IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • A CAMINHO DE CACILHAS

     

    Dona Inês é filha de um senhor de nome Vitorino de Almeida e de uma senhora Ferreira Esteves. No entanto, por artes que escaparão aos genealogistas, chama-se Medeiros. De Medeiros. Não se sabe se renegou os pais, se optou por apelido mais “nobre”, se foi uma questão de marketing, se outra coisa qualquer. Facto é que tem uma mana especialista em cenas ousadas que também é “de Medeiros”, o que leva a crer numa doce e fraterna opção das duas, já que há uma terceira que não entrou na jogada e se chama, com toda a propriedade, Vitorino de Almeida.

    Enfim, diz-se que, em matéria de nomes, não deve haver mexericos nem críticas. O que acima vai não é nem mexerico nem crítica, só curiosidade.

    A celebridade de dona Inês ficou a dever-se a uma história picaresca. A senhora, deputada socialista,foi, durante meses, passar os fins de semana a Paris por conta da Assembleia da República. Houve uns invejosos que denunciaram o esquema, e dona Inês viu-se coagida a comprar bilhetes de avião com os seus dinheiros. Uma injustiça, como é evidente. Em contrapartida, a coisa deu-lhe celebridade. Quem sabia quem era tal cidadã antes das viagens a Paris?

    De tal maneira ficou célebre que o PS a candidatou à Câmara de Almada, evidentemente para perder. Mas ganhou. Parece que os almadenses estavam maioritariamente fartos do PC, o que é natural.

    Meia aparvalhada com a vitória, resolveu a senhora dar uma de popularucha declarando que vai passar a ir para o trabalho de cacilheiro, eventualmente a fim de fazer esquecer as passeatas até Paris. Muito bem, até porque, é de ver, o Mercedes da Câmara a esperará em Cacilhas.

    Mas… há sempre um mas, não é? A declaração de dona Inês acaba assim: “se me deixarem”, o que aponta para a hipótese de, por iniciativa de terceiros mal intencionados, o Mercedes a vir buscar a Lisboa.

    Boa boleia.

     

    8.10.17

  • 5 DE OUTUBRO

     

    Debaixo de um toldo, que o Sol está forte, a nata do regime (obrigação sem devoção, só miufa) juntou-se na Praça do Município. Houve cavalos e bandas, trombetas e trombones, bandeiras e discursos. O tenebroso Medina fez exigências, mais “competências”, mais dinheiro. O senhor de Belém deu as costumeiras dicas, consensos e outras patrióticas balelas, copiosamente comentadas por quem vive de comentar.

    Malta, zero. Uns turistas a passar, meia dúzia de mirones, foi o resto, a mostrar a consideração das pessoas pelo 5 de Outubro e pelas nossas três brilhantes repúblicas: 16 anos de balbúrdia, perseguições e bombas, 40 de polícia política, censura e estagnação, outros 40 com três resgates socialistas, a culminar na geringonça.

    Comemorar o quê?

     

    6.10.17

  • BATER RECORDES

     

    Várias marcas nacionais têm sido batidas nos últimos dias.

    1.Devidamente abafada pelos serventuários dos media, chegou a notícia da dívida do Estado: os 250.000.000.000 foram, finalmente, ultrapassados. Um feito notável, que muito deve orgulhar os adeptos.

    2. Entretanto, a Comissão Europeia anunciou que o Estado geringonço é um dos mais notáveis caloteiros da praça continental. Assim: os prazos para os pagamentos do Estado, segundo as normas, devem fazer-se a 30 dias, ou até 60 em casos excepcionais. Acontece que o Estado geringonço paga, em média, a 300 dias, quando paga. Os tipos de Bruxelas não gostam, e ameaçam com os tribunais. A tão elogiada economia sofre, as empresas não recebem a tempo, são involuntários financiadores do chamado governo, mas não se fala nisso, impera o medo ou a subserviência. Nesta matéria, também batemos recordes. Que orgulho, meus senhores, que orgulho.

    3. Outra importante notícia foi a da monumental derrocada do ensino básico. Os meninos chegam ao oitavo ano sem saber ler nem escrever, ou sem perceber o que lêem. Não sabem fazer contas, nem que a Terra anda à volta do Sol. Dois anos de geringonça, com o rapazola barbaças a mandar na coisa: eis os resultados. Segundo o chamado governo, a culpa é dos professores, coitados, que precisam de “formação”. Nada a ver com o “virar de página” do poder de esquerda, como é evidente. Resumindo, mais uma marca batida.

    Gaudeamus.

     

    6.10.17

  • QUEM SE METE COM A CONSTANÇA…

     

    Há um ano, nos dourados salões do poder, na augusta presença do chamado primeiro ministro e perante luzida multidão de áulicos, chefes de coisas várias, gente importantíssima,  deu a intragável Constança posse a uma senhora que, segundo os discursos, era a mais competente, a mais adequada, o máximo para chefiar o SEF. Houve abraços e beijos, elogios à fartazana, promessas e compromissos, palmas a rodos, só faltou a GNR a cavalo, com tímbales e charamelas.

