IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • MORAL REPUBLICANA

    Esta história dos cartazes do PS mereceria um artigo do mais chocarreiro humor, tal os que por aí proliferam nas chamadas redes sociais.

    Mas nem isso me merece. O assunto é sério, na medida em que mostra a total ausência de escrúpulos da organização do pretendente Costa, isto é, a verdadeira e profunda natureza da dita.

    Nestas coisas manda, devia mandar, uma elementar consideração pelas pessoas, coisa cinicamente brandida, não praticada, pelas esquerdas. O princípio tem que ser o da utilização da cara de cada um desde que cada um seja candidato ou equivalente ou desde que cada um seja profissional contratado, ou ainda, tratando-se de borlistas, que os mesmos autorizem expressamente a utilização da sua imagem para propaganda de terceiros.

    Nada disso aconteceu. Uma senhora, desempregada desde os tempos do socratismo, é utilizada, sem o seu conhecimento, para ilustrar o desemprego causado pela crise que a incompetência e os desmandos desse mesmo socratismo provocaram. Outra, funcionária de uma junta de freguesia do PS (por sinal sob a presidência de uma ex-patroa de um bar onde se vendia uisqui de Sacavém), sem mais nem menos, é fotografada como exemplo de desemprego, afirmando que a culpa é do governo. A coisa, aqui, fia finíssimo. Não tendo pedido à rapariga para a utilizar, com que contavam os utilizadores? Evidentemente, com o medo do desemprego, isto é, fazendo-a presumir que a sua situação laboral podia ser afectada se protestasse. A patroa, ou seja, o PS, ou a punham na rua ou passariam a fazer-lhe a vida negra se piasse. A rapariga piou. Não lhe invejo a situação em que se meteu, tanto quanto lhe elogio a coragem. Faz lembrar um caso de violência doméstica, não faz?

    O PS tem vindo a tentar arrepiar caminho com desculpas de mau pagador e fraseologia sem sentido, o que não interessa, ou já não interessa.

    Ponha-se em cima da mesa a natureza da propaganda, a imitar o mais rasca do que se pratica lá para as Américas: as acusações aos adversários a substituir as “razões” do propagandista. Publicidade pela negativa, a roçar o insulto.

    Não me venham dizer que este estilo é fruto da cabeça de algum profissional brasileiro, ou português, ou o que seja. Nem o mais estúpido acreditaria que de tal se trata. O estilo foi comandado por quem manda, quer dizer, pelo Costa. Este balofo tem, pelo menos, total responsabilidade política na matéria, coisa que passa a vida a exigir a outros por dá cá aquela palha. A bem de alguma réstia de coerência, devia, pelo menos, demitir-se.

    Confiança em gente desta só a tem quem for parvo ou igual ao pretendente, isto é, sem escrúpulos.

    A cereja no cimo da pastelada é dada com a mais repenicada e obsoleta mentalidade laico-jacobina. Esta importante, ou geral, ala do PS, veio criticar o único cartaz que fazia algum sentido: uma menina a levantar o escuro véu do passado recente, descobrindo a “luz” que brilhará com o advento do poder socialista. É mais uma aldrabice, é mais publicidade negativa mas, enfim, cada um tem o gosto e o carácter que tem, não se podendo exigir mais de quem mais não tem para dar.

    Mas, lá no partido, levantaram-se indignadas vozes: o cartaz prefigura propaganda religiosa, o que tem odiosas conotações para um partido que, com certeza por engano, defende a respectiva liberdade. Inaceitável! O jacobinismo mais desavergonhado, mais bolorento, ou mais cheio de complexos de culpa. Esta, nem o Afonso Costa!

    Por mim, o que falta ao cartaz é o aparecimento, no calor dourado do futuro céu, da imagem salvífica do Costa, sentado, qual Deus Padre, no seu trono, tendo à direita o Pinto de Sousa, e à esquerda o Santos Silva. Enfim, uma coisa desse género. Talvez agradasse mais às cavernas mal cheirosas do ultramontanismo republicano.

     

    Em conclusão, quem põe a hipótese de votar nesta gente, que pense duas vezes no que nos vai meter.

     

    10.8.15

  • DAS CRÍTICAS DO FMI

    Parece que os tipos do FMI acham que os planos da coligação pecam por optimismo. A tenebrosa organização – como outras instâncias consideradas credíveis apesar de andar sempre a enganar-se – disse também umas coisas boas sobre os feitos do governo, coisas que a oposição, coitada, não terá tido tempo para ler.

    As dúvidas do FMI levaram a inteligentsia socialista a embandeirar em arco. Ferocíssima, a corneta do Galamba tronitruou especiais aleivosias; o trombone do “Público” deu largas à suq alegria, porque o PM não se pôs a espernear e encomendou a reacção ao Carreiras; por aí fora, a orquestra vicejou desafinações.

    Tentem agora aplicar os critérios dos trutas do FMI ao programa do PS e às ilusões dos macros de serviço, sob a batuta Centeno. Havia de ser bonito! Tarados, era o mínimo que lhes chamariam. Pois se acham que as devoluções que o governo põe a hipótese de vir a poder fazer já serão demais, que dizer das maluquices do Centeno & Cª? Pois se acham que a recuperação dos salários aos pouquinhos de cada vez é imprudente, o que diriam das fanfarronices do Costa?

