IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • A CHANTAGEM RESULTOU

    Depois de cinco meses de “chantagem geo-estratégica”, o Tripas conseguiu, finalmente, mais um monumental balão de oxigénio. Brandiu o seu amigo Putin, mais o chinês do Pireu, aos olhos de todos. Deixou, via ameaças e insultos, que se instalasse na Europa o medo do grexit. Chantageou toda a gente das mais rebuscadas maneiras. Mas o Putin foi mais cauteloso do que estaria nos triposos cálculos. Os chineses ficaram com o Pireu, e nem mais um chavo.
    A Europa resistiu como uma leoa. Por palavras cruas, digamos que não deixou que a sodomizassem.
    Mas foi pouco. A virtual estabilidade do euro, o putativo equilíbrio dos Balcãs, o terrorismo islâmico, os avanços da Rússia, a parceria na OTAN, acabaram por pesar nas contas europeias. Mas foi preciso, primeiro, pôr o Tripas a pão e laranjas, infelizmente com gravíssimos custos sociais. Entre a espada e a parede, o homem teve que abjurar das suas tresloucadas ideias e meter na gaveta as suas posições teóricas. Mas, no essencial – o dinheirinho – a chantagem resultou.
    Uma meia derrota para as duas partes. Vai sair caro a ambas. O Tripas, se paga hoje com o que lhe emprestaram, não vai pagar amanhã. Os outros adiaram o problema e têm que pensar como vão comprar um novo adiamento da hecatombe final.
    Reformas do Estado na Grécia? Não brinquemos. Os contribuintes que não contribuem, o evidente gigantismo da economia paralela, os vícios históricos das contas marteladas, os 50 motoristas por cada automóvel do Estado, as centenas de milhar de pessoas reformadas antes de tempo, as pessoas com mais de cento e vinte anos que continuam reformadas sem que haja registo dos óbitos, as famílias que recebem quatro ou cinco pensões sem direito a mais do que uma, as meninas e senhoras, filhas de funcionários públicos mortos, que custam, via “pensões”, uns 550 milhões por ano, os aparelhos médicos que custaram 400 vezes mais que no Reino Unido, as 600 categorias de empregados de alto risco, como os cabeleireiros, os músicos de instrumentos de sopro, os apresentadores de televisão et alia, tudo minha gente reformado aos 50 anos, a multidão de departamentos públicos que não servem para nada, as 300 empresas públicas criadas só nos últimos 10 anos, um lago seco desde 1930 que ainda emprega 1763 funcionários para a sua conservação, os 25% de cidadãos empregados do Estado, um  quarto dos activos, o salário médio dos trabalhadores dos caminhos de ferro do Estado de mais de 5.500 euros por mês, o metro de Atenas a facturar 90 milhões por ano e a custar 500, as reformas de 96% do último salário, (51% em França, 40% na Alemanha, 41% nos EUA, 31% no Japão…), o número de professores gregos 4 vezes o da Finlândia, e dos melhor pagos da Europa, etc.., nunca mais acaba.

    Não é preciso pensar muito para não acreditar em nenhuma reforma do Estado grego poderá acabar com isto. Nem a Europa nem o Tripas acreditam nisso, nem no pagamento da dívida, nem têm a menor dose de confiança mútua, e toda a gente sabe que o problema está para ficar, só que com um acrescento de 80.000.000.000 a somar ao buraco.
    O sistema europeu tem que ser alterado? Talvez. O problema é saber como. Mas não será, com certeza, com a contribuição dos novos nacionalistas da extrema esquerda e da extrema direita, bem unidos, solidários, populistas e mentirosos.

    Por cá, basta ouvir e ver as miúdas do BE e o parvo do Livre, privilegiadíssimos com tempo de antena e páginas de jornais, todos os dias e a todas as horas (somemos-lhes um PS nefelibata e meio syrísico) para imaginar a que cavernas de paranóia nos arriscaríamos se caíssemos nas suas esparrelas.

    15.7.15

  • CITAÇÕES

    – Escreveu João Carlos Espada:
    Maria Barroso convidou-nos a superar o sectarismo autoritário e tribal da I República e do Estado Novo.
    Não pondo em causa a opinião do ilustre académico, cumpre-me lamentar que o marido da Senhora não tenha aceite o convite.

    – Escreveu Rui Tavares (o Tavares mau):
    A maior ameaça que paira sobre a a Europa hoje não é a de Putin ou do fundamentalismo islâmico, dos EUA ou da China, dos eurocéticos ou dos populistas. A maior ameaça que paira sobre a Europa hoje é a que representa Wolfgang Schäuble, ministro das finanças da Alemanha.
    Cumpre-me lamentar que tanta estupidez e tão primitiva raiva possam medrar na cabeça de um ser humano que, diz-se por aí, é um tipo inteligente.

    – Escreveu Paulo Baldaia:
    (Se os gregos fizeram um referendo) parece-me inevitável que os restantes europeus também se pronunciem sobre as condições em que será feito um novo empréstimo.
    Bem visto. Eu acrescentaria: um referendo – um eleitor um voto – em um único círculo eleitoral. Aproveitava-se a ocasião para criar um verdadeiro universo eleitoral europeu, abrindo caminho para o fim da grande pecha de todo o sistema: a inexistência de um eleitorado europeu propriamente dito.