    A tão elogiada senhora foi anteontem posta na rua, sem mais nem menos, pela intragável rapariga. Razão da discórdia, a aplicação da lei celerada da geringonça sobre o asilo a estrangeiros, albergando-os desde que providos de uma carta de intenção. As máfias do comércio de carne humana, as redes terroristas e outras nobres instituições escrevem uma cartinha a dizer que o Abdula é um gajo porreiro e que, se aparecer por cá, será possível arranjar-lhe um tachinho qualquer. Perante tão transparente e humanitária intenção, o SEF passa a ser obrigado, sem mais aquelas, a receber o Abdula de braços abertos. Mais uma inteligentíssima iniciativa do BE, entusiasticamente votada pela geringonços e afectuosamente promulgada pelo senhor de Belém, contra o bom senso e as normas europeias aplicáveis. Mais razões: as bocas da Constança eram todas falsas: nem mais agentes, nem mais meios, nem nada que se parecesse. O SEF, como é público e notório, anda sem eira nem beira. Nestas circunstâncias, em vez de se cortar a cabeça à Contança (o que desde há muito se justificava), cortou-se a cabeça à outra.

    É assim a geringonça, especilista em passa culpas, mestre na arte de  sacudir a água do capote, rápida em acusar terceiros dos males que causa.

    Dona Constança é, afinal, uma boa aluna do Costa, da Catarina e do Jerónimo, está ao nível deles, por baixo que seja. Em vez de se demitir, demite terceiros. Vergonha, dignidade, responsabilidade, são defeitos que não tem.

     

    6.10.17

  • O GRANDE GANHADOR

     

    Um plumitivo com altas responsabilidades na nossa praça dizia hoje que as eleições foram dois pesadelos para o senhor de Belém.

    Engana-se.

    Primeiro: o referido senhor viu realizado nestas eleições um dos seus mais queridos sonhos, isto é, viu abrir-se o caminho para o fim de Passos Coelho como líder do PSD. Querem mais? Pesadelo ou vitória?

    Segundo: outro grande objectivo conseguido, a estabilidade da geringonça ou, se o PC for suficientemente esperto para borregar, a vitória do PS em legislativas antecipadas com o triunfo final do seu protegido Costa. Querem mais? Pesadelo ou vitória?

    No sossego de Belém, o mais vitorioso de todos.

     

    3.10.17

  • A ESMAGADORA VITÓRIA

     

    Toda a gente criticou Passos Coelho por falar de política nacional, não autárquica, durante a campanha. A mesma gente, toda, depois das eleições, não fala doutra coisa que não seja a política nacional.

    Façamos a vontade a toda a gente e vamos ver o resultado, numa perspectiva nacional:

    1. A abstenção, no continente baixou 2,4%, na Madeira 1,7% e, nos Açores subiu 0,6%
    2. No continente, o PS teve 38% dos votos, o centro-direita 31,7%
    3. Nos Açores, o PS teve 45% dos votos, o centro-direita 45,2%
    4. Na Madeira, o PS teve 27,9%, o centro-direita 43%

    Portanto:

    1. Não se vê onde pode estar a “sensível” e tão celebrada queda da abstenção
    2. Não se vê onde está, a nível nacional, a “esmagadora” vitória do PS?

    O cenário autárquico é diferente, mas não muito diferente do que foi há 4 anos, quando o Seguro pagou com a “vida” a vitória que teve. Se a vitória lhe mereceu a defenestração, que fazer, em boa coerência, com a vitória do Costa? Não digo que se corra com o ele, mas sublinho que o foguetório é um exagero, que se compreenderá por parte dos pêèsses, mas não tanto da cáfila interna do PSD.  

    Abreviando, quem não for geringonço que não se deixe abater. Bastará olhar com olhos de ver e ouvir com ouvidos de ouvir a trindade que ontem nos foi oferecida (o sapo dos Açores, a pérola do Industão e a bruxa de Setúbal) para ter uma noção da fealdade e da fantasia imperante.

     

    2.10.17

  • COMEMORANDO A VITÓRIA

     

    Seria mais ou menos meia-noite quando, num restaurante da Pontinha, se reuniu o núcleo duro dos vitoriosos. Para uns, foram seis anos de luta sem quartel, para outros menos tempo, mas de combate constante e bem trombeteado pelos media.

    Correu o espumante, os camarões com alho, as palmadas nas costas. Dos convivas, destacou-se, radiante de alegria, peruca pintada de fresco, dona Manuela: foi um trabalho duro, diário, muito estudo, muito pensamento, muita boca demolidora, mas, finalmente, ganhámos; e eu, eu fui a primeira a exigir a queda do rapaz, hi, hi, cá se fazem, cá se pagam. Marques Mendes até parecia mais crescido: um trabalhinho dos antigos, bem informado, sério, assertivo, fui uma espécie de exterminador implacável, falinhas mansas mas eficazes, lá para os lados do Restelo, não é, enfim, estão a perceber, há alegria, por aqui também, até que enfim! Pacheco, cofiando as melenas mal lavadas, sorria, mais um copo, voz profunda: sem desprimor para com o vosso trabalho, deixem-me dizer que sou o maior, foram anos a escarafunchar na TV com a ajuda do Jorge e do Xavier, e nos jornais, por toda a parte onde a minha gigantesca influência se manifestou, aguentei firme, tenho direito a louros, mais um camarãozinho, saúde!

    Saúde, chin chin, cheers!

    Do Norte chegou um telegrama do Rio, muito aplaudido. O Sarmento apareceu e foi recebido com todas as honras: levaste o teu tempo mas entraste a horas, disse o Mendes, à tua!

    A notícia correu. À porta da Maviosa da Pontinha juntou-se um triunfal magote de outros vencedores, ou pretendentes a tal, acompanhados por uma delegação de ratazanas da campanha do Medina. Eu também me fartei de ratar, dizia aquele do programa da Teresa Coelho; e eu, eu que até escrevi coisas no Sol, cá estou, glória para todos, vae victis!

    Pacheco mandou distribuir imperiais. O magote rejubilou, viva nós, viva nós!

    Fazendo o resumo da reunião, dona Manuela tomou a palavra. A verdade, disse, é que aprendemos umas coisas com o Costa, mas ele, reconheçamos, foi mais rápido. Em três penadas deu cabo do Seguro e, com outras três, fez-se com o inimigo e até mostrou que isso de ganhar eleições é pormenor; é vê-lo por aí como um lorde. Nós levámos mais tempo, foi um trabalho se sapa, de persistência, mas, como é evidente, de uma eficácia a toda a prova; chegaremos ao topo, a casa vai ser limpa, arejada, pintada, e quem vai mandar somos nós!

    Entre frenéticos aplausos, a senhora foi levada em ombros até ETAR mais próxima, onde o Mexia, emissário do palácio fluvial, a veio confidencialmente cumprimentar.

     

    2.10.17

  • EIS A QUESTÃO

     

    Ouvi dizer que Sua Excelência o Presidente da III República, aqui maldosa e abusivamente conhecido por chairman da geringonça, apelou ao voto dos portugueses (em linguagem correcta dir-se-ia “dos portugueses, das portuguesas e dos/as/es LGBTGTXPLOCS++”) nas eleições autárquicas.

    A impenitência herege e iconoclasta que pratico nestas páginas levou-me a pensar em não ir. O apelo do senhor, como tudo o que diz e faz, traz água no bico. Desconfiei: se ele manda ir, não vou. A coisa tem a sua irrefutável lógica.

    Mas a minha alta consciência cívica – ou outra coisa qualquer, talvez um hábito inveterado, uma rotina de décadas – foi mais forte. Votei, e logo de manhã! Muito contente, voltei a penates a fim de dar parte ao mundo da minha corajosa decisão.

    Pensando a realidade, há uma coisa muito mais importante que as eleições neste belo dia de serôdio Verão. O que, no fundo, preocupa os/as portugueses/as (…etc.) é o joguinho da bola entre o Porto e o Sporting. A malta, na bicha para os votos, estava distraída com tal e tão vital questão, o que, no douto parecer da CNE, pode prejudicar, e até infirmar, o resultado final do importantíssimo acto. Toda a razão. Os portistas, em vez de votar esclarecidos, estão a pensar no guru Pinto da Costa, os sportinguistas no tão delicado Bruno, os benfiquistas no Deus queira que empatem, assim perturbando a expressão correcta da vontade eleitoral de cada um.

    Posto este senão, tudo vai correr com a maior normalidade, como é timbre de democracias adultas, caso da III República, não é? À noite, teremos as eleições a perturbar a academia da bola, os professores doutores do pontapé serão prejudicados nas suas “análises” pelos colegas do comentário político, em sã competição por audiências televiso-intelectuais. Vai ser uma noite em cheio. Quem ganhará, os professores da bola ou os académicos das bocas? Eis a questão.

     

    1.10.17

  • OS PRETENDENTES

     

    A cáfila de “militantes” que se acotovela por aí a ver quem é capaz de fazer ao Passos o que o Costa fez ao Seguro, tem, segundo as notícias, o seu mais alto representante no antigo vice-rei do Porto, eterno ex-candidato a candidato, o senhor Rio.

    Ao longo dos últimos dez dias, tal senhor foi notícia: andava, ele e o seus sequazes, a percorrer o país de lés a lés, fazendo campanha. Não houve jornal que não o dissesse, que não contasse os avanços de tão distinta personalidade a caminho da gloriosa chefia do partido. Vendo isto, diversas outras criaturas (Morais Sarmento, Relvas, mais um rapazito cujo nome me escapa mas, dizem, é arauto de Belém, e outros) saltaram para a carripana e vai de cooperar na operação. Numa rápida “análise” diga-se que estes rapazes sabem que se o Rio ganhasse era por pouco tempo e, assim, ficavam eles na calha para os altos voos a que aspiram. Mera especulação, é claro.

    O mais interessante, e muito nos diz sobre a personalidade do concorrente em apreço, é que o próprio garante que não fez nada: não tem reunido com adeptos, não fez jantares nem almoços, nunca foi dar voltas pelo país nem outros o fizeram por ele, acha que não é o “momento”, e garante jamais ter, no caso, mexido uma palha. É tudo fantasia dos jornais, notícias “plantadas”, aldrabices, fotomontagens, intrigas, informações insubstantes.

    Ficamos devidamente informados, não é?

     

    29.7.17       

  • QUEIXINHAS

     

    Não sei se há cartel a funcionar nesta história dos preços dos combustíveis. É de crer que os gasolineiros estejam todos feitos uns com os outros, mas também é possível que circunstâncias semelhantes provoquem preços parecidos. Isto digo eu, que não percebo nada do assunto e me limito a pagar e não bufar.

    Ora bem. Parece que a coisa a que por cá se chama governo está como eu: não sabe nada do assunto. Tem à sua disposição um sem número de agências, reguladores, entidades, autoridades, o diabo a quatro, tudo pago a peso de ouro. Pois não há nenhum que não esteja de acordo com a governamental coisa, isto é, que saiba do assunto. Disseram-me que até há uma “autoridade” para tratar dos combustíveis, outra para tratar da concorrência, e mais não sei quê. Mas, sobre sobre preços, cartéis, etc., ninguém sabe nadinha.

    A prová-lo, a coisa chamada governo foi fazer queixinhas a Bruxelas: façam VExas o favor de investigar o cheirinho a trafulhice que anda por aqui; a malta desconfia, mas, como somos totalmente ignorantes nesta como noutras intricadas matérias, pedimos ajuda. Queiram fazer o favor de investigar. Vai daí, os bruxeloides responderam: vão dar uma curva, nós por cá não temos nada com disso, nem vocês foram capazes de fazer um requerimento devidamente informado. Boa tarde.

    Uma lição haverá a tirar deste tão interessante episódio. O governo, se existisse ou valesse um caracol, podia aproveitar para poupar uns tostões. Mandava para casa os alegados reguladores, com um elogio no diário oficial a fim de não chamuscar ninguém. Com as centenas de salários que deixavam de pagar a tais inúteis, se calhar podiam poupar-nos um centimozinho nos preços dos combustíveis.

    Por outro lado, dada a generosa preocupação com os nossos bolsos governamentalmente mostrada, talvez fosse de mexer nos impostos dos produtos petrolíferos. São eles, de longe, o mais violento item nos preço em causa. Aqui, porém, quietinhos, que isso de baixar impostos não se coaduna com os exigentes princípios da geringonça.

     

    29.9.17

  • SIMPLOX II

     

    O ódio é mais forte que a boa educação, sobretudo quando revela a natureza rasca de quem o sente. Prova disso é a reacção do chamado ministro das finanças à justíssima observação do governador do BdP sobre a governamentalização dos bancos centrais.

    Quando da publicação do estudo sobre a supervisão bancária, fez o IRRITADO a mais óbvia das observações: o intricado e complicadíssimo sistema ora proposto não passa de uma forma sibilina de pôr fim a qualquer sombra de supervisão bancária independente e de a colocar inteirinha nas mãos do executivo. O chamado governo passa a dominar o BdP e, por essa via, a sacar de lá cada vez mais dinheiro e, tão importante como isso, a dominar todo o sistema bancário. Tudo ao contrário da letra e da prática de todos os sistemas civilizados.

    O governador do BdP é um dos ódios de estimação (a par da PT, do SIRESP e de outros bodes expiatórios) do chamado primeiro ministro e do seu alter ego Centeno. Os inimigos externos são essenciais a qualquer poder com tendências totalitárias.

    Ficou isto bem claro na forma imprópria, desabrida e carroceira como o chamado governo “comentou” a opinião de Carlos Costa, dando à casca de maneira a destapar a sua verdadeira natureza.

    Que fique devidamente registado.

     

    26.9.17

  • O AVÔ DA GERINGONÇA

     

    É facto indesmentível que o camarada Costa foi chamado ao galarim da política através do inestimável favor que lhe foi feito pelo incrível Marques Mendes quando tirou o tapete ao Carmona Rodrigues e assim estendeu a passadeira vermelha da CML ao Costa, até então mais ou menos ignorado aparatchik do PS.

    O fulano aproveitou e, dado o jogo de cintura que lhe é reconheceido, usou o trampolim com unhas e dentes, “acusou” o Seguro de ter ganho duas eleições seguidas, depois defenestrou-o por “fracos resultados” e, como é sabido, perdeu as primeiras eleições a que se apresentou. Porém, dada a sua elevada estatura moral, não hesitou em recorrer aos que o seu partido sempre considerara exteriores à democracia e traidores à União Europeia (PC+BE), para se alcandorar ao poder. Uma vez no poleiro, como não há quem não saiba, seguiu dois caminhos, um, o de proteger e alimentar a sua clientela nas fronteiras do Estado, outro, o de o seguir os passos de Passos no que à UE diz respeito. Apesar da retoma europeia e do boom do turismo, conseguiu diminuir o crescimento económico, primeiro para menos que em 2015, depois para níveis ridículos se comparados com os demais países. Pelo caminho, aumentou brutalmente a dívida, acabou com o investimento e conteve o défice. Tudo isto no meio de uma fantástica campanha de publicidade, só prejudicada pela vasta incompetência e inata irresponsabilidade que grassa nas suas hostes, factos bem visíveis, por exemplo, nos casos dos incêndios e de Tancos.

    É a política de Sócrates, se descontarmos as obras públicas deste. Levará, pelo menos, a resultado parecido com o que já é tradicional na política do PS, consubstanciada esta, até agora, em três lindos resgates-três.

     

    Pode dizer-se que Marques Mendes, hodierno canal oficioso do chairman de Belém e seu sucessor em bocas, é o avô desta coisa toda. Devemos-lhe isso, julgo que mais nada. Mas não interessa, a memória é curta e vale mais ser engraçado do que ter graça.

     

    25.9.17

  • VELHAS NOVIDADES

     

    Verdadeiro ou falso, rascunho ou não, vindo de onde tenha vindo ou de parte nenhuma, o relatório ontem publicado pelo Expresso sobre as actividades do chamado ministro da defesa no âmbito do roubo de Tancos não traz nada de novo.

    Não há quem não saiba de ciência certa que a criatura geriu o assunto “com ligeireza imprudente” e que proferiu “declarações arriscadas e de intenções duvidosas”.

    O relatório não refere nada que não esteja provado através das bojardas que o senhor Lopes tem proferido dia sim dia não: foi uma coisa gravíssima, trata-se de um enorme perigo para a nossa segurança, era tudo sucata, não tinha importância nenhuma, as armas se calhar nem estavam no paiol, estavam à espera de abate, sou responsável, não sou responsável, etc.. Cereja em cima desta porcaria, o indivíduo sente-se levado a chegar à conclusão que, afinal, não houve roubo nenhum, conclusão óptima para lhe limpar a consciência, se a tivesse, mas que não sossega mais ninguém.

    Seja quem for que escreveu o relatório, há que reconhecer que se trata de pessoa tão caridosa e amiga que poupou o indivíduo aos adjectivos que ele e a sua actuação merecem: incompetente, mentiroso, salta-pocinhas, ignorante, taralhoco, dito por não dito… atrapalhação, ausência de qualquer sentido de resposabilidade e de respeito pelos cidadãos. Sejamos também caridosos, ainda que não amigos, senão…

    Não sei se o tal relatório, existente ou não, se refere também ao comportamento de dois generais que até na república das bananas já teriam, pelo menos, passado à reserva. Sendo generais da geringonça compreende-se, não é?

    Substancialmente, nada de novo. No parecer de “quem de direito”, porém, o pobre do ministro foi objecto das mais hediondas atoardas, ínsitas no tal relatório que nunca existiu.

    Verdade verdadinha é que, haja ou não haja autenticidade no relatório, o que ele diz não é atoarda nenhuma. Só peca por defeito.   

     

    24.9.17

  • SIMPLOX

     

    De forma a tornar a supervisão bancária mais ágil, mais fiável, mais dinâminca, mais independente, uma comissão de altos sábios produziu uma douta proposta, a qual mereceu o desvelado apoio do chamado governo. Consiste tal proposta numa nova arquitectura da supervisão bancária, que passará a ser assegurada pelo BdP, pela CMVM, pela ASSFP, pelo CSEF e pelo CSPF, sendo abolido o CSEF.

    Para quem não é versado nestas matérias, esclareçamos: trata-se do Banco de Portugal, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, da Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões, do (novo) Conselho Superior de Estabilidade Financeira, do Conselho Superior de Política Financeira e do (velho) Conselho Superior de Estabilidade Financeira. Se não é exactamente assim, é mais ou menos.

    O BdP, a CMVM e a ASSFP serão “coordenados” pelo CSEF (importantíssimo), que será presidido por um proposto do governo nomeado pelo PR. Os quatro serão “articulados” pelo CSFP, o qual será presidido pelo ministro das finanças.

    Estão a ver? Simples, prático, funcional, cristalino. Piramidal, ou quase.

    Espremido este sumarento limão, teremos que, sobre inúmeras estruturas, administradores, presidentes, funcionários, meninas e meninos, imperará, glorioso, o chamado ministro das finanças. Em tudo mandará e em tudo terá a última palavra.

    Que diabo, não era preciso tanto para dar cabo da alegada independência da chamada supervisão. A guerra do chamado governo contra Carlos Costa deu nisto. Quem se mete com o PS… 

     

    27.9.17

  • MALUQUICES

    As esquerdoidas, seguindo à risca a filosofia do partido que, como se sabe, é especialista em pensar da cintura para baixo, andam para aí com uma nova proposta, desta feita consistente em pôr meninos e meninas de 16 anos a “decidir” se querem ser meninas ou meninos. As autoridades públicas, ou seja, os conservadores do registo civil, passam a ser obrigadas a dar letra de lei à “decisão” de cada taralhoco/a que lá lhes apareça. Segue-se que o SNS será também obrigado a proceder às necessárias intervenções cirúgicas, ao fornecimento dos indispensáveis medicamentos, hormonas, etc., sem esquecer o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico necessário ao pós-operatório. As respectivas facturas serão suportadas pelo contribuinte.  

    O mais inquietante nesta nova e brilhante iniciativa é que o “novo” PS encara com total bonomia e até apoio as maluquices das raparigas e dos raparigos do BE.

    No parecer o IRRITADO, se ainda existisse alguma vergonha, estes tão habituais acessos mais ou menos paranoicos daquela gente devia ir direitinha para o caixote. Mas a opinião do IRRITADO vale o que vale, isto é, não vale um caracol. Por isso, acho melhor transcrever o parecer de um médico psiquiatra que trata estas coisas com imerecida seriedade.

     

    Aí vai:

     

    A agenda política do Bloco é promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico, pelo que são muitos os perigos desta aberração legislativa.

    Já há muitos anos que tem vindo a ser implementada em Portugal (e também noutros países) uma ideologia que se designa por “ideologia do género”. Esta teoria assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de género (já existem identificadas mais de 30!). Trata-se de um movimento cultural com impacto na família, na política, na educação, na comunicação social e que reclama a utilização de uma nova linguagem.

    A Assembleia da República discute um projeto-lei do Bloco de Esquerda que permite a mudança de sexo aos 16 anos e, no caso de os pais se oporem a esta ideia, possibilita que os menores possam intentar judicialmente contra estes. A agenda política do BE é a seguinte: promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico. Convém alertar as pessoas para os perigos desta aberração legislativa, pois os deputados não sabem de medicina, nem tão-pouco de psiquiatria. Os casos de perturbação de identidade sexual (disforia de género) são complexos e levam por vezes os jovens ao suicídio, pelo que este assunto deve ser tratado com uma enorme prudência. Considerar que estes casos se resolvem com um pacote legislativo, é uma visão simplista, redutora e perigosa deste problema.

    A estratégia por detrás desta mutação social, que agora se pretende implementar pela via legislativa, é fazer crer que a a ideologia de género é cientificamente correta. As teses desta ideologia são apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível, mas isto é absolutamente falso. A natureza tem regras, cabe à ciência compreendê-las e descodificá-las. Portanto, compete à ciência elaborar as teorias que ajudem a desvendar a realidade e não o contrário, como acontece na ideologia do género: elaborou-se uma teoria e para a validar procura-se alterar a realidade.

    As consequências deste conflito estão à vista. Nunca como hoje se baralhou e confundiu tanto a mente de crianças e adolescentes. E isto não tem nada a ver com liberdade, mas com uma doutrinação promovida por alguns partidos que se apoderaram ideologicamente do Estado e que desejam proceder à reeducação das massas. Neste contexto, esta proposta legislativa não poderia ser mais tirânica: os pais são expulsos do processo educativo, os psiquiatras e psicólogos são totalmente desvalorizados, sendo-lhes retiradas competências, e os menores passam a ser “propriedade” do Estado que, no plano educativo e legislativo, lhes impõe um novo sistema de valores baseado na ideologia do género.

    É espantoso assistir-se a uma indolência perante uma ideologia que se entranhou na sociedade como se fosse um dogma de fé. Mas esta ideologia não exprime a verdade da pessoa humana. Trata-se afinal de uma aventura ideológica, inspirada pelo desejo do Homem controlar a natureza; neste caso, o Homem decidiu declarar guerra à natureza.

    Na identidade sexual não é sensato defender a supremacia absoluta da dimensão biológica sobre a dimensão psicológica/sociocultural. O ideal é que haja uma harmonia entre ambas, não sendo ético provocar desordens psicopatológicas artificiais, através da difusão de uma ideologia radical destinada a criar um “homem novo”. Considero uma irresponsabilidade que Estado fomente, seja de que forma for, a ambiguidade da identidade sexual dos adolescentes, deixando-os ficar entregues a si próprios, através de um projeto-lei leviano e irresponsável.

    Como psiquiatra oponho-me a esta iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda, pois ela não respeita a ciência médica. Não podemos permitir que os adolescentes sejam objeto de experiências de engenharia social. É necessário criar condições para que as crianças e os adolescentes possam crescer livres e mentalmente saudáveis, respeitando o direito que os pais têm de dar a formação moral que considerarem melhor para os seus filhos.

    Os casos de disforia do género devem ser referenciados para a psiquiatria, de modo a serem acompanhados pelos vários profissionais de saúde competentes, pois as doenças não se tratam por decreto-lei. Além disso, a história ensina-nos que sempre que a medicina se subjugou à ideologia, os resultados foram desastrosos para a humanidade.

     

    Transcrito com o acordo do autor.

     

    22.9.17

  • LICENCIATURAS

     

    É sabido que, em Portugal, há tantas licenciaturas como pinhões. A lista é de estalo. Há-as para tudo, em matérias e em tempos. Ainda havemos de ver licenciados em engraxadoria, descascamento de fruta ou introdução de rolhas em garrafas de espumante. Não interessa, acho bem. Qualquer coisa serve para aumentar as competências do povo em geral e de cada um em particular. Pelo andar da carruagem, em breve haverá licenciaturas tiradas em seis meses, em três semanas ou, quem sabe, aos fins de semana de Verão. Respeitosamente, tiremos o chapéu e esta fartura.

    Enquanto a coisa não se espalha demais nos sentidos acima previstos (insinuações rascas!), há um sistema que merece encómios: o das equivalências. Os sábios encarregados do ensino superior em Portugal adoptaram a substituição de certas cadeiras pela experiência de vida dos candidatos. Acho bem. Não poucos autodidatas e altos profissionais há por aí a meter num chinelo doutores e afins. Olhem os falecidos Salvador Caetano e Amorim, bem como o “jovem” Nabeiro, para citar só três dos melhores exemplos, ainda que de fulanos que ligam tanto a licenciaturas como a gambosinos.

    É evidente que o legislador que criou o sistema das equivalências sabia, como não haverá quem não saiba, que os critérios de avaliação delas têm muito, ou quase tudo, de subjectivo. Confiou-se nos critérios dos académicos. O caminho estava aberto a todas as justiças e a todas as injustiças, como é evidente. Ao primeiro abanão, acabou-se com a confiança. Vieram outros e mais altos académicos “julgar”, isto é, achar que os colegas são umas bestas (o que é costume no meio em causa). Daí que haja licenciaturas que deixam de o ser, tornem a ser, para, no dia seguinte, voltar à primeira forma, segundo as opiniões dos “juizes”, tão subjectivas as de quem tira como as quem as dá, ou deu.

    Temos agora o escandaloso caso da chamada Protecção Civil. Deviam começar por explicar às pessoas por alma de quem é preciso uma licenciatura para ser gente no sistema, ou se não é o caso típico em que uma carreira profissional não pode, com vantagem, substituir uma licenciatura, seja ela qual for.

    Adiante. O chefe da tal Protecção Civil anda à pega porque usou equivalências para se licenciar (em protecção civil!). O que se passou foi que o chamado governo tratou, nas vésperas da época dos incêndios, de substituir o chefe anterior (e mais uma data de chefinhos) por gente de confiança. Como as coisas correram como correram, vai de arranjar bodes expiatórios. Vejam lá esse gajo: como é que o podemos agarrar antes que comece a dar dicas sobre a “coordenação” das operações? Daí que as equivalências académicas do desgraçado tenham passado a ser mote de luxo para dar cabo dele. Genial.

    Em resumo: ou acabam com as equivalências, ou se respeitam uns aos outros.

    Mais: espremida esta pessegada, o que fica é o “progresso” das investigações, todas imaginadas para tirar os responsáveis máximos de qualquer sombra de responsabilidade na desgraça que, em labaredas, se abateu sobre o país.

    Há-de haver quem pague as favas, desde os “grandes” da geringonça fiquem de fora. Vale tudo.

     

    21.9.17

  • FANTÁSTICO!

    Ausente das lides durante uns dez dias,

    (não digo por onde andei nem porquê nem para quê, a fim de resistir à nova moda de “defender a privacidade” a contrario sensu, isto é, escarrapachando nas redes o que cada um faz ou deixa de fazer – por exemplo, recebi hoje uma mensagem do ilustre Seixas da Costa a dizer que brindou o aeroporto internacional de Biloxi com a sua augusta presença; não abri a coisa, tendo ficado sem saber onde fica Biloxi ou o que lá foi fazer o dito senhor, o que, nas opiniões vigentes, muito contribuirá para o aprofundamento da minha ignorância)

    devo ter perdido cenas formidáveis, tais as declarações do chamado ministro da defesa, criatura totalmente irresponsável que já disse tudo e o contrário de tudo acerca do desaparecimento de armas em Tancos, tais a derrota do Benfica (a Nação estremece!) e, é claro, umas declarações do inenarrável Centeno, dito ministro das finanças que, mais uma vez, tratou de confundir o pessoal com a sua forma de se expressar, ou sibilina ou estúpida, em que ninguém fica a saber nada de concreto ou se o que disse tem a ver com “dificuldades de percepção”.

    Posta em cima da mesa a propaganda governamental lado a lado com a verdade, eis o que, a título de exemplo, resulta,:

    – a tão proclamada saída do lixo foi a sétima numa série de sete. Não há bicho careta a quem não tenha sucedido o mesmo, ainda que não conste que a Islândia, a Roménia ou a Letónia, por exemplo, tenham beneficiado do boom turístico que, apesar do governo, nos bafejou;

    – os foguetes governamentais sobre o crescimento da economia referem-se ao crescimento mais miserável entre 17.

    – a mais desastrada de todas as políticas económicas da União é a que tem o governo (chamemos governo à geringonça, por uma questão de comodidade discursiva) que mais se gaba dos “seus” “êxitos”.

    Entretanto, no intevalo dos foguetes, vemos que estamos só em vigéssimo lugar no que se refere ao PIB per capita. Lindo.

    Há quem diga que não vem aí o diabo. Pois não, já cá está.

     

    19.9.17     

  • À ESPERA DOS GAMBOSINOS

     

    Segundo o desagradável Coelho (Jorge!), a pessegada dos incêndios, dos mortos, dos prejuízos brutais que o Verão e os incendiários trouxeram, não tem responsáveis. Na suave companhia dos geringonços da “Quadratura do Círculo”, com o acordo entusiástico do Pereira e a vergonhosa chancela do outro, declarou que é preciso esperar pelo relatório da “comissão técnica independente” para ajuizar se há culpas de alguém, e quais. Quer dizer, culpas, responsabilidades, incompetências, pés pelas mãos, só de carácter “técnico”. Tudo, mas tudo o que possa cair na esfera do chamado governo, fica de fora.

    É inacreditável, sobretudo vindo de um tipo que se demitiu porque caíu uma ponte, e não se importa que haja quem diga que se foi embora porque tinha um tacho à espera numa firma de empreiteiros.

    No caso dos incêndios, diz ele, é preciso esperar pelas conclusões da “comissão técnica” e, é de pensar, nas dos trezentos e quarenta inquéritos que foram lançados pela chamada ministra e outras entidades tidas por responsáveis.

    No entanto, uma coisa há indesmentivelmente provada desde a primeira hora: nada, no sistema, funcionou como devia, nem antes, nem durante nem depois da crise. E todas as instâncias que entraram em jogo, e falharam, dependiam do governo em geral e, em particular, da chamada ministra e do chamado primeiro ministro. E não há responsáveis? Há-os, perfeitamente identificados, e são todos do chamado governo. Não é preciso inquérito nenhum. A “comissão independente” poderá encontrar inúmeros falhanços, mas todos “técnicos”, nenhum político, até porque não tem mandato para tal.

    Os atiradores vão caçar uma série de gambosinos, mas a caça grossa fica de fora.

    Assim se vê o que é a honestidade da geringonça.

     

    8.9.17

  • DA GERINGONCIAL BESTIALIDADE

     

    A criatura Cabrita, lado masculino de um geringonço casal e mais-que-tudo político do chamado primeiro-ministro, ao propagandear no estrangeiro as celestiais virtudes da política portuguesa, disse que, por cá, não há discursos racistas. Depois, eventualmente acossado pelo Galamba e pelas esquerdoidas, teve a amabilidade de esclarecer que se referia apenas a discursos parlamentares, não a outras declarações.

    Vejamos. O que o indivíduo, expressamente, quis dizer foi que excluía as acusações de racismo veiculadas por diversos geringonciais áulicos acerca da discordância de Passos Coelho em relação à nova e vergonhosa iniciativa da nacional esquerdo-estupidez que visa a acreditação de terroristas, bandidos, inúteis, penduras e outros especialistas que, com todo o direito, demandam o luso território.

    A coisa ficou esclarecida: o facto de não haver discursos racistas no parlamento não quer, no cabrital parecer, significar que não há por cá racistas, maxime Passos Coelho, tenebroso xenófobo que, para disfarçar incorrectas convicções e atirar areia aos olhos do povo, se casou com uma senhora de origem africana, e até, calcule-se, tem uma irmã adoptiva de etnia subsaariana.

    No que ao IRRITADO diz respeito, na sua qualidade de orgulhoso e impenitente cabritofóbico, galambofóbico e esquerdoidofóbico, a interpretação é um pouco diversa: o “esclarecimento” do Cabrita só prova que o mesmo está perfeitamente integrado na filosofia da geringonça. Isto é, trata-se de uma irrecuperável besta quadrada.

     

    8.9.17   

  • BARRETES ELECTRÓNICOS

     

    A mui estimável Via Verde começou agora a presentear-nos como uma extraordinária benesse, a saber: um tipo regista-se numa coisa, põe lá o número do cartão de débito e, se precisar de um carro, clica aqui e ali e é presenteado com um Mini à sua disposição num raio de uns 1000 metros, mais coisa menos coisa. Vai até lá à pata, abre a porta com o telemóvel, e ei-lo instalado na sua nova máquina, a qual deixará onde lhe apetecer, desde que dentro dos limites que a Via Verde soberanamente estabelece. Tudo bem. Quase de borla. Se você for do Saldanha ao Marquês fora da hora de ponta, pode pagar 29 cêntimos, muito mais barato que o Metro ou o  autocarro. Fantástico! E tem sempre carrinhos à disposição. Maravilha!

    Faça agora umas continhas. Como os tais 29 cêntimos são por minuto, se você andar uma hora pagará a módica quantia de 17,4 euros. E, se precisar do maravilhoso veículo durante 12 horas, lá se vão 208,8 euros. O dobro – 417,6 euros – se precisar da carripana durante um dia.

    Dizem os entendidos que, no futuro, será tudo assim. as pessoas vão deixar de ter carro, de precisar de seguros, desde usem os locais determinados pela app não pagam estacionamento, e mais uma longa série de vantagens que a empresa vendedora dos serviços não deixará de referir e sublinhar. O pior é se se puser a fazer contas, ou a pôr na balança dos custos/benefícios a sua independência ou a sua pachorra para andar pela cidade à procura de Minis.

    Não tenho dúvidas sobre o sucesso desta nova e brilhante iniciativa. Tudo mudou e vai continuar a mudar. Quando você tiver no telemóvel um acervo de 189.482 apps será um homem feliz. Mas, se deixar o Mini todo porco, estará feito ao bife. A cobrança é automática.

     

    8.9.17