IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • RIDÍCULOS OU ORDINÁRIOS?

     

    Achei imensa graça, uma porcaria de graça, aos nossos deputados no Parlamento Europeu. Sim, de todos os partidos, não me atiro só às canelas dos da geringonça.

    Estava agendada uma sessão plenária especial para despedida do presidente rotativo da UE, um senhor que ninguém conhecerá, mas que, de um ponto de vista de dignidade, é exactamente o mesmo que os seus pares de outros países, grandes ou pequenos. A sessão teria o valor político que tinha mas, pelo menos formalmente, era um plenário de homenagem e de balanço.

    Quase ninguém lá pôs os pés. O senhor Junker que, felizmente, não costuma ter papas na língua, não arranjou adjectivo mais suave que chamar ridículo ao orgulhoso parlamento, isto é, evitou chamar-lhe ordinário, que era o que, na ocasião, merecia. Indignados, os parlamentares portugueses, e não sei se os demais, desdobraram-se em protestos e críticas ao homem. Que estavam a trabalhar, nas comissões, reuniões, participações e outras aptidões, conversações, decisões…

    Então, se tinham tanto que fazer, coitadinhos, porque é que aprovaram a realização do tal solene plenário, sujeitando-se a que o IRRITADO, sozinho que seja, lhes chame o que são: ordinários. E que não aceite desculpas de mau pagador.

     

    6.7.17

  • BAILARICOS

     

    Sonso como sempre, o espantoso Centeno andou a bailar no parlamento. Em resumo, declarou que não, não tinha sacado dinheiro da saúde, nem da educação, nem da tropa nem de nada. Os mil milhõezitos que cortou, foram cortados… em nada! Deve tratar-se, como é evidente, de tenebrosa cabala urdida pelos fulanos das contas públicas de parceria com a oposição.

    Os dotes de bailarino desta desgraça em forma de gente já tinham sido demonstrados aquando da história do Domingues, em que o Centeno não prometeu nada nem deixou de prometer nada, não se comprometeu nem deixou de se comprometer com nada, não faltou à palavra nem deixou de faltar à palavra, toda a história não passava de cabala. À boa imagem do Pinto de Sousa, cá temos o cabalista substituto.

    A verdade porém é que, em matéria de dança da conga, o Centeno é melhor que o Pintam.

     

    6.7.17

  • OBRAS DA GERINGONÇA

     

    É público e notório que a reforma dos tribunais realizada pelo governo legítimo teve um enorme alcance e, por isso, motivou o habitual espernear político e público.Atenta ás “justas reivindicações” das gentes, a geringonça, na fúria assassina das reversões, sacrificou a reforma e repôs, em descarada e demagógica manobra, a situação anterior. Reabriram tribunais, gastou-se não sei quanto e, pouco tempo depois, os brilhantes resultados começaram a surgir: tribunais sem juízes, funcionários das câmaras a suprir os oficiais de justiça, falta de meios, uma série de desgraças. Passado um ano, é possível fazer mais umas contas. Verifica-se que os tribunais repostos tiveram uma performance da maior relevância: 2 julgamentos por mês! Notável, esta reforma, ou retoma, obra maior da geringonça.

     

    O rapazola da “educação” acha óptimo que os pontos sejam pré-conhecidos e até, na língua oficial, é dito que a inconfidência contribuiu para a diminuição dos chumbos. Repetir o exame seria, julga-se, anti-pedagógico, caro, uma chatice.

     

    O indivíduo da defesa, responsável irresponsável, esse, como a tropa gastou menos 200 milhões de que o previsto, acha que não havia 95 mil para gastar em arame farpado.

     

    O inenarrável Centeno, soube-se hoje, cativou em 2016 nada menos que 942,7 milhões, cerca do dobro do que a UE tinha sugerido. E há quem acuse os outros por terem ido (foram?) “além da troica”! Perguntar-se-á para que serve o orçamento se a despesa orçamentada é boa para o caixote do lixo.

     

    O chefe do Exército demite coronéis, mas não demite coronéis. Tendo demitido sem demitir, quando a coisa aquece vem dizer que tem a mais profunda consideração pelos demitidos que não foram demitidos. Um alto exemplo das suas qualidades, como militar e como homem da confiança do governo e do Presidente.

     

    Há mais. Muito mais. Mas fiquemos por aqui.  

     

    Facto é que, como sempre, tudo está na maior. O chamado governo está firme, impoluto, competente, a gerir os “nossos” interesses. A prová-lo, o cidadão conhecido como primeiro-ministro continua a banhos. Que outra prova será preciso para demonstar que tudo corre sobre rodas, sem erros nem desvios nem patacoadas nem crises nem demissões? E ainda há para aí uns irritados a dizer que a única demissão que é precisa é a do banhista!

