IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PALAVREADO

     

    Parece que o/a escrevinhador/a de discursos do nosso inigualável primeiro ministro teve um rebate qualquer, ou estará em confinamento profilático e foi substituído por um tipo menos burro.

    (Não pus o/a no confinamento, nem no profilático, porque – julgo eu – a Catarina e seus congéneres do PS ainda não se lembraram de tal coisa. Lá chegaremos.)

    Adiante. Na sua mui douta mensagem de Natal, o inenarrável comunicador de São Bento absteve-se dos auto-elogios do costume e até, ó espanto, disse que tinha cometido “alguns” erros. Mais ainda: imagine-se, não disse que a culpa de tais erros é do Passos Coelho. Neste último caso, note-se, tenho a impressão que o animalóide que é secretário de estado da educação deverá demitir-se por ter sido contrariado pelo chefe. O próprio Centeno deve ter estremecido de indignação pelo esquecimento do seu guru em relação às culpas, será que não sabe que isso de erros é exclusivo da “direita”? Imperdoável.

    Verdade é que, com uma esmerada técnica de leitura, entoação, gesto, expressão facial, compreensibilidade fonética, sem estropiar palavras ou cortá-las ao meio, o homem deu largas a desconhecidos dotes histriónicos. Convicto, “assertivo” e entendível. É claro que não disse nada, nem de novo nem de especialmente inteligente ou interessante, mas, que diabo, temos de reconhecer que – talvez por mor de lições recebidas da profissional Catarina – se esmerou esforçadamente.

    Como podem ver os meus críticos, apesar da conhecida antipatia do IRRITADO em relação ao Costa em particular e ao socialismo em geral, é capaz de elogiar a criatura quando ela merece.

    Por outro lado, há que dar os parabéns ao/à speach wirtter, ao/à professor/a de leitura e aos/às actores/rizes que assessoraram o trafulha neste Natal.  

     

      26.12.20

  • ALDRABAGENS

    As sondagens são para mim um mistério. Digo-o talvez injustamente porque não percebo nada de tal coisa. Mas estranho a forma como são feitos os inquéritos, a escolha dos inquiridos, as percentagens de uns e outros, velhos e novos, machos e fêmeas, da esquerda, da direita, ou de coisa nenhuma, analfabetos ou catedráticos, quantos de cada, contactados como, etc. Dir-me-ão que há altos e indiscutíveis critérios, que as firmas que vivem disso estão acima de qualquer suspeita, que eu é que sou um ignorante, um desconfiado, um chato.

    Uma coisa que me põe doente é ler, no fim de cada sondagem umas informações que comparo com as dos medidores de álcool dos polícias. É que os vendedores das balanças da pinga admitem um erro, mais xis ou menos zê. Aí, é coisa mensurável, não tenho razões para duvidar do sor guarda quando me diz que estou borracho ou sóbrio. Nas sondagens é mais ou menos a mesma coisa, só que, ao contrário, a confiança tende para zero: no fim da cada relatório, declaram a “margem de erro”, mais ou menos uns pontos. Como? Os aparelhos dos polícias, acredito, podem ter critérios objectivos e experimentados. Nas sondagens venha o mais pintado dizer-me que os critérios são técnicos ou científicos.    

    Neste fim de semana foram publicadas duas sondagens. Tudo gente honesta, tudo gente boa, tudo empresas da maior confiança, de grande prestígio, credíveis, autoras de incontrovertíveis conclusões. Muito bem. O problema é que um jornal, o “Expresso”, titulava que o PS estava a subir 2 pontos, de 37% para 39, e o PSD a descer de 28 para 25. O outro jornal, o “Público”, decretava o contrário, PS 37%, PSD 30,  “o PSD está mais perto do PS”, “esbate-se a diferença”.

    Em ambos os jornais um partido perde terreno, outro ganha. Só que quem ganha num perde no outro e vice-versa.

    Poder-se-ia dizer que o que comanda os títulos e as sondagens é a “política de informaçao” de cada um. Mas não será assim, já que, no caso, ambos são fiéis servidores da esquerda, da “situação”, do politicamente correcto, do que está a dar.

    Ficam as sondagens em dúvida. Terão sido encomendadas com objectivos pré-estabelecidos? É possível que não, mas que fica a dúvida, fica.

     

    20.12.20

  • NOS BASTIDORES

    – Bom dia, pá

    – Bom dia, que tal vai isso?

    – Porreiro, pá, o franciú afinal não me pegou o covide, estou na maior.

    – Ainda bem, pá. Estes franceses não são de confiança. Escapaste de mais uma.

    – Estou muito contente contigo. Apesar das bocas da direita, safaste-te bem nesta história do plano da TAP.

    – Olaré. Enfiaram um garruço do caneco.

    – Lá isso é verdade. Mas os palermas andam a dizer que nos zangámos.

    – Não ligues, pá. A estratégia resultou, é o que interessa. Nunca te passou pela cabeça, nem a mim, pôr-lhes o plano nas mãos. Era o que faltava. Punham-se a discutir e a coisa nunca mais andava.

    – Pois. Mas agora dizem que eu recuei. Primeiro, acharam que eu queria que eles descalçassem a bota. Fora de causa, tinhas toda a razão. Daí o “recuo”. Como tu não os deixaste discutir, governo é governo, escondo-lhes o plano. Enfiaram-na toda, até às orelhas. A culpa é minha, dizem eles, hihi.

