IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • A CAMINHO DO SOCIALISMO FOLCLÓRICO

    Os camaradas Tavares e Drago deram à costa com as suas “opções inadiáveis”. Esclarecedor, mas repetitivo. O Podemos, o Syriza e demais organizações apostadas em ressuscitar o socialismo folclórico, subscreveriam de bom grado o palavroso arrazoado.

    Uma novidade se deve assinalar, a intenção de construir uma nova maioria. Ou seja, pedir boleia ao PS, única forma de arrajar uns lugarecos, que isto de andar na politica sem lugarecos não tem piada nenhuma, como demonstram as carreiras dos dois camaradas, ambos flores que o BE cultivou e que, mui socialisticamente, trairam.

    Estou a ser injusto, deitando fora as inúmeras oportunidades que o casalinho nos vem oferecer. Por exemplo:

    – os juros da troica serão devolvidos à procedência;

    – a dívida será para pagar pelos nossos tetranetos;

    – os bancos pagarão resgates a toda a malta que deles precisar;

    – haverá casas de borla para quem não pagar;

    – todos os contratos de trabalho passarão a vitalícios;

    – os cortes na função pública serão repostos imediatamente;

    – as 40 horas, só com mais dinheiro;

    – mais impostos a pagar pelos seleccionados do LTA;

    – fim da sobretaxa;

    – fim das taxas moderadoras;

    – IVA a 13%;

    – garantia do abastecemento de água, energia e gás universalmente garantido, quer se pague quer não, ou seja, com os que mais consomem a pagar aos outros;

    – os tratados europeus alterados e referendados;

    – procriação para lésbicas e mulheres sós;

    – fim  das PPPs, privatizações e concessões;

    – abono de família universal;

    – RSI aos pontapés;

    – mais funcionários públicos;

    – mais obras públicas;

    – mais dinheiro para a Justiça;

    – Justiça mais barata;

    – ressurreição do imposto sucessório.

     

    Aqui temos algumas ideias base para um caminho sem entraves para a bancarrota, a saída do euro, a saída da UE e da NATO, a instauração de um socialismo real, coisa que só fez miséria por toda a parte mas que, nas mãos do LTA+PS, será o céu na terra.

    Quer comprar?

     

     

     23.6.15

     

     

     

     

     

  • SOCIALISMO GAY, VETERINÁRIO E CASTELHANO

    Umas cem tipas, tipos e outras variedades, marcharam em Lisboa, muito orgulhosos dos seus feitos sexuais. Muito bem, são livres de se gabar do que entenderem. Notável foi a presença do socialismo: o BE, o Livre, o Tempo de Avançar, o PAN e o MAS. O BE fez-se representar ao mais alto nível pela dona Catarina Martins (será fufa?). O Livre e o outro também. O MAS – Movimento Alternativa Socialista – não se sabe por quem. Nem o PAN – Partido dos Animais.
    Interessante é verificar estas adesões politicamente correctas. Por um lado, o entusiasmo socialista pela causa, depreendendo-se que o PS só não estava devidamente representado por questões de agenda da dona Isabel Moreira e do camarada Costa. Por outro, o PAN, a comunicar a filiação na confraria dos canídeos e das carraças.

    Mal acabaria se não citasse, para memória futura, outra grande adepta da cruzada, uma famosíssima socialista espanhola do Podemos, que dá pelo nome de Beatriz Gimeno. Afirmou ela, cheia de alta sapiência; a heterossexualidade é uma ferramenta do patriarcado para colocar as mulheres numa posição de submissão perante os homens.

    No comments.