     

     

    5.7.17

  • ACORDAR TARDE E MÁS HORAS

     

    Uma voltinha pela informação disponível nesta manhã faz-nos pensar no que têm a imprensa, os jornalistas, os comentadores, etc.,  andado a fazer desde Novembro de 2015.

    Foi preciso morrer gente, desaparecer armamento em quantidade e qualidade catastróficas, haver tão vergonhosa actuação das autoridades políticas e militares, haver um escândalo sem precedentes ao nível internacional, para despertar esta gente, para esta gente começar a ver o caldo de desonestidade, de incompetência, de “lata estanhada” de quem diz governar-nos?

    Parece que sim, a avaliar pelo que hoje aparece por aí, escrito e dito. Só que é tarde. Deixaram passar, num mar de elogios, toda a trafulhice do “nascimento” deste governo, das reversões, do “fim da austeridade”, do “virar de página”, dos êxitos relativos que são fruto do trabalho de outros e do sacrifício de muitos, da política de “compra” de clientes, das cativações a esmo, sem critério outro que não seja o da politiquice, deixaram passar tudo sem nada ver de essencial, sem perceber a profundidade da miséria moral, da degradação “soberana”, do fomento da inconsciência social, da propaganda sem freio, deixaram passar tudo, elogiaram tudo, e só agora acordam! Pobre país em que tão reles “formadores de opinião” tem!

    E no plano político? Dona Cristas pede a demissão do fulano da Defesa e da rapariguita das polícias. O chamado primeiro ministro e o seu governo ficam de fora? O senhor de Belém que os sustenta e apoia caninamente desde a primeira hora, fica de fora? O general do Exército não é corrido? A contenção que a postura de Estado de Passos Coelho adoptou não acaba de uma vez por todas? Continua tudo na mesma?

    Não. A degringolade do governo, e do país com ele, precisa de ser atirada, evidente e indesmentível, à cara das notícias e das opiniões para que esta gente descubra a floresta de enganos em que fomos metidos por não respeitarmos evidentes mensagens do eleitorado (o que o eleitorado disse foi que não queria Costa primeiro ministro), por nos termos deixado enganar por formalismos ilegítimos, por termos tido complacência com a geringonça, foi preciso isso para que haja quem acorde? Parece que sim.

    Vejamos agora quanto vai durar a “descoberta” ora feita por tanta gente. Acordaram mesmo, ou vão tornar a adormecer quando o bronzeado demagogo voltar das doces paragens de Maiorca e os presentear com mais umas trafulhices?

     

    4.7.17

  • ALMAS MAIS PEQUENAS

     

    Por causa de uma frase que, segundo os critérios do politicamente correcto, poderia ser considerada descriminatória em relação a uns meninos aligeirados do Colégio Militar, caíu o Chefe do Estado Maior do Exército.

    Por causa de um roubo sem precedentes, que põe em causa a nossa segurança, a dos nossos aliados e a do mundo em geral, não cai ninguém. O actual CEME declarou que tinha demitido, a prazo, uns coronéis. Não demitiu, porque, segundo a Lei, demitir não é a prazo. Mas o homem não sabe o que diz a lei.

    Foi tudo. O chamado ministro de defesa declara-se responsável, mas demitir-se não é com ele. O senhor Costa, dito primeiro ministro, assobia para o ar e desaparece durante uns dias. O resto da malta do poder não se sabe o que faz, mas está, como é evidente, de pedra e cal.

    Morre uma data de gente nos incêndios. Luto nacional, manifestações de pesar, etc. Responsáveis políticos não há, maxime o tal dito primeiro ministro. Ninguém pede desculpa.

    Dias depois da tragédia, o homem interrompe o silêncio e aparece, à gargalhada, a oferecer uma vaca voadora a uma suposta ministra adjunta. A cena foi cirurgicamente “obnubilada”. Mas apareceu uma fotografia. Azar. Olhemos a coisa com ternura: o tal fulano e a senhora, esfusiantes de alegria, contemplam a vaca que voa, agitam-na perante uma multidão de lacaios, presume-se que todos agarrados à barriga para agradar às excelências e à vaca.

    O senhor de Belém recolhe a tábuas. Nada de responsáveis. A não ser, é claro, os que, um dia, vierem a ser assim julgados nos “rigorosos inquéritos”, mas só malta mais baixinha, nada de fazer mossa às altas individualidades e suas organizações e clientelas.

