IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VIOLAÇÕES

 

Não percebo nada de redes sociais, não sou frequentador do Facebook, não sei o que é o Instagram, não sou filiado do Twitter nem noutras martingalas do género. Não sou velho do Restelo, não tenho é pachorra para estas modernices, virtualmente indispensáveis para a esmagadora maioria do respeitável público.

Passo a vida a apagar as inúmeras mensagens do Facebook que vão aparecendo. Se, excepcionalmente, abro alguma, verifico que fica à minha disposição o “perfil” de cada um, o que cada um faz, se foi à praia, se é adepto do Carcavelinhos, se gosta de pastéis de bacalhau, se tem uns filhinhos muito bonitos, se gosta da geringonça, e mais uns oceanos de coisas que me interessam tanto como saber se está a chover em Tegucicalpa.

É claro que, segundo muita gente, fico à margem de inúmeras coisas importantíssimas. Paciência. Apesar de ter muito tempo, passar horas no Facebook não faz parte do meu dia-a-dia.

Vem esta lenga-lenga a propósito das notícias que referem, como crime de lesa privacidade, as “investigações” de uma organização qualquer que fez propaganda ao inimputável Trump através do “roubo” de 50.000.000 de “perfis” do Facebook. Parece que os tipos, como fazem milhões de empresas por esse mundo fora, seleccionavam dessa forma os eleitores/clientes, a fim de os bombardear com a propaganda do fulano.

A minha pergunta, desde já agradecendo algum esclarecimento, é: onde está o crime? Se eu posso encontrar os “perfis” de quem quer que, aderindo à coisa, publica, urbi et orbe, as suas características, façanhas, gostos e opiniões pessoais, é crime ir lá buscá-las?

Quem não passa a vida a receber mensagens de gente desconhecida, com quem não tem relações de nenhuma espécie, a quem não deu endereço nenhum? E, no entanto, ninguém liga pevas ao assunto, nem as pessoas nem as entidades, autoridades, comissariados, reguladores e outros penduras encartados. Tudo minha gente acha muito bem?

Há hordas de violadores de correspondência por esse mundo fora que, com largo aplauso, são endeusados.

O que é engraçado, ou não tem graça nenhuma é que, de repente, os mesmos que põem violadores e hackers nos altares se desdobrem em críticas e acusações aos tipos da propaganda do Trump. Há violações boas e violações más?

Não simpatizo com o Trump, antes pelo contrário, mas, que diabo, alguém me explique, repito, onde está a lógica desta súbita indignação universal.

 

20.3.18



4 respostas a “VIOLAÇÕES”

  1. PARABÉNS!Foi por “posts” deste quilate que outrora (há muito tempo) me convenceu das suas Qualidades (sr António).Certamente por “isto” (saudades da sua autenticidade), fui ficando por aqui.REGRESSE, sr. António Borges (IRRITADO).

      1. Percebeu, percebeu.

  2. Alguém acredita que esta empresa só trabalhou para o Trump e, segundo dizem, também para o Brexit? Hoje em dia, o que se lê em grande parte da imprensa europeia é pura propaganda. Contra Trump, contra Putin, contra o Brexit, contra nacionalistas e a favor de merkel, de Macron, de Bruxelas, da imigração na Europa, etc.Quem não concorda com o actual modelo europeu é euroceptico, quem não concorda com política de emigração ditada por Bruxelas é xenófobo e racista, quem gosta da identidade do seu país é reacionário, etc etcCalhou ontem rever um programa do economista João Ferreira do Amaral e achei curioso que, em relação ao euro e à Europa, ele defende em sites da esquerda portuguesa exactamente a mesma teoria que defendem os economistas da chamada extrema direita italiana. De repente, os conceitos que há meia dúzia de anos eram consensuais aparecem etiquetados de modo estranho. É o dominio do dito politicamente correcto.

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