    23.6.15

  • 485128

    Segundo a opinião de um opinante da moda – um tal Marques Lopes, a quem um comentador do IRRITADO, com razão ou sem ela, chama “cabeça de porco” – em quatro anos sairam de Portugal quatrocentos e oitenta e cinco mil cento e vinte oito pessoas. Sim, meus senhores, não foram quatrocentos mil, nem quinhentos, foram 485128, nem mais um nem menos um! É de presumir que, à hora em que o estrambólico fulano escrevia, já tivessem saído mais trinta e dois mil duzentos e vinte e quatro, e entrado vinte e três mil cento e trinta e dois, pelo que a informação comunicada ao povo não pode deixar de estar desactualizada.
    Dando de barato o número do fulano, com origem, segundo afirma, no Pordata, restaria saber quais os critérios usados para chegar a um número tão preciso. Mas não é isso o que anima, ou preocupa, o tal Lopes. Anima-o e preocupa-o a indignação contra “as políticas” que conduziram a tamanha hecatombe. E aproveita para desatar à castanhada no governo – com carradas de razão, dirá quem ler sem pensar um bocadinho. Como foram feitas tais contas? Mistério. Será, por defeito, o número de portugueses que embarcaram no aeroporto?  Será, por excesso, o total dos registos consulares dos tais quatro anos? Será, outra vez por defeito, o indeterminável número de portugueses que passou a fronteira em Elvas?
    Será uma coisa qualquer, tudo menos algo, sequer, aparentado com a verdade. Primeiro, por que os tais “qualificados” de que tanto se fala andam por esse mundo na maior, a fazer curriculo. Só eu, conto para uma série de sobrinhos, directos e netos, na Califórnia, no Texas, no Brasil, em Espanha, Reino Unido, e não sei mais onde. Todos bem, felizmente. Serão estes os tais emigrantes sem solução na mãe pátria? Certamente que não. Andam a governar-se. Os tempos mudaram, as profissões são outras, as pessoas têm o direito, ainda bem, de poder escolher sem fronteiras. Por cá os ordenados são baixos? É verdade, mas os preços também. Há défice de oferta? É verdade, mas também há inflação de profissionais disto e daquilo. Há desiquilíbrios de rendimento que empurrem as pessoas para outros lugares? Há sim senhor, mas também há a recusa sistemática de empregos menos “dignos”, como se o trabalho fosse uma indignidade. Facto é que muitos portugueses preferem a precariedade e a carreira, com altos e baixos, à aldrabice dos empregos para a vida e das diuturnidades garantidinhas.
    Fazem falta ao país? Uns sim, outros não tanto. Quem não faz cá falta nenhuma são os que andam pendurados nos sindicatos mais retrógrados do mundo civilizado. Uns voltam outros não? Com certeza. Os que voltam, ou não se aguentaram lá por fora, ou são dos que fazem falta por cá. Todos bem partidos, todos bemvindos.
    O drama não é drama nenhum, a não ser que se queira andar para aí, como o Lopes – por conveniência política, ânsia de captar descontentes ou pura estupidez – a exponenciar os casos de drama social que há na emigração, que não serão em quantidades alarmantes.

    Já não há malas de cartão nem bidonviles. O que há é uma geração que descobriu que não vale a pena ter as pernas cortadas por um sistema que deu cabo da iniciativa, do sentido do risco, da construção individual de uma vida, em favor de comodidades como a dos contratos colectivos e do poder dos Arménios que por aí pululam.

    22.6.15

  • CONTOS

    Povos há que têm grande admiração pelas derrotas que sofreram, ou por coisas que não aconteceram. Os sérvios, por exemplo, têm fundacional adoração por uma torre feiíssima postada num descampado do Kosovo onde perderam importante batalha. Os espanhóis (e o mundo inteiro) acham que Colombo descobriu a América quando aportou a uma ilha das Caraíbas e achou que estava na Índia.

    Por estes dias, é o aniversário de Waterloo que se comemora. Napoleão pôs a Europa inteira a ferro e fogo, matou, roubou, destruiu terras e patrimónios, acabando, ainda bem, por ser vencido: em Portugal, na Rússia e, finalmente, em Waterloo. Mas os franceses têm a sua capital pejada de monumentos a Napoleão, de avenidas com os nomes heróicos dos generais batidos, no endeusamento tarado de um tarado. Em Portugal não falta quem teça loas ao fundador da moderna burocracia, sem se lembrar das pilhagens, dos mortos, dos bens perdidos por obra desse grandioso e carniceiro gatuno.

    Os gregos que, pelas mais tristes razões, estão na moda, são objecto dos mais caritativos encómios porque… inventaram a democracia. Também inventaram a oligarquia, a aristocracia e outras “cias”. Mas isso não conta, nem consta. E se Portugal devesse ter privilégios especiais, no século XXI, porque “deu novos mundos ao mundo”?

    Parece que a História é feita de contos. Quem conta um conto, junta-lhe um ponto. Os pontos às vezes são tantos que os contos ficam de pernas para o ar.

