

    Ontem, o Costa veio informar a vilanagem sobre o conhecimento profundo que tem das propostas da maioria, as quais, na sua boca “já toda a gente conhece”. Engraçado é ver que nos dias anteriores, a mesma criatura ribombava por aí que a coligação não tinha propostas para apresentar. Então já toda a gente (Costa incluído) sabe o que o Costa clama não existir?
    Em que ficamos?  Na certeza de que acabeça do Costa é a cabeça do Costa.

    3.6.15

  • CORREIA DE CAMPOS

    Tempos houve em que, no governo do 44, havia um homem que se distinguia pela positiva: o ministro da saúde, Correia de Campos. Tinha uma imagem de pessoa séria, que não se perdia em politiquices, tentava cumprir a sua missãosem grande alarde  e não cultivava o estilo aldrabão, palavroso e propagandista da generalidade dos seus pares.
    Os tempos mudaram. O sóbrio ministro da saúde transformou-se radicalmente. É hoje um demagogo de cordel, como compete a quem, por despeito, inveja ou má índole, se apresta a defender o indefensável, nem que, para tal, tenha que perder a face que cultivou. Embarca em tudo o que o chefe disser,e faz disso a salvação da Pátria. Filiou-se na fé do Rato: mais dinheiro para o povo, mais consumo, mais produção, mais emprego. Sustentabilidade da Segurança Social, o que é isso? Vai haver “fontes alternativas”. Mais emprego, mais descontos. Menos impostos, mais dinheiro. Reduzir a TSU dos empregados e deixar a “reposição” para daqui a quatro anos. Como quem, mais uma vez, diz “quem vier atrás que feche a porta”. A política do 44 no seu melhor: alguém, um dia, há de pagar, não é? Pois, mais uma vez, tudo será possível “quando se consolidarem as fontes de financiamento alternativas”. O fundo de estabilização da Seguranla Social vai para a reabilitação urbana, mais uma ideia genial. Reduzir a TSU das empresas provocará um estímulo à economia no valor de 850 milhões por ano. E o IRC, se  ficar na mesma, vai render mais 250 milhões. O ressuscitar do imposto sucessório vai render mais 100. O novo imposto sobre os despedimentos, ou seja, a “internalização do custo social dos despedimentos”, mais 160 milhões. Só faltam 250 milhões, a ir buscar ao orçamento do Estado. Assim, por aí fora, mais coisa menos coisa.
    Julgaríamos estar perante ideias saídas directamente da cabeça da bruxa da Arruda ou da Associação das Maluquinhas de Arroios. Puro engano. Tudo isto e muito, muito mais, este molho de absurdos, ilusões, incongruências ou puras aldrabices, sai dos miolos do Dr. Correia de Campos, e segue, tim tim por tim tim, as extraordinárias ideias do costismo. O que o desespero pode fazer a um homem!

    3.6.15  

  • GENTE DO MELHOR…

    Uma notícia:
    O excelso e mui apreciado advogado Proença de Carvalho subestabeleceu no seu desbocado colega e ilustre desconhecido João Araújo a defesa do seu cliente José Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates ou, simplesmente, 44. Isto no que se refere a um número incerto de processos que corriam no seu escritório, no qual se não insere o relativo à chamada “Operação Marquês”, que já estava nas mãos do segundo. O mesmo parece ter acontecido em relação ao motorista do arguido em causa.
    Proença de Carvalho tornou-se conhecido do grande público na qualidade de director do saudoso “Jornal Novo”, único diário que, no meio da loucura bolchevista de 74/75, foi capaz de lutar pela liberdade e denunciar sem medo as trafulhices do MFA, PC e apaniguados. O “Jornal Novo” – já Proença lá não estava – acabou pouco depois, sendo substituído por outro baluarte liberal, o vespertino “A Tarde”, que também viu os dias contados, talvez por não tergiversar ou por viver num meio em que o socialismo ainda inquinava a cabeça da maioria.
    Muitos anos passaram. Empurrado pela fama obtida e por inegável jeito para a profissão, lá foi singrando. Muito bem. Engana-se porém quem pensar que se manteve fiel ao que dele se esperava. A vida faz isto às pessoas, não é? Proença passou a ser uma espécie de faz tudo o que dê, legalmente, dinheiro. Politicamente, acabou a apoiar, jurídica e politicamente, o 44 e o seu sucessor e fiel seguidor António Costa.
    Agora, pense-se o que se pensar, parece que o nosso homem quer “voltar às origens”. Ou, mais propriamente, tirar o cavalinho da chuva. Saúde-se, com espanto e tristeza.