    Imaginem, e riam-se na cara dos costas, dos galambas e dos centenos.

     

    7.8.15

  • NOTÍCIAS DA PORCARIA

     

    Aqui há uns anos, houve um candidato a deputado – viria a ser PM – que era adepto de um “choque fiscal”, querendo dizer com isso que queria baixar os impostos de forma significativa. Nem sonhava, à altura, com o estado em que Guterres deixara as finanças públicas.

    Nomeou ministra das finanças a senhora Ferreira Leite. Pouco tempo depois, a dita senhora inaugurava a austeridade. Clamava pelo fim das SCUTS, inventava o pagamento especial por conta, fabricava uma série de martingalas para sacar mais e mais altos impostos. Percebia o que nos estava a acontecer e parecia querer pôr as coisas no são.

    Desse tempo, recorda-se os frente-a-frente Pinto de Sousa/Santana Lopes. Aquele, perorava por aquilo a que chamava crescimento, contra os impostos e a austeridade que, nas mãos da mulher, davam os primeiros passos. Este, via-se à rasca para defender o governo do seu partido.

    Santana Lopes chegaria a PM, não se sabendo ao certo o que faria, já que para nada teve tempo. Foi objecto de perseguições de toda a espécie, muitas delas fomentadas pela senhora Leite, outras pelos media. Até que, criadas que estavam as “condições objectivas”, o PR lhe cortou as pernas para pôr no poleiro o seu camarada Pinto de Sousa, uma rica prenda, como o futuro viria a demonstrar.

    A dona Leite, à altura, recusou dizer em quem tinha votado, sendo de presumir que votara contra o partido que a tinha apeado, o seu, assim contribuindo activamente para o advento da desgraça socrélfia. Por outras palavras, votara contra o homem que tanto se tinha esmifrado para a defender e às suas políticas. Em matéria de carácter, foi esclarecedor.

    Veio Passos Coelho. Não a quis no Parlamento, como ela não o tinha querido. Pagou-lhe com as medidas dela.

    De fora, Leite perdeu as estribeiras. A frustração, a dor de cotovelo e outros nobres sentimentos igualmente nobres, devidamente alimentados pela TVI e por outros meios, passaram a alimentar-lhe a mente, mascarados de “competência técnica” e de “sabedoria”. Uma baixeza que só tem igualha nas posições “filosóficas” dessoutro luminar da inveja que se chama Pacheco Pereira.

    Agora, abjurando de tudo, incluindo do seu próprio passado, vem clamar que não diz em quem vai votar, já que não vê indícios fortes de social-democracia nos planos do seu partido. Não gosta de plafonamentos, não gosta de liberdade de escolha seja onde for, a social-democracia é, para ela, a inelutável presença do Estado em todos os passos da nossa vida. Não lhe falem em “liberdades”!

    É assim a vida. Há gente que, em matéria de vingança pessoal, é exímia. E sem escrúpulos.

     

    7.8-15

  • PESADELOS

    Eram seis da manhã. Costa rebolava-se na cama em estertores de macaco. O fantasma do 44 perseguia-o pelas ruas de Atenas, entre coqueteiles molotov e meninas do Syriza que, com a Catarina e a outra, lhe saltavam às canelas. Acordou cheio de suores frios, com os pés de fora. Tirem daqui o 44! Levam as gajas para Évora! Eu não quero mais relações com esta gente…. Aos poucos, com os carinhos da mulher, lá foi retomando a compostura. Lavantou-se, um duche quentinho e, roupão de turco, desceu à cozinha onde a senhora já tinha posto uns ovos mexidos e um Sumol fresquinho em cima da mesa. Considerava-se completamente recuperado quando tocaram à porta.

    – É o Galamba, e parece que é urgente. O tipo vem nervosíssimo.

    – Mete-o na sala, que já lá vou.

    Encontrou o Galamba às voltas, parecia um touro mal lidado.

    – Senta-te homem, tem calma. Que aconteceu?

    – Os gajos do INE descobriram que o desemprego já está abaixo dos 11 por cento.

    Mais um pesadelo, pior que o 44, pior que os coqueteiles Molotov, pior que a Catarina e as outras. A pior manhã de que Costa tinha memória. Descontrolado, começou a espumar pelos cantos da boca. Tremebundo, atirou-se para um sofá. As pernas encolhiam e esticavam meio tontas.

    – Calma António, temos que pensar…

    – Calma o quê? Pensar o quê? Já pensámos tudo o que havia a pensar, já metemos no desemprego os emigrantes que trocaram o emprego de cá pelo de não sei onde, já metemos no desemprego os tipos que estão a prazo, os estagiários, os que não querem trabalhar, e esses sacanas do INE continuam com a merda das contas. Raio! Ainda por cima nem sequer se pode dizer que estão ao serviço da coligação, gaita, outra vez! Não será manobra do 44?

    – Isso não sei. Já me falta o paleio. Meti aquela dos milhões de desempregados por culpa do Passos, mas acho que já ninguém come disso… que fazer, porra?