    14.7.15

  • ESCOLHER AS VERDADES

    O chamado Império Colonial Português começou, como se sabe, no século XV (1415), e viu-se acabado no fim do segundo quartel do século XX (1975). Durou 560 anos, ou 584 se incluirmos Macau – que não fazia parte do conceito, mas isso não vem ao caso. Foi tarefa de dezenas de gerações. No fim do século XIX atingiu o seu auge em termos ideológicos ao ser transformado em arma de arremesso do nacionalismo imperial dos republicanos contra as fraquezas da Monarquia. Nada foi, em Portugal, tão imperialista como a primeira República.
    A segunda República, neste como noutros aspectos, seguiu os passos da primeira. O Império não se discutia, mesmo muito depois de outros já o teram feito e de os chamados “ventos da história” o terem condenado. A Europa mergulhara em nova moral política, mais uma vez de carácter nacionalista, só que ora aplicado, não aos países imperiais mas aos seus territórios ultramarinos, subitamente transformados em nações. A segunda República não soube compreender o que se passava e meteu-se em lutas que os tempos tinham passado a condenar. Mas não pode dizer-se que uma constante histórica com 560 anos fosse uma invenção do “fascismo”, como é voz corrente na “historigrafia” dos nossos dias.  
    Tal “historiografia” impõe que se transforme as campanhas do ultramar em mares de crueldade, de massacres, de desumanidade, de assassínios, violações, de bombas de napalm e de mais toda a parafernália de crimes que imaginar se possa. É esse o ponto de vista de mais um escritor (João Céu e Silva) hoje propagandeado no Diário de Notícias, propriedade do seu patrão. O senhor Céu, diz ele, andou à cata de “testemunhos”, todos, ao que parece, destinados a confirmar as teses criminais.
    Como passei 27 meses (1964/1967) em Angola, naquilo a que se chamava ZIN, Zona de Intervenção Norte, “de especial pericolosidade” (a Pátria reconhece-o pagando-me 150 euros por ano!), sinto-me no direito de testemunhar exactamente o contrário das “teses” do senhor Céu. Conheci bastante de tal zona, de Sazaire ao Tomboco, do Tomboco ao Quelo, do Quelo a Nóqui e à Benza, passei por Nambuangongo e por Zala, e bastante mais. O que posso dizer, sem pretensões à propaganda de que o senhor Céu é objecto, é que, “espremidas” as coisas, a presença das tropas portuguesas nessas paragens foi uma lição de humanidade, de convivência e de protecção das populações. A tropa proporcinava assistência médica a gentes até então “tratadas” por feiticeiros, levava o médico a dezenas de quilómetros por terríveis e inseguras picadas se tivesse notícia de um parto eminente ou de uma apendicite, em muitos locais ensinava a ler e a escrever, transportava produtos locais para o comércio geral, dava emprego a quem nem sabia o que isso era e, para além disso, mantinha em segurança gentes atónitas, entaladas por hordas de “nacionalistas” que pouco entendiam. A tropa era bem recebida nas sanzalas, dava-se com as autoridades tribais, protegia missões, criava amigos.
    Tudo isto foi o pano de fundo desses 27 meses, ou seja, a verdade dos factos. Tudo ao contrário do que querem as tremendas bojardas, ilegitimamente generalizadas, com que os escritores ganham a vida e que me apraz condenar.
    Tenho dito.

    9.7.15

  • GATO ESCONDIDO…

    Para mim, o rabo do gato está de fora desde o primeiro dia: o Siryza & Cª jamais tiveram fosse o que fosse a ver com democracia. Servir-se dos seus mecanismos é uma coisa, ser seu adepto é outra, totalmente diferente ou até oposta. Mas, para certos “pensadores” da nossa praça, tipo meninas do BE, aparatchiques do PC, sampaios das nóvoas ou sampaios tout court, costas, boaventuras, viriatos e quejandos, é bom que o rabo fique à vista, sem mais lugar a dúvidas quanto à existência do gato.
    Os jornalistas gregos que tiveram o topete de ser a favor do SIM estão a ser “julgados” em Atenas, por comissões parlamentares de “ética” (deve ser ética republicana, tão ao gosto do nacional-jacobinismo), pela autoridade grega da comunicação social e por outras rebuscadas instâncias.

    Estão a ver o rabo do gato? Algo me diz que os citados “pensadores”, mesmo assim, são capazes de achar que o gato não existe.

    E a “Europa”? Abrirá os olhos, ou continuará a aturar o Tripas para além da toda a gataria?

    9.7.15

  • UM “CADERNO” EXEMPLAR

    Ontem, 7 de Julho de 2015, vésperas de mais um debate do estado da Nação, o jornal privado chamado “Público”, órgão oficioso da oposição socialista e fiel amigo do PC, publicou um caderno especial sobre o assunto.
    Recomenda-se a leitura dos leads. Trata-se de uma extraordinária aplicação da alegoria do “copo-meio-cheio-ou-meio-vazio”, com exclusivo  acento acento na segunda parte. Todos os copos que, com razão ou manipulação dos números, se pode considerar meio-cheios passam, sem excepção, a meio-vazios ou a vazios de todo. Os que estão mais, ou muito mais cheios que vazios, esses, despeja-se-lhes uma pinguinha e passam a meio vazios.
    Aqui temos, preto no branco, até a cores, como se faz, com dados mais ou menos credíveis, um subliminar, “objectivo” e politiqueiro libelo acusatório. Fantástico!

    8.7.15   

  • DA MORAL DOS DITADORES

     

    Já tenho escrito isto várias vezes, mas não será mau repeti-lo, a ver se alguém lê com olhos de ler: o mais espantoso do referendo do Syriza é ter sido aceite por aí como se correspondesse a alguma verdade.

