– Bom dia, pá
– Bom dia, que tal vai isso?
– Porreiro, pá, o franciú afinal não me pegou o covide, estou na maior.
– Ainda bem, pá. Estes franceses não são de confiança. Escapaste de mais uma.
– Estou muito contente contigo. Apesar das bocas da direita, safaste-te bem nesta história do plano da TAP.
– Olaré. Enfiaram um garruço do caneco.
– Lá isso é verdade. Mas os palermas andam a dizer que nos zangámos.
– Não ligues, pá. A estratégia resultou, é o que interessa. Nunca te passou pela cabeça, nem a mim, pôr-lhes o plano nas mãos. Era o que faltava. Punham-se a discutir e a coisa nunca mais andava.
– Pois. Mas agora dizem que eu recuei. Primeiro, acharam que eu queria que eles descalçassem a bota. Fora de causa, tinhas toda a razão. Daí o “recuo”. Como tu não os deixaste discutir, governo é governo, escondo-lhes o plano. Enfiaram-na toda, até às orelhas. A culpa é minha, dizem eles, hihi.
– Tens que aguentar com a essas críticas, meu rapaz. Firmeza. Firmeza, pá!
– Conta comigo. Deixa-os falar.
– É assim mesmo. Mantém o discurso oficial. A culpa é do Passos Coelho, não é da nacionalização, e pronto. Hihi. Parabéns, Pedro, és o maior.
– Obrigado. E viva o socialismo, quanto mais à esquerda mais autêntico!
– Até logo amigo, um abraço.
– Até logo, António.
17.12.20

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