IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PREGAR NO DESERTO

     

    O horror dos incêndios, o calor, os feriados, o papo para o ar, etc., deixaram o IRRITADO sem pio durante uma data de dias.

    Os fogos estão quase “ultrapassados”, pelo menos até ao próximo. O panorama político-informativo, dada a gravidade do assunto, é mais longo e mais excitante que de costume. Neste momento, já há pelo menos trezentos culpados, da trovoada aos incendiários, do aquecimento global à chamada ministra e ao chefe dela, dos bombeiros aos GNRs, das mangueiras aos Kamovs, do Manel Cèguinho ao presidente dos meteocientistas, do ordenamento florestal aos velhinhos que insistem em viver em casa isoladas ou aldeias medievais, até já há quem ponha as culpa ao Passos Coelho e à Cristas. Uma fartura, tudo a ver quem mais acusa, quem mais aparece na TV, quem dá ou modera mais entrevistas, quem fala mais alto, quem mais bitaita.

    Os políticos assumiram a fabricação de remédios. Vão “legislar”. Parabéns à prima. Já ouvi isto mil vezes ao longo de muitos anos. No tempo da II República falava-se de “emparcelamento” mas, que eu saiba, pouco ou nada se “emparcelou”. Depois, houve leis e mais leis, todas elas salvíficas, que não salvaram nada. Parece que, para mexer nestes assuntos com alguma eficácia precisávamos de ressuscitar o Dom Dinis ou o Dom Fernando I. Mexer no território era mais fácil e mais eficaz na Idade Média que na era digital.

    Talvez porque as preocupações fossem outras. Naquele tempo, o poder preocupava-se com o povoamento e a exploração dos recursos agrícolas e florestais. Hoje, a base de todas as preocupações é o chamado aquecimento global e a sua “mais que certa” origem nos malefícios da humanidade. O país inteiro entretem-se a gastar e deixar gastar milhões e mais milhões (quantos, quem faz as contas?) para “salvar o planeta”, como se o planeta não se estivesse nas tintas para tais diligências, como se o tempo do planeta não fosse outro, de uma escala outra, medida em milhares de milhões de anos, não em toneladas de CO2.

    Enquanto a nacional bempensância se vai entretendo com estas coisas, ardem montes e vales, morre gente. Todos os anos a mesma coisa, este ano pior que os anteriores.

    Sem ter nenhuma solução, nem na manga nem fora dela, deixem que diga que há coisas que se metem pelos olhos dentro. Os bombeiros, no defeso, deviam ir limpar matas. As casas isoladas na floresta deviam ser emparceladas em aldeias com condições. Devia haver condições para gerir o minifúndio florestal via associações ou outras martingalas administrativas. Por causa das trovoadas secas, devia haver pára-raios apropriados, coisa que não será difícil inventar. O dinheirinho desperdiçado em moinhos de vento, muito “ecológicos” mas caríssimos, melhor seria gasto em aceiros, meios técnicos de combate e vigilância. E por aí fora, coisas mais simples e mais baratas que muitas das que andam por aí e que parecem não funcionar.

    E pronto. aqui vai um “parecer” sem pretensões outras que não as de desviar as atenções para coisas sérias, em prejuízo das “verdades” universais que entretêm as mentes da pobre humanidade.

    Temos razões para temer a leis que aí vêm. Vão entreter o pagode, é certo, no meio de enorme alarido de deputados, ministros, secretários da estado, directores gerais, autarcas… Boas ou más, são capazes de ter o mesmo destino que tantas outras, isto é, o de não passar das páginas electrónicas do Diário oficial. E lá virão mais fogos, mais mortos, mais circo mediático e mais “especialistas” a pôr a cabecinha de fora.

     

    23.6.17

  • AVIAÇÃO

    Andam para aí a dizer tanto mal do amigo do chamado primeiro-ministro por causa da sua entrada de calçadeira na administração da TAP e, afinal, segundo os anúncios públicos, é adquirido que o dito senhor tem “vasta experiência em assuntos aeronáuticos” e é “grande conhecedor da aviação”. Competentíssimo.

    Pois.

    É verdade. O homem foi a chave mestra para o negócio do Brasil (manutenção de aeronaves), coisa que muito contribuiu  para a ruína da companhia ao encarregar-se de criar os necessários prejuízos para equilibrar as contas da empresa quando pública e, também agora, que continua maioritariamente pública. A fim de garantir a continuidade dos prejuízos, o amigo lá estará com a sua vasta experiência da matéria.