    As centenocráticas finanças também estão de férias, felizes, não têm nada a ver com nada. Cortaram nas vedações, como cortaram na saúde, na educação, etc., para poder pagar aos clientes: não é o que mandam as NEP’s da geringonça? Claro que é.

    Tudo bem. As vacas voam, o PM está sorridente e descansadíssimo, os ministros exultantes. O chairman, em Belém, mostra-se algo incomodado, mas nada que prejudique o nacional reconhecimento pelos seus afectos e pelo impecável comportamento do governo.

    Na NATO, na UE, na ONU, nas polícias e nos exércitos do nosso mundo, anda tudo à rasca: então andámos a dizer bem da geringonça e, afinal, não passa de mais um bando de incompetentes e de irresponsáveis?!

     

    Mas a geringonça “é sábia e alisa as penas/os seus discursos tornam as almas mais pequenas”*.

     

    3.7.17

     

    *Sophia Melo Breyner (citado de memória)

  • A GERINGONÇA DESCONJUNTA-SE

     

    Começou desconjuntada, a geringonça. Mas o deslumbramento do poder,  a apropriação indevida de alguns êxitos, a presença infrene, desmedida, acrítica  e acéfala nuns media totalmnte irresponsáveis, levaram a que se fosse aguentando.

    Os parceiros do PS, quando a coisa abana, apressam-se, servidores e obrigados, a deitar água em todas as fervuras, ao mesmo tempo que dizem afirmar os seus absurdos e perversos “princípios”.

    Não é por causa eles, ao contrário do que à nascença se previa, que a geringonça se desconjunta. O PS trata disso com a competência, a honestidade e a responsabilidade do costume. Já não vale a pena – é tarde – atirar as pedras da culpa para cima dos que para trás ficaram, até porque toda a gente já percebeu que o que corre bem se deve mais a eles que à geringonça.

    Já não há desculpa para as culpas do PS.

    Bem pode o senhor Costa esconder-se por aí, ou só aparecer para se rir (de quê?), de braço dado com o eu padrinho de Belém. E até a saúde deste doce entendimento já conheceu melhores dias.

    O PM, com a miserável sujeira que tem sido o seu comportamento no caso dos fogos, abana. A propaganda, sempre presente, não vai chegar.

    O chamado ministro da defesa, é vê-lo meter os pés pelas mãos no caso dos paióis, e não só, como marreta de segunda escolha que é.

    O da saúde começa a sentir na pele um mandato desastroso.

    O da educação manda acabar com os chumbos, como se os pais e o país não percebessem que não se trata de um caso de sobreaproveitamento escolar mas de um história de secretaria.

    Aquela senhora do mar está à beira de continuar a guerra com os estivadores, a fim de perder mais uma.

    A dos polícias, santo Ambrósio, é o que se sabe.

    A da justiça, coitada, não se aguenta com a respectiva cáfila corporativa.

    E assim por diante.

     

    A geringonça abre fendas por todo o lado. A mama parece que acabou. Já não há “passado” que “justifique” o presente.

    Para nós, portugueses, bom seria que caísse depressa e mal. Mas, não se animem. Vai levar tempo até que a maioria abra os olhos.

     

    2.7.17

  • CAUSAS INCONSEQUENTES

    Há muitos anos, dizia-se que a Causa Monárquica era a única causa sem consequências. A piada tinha a sua graça, mas os tempos modernos vieram demonstrar que não correspondia à verdade. Facto é que, décadas passadas, com o advento da geringonça se veio a demonstrar que, afinal, há inúmeras causas totalmente inconsequentes.

    Ainda ontem, o chamado ministro da defesa veio dizer que se considera politicamente responsável pelos roubos de material de guerra. Consequências, zero. O homem continua politicamente na mesma, palavroso e mais ou menos idiota.

    O chamado primeiro ministro anda num virote: nomeou bode expiatório dos incêndios a rapariga da administração interna (o politicamente correcto manda dizer cabra expiatória, mas eu não obedeço). Consequências, zero. A miúda anda para aí, lacrimejante, a arder em fogo  brando. E pronto, deixá-la consumir-se, não há bombeiro que lhe valha. Tem ela toda a razão, diga-se. É que,  se o responsável número um não faz outra coisa que não seja tirar o cavalinho da chuva, não se considerando responsável seja pelo que for, porque carga de água havia ela de se ir embora?

