IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • HOMENAGEM

    Imagine-se que havia, no Colégio Militar, um menino que andasse a piscar o olho às colegas, a dizer-lhes uns piropos, maxime a roçar-se nelas ou a passar-lhes a mãozinha pelas bimbas. O menino, como é evidente, teria que ir para casa. De acordo.

    Imagine-se agora a mobilização da alcateia, sob o comando da generala Câncio, da coronela Moreira e da tenenta Martins, com batalhões de moralistas, machos, fêmeas e mais ou menos. Machismo! Falocracia! Assédio sexual! Crime! Rua!

    Veja-se agora outro caso, não verificado mas levantado, na base do just in case, caso que, embora imaginário, anda por aí nas bocas do mundo: o de um menino que mostrasse tendências para se chegar a outros meninos, lhes piscasse o doce olhinho, se roçasse neles ou tivesse tendência para lhes afagar o escroto. A alcateia entrou em paranoia com a hipótese de os pais de tal menino virem a ser avisados do caso, sendo-lhes pedido que o levassem para outro lado, já que aquilo é um colégio interno que não pode entrar em rebaldarias sexuais, sejam elas quais forem. Sob as ordens da generala Câncio, estalou a mais desbragada indignação. Se o menino se roçar nos outros, se usar cuequinhas de renda, está no seu pleno direito e faz muito bem. Tudo o que seja não lhe aceitar os ademanes é contra a moral e o direito.

    Tudo isto é compreensível, atentos os estritos princípios morais da alcateia.

    Mas… a coisa desta vez foi mais alto, ou mais baixo, conforme o gosto de cada um. O chamado ministro da defesa, borradinho de medo, alinhou com a alcateia e lançou o seu anátema sobre quem se manifestou desagradado com a mera hipótese da cuequinha de renda. Inquérito, já! Apuramento das responsabilidades! Quem pode ter o topete de de não querer lá no colégio rebaldarias de deficientes sexuais?

    Depois… depois a coisa subiu, desta vez subiu mesmo, mau grado o gosto de cada um: o responsável máximo do Exército mandou o ministro àquela parte. Os conceitos morais do Senhor não são compatíveis com os da alcateia, ainda menos com as borradas ordinárias e medricas do ministro.

    O IRRITADO presta humilde homenagem ao General propriamente dito que mandou o ministro àquela parte.      

     

    8.4.16

  • TODO DIREITINHO

    Grande avanço democrático no Conselho de Estado: o camarada Louçã de gravata! Viram? Todo bem arranjadinho, até parecia um senhor.

    Várias são as hipóteses que o espantoso caso levanta. O camarada Louçã teve um rebate de consciência? O camarada Louçã converteu-se à democracia? O camarada Louçã abandonou o socialismo revolucionário? O camarada Louçã aburguesou-se? O camarada Louçã obedeceu a alguma exigência protocolar do PR? O camarada Louçã abaixou-se? O camarada Louçã iniciou uma viagem a caminho do PSD? O camarada Louçã não está bom da cabeça?

    A coisa merece vários debates televisivos, com psicólogos, politólogos, sociólogos, constitucionalistólogos e outros encartados cientistas analistólogos e analistocráticos, a fim de que a opinião pública tenha pistas para ajuizar sobre a extraordinária ocorrência. Transparência, meus amigos, transparência!

     

    8.4.16

  • À CUSTA DOS OUTROS

    Mais uma inacreditável “reforma” se abate sobre a economia desta pobre terra.

    Uma fulana, proprietária de uma lojeca de velharias industriais e monos artesanais, onde o não investimento é timbre, a fim de proteger interesses pessoais (a salvação da falência própria) resolveu lançar uma campanha de protecção de lojas já falhadas ou claramente inviáveis, que passou a classificar como “património” da cidade.

    Teve honras de primeira página no jornal ultra-socialista chamado “Público”, onde se auto-promoveu para voos políticos de alto gabarito.

    Certamente “por acaso”, as autoridades competentes, sempre atentas aos “problemas” da cidade e do país, decidiram avançar para a classificação de lojas (imagine-se os critérios a aplicar) às quais será atribuído “interesse municipal” e que, por tal motivo, passam a merecer “protecção especial”, independentemente do seu interesse comercial, da ausência de clientela ou do seu contributo para a animação da cidade.