    Perante o desespero do seu mais trauliteiro porta-voz, Costa tratou de se acalmar. Que diabo, o chefe sou eu, tenho que cuidar da imagem, mesmo perante este valdevinos tenho quem mostrar coragem. Pensou, pensou, e teve uma ideia, coisa que já não lhe acontecia há anos.

    – Olha, vamos fazer outsourcing.

    – Quê?

    – Outsourcing. Consultamos o Carvalho da Silva, e ele faz mais um estudo sobre o desemprego. Com o jeitinho académico que lhe arranjaram, o gajo descobre que os reformados, pensionistas e quejandos – por exemplo os não contributivos -, os hospitalizados, os vendedores ambulantes, os feirantes, os que trabalham por conta própria, advogados, dentistas, canalizadores, os biscateiros e tantos outros, tudo gente sem patrão, tudo desempregado. Vais ver que, com a colaboração do Carvalho da Silva arranjas pelo menos mais um ou dois milhões de desempregados…

    – Tens razão, chefe, vou tratar disso. É para já.

    – Pois, filho, vê se te avias quanto antes. Olha que, a tempo de apareceres em todos os telejornais, tens que fazer uma declaração clara, transparente, séria e sem dar lugar a dúvidas.

    – Vou-me a isso. Até logo.

    – Só mais um instante, filho. Assim que tiveres tempo, trata de me trazer o rol dessa gente do INE. Quando tivermos oportunidade, pomo-los a todos no olho da rua e metemos lá gente de bem,seleccionada pelo Grande Oriente e avalizada pelo secretariado.

    – Assim é que é falar. Até logo.

    Cheio de fé e militância, o ultramontano sai, a salivar com a antecipação do seu discurso da tarde.

    Mais calmo, Costa, ao espelho, alinha as cãs dizendo para consigo: que diabo, tanto pesadelo dá cabo de um homem. E os meus macro-trutas que não meteram no programa a abolição das estatísticas…

     

    6.8.15

     

    ET. Não se sabe se aconteceu, mas é provável.

  • CENTENÓFICAS SENTENÇAS

    O grande, o magnífico, o extraordinário guru económico-financeiro que o PS foi buscar à equipa B do Banco de Portugal veio presentear-nos, mercê das páginas do jornal ultra socialista chamado “Público”, com uma série de esclarecimentos sobre o seu ilustre pensamento.

    Antes de mais esclareçamos a posição política do senhor. Ele não é socialista. Segundo diz, é independente. Mas, meus amigos, atenção! Tal “independência” tem limites. Segundo também diz, está “disponível” para ser deputado do PS, ministro das finanças do PS, ministro da economia do PS, enfim, um alarde de “independência” à prova de fogo e uma forma de demonstrar como o PS se abre aos “independentes”. Não acham?

    Adiante. Este verdadeiro sumo-sacerdote do programa do PS insiste na sua: a austeridade do governo provocou quebras na economia. Fugindo-lhe a boca para a verdade, confessa que, afinal, acabaram por, mercê da “estabilização política” (devida a terceiros!) permitir a Portugal “começar a crescer”. Admire-se a coerência: a mais feroz inimiga do crescimento, a austeridade, deu em crescimento!

    Temos a seguir que o programa do PS vai fazer cair a despesa pública e a receita fiscal. E, cerejinha, baixa a TSU para toda a gente, patrões, empregados, etc., o que, pondo mais dinheiro em circulação, exponenciará o consumo e criará emprego. Trata-se de um sonho de uma noite de Verão, como é evidente e os factos demonstram. É que o crescimento de que o homem fala tem efeitos: importações aumentam, automóveis vendem-se às centenas de milhar, a malta compra casa outra vez, isto é, endivida-se outra vez… Que se lixe a balança externa e o bolso de cada um! O que é preciso é consumo, e já, quer dizer, voltar o socratismo desenfreado, em vez de se andar para a frente, step by step. Há mais. A injecção de dinheiro do Centeno tem uma volta na ponta. Explicando, afirma que a TSU é para devolver, isto é, dá agora para tirar depois. Genial. É que o milagre do consumo vai provocar um crescimento de tal ordem que, a curto prazo, passará a haver empregos aos pontapés. Até porque, aliviado o IVA às tascas e afins, rios de dinheiro serão investidos em mais tascas e afins, coisa que, como é sabido, faz tanta falta como uma viola num enterro. E chama a isto “crescimento estrutural da economia portuguesa”.

    Vai também reformar o mercado de trabalho, anquilosado por contratos a prazo, a coisa “mais flexível” que há. Vai também criar “centros de competência”, seja lá isso o que for. A avaliar pelas competências ínsitas nas listas de deputados, teremos que as “competências” são alguns tipos novos, nada de seguristas, toneladas de socrélfios.

    Saúde-se a prometida luta contra o outsourcing nos serviços do Estado. As competências socialistas vão chegar para tudo. Resta saber como serão pagas tais competências. É que, se fossem, de facto, competências, não se consolariam com os ordenados da função pública (o homem quer pagar à la manière às “competências”). Imagine-se o que seria se você, técnico do Estado, visse um tipo da mesma categoria a ganhar o triplo, só porque você não é uma “competência”.

    Depois, o PS vai castigar a chamada precariedade. Impostos para cima de quem não guardar os empregados para o resto da vida, quer precise quer não precise deles, quer trabalhem bem quer não. Um progresso notável que, diz o guru, vai ser recebido de braços abertos pela troica e por mais não sei que estudiosos da matéria, a começar, julga-se, pelo senhor Carvalho da Silva.