    – Tens que aguentar com a essas críticas, meu rapaz. Firmeza. Firmeza, pá!

    – Conta comigo. Deixa-os falar.

    – É assim mesmo. Mantém o discurso oficial. A culpa é do Passos Coelho, não é da nacionalização, e pronto. Hihi. Parabéns, Pedro, és o maior.

    – Obrigado. E viva o socialismo, quanto mais à esquerda mais autêntico!

    – Até logo amigo, um abraço.

    – Até logo, António.  

     

    17.12.20

  • O PLANO

     

    Os militares do PREC, ao serviço do nacional-bolchevismo, nacionalizaram  uma data de coisas. Conseguiram, de uma penada, destruir tudo o que era indústria de peso, a siderurgia, os cimentos, a construção naval, a indústria química, etc. Destruiram o que era mais válido e mais precioso em nome do socialismo constitucional. A reconstrução nunca se deu, apesar de alguns meritórios esforços de políticos não socialistas. Temos dois ou três industriais a sério e independentes do Estado, e meia dúzia de verdadeiros criadores de emprego e de riqueza, muitos deles, helas, meros comerciantes, sem ofensa para os ditos. Ou seja, o que prestava para alguma coisa na segunda República foi “arrumado” pela terceira. Isto para não falar na banca: o dinheiro também era para destruir. Que se visse, nunca mais houve disso.

    No seguimento desta brilhante política, a nova república, gerida pelos socialistas, tornou-se pasto de falências do Estado, passou a viver de esmolas, e assim vai, pelos vistos, contiunar. O último que feche a porta, se ainda houver porta.

    O caso da TAP  é paradigmático. Cheio de ânsias de reversões, dando largas aos ditames da ideologia, o chefe Costa arranjou maneira de renacionalizar a TAP. Os prejuízos, endémicos, existiam, mas a TAP, gerida por privados com visão, deu um enorme salto em frente, expandiu-se, criou valor e emprego. Veio o covide. A companhia, como todas as outras, entrou em vertiginosa queda. O Estado, novo accionista (75%!) apanhou com a crise. Certo, o descalabro era inevitável, mas há uma diferença, o mais prejudicado é o Estado, e nós com ele. O accionista que foi corrido pela ideologia socialista foi-se embora com 55 milhões dos nossos impostos no bolso, e está em posição de poder vir sacar, nos tribunais, muitos mais milhões. Responsável: o chefe Costa. Pagantes: todos nós. O chefe Costa jamais assumirá a responsabilidade seja do que for. Se a assumisse, não teria com que pagar o que deve. Tem quem pague por ele: os que cá estão e os que nascerem nos cem anos que se seguem.

    Mas animem-se. Um camarada de grande valia tomou conta do assunto. Tem a seu favor o ser mais socialista que o chefe. É o condotieri da ala BE do PS. Vigoroso,  loquaz, verborreico, um exemplo acabado de trauliteirismo tonitruante, enfim, o homem ideal para conceber a solução para a TAP. Tem a seu favor não gostar, como o chefe Costa, de responsabilidades. Decidiu fazer o parlamento aprovar o seu maravilhoso “plano”, sem dar lugar a alternativas. Em sua defesa, o chefe não quis arriscar a que o genial plano fosse sujeito a discussões. A coisa foi mascarada com a rábula do desacordo entre os dois, passando o Costa, mais uma vez, por grande democrata defensor da separação de poderes.

    O plano vai falhar, e nós vamos pagar. Compreende-se. O transporte aéreo, mesmo que a história da pandemia acabe, tem um futuro negro. O teletrabalho, as reuniões e as conferências virtuais, encarregar-se-ão de dar cabo dele. Mesmo que o turismo recupere – daqui a uns anos – nunca chegará para ressuscitar o sector. É esta a triste realidade.

    O inteligentíssimo Pedro Nuno propõe-se vender aviões. A quem? A que preço? Os aviões passaram a activos tóxicos. Se houver algum tarado que os compre, fa-lo-á a dez cêntimos cada um.

    Trata-se de um problema global para o qual ninguém terá solução. No nosso caso, há uma certeza, a de que o “plano” do Santos não funcionará, por definição. É que jamais saíu de uma cabeça marxista qualquer plano de jeito.

     

    15.12.20        

  • NOVIDADES DA ESQUERDA

    Um jovem estalinista foi eleito – esmagadora maioria – presidente da chamada Juventude Socialista. O big chief Costa congratulou-se, pujante de felicidade. Ao invés, um socialista desalinhado, inteligente e culto (caso raríssimo), de seu nome Sérgio Sousa Pinto, deu por ter sido saneado pelo nóvel presidente, e não esteve com meias medidas: excluído, com Seguro, da lista dos ex-presidentes da organização, sentiu a afronta. Disse ele: Com Estaline, as figuras incómodas à situação do momento iam sendo a apagadas das fotografias. A eleição de um estalinista é a pior desgraça que podia acontecer a uma organização como a JS. Deste humilde púlpito, o IRRITADO congratula-se por haver um socialista – um! – que mantém alguma dignidade democrática.