    Com certeza também “por acaso”, isto é, sem intervenção da dona Roseta, do senhor Fernandes, do senhor Medina, do senhor Costa e de outros que tais, o governo determina que as actividades comerciais em causa são merecedoras de especial atenção e de protecção acrescida. Como tal atenção e tal protecção custam dinheiro, a sutentação do comércio em estado de obsolescência passa a ficar a cargo… dos senhorios, obrigados que vão ficar a congelar as rendas por muitos anos e bons (para eles).

    Quer dizer, a chamada autarquia e o chamado governo, para pagar o atraso comercial ainda existente, resolvem dar passos atrás, conservar o inviável em nome de um “património” inventado ad hoc  pelos próprios, com o mote que, certamente “por acaso”, lhe foi facultado pela dona Catarina Portas, ansiosa por ver baixar a renda da chafarica que leva de aluguer. Como é uma chatice ter de pagar este regresso ao passado da I e da II Repúblicas, nada melhor que pôr os a pagar a despesa.

    Assim se junta os penduras e os parasitas ao socialismo e ao atraso mental que o caracteriza.

     

    7.4.16

  • SEM PENEIRA

    Se eu tivesse massa que se visse, se calhar punha-a a bom recato num paraíso fiscal.

    Não sei ao certo como se faz, mas, diz-se por aí, parece que devo informar o Banco de Portugal. Depois, a massa é exportada, e fico obrigado a incluir os respectivos rendimentos na minha folha de impostos.

    Tudo legal, legítimo, a circulação de capitais é livre, os paraísos fiscais são oficialmente reconhecidos como tal, etc.. Ter lá dinheiro não é crime, nem contra-ordenação, nem ilegalidade, nada disso. A coisa capta capitais e é rentável para os países a têm. Até aqui, tudo bem.

    Imaginemos que, por exemplo na UE, a luta contra a existência dos paraísos fiscais chegava a bom termo. Chegava, mas acabava a chamada livre circulação de capitais. A União, ao acabar com a coisa prejudicava-se brutalmente em relação a terceiros. A abolição só faria sentido se fosse universal, impossibilidade que não carece de demonstração.

    Nesta ordem de ideias, o que está mal é a série interminável de ilegalidades e/ou crimes fiscais que a existência dos paraísos proporcina.  O que está mal é a sua permeabilidade a capitais duvidosos, de proveniência ilegítima ou criminosa, bem como as fugas ao fisco que lhes podem estar facilmente associadas. Donde, na impossibilidade prática, ou até inconveniente, de acabar com os paraísos fiscais, o que terá que ser revisto é a fiscalização de tais abusos, o obrigatório registo dos capitais nos países de origem, a verificação da legitimidade da sua proveniência, etc.. Não será fácil, mas é fazível.

    Tratar do problema não é compatível com as parangonas ideológicas, as politiquices baratas e as sanhas persecutórias que por aí vicejam, mas a urgência de tratar do problema com eficácia, isto é, com a frieza técnica, jurídica e jurisdicional que, essa sim, pode ser objecto de algumas decisões de natureza global.

    O que se passa, independentemente da sua eventual utilidade, é o contrário. A chamada “investigação jornalística internacional” é a negação de uma série de princípios universais e seculares (a inviolabilidade da correspondência, o respeito pela privacidade…) cujo observância deixou de ser considerada um valor. A tal “investigação” não tem a ver com a denúncia de criminosos, mas com o lançamento de um anátema universal que cobre criminosos e cidadãos sem mácula, metendo todos no mesmo saco. Não se denuncia que o senhor A escondeu dinheiro de corrupta proveniência, que o senhoe B pôs a bom recato dinheiros do comércio de droga, de venda de virgens ou de outras condenáveis origens. Não se denuncia o senhor C, que se “esqueceu” de declarar redimentos. São milhões de documentos roubados que põem em causa tanto o legítimo como o ilegítimo, o são e o podre, o mau e o bom. Assim, indescriminadamente.

