IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SACAR ALGUM

 

Segundo os próprios, os “principais equipamentos culturais da região centro” são: a Escola da Noite, o Teatrão, o Teatro Académico de Gil Vicente, o Teatro Viriato e o Leirena. Na minha qualidade de alfacinha, não sabia da existências de tais e tão dignas entidades, aqui fazendo acto de contrição por tão mortal falta. Tais organizações, segundo as próprias, são integradas por “profissionais que têm trabalhado no serviço público financiado pelo Estado”.

Calcule-se porém que a última das trupes acima referidas não tem pedido financiamentos. Grave pecado.

Acontece que uma senhora, Directora de Cultura da Região centro, de cuja existência eu também não suspeitava, pecado meu, veio a público dizer que o tal Leirena não a “incomodava” com pedidos de dinheiro. Esta declaração mereceu dos restantes, acompanhados por mais 110 cidadãos, ao que presumo “agentes culturais”, uma petição exigindo a imediata demissão da senhora directora, a qual, ao gabar uma instituição por não lhe pedir dinheiro, cometeu o que parece ser crime de lesa cultura e de violento ataque à região centro.

Postas as coisas em termos reais, ficamos a saber que os “agentes culturais” que não pedem  dinheiro ao Estado, não são “agentes culturais”, uma vez que, se calhar, vivem à custa dos seus espectadores, mecenas, amigos ou lá quem seja que goste daquilo que fazem e pague bilhetes. Os verdadeiros “agentes culturais” prestam “serviço público” (acham eles) e, portanto, ou vivem à custa do orçamento ou, é de concluir, nem sequer deviam ter direito à vida. Razão pela qual é de inteira justiça que peçam o saneamento dessa horrível directora que elogia quem não lhe bate á porta em busca dos euros necessários à vidinha.

Eu compreendo que haja quem se ache credor do Estado, quem valorize as actividades próprias, quem se tenha por indispensável. Vivemos num país muito dado à benevolência, e num estado socialista que só por omissão ou negligência ainda não nacionalizou os teatros, os actores, os pintores, os trinca-bilhetes, os carpinteiros, todos os que trabalham ou dizem trabalhar, os quais, por consequência, ficam sujeitos aos tenebrosos ditames do mercado. Um horror.

 

A fechar este tão injusto post (por ventura neoliberal) não quero deixar de referir que o director do supracitado Leirena (seja isso o que for), excitado pelas afirmações da directora e pela petição, já declarou que vai inscrever-se no próximo “quadro de apoio”, não vá, por relapsa distracção, escapar-lhe a oportunidade de sacar algum, a fim de passar a “agente cultural” de pleno direito.

 

9.3.18        



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