    Um comentário:
    Muita gente se tem manifestado temerosa acerca do desfecho do processo “Operação Marquês”. E se o procurador não conseguir reunir provas suficientes para condenar um arguido que está há seis meses em prisão preventiva? Que desprestígio para a justiça! Que derrota para o sistema! Que descrédito para o país!
    Compreendo a inquietação, mas não alinho no catastrofismo. A verdade é que, condenado ou não, já se sabe de quem se trata, por comprovados pecadilhos do passado e por uma data de pecadões do presente, estes, aliás, já confessados pelo próprio por palavras e escritos posteriores ao seu encarceramento.
    Um agente técnico camarário que assinava projectos de terceiros para outra câmara, projectos da pior qualidade estética e urbanística, autênticas vergonhas administrativas. Um estudante que tirou um curso qualquer com o auxílio de várias e suspeitíssimas calçadeiras. Um tipo que, vindo de um partido, subiu noutro sabe-se lá como e porquê. Um político que aprovou o que aprovou, sempre sob, talvez infundada, suspeita: Cova da Beira, Freeport, etc., e lá foi subindo, cheio de  invejável paleio, apoiado por uma coorte na qual sobressaem nomes como os de António Costa, Mário Lino, Paulo Campos, Vieira da Silva, Santos Silva e tantos outros de má memória e temível presente. Liderou o país até à bancarrota final que a crise internacional precipitou, mas que, sem crise internacional, ainda teria ido mais fundo.
    Corrido do governo em eleições, tratou da vida. Não quis trabalhar. Tinha assento no parlamento (era o seu emprego!), mas não quis lá sentar-se. Era coisa baixa para tão alto senhor. Pediu um empréstimo à CGD e comprou um Mercedes dos mais caros, capaz de levar o empréstimo todo. Sem ordenado nem rendimento que se visse, contratou um motorista e uma secretária. Mudou-se para Paris onde passou a viver à custa de um amigo que lhe mandava dinheiro aos milhões, para viver à grande, para ir de férias como um lorde, sabe-se mais para quê, um amigo que lhe emprestou um magnífico andar num sítio onde só chegam, ou vivem, embaixadores e milionários. Era só pedir, e lá vinha a massa: a que fosse precisa e a que não fosse. Arranjou um emprego onde não trabalhava, só recebia. Como o ordenado era baixo (12.000 euros por mês) arranjou outro, onde também não trabalhava mas que rendia o mesmo. Limpinho, sem impostos, sem taxas, sem chatices. Tudo isto confessou, sem deixar lugar a dúvidas. Era tudo amizade!
    Aceitemos a verdade do homem. Aceitemos a hipótese de a Justiça não provar que o dinheiro era dele, que o recebeu de luvas e o pôs em nome de outrem. Facto é que está provado, sem ser preciso Justiça nenhuma, que o indivíduo não quer trabalhar, que tem empregos marados, que vive à custa de terceiros, que recebe toneladas de dinheiro emprestado, dinheiro que jamais pagará, um chuleco miserável, um troca-tintas, a fazer inveja a qualquer vigarista, mesmo dos mais experientes.
    Querem mais? Não vale a pena. Depois do que confessou, até por escrito, só políticos da qualidade do Mário Soares ou do Ferro Rodrigues o elogiam. O António Costa, esse esconde-se atrás de uma peneira, a julgar que, não criticando nem elogiando o chefe, se safa de ter sido seu número dois, de jamais se ter dele demarcado, de nunca ter tido uma palavra sobre o que o seu (dele, do Costa) governo fez à gente.
    É um tipo destes que querem para governar? Também há quem se suicide, mas não é coisa que se recomende.      

    2.6.15

  • EXPRESSIVAS PREFERÊNCIAS

     

    O cartoonista Augusto Cid costumava caricaturar o Dr. Balsemão pintando-o sem olhos, nariz e boca. Não sei ao certo qual seria a insistente mensagem. Elogio não era.

    O IRRITADO avança uma hipótese imaginativa, talvez só bene trovata. Cid referia-se ao “Expresso”, em particular, e à imprensa pluralista em geral, a imprensa sem cara, a que tantas vezes tenho dedicado umas palavrinhas e de que o “Expresso” é paradigmático exemplo: uma no cravo outra na ferradura, recados e mais recados, encomendas e mais encomendas, quase submergindo os poucos que, nele escrevendo, ainda vão tendo cara.

    Este Sábado, porém, ao contrário do costume, o “Expresso” tem cara: a do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates. Carinhosos retratos na primeira página, mais uma mão cheia deles em páginas e páginas, o fulano na prisão, cela de 12 metros quadrados (nada mau!), televisão, passeios no pátio, intelectualíssimas leituras, veia de escritor a fazer inveja ao Balzac, uma incontável e subliminar(?) louvaminha, um nunca acabar de propaganda.

    Por seu lado, a ideóloga de serviço permanente publica uma tresloucada diatribe sobre a ausência de obras públicas, a falta que nos faz o TGV, mais o aeroporto do jamais, a desgraça que é não haver metropolitano para o “bairro histórico” das Amoreiras(!), o estado da linha de Cascais, o alfa pendular a levar três horas do Porto a Lisboa, o incómodo dos autocarros da Carris, tudo a precisar de “investimento”, um país e uma cidade pelas ruas da amargura, a Avenida da Liberdade a precisar de bicicletas, eléctricos rápidos na Calçada do Combro, a necessidade imperiosa de progresso “sustentável”, uma interminável série de medidas urgentes. Só um investimento público a sério serviria para atalhar as múltiplas desgraças em que estamos envolvidos.

    Não sei se alguma das pessoas que fazem o favor de me ler terá, uma vez que fosse, visto a dona Clara F. Alves no metropolitano ou nos autocarros da Carris. É provável que a tenham visto num dos intermináveis corredores da Portela – que tanto critica – sem que, ó injustiça, lhe tenham posto à disposição um caddy e uma carripana para a transportar, como é devido a tão alta personalidade.

    Mas sei onde foi ela buscar inspiração para a furibunda diatribe com que brindou a populaça: à inegável obra desse luminar do progresso, Pinto de Sousa, conhecido por engenheiro Sócrates.

    Ou seja, para os irritados da nossa praça que acham que o “Expresso” não tem cara, o dito resolveu dizer que a tem: é a cara do tal engenheiro e da sua inigualável e indispensável qualidade política e humana.

    Alguém me diz, aqui ao lado, que não me preocupe: na semana que vem, o “Expresso” terá outra cara qualquer. Duvido. Mas espero que a desta semana tenha o efeito perverso que merece.

     

    1.6.15

  • ASCENSO SIMÕES

    Se a memória me não falha, um cidadão chamado Ascenso Simões já foi, neste blog, objecto de alguns dos mimos que uso dedicar aos membros da organização política chamada PS e à generalidade das extraordinárias ideias que vai, aos tropeços, avançando.

