Dona Manuela não se consolou com os anos em que andou a chamar nomes ao seu partido, a condenar acerbamente a mínima atitude do governo da coligação, a chamar os nomes que foi arranjando para chamar ao seu sucessor. A raiva perdura, as feridas que a frustração de ser apeada nas urnas lhe provocaram não passam, a falta de um mínimo de independência ou de altura pessoal, nada disso se alterou um milímetro que fosse.
Desta feita, ei-la lado a lado com as colegas do BE e com os nacionalistas do PC, a dizer cobras e lagartos da Comissão Europeia, a condenar as dúvidas que o orçamento suscita a toda a gente. À revelia de todos os membros responsáveis da sua profissão que se mostram independentes, ao contrário da opinião geral dos governos europeus, dona Manuela alinha nas teses da traição à Pátria dos que têm dúvidas sobre a eficácia das reversões e dos bodos impossíveis do costo-centenismo, e estende o seu anátema aos socialistas da Comissão e do eurogrupo, que acusa de “ideologia dominante na Europa”. Tal e qual, a fazer inveja ao Jerónimo e às miúdas. Quem não acreditar nas maravilhas do orçamento e o disser, está, “por antecipação”, a provocar “falta de confiança”, a prejudicar ou impedir que haja “um clima de investimento”, sendo que quem (as ” entidades europeias”) denunciar “a fragilidade das contas públicas”… é que “suscita a desconfiança”.
Quer dizer: é proibido, sob pena de ser anti-patriota ou anti-português, desconfiar da solidez das contas do costismo. Não são tais contas que provocam a desconfiança, são os desconfiados quem, desconfiando, fabrica a desconfiança.
Quando ela dizia cobras e lagartos das contas do governo anterior estaria a favorecer a confiança? Santa coerência!
14.3.16

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