    Não é possível que uma enorme quantidade de sondagens, incluindo as feitas no dia da votação, aponte, sem excepção, para um empate técnico, e que o resutado seja tão alargado como foi, para um dos lados. Nunca, em parte alguma, um referendo foi organizado tão depressa nem tão em cima da hora. Bastava isto para desconfiar. E não será preciso ser muito imaginativo para pensar que a golpada estava preparada há muito, para ser vibrada quando mais conviesse. Os insultos, as ameaças, as carroceiradas, não chegavam, isto é, não surtiam efeito. Daí que fosse preciso uma espécie de arrochada de surpreza, bem preparada, com uma contagem que não deixasse lugar a dúvidas. Coisa de profissionais.
    Estou convencido que “a Europa” come disto para não criar mais problemas. Denunciar a chapelada do Syriza e da extrema-direita podia ser pior que fingir que se aceita o resultado.

    Outra questão, que o futuro talvez venha a esclarecer, é a de saber se um governo, sem denunciar tratados, sem pôr em causa nenhum nenhum pacto ou compromisso nacional formalmente subscrito, ratificado e aceite, tem legitimidade para fazer o que o Syriza tem feito. Não é, mas assim acontece.

    Será legítimo aceitar pertencer a uma organização onde vigora (mal, a meu ver) a lei da unanimidade, para depois se opor a ela de forma diplomática e curialmente inaceitável, em vez de a discutir, mais tarde, de pleno direito? Não é, mas assim acontece.
    Será compreensível que um governo acabe, propositadamente, com o hesitante mas positivo caminho que o seu país estava, apesar de tudo, a começar a trilhar, substituindo-o pelo descalabro social, económico e financeiro a que vimos assistindo? Não é, mas assim acontece.
    Será legítimo, depois dos variados insultos e chantagens em que é mestre, vir um governo esgrimir que a chantagem é dos outros, de todos os outros, e que a solução tem que ser a dele com excepção das de todos os outros? Não é, mas assim acontece.
    Será legítimo que, por cegueira ideológica ou exibicionismo teimoso, se reduza a zero a capacidade de um povo inteiro financiar o seu dia a dia, exigindo de terceiros que metem quase cem mil milhões nos bancos, e que tal pedinchice seja feita por quem acusa os demais de ter ajudado os bancos? Não é, mas assim acontece.

    É evidente que, se a “solução” vier a ser o que o Syriza propõe, não passará em vários parlamentos e em vários governos. Mesmo a “solução” que os parceiros europeus da Grécia tinham proposto e que o “referendo” recusou, passaria? Tenho as maiores dúvidas.

    É possível afirmar, ou aceitar, que as políticas do Syriza tenham alguma coisa de democrático? É, ou seria, com uma condição: que o Syriza decretasse a saída da Grécia do euro e da União, e depois fizesse o que lhe desse na gana. Enquanto estiver comprometido com estas coisas, não pode eximir-se a elas, boas ou más. Nem pode fingir que a tal soberania, com que tanto esgrime, não tem os limites a que se comprometeu, isto é, que não é partilhada com terceiros. Achar que a “soberania” dos gregos, mesmo expressa em referendos duvidosos, se sobrepõe à dos outros, aos que aceitam os seus limites, é digno da “moral” de ditadores, não da de democratas.

    7.7.15

  • COITADO DO FALHOUFAKIS!

    O homem tinha prometido cortar um braço se a coisa lhe corresse mal.
    Ora parece que os tipos de Bruxelas fizeram sentir que não gostavam de lidar com tal trouble maker. Pudera, não é todos os dias que aparece, sentado à mesa, um demagogo daquele calibre, ainda por cima ordinário e exibicionista.
    Vai daí, o Tripas, tão demagogo como o Falhoufakis mas um bocadinho menos rasca, aproveitou, e cortou-lhe a cabeça. Um braço era pouco.
    Pode ser que, agora, algum “adulto” apareça para negociar os cinquenta anos de austeridade que os gregos vão sofrer por terem sido arrastados, parece que alegremente – para quem acredita nos resultados do “referendo” –  para o abismo.

    Modéstia aperte, razão tinha o IRRITADO em lhe dar ao Varofakis a alcunha que deu.

    6.7.15

  • A GRANDE BURLA

    Sempre fui contrário a referendos. Sobretudo aqueles que têm por fim pôr o povo a tomar decisões da responsabilidade dos governos. Quando estes, ainda que mandatados, não têm coragem para fazer o que lhes compete, borrifam no mandato e atiram o ónus para as costas do povo.  O povo (os eleitores), sem fazer ao certo ideia das consequências, vota para o lado para que foir mais empurrado.
    Quando os governos são de tendência totalitária – como é o caso do Syriza, dos fascistas com quem está coligado e dos nazis que o apoiam – começam por criar o inimigo externo, excitar contra ele aquilo a que chamam orgulho nacional, dignidade da pátria, soberania popular, etc., arrastando estes valores na valeta da demagogia. Depois, transformam a “vontade do povo”, que fabricaram ou aldrabaram, na sua, e fazem dela o que lhes vier à cabeça, doa a quem doer. É triste que, muitas vezes, isto resulte.
    Resultou na Alemanha nazi, na Itália fascista, resultou na ilha de Cuba, na União Soviética, no Chile, sempre com fatais consequências para os povos entusiasticamente enganados e, quantas vezes, para muitos outros.