    *

    A dona Gomes, se calhar para conquistar o voto do Medina, veio reclamar contra o facto de o Chega ter sido legalizado, “porque está contra a Constituição”. Donde se conclui que tal coisa é irreformável e que, se a dona Gomes mandasse, os que quisessem revê-la deviam ser, pelo menos,  banidos. Mais uma estalinista nas hostes. À atenção do Sousa Pinto.

    A dona Marisa veio descansar a esquerda, tanto a comunista como a “democrática”: quando ela, Marisa, for Presidente da República, não dará posse a um governo apoiado pelo Ventura. Consta que, com a dona Gomes, depois das eleições, abre uma loja de fruta, sorvada mas ”biológica”.

    *

    O Camarada Cabrita, inflorescência papuda do socialismo-nacional, viu-se ao espelho. Gostou. Depois, veio, de forma esmagadora, contar o que viu: nada menos que o mais heróico ministro de que há memória. Curvemo-nos perante a verdadeira modéstia, o sentido de (mau) estado, a eficácia, o respeito pelos defuntos, a competência e a sabedoria que a si próprio, com inteira justiça, atribui. Faz lembrar essoutra gigantesca figura da nossa era: Costa, o magnífico.

    *

    Ao contrário da generalidade dos presidentes de países europeus, os nossos põem um microfone à disposição de quem recebem, o que permite aos contemplados dizer o que lhes apetece. O chefe da polícia aproveitou a ocasião para dar largas aos seus conhecimentos políticos, solicitando mais umas competências e mais uns meios (leia-se, uns dinheiros). Não fez mais nem menos que os outros. O Cabrita encabritou-se, ou seja, deu à casca, o que só contribui para o seu indiscutível prestígio.

    *

    Tudo como dantes, ou seja, de há quase cinco anos a esta parte.

     

    14.12.20

  • VACINAS PÚBLICAS

    Nisto da vacina do covide, só há uma certeza: o Estado “dispensa” qualquer espécie de colaboração de privados, sejam hospitais, sejam farmácias, seja o que for. A receita é tão só ir para as bichas dos centros de saúde  do Estado, os quais, como é evidente, ou não têm capacidade para vacinar multidões, ou deixam da a ter para atender a clientela normal.

    Para o socialismo, a saúde é monopólio do Estado, não como serviço mas como “inalienável bem”. Não é pública por prestar serviços públicos, é-o por ser propriedade pública. Como é evidente, do que os cidadãos precisam é de serviços de saúde em boas condições, independentemente de quem os presta. Diz a experiência que os serviços públicos, quando contratados com privados, são tão bons ou melhores, e até menos caros para os contribuintes.

    Mas isto não interessa ao socialismo em vigor. A saúde pública, mais do que um serviço propriamente dito, é uma forma de poder. O Estado socialista está mais preocupado com o poder que com os serviços que deve aos cidadãos.

    Assim, o mais provável é que as vacinas do covide venham a ter o mesmo tipo de organização que o SNS. Difícil, pelo que já se sabe, será dar ao Estado o benefício da dúvida.

     

    11.12.20

  • REPENSAR

     

    Como muitos portugueses da área liberal-reformista, tenho andado a pensar como votar nas presidenciais.

    Marcelo seria o voto “natural”. Mas muita gente pensa que as presidenciais deviam dar-lhe uma lição que “premiasse” a sua evidente aliança com o governo social-comunista, o que quereria dizer votar noutro qualquer, com óbvia exclusão dos mosqueteiros da esquerda. Fazer baixar o score de Marcelo, fazê-lo sentir que “há vida” para além do social-comunismo, conseguir que perceba que vivemos num clima de total ausência de estratégia e de futuro, que estamos mergulhados no pântano de um poder exclusivamente apostado na sua própria manutenção, ou eternização, parece ser obrigação dos eleitores como eu. O voto outro que em Marcelo poderia ser útil, obrigando-o vir a deixar uma herança presidencial que ultrapassasse a maldição socialista que sobre nós se abateu.

    Dona Gomes chegou à conclusão que Marcelo é um “desestabilizador”, ideia só possível de sair de uma cabeça como a da dita senhora. O mais (tristemente) Presidente estabilizador da política portuguesa está, em tal cabeça, de pernas para o ar. “Estabilizadores” serão Eanes e o seu PRD, Soares a sua luta contra os governos que lhe não convinham, Sampaio, que dissolveu uma maioria que não lhe agradava? A grande perseguidora de tudo o que é gente (menos do Sócrates…)  inventa o mais estúpido de todos os argumentos para demolir Marcelo. O tipo do PC, esse não interessa, mas vai pelo mesmo caminho, com os argumentos clássicos. A do BE, coitada, é uma tristeza vê-la espernear.

    Mas, e os outros? Os que são alternativa de voto para os liberais conservadores? Ainda não ouvi, da parte deles, um só argumento de peso contra Marcelo. Na base do “tem que ser”, inventam razões contra, em vez dar sinal de quaisquer meritórias ideias.

    No pântano da III República, dita semi-presidencialista mas não mais que semi-parlamentar, com uma Constituição absurdamente ideológica, primeiro socialista-castrense, depois socialista-civilista, que virou as teorias do Duverger de pernas para o ar, anda o Presidente desde sempre à procura de funções e de influência. Para quê?