    É claro que o senhor não se fica por aqui. Tratou de meter na TAP, pela porta do cavalo, uns chineses, amigos do patrão, senhor Ho, homem de alta competência em matéria de jogos da azar.

    Perguntas estúpidas:

    Onde estão os defensores do nacionalismo aeronáutico? Onde está o PS da “empresa de bandeira”? E os dos arredores? Onde está o triste Vasconcelos e a sua mentecapta maralha? Morreram?

     

    19.6.17

  • OPORTUNIDADES DE EMPREGO

     

    Não ando à procura de emprego.

    Se andasse, meus amigos, o melhor que podia meter no currículo não era as habilitações, nem as qualidades humanas, nem a experiência anterior. Nada disso.

    Ora experimente. O melhor, mesmo melhor, o que daria mais garantias de sucesso, seria dizer que é primo em terceiro grau de um amigo da mulher a dias que limpa a casinha do senhor Carlos César. Garantidamente, seria chamado a São Bento, recebido pela referida altíssima figura do PS, com cafézinho, água das pedras e o Portugal Socialista para ler enquanto esperasse, se esperasse. Depois, tudo correria sobre rodas, ou seja, à la carte. Então, que deseja? Tenho aqui várias alternativas: poderá ingressar no corpo de assistentes de política internacional, aqui, a meu lado; poderá ter um lugar de técnico especialista em detecção remota de ciclovias na Câmara Municipal de Lisboa; talvez prefira vir a ser quadro da agência europeia de trabalhos indescriminados ou, quem sabe, assessor na junta nacional dos produtos de marca branca… e há mais! Para já, penso que preencher esta ficha e pagar ao partido as primeiras seis quotas lhe ficará muito bem.

    Preencha, caro amigo, preencha e faça a respectiva transferência de fundos.  

    Ficará com o problema da escolha. Mas lá que arranjava um emprego, arranjava.

     

    19.6.17

  • POUCA?

     

    Passos Coelho chamou “pouca vergonha” à ida do amigo do Costa para a administração da TAP.

    Enganou-se. O visado veio esclarecer o assunto de forma lapidar: “não tenho vergonha”, afirmou.

    A vergonha do ilustre auxiliar do chamado primeiro ministro, nas palavras do próprio, não é pouca, é nenhuma.

    O IRRITADO agradece o esclarecimento.

     

    13.6.17

  • PAGAR MALUQUICES

     

    Certamente por inadvertência, o jornal “progressista” e politicamente correcto chamado “Expresso” publicou um quadro intitulado “O que pagamos na factura de lectricidade em 2017”.

    Segundo as contas do dito jornal, julga-se que feita com base em dados reais, as alcavalas da energia, que todos pagamos, somam, este ano, a módica quantia de 2.429,3 milhões de euros. Nesta bonita soma, os hediondos CMECs ocupam um lugar relativamente modesto – 320,1 milhões (13%), enquanto os frutos da política energética nacional, vulgo moinhos de vento, nos custam 1.316.9 milhões, ou seja, 54% das chamadas “rendas excessivas”. O resto, sem ser peanuts, tem expressão menos pesada, a saber: rendas dos municípios, 254.4; sobrecusto dos CAE a produtores, 154.3; défices tarifários, 153.6; interruptibilidade a consumidores 137.9; regiões autónomas, 45.9; garantia de potência a produtores, 21.9; terrenos, 13; outros103,4; sustentabilidade, -92.2.

    Aqui há tempos, houve um investidor português que propôs ao governo a construção de uma central nuclear que garantiria uma produção de energia pelo menos equivalente à da floresta de moinhos de vento que por aí viceja. Não sei se a proposta era boa ou má. O governo da altura, sob a alta direcção do impoluto e honestíssimo senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, também não sabia. A diferença é que eu gostava de saber, o governo não. Coerente com esta sensata posição, declarou que o assunto estava “fora da agenda”, não merecia que se fizesse contas. O resultado desta sábia decisão, só em 2017, cifra-se nos 1.316,9 milhões acima referidos, que vamos pagar, sob pena de ficar às escuras. Da hipótese nuclear não se sabe, mas há fundadas certezas de que nem de longe se poderia comparar à presente extorsão eólica. E, maugrado as opiniões dos ecoterroristas, teria um impacto ambiental incomparavelmente inferior.

    A vida é o que é. Manda quem está na mó de cima, paga quem lá não está. Os chamados defensores do ambiente, que de tal pouco têm, estão no activo, são subsidiados pelo Estado (mais um custo…) e falam de ciência certa.  

