IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • SAFA!

    NB. Isto é teoria da conspiração, ou nem por isso.

    *

    – Ando à rasca com isto, pá.

    – E eu? Deixaste-me sozinho. Andei para aí aos bordos que nem uma barata tonta, e tu a banhos…

    – Não leves a mal, pá. No fundo, dei-te protagonismo!

    – Pois, ‘tá bem… e agora?

    – Tenho andado a pensar no assunto. Acho que precisamos de um decoy.

    – De um quê?

    – Um chamariz, pá, o teu inglês anda por baixo.

    – Olha quem fala! Um chamariz para quê?

    – Gaita, pá, parece que estás diminuído. Para desviar as atenções, para que é que havia de ser? Se não arrajarmos uma para os tipos se calarem com os mortos e as granadas…

    – Pois, estou a ver a ideia. Tem que ser uma coisa de arromba, daquelas ocupam tudo, as notícias, os comentadores, uma coisa que tire espaço às chatices… tens alguma sugestão?

    – Ando cá a pensar. Pensa tu também, e logo à tarde falamos.

    – Então, pá, tens alguma ideia?

    – Não. Se, por exemplo, morresse o Ronaldo, teríamos tudo do avesso. Mas…

    – Parece que ou és parvo, ou estás a contar com o ovo no cu da galinha?

    – Pois, tens razão, não sei o que diga nem faça.

    – Pois eu cá ando a pensar numa grande malha, uma coisa que, parecendo má para nós, por um lado nos prestigie em matéria de honra e de correcção e, por outro, ocupe as atenções da malta.

    – O quê, por exemplo?

    – Parece que os tipos da procuradoria andam a mexer naquela história do Euro, das viagens da Galp.

    – Quê? O que tem isso a ver com as chatices?

    – Muito. É uma chatice que chateia pouco e desvia as atenções. Olha, arranjávamos uns gajos cá da malta, dos que foram à borla a Paris, uns tipos fixes, que se sacrificassem. Sem medo, porque depois compensávamo-los de qualquer maneira. Os gajos pediam a demissão, diziam que queriam ser ouvidos, arguidos, etc., na evidente certeza de que, no fim, não teriam problema nenhum. A coisa dava brado, ocupava páginas e páginas, os moralistas entravam em acção, os politólogos não se calavam, os telejornais ficavam cheiinhos. Nós dávamos uma de homens de alta responsabilidade e, mais importante ainda, tratando-se de pecadilhos que toda a gente perdoa, não perdemos prestígio, antes ganhamos, ’tás perceber?

    – Genial, pá. Fantástico. Já falaste com os gajos?

    – Não. Vou tratar disso agora.

    Horas depois:

    – Hihi, ‘tás a ver? Já não se fala noutra coisa. Os rapazes sacrificaram-se, são uns heróis. A coisa retumbou, passou para o primeiro plano, as hostes vão passar os próximos dias entretidas com aquilo. E eu vou dar um baile do caraças na quarta-feira. Vais ver.

    – És um génio, António!

    – Olaré, Augusto, vais ver, já ganhámos mais esta.

     

    11.7.17   

  • OU HÁ MORALIDADE…

     

    Três incondicionais do Costa cairam da tripeça. Outros vão pelo mesmo caminho. Não, não foi por causa do Pedrógão nem de Tancos. Foi por causa da boleia da Galp para o euro.

    Qualquer coisa está errada. Passamos a vida a ver o chamado primeiro ministro, ministros e seus apaniguados, repimpados nas tribunas dos estádios a ver jogos de futebol, aos quais, é de ver, foram conduzidos em carros do Estado, à custa do mesmo. Para os quais foram convidados, não pagaram os bilhetes que a malta paga.

    Os clubes são livres de convidar quem quiserem. Os convidados são livres de aceitar os convites. Os clubes são sociedades comerciais, ou detidos por sociedades comerciais. As sociedades comerciais têm os seus interesses.

    Ora, segundo a filosofia em vigor, terríveis e tenebrosas suspeitas de tráfico de influências e outros malefícios recaem sobre políticos que tenham contactos “sociais” com empresas. Como as pescadas, antes de o ser já o eram, ou seja, antes de traficar já são culpados de criar as condições que a tal filosofia considera caminho andado para o crime. Tudo isto é, digamos, pouco consentâneo com a Constituição e com a lei. Mas existe, como na história do lobo e do cordeiro.

    Adiante. O que me traz é a diferença entre uns e outros. Então, o chamado primeiro-ministro pode, impunemente, repoltrear-se ao lado do Vieira, do Pinto da Costa ou do outro nas tribunas dos estádios, pode comer uma tapas e beber uns púcaros lá no bar dos VIP’s sem que ninguém lhes toque, e uns tipos mais de baixo não podem ir, a convite da Galp, à final do europeu, coisa nacional e não clubística? Será por causa do bilhete de avião, do bilhete para o jogo, do “transfer” de e para o aeroporto? Então o Presidente da República e o chamado primeiro-ministro não foram lá também, e esses à custa do Estado?