    Voltemos à tropa. Descobriu-se agora que os paióis não tinham qualquer tipo de vigilância ou protecção. Qualquer alicate servia para os assaltar, em paz, sossego, e com a devida eficácia. A verdade oficial, já exemplarmente declarada, é que a técnica do alicate estava em vigor há anos e que talvez possa vir a ser abolida daqui a mais uns, após indeterminados períodos de reflexão e de importantíssimas tomadas de decisão. Responsáveis? Muitos, diremos nós, com certeza sem razão. Consequências? Só de major para baixo. Como se, pelo mundo fora, se considerasse como mais altos responsáveis, aspirantes, furriéis e cabos quarteleiros. Nesse mundo cruel, há quem culpe o governo, os generais e outros por cá inimputáveis. O mundo está louco.

    Verdade verdadinha é que, estranhamente, a geringonça e as suas hostes ainda não se lembraram de dizer que a culpa é do Passos Coelho. A seu tempo, lá virá a acusação. É que, neste aspecto,  geringonça não perde qualidades. Vão ver.

     

    2.7.17

  • NOJO

     A fim de evitar vómitos, achei que não devia escrever sobre este assunto. Mas, passados uns dias da ocorrência, cá estou e, com um comprimido para o enjoo, acho que posso dizer umas coisitas.

    Numa TV qualquer, costumam reunir três indivíduos: o mais-que-tudo do Sócrates, Silva Pereira de seu nome; um indefectível do BE, qualquer coisa Rosas; um tipo do PSD, Rangel, que tem alguma coisa na cabeça mas não estaleca que chegue para enfrentar tais horrores, criaturas cuja “lógica” não faz parte do normal raciocínio dos seres humanos.

    O homem do PSD dizia que o governo, o PM e sua gente, deveriam assumir a responsabilidade política sobre o estrondoso falhanço do Estado na tragédia dos fogos, o que é coisa que se mete pelos olhos dentro de qualquer um. As duas criaturas diziam que não. Porquê? Porque os “factos” não estavam “apurados”, ou seja, só depois de fechados os inquéritos se poderá ajuizar da “responsabilidade política”.

    É difícil, para uma pessoa propriamente dita, responder a tal tipo de argumento. Então não há factos apurados? Então não houve fogos? Então não morreram 64 portugueses? Então não falhou quase tudo o que ao Estado competia na ocasião? Então tudo isto não é facto apurado, apuradíssimo?

    Como é possível, sem o uso da mais profunda e radical desonestidade pessoal, inteletual, política, ou de qualquer natureza, achar que não há responsabilidade política e se deve esperar o tempo que for preciso para a estabelecer? Não está estabelecida, claríssimamente? A responsabilidade é do governo, deste governo como o seria de qualquer outro que tivesse na mão as rédeas do Estado.

    Esqueçamos, de momento, este nojento espectáculo que, em si, é suficiente para provar à saciedade a qualidade de quem diz governar-nos e de quem o apoia.

    Há pior. O chamado primeiro-ministro não teve uma única palavra de desculpas aos mortos, aos vivos, ao país em geral. Pelo contrário, no que aos fogos diz respeito, “virou a página”. É que pedir desculpa quer dizer assumi-la. Ele não assume coisa nenhuma. O assunto fica com os técnicos, os inquiridores, as comissões e, talvez, com um ou outro membro do governo, desde que seja cuidadoso e saiba assobiar para o ar sempre que se justifique. Ele, o responsável número um, tem mais que fazer: lançar o Medina, ir a uns almoços, presentear o povo com o riso alarve que é a sua mais evidente “qualidade”.

    Convenhamos que o Pereira e o Rosas, em matéria de lixo moral, são largamente ultrapassados pelo chefe.

     

    1.7.17   

  • MORAL REPUBLICANA

     

    “se e quando se confirmar que há responsabilidade objectiva do Estado, utilizaremos esquema expedito de indemnização”

    Esta douta declaração foi proferida pela criatura que ocupa, em Portugal, o lugar de primeiro-ministro.

    Há que tirar as concusões mais óbvias:

    1. A tal criatura acha que o Estado não tem responsbilidade nenhuma nos 64 mortos nos incêndios;
    2. Mas, se, por acaso, alguém vier a alegar, ou demonstrar, que o Estado tem responsabilidade, então que não seja uma responsabilidade qualquer: terá que ser “responsabilidade objectiva”;
    3. Para tal criatura, os bombeiros profissionais não são do Estado, a Protecção Civil não é do Estado, a GNR não é do Estado, o Siresp não é do Estado, etc. por aí fora, o Estado e, por maioria de razão, ele, seu responsável máximo, não têm qualquer responsabilidade, ainda menos “objectiva”, queira isso dizer o que queira;
    4. Não se verificando a responsabilidade objectiva do Estado, ou seja, da criatura, então as indemnizações serão pagas pelos “responsáveis objectivos”, isto é, pelos bombeiros, os soldados, a mulher de limpeza, ou seja lá quem for, tudo menos a criatura, que não tem qualquer responsabilidade, seja ela objectiva, subjectiva, implícita, explícita, moral, social, económica, ou seja lá ela o que for.

