Quem vai seguindo este blog está a par do acendrado amor e da profunda simpatia que por aqui são nutridos em relação a essa alta figura do nosso maravilhoso sindicalismo que é o bigodes da Fenprof, professor de coisa nenhuma, furioso inimigo de tudo e mais alguma coisa, excepto do PC, em cujo comité central tem assento garantido.
Mas, tiremos-lhe o chapéu, o homem, ou não é estúpido de todo, ou fugiu-lhe a boca para a verdade.
Olhem para esta, hoje sublinhada nos jornais. Diz ele: Como é que o Estado poupa 300 milhões de euros em recursos humanos na educação, se este é um ano não apenas de manutenção da verba, mas em que terá de haver reforço da verba, uma vez que vão repor-se os salários na íntegra?
Não liguem à pobreza do português. Atentem na substância das palavras. O tipo não percebe, e di-lo, aquilo que ninguém – à excepção dos fulanos do chamado governo -, ou percebe demais: como é que se poupa gastando mais? Como é que, repondo salários, se gasta menos 300 milhões em salários?
Há aqui alguns mistérios. Um, não é mistério nenhum: as contas do Centeno estão erradas, e pronto, não há, do Moscovitch ao Zé das Osgas, quem não saiba. Outro é o de saber como é possível haver governantes que garantem fazer omeletas depois de ter gasto, antes de os comprar, o dinheiro dos ovos. Outro ainda é o de saber como é possível que a única ideia “salvadora”, para além dos aumentos de impostos (os que já fabricaram e os que aí vêem), é o inimaginável progresso económico que provirá das “reversões”, uma comprovadíssima patacoada.
Mas o maior mistério é o da súbita inteligência manifestada pelo bigodes. Foi o comité central que o mandou meter a boca no trombone? É o mais provável, já que esta malta não abre a boca sem autorização. Se foi o comité central, porquê este borregar em relação aos compromissos da geringonça? Será um acto isolado, ou uma nova política?
À atenção dos analistas, que os há para aí com fartura.
11.3.16

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