    Como disse acima, há aqui qualquer coisa que não está certa. Porque, das duas uma, ou há alguns favores ilegítimos prestados à Galp pelos viajantes, e aí poder-se-á desconfiar que o foram para pagar o convite e investigar a tramóia, ou não há nada disso e, então, são tão “culpados” como o PR, o PM e respectivas comitivas, com a agravante, para estes, de se ter pendurado no Estado.

    Por conseguinte, ou há mais alguma coisa que leva à actual perseguição desta rapaziada, ou não se percebe como, um ano depois dos factos, há uma “investigação”. Investigação de quê? Os factos (viagem, bilhetes, etc.) estão provados e confessados, mas as responsabilidades só acontecem depois de digeridas pela “justiça”?

    Cheira a esturro, a aldrabice, a incompetência ou a mera falta de juízo.

     

    10.7.17

  • É TARDE

     

    Se, com a honestidade que lhes devia ser exigida, o fulano da defesa e a rapariga da polícia se tivessem demitido no exacto momento em que se deu a derrocada dos serviços que tutelam, mereceriam alguma consideração. Pelo contrário, o primeiro, após tergiversações várias, acabou por declarar que, afinal, não era responsável por coisíssima nenhuma. A segunda, lacrimejante, resolveu classificar uma demissão como uma espécie de traição à Pátria, não um como acto final de responsabilidade assumida.

    Agora, que se espera o regresso de férias do chefe desta gente (dizem que já voltou, mas ninguém deu por isso), há que lhe dizer: tarde piaste, já não vale a pena demitires seja quem for, os dois sacrificaram a sua dignidade pessoal ao lugarzinho, estão devidamente classificados, o teu empurrão cheiraria a mofo.

    Posto isto, e mesmo na diária presença do bombeiro Silva, encarregado do rescaldo com a bênção dos jornalistas de serviço, já não há quem não veja muito mais: um ministro das finanças que montou a mais opaca das operações cosméticas para disfarçar o défice e que prejudicou de forma violenta o chamado estado social, um ministro da saúde que já não sabe para onde se virar no meio do caos onde se meteu ou o meteram, um ministro da educação empenhado em fazer o que o Mário Nogueira exigir ou alvitrar, uma ministra da justiça que não consegue pôr na ordem uns profissionais esquecidos da dignidade da posição social e política que ocupam, um ministro do ambiente que farronca aleivosias contra os espanhóis e acaba por comer Almaraz com batatas…

    É preciso mais? Não é. Porque o mal está por cima destes pobres chamados ministros. O mal chama-se Costa. Este é que, se alma tivesse, se devia demitir.

    Talvez a excelência de Belém comece a perceber a com que gente tem andado ao colo…

    Infundada esperança, Doutor Sousa. É tarde.

     

    9.7.17

  • VALORES REPUBLICANOS

     

    Há enormes diferenças de importância entre a teoria – sem prática – dos tabefes e os incêndios com 64 mortos na ficha.

    Explico: os tabefes, mesmo que só timidamente anunciados na net, chegam para cortar a cabeça a um ministro da geringonça; os 64 mortos na estrada da incompetência do Estado e seus agentes, não fazem cair ninguém.

    Donde se conclui que, entre os tabefes e os mortos, sobreleva a importância dos primeiros.

    Há mais: a diferença de importância entre um sensato aviso aos pais dos meninos eventualmente candidatos a homossexuais, a fim de evitar que possam ser incomodados no desenvolvimento harmonioso das suas tendências, e um vitorioso assalto ao armamento do EP (Exército Português). No primeiro caso, o alegado dislate de um distante subordinado faz cair o respectivo Chefe do Estado Maior; no segundo, ninguém cai, nem o chefe dos militares responsáveis, nem o ministro – mesmo que, em alarde de franqueza, se declare politicamente responsável.

    Convenhamos que estes factos são marcantes dos valores republicanos da geringonça: num caso, o politicamente incorrecto dos tabefes e a justeza das consequências que provocam. Noutro, o politicamente correcto da propaganda gay e a sua vital importância, pelo menos se comparado com umas meras dezenas de defuntos.

    Talvez convenha, por uma questão de justiça, dizer que o chamado primeiro ministro tem estado de folga, a banhos. É evidente que, como foi oficialmente declarado, o dito estava “em permanente contacto”. Além disso, como foi também oficialmente garantido, voltaria “se houvesse algum caso grave”.

    Ora, como nada de grave aconteceu – nem houve tabefes nem os gays foram incomodados – por que carga de água havia o homem de sair da banhoca?

     

    7.7.17

  • ESTUPIDEZ OU PARANOIA?

     

    Dando largas aos seus habituais “remédios”, o BE resolveu que a solução para o SIRESP é a nacionalização. Outra coisa não seria de esperar, já que, para o dito e para o PC, a nacionalização é a mezinha universal para os problemas da humanidade em geral e para os nossos em particular. Por vontade desta gente nacionalizava-se as batatas fritas, os gelados olá e as cuecas de renda. Tipo banha da cobra, as nacionalizações resolvem tudo e mais alguma coisa.