     

    19.6.15

     

     

  • IGUALDADE PUBLICITÁRIA

    Por imposição da burocracia de Bruxelas, a publicidade aos automóveis é obrigada a conter dados sobre os consumos, o CO2 e mais não sei quê. Nada contra.

    Nada, também, contra os carros eléctricos. O que não percebo é porque será que, na publicidade aos carros eléctricos, não é obrigatório constar os kw necessários para os pôr a andar. Quando um tipo põe a carripana a carregar lá em casa, que acontece à factura da EDP? Segredo. Se abastecer nos postos públicos, quanto custa por quilómetro? Segredo. E o CO2 produzido pelas centrais térmicas, na percentagem em que fornecem energia? Segredo.

    Pode aceitar-se que as pessoas sejam empurradas para a compra de carros eléctricos. O mesmo não poderá dizer-se quanto a tais segredos. Eu sei que nada é igual, nem as pessoas nem as coisas. Mas, enquanto consumidores, não devíamos ter direito a igual informação na publicidade a produtos de natureza análoga?

     

    19.6.15

     

     

     

  • CORTAR O MAL PELA RAIZ

    Segundo parece, hoje, pela 399ª vez, não houve acordo com a Grécia. Parece também que não virá a haver.

    E depois? As opiniões dividem-se. De um ponto de vista económico e financeiro, há quem ache que a saída da Grécia do euro será uma hecatombe generalizada, o fim do euro, o princípio do fim da UE. Outros dizem que não será tão mau como isso. Todos concordam que, do lado geo-estratégico, será um berbicacho de todo o tamanho.
    Ceda-se ou não se ceda à chantagem dos esquerdistas gregos, o problema manter-se-á. É que, se houver, agora, acordo, o problema será empurrado com a barriga, uma vez que está provado que, se a Grécia, com governos moderados, nunca foi fiel a acordo algum, asinda menos o será com o Syriza. A chantagem, desta vez, poderá dar resultado, mas, dentro de seis meses, é garantido que tudo voltará à estaca zero.
    Se os “programas troiquistas” têm graves defeitos, também têm tido as suas virtudes, pelo menos na Irlanda, em Espanha e em Portugal. Onde jamais seja que programa for dará bom resultado será num país dominado por comunistas ou proto-comunistas. A verdade é que não há, à face da terra, um só caso em que as receitas deste tipo de gente tenha contribuído para a felicidade seja de quem for.
    Por isso, a grande questão é esta: vale a pena cortar, já!, o mal pela raiz, ou será melhor, ainda que muito mais caro, cortá-lo mais tarde?

    18.6.15

  • OS COMENSAIS

    Vi uma vez o senhor Carlos César na televisão. A partir daí, a presença deste básico no monitor passou a ser boa razão para mudar de canal. Hoje, sou surpreendido pela notícia de que o fulano ganha 6.000 euros por mês para nos incomodar com os seus desagradabilíssimos aparecimentos e as suas verbais macacadas.
    Parece que o contrato com o homem, segundo o presidente da RTP, vai acabar e não será renovado. Hossana! Só é pena que seja preciso acabar o contrato para correr com ele.
    E daí, talvez não, dirá a esquerda: os trabalhadores, mormente os deste calibre, têm direitos! Ainda por cima trata-se, ó ignomínia, de um contrato a prazo. Precariedade! E a reforma? Os direitos adquiridos? Um horror, um abuso, a exploração do homem pela “nossa” RTP. Quem acabará com isto?

    Já agora, talvez fosse de o senhor presidente dizer o que se passa com o demais políticos “comentadores”. Serão também comensais?

    18.6.15

  • OPINIÃO

    O sindicato dos pilotos anda muito protestativo contra os processos disciplinares com que parece que a TAP presenteou os “criadores” da greve mais ordinária da história da Pátria.
    O IRRITADO é de opinião diversa, tanto em relação ao sindicato como à TAP. O sindicato, se tivesse vergonha na cara, metia a viola no saco. A TAP, se nos respeitasse, punha-os a todos na rua por flagrante delito, sem processo nem indemnização.

