O grande, o magnífico, o extraordinário guru económico-financeiro que o PS foi buscar à equipa B do Banco de Portugal veio presentear-nos, mercê das páginas do jornal ultra socialista chamado “Público”, com uma série de esclarecimentos sobre o seu ilustre pensamento.
Antes de mais esclareçamos a posição política do senhor. Ele não é socialista. Segundo diz, é independente. Mas, meus amigos, atenção! Tal “independência” tem limites. Segundo também diz, está “disponível” para ser deputado do PS, ministro das finanças do PS, ministro da economia do PS, enfim, um alarde de “independência” à prova de fogo e uma forma de demonstrar como o PS se abre aos “independentes”. Não acham?
Adiante. Este verdadeiro sumo-sacerdote do programa do PS insiste na sua: a austeridade do governo provocou quebras na economia. Fugindo-lhe a boca para a verdade, confessa que, afinal, acabaram por, mercê da “estabilização política” (devida a terceiros!) permitir a Portugal “começar a crescer”. Admire-se a coerência: a mais feroz inimiga do crescimento, a austeridade, deu em crescimento!
Temos a seguir que o programa do PS vai fazer cair a despesa pública e a receita fiscal. E, cerejinha, baixa a TSU para toda a gente, patrões, empregados, etc., o que, pondo mais dinheiro em circulação, exponenciará o consumo e criará emprego. Trata-se de um sonho de uma noite de Verão, como é evidente e os factos demonstram. É que o crescimento de que o homem fala tem efeitos: importações aumentam, automóveis vendem-se às centenas de milhar, a malta compra casa outra vez, isto é, endivida-se outra vez… Que se lixe a balança externa e o bolso de cada um! O que é preciso é consumo, e já, quer dizer, voltar o socratismo desenfreado, em vez de se andar para a frente, step by step. Há mais. A injecção de dinheiro do Centeno tem uma volta na ponta. Explicando, afirma que a TSU é para devolver, isto é, dá agora para tirar depois. Genial. É que o milagre do consumo vai provocar um crescimento de tal ordem que, a curto prazo, passará a haver empregos aos pontapés. Até porque, aliviado o IVA às tascas e afins, rios de dinheiro serão investidos em mais tascas e afins, coisa que, como é sabido, faz tanta falta como uma viola num enterro. E chama a isto “crescimento estrutural da economia portuguesa”.
Vai também reformar o mercado de trabalho, anquilosado por contratos a prazo, a coisa “mais flexível” que há. Vai também criar “centros de competência”, seja lá isso o que for. A avaliar pelas competências ínsitas nas listas de deputados, teremos que as “competências” são alguns tipos novos, nada de seguristas, toneladas de socrélfios.
Saúde-se a prometida luta contra o outsourcing nos serviços do Estado. As competências socialistas vão chegar para tudo. Resta saber como serão pagas tais competências. É que, se fossem, de facto, competências, não se consolariam com os ordenados da função pública (o homem quer pagar à la manière às “competências”). Imagine-se o que seria se você, técnico do Estado, visse um tipo da mesma categoria a ganhar o triplo, só porque você não é uma “competência”.
Depois, o PS vai castigar a chamada precariedade. Impostos para cima de quem não guardar os empregados para o resto da vida, quer precise quer não precise deles, quer trabalhem bem quer não. Um progresso notável que, diz o guru, vai ser recebido de braços abertos pela troica e por mais não sei que estudiosos da matéria, a começar, julga-se, pelo senhor Carvalho da Silva.
Parece que chegámos à idade da razão quando o sumo-sacerdote diz que é preciso reduzir a dívida “por geração de saldos primários e por crescimento económico, ou seja, pelo crescimento do PIB nominal”. O amigo banana diria o mesmo. Mas como? Presume-se que pela extracção do ovo existente no rabo da galinha, já que o sacerdócio não dá homem para explicar a liturgia da coisa.
Sensacional descoberta: o governo português, ao contrário do da Irlanda, não negociou nada com os credores. Aqui, a barreira do paleio é ultrapassada. Entra-se na mais descarada e consciente das aldrabices. Abstenhamo-nos de comentar o que não o merece.
E o Portugal 2020? É fácil. Aplica-se em investimento público. Um TGV e um aeroporto em Algodres vinham a calhar. Quanto ao sector privado, espera-se que reaja!
Despedimentos? Com certeza, mas com “processo conciliatório”. Que raio de novidade!
Estou farto deste tipo. Chega! Quem quiser vá ler o serviço do “Público”, de preferência emprestado.
5.8.15

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