    No caso do SIRESP, talvez não seja mau lembrar que, na respectiva PPP, o Estado é maioritário, o quer dizer que, se a coisa não funcionou, o Estado é tão ou mais culpado que os seus parceiros privados, por muito ordinários que sejam. O chamado “conselho do SIRESP” que, por compromisso contratual, já devia ter reunido umas trinta vezes, reuniu quatro, supõe-se que para beber umas bicas e ganhar uma senhas de presença. Uma pergunta inocente: de quem era a responsabilidade de reunir tal conselho? Do Estado, como é evidente. O Estado contratou mal a tal PPP? De quem é a culpa? A PPP não funciona, ou funciona mal? De quem é a culpa? O Estado não fiscaliza a execução dos contratos que assina? De quem é a culpa? A PPP distribuiu dividendos a mais aos accionistas, Estado incluído? De quem é a culpa?

    Num caso de evidente falhanço do Estado, a solução para o mal é entregar a solução do problema ao seu causador número um. Será só estupidez? Ou paranoia ideológica?

    É sabido que a esmagadora maioria das empresas do Estado estão falidas e vivem à custa dos impostos. Quem as fiscaliza? O Estado. Por obra e graça do socialismo, o Estado fiscaliza-se a si próprio, o que é o oposto de todas as fiscalizações dignas desse nome.

    Por cá, para os sócios da geringonça, há outros motivos, de que já o La Fontaine falava. Há um culpado, não por culpa propriamente dita, mas por definição. No caso do SIRESP, o culpado é Santana Lopes e, se não foi ele, foi Passos Coelho, mesmo que a versão actual da coisa tenha sido concebida pelo Costa numa extraordinária negociação, para poupar dinheiro ao Estado cortando nas valias do SIRESP. Assim, até o Zé Maria Pincel “poupava” dinheiro.

    Mas a culpa é dos outros, nunca da geringonça.

    Estupidez ou paranoia? As duas coisas, sem dúvida. Juntem-lhes uma dose bem condimentada de desonestidade, e aí têm a salvação da Pátria.

     

    6.7.17

  • RIDÍCULOS OU ORDINÁRIOS?

     

    Achei imensa graça, uma porcaria de graça, aos nossos deputados no Parlamento Europeu. Sim, de todos os partidos, não me atiro só às canelas dos da geringonça.

    Estava agendada uma sessão plenária especial para despedida do presidente rotativo da UE, um senhor que ninguém conhecerá, mas que, de um ponto de vista de dignidade, é exactamente o mesmo que os seus pares de outros países, grandes ou pequenos. A sessão teria o valor político que tinha mas, pelo menos formalmente, era um plenário de homenagem e de balanço.

    Quase ninguém lá pôs os pés. O senhor Junker que, felizmente, não costuma ter papas na língua, não arranjou adjectivo mais suave que chamar ridículo ao orgulhoso parlamento, isto é, evitou chamar-lhe ordinário, que era o que, na ocasião, merecia. Indignados, os parlamentares portugueses, e não sei se os demais, desdobraram-se em protestos e críticas ao homem. Que estavam a trabalhar, nas comissões, reuniões, participações e outras aptidões, conversações, decisões…

    Então, se tinham tanto que fazer, coitadinhos, porque é que aprovaram a realização do tal solene plenário, sujeitando-se a que o IRRITADO, sozinho que seja, lhes chame o que são: ordinários. E que não aceite desculpas de mau pagador.

     

    6.7.17

  • BAILARICOS

     

    Sonso como sempre, o espantoso Centeno andou a bailar no parlamento. Em resumo, declarou que não, não tinha sacado dinheiro da saúde, nem da educação, nem da tropa nem de nada. Os mil milhõezitos que cortou, foram cortados… em nada! Deve tratar-se, como é evidente, de tenebrosa cabala urdida pelos fulanos das contas públicas de parceria com a oposição.

    Os dotes de bailarino desta desgraça em forma de gente já tinham sido demonstrados aquando da história do Domingues, em que o Centeno não prometeu nada nem deixou de prometer nada, não se comprometeu nem deixou de se comprometer com nada, não faltou à palavra nem deixou de faltar à palavra, toda a história não passava de cabala. À boa imagem do Pinto de Sousa, cá temos o cabalista substituto.

    A verdade porém é que, em matéria de dança da conga, o Centeno é melhor que o Pintam.

     

    6.7.17

  • OBRAS DA GERINGONÇA

     

    É público e notório que a reforma dos tribunais realizada pelo governo legítimo teve um enorme alcance e, por isso, motivou o habitual espernear político e público.Atenta ás “justas reivindicações” das gentes, a geringonça, na fúria assassina das reversões, sacrificou a reforma e repôs, em descarada e demagógica manobra, a situação anterior. Reabriram tribunais, gastou-se não sei quanto e, pouco tempo depois, os brilhantes resultados começaram a surgir: tribunais sem juízes, funcionários das câmaras a suprir os oficiais de justiça, falta de meios, uma série de desgraças. Passado um ano, é possível fazer mais umas contas. Verifica-se que os tribunais repostos tiveram uma performance da maior relevância: 2 julgamentos por mês! Notável, esta reforma, ou retoma, obra maior da geringonça.

