IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ASNEIRAS EM CATADUPA

    Factos:

    – O Presidente da República (declarou-o!) foi a Espanha rogar a Filipe VI que usasse dos seus reais ofícios no sentido de evitar a concentração da banca portuguesa na mão de espanhóis;

    – O Primeiro Ministro do Chamado Governo andou (publicamente!) a pedir batatinhas à dona Isabel dos Santos, não se sabe em que sentido, nem porquê nem para quê;

    – “Personalidades” várias, devidamente acompanhadas pelos jornais, andaram para aí aos gritos contra a “espanholização” da banca portuguesa;

    – Um senhor, administrador do Corte Inglês, dedicou-se a fomentar um “manifesto” contra a banca espanhola;

    – O chefe da oposição declarou que o PMCG não tem que se meter onde não é chamado;

    – A opinião pública é excitada por toda a gente a condenar o que disse o chefe da oposição.

     

    Conclusão: se a III República não é a das bananas pouco lhe falta. Dos asnos, parece já ser.

     

    Vejamos:

    – O PR, se fez o que disse que fez, fez mal – asneira. Estas coisas, ou não se fazem, ou não se confessam – asneira;

    – O PMCG, quer “movimentar-se” na banca privada – asneira. E não pode, nem deve, ouvir só uma das partes em presença, ou ouve todas ou não ouve nenhuma – asneira;

    – As “personalidades”, se querem e podem ser influentes, que o façam “por dentro”, em vez de vir excitar a opinião pública com afirmações perigosas – asneira;

    – O administrador do Corte Inglês, ao que consta, levou, e bem, um puxão de orelhas do patrão e meteu a viola no saco – asneira;

    – O chefe da oposição, para poupar o PR (seu sibilino inimigo) à crítica vigorosa que merecia – asneira – limitou-se a criticar, e bem, o PMCG – asneira;

    – Os excitadores da opinião pública jogam no cavalo errado – asneira.

     

    De vento em popa vai a neo-grande coligação: PS, BE, PC+Pinduricalho, CDS (viram ontem o namoro descarado do Correia como Caramba?) e PR, todos unidos no mesmo consenso, dito “descrispador”.

    Tudo o que acima opino é do mais “incorrecto” que se possa imaginar. Só o tempo (um ano?), dirá a onde isto nos leva. Algo me diz que, quando o tempo puser os pontos nos is, vai ser bonito.

     

    24.3.16

  • RASQUICE

    Ao ouvir certas opiniões, uma pessoa fica abismada. No meio do pânico, do medo, da revolta que as pessoas sentem perante as bombas de Bruxelas, vem uma tipa do BE aproveitar a maré, não para condenar os autores do morticínio, mas para exprimir a sua justa indignação quanto à “política securitária” dos países atacados. No parecer desta beata do socialismo acéfalo e populista, é preciso, não securizar os alvos da barbárie, mas cortar a esta os meios de que dispõe, como se fosse possível mandar matar os milionários sauditas e quejandos que fornecem dinheiro e armas ao terror. A mesma demagoga que foi capaz de condenar os bombardeamentos (fraquinhos) do senhor Hollande sobre as fontes do petróleo do terror, vem, com a lata da banha da cobra, aproveitar para remar contra as medidas de segurança. Mais rasca não se imagina.

     

    22.3.16

  • NOVA PÁGINA EDUCATIVA

    Anda por aí um tipo, ao que consta ministro do chamado governo, a tomar medidas, qual delas a mais estúpida. Acabou com os exames. Depois, disse que, quem quisesse fazer exames, os fizesse. Depois, que os exames não contarão para a avaliação, isto é, não servem para nada.

    Os professores também não serão avaliados, que o xarroco dos bigodes podia aborrecer-se.

    Agora, parece que vai dar uma de cavalheiro, isto é, fazer o que exigem as esquerdoidas do BE, e arranjar turmas de 20 alunos. Com turmas de vinte alunos, como é evidente, vai ser preciso admitir mais uns milhares de professores. De uma cajadada, o tipo contenta as malucas e dá mais uma vitória ao bigodes, à CGTP e ao PC. De mestre.

    E ainda há quem diga que o governo é do PS! O pior é que quem o disser terá razão. O PS, nas mãos do Costa, já não é PS nenhum, mas um mero serventuário dos seus parceiros.

     

    22.3.16

  • DO NEO-NACIONALISMO BANCÁRIO, OU BACOCO

    Uma nova e vasta coligação se acastela no horizonte, qual hino à nacional estupidez. Os seus membros, PC, BE, PS, CDS e PR, são de peso.

    Em relação aos dois primeiros (PC e BE), a explicação é fácil: alinham com a patacoada radical europeia, do Podemos ao Syriza, da Marine Le Pen ao camarada Corbin ou ao incrível Orban, extrema direita e extrema esquerda unidas no mais acendrado neo-nacionalismo.

    O terceiro (PS) virou de bordo, ou por necessidade de manter quietos os neo-amigos, ou por neo-opção ideológica – uma espécie de socialismo-nacional.

    O quarto (CDS) será vítima de alguma neo-ideia dessa alta neo-dirigente, especialista em patacoadas, dona Assumpção.

    O último (PR), vá lá saber-se porque alinha no préstito, já que todas as hipóteses possíveis de adiantar provocariam comentários de descasca pessegueiro. Respeite-se o cargo.

    Todos estão unidos nessa gesta de exaltação nacionalista que consiste em não deixar que os espanhóis comprem bancos cá no sítio. Se se tratasse de gente séria, como os angolanos ou os chineses, tudo bem. Mas espanhóis? Então, e o 1º de Dezembro? E Aljubarrota? O pátrio peito sofre, na sua dignidade e na sua honra, Camões estremece no sarcófago, Cabral vai aos arames, há que ressuscitar os conjurados e defenestrar os miguéis de vascocelos que por aí pululam!

    Além disso, aponte-se os factos, certamente mui queridos da neo-coligação. A banca nacional tem dado exemplos de boa gestão, de criação de riqueza, de intocável honestidade, de rentável eficácia, como está patente nos maravilhosos casos do BPP, do BPN, do BES, do Banif, etc., isto sem contar com esse lindo exemplo que a CGD corporiza, a dar lições ao mundo da finança e da economia com a sua estabilidade, independência e indesmentível sucesso. Do outro lado, como é sabido, a deletéria influência dos bancos em que os espanhóis estão envolvidos, o Totta, o La Caixa, o BBVA, o Popular… só nos dão problemas, não é?

    Uma coisa é certa e sabida. Para “voos” que permitam estabilizar a banca, simplesmente, não há dinheiro português. Há muitos anos que se deu cabo dele, do dinheiro a sério, que por aí houve. Não vale a pena dizer como, que toda a gente sabe.

    Também toda a gente sabe que não é agradável ver o controle da banca passar para mãos estrangeiras. Pode até perceber-se que não seja de boa política que os espanhóis venham a ter a fatia de leão. Mas, francamente, preferir os angolanos e os chineses…

    Daqui que, se houvesse alguma preocupação digna desse nome que fosse um bocadinho além do primarismo nacionalista, e se o chamado governo e seus acólitos quisessem evitar a concentração em mãos “ibéricas”, estariam, discretamente, a procurar parceiros que considerassem mais aceitáveis, a fim de os motivar a entrar numa corrida onde, diga-se a verdade, o governo não deve, ou não devia, entrar. Uma boa actividade para uma diplomacia financeira. Em vez disso, preferem irritar os espanhóis, o que é de uma incompetência atroz, para não dizer de uma colossal estupidez.  

     

    21.3.16

  • LULAS DE CALDEIRADA

    Houve tempo em que o Brasil era uma ditadura. Veio a democracia e, depois de muitas crises, apareceu um Presidente que deitou a mão àquilo, Henrique Cardoso de seu nome. Não era esquerdista nem burro, pôs ordem na bagunça, acabou com a inflacção galopante, criou uma moeda estável e credível e, ao contrário do que rezavam as pitonisas brasileiras e internacionais, criou um país com pés e cabeça.

    A esquerda não gostou. Surgiram os inevitáveis gritos por mais “igualdade”, mas “justiça”, mais “segurança”, mais isto e mais aquilo, lá como cá hoje em dia. O cefalópode foi eleito. Confortavelmente sentado na pesada herança de Cardoso, foi gastando a massa, mais uma vez lá como cá hoje em dia. A coisa não lhe correu mal de todo. Quando se foi embora, ainda havia algum para gastar. Arranjou uma fulana que o continuasse. A fulana auto classificou-se quando se intitulou “presidenta”, à semelhença da dona Pilar del Rio. Demonstrou assim, à saciedade, que, além de analfabeta, era parva e demagoga. Não ia dar bom resultado. Assim foi. A economia “emergente” deixou de emergir, aos BRICS caiu o B. A malta percebeu e começou a espernear. Lá como cá, descobriu-se que o dinheirinho se tinha escoado por ínvios caminhos. Daí, a perseguição judicial, misto de Justiça e de política.

    Lá como cá, as carecas descobriram-se, os esqueletos sairam do armário. O esquerdismo folclórico da “distribuição” distribuiu como se sabe. Por lá antes de cá. A diferença é que estamos mais atrasados, ainda há dinheiro a escorrer, o nosso “Dilmo” ainda está na maior. Por lá, parece que já se acabou. Mas o nosso destino é o mesmo, só difere no timing.

    Apesar da infrene politiquice do Tribunal Constitucional e da pressão “distribuidora” e “justiceira” da da esquerda, a esperança por cá foi possível. Já não é. A diferança é que, por cá, ainda há muito quem não tenha dado por isso. Por lá, parece que a maioria já percebeu. Por cá, o continuador da política do desmascarado Pinto de Sousa ainda está na mó de cima. Por lá, a continuadora do cefalópode já era, ainda que faça os mais inacreditáveis e desonestos impossíveis para se aguentar e ao seu palavroso e primitivo guru.

    No fundo, como se diz com alguma razão, continuamos a ser “países irmãos”. Sobretudo na desgraça.

     

    18.3.16

  • GOSTASTE, CAPITÃO?

    Esta vai à atenção de uma senhora que faz parte do chamado governo e que acha que os bonecos para menino e para menina, no MacDonalds, são uma manifestação de intolerável e descriminatório sexismo.

    Imagine-se que, agora, surgiu na TV um anúncio a uns filetes congelados em que uma mulher, submissa e ternurenta, diz ao marido (companheiro, namorado, etc., que isso de maridos foi chão que deu uvas): “Gostaste, capitão?”. Para que não haja interpretações perversas, esclareço que a tal mulher se refere aos filetes.

    CAPITÃO? Mas o que é isto? Capitão?

    O IRRITADO, sempre preocupado com a modernidade e com o prestígio do chamado governo, recomenda vivamente à supradita senhora – comprovada e publicamente analfabeta – que chame alguém da sua confiança que saiba escrever, a fim de se habilitar com o texto de urgente comunicado à Nação, destinado a, veementemente, denunciar o escandaloso machismo do anúncio em causa, que apela e “justifica” a ilegítima e fascizante autoridade doméstica do “capitão”. Trata-se de um ultraje que os filetes não merecem. Mais recomenda àquela “membra” do governo que obtenha, para o texto, a chancela das tipas do BE e do estafermo do PEV.

     

    17.3.16

  • PRECISÃO

    Não tenho objecções à visita do Presidente Marcelo ao Vaticano. Mas acho mal que ande para aí a dizer que o Papado foi a primeira instância externa a reconhecer, em 1179, a independência de Portugal. Tal independência tinha sido reconhecida 36 anos antes, no Tratado de Zamora.

    Esta precisão não retira a importância à Bula Papal nem à marcelal visita. É só para pôr os pontos nos is.

     

    17.3.16

  • ADSE

    Não se percebe lá muito bem porque terão os funcionários públicos um serviço de saúde diferente do dos restantes cidadãos. Mas… a verdade é que aquilo funciona e, pelo menos no enquadramento criado pelo governo Passos Coelho e ainda não destruído pelo chamdo governo Costa, não dá prejuízo, bem pelo contrário.

    Tem, além disso, interessantes características. Só é beneficiário, ou “sócio”, quem quer. A quota é importante – 3,5% do vencimento – mas os preços dos serviços são ridículos, podendo considerar-se equivalentes às negregadas taxas moderadoras do SNS.

    Característica importante é que os sócios sabem o que pagam e para quê, ao contrário do que se passa com a chamada TSU, que ninguém sabe como ou para quê é utilizada pelo Estado.

    Se assim é, porque andará para aí tanta gente a querer “reformar” a ADSE? Porque será que é posta em causa a prova provada de que é possível ter serviços de saúde suportáveis pelos utentes sem precisar dos impostos dos outros para sobreviver? Porque haverá quem prefira destruir uma coisa que funciona a contento, em vez de lhe alargar a filiação voluntária?

    Estranhamente, o funcionalismo público encontrou uma solução que, ainda que gerida pelo Estado, tem características “liberais”, ou seja, é individualista, mutualista, voluntária e, à sua maneira, independente. Isto é, não integra, na sua pureza, o conceito estatista, centralista, totalitário, que é característica básica do socialismo constitucional. É uma espinha na garganta do socialisticamente correcto. Para este, tudo o que seja saúde privada, mutualismo, instituição particular ou coisa parecida com as utilizadas pelos sócios da ADSE, é mau, impuro, “assistencialista” e outras tremendas coisas.

    Ou muito me engano ou chegará o dia em que o socialismo pegará nos dinheiros da ADSE e os usará, “emprestadados”, noutra coisa qualquer. Depois, quando o sistema der os primeiros sinais de colapso, acaba-se com ele e integra-se no SNS. Ficaremos todos iguais, isto é, todos pior. Mas cumprir-se-á mais um grande e nobre sonho do socialismo.

     

    16.3.16

  • TURMAS

    Em tempos que já lá vão, as turmas dos liceus tinham, no mínimo, 30 alunos. Em não poucos casos, o número subia aos 40 e até a mais. Não consta que a indisciplina fosse proporcional ao número de alunos por turma, nem que os ditos aprendessem mais ou melhor na razão inversa de tal número.

    Se eu disser isto a um tipo da esquerda, responder-me-á que, naquele tempo, o ensino era uma coisa elitista, só alcançável pelos filhos da burgeusia. Mentira. O Liceu Passos Manuel, onde passei seis anos, era o mais interclassista que se possa imaginar. Cobria a sociedade de alto a baixo, dependendo a frequência mais do interesse – ou da capacidade de sacrifício – dos pais, que da selecção classista dos alunos. Mas não cobria o território, era privilégio dos grandes centros urbanos, o que limitava muito mais a frequência dos liceus que qualquer selecção social. Tinha colegas que vinham, todas as madrugadas, do Barreiro, do Seixal, do Montijo… eu mesmo, sendo lisboeta, levava mais de uma hora de casa à escola. Toda a gente pagava propinas, à excepção dos melhores alunos e dos poucos que para tal tinham protecção social, coisa rara à época

    Mas aprendia-se. Não pouco. Era-se sujeito a dura disciplina. Na falta de um professor, os miúdos faziam uma quete e compravam, numa velhinha que havia à porta, uma bola de trapo (5 tostões as pequenas, 10 tostões as grandes). E jogávam futebol num sítio proibido, sendo todos admitidos no jogo, mesmo os que não tinham contribuído para a bola com moedas de meio ou de um tostão. Uma versão “fascista” de desporto escolar espontâneo.

    Os tempos mudaram para muitíssimo melhor . O ensino aproximou-se das pessoas e tornou-se praticamente gratuito, à excepção do escandaloso caso dos manuais: acordo ortográfico, corporações de autores, crescentes interesses editoriais, tudo coisas a que governo algum, na ânsia de “inovar”, conferiu equilíbrio ou bom senso.

    Sempre houve bullying, gente disciplinada e indisciplinada, tipos malcriados e sossegados, bons e maus alunos. Os professores aguentavam sem se queixar de stress ou de ofensas à sua intocável “dignidade”. Davam aulas de substituição sem pedir dinheiro ao Estado. Acompahavam os alunos, fossem 30 ou 45. Salvo raríssimas excepções, eram respeitados e, se não o fossem, o mal era mais deles que dos gandulos da turma. Faltas de castigo havia-as aos pontapés. Suspensões também. Mas não havia estatísticas, nem psicólogos, nem “gabinetes multidisciplinares de acompanhamento”. A coisa ia andando, mais melhor que pior.

    Hoje, o professorado é uma corporação importantíssima por auto classificação e por poder, não tanto o merecido “poder docente”, mas o vigoroso “poder sindical”. Aqui sim, uma questão classista. O poder sindical é totalitariamente dominado por uma central bolchevista. A “qualidade” do ensino mede-se em professorais privilégios, horas a menos, trabalho a menos, “direitos” aos pontapés, feriados, férias, tempos livres, dispensas.

    A propalada descentralização do ensino, correspondendo a uma proximidade maior da escola em relação às comunidades, é o inimigo números um dos sindicatos, que temem a pulverização da força de protesto, do poder da rua, da autoridade dos líderes. A escola deixou de ser um local onde a prioridade é o ensino para passar a funcionar com um “local de trabalho” da classe dos professores, a qual, pela ordem natural das coisas, tem prioridade sobre tudo o resto. Para tal se fabricam inúmeras estatísticas, se elaboram “estudos”, se divertem “pedagogos”, se justifica o que convém.

    É neste ambiente que se inserem, de pleno direito, as novas teses do BE e do PC sobre o número de alunos por turma, ao que parece com a obediência canina do PS e a benção carinhosa do CDS. Descobriram uma universal solução: se se quiser mais sossego, menos indisciplina, melhor ensino, venham turmas mais pequenas, e pronto! Genial. Uma coisa social e politicamente inexistente chamada “Verdes” chega ao ponto de querer um número máximo de 19 alunos por turma! Multiplique-se o número de professores por dois, mais emprego, mais adeptos, mais votos.

    Que importa que o ensino fique na mesma?

     

    15.3.16

  • NICOLAU

    Tinha uma flauta

    Uma flauta Nicolau

    Sua sogra lhe dizia

    Toca a flauta Nicolau

    Repetia-se esta “canção”, vezes sem conta, quando o Nicolau entrava, horas mortas, no Café Monumental. Não fazia sentido, mas a malta ria-se.

    Uma vez, no Municipal de Cascais, fiz de bispo no Frei Luís de Sousa. Dizia duas tretas e saía, cabisabaixo, pela esquerda baixa. Nicolau era a indiscutível estrela da companhia. O “sucesso” durou dois dias e teve, ao todo, uns cinquenta espectadores.

    Depois… depois aconteceu muita coisa. Veio a guerra do ultramar, cada um para seu lado. Vi-o, aqui e ali, uma meia dúzia de vezes, nos últimos cinquenta anos. Ironia da vida, caímos nos braços um do outro, na semana passada, no Porto, bar do Palácio das Cardosas. E pronto.

    O Nicolau acabou-se.

    Não percebo nada de teatro, não vejo telenovelas, não ando por aí, ou por onde ele andava. Não quero prestar-lhe as homenagens fúnebres, aliás já por conta de uma multidão ansiosa de opinar.

    Mas deixo uma nota, quanto a mim a mais importante. Num meio onde impera a esquerda mais tonitruante, o Nicolau nunca cedeu. Nunca foi de esquerda, nunca esteve em manifestações “a favor” da “cultura”, nunca andou, de punho levantado, a exigir subsídios do Estado, com cartazes, reivindicações, a clamar por “direitos” e outras pendurices, nunca se confundiu com os bandos de pedintes que pululam nos meios ditos “culturais”.

    Riu-se, e fez-nos rir sem nos pedir esmolas, ou seja, prebendas públicas.

    Uma excepção. Uma saudade.

     

    14.3.16

  • MAIS COSTISTA QUE O COSTA

    Dona Manuela não se consolou com os anos em que andou a chamar nomes ao seu partido, a condenar acerbamente a mínima atitude do governo da coligação, a chamar os nomes que foi arranjando para chamar ao seu sucessor. A raiva perdura, as feridas que a frustração de ser apeada nas urnas lhe provocaram não passam, a falta de um mínimo de independência ou de altura pessoal, nada disso se alterou um milímetro que fosse.

    Desta feita, ei-la lado a lado com as colegas do BE e com os nacionalistas do PC, a dizer cobras e lagartos da Comissão Europeia, a condenar as dúvidas que o orçamento suscita a toda a gente. À revelia de todos os membros responsáveis da sua profissão que se mostram independentes, ao contrário da opinião geral dos governos europeus, dona Manuela alinha nas teses da traição à Pátria dos que têm dúvidas sobre a eficácia das reversões e dos bodos impossíveis do costo-centenismo, e estende o seu anátema aos socialistas da Comissão e do eurogrupo, que acusa de “ideologia dominante na Europa”. Tal e qual, a fazer inveja ao Jerónimo e às miúdas. Quem não acreditar nas maravilhas do orçamento e o disser, está, “por antecipação”, a provocar “falta de confiança”, a prejudicar ou impedir que haja “um clima de investimento”, sendo que quem (as ” entidades europeias”) denunciar “a fragilidade das contas públicas”… é que “suscita a desconfiança”.

    Quer dizer: é proibido, sob pena de ser anti-patriota ou anti-português, desconfiar da solidez das contas do costismo. Não são tais contas que provocam a desconfiança, são os desconfiados quem, desconfiando, fabrica a desconfiança.

    Quando ela dizia cobras e lagartos das contas do governo anterior estaria a favorecer a confiança? Santa coerência!