    Surpresa, por isso, antes de mais para mim, é ter que elogiar o supracitado político. Num escrito por aí publicado, o homem vem dizer algo de completamente inesperado e, diria eu, verdadeiramente iconoclasta em relação às NEP’s do socialismo, democrático ou não.

    “O fim dos contratos de trabalho”, é o título do escrito.

    O IRRITADO é feroz inimigo de tal coisa. Já o tem escrito. Num país onde há uma multidão de afinados coros a incensar os contratos, individuais ou colectivos, é uma heresia ser contra eles. Tais coros passam a vida a dizer que a política é “para as pessoas” mas, quando chega à concretização de tal “princípio”, passam a vida a negá-lo.

    Um cidadão comum que arranje um emprego, não faz com o empregador um acordo qualquer, a dois, nos limites mínimos de uma lei frugal. Não senhor. Em seu nome, em monumental abuso de poder e radical ausência de mandato, um Arménio qualquer negoceia com uma CIP qualquer as condições a que o cidadão tem que se sujeitar na sua relação de trabalho. O que lhe interessa, como “pessoa”, é, compulsivamente e “autenticamente”, interpretado pelo Arménio. Quem sabe é o Arménio, a “pessoa” que se lixe, nem sequer lhe é reconhecida existência enquanto tal. Uma organização que, tendo por filiados muito menos de 20% das “pessoas” (números do Carvalho da Silva), tem a palavra final sobre a vidinha de quem nem sequer a conhece, em quem competência alguma da sua esfera pessoal delegou, que ignora os seus interesses e objectivos pessoais, antes os dissolveu num mar colectivo cujos interesses e objectivos são determinados pelo Arménio, não pela “pessoa”.

    Ascenso Simões fala nisto por palavras dele, e acrescenta as consequências sociais, civilizacionais e económicas dos milimétricos contratos de trabalho que tolhem a liberdade de cada um.

    Não sei o que lhe irá acontecer. A ideia que fica é que nunca mais voltará a ser gente na agremiação a que pertence.

     

    1.6.15

  • DA OBRA SOCIAL DA REPÚBLICA

    É sabido que, a fim de “proteger” o povo e fomentar a “igualdade”, a I República decidiu impedir os aumentos das rendas do imobiliário.

    A II República fez o mesmo, correcto e aumentado.

    O resultado está à vista: cidades miseráveis, bairros históricos em ruínas, gente mal instalada, patrimónios familiares e individuais nos braços da mais primária especulação, etc..

    Durante a III República foram tomadas algumas tímidas medidas para remendar a questão. Depois, com a morte dos antigos arrendatários (a morte propicia a mais irremediável igualdade) e o novo regime de prazos contratuais, lá se foi assistindo a alguma reabilitação urbana, ainda que conseguida, não pelo Estado, que tinha sido o grande beneficiário do congelamento, mas pelos proprietários que, por mor da lei republicana, tinham, no passivo obrigatório, décadas de “obra social”. O actual governo alargou a liberdade contratual, ainda que, simultaneamente, tenha criado mais um impensável sistema burocrático-fiscal destinado a mitigar o exercício de tal liberdade, tanto por senhorios como por inquilinos. Enfim, do mal o menos.

    Entretanto, por exemplo, a CML socialista lançou uma série de “medidas” ou “programas” de “reabilitação urbana” dirigidos, com algumas vantagens, não a ser aproveitados pelos senhorios que a lei arruinara, mas a benefício dos especuladores, que vêm em tais coisas, aliás legitimamente, uma boa hipótese de investimento.

    Com a putativa vitória (xiça, tarrenego, desgraça!) do senhor Costa em eleições legislativas, e segundo as suas promessas, voltaremos pelo menos uns trinta anos atrás. O homem propõe-se ressuscitar a “obra social dos senhorios”, herança dos seus avós da I República e daquilo a que soe chamar-se fascismo, ou seja, da II República. As rendas passarão a depender da conservação dos imóveis, sendo as obras necessárias encargo dos proprietários, encargo não considerado despesa em termos fiscais, isto é, exponenciado em entre 20 e 45% em sede de IRS! Além disso, o Estado, não os contratantes, passa a determinar o valor das rendas! E mais alguns mimos de que não valerá a pena falar.

    É assim que o socialismo primário, dito democrático e republicano, encara a justiça social, a liberdade económica, a “igualdade”, a reabilitação urbana e outras bandeiras do nacional-propagandismo.

    Resta esperar que os mui dignos sucessores do jacobinismo, do maçoneirismo e, acima de tudo, do pintodessousismo, levem com os pés nas eleições. Ou que, caso as ganhem (xiça, tarrenego, desgraça!), façam a estas promessas o mesmo que farão às outras. Ainda que, no caso, seja de pensar que as cumprem, já que têm quem lhas pague, directamente – os senhorios-, e indirectamente – o resto da sociedade, inquilinos incluídos.