    Em tais águas estagnadas, a hipótese de votar Marcelo ganha terreno. Para quem não tem o hábito de se abster, é um problema.

     

    11.12.20

  • GOMISMOS

     

    Na sua viagem à Madeira, dona Gomes deu largas à sua veia policial, tão talentosa como a da Inquisição, da Stassi, ou de outras instituições análogas. É verdade, diga-se, que a dona Gomes não tem à disposição os elementos persecutórios daquelas organizações. Mas tem outros esquemas que, em termos de opinão pública, são até mais eficazes: uma imprensa sedenta de “bocas”, uma televisão às ordens, uma chusma de adeptos à qual não faltam gatunos informáticos e polícias de aviário tão mediaticamente crentes e servis quanto os esbirros de outrora. Basta umas suspeitinhas da dona Gomes para desencadear páginas e páginas de “informação”. Faz lembrar o senhor Trump e as suas denúncias de fraudes eleitorais que até os seus adeptos sabem falsas mas actuam como se acreditassem. Por cá, para além de alguns já perseguidos pela Justiça (não por causa da dona Gomes), não se nota nada para além de afirmações tão ferozes quanto bem-vindas pelas mesmas almas que dão ouvidos às diatribes do Ventura. Em matéria de populismo persecutório, no entanto, o Ventura é uma criança se comparado com a dona Gomes.

    Coitada, queixa-se do seu “colega” candidato Rebelo de Sousa, porque ainda não se anunciou como tal e, por isso, “foge ao debate”.  Olha quem. Esquece que o adversário, quando se candidatou da outra vez, abandonou a sua tribuna televisiva para entrar na campanha. Ela, pelo contrário, declarou-se candidata e continuou a suas arengas na televisão, o que, aqui para nós, deve dar umas massas, acrescidas da borla da propaganda eleitoral. E, como está na Madeira, acusou a zona franca local dos mais nefandos crimes, o que deve ser muito inteligente, sobretudo para quem lá trabalha, recebendo salários que pagam impostos, os quais somam aos 100 milhões que a coisa rende à região. Esta é genial, tão genial como a vacina da gripe vinda de gálicas paragens.

    Diz ela, mais uma vez em puro estilo trumpista, “ não é aceitável que as autoridades deem dados falsificados, vergonhosos, num esquema que serve a criminalidade organizada associada (a quem?) que é de todo o tipo, desde crime de tráfico de droga, armas e humano”, servindo de veículo para criminalidade financeira e fiscal internacional”. É de esperar que a trumpítica senhora apresente as queixas à polícia acompanhadas das competentes provas. A não ser que, como o seu modelo americano, não precise de provas para nada. Já “desencadeou”, diz, uma investigação da Comissão Europeia que, “ontem, levou a conclusões bastante duras para Portugal”. Enquanto aguardamos o resultado de tais conclusões, hemos de agradecer mais este brilhante serviço prestado à Pátria e à região da Madeira pela dona Gomes.

     

    7.12.20

  • GRANDE TRIUNFO

     

    – Tá?

    – Olá, Fernando, bom dia.

    – Bom dia António, tás bom?

    – Fino, mas preciso da tua ajuda.

    – Ora diz lá

    – É assim: já estou farto destes gajos dos comes e bebes. O espectáculo é uma chatice, os tipos acampados à frente da Assembleia a fingir que não comem, uma balda, dá mau aspecto… ainda por cima o Stalistic a mandar bocas para os jornais, uma rebaldaria do caneco.

    – Pois, pá, mas porque é que não mandas lá o careca?

    – Não queriam mais nada? Já não chega andar a perder tempo com as associações dos tasqueiros, mais as dos fulanos  dos hotéis e os das farras, e ainda dar corda a estes espontâneos? Vão-se lixar, percebes?

    – Eu percebo, mas o que queres que eu faça, que mande lá a PSP correr com eles? Cai mal, os tipos da TV andam a fancos… ainda nos chamam fascistas, racistas, xenófobos, maoistas, ou pior, dizem que estamos feitos com o Rio… o que lhes apetecer.

    – Pois, pá, tens toda a razão, mas temos que dar a volta ao texto. Tu é que és homem para resolver isto.

    – Eu?

    – Sim, pá. Armas-te em presidente da câmara, vais lá ver o que se passa…

    – Mas eu só tenho a ver com Lisboa e os sacanas vêm de toda a parte.

    – És um gajo importante, pá, não és ministro mas podias ser, és dos nossos, é o que interessa.

    – Pois, mas o que lhes hei-de dizer? Não posso comprometer o governo, estás a perceber?

    – É isso mesmo. Podes dizer o que te vier à cabeça sem nos comprometer, tás a ver? Aí é que está o ponto, não é genial?

    – Lá isso é, outra coisa não esperaria de ti.

    – Deixa-te de elogios. Vais lá, dizes tudo o que eles quiserem ouvir, ficam todos contentes e vão-se embora, que é o que interessa. Vá, não tenhas medo, gaita!

    – OK. Vou lá.

     

    À noite…

    – Viste aquilo na televisão? Grande performance, não achas?

