Imaginem isto. No seu tempo, o PM Passos Coelho e o seu nº 2 Portas tomam uma posição política que diz que determinada coisa é preta. Vai daí, os respectivos grupos parlamentares põem a votos uma resolução afirmando que a tal coisa é branca.
O que acontece? Todos os jornais, todos os canais de televisão, todos os opinativos opinadores, todos o políticos e mais alguns vêm à liça, cada um mais afoito, provar à saciedade que há uma rotura entre os líderes e os seus deputados, que a coligação está na mais grave crise política dos últimos dois séculos, que o seu fim está à vista, que a rebelião parlamentar é inultrapassável, etc..
Pois. Mas isso era dantes. Agora, o intolerável Santos Silva, número dois do governo, toma uma posição o mais soft possível em relação à condenação dos oposicionistas de Angola. O número um, o grande chefe chamado primeiro-ministro, nada acrescenta, bem pelo contrário vai ao parlamento e, sobre o assunto, mais não faz que repetir, lendo um papelinho, a declaração do número dois. Parecia que o caso estava encerrado.
Helás, logo a seguir, os deputados do PS levam a votos uma declaração em que condenam com inusitado vigor o que aconteceu em Angola e põem em causa a justiça local, dominada por um poder não democrático nem respeitador dos direitos humanos em geral e da liberdade de pensamento em particular. Acresce que um dos aliados do chamado governo, o BE, faz o mesmo com ainda mais furor, dizendo cobras e lagartos dos angolanos.
O que acontece? Nada. Todos os jornais, todos os canais de televisão, todos os opinativos opinadores, todos o políticos e mais alguns, moita carrasco. Não há crise nenhuma, não houve nenhuma rebelião parlamentar, ninguém diz que o governo e o chamado primeiro ministro foram contraditados, traídos pelos seus próprios parlamentares, pelo contrário, tudo está na mais celestial harmonia.
Os tempos mudaram, diz, e com razão, o chamado primeiro-ministro. Serão os tempos novos, a viragem da página, os afectos, a descrispação, o beneficio da dúvida? Ou será que o IRRITADO, mais uma vez tem razão, isto é, que o medo voltou ao de cima?
1.4.16

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