    Posto isto, acalmemo-nos. O Falhoufakis já declarou que chegará a um acordo em 24 horas. Depois, disse que não tinha dito “quais” 24 horas, o que quer dizer que, se for meia hora por semana, a promessa cumprir-se-á, a exemplo dos últimos 5 meses, nas próximas 48 semanas. O ministro grego não sei de quê, talvez de forma pré-monitória, já veio esclarecer que não serão 24 horas, mas 48, o que alarga o prazo para umas calendas quaisquer. E fiquemos ainda mais calmos por saber que, afinal, o Falhoufakis não vai cortar um braço, o que teria fatais consequências para a utilização do motociclo.

    E inquietemo-nos também. Antes de mais, que entidade tomou conta do referendo? O governo do Syriza e dos fascistas. Quem o vigiou? O governo do Syriza e dos fascistas: ninguém independente, nenhuma organização internacional, nenhuma “entidade” do tipo Comissão Nacional de Eleições. Como é possível que todas as sondagens se tenham enganado, incluindo as feitas à boca das urnas? Quem acredita na fiabilidade do resultado anunciado, ainda por cima com um inacreditável exagero? A Europa? Meu Deus, que desgraça!
    Tudo foi feito, no parecer do governo grego e dos seus apoiantes cá do sítio, em nome da “democracia”, da soberania e de outras coisas tranformadas em ameaça, em chantagem, em pantomina, para justificar o aumento do poder da banditagem que se apoderou da Grécia.

    O BCE já pôs à disposição dos funcionários públicos e dos pensionistas gregos, através dos bancos, quase €100.000.000.000 (leu bem: cem mil milhões de euros). Sem tais euros, dois meses depois da vitória do Syriza já não haveria salários nem pensões. Três dias depois de estancar esta mama – que não se sabe se, ou como, é contabilizada nas contas públicas – já não havia liquidez nos bancos gregos. Tiveram que fechar. E o povo lá foi, às seis da manhã, para as bichas, à procura de 60 euros. Mas parece que até estes 60 já lá vão. Os pensionistas, esses felizardos, vão buscar 120, de vez em quando, em mais bichas. É a fome institucionalizada pelo governo eleito, e confirmado por “referendo”. Uma burla de dimensões galácticas.

    Não restam dúvidas. Nesta matéria, já não há esquerda nem direita, Há democratas de um lado, e os que o não são, do outro. Estes, com o apoio de desvairados ideológicos e demagogos encartados como os do Podemos, do BE e do Front National.

    Mais uma vez, helas!, assistimos ao confronto entre a Liberdade e a sua negação.

    5.7.15

  • POMPAS FÚNEBRES

    Segundo me disseram, a tarde informativa desta sexta feira foi quase inteiramente preenchida com o cortejo que levou o corpo de Eusébio ao Panteão da República, a fim de lá repousar, lado a lado com Camões e Afonso de Albuquerque.

    Não me opinarei sobre o assunto, por medo de represálias.

    Mas não quero deixar de  me pronunciar sobre o futuro. Assim, propondo às venerandas autoridades, designadamente ao Presidente da República, aos Senhores deputados e ao Governo, que mandem, desde já, reservar espaço no Panteão para receber os restos mortais do Figo, do Cristiano Ronaldo e, porque não, do Pinto da Costa e do Chico Fininho.

     

    Fica esta sugestão, tão responsável como patriótica.

     

    4.7.15

     

  • RTP SYRÍSICA

    Esta noite, o “serviço” público de televisão, dito RTP, fez-nos o favor de relatar o que se estava a passar em Atenas. Larga cópia de informação sobre a manifestação do Syriza, a favor do NÃO. O Tripas a falar aos indígenas, todo institucional, no seu gabinete. O Tripas a sair da residência, sorridente e triunfal. O Tripas aos beijinhos e aos abraços à maralha. O Tripas todo agarradinho à Marisa Matias. O Tripas a falar às massas a partir do palco. O Tripas a ser entrevistado por uma menina do “serviço” público. Outra menina da mesma organização a entrevistar o glorioso Falhoufakis, etc. e tal, e lá vem a Syriza Matias outra vez, agarrada ao microfone.

    Dizem alguns reaccionários que, ao mesmo tempo, havia em Atenas uma manifestação a favor do SIM. A RTP não deu por isso. Nem reportagem, nem entrevistas, nada. A tal manifestação, segundo os conceitos ou “princípios” informativos do “serviço” público, simplesmente não existiu. Duas meninas, dois operadores de câmara, viagens, ajudas de custo, para dar tempo de antena ao Syriza, e ignorar metade das notícias.

    Bom, devem estar a pensar que estou irritado com isto. Nem pensar. Esta noite, sou compensado com uma preleção de meia hora do camarada Louça, conselheiro do Tripas. E mais: tenho pela frente a dona Roseta, a dizer de sua habitual justiça, na SIC. Melhor ainda: aí está a dona Ana Gomes, toda a vibrar de syrizismo, ainda que, desta feita, com contraditório.

    Portanto, estou feliz e devidamente informado, não é?