     

    O rapazola da “educação” acha óptimo que os pontos sejam pré-conhecidos e até, na língua oficial, é dito que a inconfidência contribuiu para a diminuição dos chumbos. Repetir o exame seria, julga-se, anti-pedagógico, caro, uma chatice.

     

    O indivíduo da defesa, responsável irresponsável, esse, como a tropa gastou menos 200 milhões de que o previsto, acha que não havia 95 mil para gastar em arame farpado.

     

    O inenarrável Centeno, soube-se hoje, cativou em 2016 nada menos que 942,7 milhões, cerca do dobro do que a UE tinha sugerido. E há quem acuse os outros por terem ido (foram?) “além da troica”! Perguntar-se-á para que serve o orçamento se a despesa orçamentada é boa para o caixote do lixo.

     

    O chefe do Exército demite coronéis, mas não demite coronéis. Tendo demitido sem demitir, quando a coisa aquece vem dizer que tem a mais profunda consideração pelos demitidos que não foram demitidos. Um alto exemplo das suas qualidades, como militar e como homem da confiança do governo e do Presidente.

     

    Há mais. Muito mais. Mas fiquemos por aqui.  

     

    Facto é que, como sempre, tudo está na maior. O chamado governo está firme, impoluto, competente, a gerir os “nossos” interesses. A prová-lo, o cidadão conhecido como primeiro-ministro continua a banhos. Que outra prova será preciso para demonstar que tudo corre sobre rodas, sem erros nem desvios nem patacoadas nem crises nem demissões? E ainda há para aí uns irritados a dizer que a única demissão que é precisa é a do banhista!

     

     

    5.7.17

  • ACORDAR TARDE E MÁS HORAS

     

    Uma voltinha pela informação disponível nesta manhã faz-nos pensar no que têm a imprensa, os jornalistas, os comentadores, etc.,  andado a fazer desde Novembro de 2015.

    Foi preciso morrer gente, desaparecer armamento em quantidade e qualidade catastróficas, haver tão vergonhosa actuação das autoridades políticas e militares, haver um escândalo sem precedentes ao nível internacional, para despertar esta gente, para esta gente começar a ver o caldo de desonestidade, de incompetência, de “lata estanhada” de quem diz governar-nos?

    Parece que sim, a avaliar pelo que hoje aparece por aí, escrito e dito. Só que é tarde. Deixaram passar, num mar de elogios, toda a trafulhice do “nascimento” deste governo, das reversões, do “fim da austeridade”, do “virar de página”, dos êxitos relativos que são fruto do trabalho de outros e do sacrifício de muitos, da política de “compra” de clientes, das cativações a esmo, sem critério outro que não seja o da politiquice, deixaram passar tudo sem nada ver de essencial, sem perceber a profundidade da miséria moral, da degradação “soberana”, do fomento da inconsciência social, da propaganda sem freio, deixaram passar tudo, elogiaram tudo, e só agora acordam! Pobre país em que tão reles “formadores de opinião” tem!

    E no plano político? Dona Cristas pede a demissão do fulano da Defesa e da rapariguita das polícias. O chamado primeiro ministro e o seu governo ficam de fora? O senhor de Belém que os sustenta e apoia caninamente desde a primeira hora, fica de fora? O general do Exército não é corrido? A contenção que a postura de Estado de Passos Coelho adoptou não acaba de uma vez por todas? Continua tudo na mesma?

    Não. A degringolade do governo, e do país com ele, precisa de ser atirada, evidente e indesmentível, à cara das notícias e das opiniões para que esta gente descubra a floresta de enganos em que fomos metidos por não respeitarmos evidentes mensagens do eleitorado (o que o eleitorado disse foi que não queria Costa primeiro ministro), por nos termos deixado enganar por formalismos ilegítimos, por termos tido complacência com a geringonça, foi preciso isso para que haja quem acorde? Parece que sim.

    Vejamos agora quanto vai durar a “descoberta” ora feita por tanta gente. Acordaram mesmo, ou vão tornar a adormecer quando o bronzeado demagogo voltar das doces paragens de Maiorca e os presentear com mais umas trafulhices?

     

    4.7.17

  • ALMAS MAIS PEQUENAS

     

    Por causa de uma frase que, segundo os critérios do politicamente correcto, poderia ser considerada descriminatória em relação a uns meninos aligeirados do Colégio Militar, caíu o Chefe do Estado Maior do Exército.

    Por causa de um roubo sem precedentes, que põe em causa a nossa segurança, a dos nossos aliados e a do mundo em geral, não cai ninguém. O actual CEME declarou que tinha demitido, a prazo, uns coronéis. Não demitiu, porque, segundo a Lei, demitir não é a prazo. Mas o homem não sabe o que diz a lei.

    Foi tudo. O chamado ministro de defesa declara-se responsável, mas demitir-se não é com ele. O senhor Costa, dito primeiro ministro, assobia para o ar e desaparece durante uns dias. O resto da malta do poder não se sabe o que faz, mas está, como é evidente, de pedra e cal.