    18.6.15

  • O MITO DE SÍSIFO

    Não sei se a imagem da pedra às costas terá sido a mais feliz que a ministra das finanças podia arranjar para ilustrar a nossa situação. Trata-se de uma utilização invertida do Mito de Sísifo.
    O pastor empurrava a pedra pelo monte acima e, quando estava quase a triunfar, uma força irresistível fazia-a rolar de novo pela encosta abaixo, obrigando Sísifo a tudo recomeçar. O mito, como é sabido, foi utilizado por Camus para ilustrar o absurdo da vida. Para Sísifo, em cada escalada a pedra era mais pesada e a tarefa cada mais difícil.
    Dona Maria Luís começa por pôr a pedra às nossas costas. Não a empurramos, puxamo-la. Em vez de se tornar cada vez mais pesada, à medida que subimos a montanha vai aligeirando, tornando cada vez mais provável chegarmos lá acima e livrarmo-nos dela.

    Compreende-se a imagem. Mas é inquietante. É que, se, num cenário de catástrofe, imaginarmos o PS a governar – e a cumprir o que propagandeia – podemos ter a certeza que a pedra passará a pedregulho e a queda pela montanha abaixo será garantida.

    Nenhuma das receitas socialistas provocou, fosse onde fosse, os resultados que os macroeconomistas e os políticos do PS acham que, entre nós – somos os maiores! – provocariam. As ilusões pagam-se caro.
    Por isso que, se o Mito de Sísifo, em versão Maria Luís, tenta infundir esperança não deixa de ser motivo para um medo dos diabos.

    17.6.15

  • ESTÁ TUDO DOIDO

    Uns dias fora, e tudo na mesma, o que é uma boa notícia. Mas… soe dizer-se que há sempre um mas. Déja vu, mas verdadeiro.

    O politicamente correcto continua a atacar a humanidade em várias frentes. Calcule-se que anda para aí uma campanha com o objectivo de censurar os livros do Hergé. O Tim Tim passou a racista, colonialista, infantiliza os africanos, defende o apartheid (é assim que se escreve?), espalha o ódio, um canalha, um tortutador, um carrasco.
    Coisa de intelectuais tarados? Com certeza. Mas é pior que isso. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem aceita queixas dos tarados contra o Tim Tim, e vai julgá-las. Às vezes achamos que, se o nosso mundo não é um manicómio, para lá caminha. A loucura é, quase sempre, motivada por uma espécie de nova moral destinada a pôr em causa as liberdades das pessoas ao mesmo tempo que diz defendê-las. Qual a diferença entre um tribunal que acolhe estas actividades censórias e o ministério da moral dos aiatolas? Haverá algumas importantes diferenças, mas o princípio é basicamente o mesmo: os “bons” a perseguir os “maus”, com uma sociedade distraída que aceita a auto promoção dos “bons”, dos “correctos”, dos “virtuosos”, e a sua “autoridade” sobre os demais.

    Querem mais exemplos? A UE está a fabricar um regulamento qualquer destinado a fiscalizar os movimentos bancários superiores a 1.000 euros. Por outras palavras, todos somos suspeitos de corrupção, de lavagem de dinheiro, de fraude fiscal e de outras macacadas próprias de canalhas encartados. Por este andar, quando dermos um gelado a um filho, teremos que justificar perante a polícia da UE porque demos à criancinha 2 gramas de açucar, isto se não formos obrigados a preencher um papel justificando a origem dos 3 euros que o gelado custou, e se pagámos o IRS sobre tal importância. O Orwell não passava de um amador quando imaginou o Big Brother.

    E mais. O G7 quer dominar o planeta. Por exemplo, programas e triliões destinados a acabar com os combustíveis fósseis e com o negregado CO2, tudo destinado em arrefecer a Terra, como se a Terra não se estivesse nas tintas para tais patacoadas. Até o Papa parece querer entrar na “guerra do clima”, sem perceber que o pecado de orgulho está em querer “dominar o cosmos”,  não em tentar viver a vida que Deus nos deu com humildade e bom senso q.b.

    Assim foi a reentrada: uma série de “mas”.

    O tresloucado Tripas que, estrebuchando, vai contra a esmagadora maioria dos gregos (que não quer sair do euro), e deu em acusar este mundo e o outro de o contrariar, ele que é o dono da razão, isto é, que quer pôr os outros a subsidiar a aplicação das suas loucuras ideológicas. O que é isto, se comparado com o caso do Tim Tim, dos mil euros ou do CO2?

    Peanuts, meus amigos. Peanuts.

    16.6.15     

  • BESTIALIDADES

    Nunca me tinha passado pela cabeça tecer elogios ao tripeiro que é presidente da Câmara de Lisboa. Porquê? Porque o Medina vem direitinho do governo do 44, porque não gosto da carinha dele, porque é socialista, etc..
    Mas vou fazê-lo.