     

    31.5.15

  • HISTÓRIA E HISTÓRIAS

    Anda para aí uma campanha de louvaminhas aos frequentadores da velha Casa de Estudantes do Império, entre os quais se contavam pessoas de bem, assassinos, chefes tribais e, sobretudo, aderentes ao bolchevismo então ainda em voga em círculos europeus e africanos.
    No fundo, bem lá no fundo, trata-se de, literalmente, branquear a descolonização, dita exemplar pelos seus principais autores. Tal exemplaridade ficou bem expressa em dezenas de anos de guerras, massacres, assassínio políticos, centenas de milhares de mortos, fome, tortura, destruição económica, miséria humana e marxismo primário, pelo menos nos pricipais territórios do Império, bem como na expulsão ultra-racista de quase um milhão de brancos que por lá mourejavam.
    Pois bem, numa luzida sessão da tal campanha o senhor Jorge Sampaio adiantou a brilhante ideia de que é preciso “reescrever a História”, já que “não há apenas uma verdade” sobre o assunto. Muito bem. O problema é que a tal “reescrita”, nas palavras, na cabeça e na intenção do proponente não pode deixar de ser a aceitação e louvor do que se passou e dos seus protagonistas, como bem o prova a postura política, não histórica, de há longos anos afirmada e reiterada pelo dito.
    Não tarda que historiadores encartados se encarreguem de pôr os pontos nos is: o Infante passará a ser um furioso esclavagista, Dom João II será uma besta, Vasco da Gama nunca devia ter nascido, o Cabral não passava de um marujo de segunda e por aí fora; os soldados portugueses que por lá perderam anos de vida serão transformados numa corja de bandoleiros; foi tudo uma vergonha e, bem vistas as coisas, a verdadeira história começou com a honrosíssima fuga dos “militares de Abril” em 74/75 e com os “acordos” político-militares gloriosamente celebrados, traídos, ignorados ou levados por diante . O Rosa Coutinho passará a merecer o Panteão da República e o Agostinho Neto transformar-se-á num doce paizinho.
    É evidente – já o tenho dito várias vezes – que a II República não soube, ou não quis, preparar o fim do Império em condições de dignidade nacional e de respeito pelo futuro dos “descolonizados”. Mas não é menos verdade que a forma como esse futuro foi iniciado não podia ter sido menos “exemplar”, para dizer o menos.
    Temo que a iniciativa (mais uma!) do senhor Sampaio redunde, como manda o politicamente correcto, em mais um tiro na alma de todos nós, se é que tal coisa ainda existe.

     30.5.15

  • ESCOLHA

    Nesta triste história da Segurança Social há duas abordagens à consideração da populaça.
    Uma, assumida pela ministra das finanças, diz que precisa de 600 milhões e que não tem, de momento, solução definitiva para o problema, apelando, como sempre sem resultado, à colaboração do PS para estudar uma solução em conjunto.
    Outra, muito mais elaborada, diz que tem solução definitiva para o problema. Segundo o camarada Costa é simples,: vai buscar os tais 600 milhões – cujo montante não põe em causa – ao IRC (quanto?) e a 45.000 novos empregos que vai criar.

    Agora, escolha: ou a primeira não solução, ou a segunda solução mesmo, garantidíssima por quem de direito, ou seja, pelo camarada Costa.
    Na primeira, pense bem:
    fica à espera para ver o que acontece, sendo que o pior que pode acontecer será uma diminuição de (mais) 3,7% nas pensões.
    Na segunda, pense bem:
    não sabe, ninguém sabe, quanto vai render o IRC. Mas toda a gente sabe que, se a massa sai do IRC, sai do orçamento do Estado. Compaginar isto com as promessas de contenção orçamental e de cumprimento dos compromissos é tarefa que o camarada Costa deve estar a fazer, mas cujos resultados se abstém de comunicar. Por outro lado, tem por base 45.000 novos empregos e as suas novas contribuições, bem como a correspondente descida dos subsídios de desemprego. Note que, em termos do “documento” dos “técnicos”, os novos empregos eram 10.000, os quais, na “proposta” de programa, passaram a 50.00 e, ao longo das semanas, já foram de quantidades diversas, conforme as “convicções” de quem as tem produzido.

    Em resumo: no primeiro caso, você sabe qual é o maior risco, competindo-lhe ter esperança que outra solução possa ser inventada; no segundo, sabe que os 600 milhões vão sair (em que percentagem?) das receitas do IRC, ou seja, vão dar mais uma bordoada no orçamento; sabe também que o aumento das contribuições por via dos 45.000 putativos empregos é uma espécie de ovo na cloaca da galinha e, mesmo assim, terá que partir do princípio que, na cloaca da galinha, há algum ovo.

    O problema é seu.

    28.5.15

  • JOÃO MIGUEL TAVARES

    Cá em casa, distingue-se as edições do jornal do PS & Cª, chamado “Público”, desta forma, mais ou menos primária: “hoje é dia do Tavares bom” ou “hoje é dia do Tavares mau”, sendo que, como devem calcular, o “bom” é o João Miguel Tavares, e o “mau” o Tavares  do “Livre”.
    Pois bem, em quase histérica defesa do seu “liberalismo social”, o “Tavares bom” espraia-se hoje em considerações sobre o referendo irlandês.  Porque é a favor do casamento gay? Não, isso va sans dire. Porque acha que é uma vitória dos “direitos humanos”? Não, pela mesma razão. Porque é um “avanço”. Não.
    Então porquê? Porque acha que, na nossa vida pública faltam gays, ou tipos a dizer que o são. Vistas bem as coisas, devia, como para as mulheres, haver quotas para os ditos. Cada governo, cada partido, cada parlamento, cada câmara municipal, devia ter um mínimo de gays confessos, assumidos e, de preferência, casados uns com os outros. O mesmo, é de pensar, com as fufas, personalidades a que o autor não se refere.
    O homem não diz isto, ou não se expressa assim, mas é a conclusão lógica do seu esclarecido pensamento. O que o revolta, expressamente, é que possa haver, ou haja, membros do governo, parlamentares ou autarcas que, sendo gays, não venham “assumir” as suas tendências ou práticas sexuais, transparentemente, perante o respeitável público. Ou seja, em matéria de “direitos humanos” devia, na sua opinião, haver, para além das declarações de rendimentos e mais não sei de quê, declarações fidelidade gay. Por este andar, os políticos deviam ser obrigados a decalarar se são do Benfica ou do Carcavelinhos e, mais importante ainda, se gostam mais de carapaus ou de sardinhas, se lêm livros de quadradinhos, se vêm programas “ousados” ou se vão a concertos da Gulbenkian.