    Eu acho que CMECs, CAEs, défices tarifários, interruptibilidades e outras manigâncias deviam ir todas para o caixote do lixo. Se alguma tivesse explicação explicável ou compreensível, que  fosse cobrada por outra via que não a da ameaça de corte da energia de cada um, forma ultra cobarde de se fazer pagar.

    Mais uma vez, a vida é o que é. A ditadura está metida nas frinchas da democracia e é protegida por “reguladores” a soldo do Estado: outro custo que nos vai parar ao bolso.

     

    12.6.17

  • GRITARIAS

    O grande argumento que tenho lido contra os OGMs (organismos geneticamente modificados) é o de que a “natureza”, perante a “ameaça” que tais coisas fazem às pragas, se vingará criando pragas novas. Sob esta capa, ou sem ela, vocifera-se contra as “patentes” – os fees cobrados pelas tenebrosas multinacionais que os inventaram e exploram.

    Posto isto, veja-se o que é a história da humanidade no que tem de mais nobre, o domínio da tal Natureza, de forma a poder alimentar-se, progredir, viver, sem, regra geral, dar cabo dela. No caso das alterações genéticas, desde a mais remota antiguidade que o ser humano as pratica, mais que não seja via enxertos, cruzamentos, afinações de espécies, etc.. Sem tais práticas, nada do que comemos existiria.

    Veja-se também o que, até hoje, foram os catastróficos resultados dos OGMs – nenhum. Nenhuma doença humana, nenhuma praga agrícola deles resultaram. O que de mau resulta é a berraria do ecoterrorismo, coisa que parece não pagar mal.

    Epure si muove, dizia Galileu. O caso dos OGMs, a inquisição peudo ecologista berra, mas as culturas produzem o triplo. Os inquisidores actuais já não podem mandar as pessoas para a fogueira, mas chateiam à farta.

    Parece que o PAN e adjacentes querem obrigar os produtos a declarar, via rótulo, se têm alguma sombra de OGMs. Ainda bem, estou de acordo: comprá-los-ei na mesma. Os demais que façam o que quiserem, na certeza de que terão, pelo menos, termos de comparação disponíveis.

     

    12.6.17

  • DIGNIDADE

    O alegado pai da Constituição (vai chamar pai a outro), Dr. Miranda, em boa hora – caso raro -, veio declarar que a falada greve dos juízes era inconstitucional. Não precisava. Ça va de soi. Qualquer cabecita mais ou menos pensante percebe isso. Qualquer teórico do sistema dirá isso, sem precisar de constituição nenhuma.

    Os nossos juízes passam a vida a dizer que são independentes, que não devem satisfações a ninguém, que são o máximo, um poder, uma classe aparte. Será assim, mas não no caso deles. Ou mentem quando se colocam em bicos dos pés, ou não têm a noção do lugar que ocupam – ou deviam ocupar – numa sociedade decente. Quando lhes tocam nos interesses são uns tipos como outros quaisquer: sindicalistas, grevistas, quais órgãos de soberania qual carapuça. Com a agravante de querer manter a sua dignidade soberana e dizer que é isso que querem defender. Por muitas razões que tenham (não duvido que os planos da geringonça metam o pé na poça), o direito à greve é coisa que não assiste à soberania ou aos seus titulares.

    Passam a vida a dizer que não são funcionários públicos. Terão razão. Então porque se comportam como tal quando acham que lhes convém? Estão escanchados: um pé de um lado outro do outro. Assim, à la carte.

     

    Agora, a situação é esta: mesmo que arrepiem caminho, o mal está feito. O direito ao respeito e à consideração social, como a dignidade, não são coisas que se recuperam de um dia para o outro.

     

    10.6.17  

  • SINAIS DO TEMPO

     

    Imagine-se o que aconteceria se, no tempo do governo legítimo, o dito anunciasse um corte de 35% nas despesas de saúde. Imagine-se. Os partidos da actual coligação espúria bramariam, que estava em causa a mais maravilhosa criatura de democracia, era a economia de casino, mais numa manobra das forças hiperultrasuperneoliberais, o domínio do capitalismo proto-fascista, a coligação europeia contra a soberania nacional, etc., blablabla. O camarada Arménio juntaria triliões de tipos com boinas do Che, com estrelas vermelhas na ticharte, com bandeirinhas e papeladas, toneladas de barbudos tonitruantes, tambores e gigantones, todo o folclore a que a Avenida está já habituada; a dona Travoila, acabada de sair do cabeleireiro, daria vinte e oito entrevistas; o Arménio, de palanque, denunciaria mais esta arrancada do imperialismo; no Porto, os Aliados regurgitariam de marxistas, de pategos e de meninas à procura de visibilidade, num nunca acabar de justa indignação; as televisões embandeiradas em arco, os politólogos a tecer condenações, os economistas a ulular teorias…

    Hoje, o suave senhor conhecido como ministro da saúde anuncia um corte de 35%. E então? Então, nada. Nem o Arménio, nem a Troila, nem o Jerónimo, nem as esquerdoidas, nada. Tudo sossegadinho, tudo em paz, tudo contente. Menos umas radiografias, menos umas cirurgias, menos uns transplantes, o que é que isso interessa desde que a coisa que temos como governo seja de esquerda?

