IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • COM A MENTIRA ENGANAS

    Tal a célebre marquesa que punha as mamas em cima da mesa, o celebrado sucessor do senhor Dysselbloem, valendo-se da esmerada educação que o caracteriza, chamou “iletrado em economia e aritmética” a um deputado do PSD que tinha tido o desplante de dizer umas verdades. O IRRITADO lamenta profundamente, não que o Centeno tenha dito a bojarda (o que é normal para o socialismo nacional), mas que o rapaz do PSD não lhe tenha perguntado se se estava a ver ao espelho e não tenha saído da sala para não ter que aturar alarves daquele calibre. É que não há uma única, repito, uma única vez em que o Centeno tenha previsto com um mínimo de exactidão o que ia acontecer, como não há uma única vez em que não tenha manipulado, martelado, aldrabado os números a benefício da propaganda.

    Ontem, a coisa era difícil. A mais alta carga de impostos de que há registo, não era, afinal, tão carga como isso. Segundo o Centeno, perito em fazer de nós irrecuperáveis pacóvios, a carga era a maior, mas não o era a maior, era uma coisa assim assim, mais ou menos assado, cozido e frito, e todos devíamos estar agradecidos, veneradores e temerosos da sua alta “literacia”.

    Não há limites para o esterco que sai da boca dos geringonços. Vale tudo, menos a verdade. E quem não acreditar na mentira sofre de iliteracia. Verdades para quê?

     

    5.4.18    

  • DA INDIGNAÇÃO DOS MEC’s

     

    Em tempos que já lá vão, havia um comentador piadétido, conhecido por MEC (Miguel Esteves Cardoso), que opinava em colaboração com Paulo Portas num jornal cujo nome já esqueci. Concedo que o homem tinha a sua graça. Hoje, não tem graça nenhuma. Deve ser da idade, ou da gordura. Mantém por aí umas crónicas especializadas em petiscos, tapas, cabidelas várias e, às vezes, em incursões político-sociais.

    Um dia destes, o homem resolveu alinhar com um bando que, sob a alta direcção do senhor Manuel Loff , parece que publicou um “manifesto” a condenar o nacionalismo espanhol e a louvar o independentismo catalão. Como se nota, para os loffes os espanhóis é que são nacionalistas, os catalães sessecionistas não. Tudo de pernas para o ar. Malhas que a mente tece, sobretudo quando se é vesgo. À laia de prefácio, o tal manifesto declara que as urnas ditaram a “vitória independentista”. Ignora que os votos dos pró-Espanha foi mais que os dos ditos independentistas, via salganhada ideológica que por lá se espoja. À semelhança do Portugal costista, cozinharam um maioria parlamentar destinada a virar do avesso a vontade expressa nas urnas. Mas, mesmo que os adeptos da demagogia independentista tivessem tido mais votos, tivessem alguma sombra de legitimidade para exigir a independência e a conseguissem, que fazer aos que queriam continuar espanhóis? Perdiam a nacionalidade? Passavam a estrangeiros no seu próprio país? Emigravam compulsivamente? Dar nova nacionalidade a uns equivale a tirá-la a outros. E o que é que os tipos do manifesto têm a dizer a isto, tão preocupados que andam a defender os direitos humanos que os puigmontes querem abolir na catalunha?

    Acrescento, para cabal esclarecimento de quem isto ler, que os outros subscritores do manifesto são André Freire e Fernando Rosas, dois esquerdalhos de alto coturno, grandes defensores dos “direitos humanos” em versão criptcomunista, ou criptofascista, como queiram. Estão muito preocupados, como o MEC, com os direitos políticos dos puigmontes, os dos demais não interessam, são para esquecer. E esquecem também que os feitos de tal gente são crimes à luz do Direito democrático e constitucional de um país democrático.

    Não me chocaria se, através de um indulto real ou equivalente, os criminosos fossem perdoados e voltassem a casa em liberdade. Desde que, como é evidente, se retratassem em relação às bojardas anti-democráticas em que vivem mergulhados e em que mergulharam uma parte minoritária dos que se dizem catalães. Talvez a troco, concedo, de algum reforço de autonomia. Mas parece que isso é o que está de fora das cabeças tontas dos puigmontes.

    A ver vamos. Até lá, se estão presos é segundo a lei legítima em vigor, por muito isto choque os meques e os esquerdoidos da nossa praça.

     

    3.4.18

  • CULTURA PARA O POVO

     

    Julgo já me ter referido a uma organização tipo PCP em trajo intelectual ou académico que dá pelo nome de CES- Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Nele pululam figurões do calibre de um Boaventura Sousa Santos ou de um Carvalho da Silva (o da CGTP), à cabeça de uma horda de bolchevistas ou apaniguados e de neonacionalistas, com cátedra pelo menos semanal no jornal privado chamado Público. Deve haver uma “elite” de idiotas úteis e de compagnos de route que segue atentamente estes proclamados defensores dos “direitos humanos”. Para o IRRITADO ouvir ou ler gente desta a falar de direitos humanos é mais ou menos como ouvir um rato dos canos a cantar ópera.

    A ilustrar esta opinião, leia-se o anúncio (a vermelho!) de página inteira no diário acima referido, informando a Nação, julgo que ou de borla ou a expensas do “Portugal 2020” e de outras mimosas organizações, da realização de um ciclo de conferências ou coisa que o valha, onde se discutirão temas da mais alta e importante actualidade. A saber: “Globalização ou desglobalização?”, “Fronteiras, zonas fronteiriças, migrações e plurinações”, “A direita e o direito”, “As cidades na encruzilhada entre a paz democrática e a exclusão abissal” e “A arte e as epistemologias do Sul; as linguagens da libertação”.

