IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EIS A QUESTÃO

 

Ouvi dizer que Sua Excelência o Presidente da III República, aqui maldosa e abusivamente conhecido por chairman da geringonça, apelou ao voto dos portugueses (em linguagem correcta dir-se-ia “dos portugueses, das portuguesas e dos/as/es LGBTGTXPLOCS++”) nas eleições autárquicas.

A impenitência herege e iconoclasta que pratico nestas páginas levou-me a pensar em não ir. O apelo do senhor, como tudo o que diz e faz, traz água no bico. Desconfiei: se ele manda ir, não vou. A coisa tem a sua irrefutável lógica.

Mas a minha alta consciência cívica – ou outra coisa qualquer, talvez um hábito inveterado, uma rotina de décadas – foi mais forte. Votei, e logo de manhã! Muito contente, voltei a penates a fim de dar parte ao mundo da minha corajosa decisão.

Pensando a realidade, há uma coisa muito mais importante que as eleições neste belo dia de serôdio Verão. O que, no fundo, preocupa os/as portugueses/as (…etc.) é o joguinho da bola entre o Porto e o Sporting. A malta, na bicha para os votos, estava distraída com tal e tão vital questão, o que, no douto parecer da CNE, pode prejudicar, e até infirmar, o resultado final do importantíssimo acto. Toda a razão. Os portistas, em vez de votar esclarecidos, estão a pensar no guru Pinto da Costa, os sportinguistas no tão delicado Bruno, os benfiquistas no Deus queira que empatem, assim perturbando a expressão correcta da vontade eleitoral de cada um.

Posto este senão, tudo vai correr com a maior normalidade, como é timbre de democracias adultas, caso da III República, não é? À noite, teremos as eleições a perturbar a academia da bola, os professores doutores do pontapé serão prejudicados nas suas “análises” pelos colegas do comentário político, em sã competição por audiências televiso-intelectuais. Vai ser uma noite em cheio. Quem ganhará, os professores da bola ou os académicos das bocas? Eis a questão.

 

1.10.17



3 respostas a “EIS A QUESTÃO”

  1. o W.C. agora é o seu “escritório”? Francamente,… sr. António… ao que chegou. P.S.- W.C. é acrónimo de T Coelho

  2. EIS A QUESTÃO: passos coelho é um “cadáver”!!!

  3. Os políticos apelam sempre ao voto. Sendo os beneficiários do regime, interessa-lhes manter o regime. Tanto faz ser o Martelo, o Bosta, o Passos ou o Jeropiga: são eles os actores desta farsa, desta democracia de fachada. Quanto menos votos houver, menor a fachada. Daí o apelo ao voto. A atitude do Irritado, que até é adepto de um dos partidos, espelha a da maioria dos eleitores que ainda votam: vão votar meio por hábito, meio por desporto, como quem preenche um totobola de um campeonato estrangeiro. Um totobola sem prémio. Ganhe quem ganhar, eles não ganharão nada. O país não ganha nada. Os eleitos e as respectivas máfias partidárias é que ganham. É por isso constrangedor ver este circo eleitoral, de anos a anos, impingido como uma espécie de “festa da democracia”. É uma festa, sim, PARA ELES – para a canalha pulhítica e para a carneirada dos partidos. Para o resto do país, é uma penosa fantochada.

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