    Bem podem os lesados, os enlutados, os órfãos, as viúvas, os prejudicados da mais diversa natureza ficar sentados à espera da responsabilidade objectiva do Estado, coisa que, mesmo que demonstrada, jamais terá seja o que for a ver com o Dr. António Costa.   

     

    29.6.17

  • ENGANADOS OU DISTRAÍDOS?

     

    Há dias, num almoço de amigos, veio à baila a geringonça, as suas origens, o que esteve por trás da sua fundação. E, entre gente que, teoricamente, gosta tanto dela como eu, apareceram vários a alegar a irrepreensível democraticidade da coisa. Assim: na Europa civilizada quase não há maiorias absolutas, os governos ou são de coligação ou vivem apoiados por partidos minoritários. Se formam maioria parlamentar, são legítimos.

    Formalmente, é assim. Só que preciso será ir um bocadinho mais longe.

    Na tal Europa não há partidos de governo que sejam de extrema direita, nem partidos de coligação que andem a comemorar este ano a revolução russa, o leninismo, o estalinismo e outras “realizações”(como acontece com o nosso PC). Na tal Europa, há valores cujo não respeito deixa tal gente a falar sozinha, não há partidos democráticos que se sujem como o PS se sujou.

    Vem a seguir o mais falso de todos os argumentos. Como o partido mais votado não foi capaz de apresentar à indigitação uma solução parlamentarmente viável, o governo foi entregue a quem de tal foi capaz. Mentira. O partido mais votado ofereceu ao partido número dois uma proposta, ou de fazer parte do governo, ou de subscrever uma solução negociada que desse lhe estabilidade formal. O partido número dois, cujo “candidato a primeiro-ministro” perdeu as eleições, recusou terminantemente qualquer das soluções, preferindo recorrer a forças minoritárias e antidemocráticas de extrema esquerda para chegar ao poder.

    Isso é legítmo? A legitimidade política só tem a ver com maiorias parlamentares, ou tem também a ver com as regras básicas que informam os sistemas democráticos?

    Daí que, desta modesta tribuna, eu diga aos meus amigos que se deixem da ilusórios formalismos, que deixem de “compreender” uma solução que, em si, e por mais propaganda que faça, jamais poderá deixar de ser funesta, para o regime, para a liberdade e para tudo o mais. Nasceu torta, só pode entortar ainda mais.

    Como, aliás, cada dia vai estando mais à vista, por muito que os seus serventuários mediáticos lhe sirvam se capacho, ou que Sua Excelência a sustente com afectos.

     

    29.6.17  

  • DRONES

    Andam para aí uns drones a chatear os aviões, fazendo muita gente correr terríveis riscos. Aqui temos um caso em que o Estado tem que intervir com unhas e dentes. Mas não intervem: deve estar à espera de algum azar dos grandes, enquanto se vai entretendo com regulmentos e portarias que só servem para chatear e não têm utilidade outra que não seja arranjar empregos para clientelas várias.

    Os tais aparelhómetros foram concebidos para efeitos militares. Podem ser-lhes dadas inímeras utilizações pacíficas de altíssima utitlidade. Mas também podem ser usados para os piores fins (terrorismo, crimes de toda a ordem).

    Tenho dois drones. Um navega até trinta metros de altura, outro até cinquenta, com um raio de acção de quarenta metros e com autonomias de sete ou dez minutos – segundo os papéis, porque, se voarem durante mais de cinco já é uma alegria. Um custou quarenta euros, o outro noventa e cinco. São brinquedos. Presumo que não possam fazer mal a ninguém.

    A coisa complica-se com artefactos mais sofisticados. Por isso que, em tais casos, a sua utlização deva ser regulada, os seus proprietários devam demonstrar, sem lugar para quaisquer dúvidas, qual o uso a que se destinam. Não são objectos de diversão, mas ferramentas de trabalho.

    Contra isto vem a imprensa dar voz a uns tipos que dizem que o problema é dos “drones baratos” e da “falta de consciência”. Mentem com quantos dentes têm na boca. Os drones baratos, sem alcance nem autonomia nem raio de acção, não fazem mal a ninguém. Os mais complicados perturbam a navegação aérea e podem facilmente ser usados para fins ilegítimos.

    Não nos deitem aos olhos a poeira dos dronistas nem a incúria do Estado.