    Se quiser sentir-se libertado, ou seja, se encontrar liberdade nas ditaduras que esta gente defende, não deixe de se inscrever. Se quiser saber a diferença entre o “direito” da esquerda radical e o direito propriamente dito, compareça. Se quiser aprender a destruir as Nações vizinhas com Catalunhas várias de sabor fascista ou comunista (vão dar no mesmo), prepare-se para ser enriquecido. Se achar que a globalização é péssima e não tirou milhares de milhões da mais negra miséria, vá lá aprender a fazer voltar a fome onde a globalização acabou com ela. Quem quiser saber o que é a “paz democrática” dos tiranos, não perca a oportunidade. Se quiser “libertar o Sul”, vá lá aprender o que a correcção marxista tem para oferecer. E assim por diante.

    Triste é que estes pêssegos intelectuais gozem de exclusiva presença numa universidade pública que os alberga e lhes paga para propagar, em exclusivo, as ideia salvíficas do Castro, do Chávez, do Putin, do Assad, do Puigmont, da Marine, e para ser histórico, dos camaradas Staline, Lenine e outros que tais, tão queridos dos “libertadores” de Coimbra, do Público, do PC, do BE, e de outros estratos da burguesia intelectual, inútil, trafulha e dona da “razão única”.

     

    3.4.18     

  • O SILÊNCIO DOS CULPADOS

    No momento em que são encerrados os estaleiros de Viana do Castelo, há que prestar a devida homenagem aos que os assassinaram.

    Nesta matéria, sobressarem dois heróis:

    1. O senhor Pinto de Sousa, engenheiro Sócrates para os amigos, 44 para os outros. Atascado em ambições de vária ordem, meteu todos em geral e os Estaleiros em particular em negócios com o seu querido amigo Chávez, o qual, no uso da sua perigosíssima demagogia, assinou inúmeros contratos, que jamais teve intenção de cumprir. Mas, como era coisa que tinha o aval do primeiro-ministro, os Estelairos alinharam, com catastróficos resultados.
    2. O senhor César, perito em empregos para a família e alta figura do regime e do partido do senhor Pinto de Sousa. Contratou, para os Açores, a construção de um navio. Quando o navio estava pronto, verificou-se que dava menos dois nós de velocidade de ponta em relação aos descritos no caderno de encargos. De tal maneira grave era este incumprimento que o senhor César anulou o contrato. Não só não pagou o que devia, mas exigiu dinheiro de volta. Os Estaleiros, mesmo públicos, não aguentaram. Daí em diante, foi a desgraça total, até ao encerramento.

    É bom que se diga. Para que, pelo menos os leitores do IRRITADO não esqueçam estas tão importantes figuras do PS, cujos herdeiros ainda andam por aí a mandar na malta. Minto. Um tem às costas, na Justiça, o que se sabe, para além de já ter dito de si próprio o suficiente para ninguém mais lhe ligar boia, ainda menos as chamadas universidades. O segundo continua no alto galarim da política.

    Xiça!
          

    2.4.18

  • O SENHOR REIS

     

    Não sei se já contei esta história, a história das minhas “relações” com o “Frágil”. Se for o caso, peço desculpada minha fragilidade.

    Há para aí trinta e tal anos, depois do cinema, fomos, eu e a minha mulher (não sei se mais alguém), ao “Frágil”. Ouvimos falar, está na moda, vamos ver como é.

    Meia-noite e picos. Uma pequena multidão, com o ar ansioso de quem quer fazer parte de uma coisa qualquer, gente moderna, vestida à maneira, aglomerava-se à porta. Assumi um ar importante, atravessámos a turba, direitinhos à porta. Um fulana de carnes avantajadas (diz-se que é hoje conhecida pelos amigos por Guida Gorda) servia de porteiro. Deve ter gostado, sabe-se lá porquê, da nossa cara, e deixou-nos entrar. Outra pequena multidão girava pelas instalações com ar compenetrado, gente culta ou pseudo isso, que, imaginaria eu, discutia importantes assuntos. Poucos risos, coisas sérias. Muito bem. A custo, cheguei ao balcão e pedi uns chàzinhos da Escócia. Servido, paguei, e preparei-me para me encostar num canto qualquer a observar aquela gente e beber o meu copo. À primeira deglutição, porém, concluí que o “chá” não era da Escócia, nem sequer de Sacavém. Pousei delicadamente a mistela num sítio qualquer e dei ordem de partida. Para nunca mais voltar.

    Nunca soube quem era um senhor Manuel Reis, a quem presto a homenagam devida aos que “se vão da Terra”. Hoje, dada a partida do referido senhor desta vale de lágrimas, vejo a importância verdadeiramente colossal que tinha na nossa sociedade, talvez a merecer lugar no Panteão da República. E fiquei a saber que o senhor Reis, além de proprietário do também já falecido “Frágil”, o era também do “Papa Açorda”, do “Lux”, do novo “Papa Açorda” e do “Bica do Sapato”, desde já pedindo desculpa se me falha algum elemento do império do senhor Reis.

    Acho que nunca o vi. Não sei se era um senhor que saltitava à volta das mesas do antigo “Papa Açorda”, a cumprimentar políticos e outras alegadas celebridades. Presto a devida homenagem às pataniscas locais, bem com aos peixinhos da horta (os melhores da minha carreira), e à açorda com jaquinzinhos, petiscos dignos de altos encómios. A “Bica do Sapato” tem alguma piada, mas não chega aos calcanhares dos peixinhos da horta; um sítio interessante para ir de dois em dois anos, como um restaurante chinês. O novo Papa Açorda, esse, não tem piada nenhuma, a nenhum título. No “Lux” nunca pus os pés, se calhar por razões etárias.

