Inédita cerimónia, esta da referenda da lei dos feriados. Substancialmente, tal lei é só mais um desfazer do que os anteriores fizeram. Circunstancialmente, o discurso do espertalhão não passou de demagogia e, como de costume, da barata.
Acho bem que o 1º de Dezembro seja feriado, ainda que a argumentação seja fraca. Se estivermos a falar de datas importantes para a Independência, porque não “feriar” a Batalha de São Mamede, o Tratado de Zamora, a Bula papal, a Batalha de Aljubarrota, o fim da Guerra Peninsular, por exemplo? Se querem feriar grandes datas, porque não a conquista de Ceuta, a dobragen do Bojador e do das Tormentas, a chegada de Vasco da Gama a Calecute, a descoberta do Brasil… Ou outras, as dos nossos dias, como as vitórias do Benfica e do FêCêPê na Liga dos Campeões, o nascimento da Rosa Mota e do Carlos Lopes, por exemplo… enfim, o que resta.
Datas para feriar não faltam por aí, como se vê.
E o 5 de Outubro? Aqui , aporca torce o rabo. A data que abriu caminho a 16 anos de bagunça política, de violenta desordem, de total falta de liberdades cívicas, e a mais 48 de ditadura, de censura, de prisões arbitrárias, merece ser feriado? Feriar 65 anos disto? No mesmo diapasão, porque não feriar Alcácer Quibir, a queda de Goa… as nacionalizações, o incêndio da embaixada de Espanha, o nascimento do Otelo, por exemplo…
Deixo isto à consideração do chamado primeiro-ministro. Em matéria de datas a comemorar, a fartura é muita e povo gosta de feriados. Sobretudo, dirá sua excelência, os que forem aproveitáveis para desfazer o que os outros fizeram. Tudo o resto é conversa.
Por falar em conversa, o PR também entrou em originalidades. Pela primeira vez, um ocupante de Belém veio tecer loas à excelência do orçamento de Estado, conforme com a Constituição como diria o PC, inatacável, fazível se as “condições externas” o permitirem e a exigir, vá lá, o indesmentível “rigor” governamental. Diz o exérctio de comentadores que o PR adiantou dúvidas de peso sobre a exequibilidade do “modelo”. É verdade. Mas não deixou, a despropósito, de dar mais umas dentadas aos que apanharam com a gestão da bancarrota, assim emparceirando, mais uma vez, com a coligação social-comunista, que tanto ama. Enfim, disse coisas, nem novas nem originais.
Por muitas dúvidas, as evidentes para toda a gente (as outras ficaram no tinteiro), que o gerigoncial orçamento mereça ao PR, o que ficou claro foi o seu comprometimento com ele. Ou seja, perdeu uma oportunidade de ouro para estar calado. Quem muito fala…
29.3.16

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