     

    29.6.17

  • A DANÇA DOS INOCENTES

     

    O Costa – Quem, eu? Culpas, eu? Demitir-me, eu?

    A Urbana – Não tenho nada a ver com as causas, ainda menos com as consequências. Inquéritos é que é bom.

    O Chefe da Protecção Civil – Actuámos da acordo com a Lei

    O Chefe dos bombeiros – Nós? Nós somos uns heróis!

    O Chefe do Siresp – O sistema funcionou de acordo com as alterações que lhe foram introduzidas por Sexa o PM. Tudo normal.

    O tipo da Misericórdia de Atrásdosolposto – Se não se suicidaram, podiam ter-se suicidado.

    Os partidos da geringonça – Isso de culpas era no tempo do Passos. Agora já não há disso.

    O Chefe da GNR – As tropas agiram de acordo com o Código de Justiça Militar, nada a apontar.

    Os Chefes das Forças Armadas – Cumprimos as missões. O resto é polémica.

    O Presidente do IMA – Todas as informações prestadas estavam de acordo com a ciência disponível.

    Sua Excelência – Tudo pelo melhor, mostrámos a força desta grande e nobre Nação!

    *

    Passos Coelho, o outsider, culpado por definição – Peço desculpa por me ter feito eco de uma informação que não tinha fundamento.

     

    28.6.17

  • TERNURA

     

    Julgo que ninguém poderá ficar indiferente perante as imagens da reunião do BE com o chamado PM acerca do incêndio.

    A doçura do olhar, a candura do sorriso, o carinho das mãozitas, ai, filhos, que ternura se evolava do fundo da alma da dona Catarina! Um consolo para todos nós, pessimistas inveterados e relapsos.

    Vejam, voltem ao programa, que vale a pena. No meio da generalizada estupefacção e do desgosto colectivo, há quem nos transmita o dulcíssimo sorriso do poder. Bem haja, dona Martins.

     

    28.6.17

  • VEJAM A DIFERENÇA

     

    No próprio dia em que foi levado por terceiros (já identificados e confessos) a dar uma informação, em si errada, mas que apenas serviu para sublinhar uma situação certa, o Dr. Pedro Passos Coelho pediu desculpa do seu erro e reafirmou a sua pretensão (de que era preciso mais assistência psicológica aos afectadospelo incêndio).

    Passados pelo menos dez dias da tragédia, não houve ainda um só responsável oficial que pedisse desculpa do que se passou aos portugueses em geral e aos atingidos em particular. Nem o chamado primeiro-ministro, nem pseudo-governante nenhum, ninguém com responsabilidades se lembrou de pedir desculpa, de assumir os erros, de se dizer, sequer, também responsável. Andam para aí a sacudir a água do capote e a entreter o pagode com fantasias.

    A indiferença política e a não auto-culpabilização dos responsáveis que por aí grassam não mereceram comentários ou denúncias que se vissem. Ao contrário, a informação errada que deram a Passos Coelho e o seu pedido de desculpa são alvo de manchetes, reportagens, condenações, vitupérios, artigos, parangonas televisivas, aproveitamentos políticos de toda a ordem. Vejam os títulos do dia, enojem-se com as palavras da “adjunta”, vomitem num tal Tadeu, e vejam se esta gente não faz inveja aos coronéis da censura!

     

    27.6.17

  • TRIPAS À MODA DE LISBOA

     

    É fácil imaginar o que seria se um alfacinha tivesse o desplante de se candidatar à Câmara do Porto. O invicto orgulho ofendido, o provincial pundonor ameaçado, as invejinas parolas à solta em estertores de indignação, mais um crime do centralismo, a tirania do Terreiro do Paço, o garrote do poder central, rua com esse mouro que ousa querer penetrar as invencíveis muralhas da “capital do Norte”!

    Pois. Mas, em Lisboa, o candidato que é presidente sem ter sido eleito, coisa habitual lá no partido dele, quer – há quem diga que tem hipóteses – continuar, desta vez com legitimidade eleitoral. E é do Porto! Ninguém se ofende com isso, o que, convenhamos, marca uma certa diferença, não a favor do candidato mas da mentalidade alfacinha.