    – Ó pá, fartei-me de rir. Fantástico, prometeste tudo e não deste nada. Ficou tudo para depois, depois veremos, como diz o cego. Parabéns, meu rapaz. Os gajos foram para casa em boa ordem, rabo entrea as pernas. Para já, descalçámos a bota, acabou-se o carnaval, que era o que se pretendia. E marcaste pontos contra o P.N. Santos. Até logo.

     

    4.12.20

  • AFASTAMENTO E PRONTIDÃO

     

    Você foi ontem ao supermercado? Se foi, viu o que é o afastamento a que a lei obriga, uma vez interpretada pelo governo e pelas loiras: uma multidão à espera de vez, outra multidão lá dentro, tudo mais ou menos ao molho. É o brilhante resultado das “medidas”, tão autoritárias como burras. Em vez de alargar os horários de abertura, o governo, brilhantemente representado pelas loiras, mandou fechar à uma! A malta, que precisa de comer, de lavar a roupa e de outras coisas, amontoa-se em quatro horas para fazer o que podia fazer em quatorze!

    Não sei se o tal afastamento dá resultado ou não na contenção dos contágios. Mas sei que, assim, não se vai lá.

    *

    No entanto, esteja descansado. No dias em que alguns países, por certo atrasados, já têm tudo preparado para receber, armazenar, distribuir e aplicar a vacina, por cá a coisa tem outro “timing”: a dona Freitas anuncia que não há problema e, ao mesmo tempo, a outra diz que vai nomear uma “task force” para tratar do assunto, tendo esta um mês para apresentar o relatório, a fim de, a partir daí, se poder tomar as providência que a vacina impõe. Portanto, descanse, que elas, as loiras, também.

    Talvez, como dizem os jornais, o chefe da “task force” seja o mais qualificado truta nestas matérias. Se calhar devia era ter começado a trabalhar há dois meses, mas isso é pormenor.

    É de prever que, daqui a uns tempos, a confusão das vacinas seja um vê se te havias para as loiras, todos os dias na televisão, uma a dizer que, pois, corre mal porque é amarelo, outra a jurar que é óptimo porque é azul. E lá virá o chamado primeiro ministro emendar, com o apoio fiel do seu sócio de Belém (que perderá mais uma boa ocasião para estar calado) dizer que é assim-assim, porque é às riscas .

    Será isto o novo “normal”?

     

    29.11.20

  • UM ALÍVIO

     

    Teorias da conspiração são coisa que não falta no mercado do covide. Há para todos os gostos. É a ONU que quer, via OMS, criar condições psicológicas para a criação e aceitação do “governo universal”  do futuro, são os tubarões da finança a fazer fortunas com acções e os das farmacêuticas com vacinas, são os monstros unicórnios a facturar mais na net, o Gates, o Soros e quejandos sedentos de poder e de dinheiro, enfim, vale tudo o que couber na cabeça dos que vêm a sua vida feita num oito e o futuro a enegrecer todos os dias.

    Por uma questão de princípio, não acredito em teorias da conspiração. Hoje, porém, há uma que não me larga os neurónios. É a da limpeza etária. Sim, etária. Há gente a mais. Dizem os profetas do costume que, a breve prazo, o planeta deixará de dar de comer à humanidade, uma humanidade vítima do consumismo, do capitalismo e de outros ismos da moda de esquerda. Por isso, a tal limpeza. Acabar com os velhos que por aí pululam. Já viveram muito, já têm a sua conta, vão bugiar. Em conformidade com esta brilhante ideia, surgiram “especialistas”, entre nós representados pelas loiras da “saúde”, que “descobriram” que, a partir dos 70 anos ou coisa que o valha, não vale a pena gastar vacinas com tal gente. Trata-se de inúteis, devem  ser postos de lado, a bem do nobre objectivo de pôr o planeta a ter mais reservas alimentares. E haverá menos chatices, que essa malta é chata como a potassa. É claro que a teoria se “justifica” porque, dizem, a partir desse tipo de idade, a vacina não funciona. Uma desculpa “científica”, só possível de provar quando os pobres velhos começarem a morrer aos milhões, com ou sem vacina. Um alívio, não é?

    Pois, dir-se-á. É o que diria a prima do Solnado, que gostava muito de dizer coisas. É pouco provável, diz o meu optimismo parolo, que a teoria vingue. Mas já se viu pior, como nas limpezas soviéticas e nazis. Quem sabe o que, no fim decontas, sairá da cabeça das loiras, e da falta dela das mais altas autoridades.

     

     28.11.20

  • ASNOS

     

    Hoje, o inacreditável Rio deu mais um ar da sua graça. Sabendo que a injecção de capital no Novo Banco é uma obrigação contratual do Estado, talvez asnática, talvez ruinosa, mas legitimamente assumida pela geringonça, devidamente assinada e aprovada em nome do país, alinha na demagogia populista e comunóide do Bloco, verga-se à vontade das esquerdoidas e vota “não pagamos”. Desta inteligente forma, mete o país numa camisa de onze varas, arrisca-nos a que, em vez de pagar o que nos comprometemos a pagar, venhamos a ser condenados a esportular muito mais milhões que os que teríamos que adiantar.

