IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


É DEMAIS!

Algum desses especialistas em chatices televisivas que por aí andam poderia fazer as contas às horas de emissão, em todos os canais, de cabo e não só, dedicadas a ingentes questões futebolísticas.
Somos, dias inteiros, noites inteiras, sem possibilidade de fugir, presentados com a alta presença de uma ou duas dúzias de especialistas em livres de canto, foras de jogo, asneiras dos árbitros, transferências, declarações de altas e presidenciais personalidades, pastilhas elásticas, claques, desordens, clubites e outros altíssimos problemas da Nação. Estas tão importantes matérias são comentadas, escalpelizadss, esquematizadas, glosadas, apreciadas, de cima para baixo,de baixo para cima, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, em intermináveis sessões, capazes de tansformar o futebol numa coisa mais chata que a mais imaginativa imaginação poderia imaginar, ou ainda mais chata que isso.
A vitória do Benfica no campeonato tem agravado impensavelmente a situação. Festas, pancadaria, tudo à trolha, o Medina a pôr as culpas à ministra, os polícias em polvoró, teorias da conspiração, os polícias sem capacete, os polícias com capacete, o Vieira com criancinhas debaixo do braço, a taça, o Luisão, as garrafas, os palcos, o Vitorino e o Santana, a culpa é da câmara, a culpa é do comissário, a culpa é da minstra, a culpa é das claques, festas no Marquês, no Estádio, no Município, tudo bem, mas tudo, centenas, milhares de vezes, na televisão… gaita que é demais!

Sou benfiquista desde que me conheço. Fiquei todo contente por ver o clube do meu coração ganhar o campeonato. Mas, meus amigos, o meu clube transformado em agressão diária, constante, repetitiva, é de mentecaptos, não de gente normal. Acima de tudo, uma hedionda falta de respeito por todos nós, bem elucidativa sobre o estado a que chegou a nossa estrumeira informativa.

26.5.15



5 respostas a “É DEMAIS!”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Tem razão. Costumo queixar-me da praga dos comentadeiros políticos, mas até eles ficam aquém dos futeboleiros. É uma overdose digna de 4º mundo. Os piores canais são os ditos sérios, como a Sic Notícias. É rara a noite sem um tal Rui Santos, um tipo de cabelo seboso que passa literalmente horas a cagar postas. Belo tacho que arranjou. Felizmente os pseudo-jornalistas não trabalham a noite inteira, caso contrário o tipo nunca se calava. Nem o Nuno Rogeiro consegue cagar tanta posta. O que mais impressiona é que tudo isto tem público fiel. Tal como nas novelas ou nos grotescos programas da manhã e da tarde, os canais dão à carneirada o que esta quer ver. E a carneirada da bola é talvez a mais exigente. Há hoje multidões que não dispensam ver 3 ou 4 chulecos a emitir banalidades, sobre um tema já de si frívolo, à roda de uma mesa. Absorvem cada momento, cada comentário boçal, e amplificam-no no dia seguinte junto dos amigos. De certa forma, o futebol tornou-se um desporto verbal: os jogos são um mero prelúdio, cada vez mais dispensável, para a orgia comentadeira em torno deles. A indústria da “opinião” ganhou a sua própria audiência, tão apaixonada como a da bola.E toda esta gente vota. Isso explica muita coisa.

  2. Amigos, deixaram-me confuso!Mas essa coisa do futebol, mais a coisa do fado, mais a coisa de Fátima, não eram as armas usadas por aquele de quem não se pode dizer o nome para embrutecer o povo?Fátima murchou um bocadinho, mas já arrebitou; fadistas, agora, são gente fina, património da humanidade e, como os cogumelos, aparecem em toda a parte; futebol, já disseram tudo.Estou mesmo aparvalhado, não quero acreditar! Mas como o Vasco Lourenço, o Jerónimo e essa rapaziada unida nas esquerdas, não se pronuncia, aquilo que dantes embrutecia, agora deve ser cultura.

    1. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      Convenhamos que Salazar não inventou o conceito: já os imperadores romanos entretiam com circo a carneirada de então. Só mudou o circo, e o destino dos protagonistas. Há 2000 anos os gladiadores arriscavam a cabeça. Nos anos 50/60 os jogadores, mesmo os melhores como Eusébio, arriscavam chegar à meia-idade tesos, pois não ganhavam as fortunas obscenas de hoje. Hoje os futeboleiros só arriscam ter Porsches em vez de Ferraris. São prima donnas mimadas e endeusadas desde a adolescência, ícones de uma época que valoriza a mediocridade e a fama acima de tudo. O futebol não precisa do regime: tornou-se um negócio rentável, omnipresente, um país dentro do país. Mais depressa cai o regime do que cai o Benfica. A carneirada não quer política, mas quer bola. Já o fado é “cultura”, sim, porque rende uns trocos. Que mais havíamos de impingir à estranja, galos de Barcelos? Os turistas querem “alma lusitana”, a gente dá-lhes tascas em Alfama e CDs da Mariza. É o que há.Fátima é outro negócio rentável. Venham ver a santinha, a praça que mete a do Vaticano no chinelo, as multidões a esfolar os joelhos, o conto surreal dos pastorinhos anti-comunas. Comprem velas e recuerdos, deixem cá guito. Eis a mudança: o que era útil ao regime tornou-se útil à conta bancária; e o povo já não tem de ser embrutecido. Fá-lo sozinho, e com muito gosto. O acesso ao conhecimento é hoje muito mais fácil do que no tempo do Estado Novo; mas a ignorância e o carneirismo de hoje superam até os mais loucos sonhos de Salazar.

      1. Há dois conceitos (seus) que tenho dificuldade em entender. O que é ser “carneiro” e o que representa “carneirismo”. Será que este conceito dualista é de “sá” convivência?

        1. Avatar de Filipe Bastos
          Filipe Bastos

          São conceitos simples. O carneiro segue o rebanho, faz como vê fazer, come e cala, não questiona nada. Claro que há carneiros e há ovelhas: a maioria são ovelhas. Alguns carneiros marram, as ovelhas nem por isso. Ambos servem para abate. Não se revoltam, porque não têm a noção da sua condição. Não pensam. Comem, reproduzem-se, vivem a sua vidinha, um dia vão parar ao talho. O carneirismo é a decisão, geralmente deliberada, de se ser carneiro. É exclusivamente humana.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *