IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COMEMORANDO A VITÓRIA

 

Seria mais ou menos meia-noite quando, num restaurante da Pontinha, se reuniu o núcleo duro dos vitoriosos. Para uns, foram seis anos de luta sem quartel, para outros menos tempo, mas de combate constante e bem trombeteado pelos media.

Correu o espumante, os camarões com alho, as palmadas nas costas. Dos convivas, destacou-se, radiante de alegria, peruca pintada de fresco, dona Manuela: foi um trabalho duro, diário, muito estudo, muito pensamento, muita boca demolidora, mas, finalmente, ganhámos; e eu, eu fui a primeira a exigir a queda do rapaz, hi, hi, cá se fazem, cá se pagam. Marques Mendes até parecia mais crescido: um trabalhinho dos antigos, bem informado, sério, assertivo, fui uma espécie de exterminador implacável, falinhas mansas mas eficazes, lá para os lados do Restelo, não é, enfim, estão a perceber, há alegria, por aqui também, até que enfim! Pacheco, cofiando as melenas mal lavadas, sorria, mais um copo, voz profunda: sem desprimor para com o vosso trabalho, deixem-me dizer que sou o maior, foram anos a escarafunchar na TV com a ajuda do Jorge e do Xavier, e nos jornais, por toda a parte onde a minha gigantesca influência se manifestou, aguentei firme, tenho direito a louros, mais um camarãozinho, saúde!

Saúde, chin chin, cheers!

Do Norte chegou um telegrama do Rio, muito aplaudido. O Sarmento apareceu e foi recebido com todas as honras: levaste o teu tempo mas entraste a horas, disse o Mendes, à tua!

A notícia correu. À porta da Maviosa da Pontinha juntou-se um triunfal magote de outros vencedores, ou pretendentes a tal, acompanhados por uma delegação de ratazanas da campanha do Medina. Eu também me fartei de ratar, dizia aquele do programa da Teresa Coelho; e eu, eu que até escrevi coisas no Sol, cá estou, glória para todos, vae victis!

Pacheco mandou distribuir imperiais. O magote rejubilou, viva nós, viva nós!

Fazendo o resumo da reunião, dona Manuela tomou a palavra. A verdade, disse, é que aprendemos umas coisas com o Costa, mas ele, reconheçamos, foi mais rápido. Em três penadas deu cabo do Seguro e, com outras três, fez-se com o inimigo e até mostrou que isso de ganhar eleições é pormenor; é vê-lo por aí como um lorde. Nós levámos mais tempo, foi um trabalho se sapa, de persistência, mas, como é evidente, de uma eficácia a toda a prova; chegaremos ao topo, a casa vai ser limpa, arejada, pintada, e quem vai mandar somos nós!

Entre frenéticos aplausos, a senhora foi levada em ombros até ETAR mais próxima, onde o Mexia, emissário do palácio fluvial, a veio confidencialmente cumprimentar.

 

2.10.17



Uma resposta a “COMEMORANDO A VITÓRIA”

  1. É por isto que p PS começou a “cair” (se quiser leiam – os ratos são os primeiros a abandonar o “Navio”…):«Autárquicas: Candidato à Junta de Ponte, Guimarães, acusado de aliciar eleitores com dinheiro»«A Coligação ‘Juntos por Guimarães’ acusou o candidato do PS à Junta de Ponte de distribuir dinheiro à boca das urnas, o que é rejeitado por Sérgio Rocha, considerando que se trata de acusações “surreais e de uma vingança”»Sr. António “CATAVENTO” é este sr. Sérgio Castro Rocha, advogado de profissão. Com efeito, nas anteriores eleições, ganhou a “Junta” à boleia de Passos Coelho. Agora,…!!!

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