    Além disso, a própria natureza da denúncia vai no sentido da sua ineficácia, o que já aconteceu com várias iniciativas similares (o uiquiliques ou as histórias do senhor Snowden, por exemplo) que, ou já cairam no esquecimento, ou foram de uma ineficácia gritante. O crime destas investigações generalizadoras acaba por não compensar, mesmo que mascarado com altos objectivos e servido por universais trombones.

    Talvez esta história tenha alguma utilidade, isto é, sirva para denunciar o laxismo político, policial e judicial grassante na matéria. As autoridades constituídas são capazes de perseguir e condenar o conteúdo de um hamburger ou a qualidade de um dentífrico, mas metem a cabeça na areia do “desconhecimento” em relação a muita coisa em relação à qual deveriam estar a pau.  

     

    7.4.16

  • VENDER E COMPRAR

    Ainda não assentou o pó do congresso e já o senhor Rio veio à liça defender a sua miserabunda posição em relação às “piadas” de que foi “vítima”.

    (Antes de mais, ressalve-se que vítimas somos nós, portugueses, por ter, com direito a galarim mediático, gente tão baixinha como este murídeo.)

    O dito não perde tempo. Escreve hoje que ficou ofendido por Santana Lopes ter dito que ele achava que podia “ofuscar” o congresso. Não! Rio nunca disse isso, que ideia, o que disse foi que, se lá fosse, se “arriscava a ser figura central”. Estão a ver a diferença? Que modéstia. Agora diz mais, que não foi a Espinho “para não perturbar”. Mais ainda, que se considera um “fantasma que aterroriza os outros”. Estão a ver a humildade? A categoria moral do pacóvio? O que pode a circunstância de, se calhar, ter percebido que não presta para mais nada? No paroxismo da inveja e dos maus sentimentos, mima-nos com esta: (Passos Coelho) “foi o mais votado, não o vencedor”. A baixeza de sentimentos chega ao pondo de achar que, em democracia, perde quem tem mais votos.  

    Mais grave que a petulância palerma e bacoca desta desgraça em forma de gente é a propaganda acéfala que por aí grassa na desinformação geral, coisa que, em Portugal, se chama “comunicação social”. Vale mais o fait divers que a substância das coisas.

    Uma olhadela à “informação” de hoje é disso prova. É feita de bocas e boquinhas, de disse-que –disse, de intriguinhas, de episódios menores, de tricas e triquinhas. As parangonas, e não só, dedicam-se a tudo menos ao que interessa. O que interessa, no plano político, social, nacional, é a doutrina adoptada, as ideias, o conteúdo do discurso final do chefe político do partido, as bases do seu pensamento, o que o distingue do social-comunismo-radicalismo no poder, o que se pode dele esperar ou não esperar. Goste-se ou não se goste (isso fica para quem comenta ou opina), informar seria fazer o compte rendu – propriamente jornalístico, propriamente informativo – do muito que foi dito (ideias princípios, caminhos, intenções, prospectivas…) pelo líder no encerramento do congresso. Foi mau? Foi bom? Que se deixasse o julgamento às pessoas, não através de episódios mas sobre o que, de substancial, foi afirmado. Que as pessoas ficassem a saber o que podem esperar ou não esperar, não o que de passou de “social”, de lateral, de anedótico, mas do que, fundamentalmente, foi afirmado.

    Deu-se mais direito de cidade a quem não vai mandar e que, com direito a tal, se manifesta (os que lá foram, os homens, não os ratos – rios, leites, pachecos…) do que a quem fica com a s responsabilidades do futuro.

     

    Em resumo, para a “informação” o que interessa é o que vende. Pobre de quem compra.

     

    4.4.16

  • TEMPO NOVO

    Imaginem isto. No seu tempo, o PM Passos Coelho e o seu nº 2 Portas tomam uma posição política que diz que determinada coisa é preta. Vai daí, os respectivos grupos parlamentares põem a votos uma resolução afirmando que a tal coisa é branca.

    O que acontece? Todos os jornais, todos os canais de televisão, todos os opinativos opinadores, todos o políticos e mais alguns vêm à liça, cada um mais afoito, provar à saciedade que há uma rotura entre os líderes e os seus deputados, que a coligação está na mais grave crise política dos últimos dois séculos, que o seu fim está à vista, que a rebelião parlamentar é inultrapassável, etc..