    Tudo somado, direi que o senhor Reis deve ter sido um tipo porreiro, um tasqueiro de boa qualidade, um empresário com olhinhos, simpático, piadético, um tipo que soube cair em graça em certos meios, sobretudo entre burguesia pseudo-culta, pretenciosa, mais ou menos inútil e com uns cobres para gastar. Pelos vistos, um mercado cheio de potencialidades que o senhor Reis em boa hora descobriu. Chapeau. Tudo bem, tirando o wiskey martelado.

    Mas, para um estranho que entre em Portugal nos dias e semanas a seguir à sua morte e leia os jornais, deve achar que o senhor Reis é uma espécie de Stephen Hawking (não sei se é assim que se escreve) português, um Picasso, uma Amália, uma clebridade de altíssimo gabarito e projecção universal. Há editoriais, ensaios, artigos de inúmeros pensadores, de artistas, de fulanos “correctos”, de carpideiras diversas, a pôr o senhor Reis nos altares da Pátria. Diria com os latinos que est modus in rebus, ou seja, que a nacional-saloiíce pequeno-burguesa e pretensamente pensante manda muito cá no sítio.

    Ao ponto de haver inúmeras vozes a criticar o senhor de Belém por não ter prestado a devida homenagem ao senhor Reis. Por mim, que não nutro nenhuma especial simpatia pelo senhor de Belém, acho que, neste promenor, merece aplauso.

     

    2.4.18    

  • MAIS UM “GRUPO DE TRABALHO”

     

    O governo anda muito preocupado com os maus resultados do ensino, no que à matemática se refere (o resto também está pelas ruas da amargura, mas os geringonços ainda não deram por isso).

    Dizem os governamentais craques que a situação se vem agravando ao longo dos anos. É claro que não dizem quais anos. Como não podiam pôr as culpas ao Crato (louve-se este súbito ataque de honestidade) e como são alérgicos a admitir as culpas próprias, criaram mais um “grupo de trabalho” para avaliar a situação, bem como para dizer o que há a modificar. É o costume. Quando não se sabe o que se há-de fazer nem se quer assumir responsabilidades, arranja-se um grupo de trabalho, uma entidade, um comissariado ou outra trafulhice qualquer para encanar a perna à rã e garantrir que tudo ficará na mesma ou, pelo menos, para ganhar tempo, um ano ou dois, até que alguém comece a perguntar pelos resultados dos “trabalhos” do “grupo de trabalho”. Genial, habitual, correcto.

    Um conselho do IRITADO.  Se forem (fossem) sérios, só precisam de voltar dois anos atrás e reverter as reversões que andaram a fazer. Não é preciso pedir desculpa ao Crato, já que isso de admitir erros próprios não faz parte do léxico da geringonça, ainda menos do do protosoviético que, de sociedade com ou em obediência ao bigodes (ora barbas) do sindicato/PC, se tem dado ao trabalho de dar cabo do que havia de bom na Educação. Seria simples, não se tratasse da gente de que se trata.

    Outra coisa não nos resta que não seja esperar pelos “trabalhos” do “grupo”, na certeza de que o dito, ou não fará nada, ou porá as coisas ainda em pior estado do que o já conseguido até à data.

    2.4.18

  • A PÁSCOA DA GERINGONÇA (comentários para quê?)

     

    – Há menos segurança em Portugal, reza o respectivo relatório. Perguntado sobre o assunto, o chamado ministro da administração interna, abanando a papada, raciocinou e disse: isto só demonstra o nosso sucesso na prevenção da segurança.

    – Os concursos (procedimentos concursais em novilíngua) para meios aéreos (helicópteros ligeiros) foram anulados. O chamado governo tinha previsto gastar 60 milhões, mas os concorrentes ultrapassavam o preço em 10%. Os geringonços, para tentar “poupar” 6 milhões, ficaram sem 28 helicópteros ligeiros para os incêndios. Diz a papada que todos os meios necessários estão à disposição, e a tempo.

    – Os mecânicos dos Kamov (helicópteros pesados) foram corridos e, fartos disto, foram para casa. A oficina foi selada, não há Kamovs para ninguém. A República Burocrática informou que faltavam uns papéis. Para quê? Para justificar que houve peças que foram levadas para um sítio, a 300 metros de distância da oficina, único local onde podiam ser reparadas. Deixou de haver Kamovs (helicópteros pesados) mas, mais uma vez, em relação à época de incêndios, diz a geringonça que está tudo na maior.

    – E mais. Diz a papada que vai ser criada mais uma empresa pública para tratar de helicópteros.

    – O embaixador Martins da Cruz, sobre a não expulsão de diplomatas russos, disse que “o ministro dos Negócios Estrangeiros, apesar de se ter desdobrado em considerações e as ter repetido à saciedade, ainda não foi capaz de explicar porquê.

    – O chefe dos bolchevistas deu uma entrevista à TV em que nada disse, para além de garantir que a geringonça é para durar. Nos primeiros 22 minutos disse 21 vezes portanto (ptât, em novilíngua). Boa média.

    – Um representante neosoviético, ao que se diz deputado europeu, garantiu que não há  novichok (veneno que mata russos traidores), há, sim, a “classe dos novichoks”. Por conseguinte, o espião russo pode ter sido assassinado pelo mundo inteiro, com excepção do Putin. Apoiando tais declarações, a tipa da TV nunca o interrompeu, guardando a sua suave verve para interromper, pelo mensos dez vezes, o opositor do neosoviético que, por mero acaso, era do PSD.

     

    30.3.18

  • GRANDE JOGADA!

     

    O palhaço da Catalunha merece um doce. Em mais um exercício circense alcandorou-se a milhares de páginas, de manchetes, de telejornais, de propaganda e, last but not least, a uma trapalhada dos diabos nas ruas de Barcelona. Na mouche!

    E foi fácil. Para ir da Finlândia, ou equivalente, à Bélgica, usou o menos lógico de todos os meios de transporte e o único que lhe garantia ser preso: o automóvel! Se fosse de avião, ninguém o chatearia. Passando a fronteira alemã, era garantido. É de mestre, no que a demagogia e desonestidade se refere. Os alemães, no respeito pelas suas leis, engavetaram-no. O palhaço estava farto de saber que a provocação ia resultar. E resultou! A primeira parte do plano surtiu o efeito desejado.

    A seguir virá o segundo acto da palhaçada, ou do plano. Os alemães extraditam-no, os espanhóis prendem-no para o levar a julgamento. Vai ser o máximo. As hostes dos enganados, que são muitos mas minoritários (se fossem maioritários o resultado era o mesmo), descerão à rua, partirão mais umas montras, desafiarão a polícia, vai ser um fartote.

    Depois, logo se vê.

    Há quem ache graça a este truão!

     

    28.3.18

  • DA NACIONAL PORCARIA

     

    Ouvi ontem um fulano que se diz ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal perorar na TV sobre a “posição do país no mundo”. Dificilmente se poderá aplicar, às ideias e ao seu produtor, outro qualificativo que não o de porcaria. Uma porcaria feita de cobardia, traição, cinismo e ridículo.

    Porcaria porque é o alinhamento com as teses do PC e do Bloco, à revelia dos interesses e da dignidade dos portugueses e de um país que, gostem ou não gostem os ditos, é o mais antigo aliado do Reino Unido, é fundador da NATO e é membro e devedor da União Europeia.

    Cobardia porque, das duas uma, ou o PS mudou de posição à revelia dos portugueses, ou cedeu miseravelmente às exigências daqueles a quem deve o poder, o PC e o BE.

    Traição porque quem tem compromissos internacionais e ligações com o ambiente estratégico em que vive, não pode alinhar com aqueles que têm em Putin um aliado e com os que têm governantes populistas, semifascistas ou saudosos da URSS.

    Cinismo porque a argumentação utilizada e totalmente pusilânime, rebuscada, falsa, indecente e trafulha.

    Ridículo porque faz de Portugal uma espécie de potência global, de árbitro internacional, um “equilibrador” das tensões mundiais, uma voz indispensável no concerto das nações, perante cujas opiniões todas se curvam, atentas e veneradoras. Se, fora daqui, alguém ouvisse as pretensões universalistas do indivíduo, não faltaria quem risse de todos nós à gargalhada.

    Cereja em cima do bolo: o senhor de Belém não acha mal, antes pelo contrário.

    Em resumo: uma colossal porcaria.

     

     28.3.18

  • CONTABILIDADEGERINGONCIAL

     

    1. Afinal o retumbante triunfo orçamantal da geringonça era só fogo de vista. Feitas as contas como deve ser, os 0,9% de défice passaram a quase 3%, trezentos por cento do que diz a propaganda.

    Pois, dizem eles, mas foi por causa da Caixa. Como a Caixa é do Estado, o Estado pagou a si próprio, portanto ficou com o dinheiro, não gastou. O Centeno achava que isso de dinheiros para a banca era despeza no tempo do governo legítimo, mas deixou de o ser com a geringonça. Este formidável argumento não convenceu os burocratas/contabilistas de Bruxelas, que não vão em histórias de banha da cobra.

    Era tudo mentira. O défice não foi os 1,6% calculados pelo Centeno, nem os 0,9% do fecho de contas. Mas, como o que faz fé nesta terra de ignaros é o que diz a propaganda, ficamos todos felizes. Lorpas mas felizes.

     

    2. Parece que já está garantido que a Santa Casa vai dar 20 milhões por 1% do Montepio. Contas à Centeno. Os mais optimistas dizem que o Montepio valerá, com muito favor, uns 400 milhões. Para os analfabetos, que somos quase todos, 1% de 400 é igual a 4. Mas, nas contas da geringonça, é igual a 20. Maldita tabuada!

     

    3. Rezam uns números que por aí vegetam que a carga fiscal portuguesa em 2017 foi a mais elevada das últimas décadas: 35% do PIB! Mas, neste império da aldrabice oficial, ainda há quem diga que a austeridade acabou. E que o Trump tem o exclusivo das fake news.

     

    27.3.18     

  • DIÁLOGO VIRTUAL, OU NEM POR ISSO

    Trriiiim.

    -Tá lá? É o Augusto?

    – Sou. Tás boa, Catarina?

    – Óptima. Olha, ligo-te por causa desta história do espião russo.

    – Sim. E então, em que posso ser-te útil?

    – A mim não, ao país.

    – Ora diz.

    – Não podemos permitir que Portugal vá nas manobras do imperialismo capitalista e do neoliberalismo protofascista, explorador, homofóbico, xenófobo, misógino, falocrata e incorrecto que por aí grassa.

    – Toda a razão. E então?

