IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CORTAR O MAL PELA RAIZ

    Segundo parece, hoje, pela 399ª vez, não houve acordo com a Grécia. Parece também que não virá a haver.

    E depois? As opiniões dividem-se. De um ponto de vista económico e financeiro, há quem ache que a saída da Grécia do euro será uma hecatombe generalizada, o fim do euro, o princípio do fim da UE. Outros dizem que não será tão mau como isso. Todos concordam que, do lado geo-estratégico, será um berbicacho de todo o tamanho.
    Ceda-se ou não se ceda à chantagem dos esquerdistas gregos, o problema manter-se-á. É que, se houver, agora, acordo, o problema será empurrado com a barriga, uma vez que está provado que, se a Grécia, com governos moderados, nunca foi fiel a acordo algum, asinda menos o será com o Syriza. A chantagem, desta vez, poderá dar resultado, mas, dentro de seis meses, é garantido que tudo voltará à estaca zero.
    Se os “programas troiquistas” têm graves defeitos, também têm tido as suas virtudes, pelo menos na Irlanda, em Espanha e em Portugal. Onde jamais seja que programa for dará bom resultado será num país dominado por comunistas ou proto-comunistas. A verdade é que não há, à face da terra, um só caso em que as receitas deste tipo de gente tenha contribuído para a felicidade seja de quem for.
    Por isso, a grande questão é esta: vale a pena cortar, já!, o mal pela raiz, ou será melhor, ainda que muito mais caro, cortá-lo mais tarde?

    18.6.15

  • OS COMENSAIS

    Vi uma vez o senhor Carlos César na televisão. A partir daí, a presença deste básico no monitor passou a ser boa razão para mudar de canal. Hoje, sou surpreendido pela notícia de que o fulano ganha 6.000 euros por mês para nos incomodar com os seus desagradabilíssimos aparecimentos e as suas verbais macacadas.
    Parece que o contrato com o homem, segundo o presidente da RTP, vai acabar e não será renovado. Hossana! Só é pena que seja preciso acabar o contrato para correr com ele.
    E daí, talvez não, dirá a esquerda: os trabalhadores, mormente os deste calibre, têm direitos! Ainda por cima trata-se, ó ignomínia, de um contrato a prazo. Precariedade! E a reforma? Os direitos adquiridos? Um horror, um abuso, a exploração do homem pela “nossa” RTP. Quem acabará com isto?

    Já agora, talvez fosse de o senhor presidente dizer o que se passa com o demais políticos “comentadores”. Serão também comensais?

    18.6.15

  • OPINIÃO

    O sindicato dos pilotos anda muito protestativo contra os processos disciplinares com que parece que a TAP presenteou os “criadores” da greve mais ordinária da história da Pátria.
    O IRRITADO é de opinião diversa, tanto em relação ao sindicato como à TAP. O sindicato, se tivesse vergonha na cara, metia a viola no saco. A TAP, se nos respeitasse, punha-os a todos na rua por flagrante delito, sem processo nem indemnização.

    18.6.15

  • O MITO DE SÍSIFO

    Não sei se a imagem da pedra às costas terá sido a mais feliz que a ministra das finanças podia arranjar para ilustrar a nossa situação. Trata-se de uma utilização invertida do Mito de Sísifo.
    O pastor empurrava a pedra pelo monte acima e, quando estava quase a triunfar, uma força irresistível fazia-a rolar de novo pela encosta abaixo, obrigando Sísifo a tudo recomeçar. O mito, como é sabido, foi utilizado por Camus para ilustrar o absurdo da vida. Para Sísifo, em cada escalada a pedra era mais pesada e a tarefa cada mais difícil.
    Dona Maria Luís começa por pôr a pedra às nossas costas. Não a empurramos, puxamo-la. Em vez de se tornar cada vez mais pesada, à medida que subimos a montanha vai aligeirando, tornando cada vez mais provável chegarmos lá acima e livrarmo-nos dela.

    Compreende-se a imagem. Mas é inquietante. É que, se, num cenário de catástrofe, imaginarmos o PS a governar – e a cumprir o que propagandeia – podemos ter a certeza que a pedra passará a pedregulho e a queda pela montanha abaixo será garantida.

    Nenhuma das receitas socialistas provocou, fosse onde fosse, os resultados que os macroeconomistas e os políticos do PS acham que, entre nós – somos os maiores! – provocariam. As ilusões pagam-se caro.
    Por isso que, se o Mito de Sísifo, em versão Maria Luís, tenta infundir esperança não deixa de ser motivo para um medo dos diabos.

    17.6.15

  • ESTÁ TUDO DOIDO

    Uns dias fora, e tudo na mesma, o que é uma boa notícia. Mas… soe dizer-se que há sempre um mas. Déja vu, mas verdadeiro.