    Compreende-se que o PSD faça a vida negra ao governo, um governo que o desprezou olimpicamente, que não merece ponta de apoio em coisa nenhuma, que está outra vez a condenar-nos a mais uma retumbante bancarrota. Uma coisa são as asneiras da geringonça, dos seus antecessores e dos seus continuadores – quer dizer, do PS – outra é a honra e os interesses do Estado, ainda que tais interesses venham, de longa data, a ser feridos por governos sem norte nem sul, nem projecto nem nada nem ninguém que se aproveite. O PSD podia, e devia, opor-se a tudo e mais alguma coisa, menos quando está em causa o prestígio e a credibilidade do Estado num assunto que, não sendo culpa do PSD, compromete o país sem apelo possível. A atitude agora tomada só está de acordo com uma coisa: a falta de tino de um lider asnático.

    A triste conclusão é: Rio e Costa estão bem um para o outro. Em matéria de asneiras, venha o diabo e escollha.

     

    26.11.20

  • ATÉ QUANDO?

     

    25 de Novembro de 1975, data esquecida pelas “forças vivas” da Nação.

    Se é verdade que o 25 de Abril de 1974 acabou com a II República, não é menos verdade que a hipótese de democracia só passou a ser real a partir de Novembro do ano seguinte.

    Entre as duas datas, pela mão do PC e de uma data de grupelhos que, anos depois, deram origem ao BE, comandados por bandos de militares ignorantes, sedentos de poder e activos agitadores às ordens de bolchevistas e quejandos, o país foi vítima de uma chamada revolução socialista destinada a fazer de Portugal a Cuba da Europa.

    A parte ainda não pervertida das Forças Armadas, sob o comando de Eanes e Jaime Neves, com o apoio dos partidos democráticos, conseguiu, em 25 de Novembro, estancar a horrenda ditadura que, a passos largos, se abatia sobre nós.

    Mais de quarenta anos passados, a História, miseravelmente manipulada pela esquerda, continua a ignorar os factos e a atribuir a Abril a fundação da III República.

    O vírus da esquerda continua a inquinar a nossa vida, a reinventar a História, a perverter a moral, a deseducar a juventude e a substuir a verdade por mentiras mil vezes repetidas.

     Até quando?

     

    25.11.20

  • QUEM MUITO FALA…

    …pouco acerta. Olhem o nosso tão amado Presidente. Um dia, tece louvores a todos nós, disciplinados, obedientes, conscientes, cheios de civismo, responsáveis, etc. e tal. No mesmo dia, diz que 80% dos contágios provêm da família. Obrigadinho, senhor Presidente, mas não merecemos elogios, andamos a infectar a família! Ó magia, os 80%, de um momento para o outro, passam a 60 e, horas depois, a 10. Consequentemente, o presidencial afilhado Costa veio decretar que é nosso dever aceitar os números da DGS, tão maravilhosamente explicados pelas duas loiras nas sua prelecções diárias, cem vezes rtepetidas. Confiar em quê, nos oitenta por cento, nos sessenta, ou nos dez? Dá para escolher, ou é rifado, ao calhas? Confiança, ó ingratos, confiança!

    Se o senhor Presidente se calasse mais um bocadinho, todos ganhávamos com isso. Mas não é possível, o senhor Presidente tem que ter opinião sobre tudo e mais alguma coisa, e auto-obriga-se a comunicá-la à plebe. Um must! Inelutável! Sem “bocas” permanentes não há televisão, nem jornais, nem redes sociais. Não há Presidente.

    As loiras e o seu chefe passam a vida a “explicar” o que ninguém percebe. Quem não percebe, erra. As informações, os decretos, as ordens, são oficialmente cristalinas, transparentes, sem lugar a dúvidas, não é ? E  as opiniões de centenas de especialistas, carradas de cientistas, toneladas de epidemiologistas e de mais não sei quantos opinionistas de serviço são credíveis, admiráveis, ocupam tardes inteiras, noites sem fim (as manhãs não sei, porque estou a dormir) nos canais de “informação”.

    Todos os poderes, públicos, privados, formais e informais, estão apostados em fomentar o medo e a ruína. Quanto mais desgraça melhor. Quem se revoltar é uma besta.

    E mais não digo, porque me faz mal. Vou pôr a máscara e comprar o jornal para fazer as palavras cruzadas.

     

    24.11.20

  • A GRANDE MÁSCARA

     

    A porcaria de dias em que vivemos anda a dar voltas à cabeça do IRRITADO. Tanta coisa a acontecer todos os dias, tanta volta, tanta reviravolta, tanta asneira, tanta falta de senso, de um mínimo de honestidade e de humildade, tanta gente convencida de uma verdade que, normalmente, dura dias, ou até horas até vir outra… o  bestunto ressente-se. a inspiração, a pachorra, a vontade de dizer ou escrever coisas ressente-se com ele.

    Dizem que a culpa é da pandemia, mas eu duvido. Há, pelo menos, três pandemias, a do covides, a do medo e a do autoritarismo galopante. Dizem alguns teóricos – da conspiração ou de outra coisa qualquer – que há um não dito movimento universal para domesticar as vontades e as preparar para uma nova era, um novo poder, uma espécie de “atmosfera” global destinada, agora sim, a criar o “homem novo” de que falam (ou falavam mas agora disfarçam) os adeptos da grandes ditaduras.