    – Então não podes alinhar com esta iniciativa da Teresa May, que arrasta uma data de países. O Bloco não aceita, de maneira nenhuma, que expulses os espiões russos. Fazem cá imensa falta, para compensar os canalhas da NATO, da UE e de outros incorrectos representantes do grande capital.   

    –  Mas nós temos compromissos. Somos o mais antigo aliado do Reino Unido, somos membros da NATO, da UE… o Centeno até manda no euro!

    – Manda mas é o caraças, não passa de um lacaio dos alemães. Quanto ao resto, como sabes, nós abominamos a NATO, queremos sair da UE, renegociar a dívida e mandar o euro às malvas.

    – Tá bem, toda a razão. Mas o governo…

    – O governo só existe porque nós deixamos. Ao PC nem vale a pena perguntar. Se não quiseres sarilhos, põe-te mas é de fora.

    – No fundo, repito, tens toda a razão. Só que, no PS, ainda há muitos reaccionários, não é só o Galamba, o Santos e a malta deles que alinha convosco sem condições.   

    – Pois, percebo. O Costa não há meio de se desfazer dos emplastros que por lá tem.

    – Pois é. Então o que achas que eu devo fazer?

    – Diz que tomas nota, ou coisa que o valha. Dizes nim, e acabou-se. Será um grande exemplo para o mundo!

    – Boa ideia. Vou já fazer uma nota a dizer que tomei nota.

    – Isso é que é falar. Estás safo. Beijinhos.

    Clic.

     

    27.3.18

  • NOVAS DE UM WALKING DEAD

    Dando largas à sua ânsia de informar, os media consagraram várias páginas à oração de sapiência proferida pelo amigo do seu amigo, doutor de várias teses e publicações vendidas aos milhares a diversos beneméritos e vítima indefesa das mais repenicadas perseguições judiciais e políticas, cidadão impoluto, espelho da nação, senhor De Sousa, apelidado de 44 por alguns malevolentes criminosos e dito engenheiro Sócrates pelos que, com impecável fé e sentido de justiça, o amam, estimam e seguem.

    Por isso que bem merecido tenha sido o convite dos estudantes de Coimbra – julga-se que alunos do não menos estimável professor Boaventura – que não quiseram perder a boaventura de ouvir as doutas plavras de tão alto representante das formidáveis qualidades que tão bem caracterizam a mais alta expressão do génio português na sua versão correcta.

    Dizem almas menos dadas a estas manifestações, certamante por indecorosa maldade, que a sessão foi programada a gosto do orador, isto é, que as perguntas dos alunos, prenhes de ciriosidade científica, foram todas, a priori, combinadas com ele, não fora haver infiltrados provindos dos inimigos da correcção em vigor, que fossem para ali adiantar curiosidades chatas relacionadas com andares em Paris, jantares no Fouquet, golpes do baú e outras inconveniências.

    Verdade é que, e ainda bem, os meninos, obedecendo aos critérios pré-estabelecidos, não levantaram a mais pequena pergunta fora do guião, qualquer coisinha que pudesse incomodar o orador. Os media, em geral e em particular, não deram sinal de ter dado por isso, assim dando fé do respeito e da consideração devidos a tão admirável criatura. O IRRITADO assinala este facto porque, como toda a gente sabe, comete o erro crasso de não gostar de socialistas em geral e deste conferencista em particular.

     

    26.3.18

  • TEATRADAS

     

    O triste cidadão tem assistido a algumas novidades linguístico-conceptuais, ridículas ou estúpidas, tendentes não se sabe bem a quê, mas que mereceriam, ou que os seus autores as explicassem, ou que os inúmeros especialistas em semântica e outras actividades do estilo as investigassem, por uma questão de respeito pelos ignaros. Por exemplo: os contínuos, empregados de limpeza e outras profissões menos qualificadas passaram a “assistentes operacionais”; os concursos públicos são agora “procedimentos concursais”. E por aí adiante, num mar de charadas e parvoíces.

    Os “grupos de trabalho”, as “comissões especializadas” e outras desculpas para empurrar problemas para baixo do tapete e pagar umas senhas de presença estão a ser substituídas por coisa mais fina: as “estruturas de missão”. Lindo, não é? Deve ser óptimo fazer parte de uma “estrutura de missão”. O peito incha, os trocos também, quanto mais tempo a “estrutura” durar melhor. Além disso deve ser prestigiante, bom para pôr no currículo, até é capaz de abrir ares para outros voos. Se não servir para nada, melhor ainda. Virá outra “estrutura de missão”, talvez com um nome diferente, para inglês ver.

     

    Em “estrutural” paroxismo, o extraordinário Centeno e o seu serventuário da saúde alugaram um teatro, sim, um teatro, para pôr em cena mais uma comédia governamental: o lançamento de uma “estrutura de missão” destinada a estudar a forma de pagar as dívidas da saúde, perdão, para “reequilibrar o sistema”. Não, meus amigos, não se trata de alguma crise de honestidade que tenha, repentinamente, assolado as almas da geringonça. Nem pensar. A raiz do problema não são as dívidas, os atrasos dos pagamentos, os problemas que vão dando cabo da cabeça aos credores. Nada disso. Trata-se de evitar que Bruxelas, que anda a pau com estas matérias e faz sentir que não atura as cativações e dívidas anexas por muito mais tempo, se excite. Não é coisa para inglês ver, é para Bruxelas ver. Ver como a geringoncial coisa está preocupada com o assunto e ficar o tempo que for preciso à espera dos relatórios, conferências e outros espectáculos com que a “estrutura de missão” não deixará de a contemplar. Entretanto, os enganados locais ficarão convencidos que o problema está em vias de solução, coisa que não ocorreu, nem ao Centeno nem ao outro. Se tal lhes tivesse ocorrido, pagavam o que devem, caso encerrado. Mas este é como os demais casos que a geringonça encerra, ou seja, não passa de publicidade.

