Cá em casa, distingue-se as edições do jornal do PS & Cª, chamado “Público”, desta forma, mais ou menos primária: “hoje é dia do Tavares bom” ou “hoje é dia do Tavares mau”, sendo que, como devem calcular, o “bom” é o João Miguel Tavares, e o “mau” o Tavares do “Livre”.
Pois bem, em quase histérica defesa do seu “liberalismo social”, o “Tavares bom” espraia-se hoje em considerações sobre o referendo irlandês. Porque é a favor do casamento gay? Não, isso va sans dire. Porque acha que é uma vitória dos “direitos humanos”? Não, pela mesma razão. Porque é um “avanço”. Não.
Então porquê? Porque acha que, na nossa vida pública faltam gays, ou tipos a dizer que o são. Vistas bem as coisas, devia, como para as mulheres, haver quotas para os ditos. Cada governo, cada partido, cada parlamento, cada câmara municipal, devia ter um mínimo de gays confessos, assumidos e, de preferência, casados uns com os outros. O mesmo, é de pensar, com as fufas, personalidades a que o autor não se refere.
O homem não diz isto, ou não se expressa assim, mas é a conclusão lógica do seu esclarecido pensamento. O que o revolta, expressamente, é que possa haver, ou haja, membros do governo, parlamentares ou autarcas que, sendo gays, não venham “assumir” as suas tendências ou práticas sexuais, transparentemente, perante o respeitável público. Ou seja, em matéria de “direitos humanos” devia, na sua opinião, haver, para além das declarações de rendimentos e mais não sei de quê, declarações fidelidade gay. Por este andar, os políticos deviam ser obrigados a decalarar se são do Benfica ou do Carcavelinhos e, mais importante ainda, se gostam mais de carapaus ou de sardinhas, se lêm livros de quadradinhos, se vêm programas “ousados” ou se vão a concertos da Gulbenkian.
A reserva da vida pessoal de cada um é coisa que, segundo o mesmo comentador, é, ou devia ser, letra morta.
Em conclusão, no melhor pano cai a nódoa.
28.5.15

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