    Pois. Mas isso era dantes. Agora, o intolerável Santos Silva, número dois do governo, toma uma posição o mais soft possível em relação à condenação dos oposicionistas de Angola. O número um, o grande chefe chamado primeiro-ministro, nada acrescenta, bem pelo contrário vai ao parlamento e, sobre o assunto, mais não faz que repetir, lendo um papelinho, a declaração do número dois. Parecia que o caso estava encerrado.

    Helás, logo a seguir, os deputados do PS levam a votos uma declaração em que condenam com inusitado vigor o que aconteceu em Angola e põem em causa a justiça local, dominada por um poder não democrático nem respeitador dos direitos humanos em geral e da liberdade de pensamento em particular. Acresce que um dos aliados do chamado governo, o BE, faz o mesmo com ainda mais furor, dizendo cobras e lagartos dos angolanos.

    O que acontece? Nada. Todos os jornais, todos os canais de televisão, todos os opinativos opinadores, todos o políticos e mais alguns, moita carrasco. Não há crise nenhuma, não houve nenhuma rebelião parlamentar, ninguém diz que o governo e o chamado primeiro ministro foram contraditados, traídos pelos seus próprios parlamentares, pelo contrário, tudo está na mais celestial harmonia.

    Os tempos mudaram, diz, e com razão, o chamado primeiro-ministro. Serão os tempos novos, a viragem da página, os afectos, a descrispação, o beneficio da dúvida? Ou será que o IRRITADO, mais uma vez tem razão, isto é, que o medo voltou ao de cima?

     

    1.4.16  

  • MORALIDADE

    A julgar pelas boas as intenções dos diversos coros de opinião em presença e de acordo com as preocupações em boa hora divulgadas pelo Bloco de Esquerda, sou a dar alguns conselhos quanto à mobilização de quadros governamentais, bem como à sua reinserção na sociedade civil depois do exercício de funções.

    Indispensáveis critérios a respeitar e medidas a tomar:

    A – Dos candidatos:

    1. Não devem ter profissão conhecida ou, a tê-la, que seja completamente alheia a matérias que possam ter a ver com a área de governação que lhes é proposta;
    2. Assinarão um compromisso de honra garantindo que, uma vez fora do governo, recusarão trabalhar em ramos colaterias, anexos ou similares daqueles em que tenham eventuais competências pessoias, seguindo o alto exemplo do senhor Pinto de Sousa;
    3. A lei proibir-lhes-á que voltem a falar, relacionar-se ou colaborar com as pessoas, empresas ou outras organizações que ficaram a conhecer por virtude do exercício de funções políticas;
    4. Devem provir de actividade pela qual aufiram vencimentos inferiores ao do cargo proposto;
    5. Se tiverem algum currículo relacionado com política, deverá o mesmo cobrir, com exclusão de quaisquer outras, funções exercidas com indesmentível fidelidade nas secretarias do ou dos partidos do governo;
    6. Após saída do governo, os que forem engenheiros deverão procurar emprego como engaxadores ou similares, os que forem economistas empregar-se-ão como mineiros ou carpinteiros de cofragens, os juristas como barbeiros ou pintores de paredes, e assim por diante;
    7. Caso se trate de senhoras, poderão abrir um atelier de arranjos de costura ou similar.

     

    B – Da Administração Pública e Judicial:

    1. Uma Comissão Nacional de Vigilância e Regulação (CNVR) será constuída – um presidente, três vogais, cinco motoristas, oito secretárias e cinco assistentes operacionais, vulgo contínuos – destinada a verificar o rigoroso cumprimento dos princípios e normas acima mencionados;
    2. Uma Autoridade para a Compatibilidade Moral (ACM), com composição semelhante à da CNVR – em alternativa um Ministério da Moral e Bons Costumes (MMBC) – será criada para avaliar, segundo os mandamentos da moral republicana e os estatutos do Bloco de Esquerda, a compatibilidade com os mesmos das novas profissões dos ex-ministros e similares.
    3. Precedendo legislação adequada e julgamento sumário de flagrante delito, dona Maria Luís Albuquerque será condenada a prisão perpétua em célula individual, sem visitas ou outros contactos com o exterior.  

