IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TRIPAS À MODA DE LISBOA

 

É fácil imaginar o que seria se um alfacinha tivesse o desplante de se candidatar à Câmara do Porto. O invicto orgulho ofendido, o provincial pundonor ameaçado, as invejinas parolas à solta em estertores de indignação, mais um crime do centralismo, a tirania do Terreiro do Paço, o garrote do poder central, rua com esse mouro que ousa querer penetrar as invencíveis muralhas da “capital do Norte”!

Pois. Mas, em Lisboa, o candidato que é presidente sem ter sido eleito, coisa habitual lá no partido dele, quer – há quem diga que tem hipóteses – continuar, desta vez com legitimidade eleitoral. E é do Porto! Ninguém se ofende com isso, o que, convenhamos, marca uma certa diferença, não a favor do candidato mas da mentalidade alfacinha.

Não me passa pela cabeça votar no fulano. Mas não é por ser do Porto em vez de o ser das avenidas novas ou equivalente. Fosse ele coisa boa… mas não é. Digo-o em nome dos lesados pelas suas políticas absurdas e propagandísticas, em nome dos milhares de lisboetas que, em nome da “mobilidade”, passam horas engarrafados em sítios onde, há um ano, se circulava com relativa facilidade. Digo-o em nome dos sacrificados da Carris e do metro (empresas públicas, nossas, nossa um gaita!) que cada vez funcionam pior, que cada vez são mais lentas, que cada vez nos deixam mais tempo à espera, menos oferta, menos veículos, menos educação. Digo-o em nome dos bairros que carecem de atenção e de quem lá vive, enquanto o dinheiro se gasta em obras faraónicas a favor de meia dúzia de ciclistas em vez de se aplicar onde é preciso, em vez de se limpar os passeios, negros até os novos já começam a estar, para não falar das armadilhas e na porcaria dos antigos, ou nas maluquices, meu Deus!, que se fizeram no chamado eixo central e arredores…

Jamais votaria no melífluo e delicodoce boquinhas, que se apoderou da cidade para prejudicar o nosso dia a dia em favor da sua geringoncial propaganda.

Não! Este não leva o meu voto, seja ele do Porto, da Buraca, da Amareleja, de Campolide, ou do raio que o parta!

 

25.6.17



11 respostas a “TRIPAS À MODA DE LISBOA”

  1. Sr. Irritado, havia um festival aeronáutico com aviões a fazer piruetas por debaixo de pontes, num cenário espectacular e único. Sabe por acaso o que foi feito, onde para e caracterizar o tipo envejina bem como o tipo de mentalidade que esteve por detrás,

  2. Todos sabem que votará na Leal ao coelho. Essa sim, seria fabulosa!!!

  3. Avatar de XXI (militante PSD - "TRIPEIRO")
    XXI (militante PSD – "TRIPEIRO")

    Sr. António, como sacristão, está a renegar (na verdade, leia MONARQUIA) o “cristianismo”?Como bem sabe, «O Infante D. Henrique, precisando de abastecer as naus para a tomada de Ceuta na expedição militar comandada pelo Rei D. João I em 1415, pediu aos habitantes da cidade do Porto todo o género de alimentos. Todas as carnes que a cidade tinha foram limpas, salgadas e acamadas nas embarcações, ficando a população sacrificada unicamente com as miudezas para confeccionar, incluindo as tripas. Foi com elas que os portugueses tiveram de inventar alternativas alimentares, surgindo assim o prato “Tripas à moda do Porto”, que acabaria por se perpetuar até aos nossos dias e tornar-se, ele próprio, um dos elementos gastronómicos mais característicos da cidade. De tal forma que, com ele, nascia também a alcunha “tripeiros”, como ficaram a ser conhecidos os portuenses desde então».Sabe uma coisa? Se não sabe, deve ir “pró caralho” (ou cesto da gávea)”!!!