    Ontem, mal o PR tinha acabado o discurso, já se alinhavam nas TVs, sequiosos, os três da vida airada: Costa, Catarina e um tipo do PC cujo nome me escapa. Disseram as patacoadas que diriam fosse qual fosse o texto do tal discurso. Se o PR tivesse falado em alhos, diriam que estava de joelhos perante o governo. Se falasse em bogalhos era um subserviente. O mesmo se falasse de nêsperas. Do BE e do PC outra coisa não seria de esperar, a cassete é a cassete, e daí são incapazes de passar. Nem precisavam de ouvir o discurso. Já do Costa esperar-se-ia um bocadinho mais. No entanto, foi igulazinho, a mesma bestialidade, a mesmíssima arenga dos outros, a provar, mais uma vez, que não presta para nada nem sabe o que diz.

    À noite, salvo erro numa sessão da SIC Notícias, o supracitado Medina deu uma lição de política e de bom senso ao chefe (dele) Costa. Criticou o que tinha a criticar, com inesperada elevação, elogiou o que tinha a elogiar sem complexos e sem a básica estupidez do outro. Muito bem.

     

    É de esperar que, para nosso bem, se zanguem.     

    11.6.15

  • EMERGÊNCIAS

    Tem sido muito interessante a história da greve dos tipos do INEM. Querem trabalhar menos e ganhar mais, como de costume nestas coisas. Além disso, querem cortar a cabeça do chefe. Tudo bem. Estão no seu garantidíssimo direito de chatear o patrão. Quem sabe se até têm razão.
    Interessante porquê? Porque, tanto os grevistas como o patrão, acham que as necessidades de socorros estão garantidas, que ninguém se deve incomodar com o assunto, as urgências serão tratadas com toda a normalidade, etc.
    Que conclusão tirar desta estranha situação?
    Se, de facto, não há problemas no serviço, então o trabalho dos grevistas não é preciso, nem ordinário nem extraordinário. Os grevistas devem ser despedidos, já que se está a gastar dinheiro com gente que não serve para nada e que há quem faça tudo o que é preciso sem a sua alta colaboração.
    Se assim não é, então grevistas e patrões estão a enganar as pessoas e a abusar da nossa paciência.
    Pelo sim pelo não, ponha-se a pau: está entregue ou a inúteis ou a aldrabões.

    11.6.15

  • “HISTÓRIA”

     

    Há para aí trinta anos, fui pela primeira vez a São Tomé. Para além do que tinha a fazer por lá, a curiosidade foi muita.

    O país vivia sob um regime tipo “democracia” popular, mas havia já uma ténue tendência para uma viragem, pensava-se numa nova constituição, propunha-se acabar com a influência cubana e com as “tropas de ocupação” que Angola por lá mantinha.

    Um dia, foi-me dado ler um manual escolar de história, de origem cubana, onde se lia que a humanidade tinha vivido nas mais profundas trevas até à gloriosa revolução de Outubro, momento em que o “sol”, criado por Marx e Engels e posto em prática por Lenine e Estaline, tinha passado a iluminar marcha dos povos de todo o mundo para o progresso e a felicidade. A idade da pedra tinha acabado em 1917, altura em que tinha início a verdadeira história do género humano.

    Não se riam. Não tem graça nenhuma. Era esta a postura cultural que a influência soviética proporcionava às gentes.

    Não se riam. Por cá, mutatis mutandis, passou-se e continua a passar-se mais ou menos o mesmo.

    Vejam, por exemplo, o artigo 1º da nossa tão incensada Constituição: “Portugal é uma República…”. Não é uma Nação, é uma República. Como as definições, literalmente, limitam, aí temos, limpinho, o conceito cubano: se Portugal se define como República, o que havia antes dela podia ser tudo menos Portugal. Esta beleza conceptual está há 40 anos em vigor e ainda não houve uma só alma que propusesse corrigi-la.

    No seguimento deste tipo de “pensamento”, desta feita em versão ultra jacobina, um fulano que até foi ministro não sei de quê, deu à estampa um livrinho chamado “Heróis do Mar – História dos Símbolos Nacionais”. Escusado será acrescentar que, honrando a tradição cultural de que venho falando, tais símbolos são, exclusivamente, os da República, isto é, antes da República, nada havia, nem símbolos. Pelo que, por muito “culto” que seja o autor, ao chamar ao escrito “História dos Símbolos Nacionais”, ou está a aldrabar os leitores ou merecia ter sido ministro da educação de São Tomé em 1980.