     

    1.4.16

  • PROPAGANDA

    A central de propaganda do chamado governo tem por missão fazer de fabricados fait divers assunto da maior relevância nacional. Veja-se o caso dos feriados, o da referenda do orçamento, com sessão solene e parangonas por todo o lado, a conversa com a dona Isabel de Angola com primeira página do Expresso e apoio expressso do PR, o não aumento dos livros escolares (como se houvesse inflacção), etc., etc..

    Qualquer coisinha, se bem aproveitada, pode ser óptima propaganda. É a filosofia oficial: se se entretiver os servos com ninharias, eles não se lembrarão do que é importante: a ausência de poupança, a insustentabilidade da segurança social, a inexistência de investimento, a brutal queda da confiança externa, e tantas outras matérias merecedoras de alguma atenção, tudo “cientificamente” obnubilado pelas criações da propaganda.

    Se o António Ferro (sem ofensa para o dito) ressuscitasse que inveja não teria!

     

    31.3.16

  • CONVENIÊNCIAS

    Dá a imprensa alto relevo ao namoro que o camarada Costa anda a fazer à dona Cristas e ao seu “novo” CDS.

    Com a devida vénia, o IRRITADO permite-se corrigir os chamados “órgãos de comunicação social”: é a dona Cristas quem anda a namorar o PS, não o contrário. O camarada aceita o namoro e retribui a atenção.

    Mas a diferença não está só nisso: é que à dona Cristas interessa não prejudicar a hipótese de, caso necessário, arranjar outra bengala, ao PS interessa explorar as diferenças, reais e inventadas, entre a dona Cristas e o PSD.

    Namoros de conveniência: um para acautelar o futuro, outro para destruir o antigo namorado do actual.

     

    31.3.16

  • MAIS UMA REVERSÃO

    Com a maior das modéstias (coluninhas na página da esquerda), noticiam os jornais a renúncia do presidente da Águas de Portugal. O referido senhor diz que não está de acordo com a nova política que lhe é imposta pelo chamado governo, a qual, basicamente, consiste em destruir a anterior e, de caminho, a progressiva viabilização da empresa.  

    Imagine-se a barulheira que fariam os mesmos distintos órgãos de informação há uns meses atrás se o presidente de uma importante empresa pública batesse com a porta.

    Mudou o governo, mudaram os jornais. Dito de outra maneira, os jornais estão com medo (o medinho que já o Pinto de Sousa infundia…), coisa que, durante quatro anos, não tiveram.

    Isto é verdade, mas também é verdade que está fora de moda.

     

    31.3.16

  • NACIONALISMO CANÍDEO

    Andam por aí uns bandos de idiotas aos gritos contra a Força Aérea, que teve a falta de patriotismo de oferecer ao novo PR… um pastor alemão!

    Traição à Pátria! Com tantas raças de cãezinhos “portugueses”, dar um pastor a lemão! Onde pode chegar a estupidez.

    Viram a grande revolução americana que se arranjou quando o Obama meteu um cão “português” na Casa Branca?

     

    31.316

  • DO PRINCÍPIO DE PETER

    Durante largo tempo, o senhor Rui Rio gozou de merecido prestígio. Fez frente ao todo poderoso Pinto da Costa, ganhou eleições, parece que foi um autarca de valia lá no Porto. Chapeau!

    O que se seguiu é a prova provada da justeza do Princípio de Peter. O homem não se deu bem com a “peluda” e deu mostras de insuspeitada mediocridade, isto é, ainda que confesso e insinuado candidato a outros voos, passou a uma triste pequenês: não passa de provinciano regionalista/bairrista, a ombrear com essoutra personagem do mesmo calibre, o seu camarário sucessor, notando-se em favor deste o facto de não parecer ter pretensões a passar da chinela.

    Agora, Rui Rio permite-se colocar-se lado a lado com a coligação do chamado governo e insinuar críticas aos seus, ao mesmo tempo que, convencido do seu “valor”, recusa olimpicamente discutir ideias no local próprio, isto é, no congresso do PSD. Deve, considerar que, cá por fora, pode fazer melhor “carreira”. Mais uma insuspeitada característica: a cobardia oportunista.