    Só falta vir sua excelência elogiar mais esta grande medida de bom senso, cheia de conteúdo patriótico e bem marcante dos afectos que estão na base da actual portugalidade.

       

    9.6.17

  • EPITÁFIO E PROPOSTA

    É com o maior gosto que o IRRITADO vem pôr um ponto final na história do embaixador em Timor e às delirantes acusações da famosa da dona Gomes, cuja “sede de justiça”, ficou provado, não passa de reles manifestação de ódio primário, de perversão moral e institucional, bem como de raiva gratuita e histérica.

    Os pontos foram postos nos is, tanto das gomísticas “verdades”, como das patéticas lamúrias do senhor Duarte, dito Manuel Alegre, e ainda, gozo máximo, dos ditirâmbicos elogios que o senhor Baldaia, fiel à política que imprimiu ao DN, dedicou à “coragem” e ao “amor à verdade” da dona Gomes.

    O chamado primeiro-ministro, talvez para justificar a nomeação que fizera, investigou o que havia a investigar, e chegou à inevitável conclusão que todas as raivinhas da dona Gomes não passavam de mentirosas fabricações. Para um homem cujo amor à verdade causa dúvidas a muito boa gente, é de louvar que, por uma vez, a tenha respeitado. E até, imagine-se, teve a ombridade – ó espanto! – de elogiar o “elevado sentido de Estado” demonstrado, no caso, pelos partidos da oposição. Assinale-se.

    Esperemos que o esclarecer final deste tenebroso assunto sirva de epitáfio para a credibilidade da dona Gomes.

    *

    Já que o chamado primeiro-ministro teve esta inusitada arrancada, bem podia ter outra, de semelhante natureza: dar ordens ao burgesso que comanda o seu grupo parlamentar e preside ao seu partido, para dar o dito por não dito na história da dona Morais. Seria fácil, já que o tal burgesso deu ordens aos seus subordinados para não votar a proposta sem adiantar uma única razão ou argumento que passasse da chinela ou da pura birra.  

       

    9.6.17

  • DIPLOINTRIGALHADAS

     

    Não sei quem é o tal embaixador que foi despejado de chefe das secretas antes de ser chefe das secretas, tipo pescada, que antes de o ser já o era. Mas o caso é interessante e, pelo que é dado saber ao indígena, merece umas consideraçõesinhas (ou zinhas?).

    A coisa é mais ou menos assim; o homem era chefe de uma missão em Timor na altura do referendo, coisa que deu pancadaria da grossa. Aquilo aquecia a cada hora que passava, tornando-se quente demais para uma missão civil, desarmada e desprotegida. O homem, responsável que era por uma protecção que não tinha meios para assegurar, pediu que o mandassem de volta com a sua gente, deixando por lá um diplomata menor, protegido por três elementos do Grupo de Operações Especiais da polícia, os conhecidos GOE. Aumentada a tensão, parece que insistiu na necessidade da evacuação. A folhas tantas o MNE concordou e a malta veio embora.

    Anos passados, o chamado primeiro-ministro resolveu mandá-lo vir de Estocolmo (ou Oslo?), a fim de tomar conta das secretas. Como já escrevi, tal nomeação não é coisa que, vinda de quem vem, possa motivar a minha simpatia pelo homem. O que não me impede de achar que, no caso vertente, ele foi massacrado por uma das mais desagradáveis criaturas que vicejam neste jardim, a dona Gomes, senhora de instintos policiais e persecutórios da mais rebuscada natureza, capaz de cilindrar sem dó nem piedade quem não estiver nas suas boas graças.

    Ódios corporativos são, sempre foram, um hábito nacional, sobretudo em meios académicos, hospitalares, diplomáticos e outros, geralmente públicos. Daí a, praticamente, acusar o homem de traição à pátria, para gente do calibre da dona Gomes, vai um passinho. É uma evidência que, para quem se dê ao trabalho de ver certas coisas, as motivações da indivídua sejam claras. Devia ter em arquivo um assunto, este ou outro qualquer, para dar cabo do homem. Apareceu a ocasião, aplicou a pastilha, ao ponto de até o chamado primeiro-ministro se ter encolhido.