    Morre uma data de gente nos incêndios. Luto nacional, manifestações de pesar, etc. Responsáveis políticos não há, maxime o tal dito primeiro ministro. Ninguém pede desculpa.

    Dias depois da tragédia, o homem interrompe o silêncio e aparece, à gargalhada, a oferecer uma vaca voadora a uma suposta ministra adjunta. A cena foi cirurgicamente “obnubilada”. Mas apareceu uma fotografia. Azar. Olhemos a coisa com ternura: o tal fulano e a senhora, esfusiantes de alegria, contemplam a vaca que voa, agitam-na perante uma multidão de lacaios, presume-se que todos agarrados à barriga para agradar às excelências e à vaca.

    O senhor de Belém recolhe a tábuas. Nada de responsáveis. A não ser, é claro, os que, um dia, vierem a ser assim julgados nos “rigorosos inquéritos”, mas só malta mais baixinha, nada de fazer mossa às altas individualidades e suas organizações e clientelas.

    As centenocráticas finanças também estão de férias, felizes, não têm nada a ver com nada. Cortaram nas vedações, como cortaram na saúde, na educação, etc., para poder pagar aos clientes: não é o que mandam as NEP’s da geringonça? Claro que é.

    Tudo bem. As vacas voam, o PM está sorridente e descansadíssimo, os ministros exultantes. O chairman, em Belém, mostra-se algo incomodado, mas nada que prejudique o nacional reconhecimento pelos seus afectos e pelo impecável comportamento do governo.

    Na NATO, na UE, na ONU, nas polícias e nos exércitos do nosso mundo, anda tudo à rasca: então andámos a dizer bem da geringonça e, afinal, não passa de mais um bando de incompetentes e de irresponsáveis?!

     

    Mas a geringonça “é sábia e alisa as penas/os seus discursos tornam as almas mais pequenas”*.

     

    3.7.17

     

    *Sophia Melo Breyner (citado de memória)

  • A GERINGONÇA DESCONJUNTA-SE

     

    Começou desconjuntada, a geringonça. Mas o deslumbramento do poder,  a apropriação indevida de alguns êxitos, a presença infrene, desmedida, acrítica  e acéfala nuns media totalmnte irresponsáveis, levaram a que se fosse aguentando.

    Os parceiros do PS, quando a coisa abana, apressam-se, servidores e obrigados, a deitar água em todas as fervuras, ao mesmo tempo que dizem afirmar os seus absurdos e perversos “princípios”.

    Não é por causa eles, ao contrário do que à nascença se previa, que a geringonça se desconjunta. O PS trata disso com a competência, a honestidade e a responsabilidade do costume. Já não vale a pena – é tarde – atirar as pedras da culpa para cima dos que para trás ficaram, até porque toda a gente já percebeu que o que corre bem se deve mais a eles que à geringonça.

    Já não há desculpa para as culpas do PS.

    Bem pode o senhor Costa esconder-se por aí, ou só aparecer para se rir (de quê?), de braço dado com o eu padrinho de Belém. E até a saúde deste doce entendimento já conheceu melhores dias.

    O PM, com a miserável sujeira que tem sido o seu comportamento no caso dos fogos, abana. A propaganda, sempre presente, não vai chegar.

    O chamado ministro da defesa, é vê-lo meter os pés pelas mãos no caso dos paióis, e não só, como marreta de segunda escolha que é.

    O da saúde começa a sentir na pele um mandato desastroso.

    O da educação manda acabar com os chumbos, como se os pais e o país não percebessem que não se trata de um caso de sobreaproveitamento escolar mas de um história de secretaria.

    Aquela senhora do mar está à beira de continuar a guerra com os estivadores, a fim de perder mais uma.

    A dos polícias, santo Ambrósio, é o que se sabe.

    A da justiça, coitada, não se aguenta com a respectiva cáfila corporativa.

    E assim por diante.

     

    A geringonça abre fendas por todo o lado. A mama parece que acabou. Já não há “passado” que “justifique” o presente.

    Para nós, portugueses, bom seria que caísse depressa e mal. Mas, não se animem. Vai levar tempo até que a maioria abra os olhos.

     

    2.7.17

  • CAUSAS INCONSEQUENTES

    Há muitos anos, dizia-se que a Causa Monárquica era a única causa sem consequências. A piada tinha a sua graça, mas os tempos modernos vieram demonstrar que não correspondia à verdade. Facto é que, décadas passadas, com o advento da geringonça se veio a demonstrar que, afinal, há inúmeras causas totalmente inconsequentes.

    Ainda ontem, o chamado ministro da defesa veio dizer que se considera politicamente responsável pelos roubos de material de guerra. Consequências, zero. O homem continua politicamente na mesma, palavroso e mais ou menos idiota.

    O chamado primeiro ministro anda num virote: nomeou bode expiatório dos incêndios a rapariga da administração interna (o politicamente correcto manda dizer cabra expiatória, mas eu não obedeço). Consequências, zero. A miúda anda para aí, lacrimejante, a arder em fogo  brando. E pronto, deixá-la consumir-se, não há bombeiro que lhe valha. Tem ela toda a razão, diga-se. É que,  se o responsável número um não faz outra coisa que não seja tirar o cavalinho da chuva, não se considerando responsável seja pelo que for, porque carga de água havia ela de se ir embora?