    Não está só nas insinuações. Outros espreitam, preferindo ratar a ajudar. Mas são mais frontais, pequena honra lhes seja.

    Entretanto, o Costa vai rindo e, de sociedade com o homem dos “afectos”, dia sim dia sim, de cortina de fuma em cortina de fumo, vai entretendo o pagode. Os “rios” da nossa praça contribuem, em vez de denunciar a tempestade que aí vem. É a nacional “descrispação”.

     

    Por aqui, devo dizer que não há descrispação nenhuma.

     

    31.3.16

  • PORTAS, TENS SEGUIDOR!

    Há para aí dois anos, o vice-primeiro-ministro Portas, depois de muito instado, apresentou umas reformas: um papel muito criticado por ser curto, ainda que com várias páginas. Tinham razão os críticos. O tal papel situava-se a meia distância entre nada e coisa nenhuma.

    Interessante é, hoje, verificar que o chamado governo que temos faz a mesma coisa, desta feita mais do alto: com pompa e circunstância, é, pelo chamado primeiro-ministro, apresentado um papel, igualmente de reformas. Ao contrário do do Portas, este não se situa entre nada e coisa nenhuma: situa-se entre coisa nenhuma e nada.

    Por outras palavras: em matéria de reformas, a “página” virou, mas o verso é igualzinho à face.

     

    30.3.16

  • ESTADO DE DIREITO

    O novo PR não pára de nos surpreender.

    Desta feita, o ilustre senhor declarou, sobre o processo dos “golpistas” de Angola, que o assunto ainda não está resolvido e que a justiça segue o seu caminho, segundo as regras do “estado de direito democrático”… de Angola.

    • Não se percebe por que carga de água tem o PR de se pronunciar sobre o assunto;
    • Admitindo que se pronuncie, seria fácil, para não prejudicar as relações bilaterais, que encanasse a perna à rã com uma frase qualquer mais ou menos anódina (poderia eu inventar um sem número de sugestões, mas acho que a MRS não falta imaginação para tal, pelo que, se disse o que disse e como disse, o fez de propósito);
    • Como é que um professor de direito, adepto confesso e informado sobre o que é um estado de direito, diz, de Angola, que é um estado de direito?

    Um pouco de juízo não fica mal a ninguém.

     

    30.3.16

  • DISCURSOS DO PODER

    Inédita cerimónia, esta da referenda da lei dos feriados. Substancialmente, tal lei é só mais um desfazer do que os anteriores fizeram. Circunstancialmente, o discurso do espertalhão não passou de demagogia e, como de costume, da barata.

    Acho bem que o 1º de Dezembro seja feriado, ainda que a argumentação seja fraca. Se estivermos a falar de datas importantes para a Independência, porque não “feriar” a Batalha de São Mamede, o Tratado de Zamora, a Bula papal, a Batalha de Aljubarrota, o fim da Guerra Peninsular, por exemplo? Se querem feriar grandes datas, porque não a conquista de Ceuta, a dobragen do Bojador e do das Tormentas, a chegada de Vasco da Gama a Calecute, a descoberta do Brasil… Ou outras, as dos nossos dias, como as vitórias do Benfica e do FêCêPê na Liga dos Campeões, o nascimento da Rosa Mota e do Carlos Lopes, por exemplo… enfim, o que resta.

    Datas para feriar não faltam por aí, como se vê.

    E o 5 de Outubro? Aqui , aporca torce o rabo. A data que abriu caminho a 16 anos de bagunça política, de violenta desordem, de total falta de liberdades cívicas, e a mais 48 de ditadura, de censura, de prisões arbitrárias, merece ser feriado?  Feriar 65 anos disto? No mesmo diapasão, porque não feriar Alcácer Quibir, a queda de Goa…  as nacionalizações, o incêndio da embaixada de Espanha, o nascimento do Otelo, por exemplo…

    Deixo isto à consideração do chamado primeiro-ministro. Em matéria de datas a comemorar, a fartura é muita e povo gosta de feriados. Sobretudo, dirá sua excelência, os que forem aproveitáveis para desfazer o que os outros fizeram. Tudo o resto é conversa.