    A reserva da vida pessoal de cada um é coisa que, segundo o mesmo comentador, é, ou devia ser, letra morta.

    Em conclusão, no melhor pano cai a nódoa.

    28.5.15

  • UMA QUESTÃO DE VALORES

    Um tipo que se chama José Alberto Carvalho (há Carvalhos bons e Carvalhos maus, xiça!) anunciou ao povo que a data do assassínio do Senhor Dom Carlos e do Príncipe Real tinha sido “considerada funesta para os monárquicos”.  Dá ideia que, nas novas teorias sobre direitos humanos, tal assassínio devia ser considerado funesto para toda a gente. Mas não. No parecer do douto “comunicador” e alta figura de uma televisão qualquer, só para alguns. Das duas uma: ou os republicanos não passavam de um bando de terroristas que muito se reviam em assassínios (como a morte do Granjo e outras tropelias parecem confirmar), ou então o canalha está engandao, e havia boa gente entre eles. E não se ficou por aqui: entre elogios ao Buíça, declarou ser estranho que estes “princípios republicanos ou de ‘humanidade’ – o elogio de assassinos – ainda hoje sejam objecto de debate”.
    Aqui temos a natureza profunda dos sentimentos “humanos” deste repugnante lider da comunicação social, para quem os valores “humanitários” são derrogados pelas preferências políticas de cada um. Em alternativa, trata-se de “interpretações” da História vomitadas por um ignorante desejoso de pôr os pontos nos is, em vez de os meter num sítio que eu cá sei.

    26.5.15  

  • É DEMAIS!

    Algum desses especialistas em chatices televisivas que por aí andam poderia fazer as contas às horas de emissão, em todos os canais, de cabo e não só, dedicadas a ingentes questões futebolísticas.
    Somos, dias inteiros, noites inteiras, sem possibilidade de fugir, presentados com a alta presença de uma ou duas dúzias de especialistas em livres de canto, foras de jogo, asneiras dos árbitros, transferências, declarações de altas e presidenciais personalidades, pastilhas elásticas, claques, desordens, clubites e outros altíssimos problemas da Nação. Estas tão importantes matérias são comentadas, escalpelizadss, esquematizadas, glosadas, apreciadas, de cima para baixo,de baixo para cima, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, em intermináveis sessões, capazes de tansformar o futebol numa coisa mais chata que a mais imaginativa imaginação poderia imaginar, ou ainda mais chata que isso.
    A vitória do Benfica no campeonato tem agravado impensavelmente a situação. Festas, pancadaria, tudo à trolha, o Medina a pôr as culpas à ministra, os polícias em polvoró, teorias da conspiração, os polícias sem capacete, os polícias com capacete, o Vieira com criancinhas debaixo do braço, a taça, o Luisão, as garrafas, os palcos, o Vitorino e o Santana, a culpa é da câmara, a culpa é do comissário, a culpa é da minstra, a culpa é das claques, festas no Marquês, no Estádio, no Município, tudo bem, mas tudo, centenas, milhares de vezes, na televisão… gaita que é demais!

    Sou benfiquista desde que me conheço. Fiquei todo contente por ver o clube do meu coração ganhar o campeonato. Mas, meus amigos, o meu clube transformado em agressão diária, constante, repetitiva, é de mentecaptos, não de gente normal. Acima de tudo, uma hedionda falta de respeito por todos nós, bem elucidativa sobre o estado a que chegou a nossa estrumeira informativa.

    26.5.15

  • HOJE

    Inquietante:
    A trampa política passou a ter presença eleitoral em Espanha. Vai ser bonito, aqui mesmo ao lado.

    Porco:
    O Falhoufakis confessou ter gravado as reuniões com os parceiros europeus. Nada mais lindo para fomentar a confiança. Outra achega para se perceber com quem a Grécia (e nós todos) se meteu.

    Ridículo:
    O partido do Màrinho, diz ele, foi invadido por uma seita religiosa. Houve bagunça, tudo aos gritos, tiveram que cancelar a reunião não fosse acabar tudo à porrada.

    Excepção:
    O Màrinho, habitualmente, só diz asneiras. Desta vez, porém, acertou em duas: quer juízes só com mais de 40 anos e proibir os sindicatos de magistrados. Parabéns.

    Os pés pelas mãos:
    O camarada Costa não pára. Afinal as “medidas” – do “documento”, da “proposta”, das “opiniões” e de 4520 papéis mais ou mensos contraditórios – têm que “passar pelo crivo”, “o ritmo das medidas expansionistas pode ser ser reduzido”, a TSU é “para limar”, o programa não é para votar em primárias, e mais isto e menos aquilo, etc. e tal. O rapaz não sabe o que há-de fazer ao material, não há programa nenhum, sendo de pensar que, se houver, será “limado”, corrigido segundo o espírito republicano e a respectiva moral, ouvidos os economistas, os políticos, os gurus, os astrólogos e a IURD, ou seja, mesmo que venha, um dia, a haver um papel qualquer dito definitivo, durará um fósforo.

    25.5.15

  • MISÉRIA

    Consta que, na Noruega, o governo foi abordado por uns tipos da comunidade muçulmana que queriam construir uma mesquita financiada pelo governo da Arábia Saudita. Foi-lhes respondido que sim senhor, na condição de a Arábia Saudita autorizar a construção de uma igreja Cristã em Riade, financiada pelo governo norueguês.. O problema ficou resolvido.
    Na Holanda, o governo publicou uma regulamentação sobre o uso de adereços muçulmanos radicais nas mulheres que cruzam o território nacional. Mostrem o focinho, suas parvas!