     

    3.7.15

  • UM RAMALHETE “PLURALISTA”

    Segundo consta por aí, o chamado Forum Lisboa, propriedade da CML e sede da respectiva Assembleia Municipal, foi ontem ocupado por um painel, dito “policromático”, constituído pelos seguintes opinantes: Francisco Louçã, Marisa Matias, Manuel Alegre, Pacheco Pereira, Freitas do Amaral, Eugénio Rosa e Hélia Correia.
    Por eventual ignorância do que se passa no mundo das letras, por cá cheiinho de valores tão altos que não estão ao meu alcance, não sei quem seja a dona Hélia, mas dizem que é escritora. Os outros dão-nos uma ideia do que é a “policromia” política no parecer da CML do Costa, dona da casa: dois bloquistas encartados; um patarata da esquerda blá blá – poetaço e obsoleto; um défroqué do PSD  – rei da dor de corno; outro do CDS – salta pocinhas sem préstimo; um economista – do PC/CGTP.
    Pelo que acima se descreve, fácil é imaginar o que foi o “debate”, alegadamente subordinado ao tema da crise grega. Mentira. Não se tratava da Grécia. Tratava-se de dizer bem do Syriza, mal da UE, mal do FMI, mal do BCE e, acima de tudo, mal do governo. Tudo legítimo, aceite-se. O que não se pode aceitar e inquina qualquer valia que o “debate” pudesse ter, é que não houve contraditório, ninguém lá estava com opiniões contrárias às dos camaradas em palco.
    Dona Marisa Matias terá posto os pontos nos is, mais ou menos assim: “ou o Syriza faz o que lhe der na gana, ou não há democracia”. Ficamos esclarecidos.

    Mais uma iniciativa “democrática” e “cultural” que ficamos a dever ao Costa, por interposto Medina.

    3.7.15

  • NOVOENTAS AMBIÇÕES

    Após semanas, ou meses, de actuação política, o insigne professor que, vindo do nacional intriguismo universitário, quer ser Presidente da República, brindou-nos com catadupas de tiradas e patacoadas poético-filosóficas esquerdoides, sem grande sentido prático ou significado que se veja. Além disso, presenteou a Nação com a propaganda de amizades bem escolhidas, todas provenientes de “personalidades independentes”, tais o golpista Sampaio, o acabado Soares ou o confuso e confusionista Eanes, passando por manuéis alegres exumados ad-hoc, tal uma série de gente que se acha fundamental e até tem assento em “publicações de referência”, tais os luminares do basismo esquerdístico e castrese, tipo V. Lourenço y sus muchachos.
    Conseguiu assim convencer toda a gente de que se trata de um tipo da esquerda palavrosa, caviar, estrambólica e syrizófila. Foi vê-lo a entusiasmar a ala mais à esquerda do congresso do PS, as reuniões da maçonaria na aula magna, as manifs do BE e outras organizações “unitárias”, tão ao gosto do PC e da chusma de partidecos (uns 17, parece) que se acotovelam por aí.

    Postas as coisas neste pé, o homem percebeu que, se quiser ser eleito, terá que contar com muito mais que as dúzias de votos das marchas populares organizadas pela maralha que nele acredita. Daí que, numa tirada universalista e abrangente, se tenha lembrado de dizer que espera receber o apoio dos partidos da coligação e da sua massa de eleitores. O homem tem feito tudo o que está ao seu alcance para alijar tal gente, sendo de duvidar que algum eleitor da coligação ou daqueles que, não o sendo, são alérgicos à filarmónica do Nóvoa (milhões deles), alguma vez venha a ter a triste ideia de o ajudar.

    Não há razões para acreditar que o homem não seja inteligente. Mas, quando faz olhinhos às pessoas que não navegam nas águas inquinadas da “nova esquerda”, nega a própria inteligência. Em alternativa, demonstra a que alfurjas morais pode levar a ambição. Vendo-se ao espelho, qual madrasta da Branca de Neve, achou-se o maior. Mas, como prova o que tem feito e dito, não passa de um pequeno fait divers. Coitado, foi enganado pelo espelho. Outra desculpa não tem.
       

    2.7.15

  • MAU CHEIRO

    Há duas coisas que já cheiram mal: o 44 e a Grécia.

    No caso do 44, diz o Correio da Manhã que há um artista disposto a pôr a boca no trombone. Uma boa notícia para o procurador, o juiz de instrução e a colecção de tribunais que se tem pronunciado sobre a matéria. Uma má notícia para o 44, que se tem desdobrado em insultos, diatribes, aleivosias e esperneações sobre a injustiça de que está a ser vítima, coitadinho, as cabalas da direita, a indiferença do PS, as perseguições sem limites que mentes apostadas em o ver condenado lhe vêm movendo.
    Eu achava que o 44, um tipo mau como as cobras, era esperto. Estava enganado. Quanto mais insultar, mais se enterra. Não sei se haverá um só português, amigos dele incluídos, que ainda coma por bons os seus ataques histéricos e não tenha percebido o jogo. A “entrevista” ao DN é mais um marco de estupidez que uma demonstração de inteligência. O tipo ainda não percebeu que quanto mais insistir no amigo que o ajudava mais as pessoas acham que ali há gato.
    Com as putativas declarações do artista de que fala o CM, o gato começou a pôr o rabo de fora.

    No que à Grécia respeita, o gato já está todo de fora. Como o camarada Putin anda curto de massas, a grande chantagem dos pacóvios do Syriza arrisca-se a ser ainda mais ruinosa que as exigências da troica. Mais um caso de estupidez, feito de ameaças e abraços, avanços e recuos, aldrabices e exibições, motos e cachecóis, palavreado sem tino, enganos e mais enganos. E os gregos, os mais enganados de todos, a servir de carne para o canhão para a banditagem política que se apoderou do país! Prognóstico: os tipos vão conseguir mais um resgate, ou coisa do género; seis meses depois, volta-se à estaca zero, o Tripas não fez nada do que prometeu, voltou a não pagar, a tempo ou a destempo, a economia grega continuou a cair e o desemprego a aumentar.
    Na Grécia, há muito tempo, ou desde sempre, não há um Estado, há uma coisa que funciona desde que alguém pague as comissões.      