    A criatura “descobriu”(!) que tais símbolos só foram consagrados na consciência popular quando, por causa da bola, o Filipão deu ordens para pormos a bandeira à janela, o que é uma incoerência com a sua “tese”, mas… paciência. Não quer é “descobrir” que, num país que, durante oito séculos, teve como cores nacionais o azul e o branco, não é, ou não foi, fácil mudar coisas tão geneticamente adquiridas.

    A não ser que a bandeira a que o senhor Nuno Severiano Teixeira chama nacional seja, de acordo com o artigo 1º da Constituição, assumida como bandeira da República, e de nada mais. É o que eu faço.

     

    PS. É tal o “respeito” do homem pelos “símbolos nacionais” que veio dizer nos jornais que os membros do governo, ao usar a bandeira na lapela, a estão a “privatizar”, a apoderar-se dela, e outras bojardas do género. Por outras palavras, isso de usar na lapela a bandeira da República devia, na opinião deste pacotilheiro, ser reservado aos membros do PS ou a quem tivesse um certificado de fidelidade ao jacobinismo passado pelo Dr. Almeida Santos.

     

     

    10.6.15

  • EVOLUÇÃO NA CONTINUIDADE

     

    O impagável 44 resolveu escrever uma carta ao juiz. Mentira. A carta era para a imprensa! No fundo, o que ele queria era atemorizar o homem, a ver se ele o mandava para casa com polícia à porta. O juiz, e muito bem, nem o quis ouvir. O escrevinhador ficou na choça, para não se armar em parvo.

    Diz ele que não há factos, nem provas, nem acusação contra si. Não sei se há provas ou acusação. Mas factos, é de insistir, há, e com fartura. Os que andam na boca do povo? Não. Os que vêm nos jornais? Também não. Os que os magistrados verificam? Não são precisos.

    Basta o que o tipo já disse e já escreveu para ser condenado por quem tiver dois dedos de vergonha. Trata-se, pelo menos, de um preguiçoso, de um pendura, de um chuleco, de um aldrabão, ainda por cima a com a mania das grandezas. Disso não se safa, com provas ou sem provas, com acusação ou sem ela, com condenação ou sem ela. Chega o que chega, assinado e carimbado.

    A carta foi uma evolução a provocar a continuidade!

     

    9.6.15

  • A CHANTAGEM INTENSIFICA-SE

    Quem, vindo de outro planeta,  ouvir  o Falhoufakis e o Tripas, concluirá que há umas dezenas de bandidos que os perseguem e que estão apostados em acabar com o euro e com a UE. Nada do que se passa tem a ver com eles, inocentinhos que são, só com a maldade dos outros.
    Nem um nem outro fala dos problemas que criaram e continuam a criar: só nas consequências que haverá para os demais caso não comam a refeição estragada que lhes querem dar. Ou seja, todos os países da União (não é só a dona Ângela, não é só o senhor Renzi, TODOS) , mais a Comissão, o Conselho, o FMI, o BCE, não há um que queira enfiar o barrete grego. Orgulhosamente, isto é sacanamente, o Falhoufakis e o Tripas, à falta de melhor, intensificam a chantagem. Ele foi a “aproximação” à Rússia, o apoio aos separatistas da Ucrânia, a aceitação sem crítica da anexação da Crimeia, as ameaças, veladas e expressas e, agora, o fim do euro, o fim da UE, isto é, o redobrar da chantagem com a história do grexit.
    Ou dobram a espinha ou partimos a loiça. Ou pagam ou lixam-se, são os “argumentos” dos macacões.
    Inspirados na sua própria demagogia, fingem que ainda não perceberam que a soberania já não é o que era, que assinaram os tratados, que se meteram em grandezas, em trafulhices, em manigâncias contabilísticas, que falharam redondamente os planos do primeiro resgate por incumprimento e fuga em frente, que enganaram os gregos com promessas ideológicas sem sentido nem viabilidade, que devem o que devem e não querem pagar.

    Perceberam tudo. Em desespero culposo ou jactância balofa, resta-lhes intensificar a chantagem. E é com gente desta que um continente inteiro anda a “negociar”!