    Voltemos à tropa. Descobriu-se agora que os paióis não tinham qualquer tipo de vigilância ou protecção. Qualquer alicate servia para os assaltar, em paz, sossego, e com a devida eficácia. A verdade oficial, já exemplarmente declarada, é que a técnica do alicate estava em vigor há anos e que talvez possa vir a ser abolida daqui a mais uns, após indeterminados períodos de reflexão e de importantíssimas tomadas de decisão. Responsáveis? Muitos, diremos nós, com certeza sem razão. Consequências? Só de major para baixo. Como se, pelo mundo fora, se considerasse como mais altos responsáveis, aspirantes, furriéis e cabos quarteleiros. Nesse mundo cruel, há quem culpe o governo, os generais e outros por cá inimputáveis. O mundo está louco.

    Verdade verdadinha é que, estranhamente, a geringonça e as suas hostes ainda não se lembraram de dizer que a culpa é do Passos Coelho. A seu tempo, lá virá a acusação. É que, neste aspecto,  geringonça não perde qualidades. Vão ver.

     

    2.7.17

  • NOJO

     A fim de evitar vómitos, achei que não devia escrever sobre este assunto. Mas, passados uns dias da ocorrência, cá estou e, com um comprimido para o enjoo, acho que posso dizer umas coisitas.

    Numa TV qualquer, costumam reunir três indivíduos: o mais-que-tudo do Sócrates, Silva Pereira de seu nome; um indefectível do BE, qualquer coisa Rosas; um tipo do PSD, Rangel, que tem alguma coisa na cabeça mas não estaleca que chegue para enfrentar tais horrores, criaturas cuja “lógica” não faz parte do normal raciocínio dos seres humanos.

    O homem do PSD dizia que o governo, o PM e sua gente, deveriam assumir a responsabilidade política sobre o estrondoso falhanço do Estado na tragédia dos fogos, o que é coisa que se mete pelos olhos dentro de qualquer um. As duas criaturas diziam que não. Porquê? Porque os “factos” não estavam “apurados”, ou seja, só depois de fechados os inquéritos se poderá ajuizar da “responsabilidade política”.

    É difícil, para uma pessoa propriamente dita, responder a tal tipo de argumento. Então não há factos apurados? Então não houve fogos? Então não morreram 64 portugueses? Então não falhou quase tudo o que ao Estado competia na ocasião? Então tudo isto não é facto apurado, apuradíssimo?

    Como é possível, sem o uso da mais profunda e radical desonestidade pessoal, inteletual, política, ou de qualquer natureza, achar que não há responsabilidade política e se deve esperar o tempo que for preciso para a estabelecer? Não está estabelecida, claríssimamente? A responsabilidade é do governo, deste governo como o seria de qualquer outro que tivesse na mão as rédeas do Estado.

    Esqueçamos, de momento, este nojento espectáculo que, em si, é suficiente para provar à saciedade a qualidade de quem diz governar-nos e de quem o apoia.

    Há pior. O chamado primeiro-ministro não teve uma única palavra de desculpas aos mortos, aos vivos, ao país em geral. Pelo contrário, no que aos fogos diz respeito, “virou a página”. É que pedir desculpa quer dizer assumi-la. Ele não assume coisa nenhuma. O assunto fica com os técnicos, os inquiridores, as comissões e, talvez, com um ou outro membro do governo, desde que seja cuidadoso e saiba assobiar para o ar sempre que se justifique. Ele, o responsável número um, tem mais que fazer: lançar o Medina, ir a uns almoços, presentear o povo com o riso alarve que é a sua mais evidente “qualidade”.

    Convenhamos que o Pereira e o Rosas, em matéria de lixo moral, são largamente ultrapassados pelo chefe.

     

    1.7.17   

  • MORAL REPUBLICANA

     

    “se e quando se confirmar que há responsabilidade objectiva do Estado, utilizaremos esquema expedito de indemnização”

    Esta douta declaração foi proferida pela criatura que ocupa, em Portugal, o lugar de primeiro-ministro.

    Há que tirar as concusões mais óbvias:

    1. A tal criatura acha que o Estado não tem responsbilidade nenhuma nos 64 mortos nos incêndios;
    2. Mas, se, por acaso, alguém vier a alegar, ou demonstrar, que o Estado tem responsabilidade, então que não seja uma responsabilidade qualquer: terá que ser “responsabilidade objectiva”;
    3. Para tal criatura, os bombeiros profissionais não são do Estado, a Protecção Civil não é do Estado, a GNR não é do Estado, o Siresp não é do Estado, etc. por aí fora, o Estado e, por maioria de razão, ele, seu responsável máximo, não têm qualquer responsabilidade, ainda menos “objectiva”, queira isso dizer o que queira;
    4. Não se verificando a responsabilidade objectiva do Estado, ou seja, da criatura, então as indemnizações serão pagas pelos “responsáveis objectivos”, isto é, pelos bombeiros, os soldados, a mulher de limpeza, ou seja lá quem for, tudo menos a criatura, que não tem qualquer responsabilidade, seja ela objectiva, subjectiva, implícita, explícita, moral, social, económica, ou seja lá ela o que for.