    Em França, uma boneca, ao que consta de origem magrebina, ministra não sei de quê, decidiu, com o aval governamental e presidencial, acabar com o ensino do latim e do grego, tornar obrigatório o ensino da “civilização muçulmana” e opcional o da civilização cristã.

    É sabido que o senhor Hollande é uma besta quadrada. É sabido que arranjou um espanhol para primeiro-ministro. É sabido que não faz ideia do que fazer à vida. Mas, que diabo, há limites ao abrir de pernas ao repugnante “multiculturalismo”, cujos miseráveis resultados os franceses já deviam ter percebido.
    Haverá, lá nas franças, quem reaja a esta miséria moral, cultural, social, política? Duvido. A França, por muito que tenha dado à civilização, sempre esteve à frente das maiores merdas que se possa imaginar.

    25.5.15

  • FOSQUINHAS

    Saudemos com o devido entusiasmo o novo critério, inventado por um contratado da rapariga que, via jornal que, sendo privado, se chama “Publico” (ó Belmiro, andas a dormir ou quê?), atribuiu a si própria a nobre missão de fazer a propaganda intelectual da esquerda em geral e do PS em particular: o critério das fosquinhas.
    Passo a pormenorizar. O senhor Costa – o do BdP, não o outro – conforme descrito pela tal rapariga, exibe, por “linguagem corporal“, uma “forte incongruência”, que faz com que não exista “clareza nenhuma na informação que proferiu”. Que informação, não se sabe, sabe-se é que a directora do órgão oficioso da nacional-esquerdofilia adopta a opinião do linguocorporaltologista cuja contratação deve fazer parte da luta contra o desemprego a desencadear pelo outro Costa (o do Rato). A partir de tal e tão certeira opinião, conclui que o senhor Costa (Carlos) faz “trejeitos e caretas” que o tornam responsável por inenarráveis malefícios e o condenam a desmerecimento da renovação do mandato.
    A criatura garante que “93% do que comunicamos não é por palavras, mas por gestos e pequenas expressões do rosto”. Consequência, um tipo que faz “trejeitos e caretas” jamais deveria ser reconduzido no BdP.
    Hemos de convir que, por determinação do “Público”, daqui em diante o critério de escolha se vai simplificar. Quando o Costa António arreganhar a beiçola, aí teremos o PM ideal; quando o Lelo rir alarvemente, aí estará um fantástico ministro do vinho e da vinha; quando o Santos Silva arregalar as lentes, não, não será repugnante e intragável, mas angelical, o mais apto para ministro da propaganda; quando o Silveira ajeitar as onduladas melenas, aí estará o futuro chefe da condição feminina. E assim por diante. Se o Passos aparecer em calções na Mantarrota, que horror, como é que um tipo destes tem pretensões políticas; se o Cavaco coçar a ponta do nariz provará a sua visceral incompetência; se o Portas aparecer de boné, eis o último dos inadequados.

     
    Estão a ver? Quem tem dúvidas em quem votar tem a vida simplificada: o melhor arreganhamento da taxa será o escolhido. A menor fosquinha será condenada. Pelo menos na opinião da fulana do “Público”, opinião a respeitar e a seguir, como não pode deixar de ser, com 93% de certeza.    
    Voltando às doutas palavras da tal rapariga, fiquem os meus amigos avisados: o alvo não é, evidentemente, o Costa Carlos. É o PM, que o renomeou. Não interessa que tenha sido, primeiro, nomeado pelo governo dos senhores Pinto de Sousa e Costa António. Esses tinham toda a razão. Passos é que não. Não interessa que um banquinho, o BPN, tenha custado, via PS e via Constâncio (um luminar!), pelo menos oito mil milhões – fora o resto -, nem pensar! Foi só peanuts. Se um bancão, o BES, custar um décimo, aí sim, teremos uma demonstração evidente do desprezo do Costa Carlos e do PM pelo dinheiro dos contribuintes!

    Estas tão cristalinas opiniões são, com certeza, fruto de jeitos e trejeitos, fosquinhas que não concitam o agrado da chefe do “Público”. Faça o PM o que fizer, ai dele se a “linguagem corporal” não for do agrado da megera!    

     

    25.5.15

     

     

  • SISTEMAS

    Declaração de interesses, ou da falta deles:

    Não sei, no nosso caso, qual será o melhor sistema eleitoral, se o actual, proporcional por lista, se o britânico, uninominal maioritário numa volta, se o francês, a mesma coisa em duas voltas, se o misto, uninominal com lista nacional à mistura, se outro qualquer.

    O debate anda por aí. É fácil dizer que isso dos deputados de lista não passa de uma artimanha para meter no parlamento ilustres desconhecidos escolhidos pelos directórios dos partidos, que as pessoas não sabem quem elegem, que os deputados não são responsáveis perante o seu eleitorado, etc..

    Facílimo, mas fora da realidade. Salvo excepções de nomeados para “encaixar” nomes que “importam”, por ser do conhecimento geral, as listas contêm sempre nomes que “ninguém” sabe de quem são, mas que são conhecidos lá na terra, coisa de que os eleitores das grandes urbes se não apercebem. Se excluirmos as “figuras nacionais” normalmente postas à cabeça das listas, os demais nomes são, melhor ou pior, conhecidos por quem os elege. Os “nacionais” também. Concluindo, dá ideia que os críticos do sistema, ou estão mal informados, ou “surfam” a onda.

    Não sei se ainda existe na AR uma coisa que se chamava PAOD (período antes da ordem do dia). Pelo menos não consta dos jornais nacionais nem das reportagens da televisão. Nunca constou. Exista ou não, facto é que o tal PAOD serve, ou servia, para os deputados “locais” produzirem as suas declarações, também locais, destinadas à imprensa regional, à homilia do domingo seguinte, à discussão no café lá da terra…

    O sistema não me parece mau. Mas admito que se altere para qualquer coisa para satisfazer o criticismo da moda. Talvez com vantagens, quem sabe?