     

    Por falar em conversa, o PR também entrou em originalidades. Pela primeira vez, um ocupante de Belém veio tecer loas à excelência do orçamento de Estado, conforme com a Constituição como diria o PC, inatacável, fazível se as “condições externas” o permitirem e a exigir, vá lá, o indesmentível “rigor” governamental. Diz o exérctio de comentadores que o PR adiantou dúvidas de peso sobre a exequibilidade do “modelo”. É verdade. Mas não deixou, a despropósito, de dar mais umas dentadas aos que apanharam com a gestão da bancarrota, assim emparceirando, mais uma vez, com a coligação social-comunista, que tanto ama. Enfim, disse coisas, nem novas nem originais.  

    Por muitas dúvidas, as evidentes para toda  a gente (as outras ficaram no tinteiro), que o gerigoncial orçamento mereça ao PR, o que ficou claro foi o seu comprometimento com ele. Ou seja, perdeu uma oportunidade de ouro para estar calado. Quem muito fala…

     

    29.3.16

  • A GRANDE BORRADA

    Parece que as negociações (secretas!) levadas a efeito pelo chamado primeiro -ministro com a dona Isabel de Angola, merecedoras do entusiástico apoio do Presidente da República, deram em borrada. Dona Isabel, como não podia deixar de ser, quer mais do que o prato de lentilhas que lhe terá sido oferecido por tão altas individualidades, sabedora que é, como toda a gente, de que nem um nem outro dos ilustres cavalheiros tem poder ou dinheiro para se lhe impor.

    O chamado primeiro-ministro já fez constar que tomará “medidas legislativas” ad-hoc, se não houver outra solução, isto para o caso do BPI. No BCP nem assim se safará.

    De resto, a Constituição (por uma vez!) e a Lei, coisas que ambos (PM e PR) dizem defender e deviam conhecer, não dão abertura para os voos demagógicos e as parlapatices nacional-parvónicas em que os nossos dois altos dirigentes parecem querer especializar-se.

    No meio disto tudo, uma coisa fica clara: Passos Coelho, bombo da generalizada e “correcta” festa que por aí tonitrua, é quem, mais uma vez, tem razão!

     

    25.3.16

  • ANIMAIS SIMPÁTICOS, HUMANO ESTERCO

    Gosto de andar na relva. Todos os dias, saio de casa e vou até à relva lá à porta, aos saltinhos. Sim, aos saltinhos. Não porque goste de andar aos saltinhos, mas para não apanhar com um cagalhão de cão na sola do sapato, ali, à minha espera, primorosamente colocado na relva pelos canídeos dos meus queridos vizinhos. Isto para não falar de odor que produto exala.

    Falando de odores, quando das primeiras chuvas, a relva rescende, não a terra molhada mas a mijo de cão. Às vezes, tropeço nas arreatas extensíveis dos canídeos, com uma ponta no pescoço dos ditos, outra na carinhosa mão de um selvagem qualquer.

    De noite, não raro acordo com os protestos ladrados por algum simpático animal que se chateou ou cujo dono se atrasou na hora do passeio necessário à pública borrada.

    Não, não sou contra os cães, até gosto deles. Sou contra a incivilidade de quem os usa para gáudio próprio e transtorno dos demais. Acho que ter um cão na cidade devia ser objecto de caríssimas licenças, de vigoroso policiamento e de multas astronómicas para quem prevaricasse. Todas as despesas camarárias incorridas em limpezas e desinfecções, respectivo pessoal, etc., deviam ser pagas por tais licenças e tais multas. A Câmara até podia aproveitar para dar mais uns empregos, custos a sustentar pelos donos das cãezinhos, portanto orçamentalmente neutros e socialmente úteis…

    O animalesco deputado que se dedica a chatear meio mundo por causa dos cães, ao ponto de pôr pacíficos cidadãos a pagar veterinários e outras parvoíces, devia ficar a falar sozinho em vez de se divertir à custa dos outros. Mas goza da ternurenta protecção da camarilha no poder, que assim lhe vai comprando o voto, quem sabe se com a bênção do CDS e do PR.