    Bem podem os lesados, os enlutados, os órfãos, as viúvas, os prejudicados da mais diversa natureza ficar sentados à espera da responsabilidade objectiva do Estado, coisa que, mesmo que demonstrada, jamais terá seja o que for a ver com o Dr. António Costa.   

     

    29.6.17

  • ENGANADOS OU DISTRAÍDOS?

     

    Há dias, num almoço de amigos, veio à baila a geringonça, as suas origens, o que esteve por trás da sua fundação. E, entre gente que, teoricamente, gosta tanto dela como eu, apareceram vários a alegar a irrepreensível democraticidade da coisa. Assim: na Europa civilizada quase não há maiorias absolutas, os governos ou são de coligação ou vivem apoiados por partidos minoritários. Se formam maioria parlamentar, são legítimos.

    Formalmente, é assim. Só que preciso será ir um bocadinho mais longe.

    Na tal Europa não há partidos de governo que sejam de extrema direita, nem partidos de coligação que andem a comemorar este ano a revolução russa, o leninismo, o estalinismo e outras “realizações”(como acontece com o nosso PC). Na tal Europa, há valores cujo não respeito deixa tal gente a falar sozinha, não há partidos democráticos que se sujem como o PS se sujou.

    Vem a seguir o mais falso de todos os argumentos. Como o partido mais votado não foi capaz de apresentar à indigitação uma solução parlamentarmente viável, o governo foi entregue a quem de tal foi capaz. Mentira. O partido mais votado ofereceu ao partido número dois uma proposta, ou de fazer parte do governo, ou de subscrever uma solução negociada que desse lhe estabilidade formal. O partido número dois, cujo “candidato a primeiro-ministro” perdeu as eleições, recusou terminantemente qualquer das soluções, preferindo recorrer a forças minoritárias e antidemocráticas de extrema esquerda para chegar ao poder.

    Isso é legítmo? A legitimidade política só tem a ver com maiorias parlamentares, ou tem também a ver com as regras básicas que informam os sistemas democráticos?

    Daí que, desta modesta tribuna, eu diga aos meus amigos que se deixem da ilusórios formalismos, que deixem de “compreender” uma solução que, em si, e por mais propaganda que faça, jamais poderá deixar de ser funesta, para o regime, para a liberdade e para tudo o mais. Nasceu torta, só pode entortar ainda mais.

    Como, aliás, cada dia vai estando mais à vista, por muito que os seus serventuários mediáticos lhe sirvam se capacho, ou que Sua Excelência a sustente com afectos.

     

    29.6.17  

  • DRONES

    Andam para aí uns drones a chatear os aviões, fazendo muita gente correr terríveis riscos. Aqui temos um caso em que o Estado tem que intervir com unhas e dentes. Mas não intervem: deve estar à espera de algum azar dos grandes, enquanto se vai entretendo com regulmentos e portarias que só servem para chatear e não têm utilidade outra que não seja arranjar empregos para clientelas várias.

    Os tais aparelhómetros foram concebidos para efeitos militares. Podem ser-lhes dadas inímeras utilizações pacíficas de altíssima utitlidade. Mas também podem ser usados para os piores fins (terrorismo, crimes de toda a ordem).

    Tenho dois drones. Um navega até trinta metros de altura, outro até cinquenta, com um raio de acção de quarenta metros e com autonomias de sete ou dez minutos – segundo os papéis, porque, se voarem durante mais de cinco já é uma alegria. Um custou quarenta euros, o outro noventa e cinco. São brinquedos. Presumo que não possam fazer mal a ninguém.

    A coisa complica-se com artefactos mais sofisticados. Por isso que, em tais casos, a sua utlização deva ser regulada, os seus proprietários devam demonstrar, sem lugar para quaisquer dúvidas, qual o uso a que se destinam. Não são objectos de diversão, mas ferramentas de trabalho.

    Contra isto vem a imprensa dar voz a uns tipos que dizem que o problema é dos “drones baratos” e da “falta de consciência”. Mentem com quantos dentes têm na boca. Os drones baratos, sem alcance nem autonomia nem raio de acção, não fazem mal a ninguém. Os mais complicados perturbam a navegação aérea e podem facilmente ser usados para fins ilegítimos.

    Não nos deitem aos olhos a poeira dos dronistas nem a incúria do Estado.

     

    29.6.17

  • A DANÇA DOS INOCENTES

     

    O Costa – Quem, eu? Culpas, eu? Demitir-me, eu?

    A Urbana – Não tenho nada a ver com as causas, ainda menos com as consequências. Inquéritos é que é bom.

    O Chefe da Protecção Civil – Actuámos da acordo com a Lei

    O Chefe dos bombeiros – Nós? Nós somos uns heróis!