    Parece que chegámos à idade da razão quando o sumo-sacerdote diz que é preciso reduzir a dívida “por geração de saldos primários e por crescimento económico, ou seja, pelo crescimento do PIB nominal”. O amigo banana diria o mesmo. Mas como? Presume-se que pela extracção do ovo existente no rabo da galinha, já que o sacerdócio não dá homem para explicar a liturgia da coisa.

    Sensacional descoberta: o governo português, ao contrário do da Irlanda, não negociou nada com os credores. Aqui, a barreira do paleio é ultrapassada. Entra-se na mais descarada e consciente das aldrabices. Abstenhamo-nos de comentar o que não o merece.

    E o Portugal 2020? É fácil. Aplica-se em investimento público. Um TGV e um aeroporto em Algodres vinham a calhar. Quanto ao sector privado, espera-se que reaja!

    Despedimentos? Com certeza, mas com “processo conciliatório”. Que raio de novidade!

     

    Estou farto deste tipo. Chega! Quem quiser vá ler o serviço do “Público”, de preferência emprestado.

     

    5.8.15

  • A PÁTRIA RECONHECIDA A UM SEU ILUSTRE FILHO

    A Pátria, como o mundo inteiro, está agradecida ao mui ilustre antigo advogado Jorge Sampaio, especialista em golpes de estado destinados a pôr os amigos no poder. Por toda a parte o cumulam de prémios, elogios e reconhecimento, sendo até de pensar em reservar-lhe um cenotáfio no panteão, para quando a morte nos privar dos seus inúmeros contributos para a felicidade do género humano.

    O seu notável contributo para a “aliança das civilizações” revelou-se eficaz. Como é sabido acabaram as guerras, sobretudo no médio oriente. E as civilizações estão cada vez mais próximas…

    Também é de notar o seu inegável contributo para a erradicação da tuberculose, a qual desapareceu da face da terra dada a acção do nosso compatriota, enquanto empregado da ONU.

    Agora, imagine-se, seleccionou dez dos três milhões de refugiados sírios para, à custa da Santa Casa, virem prosseguir os seus estudos em Portugal. E até conseguiu dar a volta ao Santana Lopes, o qual lhe prestou toda a ajuda, não se sabe se por caridade cristã se para dar uma estalada sem mãos ao inimigo.

    Enfim, ainda bem que temos portugueses deste calibre, aliás reconhecidos urbi et orbe como cidadãos do mundo e grandes da humanidade. É assim mesmo! Ah, valente! Bravo, generoso, extrovertido e resiliente, como, modestamente, se acha.

    Sursum corda!

     

    2.8.15

  • DECISÕES

    As boas almas acham que a campanha eleitoral deve ser digna, deve tratar dos problemas dos eleitores, deve propor soluções para isto e para aquilo. Muito bem, a intenção é capaz de ser boa. Mas não será isso que fará com que as pessoas votem assim ou assado.
    Vamos escolher pessoas, não números ou promessas. Vamos votar mais com o coração que com a cabeça. Vamos olhar uns e outros e apreciar o que têm feito, ou desfeito. Vamos votar, umas vezes sob influência do nosso caso pessoal – o que é um erro – outras por olhar à volta e ser capaz de ver mais longe. Vamos ouvir cada um e votar consoante o que nos podem, de facto garantir. Garantir o quê? Números ao vento? Promessas? Previsões matemáticas? Nem pensar. Vamos votar segundo a confiança que cada um, via passado próximo ou longínquo, nos infundir. Vamos ressuscitar o paleio socrélfio, ora repetido à exaustão, ou escolher a via, sacrificial mas eficaz, dos outros?

    Muito se fala em “pessoas”. São pessoas o que vamos eleger.
    À consideração de cada um.

    31.7.15   

  • CONCEITOS ESQUERDOIDES

    O INE, Instituto Nacional de Estatística – diz a esquerda, a começar pelo PS – é uma entidade independente, competente, fiável, acima de qualquer dúvida, sem mácula, merecedora dos maiores elogios.
    Será? Com certeza, desde que os números sejam pessimistas.
    Se são optimistas, então, para a mesmíssima esquerda, o mesmíssimo INE passa a dependente do governo, incompetente, duvidoso, sujo, a merecer a mais profunda condenação.
    Os números, se podem ser utilizados pelo governo como positivos são, para a esquerda, manipulados, aldrabados, falaciosos. Se forem desfavoráveis ao governo, então, estão certíssimos.
    Posto isto, é de perguntar: quando o PS nos mergulha numa floresta de números paridos pelo plantel, ou painel, ou lá o que é, que crédito merece?
    Responda quem souber.

    31.7.15

  • SAQUE

    Os tubarões da edição aí estão, mais uma vez, a martelar as pessoas com os seus preciosos livros escolares. A cena repete-se, infindável, caríssima, quase diria violenta.
    Há anos e anos se clama por aí, e com razão, em favor da estabilidade programática, que livraria as famílias, pelo menos em parte, deste ónus. Clama-se pela passagem dos manuais de ano para ano, de aluno mais velho para aluno mais novo. E, no entanto, há quarenta anos, sempre tudo na mesma. Quando havia pouco para mudar, inventou-se a introdução do absurdo quão estúpido acordo ortográfico, a deitar fora o que existe e a inventar tudo de novo. Nesta matéria, parece que o Crato teve uma crise de sono profundo.

