IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


HABILITAÇÕES E REABILITAÇÕES

Numa notícia publicada pelo jornal socialista chamado “Público” pode ler-se que, mediante a intervenção de complicadíssimas instâncias, vai ser posta à disposição da “reabilitação urbana” uma data de milhões (não se percebe quantos, talvez 50, ou 1.000, quem sabe se 3.000). Parece que os famigerados proprietários que queiram entrar na coisa vão ter direito a umas massas a fundo perdido, outras mais ou menos bonificadas. Não se percebe se é bem assim, mas dê-se de barato que haverá, para tal fim, melhores condições financeiras que as praticadas no mercado livre.

Posto isto, atente-se em que a coisa foi anunciada pelo ministro do ambiente e não sei mais de quê. Acrescenta o dito senhor que os interessados, depois de reabilitados os imóveis, os poderão alugar com renda condicionada, isto é, mais barata que no mercado livre, isto é, determinada por Sua Excelência.

Assim, quem embarcar nesta história ficará a saber que, se poupa no financiamento, vai pagar com língua de palmo nas rendas que deixa de receber. É o que se chama dar com uma mão e tirar com a outra. Ora bolas!

E ainda há quem diga que o governo é liberal!

 

28.6.15



11 respostas a “HABILITAÇÕES E REABILITAÇÕES”

  1. Ou seja: queria então a massa, subsidiada, e subir depois a renda devido às melhorias pagas pela massa, é isto?Não estou a criticar, é só para clarificar.

    1. Remeto-o para o comentário infra, assinado por “cidadão urbano”.

  2. Se é mediocre ou mau, dependerá sempre da graduação da coisa.Em princípio os subsídios deviam em exclusivo ser destinados a quem pretendesse restaurar habitação própria.Colocar capitais bonificados nesse mercado para favorecer a recuperação de imóveis para negócio, acho que não deve ser o papel do Estado. Muito menos um Estado quase falido.Há qualquer coisa de socialista nisto, de facto.Como o país se tornou um manicómio de utopistas há muitos anos, tudo é possível e expectável.Um Rilhafoles Marialícico/Tecelónico.

  3. Avatar de cidadão urbano
    cidadão urbano

    Pensando em reabilitação urbana, eu cá só queria:- cidades limpas (ou menos sujas, se isso for pedir demais);- cidades bonitas em toda a sua plenitude e não apenas num ou noutro pormenor;- cidades com edifícios cujas paredes não estivessem danificadas ou mesmo (meio) esburacadas pela erosão ou pelo vandalismo;- cidades com edifícios cujas pinturas não tivessem mais de 25 anos (ou 30 ou 40, se isso for pedir demais);- cidades sem edifícios a cair de velhos; Mas também não me importaria nada de:- cidades com passeios não escorregadios, nivelados e sem buracos para que não pregassem rasteiras aos transeuntes mais distraídos ou com menor mobilidade;- cidades com grades até meio metro de altura que separassem os passeios das estradas e que servissem também para as pessoas nelas se apoiarem sobretudo nas (por vezes grandes) subidas e descidas feitas à custa das esforçadas pernas de cada um;- cidades onde fosse (mais) fácil movimentarmo-nos quer a pé (ou de bicicleta) quer de transporte público ou privado;- cidades em que houvesse (ou fosse imposto, se isso for pedir demais) respeito tanto por quem nelas vive como por quem as visita;- cidades onde as pessoas tivessem prazer em viver;- cidades que atraíssem novos habitantes… nacionais ou estrangeiros (não apenas para aproveitamento de vistos dourados mas principalmente por ser algo que sonhassem fazer – vir para cá viver para as nossas cidades ou “apenas” passar férias prolongadas). E se não fosse pedir mesmo demais… gostaria de algo semelhante para as nossas vilas, localidades e também aldeias, ora! Que sorte seria se a “reabilitação urbana” desse senhor (ou doutros senhores que por aí andam) pudesse proporcionar tais coisas! Mas isso só em sonhos… O que eu não queria era voltar a ver outro governo a tirar o dinheiro de uns (em impostos) para o malbaratar oferecendo-o a outros só porque sim. Continuar com o privilégio assim renovado e prolongado das rendas baratas à custa dos outros com a desculpa de ser reabilitação urbana? Chiça! Que direito têm futuros inquilinos de serem privilegiados com rendas condicionadas à custa dos demais cidadãos? Já não bastou a estagnação das rendas durante décadas? Se as pessoas não tiverem dinheiro para arrendar dentro das grandes cidades que se desloquem para a periferia onde as rendas pedidas são por metade do valor ou ainda menos. (E pensar que mesmo com o mercado a funcionar com independência do estado as rendas praticadas em Portugal continuam a ser baixas quando comparadas com outros países, por vezes, bem mais atrasados social e economicamente.) Sendo isto uma medida de um governo PSD/CDS… caramba, nem quero imaginar até onde iriam as cabecinhas pensadoras do PS! Até aposto que estes políticos (e outros que tais) que tanto puxam pelo tema da “reabilitação urbana” apenas pensam nas grandes cidades… que reabilitação urbana só se aplica às grandes cidades e seus agora cada vez mais apetecíveis (por grandes fundos de investimento) e caros centros históricos esquecendo-se que há por aí muitas outras cidades mais pequenas e até vilas que com uma verdadeira reabilitação urbana se tornariam pequenos paraísos com uma qualidade de vida bem superior à das grandes cidades.

