Dando largas à sua ânsia de informar, os media consagraram várias páginas à oração de sapiência proferida pelo amigo do seu amigo, doutor de várias teses e publicações vendidas aos milhares a diversos beneméritos e vítima indefesa das mais repenicadas perseguições judiciais e políticas, cidadão impoluto, espelho da nação, senhor De Sousa, apelidado de 44 por alguns malevolentes criminosos e dito engenheiro Sócrates pelos que, com impecável fé e sentido de justiça, o amam, estimam e seguem.
Por isso que bem merecido tenha sido o convite dos estudantes de Coimbra – julga-se que alunos do não menos estimável professor Boaventura – que não quiseram perder a boaventura de ouvir as doutas plavras de tão alto representante das formidáveis qualidades que tão bem caracterizam a mais alta expressão do génio português na sua versão correcta.
Dizem almas menos dadas a estas manifestações, certamante por indecorosa maldade, que a sessão foi programada a gosto do orador, isto é, que as perguntas dos alunos, prenhes de ciriosidade científica, foram todas, a priori, combinadas com ele, não fora haver infiltrados provindos dos inimigos da correcção em vigor, que fossem para ali adiantar curiosidades chatas relacionadas com andares em Paris, jantares no Fouquet, golpes do baú e outras inconveniências.
Verdade é que, e ainda bem, os meninos, obedecendo aos critérios pré-estabelecidos, não levantaram a mais pequena pergunta fora do guião, qualquer coisinha que pudesse incomodar o orador. Os media, em geral e em particular, não deram sinal de ter dado por isso, assim dando fé do respeito e da consideração devidos a tão admirável criatura. O IRRITADO assinala este facto porque, como toda a gente sabe, comete o erro crasso de não gostar de socialistas em geral e deste conferencista em particular.
26.3.18

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