    O politicamente correcto continua a atacar a humanidade em várias frentes. Calcule-se que anda para aí uma campanha com o objectivo de censurar os livros do Hergé. O Tim Tim passou a racista, colonialista, infantiliza os africanos, defende o apartheid (é assim que se escreve?), espalha o ódio, um canalha, um tortutador, um carrasco.
    Coisa de intelectuais tarados? Com certeza. Mas é pior que isso. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem aceita queixas dos tarados contra o Tim Tim, e vai julgá-las. Às vezes achamos que, se o nosso mundo não é um manicómio, para lá caminha. A loucura é, quase sempre, motivada por uma espécie de nova moral destinada a pôr em causa as liberdades das pessoas ao mesmo tempo que diz defendê-las. Qual a diferença entre um tribunal que acolhe estas actividades censórias e o ministério da moral dos aiatolas? Haverá algumas importantes diferenças, mas o princípio é basicamente o mesmo: os “bons” a perseguir os “maus”, com uma sociedade distraída que aceita a auto promoção dos “bons”, dos “correctos”, dos “virtuosos”, e a sua “autoridade” sobre os demais.

    Querem mais exemplos? A UE está a fabricar um regulamento qualquer destinado a fiscalizar os movimentos bancários superiores a 1.000 euros. Por outras palavras, todos somos suspeitos de corrupção, de lavagem de dinheiro, de fraude fiscal e de outras macacadas próprias de canalhas encartados. Por este andar, quando dermos um gelado a um filho, teremos que justificar perante a polícia da UE porque demos à criancinha 2 gramas de açucar, isto se não formos obrigados a preencher um papel justificando a origem dos 3 euros que o gelado custou, e se pagámos o IRS sobre tal importância. O Orwell não passava de um amador quando imaginou o Big Brother.

    E mais. O G7 quer dominar o planeta. Por exemplo, programas e triliões destinados a acabar com os combustíveis fósseis e com o negregado CO2, tudo destinado em arrefecer a Terra, como se a Terra não se estivesse nas tintas para tais patacoadas. Até o Papa parece querer entrar na “guerra do clima”, sem perceber que o pecado de orgulho está em querer “dominar o cosmos”,  não em tentar viver a vida que Deus nos deu com humildade e bom senso q.b.

    Assim foi a reentrada: uma série de “mas”.

    O tresloucado Tripas que, estrebuchando, vai contra a esmagadora maioria dos gregos (que não quer sair do euro), e deu em acusar este mundo e o outro de o contrariar, ele que é o dono da razão, isto é, que quer pôr os outros a subsidiar a aplicação das suas loucuras ideológicas. O que é isto, se comparado com o caso do Tim Tim, dos mil euros ou do CO2?

    Peanuts, meus amigos. Peanuts.

    16.6.15     

  • BESTIALIDADES

    Nunca me tinha passado pela cabeça tecer elogios ao tripeiro que é presidente da Câmara de Lisboa. Porquê? Porque o Medina vem direitinho do governo do 44, porque não gosto da carinha dele, porque é socialista, etc..
    Mas vou fazê-lo.

    Ontem, mal o PR tinha acabado o discurso, já se alinhavam nas TVs, sequiosos, os três da vida airada: Costa, Catarina e um tipo do PC cujo nome me escapa. Disseram as patacoadas que diriam fosse qual fosse o texto do tal discurso. Se o PR tivesse falado em alhos, diriam que estava de joelhos perante o governo. Se falasse em bogalhos era um subserviente. O mesmo se falasse de nêsperas. Do BE e do PC outra coisa não seria de esperar, a cassete é a cassete, e daí são incapazes de passar. Nem precisavam de ouvir o discurso. Já do Costa esperar-se-ia um bocadinho mais. No entanto, foi igulazinho, a mesma bestialidade, a mesmíssima arenga dos outros, a provar, mais uma vez, que não presta para nada nem sabe o que diz.

    À noite, salvo erro numa sessão da SIC Notícias, o supracitado Medina deu uma lição de política e de bom senso ao chefe (dele) Costa. Criticou o que tinha a criticar, com inesperada elevação, elogiou o que tinha a elogiar sem complexos e sem a básica estupidez do outro. Muito bem.

     

    É de esperar que, para nosso bem, se zanguem.     

    11.6.15

  • EMERGÊNCIAS

    Tem sido muito interessante a história da greve dos tipos do INEM. Querem trabalhar menos e ganhar mais, como de costume nestas coisas. Além disso, querem cortar a cabeça do chefe. Tudo bem. Estão no seu garantidíssimo direito de chatear o patrão. Quem sabe se até têm razão.
    Interessante porquê? Porque, tanto os grevistas como o patrão, acham que as necessidades de socorros estão garantidas, que ninguém se deve incomodar com o assunto, as urgências serão tratadas com toda a normalidade, etc.
    Que conclusão tirar desta estranha situação?
    Se, de facto, não há problemas no serviço, então o trabalho dos grevistas não é preciso, nem ordinário nem extraordinário. Os grevistas devem ser despedidos, já que se está a gastar dinheiro com gente que não serve para nada e que há quem faça tudo o que é preciso sem a sua alta colaboração.
    Se assim não é, então grevistas e patrões estão a enganar as pessoas e a abusar da nossa paciência.
    Pelo sim pelo não, ponha-se a pau: está entregue ou a inúteis ou a aldrabões.