    Este post é um simples lamento, sem esperança nem objectivo viável.

    31.7.15

  • CONTARECAS

    Vários camaradas andam para aí, sob o comando do Costa, a dizer que faltam os números ao programa da maioria. Não sei se os números fazem tanta falta como isso. Mas sei que os números, se forem os do “painel” do PS, são de um absurdo que ultrapasa a imaginação do mais criativo.
    Dou-lhes dois exemplos. Os trutas do “painel”, com o agrément do Costa & Cª, determinaram que, aliviando a TSU dos empregados, injectam dinheiro na economia – uns mil e tal milhões – e que a economia, animada pelo acréscimo de consumo, florirá como uma rosa de verão.

    Os malvados do calibre do IRRITADO dizem que o que vai aumentar é as importações e que a balança de pagamentos vai voltar ao que era há três anos, com as consequências que se imagina. E, se atentarmos na fúria de consumo que, apesar da austeridade, anda outra vez por aí, então a hipótese do PS deixa de ser só estúpida para passar a perigosíssima.
    Com certeza com esta inspiração, os artistas do “painel” decretam que o dinheiro que injectarem nos bolsos da malta tem uma volta na ponta. Três anos depois, meus senhores, venha de lá a massa!

    Se é para coisas destas que os génios do “painel” fazem contas, então mais valia não fazer contas nenhumas.

    30.7.15       

  • FANTASIAS

    Com o seu arzinho agridoce, a miúda – nº 1 ou nº 2 – do BE veio dar-nos a sua douta opinião sobre o programa da maioria. Trata-se, diz ela, de “um discurso de Miss Mundo”. Vista a coisa superficialmente, trata-se de uma opinião como muitas que há por aí, ou seja, uma vulgaríssima parvoice.
    Mas, se nos valermos dos nossos profundos conhecimentos de psico-politologia (?), hemos de convir que a coisa tem que se lhe diga. O que terá determinado a escolha da pequena? Podia ter falado de um discurso vazio, ou sem sentido, ou do amigo banana, ou outra patacoada qualquer. Mas não. O que ela viu foi a Miss Mundo a bambolear-se na passadeira vermelha do Madison Square, em bikini, a dar ao rabo, com um sorriso de plástico até às orelhas. O que ela viu será, dizem os psico-politólogos, uma imagem dos seus sonhos de glória, uma reflexão sobre os seus inatingíveis, quiçá inconscientes, objectivos. Para catalizar ou exorcisar tais tendências nada melhor que revivê-las de forma perversa, isto é, voltá-las contra terceiros, delas desmerecer para delas se livrar.
    A pequena sabe que o “pensamento” do BE, como o do Siryza, não passa de um chorrilho de perigosíssimas badaladas ideológicas, ou inviáveis ou conducentes ao aniquilar de toda e qualquer liberdade, pública ou privada, liberal e democrática. Mas como não tem nada, a não ser tal pensamento, dedica-se a anatemizar o dos outros, nem que, para tal, tenha que fazer recurso às suas inconfessas fantasias e às suas tristes e secretas frustrações.
    Para entrar nos concursos de Miss Mundo é preciso ter um certo peso, e uns certos centímetros no peito, na anca e no rabo. Para entar na política é preciso bestunto. Mas não chega. É que o bestunto, ou é bem utilizado ou é pior que a burrice.

    30.7.15

  • DEPOIS DO ADEUS

    É com moderada satisfação que o cidadão comum vê o intolerável Santos Silva ser corrido do adorado púlpito que, há anos que parecem séculos, detinha na TVI. Adeus ó vai-te embora!

    Ver desaparecer das nossas caseiras noites os retorcidos raciocínios, as pesporrentes provocações, as ameaças, a antipatia visceral deste socrélfio de meia tigela, não pode deixar de ser uma boa notícia.

    A satisfação é moderada, não por causa da partida do díscolo, mas pelo substituto que, depois do adeus, arranjaram. Ele aí está: o senhor Medina, outro distinto membro do socrelfismo, um tipo que acha exemplar o respeito do seu bem amado 44 pelos interesses do povo e da Nação, o seu sentido de Estado, a sua impecável honestidade, a sua ínclita dignidade.

    Fica tudo dito, não é? Um “comentador” doce e cínico substitui um brutamontes desbocado. Mas, substancialmente, a mesma coisa. Ambos admiradores e seguidores da mesma vaca sagrada, ambos a ganhar umas propagandísticas massas.

    Compreendo as vozes que se indignam com a mania de armar políticos em comentadores. A mania tem, no entanto, uma vantagem: os políticos, boa ou má, têm cara. De certa forma, são preferíveis a tantos comentadores (e jornalistas!) “independentes” que passam a vida na propaganda, evidente ou subliminar, dos partidos e das tendências e ideologias que dizem não servir.

    No caso das duas criaturas que são objecto deste post, ao menos não há dúvidas: os objectivos de ambos são tão evidentes quão repugnantes.