    1. Sempre fino, um prodígio de linguagem, de imaginação, de originalidade!

      1. Abandone a minha “fineza”. Dedique-se antes ao ‘suicidio’ infernal de Passos Coelho!!! Então, agora, foi “enganado” pelo Provedor da Sta. Casa de Pedrógão?Pois…

  4. Avatar de antonio leite de Castro
    antonio leite de Castro

    Caro Irritado.Não basta nascer no Porto para se ser “do Porto”. Medina é um bom exemplo dos desenraizados lisboetas, gente que nasceu em todo o lado, e se sente muito importante porque “é da capital”.Até aprecio a sua frontalidade, e, na maioria das vezes, a sua razão, mas confesse, você não percebe nada do que é o Porto.

    1. Vejo, pelo seu nome (parabéns por o utilizar), que é do Porto, aqui ficando a minha homenagem e o meu respeito. Tenho por aí alguns bons amigos. Nada tenho contra a gente “do Porto”, só contra os argumentos utilizados pelo “bairrismo morcão” (equivalente a “mouro”, sem ofensa) e seus autores, para defender causas, não pela sua justeza mas por contraposição.Quanto ao Medina, é capaz de ter razão. E eu, se calhar, não percebo nada…

      1. Avatar de António Leite de Castro
        António Leite de Castro

        Acredito que tenha muitos amigos no Porto. A cidade está cheia de boa gente, e os iguais procuram-se.A "mística" do Porto nada tem a ver com "morcão ou mouro". Isso é confundir o Portuense com o portista.Viver o Porto é sobretudo, cultivar o gosto pela liberdade, viver a autenticidade de carácter das suas gentes, e a sua auto-estima. É descobrir a cada encontro, laços de amizade e solidariedade, conviver entre pedras que nos contam histórias e maravilhar-se com um pôr do sol na Arrábida. É apreciar a boa gastronomia, e conhecer os locais certos, que não os turísticos, onde se encontra sempre um amigo ou conhecido. É abrir a sua casa, e passar noites infindas em tertúlias, onde tudo se discute e aprecia: faz-se poesia e música, discute-se pintura e literatura, política pois claro e também algumas brejeirices, mas de onde se sai sempre amigo, apesar de opiniões, por vezes divergentes.O espaço de um comentário é pouco para falar do que é o Porto, a "cidade" e as suas gentes, mas talvez um dos seus amigos lhe possa melhor explicar o que é a "alma" Portuense.

        1. Fui ao Porto várias vezes, a maioria em trabalho. Não gosto do Porto. Nem da cidade, nem das pessoas em geral. Claro que tem gente boa e má, como todo o lado, mas a média é fraca. Encontrei falta de palavra, de ética, de nível, de noção, de quase tudo. De início pensei: tive azar. Mas já é muito azar. Parece antes um padrão. Até as tripas – e gosto de tripas – me pareceram sobrevalorizadas. Até a francesinha me soube melhor em Aveiro. Dirá que sou um lisboeta enjoado, preconceituoso, palerma. Talvez. Conheço, porém, gente impecável em Braga, Guimarães, na Beira Alta, em Trás-os-Montes… nada tenho contra o Norte, pelo contrário. Só tenho contra o Porto. E a zona à volta (parece contágio): Matosinhos, Gaia, Espinho. Se calhar tive mesmo azar. Ou se calhar o problema é meu. Certo é que, ao contrário dos portuenses – como o caro ALC – nunca sinto a vontade, ou a necessidade, de cantar as maravilhas de Lisboa. Acho que soa algo piroso. Ou parolo.

          1. Avatar de Antonio Leite de Castro
            Antonio Leite de Castro

            Um abraço, caro Filipe Bastos, e que o Benfica continue a ganhar.

          2. Avatar de XXI (militante PSD - "TRIPEIRO")
            XXI (militante PSD – "TRIPEIRO")

            Ó flipado, no Porto somos tolerantes com idiotas e imbecis. Compreendemos que nascer assim são coisas que acontecem. Na verdade, a natureza também tem os seus erros.Tudo isto para te dizer: podes vir cá a vontade, seja em trabalho (o que duvido), seja por lazer, que ninguém te ligará um corno (aliás, manso que és).

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