    Não sei se será assim, se haverá essa intenção da parte seja de quem for. Mas sei que, com estratégia ou sem ela, intencionalmente ou não, a nova noção de direito e de liberdade está florescente e a velha está em causa. As pessoas não só se adaptam àquela como exigem que os outros façam o mesmo. É o policiamento induzido. As novas gerações, a começar na mais tenra idade, passam a ter por bom o “sistema” que lhes impõem, ou seja, desde pequenos se lhes entranha na alma um ambiente de “disciplina” que aceitam e acabam por achar que é bom, que é mesmo assim, para eles é o normal, nem sequer o chamado “novo normal” de que nos fala a triunfante bestilalidade humana.

    Ao mesmo tempo, a desapiedada destruição da economia vai de vento em popa. Dela nascerá a quarta pandemia, uma espécie de quarto cavaleiro do apocalipse, pai e filho da guerra e do fogo. Não haverá dinheiro que acuda ao que se passa. Despeja-se toneladas electrónicas de dinheiro falso que a nada corresponde, nem a notas de banco nem a nada de valorável, espécie de penso rápido para tratar uma gangrena.

    Daí que não sei se valerá a pena falar das incompetências do poder ou das tricas que todos os dias nos caem em casa. Talvez com o tempo a coisa me passe. Entretanto, vou-me entretendo a desafiar a ditadura das máscaras ou a andar pela esquerda quando me mandam ir pela direita, coisas que não fazem sentido nenhum, mas aliviam.

     

    Alle Menschen tragen Masken

    Tragen Masken bis Anskrab

    Nur im frohe Faschings Tage

     Wen die menschen tragen Masken

    Legen sie die Masken ab.

    (Isto deve estar cheio de erros, mas apetece-me). Tradução de pé quebrado: Toda a gente anda de máscara, de máscara até à sepultura. Só nos dias alegres do Carnaval, quando todos andam mascarados, é que deixam cair a máscara.

    Não estou a gabar-me de falar alemão, porque não falo. Tenho esta na cabeça desde os tempos em que alguém tentou ensinar-me tal línguia. Sonho com o dia em que os que nos fazem andar de máscara deixem cair a máscara com que nos enganam e arruinam.

     

    21.11.20

  • FOFURAS

     

    Temos, finalmente, o nosso Trump, pelo menos em matéria de mentiras, obscenidades politicas, ultramontanismo e trauliteirismo. Trata-se de Santos Silva, a partir de hoje, o Fofo. Deu-nos para tal um contributo trumpista do melhor.

    Diz o Fofo que não não pertence “a um partido que esteja encostado a quem gosta de tiranos e ditadores para efeito de garantir algum apoio governamental”. E disse mais, num cunjunto de alarvidades que, por higiene, me absterei de reproduzir.

    Perguntar-se-á a que partido pertence uma criatura que, a alto nível, serve quem anda, há mais de seis anos, pendurado nos amigos do Kim, do Chávez, do Maduro, dos continuadores do Fidel e de tantas outras inflorescências das mais horrendas ditaduras. Será um independente ao serviço do PS? Ainda não percebeu que vive à custa de dois partidos ideologicamente  totalitários? Está maluco? Ou estará apostado em ultrapassar o Trump em matéria de bestialidade? Parece que já ganhou esta aposta.

    Tudo isto por causa de o PSD dos Açores ter aceite o apoio parlamentar do Chega, o que causou a maior raiva, aos socialistas como a outros “puristas democráticos” apostados em manter o poder do PS+PC/BE, eventualmente para sempre.  Qual era a alternativa? Era a aplicada pelo PS quando se aliou a adeptos de ditadores e tiranos. Era nomear o PS local para governar os Açores, vê-lo cair no parlamento, depois seguir, ou para a alternativa ora oferecida, ou para novas eleições. Cavaco deu a mão à nova maioria, a que tal gente pertence, com trinta deputados, como R.Sousa fez ao dá-la à dos Açores, com outra gente, talvez igualmente indesejável, pelo menos para quem a teme (dois deputados).

    Temos o nosso Trump!  É o Fofo, em língua IRRITADA.

     

    15.11.20

  • UNS HERÓIS

     

    Segundo o Presidente da República, o primeiro-ministro, os jornais, as televisões, os comentadores, os opinadores, os escritores, os artistas e o povo em geral, os profissionais da saúde são uns heróis, merecem a admiração , a gratidão, a veneração de todos nós. Muito bem, é assim mesmo!

    A demonstrá-lo, os enfermeiros, coitados, estafados, a não poder mais, a servir dedicadamente os pacientes, sem sombra de tempo para si próprios, nervosos, stressados, resolvem fazer uns diazinhos de greve, certamente para gozar de merecido descanso. Muito bem. É uma atitude patriótica, pelo menos.

    Na mesma ordem de ideias, temos o inestimável e também patriótico contributo da CGTP/PC que decide fazer umas “jornadas de luta”, a fim de exigir justíssimos aumentos de ordenado, o que muito se coaduna com o actual e indiscutível período de vacas gordas em que vivemos, coisa que se espera progrida por muitos e bons anos.

    O IRRITADO saúda entusiasticamente estas atitudes, desejando-lhes as maiores felicidaes.

     

    15.11.20

  • COERÊNCIA

     

    O senhor Burla, presidente da Pfizer, anunciou a nova vacina do covide. Obrigadinho, ó Burla! Grande dia para a humanidade, disse ele.