     

    29.7.15

  • PLANOS B

    Como seria de esperar, não foi só o terrível senhor Schäuble a ter um plano B para a Grécia. Não tinha tal direito, diz a menina Martins, garante a Marianinha dos dossiers, gritam o careca e o Tavares mau. Malvado! A fazer contas de somir nas costas do povo grego! Parece impossível!

    Ficámos agora a saber que não era só o tenebroso tudesco a traçar planos B. O Falhoufakis, com o agrément do Tripas, já tinha feito o seu, e há muito tempo. Mas, enquanto o Schäuble queria só uma saída do euro planeada, a prazo, faseada e o mais “pacífica” possível, o Fakis propunha-se criar dinheiro macaco, devassar as comunicações, o dinheiro, a vida privada de cada um. A fim de tornar as coisas mais “transparentes”, o Fakis contratava hackers para entrar nas finanças e tratar da saúde aos renitentes. À falta de melhor, o plano previa que a Grécia se sentasse ao colo do adorável Putin, também ele, como o Syriza, eleito pelo povo, como o Hitler (ora propagandeado pelo “Expresso”), eleito pelo povo, como o Haider, eleito pelo povo, como aquele tipo da Hungria, eleito pelo povo.

    Estes “democratas” eleitos têm pontos comuns. No caso do Tripas, para já, temos as investigações decretadas na Grécia para, via várias entidades, ajuizar da fidelidade dos jornalistas à “via correcta”. Faz parte deste “tribunal” o sindicato dos ditos – o que nos dá ideia da profundidade a que o regime syrísico já chegou em matéria de “vigilância revolucionária”.

    No parecer da chamada esquerda radical, o Schäuble não tinha direito a fazer um plano B, nem a considerar a saída do euro como possível, nem nada. O Syriza, por seu lado, tem todo o direito aos planos B que entender, a perseguir os jornalistas menos cómodos, a mamar no biberão do Putin, a vigiar as comunicações privadas, a assaltar sistemas informáticos, quem sabe se a ir abrindo uma linha férrea para a Sibéria, a fim de exportar os chatos.

    A esquerda dita radical tem destas coisas. É que, sabe-se por experiência, e não só, que o verdadeiro socialismo só é viável em ditadura. Sempre foi assim, e será sempre assim, porque o socialismo é sempre desumano.

    Donde se prova, além disso, que a democracia tem princípios e que quem não os aceita não tem nada a ver com ela, por muitos votos que conquiste. A democracia não se “aprofunda” pelo número de activistas ou protestantes que exerçam a sua influência nas decisões públicas. Só se torna mais rica se respeitar os princípios que lhe são próprios.

     

    28.7.15

  • CARROCEIRADAS

    Aqui há meses, o governo anunciou que a sobretaxa do IRS seria reduzida de acordo com a evolução das receitas do IVA e do IRS. A gritaria emergiu automaticamente. Os impostos iam aumentar porque, primeiro, para haver mais receita era preciso que houvesse mais impostos e, segundo, porque, se a cobrança fosse menos volumosa que no ano passado, pela ordem natural das coisas também haveria subida de impostos. Era o que o governo, subliminarmente, queria dizer!

    O tempo foi passando. Os impostos não foram aumentados, mas as receitas subiram, o que, para espíritos não estragados por ideologias socialistas, quer dizer que a actividade económica melhorou. Mas a idiossincracia socialista não desarmou. Se houver mais receita tal só quer dizer que a máquina fiscal é totalitária, repressiva e persecutória.

    Agora, o governo fez as contas do primeiro semestre e apurou que, a continuar a tendência verificada, será possível creditar aos cidadãos uns vinte por cento da sobretaxa. 

    Boas notícias, dirão os menos informados pelo socialismo. A filarmónica, pelo contrário, pôs os trombones a funcionar. O PC e o BE disseram as alarvidades do costume, que o governo estava a fazer campanha eleitoral, que os cidadãos estavam a ser enganados, etc.. O costume, de reduzido interesse. O PS, esse, mandou um sacripanta do socratismo e membro da ala mais esquerdoide do partido – por conseguinte fiel amigo do Costa – um tal Santos, dar a corda às barbas e desatar num chorrilho de insultos, bojardas e dislates mais próprios dum  carroceiro que dum político minimamente decente.

    Que diabo, para quê tanto nervosismo? O Costa não vê que, com amigos destes, se autoclassifica de forma ainda mais rasca do que, na verdade, merece?

     

    25.7.15

  • ESCÂNDALO

    Contra o parecer dos partidos do “arco da governação”, o Presidente – a quem, em tempos que já lá vão, o IRRITADO chamava SEPIIIRPPDAACS (Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva) – resolveu marcar as eleições para o dia 4 de Outubro, como pretendiam os mais assanhados esquerdoides e os mais fiéis syrizófilos.

    Ninguém protestou. Imagine-se, agora, o alarido que se seguiria se ele se tivesse lembrado de apontar para 27 de Setembro. O esquerdoides e os syrizófilos tonitruariam que o homem estava feito com “as políticas de direita”, com o neoultrahiperliberalismo, com as multinacionais e com as manobras do Schäuble. A estas horas, as miúdas do BE, mais o careca, já tinham aparecido 234 vezes aos gritos na televisão, 587 na rádio e, pelo menos, 825 nos jornais. Isto para não falar dos protestos do Jerónimo e do Arménio, ilustres representantes dos “trabalhadores”.