    E ainda há quem se queixe do Facebook!   

     

    26.3.18

  • DA JUSTA INDIGNAÇÃO DOS INOCENTES

     

    Não houve alma nesta terra que não tivesse tecido as devidas loas à Comissão Técnica Independente que investigou os incêndios. A própria geringonça elogiou a iniciativa do PSD de formar tal comissão. Muito bem.

    Até que… até que o relatório dos acontecimentos de Outubro saltou cá para fora. Aí, parece que houve umas afirmações que punham em causa a fantástica prestação do chamado governo e que, calcule-se o despautério, levantavam certos véus que, mui cuidadosamente, obnubilavam os feitos da competentíssima actuação dos geringonços de serviço ao caso. Lesa majestade!

    Os ditos ficaram cheios de comichões. Então não é que a comissão se esqueceu da suprema verdade, que estipula, cientificamente, que o chamado governo e as suas bengalas não são, por definição, culpados seja do que for? Que lata!

    A reacção dos atingidos, com justa indignação, foi imediata e peremptória. O ex-ajudante da dona Constança veio a terreiro dizer que era tudo mentira, que havia documentos a prová-lo, que não tinham ouvido a sua douta opinião sobre o assunto. E até disse que isso de haver falta de aviões não interessava porque, com aviões ou sem eles, o incêndio progredia, ou seja, que os aviões não eram precisos para nada. À noite, o inevitável Caramba, perdão, Galamba, galambazou-se na repetição dos argumentos do ajudante. Está tudo documentado, o governo autorizou o que tinha a autorizar e não autorizou o que não tinha que autorizar. E, acrescento, se não ligou pevas ao que dizia o IPMA, foi, evidentemente, porque não tinha nada que ligar à mentirologia de tais fulanos.

    E o chamado primeiro-ministro não veio, após muito instado pelos malandros dos media, dizer desculpem qualquer coisinha? Querem mais?

    É inacreditável. No momento em que a mui nobre geringonça toma medidas que têm a ver com o futuro, com a segurança das populações, a limpeza do mato, a reconstrução do ardido, etc. e tal, anda esta gente da comissão a falar do passado, como se o passado não fosse passado, ido, arrumado, enterrado, ardido? Que topete!

    Em conclusão, o relatório da Comissão Técnica seria digno de todos os elogios, não fora ter tocado as fraldas da geringonça, coisa por definição intocável. Se tocou, não presta para nada.

     

    23.3.18

  • NOTICIAS DA GERINGONÇA

    Em Dezembro de 2015, as dívidas em atraso dos hospitais (em média 100 dias) somavam cerca de 430 milhões de euros. Em 2016, 613 milhões. Em 2017, 900 milhões. Em 2018 (Fevereiro) 950 milhões. Eis a maravilha da gestão Centeno, que, agora (Março), anuncia gloriosamente que vai pagar cerca de metade, por ordem de “antiguidade”, isto é, dando prioridade a dívidas com um ano, ou mais, de atraso. As outras logo se vê.

     

    A dona Teodora saiu do index. Ameaçada durante anos pela geringonça por dizer o que estava mal, eis que prevê um défice menor que o estimado, à custa do que sabemos (cativações, dívidas monumentais, etc.). Em termos geringonciais, passou a ser uma tipa porreira. Também disse que o consumo privado não tem nada a ver com o crescimento, isto é, que a geringonça aldrabou toda a gente, mas isso não consta da propaganda.

     

    O Cabrita andou às aranhas com o relatório da Comissão Independente. Perguntado sobre o assunto, no que se refere aos incêndios nem um pio. Resolveu falar do “futuro”, das fantásticas decisões do chamado governo, ou seja, da pessegada que, por todos os lados, salta à vista.

     

    O chamado ministro da defesa confessa que a tropa, sob a sua alta direcção, tem Tancos e outros paióis sem sombra de segurança. Só faltou dizer, ó espanto, que a culpa é de Passos Coelho. Quanto aos culpados do roubo, nem um pio. Assunto arrumado?

      

    A novela do Montepio continua em grande. Uma trambiquice legal, presumivelmente exclusivo para amigos, transformou o vinho em água, 500 milhões de buraco passaram, por obra e graça do Centeno, a 300 de lucro. Fácil, rendoso, mas não barato. Vamos pagar esta milagrosa maravilha que nem uns lorpas. Desde que se mantenha a “gestão” social/maçónico/cumuna da organização, vale o que for preciso.

     

    E a vida continua.

     

    22.3.18

  • VIOLAÇÕES

     

    Não percebo nada de redes sociais, não sou frequentador do Facebook, não sei o que é o Instagram, não sou filiado do Twitter nem noutras martingalas do género. Não sou velho do Restelo, não tenho é pachorra para estas modernices, virtualmente indispensáveis para a esmagadora maioria do respeitável público.

    Passo a vida a apagar as inúmeras mensagens do Facebook que vão aparecendo. Se, excepcionalmente, abro alguma, verifico que fica à minha disposição o “perfil” de cada um, o que cada um faz, se foi à praia, se é adepto do Carcavelinhos, se gosta de pastéis de bacalhau, se tem uns filhinhos muito bonitos, se gosta da geringonça, e mais uns oceanos de coisas que me interessam tanto como saber se está a chover em Tegucicalpa.