    11.6.15

  • “HISTÓRIA”

     

    Há para aí trinta anos, fui pela primeira vez a São Tomé. Para além do que tinha a fazer por lá, a curiosidade foi muita.

    O país vivia sob um regime tipo “democracia” popular, mas havia já uma ténue tendência para uma viragem, pensava-se numa nova constituição, propunha-se acabar com a influência cubana e com as “tropas de ocupação” que Angola por lá mantinha.

    Um dia, foi-me dado ler um manual escolar de história, de origem cubana, onde se lia que a humanidade tinha vivido nas mais profundas trevas até à gloriosa revolução de Outubro, momento em que o “sol”, criado por Marx e Engels e posto em prática por Lenine e Estaline, tinha passado a iluminar marcha dos povos de todo o mundo para o progresso e a felicidade. A idade da pedra tinha acabado em 1917, altura em que tinha início a verdadeira história do género humano.

    Não se riam. Não tem graça nenhuma. Era esta a postura cultural que a influência soviética proporcionava às gentes.

    Não se riam. Por cá, mutatis mutandis, passou-se e continua a passar-se mais ou menos o mesmo.

    Vejam, por exemplo, o artigo 1º da nossa tão incensada Constituição: “Portugal é uma República…”. Não é uma Nação, é uma República. Como as definições, literalmente, limitam, aí temos, limpinho, o conceito cubano: se Portugal se define como República, o que havia antes dela podia ser tudo menos Portugal. Esta beleza conceptual está há 40 anos em vigor e ainda não houve uma só alma que propusesse corrigi-la.

    No seguimento deste tipo de “pensamento”, desta feita em versão ultra jacobina, um fulano que até foi ministro não sei de quê, deu à estampa um livrinho chamado “Heróis do Mar – História dos Símbolos Nacionais”. Escusado será acrescentar que, honrando a tradição cultural de que venho falando, tais símbolos são, exclusivamente, os da República, isto é, antes da República, nada havia, nem símbolos. Pelo que, por muito “culto” que seja o autor, ao chamar ao escrito “História dos Símbolos Nacionais”, ou está a aldrabar os leitores ou merecia ter sido ministro da educação de São Tomé em 1980.

    A criatura “descobriu”(!) que tais símbolos só foram consagrados na consciência popular quando, por causa da bola, o Filipão deu ordens para pormos a bandeira à janela, o que é uma incoerência com a sua “tese”, mas… paciência. Não quer é “descobrir” que, num país que, durante oito séculos, teve como cores nacionais o azul e o branco, não é, ou não foi, fácil mudar coisas tão geneticamente adquiridas.

    A não ser que a bandeira a que o senhor Nuno Severiano Teixeira chama nacional seja, de acordo com o artigo 1º da Constituição, assumida como bandeira da República, e de nada mais. É o que eu faço.

     

    PS. É tal o “respeito” do homem pelos “símbolos nacionais” que veio dizer nos jornais que os membros do governo, ao usar a bandeira na lapela, a estão a “privatizar”, a apoderar-se dela, e outras bojardas do género. Por outras palavras, isso de usar na lapela a bandeira da República devia, na opinião deste pacotilheiro, ser reservado aos membros do PS ou a quem tivesse um certificado de fidelidade ao jacobinismo passado pelo Dr. Almeida Santos.

     

     

    10.6.15

  • EVOLUÇÃO NA CONTINUIDADE

     

    O impagável 44 resolveu escrever uma carta ao juiz. Mentira. A carta era para a imprensa! No fundo, o que ele queria era atemorizar o homem, a ver se ele o mandava para casa com polícia à porta. O juiz, e muito bem, nem o quis ouvir. O escrevinhador ficou na choça, para não se armar em parvo.

    Diz ele que não há factos, nem provas, nem acusação contra si. Não sei se há provas ou acusação. Mas factos, é de insistir, há, e com fartura. Os que andam na boca do povo? Não. Os que vêm nos jornais? Também não. Os que os magistrados verificam? Não são precisos.

    Basta o que o tipo já disse e já escreveu para ser condenado por quem tiver dois dedos de vergonha. Trata-se, pelo menos, de um preguiçoso, de um pendura, de um chuleco, de um aldrabão, ainda por cima a com a mania das grandezas. Disso não se safa, com provas ou sem provas, com acusação ou sem ela, com condenação ou sem ela. Chega o que chega, assinado e carimbado.

    A carta foi uma evolução a provocar a continuidade!

