Uma voltinha pela informação disponível nesta manhã faz-nos pensar no que têm a imprensa, os jornalistas, os comentadores, etc., andado a fazer desde Novembro de 2015.
Foi preciso morrer gente, desaparecer armamento em quantidade e qualidade catastróficas, haver tão vergonhosa actuação das autoridades políticas e militares, haver um escândalo sem precedentes ao nível internacional, para despertar esta gente, para esta gente começar a ver o caldo de desonestidade, de incompetência, de “lata estanhada” de quem diz governar-nos?
Parece que sim, a avaliar pelo que hoje aparece por aí, escrito e dito. Só que é tarde. Deixaram passar, num mar de elogios, toda a trafulhice do “nascimento” deste governo, das reversões, do “fim da austeridade”, do “virar de página”, dos êxitos relativos que são fruto do trabalho de outros e do sacrifício de muitos, da política de “compra” de clientes, das cativações a esmo, sem critério outro que não seja o da politiquice, deixaram passar tudo sem nada ver de essencial, sem perceber a profundidade da miséria moral, da degradação “soberana”, do fomento da inconsciência social, da propaganda sem freio, deixaram passar tudo, elogiaram tudo, e só agora acordam! Pobre país em que tão reles “formadores de opinião” tem!
E no plano político? Dona Cristas pede a demissão do fulano da Defesa e da rapariguita das polícias. O chamado primeiro ministro e o seu governo ficam de fora? O senhor de Belém que os sustenta e apoia caninamente desde a primeira hora, fica de fora? O general do Exército não é corrido? A contenção que a postura de Estado de Passos Coelho adoptou não acaba de uma vez por todas? Continua tudo na mesma?
Não. A degringolade do governo, e do país com ele, precisa de ser atirada, evidente e indesmentível, à cara das notícias e das opiniões para que esta gente descubra a floresta de enganos em que fomos metidos por não respeitarmos evidentes mensagens do eleitorado (o que o eleitorado disse foi que não queria Costa primeiro ministro), por nos termos deixado enganar por formalismos ilegítimos, por termos tido complacência com a geringonça, foi preciso isso para que haja quem acorde? Parece que sim.
Vejamos agora quanto vai durar a “descoberta” ora feita por tanta gente. Acordaram mesmo, ou vão tornar a adormecer quando o bronzeado demagogo voltar das doces paragens de Maiorca e os presentear com mais umas trafulhices?
4.7.17

Deixe um comentário