    Nota: a “argumentação” grega é hoje repetida no DN pelo ilustríssimo patriota e entusiástico europeiista Mário Soares. Lógico, ainda que não patriótico nem europeiista.

     

    9.6.15

  • REIVINDICAÇÕES

    Uma senhora muito compostinha veio à televisão alardear a sua indignação contra a ministra da Justiça que, disse ela, aldrabou o povo com inacreditáveis informações sobre as reivindicações salariais dos juízes. Depois, a senhora compostinha confessou que tais reivindicações estavam num documento destinado a ser discutido. Ficamos esclarecidos. Pelos vistos, o tal documento, com reivindicações milionárias, foi entregue à ministra. Juízes, afinal, são igualzinhos aos tipos das empresas públicas, da CGTP e quejandos que, quando preparam uma negociação, fazem um documento ondem metem as mais loucas reivindicações. Pelo que quem está a enganar o povo não é a ministra, é a senhora compostinha.
    A mesma pessoa reafirmou que os juízes, em alta solidariedade com os problemas da Nação, querem ganhar muito mais porque… os magistrados são independentes! Aqui está o que se chama “interpretação extensiva”, ou aldrabófona, de um estauto constitucional. É que, meus senhores, os juízes são dados como independentes (e irresponsáveis) no acto de julgar, não no direito a comer umas lagostas, ainda que este direito ninguém negue. Fora da sala de audiências, integram a sociedade em geral, e pronto.
    É bom que os juízes sejam bem pagos. Eles e todos nós. É mau que se ponham ao nível dos maquinistas da CP.

    9.6.15

  • SENSACIONAL DESCOBERTA

    Segundo o Costa de ontem (amanhã é capaz de dizer o contrário), o PS quer mais unidades de saúde familiares. A coligação tem falado no mesmo, ou parecido. A diferença é que tais unidades, para estes, têm custos. Para o Costa, não: são de borla. Aqui está o que se chama descobrir a pólvora sem fumo. Estes socialistas são uns einsteinezinhos da penica, não são?

    9.6.15

  • CAUSAS

    Em tempos que já lá vão, a Causa Monárquica, muito alinhada com o Estado Novo, era, para monárquicos da oposição, “a única causa sem efeito”.

    É o que acontece com a “causa das causas”, novo dito do impagável Costa acerca do emprego – ou do desemprego (escolha o que quiser). A causa, causada por outra causa, causando-a, é causa de si própria, continua causa, não passa daí, fica sem efeito.

    Deixemo-nos de crueldades. Sejamos caridosos. Como fará o Costa para causar a causa, assumindo que o que quer é criar empregos? É simples. Aumenta milimetricamente os rendimentos da maralha. No seu alto pensamento, isto vai aumentar o consumo de forma astronómica. Aumentando o consumo aumenta o emprego, não é? Acusado de não especificar com números, o Costa (ou Oco II, na opinião do IRRITADO), especifica: ao Domingo, prevê cinquenta mil novos postos de trabalho, à Segunda dez mil, à Quarta de manhã vinte, oitenta ao almoço e sessenta ao jantar. Com um jeitinho, chegará aos cento e cinquenta mil do seu guru e mestre Pinto de Sousa – este, encarcerado, coitadinho, à ordem da direita reaccionária que domina a Justiça.

    É claro que isto pressupõe que os euros que quer (provisoriamente!) pôr no bolso das pessoas, serão gastos exclusivamente em produtos nacionais, jamais em bicicletas eléctricas, IPads, ou foie gras. Pressupõe ainda que não haverá uns canalhas que resolvam amealhar, já que sabem que, daí a quatro anos, terão que pagar o que receberam a mais, eventualmente com juros. Se não pagarem, adeus à reforma, ou a reforma aos oitenta, que o Costa é de confiança e já o sugeriu.

    Temos de concordar que há uma certa originalidade nestas promessas. Se eu disser, “dou-te um Mercedes novo; ficas com ele durante 4 anos e, passado o prazo, devolves-me o carrinho, não o que eu te dei, mas um do mesmo valor”. Das duas, uma: ou não te dei Mercedes nenhum, ou meti-te os dedos pelos olhos dentro: não tenho culpa que sejas parvo, o problema é teu, venha mas é de lá o meu Mercedes!