    Acontece que, como hoje li escrito pelo próprio, o senhor Manuel Duarte, dito Manuel Alegre, é nem mais nem menos que pai do diplomata menor que estava para ser “condenado” a ficar em Timor com os GOEs enquanto o resto da malta voltava a casa. O que muito acrescenta, em matéria de ódios em conserva, à hipótese que venho adiantando.

    Conheço não poucas histórias do género, algumas oriundas da diplomacia, onde poucos não são os casos de “queima” de colegas, ou para benefício próprio ou por simples gozo ou burocrática vingança. Ao mesmo tempo, é de ver, que se encobre o que, por grave que seja, não dá jeito ou não é “correcto” revelar.

    C’est la vie.

     

    8.6.17

  • NOTÍCIAS GERINGONCIAIS

     

    Dos telejornais:

    1. O terminal de cruzeiros de Lisboa ainda não está pronto, isto é, está atrasado um ror de tempo. Duas causas fundamentais: primeiro, a chuva; segundo a falta de cortiça para o betão (?). Num país em seca grave, é notável. No maior produtor de cortiça do mundo, é notabilíssimo.

    1. Por causa do Brexit e do terrorismo, a emigração para o Reino Unido caíu 5%. Nos ominosos tempos do governo Passos, todos os dias havia reportagens, lágrimas e abraços, sobre as multidões que fugiam deste jardim a sete pés. Agora, “virada a página”, com brexit e assassinos à solta, são só 95%. E ninguém dá por nada…

     

    7.6.17

  • VILEZAS

    O Pingo Doce resolveu dar uma oportunidade aos filhos dos seus funcionários. Consiste ela em pô-los a trabalhar no período de férias, se quiserem, como é evidente. Quarenta horas por semana,  500 euros por mês, mais subsídio de refeição, mais não sei quê. Tal foi sugerido por inúmeros trabalhadores da empresa que querem ver os filhos ocupados durante as férias, ganhar algum dinheiro e alguma experiência. Não há promessas de emprego, mas trambém não há exclusão de tal hipótese.

    Para uma pessoa normal, parece boa ideia. Não para o BE, que, indignadíssimo, resolveu, através de um palerma qualquer, vir protestar contra mais esta manobra do negregado patronato. Documentando o seu “raciocínio”, o burro atira-nos à cara com as mais rebuscadas burocracias, leis, decretos, regulamentos, portarias, avisos, autoridades, reguladores, entidades, etc., assim mostrando o seu ódio ao trabalho e a sua fidelidade às cartilhas do mais vil e mais tirânico socialismo.

    Não se sabe ainda qual será a reacção do chamado governo a mais esta manifestação de fúria anti-social dos comunistas do BE. Mas, a avaliar pelo que por aí corre, não será de admirar se os filhos dos trabalhadores perderem esta oportunidade de ganhar uns cobres.

     

    6.6.17   

  • CONTECAS

     

    As maravilhas da gestão Centeno, sob a alta direcção do chamado primeiro-ministro, cada vez se parecem mais com as do camarada Teixeira dos Santos sob a batuta do chamado engenheiro Sócrates.

    A conhecida prática da desorçamentação voltou aos procedimentos ditos governamentais, sendo de vaticinar, com foros de certeza, que terá resultados da natureza dos anteriores, isto é, que, mais tarde ou mais cedo, alguém – quem? – se verá a braços com as mesmas surpresas que vieram à tona depois das eleições de 2011.

    Olhem o tão proclamado programa Portugal 2020, cuja execução, segundo as fontes do costume, vai de vento em popa. Está a ser aplicado, nos projectos mais caros (os vinte mais caros, segundo o “Expresso”), na cobertura de despesas do Estado, quer dizer, não serve para acorrer à economia privada mas para atender às mais variadas clientelas do Estado. Até agora (Maio), são cerca de 1.000.000.000 (mil milhões!) de euros, de que muito se gaba o chamado respectivo ministro, gestor da coisa.

    Entretanto, debaixo do tapete, está a ser metido, em claro prejuízo da economia, o buraco da saúde. Totalmente fora de controle, cresce 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil euros) por dia, ou seja, cerca de 600.000.000 (seiscentos milhões) no ano, se não for mais, sendo de augurar as mais temíveis consequências. Neste caso, ainda por cima, é público e notório que o sacrossanto SNS todos os dias perde capacidades.

