Se a memória me não falha, um cidadão chamado Ascenso Simões já foi, neste blog, objecto de alguns dos mimos que uso dedicar aos membros da organização política chamada PS e à generalidade das extraordinárias ideias que vai, aos tropeços, avançando.
Surpresa, por isso, antes de mais para mim, é ter que elogiar o supracitado político. Num escrito por aí publicado, o homem vem dizer algo de completamente inesperado e, diria eu, verdadeiramente iconoclasta em relação às NEP’s do socialismo, democrático ou não.
“O fim dos contratos de trabalho”, é o título do escrito.
O IRRITADO é feroz inimigo de tal coisa. Já o tem escrito. Num país onde há uma multidão de afinados coros a incensar os contratos, individuais ou colectivos, é uma heresia ser contra eles. Tais coros passam a vida a dizer que a política é “para as pessoas” mas, quando chega à concretização de tal “princípio”, passam a vida a negá-lo.
Um cidadão comum que arranje um emprego, não faz com o empregador um acordo qualquer, a dois, nos limites mínimos de uma lei frugal. Não senhor. Em seu nome, em monumental abuso de poder e radical ausência de mandato, um Arménio qualquer negoceia com uma CIP qualquer as condições a que o cidadão tem que se sujeitar na sua relação de trabalho. O que lhe interessa, como “pessoa”, é, compulsivamente e “autenticamente”, interpretado pelo Arménio. Quem sabe é o Arménio, a “pessoa” que se lixe, nem sequer lhe é reconhecida existência enquanto tal. Uma organização que, tendo por filiados muito menos de 20% das “pessoas” (números do Carvalho da Silva), tem a palavra final sobre a vidinha de quem nem sequer a conhece, em quem competência alguma da sua esfera pessoal delegou, que ignora os seus interesses e objectivos pessoais, antes os dissolveu num mar colectivo cujos interesses e objectivos são determinados pelo Arménio, não pela “pessoa”.
Ascenso Simões fala nisto por palavras dele, e acrescenta as consequências sociais, civilizacionais e económicas dos milimétricos contratos de trabalho que tolhem a liberdade de cada um.
Não sei o que lhe irá acontecer. A ideia que fica é que nunca mais voltará a ser gente na agremiação a que pertence.
1.6.15

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