    1.7.15

  • VERDADES INCONVENIENTES

    Há figuras mais ou menos míticas que têm fama por dizer coisas que toda a gente sabe: o Amigo Banana, o M. De Lapalice, o polícia Dupond…
    Só dizem verdades meio esquecidas, ou fora de moda, ou redundantes, mas às vezes bem lembradas.
    Longe de mim comparar o Prof. Cavaco com estas ilustres personalidades. Ele nada tem de mítico, está bem e recomenda-se. Mas, ou porque certa gente, em geral ordinária, fez do senhor bombo da festa, ou porque há verdades que, de tão simples, se tornam incómodas, quando ele resolveu dizer que 19-1=18, caíu o Carmo e a Trindade! Foi acusado de tudo e mais alguma coisa. Uma desgraça, uma “falta de sensibilidade pessoal e humana”, um imperdoável “esquecimento de que é o mais alto representante da nação”, diz, por exemplo, o Tavares mau, cheio de “vergonha”, coisa que ninguém diria que tivesse. O Tavares péssimo (o Sousa) afina pela mesma nota, como é natural. Os pataratas do PS entram em estremeções de indignação. E assim por diante. Como se 19-1 não fosse igual a dezoito! Se a Grécia sair do euro é uma chatice, disse, por outras palavras, o Presidente. Certo. Se tal acontecer, os países do euro passarão de 19 para 18. Alguém duvida? Então isso de dizer uma verdade mais que evidente é crime? Não é bom lembrar?
    No fundo, não sei ao certo o que quis o Presidente dizer com a sua exactíssima conta. Mas sei que não quis dizer, nem disse, aquilo que a alcateia acha que quis dizer.
    Ça va sans dire, mais ça va mieux en le disant, não é?

    E aqui fica mais uma irritada opinião do IRRITADO.

    2.7.15   

  • NÚMEROS E PRINCÍPIOS DE ESQUERDA

    A nóvel irmandade L/TA, sob a alta chefia do Tavares mau e da Draga, tem dado sinais de superior aritmética irracional. Assim, foi proclamado que já tinham oito mil militantes. Depois, fizeram um “sufrágio universal”, em que votaram dois mil. Ou os oito mil nunca existiram, ou houve uma abstenção de seis mil, ou seja, de setenta e cinco por cento. Segundo a imprensa de ontem, afinal os militantes serão “cerca de cinco mil”, descendo a abstenção para sessenta por cento.
    Em que ficamos? Em nada. Tanto podem ser oito, como dois, como cinco, como o Tavares mau mais a Draga e acabou-se.
    De assinalar é também a “transparência cidadã” presente na eleição dos cabeças de lista “eleitos”. Quem? o Tavares mau e a Draga, quem havia de ser? Verifica-se assim que todo o chorrilho de aldrabices com que esta gente vem baralhando as contas e a cabeça de cada um, não passa de uma nova forma, tão criticada nos outros pelos citados, de se pôr à cabeça da manada com “indiscutível legitimidade”.
    Finalmente, a irmandade fez saber que – seguindo resultados “eleitorais” internos, de propagandístico timbre – vão apoiar o camarada Nóvoa, passando ele, assim, a contar com “mais” oito mil votos, ou cinco mil, ou dois mil, ou dois, os do Tavares mau e da Draga.
    Uma vantagem desta última novidade é que os eleitores moderados do PS, nestas circunstâncias, terão enormes dificuldades em votar em tal tão palavrosa quão folclórica e perigosa personagem. Razão pela qual há quem já ande a ressuscitar as presidenciais ambições da dona Maria de Belém, novel Senhora da Laca.

    29.6.15  

  • HABILITAÇÕES E REABILITAÇÕES

    Numa notícia publicada pelo jornal socialista chamado “Público” pode ler-se que, mediante a intervenção de complicadíssimas instâncias, vai ser posta à disposição da “reabilitação urbana” uma data de milhões (não se percebe quantos, talvez 50, ou 1.000, quem sabe se 3.000). Parece que os famigerados proprietários que queiram entrar na coisa vão ter direito a umas massas a fundo perdido, outras mais ou menos bonificadas. Não se percebe se é bem assim, mas dê-se de barato que haverá, para tal fim, melhores condições financeiras que as praticadas no mercado livre.

    Posto isto, atente-se em que a coisa foi anunciada pelo ministro do ambiente e não sei mais de quê. Acrescenta o dito senhor que os interessados, depois de reabilitados os imóveis, os poderão alugar com renda condicionada, isto é, mais barata que no mercado livre, isto é, determinada por Sua Excelência.

    Assim, quem embarcar nesta história ficará a saber que, se poupa no financiamento, vai pagar com língua de palmo nas rendas que deixa de receber. É o que se chama dar com uma mão e tirar com a outra. Ora bolas!

    E ainda há quem diga que o governo é liberal!

     

    28.6.15

  • MENTALIDADES MODERNAS

    Acho muito bem que as pessoas se preocupem com o ambiente – não “meio ambiente”, ambiente inteiro, quer dizer, sem pleonasmos. Acho muito bem que se cuide da qualidade do ar, da água, da terra, da diversidade genética, das fontes de energia, numa palavra, que se cuide do ecossistema que permite a vida humana.

