IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VOTO INÚTIL

 

Não sei ao certo qual o raciocínio que leva a líder do CDS a afirmar que “acabou o voto útil”. Pode ser que seja muito lógico, mas, como noutros casos, não se vislumbra a utilidade da ideia. Nunca votei “útil”, pelo menos segundo os critérios do CDS, sempre votei útil segundo os meus.

O que pode inutilizar o voto das pessoas é o uso que lhe for dado pelas abertas do sistema.

Foi o que aconteceu em 2015: o meu voto ganhou, mas foi deitado para o caixote do lixo. Pode dizer-se que, por este critério, dona Assunção tem razão: o meu voto passou a inútil, como que aconteceu ao da esmagadora maioria dos portugueses. Só há, ou poderia haver, uma interpretação legítima do resultado dessas eleições: a coligação mais votada foi a que estava no poder. Baixou o seu score, mas não deixou de ser a mais votada. O eleitorado, se interpretados os resultados com seriedade, apontou claramente para a continuidade do governo anterior, mas com menos margem de manobra, isto é, ou via coligação com o PS, ou via abstenção do PS.

Aliás, era essa a leitura política tradicional na III República. Sem uma única excepção. Quando, hoje, as mesnadas do PS dizem, com formal razão, que não há eleições para primeiro-ministro, esquecem que quem inventou o contrário (eleições internas do “candidato a primeiro ministro”) foram elas, o que nos dá um sinal claro da diferença entre a seriedade e a oportunidade. O seu candidato, informal em termos constitucionais mas formal pelos critérios do PS, não foi eleito. Daí, os anunciados critérios foram abandonados e aplicado o seu contrário. Assim que conveio, as coisas foram postas de pernas para o ar, o que nos dá uma imagem clara do que, para tal gente, significa a expressão “palavra honrada”.

 

Porquê, dois anos depois, voltar a bater nestas teclas? Porque, senhores, a moral republicana que animou a subida ao poder do “candidato a primeiro-ministro” vencido é a mesma que continua, dois anos depois, a reger a coisa pública.

A “palavra honrada” foi substituída pela propaganda, pelo torcer dos números, pela inversão das razões. As chamadas boas notícias foram obtidas, não pela acção do governo, mas apesar o governo. As descidas do défice (miseráveis se comparadas com as do governo legítimo) é a única boa notícia de que se podem valer, isto é, trata-se de um “mérito” que advem do garrote dos serviços públicos, das cativações tão cegas quanto brutais, do abandono do património nacional, da ausência de investimento público, da utilização das folgas fiscais para a compra de votos, da austeridade mascarada, dos erros fatais da política económica com efeitos de longo prazo.

A “palavra honrada” já mostrou o que vale. Os seus mais graves efeitos virão, quando a anestesia da opinião pública cessar e quando as condições externas abanarem. Tudo aponta para que baste um destes quandos.

 

15.3.18



3 respostas a “VOTO INÚTIL”

  1. O “voto útil” é uma das curiosidades da Partidocracia do Irritado. Como toda a gente sabe que as eleições são ganhas pelo PS ou pelo PSD, só esses votos são úteis. A dispersão de votos pelos restantes é inútil. Ou pelo menos era assim até à Gerimbosta. A Gerimbosta foi mais um prego no caixão desta “democracia”: como se não bastasse os eleitos fazerem o que lhes dá na gana, já nem a escolha dos eleitos é garantida. Podem juntar-se ou afastar-se após as eleições, viciando qualquer escolha. Isto nem começou com a Gerimbosta. Já a PAF se tinha juntado após as eleições, porque lhe deu jeito, e depois a Dona Portas ameaçou separá-la, porque lhe deu jeito. É esse o único critério. Como dá jeito à canalha. Mas não é a democracia, ou a falta dela, que o Irritado critica. Não é isto que o incomoda. A canalha se junte ou separe quando lhe der jeito, sem perguntar nada a ninguém, como aliás em tudo o resto. O que o incomoda é o seu PSD ter ficado em 1º nas eleições, mas não ter poleiro. Isso é que não pode ser. E como sempre, a matemática anda pobre: a «esmagadora maioria dos portugueses» não quis Passos nem PAF. Metade deles nem quiseram ninguém. Rejeitaram todas as opções. Foram mais uma vez ignorados.

    1. Apesar de mais moderado na linguagem, ainda denota muito ‘azedume’. A ‘purga’ apenas atenuou o seu estado. Não o ‘curou’.

  2. Para mim o grande problema está nas consequências para o país que se vão ver no médio prazo. Juntar, na governação, grupos com objectivos políticos e estratégias divergentes, só pode conduzir a medidas tomadas fora de qualquer contexto e a um percurso ziguezagueante. A situação que caracteriza a economia do país, com o efeito inevitável da arquitectura do euro, é como a manta do diabo: se tapa a cabeça destapa seguramente os pés.

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