     

    14.3.16

  • MARCELO

    Ninguém saberá dizer, ou prever, o que vai dar a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. O que, para já, merecerá ser pensado, é o enorme êxito popular que o seu estilo vem tendo. Está demasiado próximo do populismo, demasiado longe da gravitas do seu cargo, está no lugar certo na hora certa na atitude certa, está a prestigiar a presidência ou a arrastá-la na calçada? Para além do primitivismo do que diz a extrema esquerda, cujas opiniões, de tão bacocas, não interessam para o caso, tudo se poderá dizer, para tudo pode haver argumentos com pés para andar.

    O que fica então como certo? Fica que a generalidade das pessoas “precisa” de uma referência que suplante as agruras do dia a dia, as lutas e desentendimentos da política, que possa ser tida como representativa, não de uma ideologia ou de um programa, mas daquilo, seja o que for, a que cada um chama Portugal. Uma espécie de “Pátria em figura humana”, como disse um poeta noutro contexto.

    As democracias mais avançadas da Europa encontraram essa figura no Rei, que despiram de poder político e erigiram em representação permanente do que é permanente através da continuidade que a dinastia proporciona. Dir-se-á, com razão “positiva”, que tal solução é uma entorse à universalidade do princípio do sufrágio. Dir-se-á, com razão “humana”, que quando se vota o que não é votável se está a negar o princípio que se defende.

    O nosso sistema é, de longe, o pior de todos. Sendo que o sugfrágio universal é a única fonte aceite de legitimação do poder político, elegemos por sufrágio universal o titular de um cargo que de poder político pouco ou nada tem. Depois, exigimos-lhe o que não pode dar, pondo no comércio político a representação geral dos cidadãos, da terra, da história, do estado.

    O Presidente é bom para uns e mau para outros. Ou seja, o que se gostaria de ter em permanência é inevitavelmente levado à contingência dos dias. Se, como em França, o presidente fosse o chefe da facção vencedora, muito bem, então o presidente seria o chefe do governo e a representação da unidade e da permanência do país ficaria limitada ao hino, à bandeira e… à selecção de futebol. Funciona, ou vai funcionando.

    Não havendo poder executivo nas mãos do presidente, então a sua eleição, em respeito pelos eleitores, deveria ser parlamentar ou colegial. O que temos é um absurdo que a demagogia constitucional instalada manterá sine die. Com a trágica consequência de o presidente deixar de ser de tudo ou de todos para, quer se queira quer se não queira, pôr o que devia ser intemporal nas contendas so dia-a-dia.

    Como irá Marcelo aguentar-se? Como poderá manter a popularidade conquistada? Como se “safará” de ser interpretado, hoje como protector de uma facção amanhã de outra? Só o tempo o dirá. O que já conseguiu é notável, mas muito mais frágil do que imagina.

     

    14.3.16

  • CRISTA MURCHA

    Algo me diz que esta rapariga do CDS não vai longe. Pode ser mera impressão. Mas, para já, falta-lhe carisma, não entusiasma as massas, não tem “nensagem” clara, ou diferente, ou corajosa, ou seja lá o que for de atractivo. Por outro lado, dá sinais de aproximação ao PS, o que, já não sendo novidade no CDS, não é de molde a mobilizar o pessoal, antes o faz ter razões para desconfiar.

    Gostava de estar errado, mas dá-me a impressão de que o CDS quer voltar aos velhos tempos do “partido do táxi”, célebre obra política e eleitoral conseguida mercê da académica mestria do Prof. Adriano Moreira.

    A ver vamos.

     

    13.3.16

  • PARVOICES

    Tempos atrás, o actualmente chamado ministro da economia aparecia na televisão e, apesar dos sinais de socialismo que exibia, dava ideia de ser merecedor de uma certa simpatia, ou seja, de não ser socialistocrata ou trauliteiro como o Galamba, o Lelo, o Santos Silva, o horrível Adão da Silva e tantos outros. Parecia um menino inteligentezinho e sem os tiques ordinarotes ou os truques ultramontanos e aldraboides da generalidade da malta do Largo do Rato.

    Agora, em vestes governamentais, mudou de registo: defende com calor as teses centenárias, ou centeneiras, em que ninguém alguma vez acreditou.

    A última das suas bocas é notável. Seguindo o exemplo do chefe, que manda andar de bicicleta e fumar barbas de milho, Caldeira Cabral, patrioticamente, aconselha o povo a não atestar o depósito em Espanha, a fim de proteger o orçamento.

