Trriiiim.
-Tá lá? É o Augusto?
– Sou. Tás boa, Catarina?
– Óptima. Olha, ligo-te por causa desta história do espião russo.
– Sim. E então, em que posso ser-te útil?
– A mim não, ao país.
– Ora diz.
– Não podemos permitir que Portugal vá nas manobras do imperialismo capitalista e do neoliberalismo protofascista, explorador, homofóbico, xenófobo, misógino, falocrata e incorrecto que por aí grassa.
– Toda a razão. E então?
– Então não podes alinhar com esta iniciativa da Teresa May, que arrasta uma data de países. O Bloco não aceita, de maneira nenhuma, que expulses os espiões russos. Fazem cá imensa falta, para compensar os canalhas da NATO, da UE e de outros incorrectos representantes do grande capital.
– Mas nós temos compromissos. Somos o mais antigo aliado do Reino Unido, somos membros da NATO, da UE… o Centeno até manda no euro!
– Manda mas é o caraças, não passa de um lacaio dos alemães. Quanto ao resto, como sabes, nós abominamos a NATO, queremos sair da UE, renegociar a dívida e mandar o euro às malvas.
– Tá bem, toda a razão. Mas o governo…
– O governo só existe porque nós deixamos. Ao PC nem vale a pena perguntar. Se não quiseres sarilhos, põe-te mas é de fora.
– No fundo, repito, tens toda a razão. Só que, no PS, ainda há muitos reaccionários, não é só o Galamba, o Santos e a malta deles que alinha convosco sem condições.
– Pois, percebo. O Costa não há meio de se desfazer dos emplastros que por lá tem.
– Pois é. Então o que achas que eu devo fazer?
– Diz que tomas nota, ou coisa que o valha. Dizes nim, e acabou-se. Será um grande exemplo para o mundo!
– Boa ideia. Vou já fazer uma nota a dizer que tomei nota.
– Isso é que é falar. Estás safo. Beijinhos.
Clic.
27.3.18

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