    Há muitos anos, estas preocupações eram o ideal de muita gente, que ia procurando, honestamente, remédios para isto e para aquilo. Aos poucos, estes sérios ideais passaram a pasto de negociantes e demagogos. Miríades de organizações descobriram nestas matérias fonte de lucro, modo de vida, forma de arranjar dinheiro. Os Estados foram cedendo a tudo, porque não o fazer seria politicamente incorrecto. Quanto mais terror se infundisse às pessoas, mais dinheiro público escorreria para ONGs, repartições, academias, “cientistas”, empresas, tudo gente óptima, empenhada na salvação da humanidade e na barriga cheia. Quanto mais barulho, quanto mais entraves ao desenvolvimento, mais dinheiro, mais fama, mais multidões dominadas pelo terror ecológico. A ONU pôs um distinto grupo de funcionários internacionais, chefiados por um especialista em comboios a trabalhar, a baralhar dados, a criar programas informáticos destinados a chegar a conclusões pré-estabelecidas e a transformá-las em “ciência estabelecida e definitiva”. Os académicos que resistissem seriam, e são, considerados inimigos da humanidade, do planeta, da saúde, e devidamente ostracizados. Os políticos que não aceitassem de mão beijada as verdades estabelecidas seriam, e são, castigados pelas multidões na rua e pelos cidadãos eleitores, vítimas da propaganda universal. Os avanços científicos “incorrectos”, como a descoberta dos transgénicos, (que nunca fizeram mal a ninguém e têm alimentado milhões de almas) seriam, e são, metidos na conta dos crimes ambientais, e proibidos, escorraçados. A mais limpa de todas as fontes de energia economicamente viáveis, a nuclear, foi entregue por demagogos, “cientistas” e “ecologistas” à voracidade das multidões enganadas. Com a desculpa da “limpeza”, borrou-se as paisagens com caríssimos moinhos, aumentou-se os custos energéticos às pessoas, uma data de gente encheu-se de dinheiro, e todos temos, oficialmente, a obrigação de ficar muito contentes com isso e bater acéfalas palmas à ONU e aos seus assalariados “cientistas”, à UE e seus comités de burocratas, e até, imagine-se, ao patarata que temos como ministro dito do ambiente.

    No século XX, um sábio – Einstein – pôs-se a pensar e formulou a equação e=mc2, que demonstrou. Ainda não houve quem se atrevesse a pô-la em causa. Com um cálculo simples e talvez simplista, mas com foros de exactidão, concluímos que 1 grama de matéria contém qualquer coisa como 90.000 toneladas de energia equivalente. Posto isto, que concluir? Que o grande desafio que à ciência humana se coloca é o de saber como usar tal inesgotável fonte da energia. Mas os avanços – poucos em relação ao necessário – são condenados universalmente pela “ciência estabelecida”.

    A mais espantosa de todas as “descobertas” – a destruição do planeta pelo homem – provocou o surgimento de um negócio milionário, dos “direitos de carbono”. Porquê? Porque a Terra está a aquecer, vítima do CO2 produzido pelo progresso da humanidade. Para o caixote do lixo foram todas as demonstrações sobre as múltiplas eras em que o planeta aqueceu, sem que houvesse indústria, combustíveis fósseis e outros horríveis malefícios da humanidade. Foram para o caixote do lixo todas as demonstrações sobre tempos em que a concentração de CO2 foi milhares de vezes superior ao que é hoje, sem que acção alguma do homem a provocasse.

    Atenção, é evidente que é preciso despoluir e cuidar dos suportes de vida humana, respeitar a Natureza (modulando segundo as necessidades), é preciso prosseguir na descoberta de meios cada vez mais eficazes de qualificar os recursos. Tudo isto é verdade. O que não o é, é andar para aí a clamar que nos devemos sacrificar para “bem do planeta”. O planeta tem outro tempo, outro modo, outra dimensão, coisas que não estão ao nível nem ao alcance do homem comum, ainda menos ao dos “cientistas” da ONU ou dos burocratas de Bruxelas.

    Quando o Papa Francisco, homem de qualidade sem par e de coragem sem peias, “embarca” nos orgulhosos conceitos da “ciência estabelecida”, e aponta o caminho dela ao seu rebanho, é porque algo de muito grave se está a passar. E, com o aval de Sua Santidade, passa de grave a gravíssimo.

     

    28.6.15

  • CÁ SE FAZEM…

    Ontem, o chefe Costa deu uma entrevista à SIC (ou seria à TVI?). Confesso que não vi tal coisa, nem seria de esperar que perdesse tempo com ela. Mas ou vi os três convidados que, mui intelectualmente, se debruçaram sobre o assunto. Um deles, Joaquim Aguiar, que, sendo independente, não é suspeito de grandes simpatias pelo entrevistado, não surpreendeu: mui simplesmente, arrasou as declarações do homem e demonstrou por a+b que um primeiro ministro deste calibre seria uma desgraça. Outro, o conhecido salta pocinhas Júdice, que já foi quase tudo e que, desde há tempos, é público simpatizante do chefe Costa (Oco II), teceu tristes considerações sobre a prestação do dito, acabando por arranjar a esfarrapadíssima desculpa de que “ainda não é tempo” de dizer nada de substancial, uma vez que só na campanha eleitoral se dirá coisas sérias. Um terceiro, Paz Ferreira, esquerdista até ao absurdo do tutano, alta figura do esquema do Nódoa, perdão, Névoa, lamentou que o Oco II não fosse mais fundo e concluiu que ainda não foi desta que se aproximou das “verdades” mais convenientes.