    O orçamento é quem manda, mais do que alguma vez mandou nos tempos da troica.

     

    6.6.17

  • COVFEFES

     

    Notável neologismo, este do covfefe. A começar pelo seu autor, o tramposo Trump, ninguém saberá o que quer dizer, se é que quer dizer alguma coisa.

    Mutatis mutandis, por cá temos o inigualável Centeno, nosso distinto covféfio. Ninguém sabe o que significava a recuperação da economia via consumo, já que, por unanimidade, se considera certo que se deu o contrário. Um covfefe. Ninguém sabe o que significava a recuperação via investimento público, já que toda a gente sabe que não houve investimento nenhum. Outro covfefe. Ninguém sabe o que queria dizer o reforço do Estado social, já que a saúde está como está e acumula dívidas à razão de um milhão por dia, o ensino vai pelo mesmo caminho, etc. Mais covfefes. Ninguém sabe o que queria o homem significar quando dizia que, via “virar de página”, a dívida do Estado se reduziria, já que toda a gente sabe do seu brutal aumento. Covfefes à fartazana. E a história do Centeno versus o-tipo-da-CGD-que-não-queria-declarar-o-património-e-acabou-por-atirá-o-à-cara-do-Centeno? Sabem o que queria o dito dizer com o bailarico das declarações sobre o assunto? Um série de covfefes?

    Algo me diz que estamos covfefados.  

     

    5.6.17

  • DELAÇÕES

     

    A delação premiada anda para aí a ocupar as mentes de tudo o que pensa, ou acha que pensa.

    Não tenho opinião. Sou contra bufos em geral, mas não sei se é a mesma coisa, ou parecido.

    Só um apontamentozinho sobre a delação em Portugal. Num caso verdadeiramente paradigmático, o das FP25, muita gente recordará que (após 17 assassínios…) os “arrependidos” (ou delatores…) foram de cana, ao mesmo tempo que os que não se arrependeram foram calmamente para casa. Destes, os que, entretanto, não morreram, continuam por aí, sossegadinhos e até prestigiados…

    Em Portugal, muita coisa funciona de pernas para o ar. Os delatores que se ponham a pau.

     

    5.6.17

  • COLEGAS E CAMARADAS

     

    Nos idos de 74/75, havendo, numa escola vizinha, um comício do MRPP, resolvi ir, com a minha mulher, ouvir o que os tipos tinham para dizer. Confesso que a nossa ignorância crassa sobre a linguagem nacional-maoista, pouco ou nada percebemos da “lógica” daquela malta. Uma gritatria dos diabos ao serviço das “ideias” era o sinal mais evidente de que estávamos perante algo de novo entre nós, algo que o golpe de 25 de Abril, abrindo os espíritos para coisas boas, também – não há bela sem senão – tinha despertado a mais rasca das porcarias intelectuais, morais e políticas – coisa que, aliás, não era, nem é, um exclusivo do MRPP.

    A certa altura, um dos “oradores”, depois de cuspir toneladas de disparates, gritou:

    – Camaradas, se soubéssemos que havia, nesta sala, algum burguês, que faríamos?

    A multidão ululou imediata e espontaneamente:

    – À morte! À morte!

    Seguiram-se palmas e berros. Nós, burgueses e pais de família, aproveitámos um momento de distracção daquele exército de tarados e, rabinho entre as pernas, demos às de Vila Diogo. Estávamos democraticamente esclarecidos.

     

    Várias e conhecidas personalidades dos dias de hoje foram proeminentes militantes daquela agremiação e admiradores incondicionais do camarada Arnaldo Matos, grande educador da classe operária – coisa a que nem eles nem o dito camarada jamais pertenceram. Evoluíram quase todos para regiões menos alegadamente “proletárias”. Lembro-me de um rapazito, meu familiar, que, com meia dúzia de anos de amadurecimento, chegou ao ponto de achar que o CDS era uma organização perigosamente esquerdista. Entre esta extremada posição e a fidelidade à esquerda, houve e há de tudo, do social-democrata Barroso à esquerdófila Ana Gomes, a lista é vasta e rica de opções.

    É a propósito desta última que venho à liça. Poucas pessoas nesta terra serão tão desagradáveis como esta senhora, sendo de estranhar que tenha chegado onde chegou na carreira diplomática. Ficou-lhe, da juventude, o odiento espírito da canalha que nos ameaçava de morte, a fúria, os sentimentos, a expressão que, a propósito e a despropósito, vai exibindo e aplicando, e até alguma violência propriamente dita que já fez vítimas, ainda que com relativamente inócuas consequências.