    Deu em parvo, ou acha, como o chefe, que os outros são parvos?

     

    12.3.16

  • BORREGO?

    Quem vai seguindo este blog está a par do acendrado amor e da profunda simpatia que por aqui são nutridos em relação a essa alta figura do nosso maravilhoso sindicalismo que é o bigodes da Fenprof, professor de coisa nenhuma, furioso inimigo de tudo e mais alguma coisa, excepto do PC, em cujo comité central tem assento garantido.

    Mas, tiremos-lhe o chapéu, o homem, ou não é estúpido de todo, ou fugiu-lhe a boca para a verdade.

    Olhem para esta, hoje sublinhada nos jornais. Diz ele: Como é que o Estado poupa 300 milhões de euros em recursos humanos na educação, se este é um ano não apenas de manutenção da verba, mas em que terá de haver reforço da verba, uma vez que vão repor-se os salários na íntegra?

    Não liguem à pobreza do português. Atentem na substância das palavras. O tipo não percebe, e di-lo, aquilo que ninguém – à excepção dos fulanos do chamado governo -, ou percebe demais: como é que se poupa gastando mais? Como é que, repondo salários, se gasta menos 300 milhões em salários?

    Há aqui alguns mistérios. Um, não é mistério nenhum: as contas do Centeno estão erradas, e pronto, não há, do Moscovitch ao Zé das Osgas, quem não saiba. Outro é o de saber como é possível haver governantes que garantem fazer omeletas depois de ter gasto, antes de os comprar, o dinheiro dos ovos. Outro ainda é o de saber como é possível que a única ideia “salvadora”, para além dos aumentos de impostos (os que já fabricaram e os que aí vêem), é o inimaginável progresso económico que provirá das “reversões”, uma comprovadíssima patacoada.

    Mas o maior mistério é o da súbita inteligência manifestada pelo bigodes. Foi o comité central que o mandou meter a boca no trombone? É o mais provável, já que esta malta não abre a boca sem autorização. Se foi o comité central, porquê este borregar em relação aos compromissos da geringonça? Será um acto isolado, ou uma nova política?

    À atenção dos analistas, que os há para aí com fartura.

     

    11.3.16

  • BOAS NOVAS

    Ontem, em toda a zona euro, os juros desceram. Uma excepção: os da dívida pública portuguesa. Oficialmente, a nossa dívida encareceu como consequência do que lá fora se passa. Mentira. Mais uma.

    Também ontem, foi dado a conhecer o plano B, ou a sua primeira parte: mais 700 milhões de impostos. O que não ficou a saber-se foi se esses 700 são os 600 da dona Maria Luís devidamente “reforçados”, ou se são mais 700 em cima dos tais inevitáveis 600. A hipótese mais plausível é a segunda, isto é , o buraco honestamente previsto na segurança social pelo governo anterior passou de 600 para 1.300 milhões, por obra do actual chamado governo. E ainda vamos só em 100 dias…

    Será o milagre da multiplcação dos impostos, perpetrado pelo do mágico Centeno?

     

    10.3.16

  • PRESIDENCIAIS APONTAMENTOS

    Assinale-se a posse do novo Presidente;

    – Logo de manhã, a SIC anunciou a chegada à AR do Rei Filipe IV de Espanha (III de Portugal). Demos por isso: Sua Majestade vinha num coche puxado por seis parelhas de cavalos brancos, com cinco cocheiros, seis palafreneiros, doze lacaios e uma secção de vinte e quatro charameleiros a cavalo; era acompanhado pelo duque de Alba, pelo arcebispo-bispo-duque de Madrid, por vários outros grandes de Espanha, entre os quais Miguel de Vasconcelos, e pelo Dr. Francisco Pinto Balsemão;

    – Na tribuna de honra foi muito notado um popular sem gravata, o mesmo se passando com um cabeludo de nome Pureza e com diversos outros infiltrados;

    – A criatura do sexo feminino que ostenta, permanentemente, uma sorridente presença (ri de quê?) no pódio, desta feita mostrava os dentes ainda mais que de costume, o que, para alguns, levanta sérias dúvida quanto ao estado de saúde dos respectivos neurónios;

    – Ao contrário do que se passa nas repúblicas democráticas, o novo Presidente não foi saudado, nem aplaudido por alguns bandos que, caracterizados pelo seu horror visceral à democracia, nem sequer se puzeram de pé nos momentos próprios para tal;

    – Sua Excelência proferiu vasta e redonda oração, a qual, para além de tecer loas a inúmeras qualidades dos portugueses pelas quais ainda ninguém tinha dado, elogiou o manipanço constitucional com inegável garbo, ainda que deixando, pouco clara, a ideia de uns toques, virtualmente heréticos, de que o dito necessitaria;

    – Dona Maria, ao longo do dia, apresentou várias toilettes, qual delas a mais elegante;

    – A Guarda Nacional, dita Republicana como a da República Teocrática do Irão, portou-se muito bem.