    Resumindo e concluindo, mais uma acha na fogueira do monumental descrédito do chefe Costa.
    Cá se fazem, cá se pagam, dirá o Oco I.

     25.6.15

  • AEROPROGNÓSTICOS

    Finalmente, 61% da TAP foram privatizados! Já não era sem tempo.
    Agora… façamos uns prognósticos.

    Se a miríade de “instâncias” que ainda vai, doutamente, pronunciar-se sobre o assunto (umas entidades que andam por aí a ganhar o seu, mais umas centenas de burocratas de Bruxelas, mais não sei quantos juízes assoberbados de providências cautelares e outras martingalas), aprovarem a coisa, que se passa a seguir?
    Prognóstico: o PS, que, como os seus inúmeros parceiros e parceiras, apostava na patriótica propriedade da companhia, entrará em polvorosa, fará inflamados discursos e reproclamará as suas “propostas”, todas conducentes ao emagrecimento da TAP ou – o mais provável – à sua rápida falência. Outros, reeditarão as suas abstrusas convicções estatistas, dirão que o “povo” ficou sem a TAP, “precioso e estratégico instrumento de soberania” e de outras salvíficas quão ultrapassadas “qualidades”. Um tal Vasconcelos, dito “cineasta”, tremebundo e meio caquético, clamará, à boa maneira da extrema direita e da esquerda radical, que o nosso “orgulho” foi ofendido, que a “dignidade da Pátria” foi posta em causa, que nunca mais se sentará num dos “seus” aviões, e mais não sei quantas patacoadas que já não há muito quem ature. Os já citados, intelectualmente suportados pela nacional filosofia do Boaventura, do Gil, do Viriato, do Arménio e dos editores do Avante!, e coadjuvados pelas primárias almas do BE (actuais e ex) e nas demais e usuais capelinhas do esquerdismo nacionalista, lamentarão o sucedido e farão vigílias de protesto e luto, de preferência à noite e no Bairro Alto, garantindo que, com eles, tudo voltará para trás e que, em luminoso futuro (quando eles mandarem), tudo voltará aos eixos, não sendo este passo atrás mais do que o anúncio de muitos que se darão em frente. E o luto se transformará em festa, esperança e glória.

     
    E se as “instâncias” não aprovarem a coisa, e a coisa tiver que voltar para trás?
    Prognóstico: o PS organizará um festivo simpósio subordinado ao tema “falidos mas felizes” ou “o glorioso caminho da inviabilidade geral”. A dona Catarina Martins dançará a polca com o triste careca da organização, entre foguetes e charamelas, com vodka e sardinhas assadas em bar aberto. O Tavares mau e a dona Ana Drago, com a colaboração da outra Ana (a Dias, amiga do Soares), lançarão uma “iniciativa cidadã” destinada a demonstrar à Grei a evidente falência das “companhias de bandeira”, tais a British, a Lufthansa, a Air France, a Ibéria  e tantas outras que, via privatização, entraram em veloz bancarrota e roubaram aos seus países doses industriais de “orgulho nacional”, bem como o susesso estrondoso das companhias estatais, de que são exemplo a Sabena e a Swissair.

                                                         *
    Se a coisa for aprovada, das duas uma: ou tem sucesso, ou não tem. Prognóstico:

    Se tem, a alcateia dirá que os lucros foram para os accionistas, não para o povo, o qual, até à privatização, como é sabido, ganhava fortunas com a TAP. Os impostos que a TAP e os tais accionistas pagarão não interessam, são peanuts se comparados com os já mencionados ganhos do povo. O Estado ficará privado de uma unidade “estratégica” de grande importância para si próprio, na sua inestimável qualidade de dono disto tudo, povo incluído.
    Se não tem, a chusma clamará: nós não dizíamos? Grande triunfo para o povo, na sua cruzada contra o neoliberalismo e o capitalismo de casino (PS+Tavares mau+Anas+Soares), ou o capitalismo tout court e a propriedade privada (os outros). Razões para comemorar, já que tudo o que corra mal é bemvindo.

    Como se vê, e prevê, a esquerda, seja ela “moderada”, caviar, folclórica, intelectual, marxista-leninista, maoista, enverhoxista, tachista, ou o que quiserem, acabará sempre por ganhar. Já o homem da banha da cobra dizia o mesmo.

    Só não se sabe o que dirá o Màrinho.

    25.6.15

  • UM PASSO ATRÁS

    A coisa anda um bocado por baixo. Calcule-se que o Xarroco e o Arménio só conseguiram “uma ou duas centenas” de “professores” na sua última manifestação. Muito folclore mas pouca gente. Será que os manifestantes profissionais estão a banhos?

    O tema da procissão era a “municipalização da educação”, que merece da filarmónica o mais rotundo NÃO!.

    Num Estado socialista, amigo do povo, verdadeiramente educador, este tipo de neoliberalismos NÃO! É preciso concentrar tudo em Lisboa, tudo sob a munificente alçada do poder central. Tudo igual e acabou-se!

    Já imaginaram o trabalhão que o Xarroco e o Arménio teriam se tivessem que fazer mainfestações em Alverca porque sim, em Freixo de Espada à Cinta porque não, em Montemor porque talvez, tudo ao mesmo tempo? Descentralizar o exército da CGTP, ou do PC, que é mais ou menos o mesmo, implicaria conscrições aos pontapés, uma organização muito mais cara e dificuldades acresciadas na organização dos protestos. Por outro lado, estas liberdadezinhas municipais contrariam o “centralismo democrático”, não é?

     

    23.6.15