    A ideia do Costa é, pelo menos, original. Não sei se algum político, do Putin ao Obiang, se terá lembrado de uma destas. Lembrou-se o Costa. Arranja-nos uma “folga” por quatro anos, depois cai-nos em cima. Verdade confessada. E ainda há quem diga que o homem não é sério.

    A Segurança Social com o Oco II não terá problemas: se tem falta de dinheiro, o remédio é sacar de lá mais algum. Estão a ver? Voltando a recorrer à caridade, diga-se que o indígena não quer sacar, quer que se lá ponha menos. O povo, grato, passará a trabalhar mais em menos horas, a produtividade atingirá inusitados píncaros, e o Sol brilhará para todos nós. Vai faltar ainda mais dinheiro na Segurança Social? Não importa, ora essa, vai-se buscar ao orçamento. Os vedores do orçamento, cientistas de alto valor ao serviço do PS, terão descoberto que o orçamento é um poço sem fundo, cheiinho de dinheiro. Admiram-se? Engano. Então o Cabral não descobriu o Brasil? Homens de pouca fé e velhos do Restelo são o que faz menos falta.

     

    No enterro, o Costa tocará a viola do costume. E pronto.

     

    7.6.15

  • UM NOJO

    Com a devida pompa e larga cópia de notícias e aplausos, deu entrada no Coliseu o palhaço-mor da política portuguesa: o inimitável frustrado, invejoso, desavergonhado e ignóbil António Capucho. Muito zangado por não ter sido convidado por Passos Coelho (há mais disso por aí…) para coisa nenhuma, e por o terem apeado da sua merecidíssima alta posição no Conselho de Estado, este indivíduo anda, como um tonto, a dar à casca. Hoje, coroou o casquismo apresentando os seus respeitos ao conclave do Costa.

    Entre parêntesis, preste-se homenagem a cerca de 25% dos apaniguados socialistas que abandonaram o circo quando o fulano subiu ao palco. Talvez que, afinal, ainda haja no PS quem tenha algum sentido da honra e saiba distinguir o que é um Homem do que é um alarve.

    No que a dor de corno pode transformar uma pessoa! Capucho até tinha alguns méritos, pelo menos até ter virado as costas à Câmara de Cascais, por “motivos de saúde”. A partir daí, a viagem foi tenebrosa e a insigne criatura acabou por naufragar quando achou que a sua altíssima categoria tinha sido beliscada.

    Agora, Costa – que tem pouco de sério e muito de oportunista – lançou-lhe uma boia: se queres ser gente outra vez, anda cá, que fazes falta para apoiar a malta. E lá vai ele despejar o fel acumulado. O homem do musseque do Estoril outra vez na berra! Deve estar satisfeitíssimo. O Costa, idem. Resta saber se estas palhaçadas dão votos ou os tiram.

    Uma vez, o ilustre criticado neste post (era ministro não sei de quê) deu-me a honra de me telefonar perguntando se eu sabia de algum nome que pudesse ser indicado para secretário de Estado do ambiente. Sem pedir ou exigir, indiquei-lhe o nome de um senhor. Ele nomeou o Pimenta das ventoinhas. Voilá.

     

    ET. Uma correcção: o Capucho insiste em dizer que “foi expulso do PSD”. Sabe que mente com quantos dentes tem na boca. Autoexpulsou-se ao apoiar outro “traidor de classe”, o abominável Basílio. Sabia que isso significava, estatutariamente, a obrigatória saída do partido. Pode repetir a mentira à vontade: não passa a ser verdade por causa disso.

    5.6.15

  • SLB BOLCHEVISTA

    Declaração de interesse: sou benfiquista. Já o disse, mas tenho gosto em repetir.

    Posto isto, fui acometido de uma crise de vergonha: o Benfica, zangado com o Jorge Jesus, mandou retirar a fotografia do homem do poster do campeonato. De um ponto de vista estético, o poster é a coisa mais horrível que conceber se possa. Mas isso é o menos. Pior é a inferioridade moral, social, cultural e histórica que a obliteração da fuça do homem representa. Então não foi com ele que o clube ganhou dois campeonatos e mais não sei quê? O homem nunca existiu?

    Faz lembrar a “expulsão” do Beria ou da carantonha do Trotsky da enciclopédia da URSS. Que diabo, ó Vieira, não sejas ainda mais primitivo do que pareces!

     

    5.6.15