     

    9.6.15

  • A CHANTAGEM INTENSIFICA-SE

    Quem, vindo de outro planeta,  ouvir  o Falhoufakis e o Tripas, concluirá que há umas dezenas de bandidos que os perseguem e que estão apostados em acabar com o euro e com a UE. Nada do que se passa tem a ver com eles, inocentinhos que são, só com a maldade dos outros.
    Nem um nem outro fala dos problemas que criaram e continuam a criar: só nas consequências que haverá para os demais caso não comam a refeição estragada que lhes querem dar. Ou seja, todos os países da União (não é só a dona Ângela, não é só o senhor Renzi, TODOS) , mais a Comissão, o Conselho, o FMI, o BCE, não há um que queira enfiar o barrete grego. Orgulhosamente, isto é sacanamente, o Falhoufakis e o Tripas, à falta de melhor, intensificam a chantagem. Ele foi a “aproximação” à Rússia, o apoio aos separatistas da Ucrânia, a aceitação sem crítica da anexação da Crimeia, as ameaças, veladas e expressas e, agora, o fim do euro, o fim da UE, isto é, o redobrar da chantagem com a história do grexit.
    Ou dobram a espinha ou partimos a loiça. Ou pagam ou lixam-se, são os “argumentos” dos macacões.
    Inspirados na sua própria demagogia, fingem que ainda não perceberam que a soberania já não é o que era, que assinaram os tratados, que se meteram em grandezas, em trafulhices, em manigâncias contabilísticas, que falharam redondamente os planos do primeiro resgate por incumprimento e fuga em frente, que enganaram os gregos com promessas ideológicas sem sentido nem viabilidade, que devem o que devem e não querem pagar.

    Perceberam tudo. Em desespero culposo ou jactância balofa, resta-lhes intensificar a chantagem. E é com gente desta que um continente inteiro anda a “negociar”!

    Nota: a “argumentação” grega é hoje repetida no DN pelo ilustríssimo patriota e entusiástico europeiista Mário Soares. Lógico, ainda que não patriótico nem europeiista.

     

    9.6.15

  • REIVINDICAÇÕES

    Uma senhora muito compostinha veio à televisão alardear a sua indignação contra a ministra da Justiça que, disse ela, aldrabou o povo com inacreditáveis informações sobre as reivindicações salariais dos juízes. Depois, a senhora compostinha confessou que tais reivindicações estavam num documento destinado a ser discutido. Ficamos esclarecidos. Pelos vistos, o tal documento, com reivindicações milionárias, foi entregue à ministra. Juízes, afinal, são igualzinhos aos tipos das empresas públicas, da CGTP e quejandos que, quando preparam uma negociação, fazem um documento ondem metem as mais loucas reivindicações. Pelo que quem está a enganar o povo não é a ministra, é a senhora compostinha.
    A mesma pessoa reafirmou que os juízes, em alta solidariedade com os problemas da Nação, querem ganhar muito mais porque… os magistrados são independentes! Aqui está o que se chama “interpretação extensiva”, ou aldrabófona, de um estauto constitucional. É que, meus senhores, os juízes são dados como independentes (e irresponsáveis) no acto de julgar, não no direito a comer umas lagostas, ainda que este direito ninguém negue. Fora da sala de audiências, integram a sociedade em geral, e pronto.
    É bom que os juízes sejam bem pagos. Eles e todos nós. É mau que se ponham ao nível dos maquinistas da CP.

    9.6.15

  • SENSACIONAL DESCOBERTA

    Segundo o Costa de ontem (amanhã é capaz de dizer o contrário), o PS quer mais unidades de saúde familiares. A coligação tem falado no mesmo, ou parecido. A diferença é que tais unidades, para estes, têm custos. Para o Costa, não: são de borla. Aqui está o que se chama descobrir a pólvora sem fumo. Estes socialistas são uns einsteinezinhos da penica, não são?

    9.6.15

  • CAUSAS

    Em tempos que já lá vão, a Causa Monárquica, muito alinhada com o Estado Novo, era, para monárquicos da oposição, “a única causa sem efeito”.

    É o que acontece com a “causa das causas”, novo dito do impagável Costa acerca do emprego – ou do desemprego (escolha o que quiser). A causa, causada por outra causa, causando-a, é causa de si própria, continua causa, não passa daí, fica sem efeito.

    Deixemo-nos de crueldades. Sejamos caridosos. Como fará o Costa para causar a causa, assumindo que o que quer é criar empregos? É simples. Aumenta milimetricamente os rendimentos da maralha. No seu alto pensamento, isto vai aumentar o consumo de forma astronómica. Aumentando o consumo aumenta o emprego, não é? Acusado de não especificar com números, o Costa (ou Oco II, na opinião do IRRITADO), especifica: ao Domingo, prevê cinquenta mil novos postos de trabalho, à Segunda dez mil, à Quarta de manhã vinte, oitenta ao almoço e sessenta ao jantar. Com um jeitinho, chegará aos cento e cinquenta mil do seu guru e mestre Pinto de Sousa – este, encarcerado, coitadinho, à ordem da direita reaccionária que domina a Justiça.

    É claro que isto pressupõe que os euros que quer (provisoriamente!) pôr no bolso das pessoas, serão gastos exclusivamente em produtos nacionais, jamais em bicicletas eléctricas, IPads, ou foie gras. Pressupõe ainda que não haverá uns canalhas que resolvam amealhar, já que sabem que, daí a quatro anos, terão que pagar o que receberam a mais, eventualmente com juros. Se não pagarem, adeus à reforma, ou a reforma aos oitenta, que o Costa é de confiança e já o sugeriu.

