IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA DESCOBERTA DA PÓLVORA

 

Depois de auspicioso arranque (fórmula 1, aviões verticais, coisas várias), o autódromo do Estoril  viu-se reduzido a treinos, festividades, brincadeiras e pouco mais. Por culpa de todos e de ninguém, nunca foi conseguida uma exploração que, além de rentável, cobrisse o gigantesco buraco que o investimento abriu. Se calhar porque não havia por cá quem soubesse promover a barulheira.

Daí, as maiores confusões, com a Câmara, a dona Pires da Silva e o seu rebento, o Turismo, o Estado, os bancos, o diabo a quatro, tudo à bulha. Até que, como não podia deixar de ser, o elefante branco foi “escriturado” numa das múltiplas empresas públicas que por aí vegetam a encanar a perna à rã. Não sei quantos episódios teve a novela, mas sei que foram muitos, sem que ninguém gorasse qualquer espécie de solução.

Até que… até que uma proeminente socialista, de sorriso tão pretensamente encantador como assaz desagradável, descobriu a pólvora, o milagre, a salvação da Pátria, isto é, do autódromo. Quem diria? Uma pianista fórmula 0,5.

Segundo é legítimo pensar com foros de derradeira verdade, dona Gabriela reuniu a equipa de juristas do Largo do Rato e encomendou-lhes um esquema infalível, claríssimo, incontrovertível. O Diário de Notícias, venerador e obrigado, publicou a maravilha com as devidas honras.

O indígena acredita tanto na solução apresentada como no sol da meia noite no Equador.

Adiante. A senhorinha é candidata à Câmara de Cascais e, sem o declarar, passou a comentadora desportivo-financeira, o que a levou, naturalmente, a tecer as mais rasgadas críticas ao responsável de tudo e mais alguma coisa, o seu adversário do PSD. Sim, meus senhores, entre os variadíssimos candidatos a culpados da situação (onde não constam os Judas, as Helenas, os Capuchos, os Rosas, os Dargents, etc.), o culpado eleito é o Carreiras, um tipo horrível a tentar esquemas fraudulentos, ilegais e outras coisas mais. Nem governos, nem privados, nem autarcas outros, ninguém: o Carreiras sozinho, portador e impulsionador de todos os males.

É o geringoncial critério em versão jurídico-rasca.

Mas, convenhamos no que é sabido, façamos justiça: em corridas de automóveis, Canavilhas não tem rival! Auguremos-lhe a tunda eleitoral que merece.

 

1.6.17



3 respostas a “DA DESCOBERTA DA PÓLVORA”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Durante a minha adolescência, por algum motivo até agora inexplicável, a TV parecia estar sempre a dar Fórmula 1. Claro que não era sempre, mas parecia ainda assim algo constante, despropositado, excessivo para o pseudo-desporto mais inútil e enfadonho do mundo. Era tal a seca que, sem ligar peva àquilo, ainda hoje sei os nomes dos pilotos: Alain Prost, Nigel Mansell, Gerhard Berger, etc. Alguns anos depois, pareceu desaparecer da TV… ou então passei a ver ainda menos TV, daí pensar que sim. Pois agora, ao ler o post do Irritado sobre o autódromo, fez-se luz: devia ser por isso a febre da Fórmula 1. O circo vinha cá, era mais um parolo motivo de orgulho nacional. Quando o circo se pirou, o amor arrefeceu. Eu tenho solução para o autódromo: rebentar com ele. Sempre foi um disparate, como todos os autódromos. Qual é a solução da chuleca Canavilhas? Como é habitual, o Irritado não diz. Não que importe.

    1. Estou consigo, só os meus nomes são diferentes, já todos a fazer tijolo: Fangio, Bonetto, Ascari… E não havia TV, nem autódromo. As corridas eram no Monsanto, com passagem pela auto estrada e voltinhas pelas estradas fora. A malta ia, de borla, para a serra, via passar os bólides, às vezes até dava para falar com os heróis que paravam na estrada com tosse na máquina. Havia ultrapassagens e reviravoltas. Isso morreu. A verdade é que, hoje, se calhar já não achava piada. V. tem toda a razão: a F1 é uma chatice de todo o tamanho. Mas, a coisa bem trabalhada por quem sabe, movimenta multidões e milhões. A solução da rapariga (DN de ontem) é mera sacanice eleitoral, tão eficaz como os anteriores. O problema não é o de encontrar uma solução jurídica, mas o de convencer os profissionais daquela poda de que aquilo tem algum futuro.

      1. “… convencer os profissionais daquela poda de que aquilo tem algum futuro”. É assim que pronuncia o “f”?

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