IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AS CAUSAS DAS CONSEQUÊNCIAS

 

Pensando mais uma vez no incêndio, acrescento:

Por mais voltas que se dê, por mais teorias que se invente, por mais razões que se aduza, por menos politização que se aplique, duma coisa não restam dúvidas: o número de mortos é inaceitável.

Quem está no poder devia assumi-lo, retirando-se envergonhado. Mas a vergonha, como é patente, não faz parte da cartilha dos sucessores do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, a começar pelo seu número dois, cúmplice político de todas as horas, hoje conhecido por primeiro-ministro, e a continuar na chusma deles que continua a dizer que governa, também eles sem assumir a bancarrota, e não só, de que são próximos ou afastados autores e co-responsáveis.

Com inquéritos ou sem eles, com reformas ou sem elas, com acções imediatas, mediatas ou imaginadas ou sem elas, o governante mor devia cair, usando a dignidade que lhe resta, e levar os demais consigo. Continuar a dizer que tem todo o direito a governar sentado sobre sessenta e quatro cadáveres, é tão inaceitável como a morte deles.

Não colhe  a palermice dos jornalistas que se atiram às canelas da chamada ministra dos fogos, coitada da rapariguita, a perguntar-lhe se se demite. Não colhe a repugnante ordinarice política de um chamado ministro das florestas. Não colhe a doçura das reacções do BE e do PC, outrora tão virulentos. Não colhe a branqueadora filosofia de cordel do Presidente da República.

Há momentos fatais na vida dos políticos. Mais uma vez, se vergonha houvesse seria preciso aceitá-los e às suas consequências. Mas parece que em Portugal as consequências são mais inacetáveis que as causas.

 

24.6.17



4 respostas a “AS CAUSAS DAS CONSEQUÊNCIAS”

  1. Ponha a mão na consciência, Irritado, e responda honestamente: se isto tivesse acontecido ao governo da PAF – e sabe bem que podia ter acontecido – pediria a demissão do Passos? Aceitaria sequer o pedido, que infalivelmente viria da oposição xuxa/comuna, para a demissão do Passos? Ou, pelo contrário, estaria aqui agora a escrever o exacto oposto? Que era preciso ter lata para pedir a demissão de um governo “legítimo”, “democraticamente eleito”, tornando-o bode expiatório de um problema que se repete todos os anos, com culpas atribuíveis a todos os governos – provavelmente, diria, até mais aos xuxas? Acha que algum dos seus leitores tem dúvidas sobre qual seria a sua posição?

    1. Não pediria a demissão de Passos, porque Passos não precisaria do meu pedido para se demitir.

  2. É verdade que ver o Martelo e o Bosta em Pedrogão deu vómitos; sobretudo ao perceber que o Bosta reagia à gravidade da coisa, não para o país mas para si próprio, pois já governos (fora de Portugal, claro) terão caído por menos. Foi nojento ver a procissão de ministros e culambistas, mais os seus coletes, todos a zelar pelo poleiro. Mas sejamos sérios: se não tivessem lá ido, se o Bosta não aparecesse logo, não seria ainda mais criticado? E que mais faria qualquer pulhítico, senão passear o colete e proferir lugares-comuns? Tentou abafar culpas, fugir a responsabilidades? Com certeza. Não fariam Passos e Portas a mesmíssima coisa? Não diria a Múmia Cavaca as mesmíssimas banalidades e recadinhos inócuos do Martelo? Que outra especialidade tem esta canalha? Porque recordar é viver, eis o que se disse no ano passado… nada mudou, incluindo o papel do seu caro Santana. Nada. http://irritado.blogs.sapo.pt/estatismo-pirosotecnico-841996

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