    É claro que, segundo muita gente, fico à margem de inúmeras coisas importantíssimas. Paciência. Apesar de ter muito tempo, passar horas no Facebook não faz parte do meu dia-a-dia.

    Vem esta lenga-lenga a propósito das notícias que referem, como crime de lesa privacidade, as “investigações” de uma organização qualquer que fez propaganda ao inimputável Trump através do “roubo” de 50.000.000 de “perfis” do Facebook. Parece que os tipos, como fazem milhões de empresas por esse mundo fora, seleccionavam dessa forma os eleitores/clientes, a fim de os bombardear com a propaganda do fulano.

    A minha pergunta, desde já agradecendo algum esclarecimento, é: onde está o crime? Se eu posso encontrar os “perfis” de quem quer que, aderindo à coisa, publica, urbi et orbe, as suas características, façanhas, gostos e opiniões pessoais, é crime ir lá buscá-las?

    Quem não passa a vida a receber mensagens de gente desconhecida, com quem não tem relações de nenhuma espécie, a quem não deu endereço nenhum? E, no entanto, ninguém liga pevas ao assunto, nem as pessoas nem as entidades, autoridades, comissariados, reguladores e outros penduras encartados. Tudo minha gente acha muito bem?

    Há hordas de violadores de correspondência por esse mundo fora que, com largo aplauso, são endeusados.

    O que é engraçado, ou não tem graça nenhuma é que, de repente, os mesmos que põem violadores e hackers nos altares se desdobrem em críticas e acusações aos tipos da propaganda do Trump. Há violações boas e violações más?

    Não simpatizo com o Trump, antes pelo contrário, mas, que diabo, alguém me explique, repito, onde está a lógica desta súbita indignação universal.

     

    20.3.18

  • IRRITADO EMBASBACADO

     

    Já lá vai um bom par de anos, um alto dirigente do PSD, comentando os feitos de Barroso, dizia-me: com este gajo, cada cavadela cada minhoca! Era um desespero. No entanto, facto é que Barroso, apesar das minhocas do meu amigo, ganhou as eleições.

    Desta vez, no mar encapelado de minhocas em que Rio navega, só a história acima pode dar alguma esperança a um eleitor do partido.

    Parece que o novo líder tem como principal característica a de só fazer asneiras. E fá-las umas em cima das outras, em catadupas. Os mais credíveis membros do seu estado maior estão calados que nem ratos dos canos. O chefe do grupo parlamentar, que Rio foi buscar aos adeptos da Santana Lopes para dar um arzinho de união, alinha na doçura com que trata a geringonça e o seu condotieri, chegando ao cúmulo de ouvir, sem o mínimo sobressalto, o chefe Costa pôr as culpas dos incêndios aos media. A ponto de ter deixado de haver a tradicional oposição à oposição e de a geringoncial cãozoada não ter outra solução senão continuar a morder as canelas de Passos Coelho, e de forma tão reles que faz de cãozoada uma expressão carinhosa.

    É a primeira vez na história desta triste III República em que um líder partidário se propõe ficar em segundo lugar. Que diabo, nem o MRPP faz destas! Trata-se de um homem que gere o longo prazo, dizem os seus já raros adeptos. Treta.

    O IRRITADO, confesso, tem andado de tal maneira embasbacado que quase perdeu o pio. O que podia comentar é tão evidente que já há comentários que cheguem. Após a estapafúrdia actuação e queda do Barreiras, só falta a Rio nomear a parvalhona secretária geral. Ou o tipo das relvas sintéticas e dos filiados que moram em descampados. Faltará, neste caso, o aval do tipos do Conselho Nacional, onde Rio é minoritário. Aí, talvez haja esperança de algum bom senso.

    Onde estão os craques que iam propor novas políticas? Onde está a condenação dos caminhos da economia, da desorientação da saúde, das dívidas ao mercado, da bagunça na limpeza das matas, das benesses maçónico-socialistas aos camaradas do Montepio, do abandono das pontes, das linhas férreas, das estradas da morte? Onde está a alternativa ao governo do usurpador? Onde está o golpe d’asa?

     Rio, até ver, nem tem graça nem é engraçado.

     

    19.3.18

  • VOTO INÚTIL

     

    Não sei ao certo qual o raciocínio que leva a líder do CDS a afirmar que “acabou o voto útil”. Pode ser que seja muito lógico, mas, como noutros casos, não se vislumbra a utilidade da ideia. Nunca votei “útil”, pelo menos segundo os critérios do CDS, sempre votei útil segundo os meus.

    O que pode inutilizar o voto das pessoas é o uso que lhe for dado pelas abertas do sistema.

    Foi o que aconteceu em 2015: o meu voto ganhou, mas foi deitado para o caixote do lixo. Pode dizer-se que, por este critério, dona Assunção tem razão: o meu voto passou a inútil, como que aconteceu ao da esmagadora maioria dos portugueses. Só há, ou poderia haver, uma interpretação legítima do resultado dessas eleições: a coligação mais votada foi a que estava no poder. Baixou o seu score, mas não deixou de ser a mais votada. O eleitorado, se interpretados os resultados com seriedade, apontou claramente para a continuidade do governo anterior, mas com menos margem de manobra, isto é, ou via coligação com o PS, ou via abstenção do PS.