    Temos de concordar que há uma certa originalidade nestas promessas. Se eu disser, “dou-te um Mercedes novo; ficas com ele durante 4 anos e, passado o prazo, devolves-me o carrinho, não o que eu te dei, mas um do mesmo valor”. Das duas, uma: ou não te dei Mercedes nenhum, ou meti-te os dedos pelos olhos dentro: não tenho culpa que sejas parvo, o problema é teu, venha mas é de lá o meu Mercedes!

    A ideia do Costa é, pelo menos, original. Não sei se algum político, do Putin ao Obiang, se terá lembrado de uma destas. Lembrou-se o Costa. Arranja-nos uma “folga” por quatro anos, depois cai-nos em cima. Verdade confessada. E ainda há quem diga que o homem não é sério.

    A Segurança Social com o Oco II não terá problemas: se tem falta de dinheiro, o remédio é sacar de lá mais algum. Estão a ver? Voltando a recorrer à caridade, diga-se que o indígena não quer sacar, quer que se lá ponha menos. O povo, grato, passará a trabalhar mais em menos horas, a produtividade atingirá inusitados píncaros, e o Sol brilhará para todos nós. Vai faltar ainda mais dinheiro na Segurança Social? Não importa, ora essa, vai-se buscar ao orçamento. Os vedores do orçamento, cientistas de alto valor ao serviço do PS, terão descoberto que o orçamento é um poço sem fundo, cheiinho de dinheiro. Admiram-se? Engano. Então o Cabral não descobriu o Brasil? Homens de pouca fé e velhos do Restelo são o que faz menos falta.

     

    No enterro, o Costa tocará a viola do costume. E pronto.

     

    7.6.15

  • UM NOJO

    Com a devida pompa e larga cópia de notícias e aplausos, deu entrada no Coliseu o palhaço-mor da política portuguesa: o inimitável frustrado, invejoso, desavergonhado e ignóbil António Capucho. Muito zangado por não ter sido convidado por Passos Coelho (há mais disso por aí…) para coisa nenhuma, e por o terem apeado da sua merecidíssima alta posição no Conselho de Estado, este indivíduo anda, como um tonto, a dar à casca. Hoje, coroou o casquismo apresentando os seus respeitos ao conclave do Costa.

    Entre parêntesis, preste-se homenagem a cerca de 25% dos apaniguados socialistas que abandonaram o circo quando o fulano subiu ao palco. Talvez que, afinal, ainda haja no PS quem tenha algum sentido da honra e saiba distinguir o que é um Homem do que é um alarve.

    No que a dor de corno pode transformar uma pessoa! Capucho até tinha alguns méritos, pelo menos até ter virado as costas à Câmara de Cascais, por “motivos de saúde”. A partir daí, a viagem foi tenebrosa e a insigne criatura acabou por naufragar quando achou que a sua altíssima categoria tinha sido beliscada.

    Agora, Costa – que tem pouco de sério e muito de oportunista – lançou-lhe uma boia: se queres ser gente outra vez, anda cá, que fazes falta para apoiar a malta. E lá vai ele despejar o fel acumulado. O homem do musseque do Estoril outra vez na berra! Deve estar satisfeitíssimo. O Costa, idem. Resta saber se estas palhaçadas dão votos ou os tiram.

    Uma vez, o ilustre criticado neste post (era ministro não sei de quê) deu-me a honra de me telefonar perguntando se eu sabia de algum nome que pudesse ser indicado para secretário de Estado do ambiente. Sem pedir ou exigir, indiquei-lhe o nome de um senhor. Ele nomeou o Pimenta das ventoinhas. Voilá.

     

    ET. Uma correcção: o Capucho insiste em dizer que “foi expulso do PSD”. Sabe que mente com quantos dentes tem na boca. Autoexpulsou-se ao apoiar outro “traidor de classe”, o abominável Basílio. Sabia que isso significava, estatutariamente, a obrigatória saída do partido. Pode repetir a mentira à vontade: não passa a ser verdade por causa disso.

    5.6.15

  • SLB BOLCHEVISTA

    Declaração de interesse: sou benfiquista. Já o disse, mas tenho gosto em repetir.

    Posto isto, fui acometido de uma crise de vergonha: o Benfica, zangado com o Jorge Jesus, mandou retirar a fotografia do homem do poster do campeonato. De um ponto de vista estético, o poster é a coisa mais horrível que conceber se possa. Mas isso é o menos. Pior é a inferioridade moral, social, cultural e histórica que a obliteração da fuça do homem representa. Então não foi com ele que o clube ganhou dois campeonatos e mais não sei quê? O homem nunca existiu?

    Faz lembrar a “expulsão” do Beria ou da carantonha do Trotsky da enciclopédia da URSS. Que diabo, ó Vieira, não sejas ainda mais primitivo do que pareces!