    Não conheço de partíssima nenhuma o diplomata que a geringonça decidiu nomear chefe das secretas. Não sei se o fulano se pirou de Timor ou recebeu ordens para o fazer. Francanente, é coisa que não me interessa. Não sei se merece o lugar ou não merece o lugar. O que sei é que está metido na zona de ódio da dona Gomes, coisa terrível de acontecer a qualquer mortal. Com algumas noções sobre o clima de “amizades” vigente cá na terrinha, sobremaneira na função pública, imagino as teias de invejas, de traições, de “chega-te para lá”, de denunciazinhas e de outras demonstrações de “espírito de corpo” de que o tal diplomata é objecto por parte da colega.

    Como disse, não o conheço nem sei quem é. Ser nomeado pelo chamado primeiro-ministro não é , na minha opinião, coisa que abone em seu favor.

    Mas, dada a fúria assassina contra ele movida pela dona Gomes, aqui lhe expresso alguma solidariedade.

     

    4.6.17

  • PAX IBERICA

    Há uma cena que me tem feito grande confusão: a do caso da central de Almaraz, a 100 quilómetros da fronteira, com larga repercussão pelo país fora, e até ao Terreiro do Paço. É que não consta que, num raio com os mesmos 300 quilómetros haja a indignação, o medo, o burburinho de que, por cá, os zelotas e os fariseus do costume, devidamente seguidos pelo chamado governo, têm dado largas. Também não consta que, por exemplo em França, onde há mais de 50 centrais do género, tenha havido algum 14 Juillet a tal respeito, zelotas excluídos, claro. O mesmo por aí fora, em geral em países onde a energia á mais barata e mais eficaz.

    Há dois argumentos fundamentais para o tremebundar das gentes: o primeiro é Chernobyl, onde as culpas vão para a central, a fim de absolver a esmagadora incompetência dos sovietes; o segundo é Fucuxima, onde as culpas também vão para a central, não para o bem amado planeta que resolveu dar cabo de vastos quilómetros quadrados.

    Portugal, o maior, sempre à frente no politicamente correcto, anda orgulhosamente a pagar as incalculáveis facturas das renováveis, com evidentes consequências na economia do país e na vida de cada um. Que interessa? Somos objecto de rasgados elogios por quem não paga tais facturas. Somos os melhores do mundo, como diz Sexa!

    Facto é que, como é do conhecimento geral, o chamado governo entrou, frenético e galaró, na luta contra um armazém de lixo que os hermanos vão construir em Alamaraz. Após uns episódios ridículos e humilhantes, acabou, como era de prever, com o rabinho entre as pernas. Agora, anda a passear o senhor Rajoy no Douro, com copos e jantaradas (quanto custa a brincadeira?).

    É claro que o dito senhor aceitou tais honras imperialmente, isto é, fez constar que Almaraz não era assunto e que, se queriam conversa, o rabinho devia continuar entre as pernas.

    E tudo acabou na mais doce Pax Ibérica. Um consolo.

     

    2.6.17

  • DA DESCOBERTA DA PÓLVORA

     

    Depois de auspicioso arranque (fórmula 1, aviões verticais, coisas várias), o autódromo do Estoril  viu-se reduzido a treinos, festividades, brincadeiras e pouco mais. Por culpa de todos e de ninguém, nunca foi conseguida uma exploração que, além de rentável, cobrisse o gigantesco buraco que o investimento abriu. Se calhar porque não havia por cá quem soubesse promover a barulheira.

    Daí, as maiores confusões, com a Câmara, a dona Pires da Silva e o seu rebento, o Turismo, o Estado, os bancos, o diabo a quatro, tudo à bulha. Até que, como não podia deixar de ser, o elefante branco foi “escriturado” numa das múltiplas empresas públicas que por aí vegetam a encanar a perna à rã. Não sei quantos episódios teve a novela, mas sei que foram muitos, sem que ninguém gorasse qualquer espécie de solução.

    Até que… até que uma proeminente socialista, de sorriso tão pretensamente encantador como assaz desagradável, descobriu a pólvora, o milagre, a salvação da Pátria, isto é, do autódromo. Quem diria? Uma pianista fórmula 0,5.

    Segundo é legítimo pensar com foros de derradeira verdade, dona Gabriela reuniu a equipa de juristas do Largo do Rato e encomendou-lhes um esquema infalível, claríssimo, incontrovertível. O Diário de Notícias, venerador e obrigado, publicou a maravilha com as devidas honras.

    O indígena acredita tanto na solução apresentada como no sol da meia noite no Equador.