    Não tenho ilusões. Ou deixo de gozar a relva, ou continuo aos pulinhos. Ou passo a gostar de ouvir os animais a protestar ou continuo a irritar-me com cães a ladrar às três da manhã. Ou arranjo chatices com os selvagens, ou meto a viola no saco.

    E a vida continua, entregue aos bichos.

     

    26.3.16 

  • PERGUNTINHAS

    Já que anda por aí um sururu dos diabos por causa da primo ministerial intervenção no caso da banca, bem como do presidencial alinhamento com ela, devia ocorrer (mas não ocorre) ao coro de serviço perguntar que raio de intervenção foi essa.

     

    – Tanto no caso BCP como no caso BPI havia vários interessados, ou envolvidos. Segundo se sabe, o chamado PM só falou com a fulana de Angola, dona Isabel dos Santos, grande empresária sem qualquer ligação ao papá.

    Porquê?

     

    – Há um silêncio sepulcral quanto ao que o chamado PM conversou ou combinou ou acordou com a referida criatura. Já que mandou que a reunião fosse pública, também o seu conteúdo, ou o que pretendia com ela, o devia ser.

    Porque não é?

     

    – No meio deste silêncio, o ocupante do Palácio Real de Belém tece desbragadas loas ao seu aliado Costa.

    Porquê?

    O que querem os dois com o que andam a fazer?

    Onde está a transparência?

    E, já agora, os afectos?

     

    25.3.16

  • CONSELHO DE ESTADO

    É muito interessante a composição do Conselho de Estado da era Marcelo, a saber:

    20 conselheiros:

    12 de esquerda;

    6 de centro-direita;

    2 duvidosos.

    Acresce o PR, o qual, sendo tido por de centro-direita, é o maior namorado que a esquerda podia desejar.

    Resultado: 13 a 15 / 6 a 8.

    Imagine-se a independência e o bom senso dos conselhos que o Conselho dará, certamente com o “apaziguador” gáudio de Sua Excelência o PR.

     

    Talvez nos valha, na próxima reunião, a presença do Draghi e do Costa (Carlos).

     

     

    25.3.16

  • CIÊNCIA E FUNÇÃO PÚBLICA

    Sei que sou um ignorante nesta como em muitas matérias, mas longos anos a olhar o mundo dão-me o direito de achar que estou no direito de opinar.

    Falo de ciência e cientistas.

    Olhando à volta, vemos e admiramos pelo mundo fora os cientistas que criam novas formas de ver as coisas e melhorar o mundo. No melhor dos sentidos, é gente cuja pátria é o trabalho, isto é, que “vende” o seu pensamento e as suas capacidades a quem melhores condições de realização lhes oferecer. Daí que, de projecto em projecto, de bolsa em bolsa, de financiamento em financiamento, de universidade em universidade, de laboratório em laboratório, se vão impondo e pondo o que descobrem e inventam à disposição do mercado, dos governos, da espécie humana e do planeta. São, de certa forma, o contrário do funcionário que, mesmo que com alta competência, goza de carreira estável, cumpre regras que outros criaram ou segue rotinas que lhe permitem “progredir na carreira”. Cientistas são gente que progride à própria custa, que impõe aos outros o que vale, que vai, step by step, construindo a sua vida. Tiro-lhes o chapéu.

    Por cá, o chamado governo faz o contrário. O chamado ministro competente na matéria anuncia, orgulhoso, que vai meter 2.000 cientistas na função pública. Dois mil eventuais ou actuais bolseiros passam a funcionários. Não se trata de lhes proporcionar protecção social em caso de azar ou paragem entre projectos. Trata-se de os levar a abandonar uma vida de sucesso e de risco em favor do olímpico descanso que uma “carreira” sem sobressaltos lhes proporcionará para o resto dos seus dias.

    Política científica que jamais terá passado pela cabeça do justamente tão celebrado ministro Mariano Gago, por muito socialista que fosse. Mais uma originalidade do nosso tão original chamado governo.  

     

    25.3.16

     

    PS. Já este post estava encerrado, dou com uma precisão noticiosa. A “funcionarização” não é só para cientistas propriamente ditos, mas para as bolsas pós-doutoramento. Um bodo: ganhe uma bolsa, terá emprego para toda a vida e mais seis meses!