    Todos os sistemas, em democracia propriamente dita, são criticáveis, mas correspondem à séria tentativa de obter um máximo de representatividade. Por outro lado, é verdade que tais sistemas se vão sedimentando e criando raízes nas sociedades.

    Fim da declaração de interesse ou de desinteresse. Deixemos o assunto para os teóricos, que é coisa que há por aí com fartura.

    Importante, neste momento, para ficarmos bem-dispostos, é rir a bandeiras despregadas com o que aí vai na nossa “informação”. No jornal ultra socialista chamado “Público”, um dos diversos bolchevistas de serviço, um tal Loff(???), dedica-se a zurzir o sistema eleitoral britânico, o qual, na sua esclarecida opinião, terá gerado um governo de nula legitimidade porque o número de deputados não corresponde ao número de votos obtidos pelos conservadores. Isto, ao ponto de lamentar que o UKIP tenha ficado só com um deputado!

    No jornal “democrático” chamado “Expresso”, em grande destaque, surge o ultra soviético Agostinho Lopes a dizer o mesmo, mais coisa menos coisa.

    Já tínhamos visto (anda para aí na net por todos os lados) a reacção dos nossos media à vitória dos conservadores no Reino Unido, reacção que consistiu em ignorá-la o mais possível. É o costume. Nada a comentar.

    O pânico do nacional bolchevismo é o máximo. Esta malta, para quem uma eleição justa é a cem por cento para o mesmo lado, como em Cuba ou na Coreia do Norte, fica histérica com a hipótese de haver, em Portugal uma reforma qualquer que possa diminuir o número de parlapatões e de parlapatonas na assembleia dita da República. Para tal, nada melhor que atirar-se às canelas dos britânicos, “demonstrando” assim que a democracia representativa é uma balela. Nem sequer percebem que a democracia britânica é de pessoas, não de “colectivos”. Nem que é aí que reside o consensual entendimento dos cidadãos e que o consensual entendimento dos cidadãos é mais importante que qualquer teoria destinada a dar ao PC e quejandos uma data de deputados. Ai Jesus, minto, ai São Marx, que andam para aí com invenções para nos prejudicar! Têm razão: se tivéssemos um sistema uninominal em duas voltas, o PC, o BE e quejandos nem um deputado elegiam.

    Vai daí, nada melhor que seguir as pisadas da “informação” e tratar de desvalorizar a retumbante vitória dos conservadores britânicos. É de estalo.

    E os outros, os que se queixam de que os deputados portugueses são desconhecidos de quem os elege, que o povo não se revê neles, etc., e que vêm, agora, criticar o Reino Unido porque… os deputados são conhecidos de quem os elege e o povo se revê neles? O que pode a raiva que causa ver triunfar, against all odds, a direita, nem que seja lá nas ilhas de Sua Majestade!

    É só comparar estas reacções – do PS e dos outros, mais da “informação” e dos comentadores – com as vistas e lidas depois da vitória do Syrisa na Grécia, para termos uma noção clara da forma como as nossas cabeças são diariamente empurradas para comer noções torcidas, desonestas, falsas e manipuladoras.

    Posto isto, se quiserem mudar o nosso sistema, força rapaziada! Se prejudicarem com isso o PC e os minhocas da esquerda, paciência. Mas lembrem-se: dar cabo do que, melhor ou pior, vem funcionando, é fácil. Difícil é criar algo melhor que se imponha e se reconheça.

     

    24.5.15

  • ESCLARECIMENTOS

    Afinal, ó Costa, em que ficamos? Começaste por não ter ideias nenhumas, como é teu hábito.

    Meses depois, contrataste uns tipos para te suprir os hiatos do bestunto. Apresentaste o relatório deles com pompa e circunstância. Houve uns tipos da tua organização que desataram a ganir. Até o Drácula da argola na orelha ganiu… vejam lá!

    Tu, meu rapaz, a correr, vieste informar a Nação sobre a natureza do papel apresentado na luzida cerimónia: não, não são os Upanichades, perdão, o Corão, desculpem, a Bíblia, só um papel, um relatório, uma coisa para pensar, para os comentadores, a televisão, enfim, uma coisinha sem importância, feita para agitar as águas. A seguir é que vai ser bom.

    E lá veio o bom. Não um “documento”, não senhor, é um “projecto”. Sem demora, o rapaz do penteado à majorete, por exemplo, declarou que pois, isso dos impostos, se é para daqui a dois anos ou sem data, como no projecto, não é, pois, enfim, é para um ano, perdão, dois anos, enfim, ou coisa que o valha.

    Vens tu, grande mágico, pôr os pontos nos is: isto não é nenhum programa, só um projecto, não nos compromete, andamos a discutir, a conversar, a acertar agulhas… somos democráticos, pluralistas…, enfim, pois, no dia 6 é que vai ser bom, virá o programa.

    Passando à futurologia, no dia 7 virás dizer: pois… enfim, é um programa, mas um programa é uma coisa dinâmica, não é uma paragem no tempo, evoluirá… tudo ficará claro, transparente, definitivo. Virá o barbas, da esquerda do Rato, dizer que o programa enferma de direitismo, virá o outro barbas, o reformador, ou enterrador, dizer que a TSU não é assim, é assado. A correr, surgirás tu, esclarecedor, transparente, claríssimo, a declarar que pois, “os portugueses já perceberam”. Já a prima Hermengarda gostava muito de dizer coisas…

    O IRRITADO deseja-te o futuro que mereces.