     

    5.6.15

  • PODEMOS ESTAR DESCANSADOS

    O admirável generalíssimo do PS, em mais uma das suas habituais manifestações de indiscutível genialidade, veio informar o povo desta maravilhosa promessa: o PS, se o deixarmos (xiça penico!), proporcionar-nos-á gastar mais 1.900 milhões de euros provenientes da baixa da TSU, ainda que tal baixa custe à Segurança Social a módica quantia de 5.000.000.000 (leu bem, cinco mil milhões de euros). Não é possível ligar uma coisa à outra, sendo de duvidar que os altamente esclarecidos economistas contratados pela irmandade socialista, o consigam fazer.

    Talvez por isso, alguns esclarecimentos foram prestados pela agremiação: a baixa da TSU é para recuperar… daqui a 4 anos! Estão a ver: a malta recebe do Estado um empréstimo que, a seu tempo, lhe será cobrado. Esse tempo será… depois de acabada a legislatura que o PS quer comandar. É a filosofia do 44 na sua mais requintada expressão: gastar agora para pagar depois. Se forem os outros a pagar, então, é uma maravilha! A habitual doutrina do “quem vier atrás que feche a porta” a funcionar na maior.

    É claro que isto é fruto de um olhar enviesado, o meu e de mais alguns incrédulos, olhar que a organização do generalíssimo já corrigiu, noutros papéis e declarações: os 1.900 milhões já não são 1.900, são 1.050; o buraco na SS não é de 5.000.000.000, mas de 612 em 2016 e de 1.166 em 2017, não se sabendo de quanto será a partir daí.

    (Não estou a inventar nada, estou a ler o jornal.)

    A conclusão só pode ser uma: estamos perante uma espécie de vale tudo. Vale tudo e o seu contrário, se não é preto é branco e, se convier, também pode ser amarelo às riscas. Preciso é cavalgar as ondas e ondinhas que forem aparecendo.

    Diz-se, e não foi desmentido, que as dívidas da irmandade socialista somam 19 milhões de euros. Não acreditem. À boa maneira da casa, tanto podem ser 19 como 50, como 0,2.

    Podemos estar descansados.

     

    5.6.15

  • A CABEÇA DO COSTA

    O inacreditável Costa decidiu  que o PR, se se recusar a nomear um governo minoritário, violará a Constituição.
    A Constituição postula (Artº 187, nº1): “O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”. Ponto final.
    A Constituição também reza que o PR deve zelar pelo “bom funcionamento das instituições democráticas”.
    O PR tem duas “liberdades” bem claras: a) nomear o PM que quiser tendo em conta as eleições e ouvidos os partidos e b) ajuizar da compatibilidade do governo que lhe é proposto com o regular funcionamento das instituições. Num caso como noutro, o critério é pessoal: formalmente, o PR nomeia o PM que quiser  (não há eleições para PM, o que há são aldrabices do PS a tal respeito); e, se tem o dever de zelar pelas instituições, tem o direito pessoal de estabelecer os critérios para a determinação do que é o seu bom funcionamento. Está, portanto, no seu pleníssimo direito de achar que um governo minoritário é incompatível, pelo menos neste momento histórico, com tal bom funcionamento.
    Onde está a inconstitucionalidade? Na cabeça do Costa. Só na cabeça do Costa.
    Há um lado positivo no seu “pensamento”: já percebeu que não vai conseguir maioria absoluta. Se ganhasse, seria por meia dúzia de votos. Ter percebido alguma coisa é uma grande novidade.
    E há um lado muito negativo: os partidos minhocas, e até o PC, já fizeram constar que estão prontos a alinhar, aproveitando a presidencial decisão. É esse o grande risco que corremos, se o PR for fiel ao que diz: podemos apanhar com uma coligação de esquerda, ou seja, cair na maior desgraça da nossa história e na maior bagunça política que imaginar se possa.

    *

    Ontem, o Costa veio informar a vilanagem sobre o conhecimento profundo que tem das propostas da maioria, as quais, na sua boca “já toda a gente conhece”. Engraçado é ver que nos dias anteriores, a mesma criatura ribombava por aí que a coligação não tinha propostas para apresentar. Então já toda a gente (Costa incluído) sabe o que o Costa clama não existir?
    Em que ficamos?  Na certeza de que acabeça do Costa é a cabeça do Costa.