    Não me passa pela cabeça votar no fulano. Mas não é por ser do Porto em vez de o ser das avenidas novas ou equivalente. Fosse ele coisa boa… mas não é. Digo-o em nome dos lesados pelas suas políticas absurdas e propagandísticas, em nome dos milhares de lisboetas que, em nome da “mobilidade”, passam horas engarrafados em sítios onde, há um ano, se circulava com relativa facilidade. Digo-o em nome dos sacrificados da Carris e do metro (empresas públicas, nossas, nossa um gaita!) que cada vez funcionam pior, que cada vez são mais lentas, que cada vez nos deixam mais tempo à espera, menos oferta, menos veículos, menos educação. Digo-o em nome dos bairros que carecem de atenção e de quem lá vive, enquanto o dinheiro se gasta em obras faraónicas a favor de meia dúzia de ciclistas em vez de se aplicar onde é preciso, em vez de se limpar os passeios, negros até os novos já começam a estar, para não falar das armadilhas e na porcaria dos antigos, ou nas maluquices, meu Deus!, que se fizeram no chamado eixo central e arredores…

    Jamais votaria no melífluo e delicodoce boquinhas, que se apoderou da cidade para prejudicar o nosso dia a dia em favor da sua geringoncial propaganda.

    Não! Este não leva o meu voto, seja ele do Porto, da Buraca, da Amareleja, de Campolide, ou do raio que o parta!

     

    25.6.17

  • ENTÃO, E O PACHECO?

     

    Rebrilhante ágape serviu para acantonar uma série de figuras sob a alta direcção da dona Manuela e dos senhores Rio, Sarmento e Capucho. Tudo gente que, com a violência conhecida, anda há anos a trabalhar na demolição do PSD em tudo o que é televisão, jornal, net, ou seja lá onde for que para tal sirva. Não, não se trata de nobres filiados da organização, que venham, ao longo dos anos, a procurar servir. Frustrados da política, incómodos nas prateleiras em que se meteram, demolidores profissionais dos seus. Até o Capucho, que continua a dizer que foi expulso do partido, o que sabe ser factual e estatutariamente falso, aparece como se lhe restasse alguma sombra de direito a pronunciar-se. E a dona Manuela? Fantástico! Protectora encartada da geringonça, condenadora feroz do seu próprio partido, frustradona mor da política, a dar largas à maior das latas. O Rio é um anjo caído no inferno da mais temerosa ambição, sem perceber que não passa de um bairrista sem outro préstimo que esse não seja. O Sarmento, o mais “moderado”, esse não percebe que a ambição o faz meter-se num ninho de víboras, todas claramente apostadas em fazer ganhar o Medina para depois aplicar as suas venenosas dentadas .

    Uma sessão conspiratória, às claras, diga-se, já que de outra forma não teria os media serviçais da geringonça à disposição.

    Uma nota para a historieta. O Pacheco não apareceu. Tiveram medo que a prática da traição lhes caísse em cima?

     

    25.6.17                  

  • DA INTELIGÊNCIA CANHOTA

    Segundo dados oficiais, os incêndios florestais ocorridos em matas geridas pelas fábricas de papel cifram-se em menos de 1% da totalidade. São tratadas por privados que defendem o seu património florestal sem precisar do Estado. Tais indústrias são respnsáveis por cerca de 11% das exportações do país, coisa de que a geringonça se gaba, como se tivesse alguma coisa a ver com o assunto.

    Pois são tais indústrias o alvo principal da reacção do BE ao tema dos incêndios. De veludo com o governo, o BE (como o PC…), atira-se com canina raiva aos eucaliptos, base primeira da matéria prima do papel.

    A que profundezas de estupidez pode o fundamentalismo ideológico levar é coisa que as pessoas normais deviam ver, e ajuizar em conformidade.

     

    25.6.17   

  • QUEM, EU?

     

    Seria mais cómodo o sacrifício de uma colega de governo, afirmou, peremptória e ufana, a desgraça humana, moral e política que desempenha, sem para tal ter sido eleita, o cargo de primeiro-ministro de Portugal.

    Essa coisa, essa figura de proa (número dois!) do governo que desgraçou o país, esse real e total responsável pelo Siresp, esse arquivador de incómodos estudos florestais, esse comprador de Kamovs, esse parceiro responsável pelos negócios ruinosos fabricados pelo “mago” Lacerda, seu menino-bonito e mais-que-tudo, tem a lata de dizer que se justificaria a queda da miúda da polícia?

    Quem, eu? Há para aí alguém que me impute responsabilidades políticas, executivas, morais? Há para aí alguém que pense que me deveria demitir em em vez de mandar a ministra às malvas? Quem, eu? Não percebem que isto não é um país como os outros, uma democracia como as outras, não veem que a moral republicana, se bem aplicada, me isenta de tudo o que é chato, não veem que isto dos sessenta e quatro mortos é uma chatice que terá milhares de culpados, todos menos eu? Não veem que eu navego de velas assopradas por Sua Excelência? Que estou fora de todas as borrascas?

    Quem, eu? Era o que faltava.*

     

    25.6.17

     

    * Esta “citação” é fruto da penetração do IRRITADO na mente privilegiada do senhor Costa.