    Aliás, era essa a leitura política tradicional na III República. Sem uma única excepção. Quando, hoje, as mesnadas do PS dizem, com formal razão, que não há eleições para primeiro-ministro, esquecem que quem inventou o contrário (eleições internas do “candidato a primeiro ministro”) foram elas, o que nos dá um sinal claro da diferença entre a seriedade e a oportunidade. O seu candidato, informal em termos constitucionais mas formal pelos critérios do PS, não foi eleito. Daí, os anunciados critérios foram abandonados e aplicado o seu contrário. Assim que conveio, as coisas foram postas de pernas para o ar, o que nos dá uma imagem clara do que, para tal gente, significa a expressão “palavra honrada”.

     

    Porquê, dois anos depois, voltar a bater nestas teclas? Porque, senhores, a moral republicana que animou a subida ao poder do “candidato a primeiro-ministro” vencido é a mesma que continua, dois anos depois, a reger a coisa pública.

    A “palavra honrada” foi substituída pela propaganda, pelo torcer dos números, pela inversão das razões. As chamadas boas notícias foram obtidas, não pela acção do governo, mas apesar o governo. As descidas do défice (miseráveis se comparadas com as do governo legítimo) é a única boa notícia de que se podem valer, isto é, trata-se de um “mérito” que advem do garrote dos serviços públicos, das cativações tão cegas quanto brutais, do abandono do património nacional, da ausência de investimento público, da utilização das folgas fiscais para a compra de votos, da austeridade mascarada, dos erros fatais da política económica com efeitos de longo prazo.

    A “palavra honrada” já mostrou o que vale. Os seus mais graves efeitos virão, quando a anestesia da opinião pública cessar e quando as condições externas abanarem. Tudo aponta para que baste um destes quandos.

     

    15.3.18

  • MISTÉRIOS

     – Como é que um navio (o encalhado no Bugio) vai para Marrocos com uma carga de areia? Marrocos importa areia?

    – Como é que os tipos do Benfica que, segundo consta, foram avisados de que iam ser alvo de buscas, deixaram a papelada toda no sítio?

    – Como é que um tipo como o desinteressante Feliciano Barreiras Duarte, com currículo académico e obra publicada, arranjou uma trambiquice idiota para se intitular professor em Berkeley, onde jamais pôs os pés?

    – Como é que um líder partidário, Rui Rio, aplica a sua suposta inteligência a fazer rapa-pés ao adversário e a zangar-se com todos os seus, num nunca acabar de asneiras sem sentido? Haverá alguma forma de salvar o PSD da derrocada?

    – Como é que um líder que, orgulhosa e conscientemente, levou o CDS aos dias mais negros da sua existência é alvo de uma homenagem especial no congresso do partido?

    – Como é que a harpia número um da nossa política, dona A.C. Mendes, tem a lata de dizer que quem empobreceu o país foi Passos Coelho, quando toda a gente sabe que quem deu cabo disto (três vezes!) foi o PS de Soares e de Sócrates/Costa?

    – Como é que o mesmo indivíduo, Marques Mendes, que fez cair o PSD na CML, assim lançando Costa na ribalta, se atreve a continuar a auto-considerar-se gente?

     

    12.3.18

  • SACAR ALGUM

     

    Segundo os próprios, os “principais equipamentos culturais da região centro” são: a Escola da Noite, o Teatrão, o Teatro Académico de Gil Vicente, o Teatro Viriato e o Leirena. Na minha qualidade de alfacinha, não sabia da existências de tais e tão dignas entidades, aqui fazendo acto de contrição por tão mortal falta. Tais organizações, segundo as próprias, são integradas por “profissionais que têm trabalhado no serviço público financiado pelo Estado”.

    Calcule-se porém que a última das trupes acima referidas não tem pedido financiamentos. Grave pecado.

    Acontece que uma senhora, Directora de Cultura da Região centro, de cuja existência eu também não suspeitava, pecado meu, veio a público dizer que o tal Leirena não a “incomodava” com pedidos de dinheiro. Esta declaração mereceu dos restantes, acompanhados por mais 110 cidadãos, ao que presumo “agentes culturais”, uma petição exigindo a imediata demissão da senhora directora, a qual, ao gabar uma instituição por não lhe pedir dinheiro, cometeu o que parece ser crime de lesa cultura e de violento ataque à região centro.

    Postas as coisas em termos reais, ficamos a saber que os “agentes culturais” que não pedem  dinheiro ao Estado, não são “agentes culturais”, uma vez que, se calhar, vivem à custa dos seus espectadores, mecenas, amigos ou lá quem seja que goste daquilo que fazem e pague bilhetes. Os verdadeiros “agentes culturais” prestam “serviço público” (acham eles) e, portanto, ou vivem à custa do orçamento ou, é de concluir, nem sequer deviam ter direito à vida. Razão pela qual é de inteira justiça que peçam o saneamento dessa horrível directora que elogia quem não lhe bate á porta em busca dos euros necessários à vidinha.

    Eu compreendo que haja quem se ache credor do Estado, quem valorize as actividades próprias, quem se tenha por indispensável. Vivemos num país muito dado à benevolência, e num estado socialista que só por omissão ou negligência ainda não nacionalizou os teatros, os actores, os pintores, os trinca-bilhetes, os carpinteiros, todos os que trabalham ou dizem trabalhar, os quais, por consequência, ficam sujeitos aos tenebrosos ditames do mercado. Um horror.

     

    A fechar este tão injusto post (por ventura neoliberal) não quero deixar de referir que o director do supracitado Leirena (seja isso o que for), excitado pelas afirmações da directora e pela petição, já declarou que vai inscrever-se no próximo “quadro de apoio”, não vá, por relapsa distracção, escapar-lhe a oportunidade de sacar algum, a fim de passar a “agente cultural” de pleno direito.

     

    9.3.18