    1. Também concordo, só uma dúvida: que outros países «bem mais atrasados» têm rendas mais altas? Onde são?Mantenha presente que em Portugal, país da Europa Ocidental e da União Europeia: – o ordenado mínimo é 500€/mês; – o ordenado médio é, com sorte, o dobro disso; – a reforma média ronda os 400€/mês.

      1. Avatar de cidadão urbano
        cidadão urbano

        Consulte o gráfico apenas para a Europa em http://www.globalpropertyguide.com/Europe/Portugal/rente poderá ver, de acordo com as estatísticas apresentadas pelo ‘site’, que países (na Europa) têm rendas mais altas que Portugal e consultando https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_países_por_PIB_nominal_per_capita poderá confirmar que Ucrânia, Polónia, República Checa, Letónia, Lituânia, Roménia, Hungria, Eslováquia, Croácia e Montenegroapesar de serem países europeus apresentados como tendo rendas mais altas que Portugal têm, no entanto, todos eles um PIB nominal per capita inferior ao nosso, alguns deles bastante inferior ao nosso . O mesmo acontece com a Turquia que também está no gráfico mas que não é exactamente um pais europeu…

        1. Estes valores não podem ser de rendas: Reino Unido, renda média de 8213€? Parece-lhe realista? Arrenda um bom T2 em Londres, central, por 1/3 disso. E fora de Londres é bem mais barato.Em Portugal, renda média de 1022€? Em Lisboa andava nos ~600€. Roménia, Lituânia (1195€), Eslováquia (1110€), Sérvia (922€)… se conhece qualquer destes países, saberá que são valores bizarros. Não digo que Portugal esteja muito acima na lista, há-de andar lá por baixo, como país pobre que é, mas todos os valores parecem inflaccionados.

          1. Avatar de cidadão urbano
            cidadão urbano

            No gráfico, clique no nome do país e na página que abrir aparecerá do lado direito um quadro com o título “RESIDENTIAL PROPERTY FACTS” e passe o ponteiro do rato (sem clicar) por cima dos vários valores para ver informação adicional. Verá que os valores de renda apresentados a serem realmente médias são para propriedades de 120 metros quadrados, todavia, não é especificada a zona dos respectivos países de onde tais valores foram colectados para construir o gráfico nem os critérios para chegar aos valores a que chegaram. Numa pesquisa em toda a cidade de Lisboa (supondo que tenham escolhido as respectivas capitais dos vários países) de apartamentos para arrendar com 120 m2 listados por ordem crescente de valor de renda temoshttp://www.imovirtual.com/imoveis/apartamentos/arrendar/-/Lisboa/Lisboa/sqm_from,120,sqm_to,120,sort,1,list_mode,3e verifica-se que valores de renda de 1000 euros (para apartamentos de 120 m2 em Lisboa) começam logo a pouco mais de meio da 2.ª página de resultados num total de 7 páginas. 1200 euros ou mais a partir de meio da 4.ª página e por aí fora. Os 1022 euros atribuídos a Portugal no gráfico de repente já não parecem assim tão exagerados para a área de 120 m2 escolhida para a comparação e se os mesmos critérios para chegar a esse valor foram utilizados para os restantes países então também os respectivos valores de renda apresentados no gráfico não serão assim tão exagerados. (Também é uma novidade para mim tais valores de renda.) 120 metros quadrados não reflecte a área usualmente arrendada à maioria dos inquilinos mas foi a área escolhida para esta comparação entre 35 países… onde Portugal aparece em 26.ª posição (liderando os 25% de países com rendas mais baixas apesar de ter um PIB nominal per capita superior a vários dos países que ocupam posições mais acima). Obviamente, como o Filipe Bastos muito bem lembra, há apartamentos mais baratos (mas obrigatoriamente mais pequenos) e então na periferia das grandes cidades ainda menor é a renda pelo que seria interessante ver outros gráficos mas se admitirmos uma relação mais ou menos proporcional (que seja comum a pelo menos alguns dos países) entre as rendas mais caras e as mais baratas e as respectivas áreas e localizações creio que podemos ficar com uma ideia mais correcta da realidade portuguesa quando comparada com o resto da Europa a partir do que o gráfico nos mostra, por mais bizarro que nos pareça à primeira vista. E realidade essa que não é assim tão extraordinariamente boa para os senhorios como algumas pessoas pensam ou nos querem fazer crer.

          2. Assumindo 120m2 os valores fazem mais sentido, não só pelo custo dos imóveis, como pelo factor mais importante: a ESPECULAÇÃO. Londres é o melhor exemplo, a capital da mama especuladora, onde por relativo luxo qualquer preço é possível. Não por acaso, quem paga esse preço também é geralmente mamão, trafulha, ou ambos – o Vale e Azevedo é um modesto exemplo.Ainda assim os preços dos países que mencionou (Ucrânia…Montenegro) parecem elevados face a Portugal, e como viu no Imovirtual 1022€ é uma média modesta para 120m2 em Lisboa. Talvez considerem zonas mais caras nos tais países.Não diria que a realidade é risonha para todos os senhorios, há muitas rendas antigas, impostos pesados, inquilinos que não pagam, etc. Mas este blog é escrito por um senhorio, assumidamente parcial, e tento equilibrar um pouco a balança.

          3. Avatar de cidadão urbano
            cidadão urbano

            “e tento equilibrar um pouco a balança”E faz muito bem, penso eu…

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