  • AS CAUSAS DAS CONSEQUÊNCIAS

     

    Pensando mais uma vez no incêndio, acrescento:

    Por mais voltas que se dê, por mais teorias que se invente, por mais razões que se aduza, por menos politização que se aplique, duma coisa não restam dúvidas: o número de mortos é inaceitável.

    Quem está no poder devia assumi-lo, retirando-se envergonhado. Mas a vergonha, como é patente, não faz parte da cartilha dos sucessores do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, a começar pelo seu número dois, cúmplice político de todas as horas, hoje conhecido por primeiro-ministro, e a continuar na chusma deles que continua a dizer que governa, também eles sem assumir a bancarrota, e não só, de que são próximos ou afastados autores e co-responsáveis.

    Com inquéritos ou sem eles, com reformas ou sem elas, com acções imediatas, mediatas ou imaginadas ou sem elas, o governante mor devia cair, usando a dignidade que lhe resta, e levar os demais consigo. Continuar a dizer que tem todo o direito a governar sentado sobre sessenta e quatro cadáveres, é tão inaceitável como a morte deles.

    Não colhe  a palermice dos jornalistas que se atiram às canelas da chamada ministra dos fogos, coitada da rapariguita, a perguntar-lhe se se demite. Não colhe a repugnante ordinarice política de um chamado ministro das florestas. Não colhe a doçura das reacções do BE e do PC, outrora tão virulentos. Não colhe a branqueadora filosofia de cordel do Presidente da República.

    Há momentos fatais na vida dos políticos. Mais uma vez, se vergonha houvesse seria preciso aceitá-los e às suas consequências. Mas parece que em Portugal as consequências são mais inacetáveis que as causas.

     

    24.6.17

  • RIDICULÂNDIA

    A malta às vezes entretem-se com coisas do arco da velha.

    Ao longo da canícula, se não fosse a desgraça do fogo, teríamos continuado a viver com entusiasmo o doce fado do Centeno, ora ocupado com ronáldicos e ditirâmbicos elogios e altas esperanças, ora a braços com uns desmancha prazeres que, do lado do continente, vêm declarar que jamais passou fosse por que cabeça fosse que não a das penas alisadas com lusas lambidelas mediáticas, a peregrina ideia de o nomear sucessor do terrível Jeroen, seu feroz e trocista émulo. Assim defenestrado, o homem anda triste e os seus críticos agarrados à barriga, dando largas ao seu tenebroso gargalhar.

    Entretanto, vamos vivendo outra história do mesmo género, desta feita apimentada por falhanços parlamentares e invejas paroquiais. Trata-se de trazer para este jardim nada menos que uma espécie de super euro-farmácia. A coisa foi aprovada com unânime aplauso parlamentar: Lisboa ia receber tão importante agência, a geringonça “criava” uma data de empregos, a Pátria era elevada a mais um píncaro de glória. Tal glória, segundo decisão unânime dos deputados, ficaria em Lisboa. A invicta indignação foi esmagadora, abateu-se sobre eles, uma data de votos ficaram em causa, e aí vão os mesmos dar o dito por não dito. Sim dissemos, ou disse o povo que representamos, que era em Lisboa, mas esquecemo-nos do Porto, carago! De tal maneira que, a estas horas, já Coimbra sonha também com carimbar aspirinas, antibióticos e pensos rápidos por conta da UE. Solução? Palavra atrás, cria-se uma comissão independente(?) para avançar com as candidaturas que houver por aí. O IRRITADO aconselha vivamente que considerem a propositura da Amareleja, para agradar ao PC, de Boliqueime, em honra do PSD, ou de Freixo de Espada à Cinta, para glória do CDS. O PS, partido universalista, saudará todas as candidaturas: venham elas, em toda a parte há votos. O BE fica numa encruzilhada, porque é um partido urbano, sem influências locais. Se o ridículo fosse frio, esquiávamos em Agosto.

    Ah! Já me esquecia. Aquela rapaziada dos aventais, dos olhos arremelados dentro de triângulos, nada dada a profanos, anda em polvorosa. Um conservador, homem de grossa valia, bem demonstrada em várias frentes, entre as quais a do BPN e da SLN, opõe-se, vigoroso, indómito e persistente, a um intelectual, tão conhecido como enigmático, que quer abrir os templos e dar largas a liberalidades várias, todas pouco coincidentes com as nobres tradições da distinta organização. Vamos a ver quem ganha tão distinto torneio.Desta feita, se o ridículo fosse quente, íamos à praia em Janeiro.   

     

    23.6.17