    Adiante. A senhorinha é candidata à Câmara de Cascais e, sem o declarar, passou a comentadora desportivo-financeira, o que a levou, naturalmente, a tecer as mais rasgadas críticas ao responsável de tudo e mais alguma coisa, o seu adversário do PSD. Sim, meus senhores, entre os variadíssimos candidatos a culpados da situação (onde não constam os Judas, as Helenas, os Capuchos, os Rosas, os Dargents, etc.), o culpado eleito é o Carreiras, um tipo horrível a tentar esquemas fraudulentos, ilegais e outras coisas mais. Nem governos, nem privados, nem autarcas outros, ninguém: o Carreiras sozinho, portador e impulsionador de todos os males.

    É o geringoncial critério em versão jurídico-rasca.

    Mas, convenhamos no que é sabido, façamos justiça: em corridas de automóveis, Canavilhas não tem rival! Auguremos-lhe a tunda eleitoral que merece.

     

    1.6.17

  • REDUNDÂNCIAS

    Parece  que uma senhora anafada, ao que consta secretária de estado da educação e, ao que é legítimo pensar, especialista em estatizações, vai fechar 268 turmas do ensino privado no ano lectivo 17/18. Isto deve-se ao facto de a PGR lhe ter dado com os pés numa série de critérios. Caso contrário, a dita senhora, dona Alexandra Leitão, teria fechado muitas mais, virtualmente, ou tendencialmente, todas. É d’homem, perdão, de mulher!

    Mas, desculpando-se de ter fechado tão poucas turmas, insinua que a culpa é da PGR.

    Mais informa, e aqui é que bate o ponto, que a sua heróica decisão (fechar as tais 268 turmas) vai significar uma “poupança” de 21,5 milhões. Tal poupança quer dizer que os privados que tinham contrato recebem menos essa importância, mas não significa que o Estado a poupe, a não ser que a senhora ache que os alunos que passam para o público ficam de borla, ou seja, que o Estado, ou os manda para casa ou não gasta um chavo com eles, o que é notabilíssimo.

    Pondo o assunto como deveria ser posto, havia que fazer a diferença: abater às poupanças o que as tais 268 turmas vão custar ao Estado. Algo me diz que estaríamos perante uma enorma surpresa.  Deve ser por isso que a dona Alexandra põe tais contas (que devem existir) debaixo do tapete, a fim de não impressionar o indígena.

    Registe-se ainda o lamento da chamada governante quanto à redondância, com licença, redundância: diz ela que meia dúzia das turmas ora “autorizadas” são redundantes.

    Uma opinão do IRRITADO: redundantes são as públicas. E um conselho: fechem-nas. Aí pouparão de certeza.

    A título informativo, diga-se que é intenção da nobre criatura, para 18/19, acabar em defintivo com os contratos. A geringonça nos caminhos do sovietismo.

     

    30.5.17

  • UM SOCIALISTA ILUSTRE

    Parece que há uns tipos do PSD que, num lampejo de génio, descobriram que um tal Carlos César, presidente do PS, é um carroceiro, um trauliteiro, e outras coisas que o IRRITADO pede licença para reduzir a uma: besta, o homem é uma besta.

    Há anos que se sabe disto, das cavalidades e ordinarices que são a substância do seu “pensamento” político, da sua “cultura” e da sua maneira de estar. Também se sabe que não hesitou em arruinar os estaleiros de Viana do Castelo ao recusar um navio que dava menos 2 nós de velocidade do que o que estava no caderno de encargos. Não negociou, sequer, um desconto ou coisa que o valha. Não. Foi gastar o dinheirinho dos açoreanos (e dos continentais!) a alugar, na Grécia, por fortunas, uns barquecos que por lá estavam encostados. Cheirou a esturro, mas ninguém deu por nada. Por cá, uma data de gente no desemprego e um berbicacho que parece ainda não ter acabado. Além, é claro, de umas dezenas milhões para o caixote.

    Atento aos feitos deste abrutalhado burgesso, o chefe da geringonça decidiu presenteá-lo com a presidência do partido e a batuta do respectivo grupo parlamentar. Nisto, surpreza não há, é coisa própria de quem decidiu e de quem foi objecto das decisões.

    Surpreza foi ver como o assunto foi “ultrapassado” e a sua origem abafada. Ainda pior, que só agora apareçam uns rapazes do PSD a morder as canelas do fulano. Onde estavam quando a bronca estalou? E, já agora, onde estavam os camaradas do BE e do PC quando, por obra e graça deste artista, umas centenas de trabalhadores foram à vida?

     

    26.5.17