    No secretariado do PS, aliás, não falta quem proteste por ver o partido alinhado com a Coligação, um escândalo sem precedentes que, no dizer do camarada dos Açores, não deverá constituir precedente haja o que houver.

    Tendo SEPIIIRPDAACS alinhado com quem alinhou (já não é a primeira vez!), os contemplados não dão sinal de triunfo, já que nem por sombras admitem que tal coisa pudesse ser interpretada como concordância ou elogio. SEPIIIRPDAACS não se elogia, nem nunca se concorda com ele.

    Haja decoro!

     

    24.7.15

  • O BANDO

    Lá para os lados da CML anda tudo engalfinhado com a história dos terrenos da feira popular. Faz-se contas de somar e de somir, aplica-se especiosos critérios – dos milhares de critérios existentes em milhares de decretos, planos, portarias, regulamentos, fórmulas, álgebras – e tudo minha gente tem razão, tudo minha gente aplica o douto cérebro, a ver quem ganha.

    Quem ganha o quê? O munícipe não entende, nem perde tempo com o assunto. É lá com eles.

    Eles discutem tudo, menos o que há para discutir. A discussão serve para distrair o pagode das responsabilidades desta gente nos monumentais prejuízos que, ao longo dos anos, por capricho e politiquice, já foram por ela causados à cidade.

    Quantos milhões custou a paralização da construção do túnel do Marquês? Quantos milhões custou, e custa, à cidade e às pessoas, a monumental guerra contra a solução do problema do Parque Mayer, que podia, hoje, ser um dos mais lucrativos polos da atracção da cidade? Quantos milhões custa, e vai continuar a custar, a birra policiesca dos irmãos Fernandes, não contra um empreiteiro malandreco mas contra os interesses da cidade e do seu povo? Quantos milhões já custou pagar ao empreiteiro os prejuízos causados? Quantos milhões andam ainda pelos tribunais à espera de uma decisão, sabendo-se de antemão que serão centenas deles?

    Um homem de honra e competência – Carmona Rodrigues – foi enxovalhado, acusado, perseguido, andou anos pelos tribunais, culpado de coisa nenhuma que não fosse ter lutado pelos interesses legítimos da capital do País.

    O bando gaba-se de ter “endireitado” as finanças da Câmara sem dizer ao povo onde foi buscar o dinheiro, isto é, que o foi sacar ao Estado (aos impostos que pagamos) via venda dos terrenos do aeroporto (como foi o governo nisso?), e sem pòr no prato da balança os dinheiros de que acima falo, orgulhosamente deitados ao lixo. O bando está no poder!

    Recordemos os nomes dos culpados, mais que não seja para memória futura: o primeiro, e mais “alto” é Jorge Sampaio que conseguiu aniquilar o projecto do casino e a recuperação do Parque Mayer. Depois, não se enganem, mas os malefícios do Fernandes jamais teriam o êxito que tiveram não fora o apoio do Costa, da Roseta e de tantos outros, hoje premiados com lugarzinhos dos bons nas listas do PS. O mal que fizeram à Câmara vai ter segimento no Parlamento.

    Tanta gente a fazer tantas contas, ninguém a dizer a verdade, toda ou em parte. Que o bando as não faça, que as esconda, que nos atire areia aos olhos, é natural e próprio de certa gente. Mas, e os jornais? E os comentadores? E o poder judicial? Não há ninguém para dizer a verdade e apontar o dedo?

    Não, não estou a dizer que o bando deve ir parar à cadeia. Isso não é comigo. Estou a dizer que o bando se prepara para tomar conta do Estado, e que compete a cada eleitor evitar tal desgraça.

     

    23.7.15

  • HOLLANDICES

    O camarada Hollande resolveu ter uma ideia, o que é de estranhar dada a fraca produtividade que lhe é tão peculiar. Talvez animado pelo “sucesso” dos burocratas que mandou a Atenas e embalado pela doce grandeur de la France, quis dar um ar da sua graça.

    Pensou, pensou, e eis o que concluiu: vou arranjar uma catraca para tomar conta do euro e pôr esta malta toda com dono. Vai daí, deu à luz a seguinte ideia: vou propor um governo e um parlamento só para a zona euro; mas como, nisto do euro, há bons e há maus, há os importantes e os minhocas, há os de confiança e os pataratas, o melhor é reservar a primeira classe para uns e a turística para outros; eu escolho, e pronto. E, para não dar lugar a dúvidas, escolheu mesmo.

    Vejam bem. A moeda única, sob a distinta batuta do Hollande, teria os seus ministros,o seu presidente (o Hollande!), o seu exército de tecnoburocratas, o seu orçamento, etc., na condição de os tais ministros serem, sem excepção, provenientes da escolha do Hollande ou melhor, de la Fraaaaannnceeee…

    Perante isto, que pensar? Acerca do Hollande, o melhor é não pensar coisa nenhuma. Acerca da proposta, o mais animador será pensar que ninguém lhe vai ligar boia.