    A coisa é tão boa que, a prová-lo, no dia seguinte, o Burla vendeu um monte de acções da sua companhia, realizando mais valias de muitos milhões.

    Grande Burla!, ou grande burla? Cross your fingers.

     

    15.11.20

  • DA MORAL SOCIALISTA

     

    Depois de quatro anos de reconstrução das ruínas em que o PS (de Sócrates, Costa, Santos Silva e outros, hoje no galarim do poder) nos deixara, Passos Coelho ganhou as eleições sem maioria absoluta. Costa, ainda fresquinho da vitoriosa traição que o levara à liderança do partido, negou-se a negociar com o PSD e foi buscar apoio parlamentar às extremas esquerdas, a soviética e a doida. A geringonça entrou no poder, lá ficou quatro anos e, se calhar, vai mamar outros quatro, preparando o país para a nova ruína que se aproxima a passos largos. É o “novo normal” do socialismo.

    Tal “solução” mereceu a elogiosa e generalizada aceitação dos habituais serventuários do PS nos media e no comentário político, os quais se dedicaram, e continuam a dedicar, aos elogios mais malucos, fomentando a instalação da cegueira nas pessoas, via manipulações, mentiras e mentirolas. Ainda por cima, com apoio presidencial.

    Muito bem, dirá a nacional-bem pensância. A nova maioria parlamentar tem toda a legitimidade, mesmo metendo no poder, com calçadeira, não com votos populares, os partidos até então classificados pelo PS como não democráticos.

    Adiante. Este ano, nos Açores, ficou o PS na mesma situação que PSD conheceu há anos no continente: ganhou as eleições sem maioria absoluta. O PSD local resolveu fazer o que o PS tinha feito: arranjou uma maioria ad hoc, juntando à antiga AD um (ou dois?) deputados do novo partido Chega.

    Consequentemente, o PS apresenta aos media um desconhecido (disseram-me que é secretário-geral adjunto do Costa), encarregado de acusar o PSD Açores da mais vil traição, por ter juntado ao grupo um partido classificado pelo PS como não democrático. Ou seja, no continente, o PS tem toda a legitimidade para fazer maioria com vinte e tal deputados de partidos que toda a vida classificou como não democráticos. Mas, segundo o novo PS, oficialmente representado pelo importantíssimo desconhecido que refiro acima – sem citar o nome porque não o sei, nem quro saber – a idiotia, a aldrabice e a imoralidade chegam ao ponto de tal artista vir dizer que o PSD, ao juntar, nos Açores, um (ou dois?) deputado do Chega, está a trair o seu próprio passado.

    A falta de vergonha atinge assim os píncaros no cumprimento das normas da “moral republicana” (ó desgraça, há quem coma disto!).

     

    Declaração de interesses: o IRRITADO acha que, nos Açores, o PS devia ficar a governar, à rasca, em minoria. Isto, por respeito a uma praxe constitucional que, no continente, o PS pôs no caixote do lixo. Por outro lado, não deixa de dar um certo gozo que a “solução” do PS tenha frutificado no Atlântico de pernas para o ar. Ou seja, que o feitiço se tenha virado contra o feiticeiro, talvez preconizando tempos menos piores para todos nós.

     

    8.11.20   

  • AGORA É QUE VAI SER BOM!

     

    Acabo de ler as novas decisões do Costa & Cª. Fantástico! Não percebi patavina. Desafio os meus compatriotas, por certo mais inteligentes que eu: leiam a descrição do que lhes é ordenado pelas vossas inigualáveis autoridades. Se perceberem, dou-lhes um doce. Enquanto comerem o meu doce, tentem memorizar as ordens a fim de, civicamente, cumprir com o que lhes é ordenado. Ou sugerido, ou aconselhado, na nova formulação. Ficarão a saber que tudo é proibido, mas tudo é permitido. Antes de cometer algum acto eventualmente criminalizável, saibam que podem fazer tudo e não fazer nada. No fim, ficará a cargo da polícia de costumes passar-lhes uma multa, não lhes passar uma multa, repreendê-los ou elogiá-los, tudo segundo a inspiração, a opinião, a boa ou má disposição dos “agentes” do Costa, civis ou militares.

    Mas vai ser ainda melhor. Um fartote. Dentro de momentos, virá o “estado de emergência”, quer dizer, a Constituição hibernará, o Costa ficará a poder fazer o que lhe vier à cabeça sem limites outros que não sejam os da sua consciência (de quê?).

    A confusão, a ditadura sanitária, o descalabro económico, atingirão o seu climax. Quem ganha com isto? O Costa, cada vez com mais poder, ou com poder mais “justificado”.  Os “números” serão, uns, criteriosamente trabalhados, outros cuidadosamente escondidos, como desde o primeiro dia da era do covide.

    Uma homenagem ao Jerónimo: foi o único que revelou algum bom senso à saída da presidencial audiência.

     

    4.11.20

     

    ET. No dia 1 foram proibidas as feiras de levante: no dia 2 foram autorizadas. No dia 3 abriram.

    As actividades não urgentes do SNS foram “restauradas” seis dias antes de votar a ser proibidas. Espera-se reabertura nos próximos dias. Etc.