     

    23.5.15

  • EANOVOOFILIA

    Há homens para tudo.
    Quando vejo o famoso General Eanes a dar o seu apoio ao vascolourencista Nóvoa, vêm-me à cabeça outras gentes e outros tempos.
    Gentes de que é paradigma o sábio Professor João Lobo Antunes, que tão depressa é chefe de fila do presidencial sampaismo, como se põe às ordens de Cavaco, numa demonstração de evidente coerência científica.
    Tempos, que tempos!, os do eanismo. É certo que, em boa parte, se deve a Eanes o 25 de Novembro. Depois… depois foi uma desgraça. O homem queria mandar, presenteava-nos com primeiros-ministros tão depressa vindos do conservadorismo moderado (Mota Pinto), como do mais ridículo terceiro-mundismo esquerdófilo (Pintassilgo), passando pelo nado morto tecnocrata Nobre da Costa. Esperneou como uma lagosta ao ar livre quando a Constituição foi mudada, retirando-lhe os voos presidencialistas e castrenses. Aborrecido, resolveu criar, a partir de Belém(!!!), um partido novo, o “partido da ética”, dos “homens bons”… o PRD, de triste memória. Cedo os “homens bons”, cheios de “ética” desataram à castanhada entre si e, à segunda tentativa, desapareceram do mapa como era de prever e desejar.   
    Agora, certamente do alto da sua impecável ética, resolve atrelar-se ao Nóvoa. Verdade seja dita que, como nunca foi coerente com coisa alguma, eata não é tanto de estranhar como o saltapocinhismo do Antunes. Resta concluir, para nosso descanso e esperança, que o apoio daquele senhor ao Nóvoa não vale um caracol.

    20.5.15

  • CLARAS INTENÇÕES

    Bem juntinha ao PS, vem a dona Catarina oferecer mais umas benesses ao povo. Desta vez, a vasta vassoira não é de modas: o IVA passa a 6% e o ordenado mínimo sobe para 545 euros. Se eu fosse a ela, seria mais generoso: acabava com o IVA e punha o salário em 2.500 euros. Que diabo, é preciso coragem, ó Martins! Não sejas tão modesta. Então achas que se vive bem com 545 euros por mês? Ou foi uma conversinha com o Costa que te fez ser tão comedida, tão realista, tão “socialista democrática”?
    O que dirá o insuportável careca que queria o teu lugar? Deve estar piurso, coitado. E o camarada Louça? Esse, arquiepiscopalmente, deve tremer de indignação por não ligares nenhuma ao socialismo revolucionário.
    A ocasião faz o ladrão, não é? Com mais umas conversinhas com o Costa, se o tipo ganhasse (xiça!), lá vinha uma secretaria de Estado para ti, outra para a Mariana e, com sorte, quem sabe, talvez o ministério da propaganda. Seja como for, é preciso insistir. O Costa faz promessas, tu aumentas um bocadinho (pouco, para não espantar a caça), juntam tudo e, como não têm dinheiro para mandar cantar um cego, paciência, explicam ao povo que ainda não é desta mas, como se trata da construção do socialismo, vale a pena.

    Força miúda!

    20.5.15

  • PERGUNTINHAS

    Esta história da greve da TAP leva a colocar algumas questões eventualmente impertinentes.

    Como é possível que haja pessoas, tidas por inteligentes, como o opinioso Sousa Tavares e o “cineasta” Vasconcelos, que achem importante ter, pública e “nossa”(?) uma “companhia de bandeira”?

    Então a Ibéria, a British, a Lufthansa, por exemplo, deixaram de ser espanhola, inglesa ou alemã por terem deixado de ser do Estado? Então a Swissair e a Sabena, que o Estado levou à ruína e mudaram de nome e de patrão, deixaram de ser suíça e belga por causa disso?

    Como é possível que tal gente, ainda que adepta de um socialismo mais ou menos nefelibata, alinhe com as opiniões subitamente ultra nacionalistas e habitualmente ultra estatistas da extrema-esquerda, opiniões que, felizmente, não interessam seja a quem for com dois dedos de testa?

    Como é possível que haja um líder partidário com pretensões a primeiro- ministro que, no paroxismo da estupidez, queira vender a TAP na bolsa? Então uma empresa com capitais próprios negativos é aceite nalguma bolsa? Só se for na bolsa dos perdidos e achados da feira de Carcavelos. Como é possível tal criatura levar tão longe a procura de “temas” para compensar o extremo vazio da sua ridícula inutilidade?

    Mudando de tema, como é possível que o país inteiro não esteja a discutir os limites do direito à greve? Como é possível que os pilotos canalhas que causam os danos que causaram e continuam a causar não sejam despedidos com justa causa e sem indemnização? Como é possível que, em alternativa, não sejam submetidos à lei marcial e postos a ferros se a violarem?

    Como é possível que ignorantes do calibre do xarroco do PC que manda nos professores faça o que quer e muito bem entende sem que lei nenhuma lhe limite o “profissionalismo”?

    Quantas Tatchers, quantos Reagans são precisos para, num país que protege abertamente os criminosos sindicais (chusmas de tachistas), meter alguma lógica, algum bom senso, nas leis totalitárias que permitem e protegem um sindicalismo bandido, ultrapassado, condenado?

    É preciso coragem, eu sei, mas enquanto estes “representantes” dos trabalhadores (as mais das vezes representam meia dúzia mas têm, por lei(!), “jurisdição” sobre todos) continuarem impunes e forradinhos de “direitos”, e não forem travados, dificilmente sairemos da cepa torta, dificilmente algum investidor acreditará em Portugal, dificilmente os nossos esforços e sacrifícios verão algum resultado.

    Há mais perguntas mas, para já, estou farto de perguntar.

     

    14.5.15