    Estou à espera do concero. Amanhã há mais.

     

    9.3.16

  • GENTE FINA

    A partir de amanhã, passará a quatro o número dos nossos luxuosos reformados: Eanes, Soares, Sampaio e Cavaco. Reforma, ordenado, gabinete, secretária, Mercedes, motorista, comunicações, e não sei mais quê.

    Não sou contra. Não me choca. Foram Presidentes, acho bem que tenham certos privilégios.

    O que não percebo é porque é que ainda há quem não seja monárquico!

     

    8.3.16

  • REPÚBLICA!

    A primeira frase do primeiro artigo do nosso constitucional manipanço é: Portugal é uma República.

    Acho bem que uma constituição comece pela definição daquilo que regula. Definir é, como toda a gente sabe e a raiz latina impõe, marcar os limites. Se Portugal é uma República, o que está fora dela não é Portugal.

    Quer dizer, com o manipanço, Portugal deixou de ser Nação, País, Comunidade, História. Define-se, limita-se, como República. Se “é” uma República, o que estava antes dela seria o que seria, mas não Portugal. Para o manipanço, Portugal não começou na batalha de São Mamede, nem no tratado de Zamora, nem com a bula Manifestis probatum. Não. Portugal “nasceu” em 5 de Outubro de 1910.

    Noa anos oitenta, havia, para uso nas escolas de São Tomé, uma história universal de origem cubana na qual se referia que a humanidade viveu milhares de anos nas mais profundas trevas, só tendo visto a luz em 1917, com a gloriosa revolução de Outubro.

    Mutatis mutandis, , este tipo de cultura e raciocínio ainda está por cá em vigor e em letra de lei.

    Que importa, dirão os adoradores do manipanço, toda a gente sabe que temos História! É verdade, mas não seria mau respeitá-la, o que não se passa com o chamado governo. A reforçar esta irritada opinião, o chamado primeiro-ministro, em mais uma inteligente reversão, decidiu que o seu governo deixava de ser o “governo de Portugal” para passar a ser “da República”.

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. O problema é que, às vezes, mudam da inteligência para outras coisas.

     

    8.3.16

  • VIRAR O BICO AO PREGO

    Ele há coisas engraçadas sem graça nenhuma.

    Esta história dos contratos swapp deixa-me nervoso. Vi por aí uma lista dos celebrados pelas empresas públicas de transportes, coisa orgulhosamente nossa, como soe dizer a esquerdoidice, parafraseando o Salazar.

    Tais contratos, destinados a aliviar as dívidas crónicas e galopantes de tais organizações, aparecem em tal lista a causar um prejuizozinho de mil e não sei quantos milhões. Vistas as suas as datas, verificamos que foram, sem excepção, celebrados durante o saudoso consulado do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates.

    Agora, que já se deu,ou está a dar, a reversão dos contratos de concessão a privados (um horror para a esquerdoidice) assinados pelo governo anterior, o actual chamado governo, de sociedade com a alcateia arregimentada nos jornais, descobriu que a culpa das astronómicas dívidas em presença é… dos outros, do Passos Coelho, da Maria Luís, etc.

    E como, apesar de ter sido Passos Coelho e Maria Luís a ver o problema e tentaram resolvê-lo, são eles, na boca dos do regimento, os responsáveis pela vitória do Santander nos tribunais britânicos, obrigando-nos a pagar e não bufar.

    Nem o Lafontaine se lembraria desta. “O Lobo e o Cordeiro”, “O Escorpião e a Rã” são de fraca exemplaridade para o caso. Ainda hão-de descobrir que a culpa do terramoto de 1755 foi do tetravô do Cavaco, ou coisa que o valha.

    É assim a verdade socialista. É assim que as empresas vão continuar públicas, isto é, às ordens do Arménio. E nós a pagar os bilhetes triplicar.

     

    8.3.16