    3.6.15

  • CORREIA DE CAMPOS

    Tempos houve em que, no governo do 44, havia um homem que se distinguia pela positiva: o ministro da saúde, Correia de Campos. Tinha uma imagem de pessoa séria, que não se perdia em politiquices, tentava cumprir a sua missãosem grande alarde  e não cultivava o estilo aldrabão, palavroso e propagandista da generalidade dos seus pares.
    Os tempos mudaram. O sóbrio ministro da saúde transformou-se radicalmente. É hoje um demagogo de cordel, como compete a quem, por despeito, inveja ou má índole, se apresta a defender o indefensável, nem que, para tal, tenha que perder a face que cultivou. Embarca em tudo o que o chefe disser,e faz disso a salvação da Pátria. Filiou-se na fé do Rato: mais dinheiro para o povo, mais consumo, mais produção, mais emprego. Sustentabilidade da Segurança Social, o que é isso? Vai haver “fontes alternativas”. Mais emprego, mais descontos. Menos impostos, mais dinheiro. Reduzir a TSU dos empregados e deixar a “reposição” para daqui a quatro anos. Como quem, mais uma vez, diz “quem vier atrás que feche a porta”. A política do 44 no seu melhor: alguém, um dia, há de pagar, não é? Pois, mais uma vez, tudo será possível “quando se consolidarem as fontes de financiamento alternativas”. O fundo de estabilização da Seguranla Social vai para a reabilitação urbana, mais uma ideia genial. Reduzir a TSU das empresas provocará um estímulo à economia no valor de 850 milhões por ano. E o IRC, se  ficar na mesma, vai render mais 250 milhões. O ressuscitar do imposto sucessório vai render mais 100. O novo imposto sobre os despedimentos, ou seja, a “internalização do custo social dos despedimentos”, mais 160 milhões. Só faltam 250 milhões, a ir buscar ao orçamento do Estado. Assim, por aí fora, mais coisa menos coisa.
    Julgaríamos estar perante ideias saídas directamente da cabeça da bruxa da Arruda ou da Associação das Maluquinhas de Arroios. Puro engano. Tudo isto e muito, muito mais, este molho de absurdos, ilusões, incongruências ou puras aldrabices, sai dos miolos do Dr. Correia de Campos, e segue, tim tim por tim tim, as extraordinárias ideias do costismo. O que o desespero pode fazer a um homem!

    3.6.15  

  • GENTE DO MELHOR…

    Uma notícia:
    O excelso e mui apreciado advogado Proença de Carvalho subestabeleceu no seu desbocado colega e ilustre desconhecido João Araújo a defesa do seu cliente José Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates ou, simplesmente, 44. Isto no que se refere a um número incerto de processos que corriam no seu escritório, no qual se não insere o relativo à chamada “Operação Marquês”, que já estava nas mãos do segundo. O mesmo parece ter acontecido em relação ao motorista do arguido em causa.
    Proença de Carvalho tornou-se conhecido do grande público na qualidade de director do saudoso “Jornal Novo”, único diário que, no meio da loucura bolchevista de 74/75, foi capaz de lutar pela liberdade e denunciar sem medo as trafulhices do MFA, PC e apaniguados. O “Jornal Novo” – já Proença lá não estava – acabou pouco depois, sendo substituído por outro baluarte liberal, o vespertino “A Tarde”, que também viu os dias contados, talvez por não tergiversar ou por viver num meio em que o socialismo ainda inquinava a cabeça da maioria.
    Muitos anos passaram. Empurrado pela fama obtida e por inegável jeito para a profissão, lá foi singrando. Muito bem. Engana-se porém quem pensar que se manteve fiel ao que dele se esperava. A vida faz isto às pessoas, não é? Proença passou a ser uma espécie de faz tudo o que dê, legalmente, dinheiro. Politicamente, acabou a apoiar, jurídica e politicamente, o 44 e o seu sucessor e fiel seguidor António Costa.
    Agora, pense-se o que se pensar, parece que o nosso homem quer “voltar às origens”. Ou, mais propriamente, tirar o cavalinho da chuva. Saúde-se, com espanto e tristeza.

