Dona Inês é filha de um senhor de nome Vitorino de Almeida e de uma senhora Ferreira Esteves. No entanto, por artes que escaparão aos genealogistas, chama-se Medeiros. De Medeiros. Não se sabe se renegou os pais, se optou por apelido mais “nobre”, se foi uma questão de marketing, se outra coisa qualquer. Facto é que tem uma mana especialista em cenas ousadas que também é “de Medeiros”, o que leva a crer numa doce e fraterna opção das duas, já que há uma terceira que não entrou na jogada e se chama, com toda a propriedade, Vitorino de Almeida.
Enfim, diz-se que, em matéria de nomes, não deve haver mexericos nem críticas. O que acima vai não é nem mexerico nem crítica, só curiosidade.
A celebridade de dona Inês ficou a dever-se a uma história picaresca. A senhora, deputada socialista,foi, durante meses, passar os fins de semana a Paris por conta da Assembleia da República. Houve uns invejosos que denunciaram o esquema, e dona Inês viu-se coagida a comprar bilhetes de avião com os seus dinheiros. Uma injustiça, como é evidente. Em contrapartida, a coisa deu-lhe celebridade. Quem sabia quem era tal cidadã antes das viagens a Paris?
De tal maneira ficou célebre que o PS a candidatou à Câmara de Almada, evidentemente para perder. Mas ganhou. Parece que os almadenses estavam maioritariamente fartos do PC, o que é natural.
Meia aparvalhada com a vitória, resolveu a senhora dar uma de popularucha declarando que vai passar a ir para o trabalho de cacilheiro, eventualmente a fim de fazer esquecer as passeatas até Paris. Muito bem, até porque, é de ver, o Mercedes da Câmara a esperará em Cacilhas.
Mas… há sempre um mas, não é? A declaração de dona Inês acaba assim: “se me deixarem”, o que aponta para a hipótese de, por iniciativa de terceiros mal intencionados, o Mercedes a vir buscar a Lisboa.
Boa boleia.
8.10.17

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