     

    22.7.15

  • DOS MALEFÍCIOS DA INTELIGÊNCIA

    As miúdas do BE, com o careca à perna, vieram comunicar ao povo os seus sonhos. Começaram, como é lógico, por elencar as desgraças em que estamos mergulhados, tantas, tantas, que quem as ouvisse se julgaria no Burkina Fasso, sem ofensa para este. Um optimista pensaria em Cuba ou na Sibéria nos saudosos tempos do socialismo real. É horrível, dizem as miúdas, e a culpa, como acham evidente, é do governo, ao qual, nesta matéria, juntam dez mil novos milionários.

    Por mim, fiquei todo contente. Não fazia ideia – cá no fundo acho que é duvidoso – que, no último ano, tenham emergido dez mil novos milionários. A ser verdade, é óptimo! Nem julgaria que, com a pressão fiscal e as dificuldades financeiras que enfrentamos, houvesse por cá tão grande número heróis.

    Vejam como as pessoas são diferentes e como a igualdade é um mito. Os tipos que, para mim, são heróis e merecem admiração e estímulo, são, para as miúdas, para o careca e para os avôzinhos Louçã e Fazenda – que estavam lá a aplaudir os sonhos – uns canalhas a quem cabe, a meias com o governo, a culpa das cósmicas desgraças que nos afligem.

    Ou seja, entre os sonhos das miúdas (“o sonho ao poder!”) e a verdade, a distância mede-se em oníricómetros, ou seja, está entre o sono e a vigília. Não é preciso prová-lo. O Sirysa (irmão das miúdas) já o demonstrou, acabando com quaisquer dúvidas.

    Admitindo que uma das miúdas é inteligente (a outra é só demagoga), fica igualmente provado que a inteligência, quando usada a partir de premissas de palha, é bem pior que a estupidez.

     

    22.7.15

     

  • TRAFULHAS NO POLEIRO

    Ele há coisas que toda a gente sabe, mas que vale a pena ir avivando. Refiro-me, desta vez – peço desculpa aos mais sensíveis – a um tristemente célebre fulano que, pelos vistos, goza de inusitados privilégios: o inaceitável Màrinho Pinto.

    Este ilustre desconhecido emergiu na vida pública quando, julga-se que à falta de melhor, foi eleito bastonário da ordem dos advogados. A partir daí, habituámo-nos a ouvir da sua boca as mais desvairadas ideias, provocações, tontices, fantasias quixotescas e, às vezes, coisas que até pareciam simpáticas mas não passavam do mais barato parlapaté. É sabido que este tipo de discurso tem eco em muita gente mais ou menos ávida de novidade ou de promessas apalhaçadas.

    Embalado com os dislates que ia produzindo, os quais, como é hábito neste tipo de matérias, gozavam de ampla cobertura mediática, o homem resolveu lançar-se na política. Como não tinha apoios institucionais, filiou-se num partideco que, politicamente, jamais existiu, e foi dando largas à verve, com a qual engatou, honra lhe seja, votos que o levaram ao Parlamento Europeu. Lá chegado, resolveu dizer mal daquilo, mas deixou-se estar encostado aos carcanhois que a coisa lhe ia creditando. Depois, borrifou na barriga de aluguer que, sem pagar renda, o acolheu, e saltou como um herói para a fundação de um partido novo a que chamou “republicano”, designação de má memória que, até então, ninguém se tinha lembrado de ressuscitar.

    Ora o citado partideco resolveu, com carradas de razão, cassar-lhe o mandato por ter mudado de partido, como manda a nossa lei. Mas o tipo ganhou: os nossos ilustres legisladores, procuradores, juízes, acharam que o caso não estava previsto, isto é que a nossa lei nem por analogia se podia aplicar a um caso omisso. Ou seja, como não há moral, come o Màrinho!

    Um hábito, a somar aos muitos maus hábitos da nossa vida política. Vem à lembrança o Tavares mau, que, sentadinho em Bruxelas/Estrasburgo, a viajar pelo mundo fora em executiva, resolveu pôr os paus ao Louçã, dar à sola, borrifar no patrão, no partido, em tudo menos no doce euro-carcanhol. Isto, até, com o apoio do engº Belmiro, vir, como um leão, a fundar, como o Màrinho, um partido, desta vez chamado Livre, ou seja, livre para tudo menos para largar o tacho.

    Se muitas críticas se pode, com fundamento, assacar aos “velhos” senhores da política, que dizer dos novos?

     

    19.7.15

  • AFINAL, QUEM É O MENTIROSO?

    O camarada Costa, em prelecção tripeira, disse que Passos Coelho mentiu ao gabar-se de ter arranjado maneira de resolver um problema qualquer determinante para a aprovação do plano sobre a Grécia aceite em Bruxelas e Atenas.
    Ora o que o PM disse está confirmado em diversos reports por aí publicados por jornalistas de outros países (os nossos não deram por nada…).
    Inelutável conclusão: o mentiroso é o Costa, o PM disse a verdade.

    Há mais. O PM afirmou que as contas apresentadas à Troica estavam marteladas. E disse porquê. A isto, Costa, um dos responsáveis pelo martelo, disse coisa nenhuma.
    Inelutável conclusão: o Costa já era mentiroso há quatro anos, o PM foi enganado por ele e seus sequazes.

    16.7.15