    Um comentário:
    Muita gente se tem manifestado temerosa acerca do desfecho do processo “Operação Marquês”. E se o procurador não conseguir reunir provas suficientes para condenar um arguido que está há seis meses em prisão preventiva? Que desprestígio para a justiça! Que derrota para o sistema! Que descrédito para o país!
    Compreendo a inquietação, mas não alinho no catastrofismo. A verdade é que, condenado ou não, já se sabe de quem se trata, por comprovados pecadilhos do passado e por uma data de pecadões do presente, estes, aliás, já confessados pelo próprio por palavras e escritos posteriores ao seu encarceramento.
    Um agente técnico camarário que assinava projectos de terceiros para outra câmara, projectos da pior qualidade estética e urbanística, autênticas vergonhas administrativas. Um estudante que tirou um curso qualquer com o auxílio de várias e suspeitíssimas calçadeiras. Um tipo que, vindo de um partido, subiu noutro sabe-se lá como e porquê. Um político que aprovou o que aprovou, sempre sob, talvez infundada, suspeita: Cova da Beira, Freeport, etc., e lá foi subindo, cheio de  invejável paleio, apoiado por uma coorte na qual sobressaem nomes como os de António Costa, Mário Lino, Paulo Campos, Vieira da Silva, Santos Silva e tantos outros de má memória e temível presente. Liderou o país até à bancarrota final que a crise internacional precipitou, mas que, sem crise internacional, ainda teria ido mais fundo.
    Corrido do governo em eleições, tratou da vida. Não quis trabalhar. Tinha assento no parlamento (era o seu emprego!), mas não quis lá sentar-se. Era coisa baixa para tão alto senhor. Pediu um empréstimo à CGD e comprou um Mercedes dos mais caros, capaz de levar o empréstimo todo. Sem ordenado nem rendimento que se visse, contratou um motorista e uma secretária. Mudou-se para Paris onde passou a viver à custa de um amigo que lhe mandava dinheiro aos milhões, para viver à grande, para ir de férias como um lorde, sabe-se mais para quê, um amigo que lhe emprestou um magnífico andar num sítio onde só chegam, ou vivem, embaixadores e milionários. Era só pedir, e lá vinha a massa: a que fosse precisa e a que não fosse. Arranjou um emprego onde não trabalhava, só recebia. Como o ordenado era baixo (12.000 euros por mês) arranjou outro, onde também não trabalhava mas que rendia o mesmo. Limpinho, sem impostos, sem taxas, sem chatices. Tudo isto confessou, sem deixar lugar a dúvidas. Era tudo amizade!
    Aceitemos a verdade do homem. Aceitemos a hipótese de a Justiça não provar que o dinheiro era dele, que o recebeu de luvas e o pôs em nome de outrem. Facto é que está provado, sem ser preciso Justiça nenhuma, que o indivíduo não quer trabalhar, que tem empregos marados, que vive à custa de terceiros, que recebe toneladas de dinheiro emprestado, dinheiro que jamais pagará, um chuleco miserável, um troca-tintas, a fazer inveja a qualquer vigarista, mesmo dos mais experientes.
    Querem mais? Não vale a pena. Depois do que confessou, até por escrito, só políticos da qualidade do Mário Soares ou do Ferro Rodrigues o elogiam. O António Costa, esse esconde-se atrás de uma peneira, a julgar que, não criticando nem elogiando o chefe, se safa de ter sido seu número dois, de jamais se ter dele demarcado, de nunca ter tido uma palavra sobre o que o seu (dele, do Costa) governo fez à gente.
    É um tipo destes que querem para governar? Também há quem se suicide, mas não é coisa que se recomende.      

    2.6.15

  • EXPRESSIVAS PREFERÊNCIAS

     

    O cartoonista Augusto Cid costumava caricaturar o Dr. Balsemão pintando-o sem olhos, nariz e boca. Não sei ao certo qual seria a insistente mensagem. Elogio não era.

    O IRRITADO avança uma hipótese imaginativa, talvez só bene trovata. Cid referia-se ao “Expresso”, em particular, e à imprensa pluralista em geral, a imprensa sem cara, a que tantas vezes tenho dedicado umas palavrinhas e de que o “Expresso” é paradigmático exemplo: uma no cravo outra na ferradura, recados e mais recados, encomendas e mais encomendas, quase submergindo os poucos que, nele escrevendo, ainda vão tendo cara.

    Este Sábado, porém, ao contrário do costume, o “Expresso” tem cara: a do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates. Carinhosos retratos na primeira página, mais uma mão cheia deles em páginas e páginas, o fulano na prisão, cela de 12 metros quadrados (nada mau!), televisão, passeios no pátio, intelectualíssimas leituras, veia de escritor a fazer inveja ao Balzac, uma incontável e subliminar(?) louvaminha, um nunca acabar de propaganda.

    Por seu lado, a ideóloga de serviço permanente publica uma tresloucada diatribe sobre a ausência de obras públicas, a falta que nos faz o TGV, mais o aeroporto do jamais, a desgraça que é não haver metropolitano para o “bairro histórico” das Amoreiras(!), o estado da linha de Cascais, o alfa pendular a levar três horas do Porto a Lisboa, o incómodo dos autocarros da Carris, tudo a precisar de “investimento”, um país e uma cidade pelas ruas da amargura, a Avenida da Liberdade a precisar de bicicletas, eléctricos rápidos na Calçada do Combro, a necessidade imperiosa de progresso “sustentável”, uma interminável série de medidas urgentes. Só um investimento público a sério serviria para atalhar as múltiplas desgraças em que estamos envolvidos.

    Não sei se alguma das pessoas que fazem o favor de me ler terá, uma vez que fosse, visto a dona Clara F. Alves no metropolitano ou nos autocarros da Carris. É provável que a tenham visto num dos intermináveis corredores da Portela – que tanto critica – sem que, ó injustiça, lhe tenham posto à disposição um caddy e uma carripana para a transportar, como é devido a tão alta personalidade.

    Mas sei onde foi ela buscar inspiração para a furibunda diatribe com que brindou a populaça: à inegável obra desse luminar do progresso, Pinto de Sousa, conhecido por engenheiro Sócrates.

    Ou seja, para os irritados da nossa praça que acham que o “Expresso” não tem cara, o dito resolveu dizer que a tem: é a cara do tal engenheiro e da sua inigualável e indispensável qualidade política e humana.

    Alguém me diz, aqui ao lado, que não me preocupe: na semana que vem, o “Expresso” terá outra cara qualquer. Duvido. Mas espero que a desta semana tenha o efeito perverso que merece.

     

    1.6.15