IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO NEO-NACIONALISMO BANCÁRIO, OU BACOCO

Uma nova e vasta coligação se acastela no horizonte, qual hino à nacional estupidez. Os seus membros, PC, BE, PS, CDS e PR, são de peso.

Em relação aos dois primeiros (PC e BE), a explicação é fácil: alinham com a patacoada radical europeia, do Podemos ao Syriza, da Marine Le Pen ao camarada Corbin ou ao incrível Orban, extrema direita e extrema esquerda unidas no mais acendrado neo-nacionalismo.

O terceiro (PS) virou de bordo, ou por necessidade de manter quietos os neo-amigos, ou por neo-opção ideológica – uma espécie de socialismo-nacional.

O quarto (CDS) será vítima de alguma neo-ideia dessa alta neo-dirigente, especialista em patacoadas, dona Assumpção.

O último (PR), vá lá saber-se porque alinha no préstito, já que todas as hipóteses possíveis de adiantar provocariam comentários de descasca pessegueiro. Respeite-se o cargo.

Todos estão unidos nessa gesta de exaltação nacionalista que consiste em não deixar que os espanhóis comprem bancos cá no sítio. Se se tratasse de gente séria, como os angolanos ou os chineses, tudo bem. Mas espanhóis? Então, e o 1º de Dezembro? E Aljubarrota? O pátrio peito sofre, na sua dignidade e na sua honra, Camões estremece no sarcófago, Cabral vai aos arames, há que ressuscitar os conjurados e defenestrar os miguéis de vascocelos que por aí pululam!

Além disso, aponte-se os factos, certamente mui queridos da neo-coligação. A banca nacional tem dado exemplos de boa gestão, de criação de riqueza, de intocável honestidade, de rentável eficácia, como está patente nos maravilhosos casos do BPP, do BPN, do BES, do Banif, etc., isto sem contar com esse lindo exemplo que a CGD corporiza, a dar lições ao mundo da finança e da economia com a sua estabilidade, independência e indesmentível sucesso. Do outro lado, como é sabido, a deletéria influência dos bancos em que os espanhóis estão envolvidos, o Totta, o La Caixa, o BBVA, o Popular… só nos dão problemas, não é?

Uma coisa é certa e sabida. Para “voos” que permitam estabilizar a banca, simplesmente, não há dinheiro português. Há muitos anos que se deu cabo dele, do dinheiro a sério, que por aí houve. Não vale a pena dizer como, que toda a gente sabe.

Também toda a gente sabe que não é agradável ver o controle da banca passar para mãos estrangeiras. Pode até perceber-se que não seja de boa política que os espanhóis venham a ter a fatia de leão. Mas, francamente, preferir os angolanos e os chineses…

Daqui que, se houvesse alguma preocupação digna desse nome que fosse um bocadinho além do primarismo nacionalista, e se o chamado governo e seus acólitos quisessem evitar a concentração em mãos “ibéricas”, estariam, discretamente, a procurar parceiros que considerassem mais aceitáveis, a fim de os motivar a entrar numa corrida onde, diga-se a verdade, o governo não deve, ou não devia, entrar. Uma boa actividade para uma diplomacia financeira. Em vez disso, preferem irritar os espanhóis, o que é de uma incompetência atroz, para não dizer de uma colossal estupidez.  

 

21.3.16



5 respostas a “DO NEO-NACIONALISMO BANCÁRIO, OU BACOCO”

  1. Pronto, lá vou ter como o Josephvss! Mais uma vez chama por mim! É o que dá ser “herói”

  2. Concordo com o Irritado sobre a histeria anti-espanhola: que tem Espanha de tão mau, para um país que há anos baixa as calças a meio mundo… a começar por Angola? A máfia angolana é a nova Dona Disto Tudo. Tudo tranquilo. Estamos às ordens da UE, do FMI e dos apátridas “mercados”. Tudo supimpa. A China, uma brutal ditadura, manda na nossa maior empresa e mais essencial monopólio. Tudo porreiro pá. Mas Espanha, aqui ao lado, quer comprar-nos uns bancos? Alto e pára o baile! Isto não é a casa da Joana! Parece absurdo e é mesmo absurdo – uma velha pu** armada em virgem, como é habitual neste país.A questão, porém, é que falamos da BANCA: ser espanhola é circunstancial, a MAMA é sempre igual. Neste caso, consta até que a ordem de venda ao Santander veio de cima, da UE – e o seu Passos comeu tudo caladinho, como bom lacaio.Quando o Irritado diz que «não há dinheiro português; há muitos anos que se deu cabo dele, do dinheiro a sério», deve continuar a viver no mundo de fantasia em que o “socialismo” deu cabo de tudo. Acontece que quem deu cabo de tudo, além dos governos do Centrão Podre, foi mesmo a BANCA – e continua a dar, porque é isso a Banca: inventar dinheiro que não existe, e dar cabo dele. E não, não é só em Portugal. Acorde para a vida, Irritado: veja a Islândia, a Irlanda, o Lehman Brothers, o Bankia (espanhol), o CajaSur (espanhol), o UBS (suíço), o HBOS (inglês), o Northern Rock (inglês), o Fortis (belga), o ABN AMRO (holandês), o Roskilde (dinamarquês), o Merrill Lynch, o Fannie Mae, o Freddie Mac, o IndyMac, o MF Global, o Bear Stearns…

    1. Como v. bem sabe, a crise da banca, sobretudo da banca Ocidental, deve-se à deslocação da economia para outras paragens e à criação de dinheiro com origem meramente financeira. Somando a isto os exageros da “políticas sociais”, ou socialistas… o resultado está à vista.Por cá, tem as suas “epecificidades”, mas faz parte de um fenómeno generalizado.

      1. Mais de 95% do dinheiro do Mundo tem «origem meramente financeira». Antes e depois da crise. Não sabia?Pensei que soubesse: é a herança dos seus heróis Reagan e Thatcher. O «fenómeno generalizado», de que fala como uma pequena moda, chama-se capitalismo. Nada mudou, nada vai mudar.

  3. E cá está o herói do Irritado:«Passos Coelho entende que nem o PR, nem o governo devem intervir nas questões da Banca.Não é uma matéria em que o Governo se deva envolver. O PM não tem competência nenhuma nesta matéria, salienta Passos».A típica mentalidade direitalha-lacaia-avestruz: – privado é sagrado (nada privado corre mal ou custa dinheiro público, como se sabe); – era o que faltava, metermo-nos nas negociatas dos Senhores Banqueiros; – enterremos a cabeça na areia, deixemos a coisa correr… pois se correu tão bem até agora!É de gente desta, tipo Passos, que a Banca gosta. Eis como alguém tão medíocre chega tão longe.

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