    O Chefe do Siresp – O sistema funcionou de acordo com as alterações que lhe foram introduzidas por Sexa o PM. Tudo normal.

    O tipo da Misericórdia de Atrásdosolposto – Se não se suicidaram, podiam ter-se suicidado.

    Os partidos da geringonça – Isso de culpas era no tempo do Passos. Agora já não há disso.

    O Chefe da GNR – As tropas agiram de acordo com o Código de Justiça Militar, nada a apontar.

    Os Chefes das Forças Armadas – Cumprimos as missões. O resto é polémica.

    O Presidente do IMA – Todas as informações prestadas estavam de acordo com a ciência disponível.

    Sua Excelência – Tudo pelo melhor, mostrámos a força desta grande e nobre Nação!

    *

    Passos Coelho, o outsider, culpado por definição – Peço desculpa por me ter feito eco de uma informação que não tinha fundamento.

     

    28.6.17

  • TERNURA

     

    Julgo que ninguém poderá ficar indiferente perante as imagens da reunião do BE com o chamado PM acerca do incêndio.

    A doçura do olhar, a candura do sorriso, o carinho das mãozitas, ai, filhos, que ternura se evolava do fundo da alma da dona Catarina! Um consolo para todos nós, pessimistas inveterados e relapsos.

    Vejam, voltem ao programa, que vale a pena. No meio da generalizada estupefacção e do desgosto colectivo, há quem nos transmita o dulcíssimo sorriso do poder. Bem haja, dona Martins.

     

    28.6.17

  • VEJAM A DIFERENÇA

     

    No próprio dia em que foi levado por terceiros (já identificados e confessos) a dar uma informação, em si errada, mas que apenas serviu para sublinhar uma situação certa, o Dr. Pedro Passos Coelho pediu desculpa do seu erro e reafirmou a sua pretensão (de que era preciso mais assistência psicológica aos afectadospelo incêndio).

    Passados pelo menos dez dias da tragédia, não houve ainda um só responsável oficial que pedisse desculpa do que se passou aos portugueses em geral e aos atingidos em particular. Nem o chamado primeiro-ministro, nem pseudo-governante nenhum, ninguém com responsabilidades se lembrou de pedir desculpa, de assumir os erros, de se dizer, sequer, também responsável. Andam para aí a sacudir a água do capote e a entreter o pagode com fantasias.

    A indiferença política e a não auto-culpabilização dos responsáveis que por aí grassam não mereceram comentários ou denúncias que se vissem. Ao contrário, a informação errada que deram a Passos Coelho e o seu pedido de desculpa são alvo de manchetes, reportagens, condenações, vitupérios, artigos, parangonas televisivas, aproveitamentos políticos de toda a ordem. Vejam os títulos do dia, enojem-se com as palavras da “adjunta”, vomitem num tal Tadeu, e vejam se esta gente não faz inveja aos coronéis da censura!

     

    27.6.17

  • TRIPAS À MODA DE LISBOA

     

    É fácil imaginar o que seria se um alfacinha tivesse o desplante de se candidatar à Câmara do Porto. O invicto orgulho ofendido, o provincial pundonor ameaçado, as invejinas parolas à solta em estertores de indignação, mais um crime do centralismo, a tirania do Terreiro do Paço, o garrote do poder central, rua com esse mouro que ousa querer penetrar as invencíveis muralhas da “capital do Norte”!

    Pois. Mas, em Lisboa, o candidato que é presidente sem ter sido eleito, coisa habitual lá no partido dele, quer – há quem diga que tem hipóteses – continuar, desta vez com legitimidade eleitoral. E é do Porto! Ninguém se ofende com isso, o que, convenhamos, marca uma certa diferença, não a favor do candidato mas da mentalidade alfacinha.

    Não me passa pela cabeça votar no fulano. Mas não é por ser do Porto em vez de o ser das avenidas novas ou equivalente. Fosse ele coisa boa… mas não é. Digo-o em nome dos lesados pelas suas políticas absurdas e propagandísticas, em nome dos milhares de lisboetas que, em nome da “mobilidade”, passam horas engarrafados em sítios onde, há um ano, se circulava com relativa facilidade. Digo-o em nome dos sacrificados da Carris e do metro (empresas públicas, nossas, nossa um gaita!) que cada vez funcionam pior, que cada vez são mais lentas, que cada vez nos deixam mais tempo à espera, menos oferta, menos veículos, menos educação. Digo-o em nome dos bairros que carecem de atenção e de quem lá vive, enquanto o dinheiro se gasta em obras faraónicas a favor de meia dúzia de ciclistas em vez de se aplicar onde é preciso, em vez de se limpar os passeios, negros até os novos já começam a estar, para não falar das armadilhas e na porcaria dos antigos, ou nas maluquices, meu Deus!, que se fizeram no chamado eixo central e arredores…

    Jamais votaria no melífluo e delicodoce boquinhas, que se apoderou da cidade para prejudicar o nosso dia a dia em favor da sua geringoncial propaganda.

    Não! Este não leva o meu voto, seja ele do Porto, da Buraca, da Amareleja, de Campolide, ou do raio que o parta!

     

    25.6.17