A primeira frase do primeiro artigo do nosso constitucional manipanço é: Portugal é uma República.
Acho bem que uma constituição comece pela definição daquilo que regula. Definir é, como toda a gente sabe e a raiz latina impõe, marcar os limites. Se Portugal é uma República, o que está fora dela não é Portugal.
Quer dizer, com o manipanço, Portugal deixou de ser Nação, País, Comunidade, História. Define-se, limita-se, como República. Se “é” uma República, o que estava antes dela seria o que seria, mas não Portugal. Para o manipanço, Portugal não começou na batalha de São Mamede, nem no tratado de Zamora, nem com a bula Manifestis probatum. Não. Portugal “nasceu” em 5 de Outubro de 1910.
Noa anos oitenta, havia, para uso nas escolas de São Tomé, uma história universal de origem cubana na qual se referia que a humanidade viveu milhares de anos nas mais profundas trevas, só tendo visto a luz em 1917, com a gloriosa revolução de Outubro.
Mutatis mutandis, , este tipo de cultura e raciocínio ainda está por cá em vigor e em letra de lei.
Que importa, dirão os adoradores do manipanço, toda a gente sabe que temos História! É verdade, mas não seria mau respeitá-la, o que não se passa com o chamado governo. A reforçar esta irritada opinião, o chamado primeiro-ministro, em mais uma inteligente reversão, decidiu que o seu governo deixava de ser o “governo de Portugal” para passar a ser “da República”.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. O problema é que, às vezes, mudam da inteligência para outras coisas.
8.3.16

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