Os militares do PREC, ao serviço do nacional-bolchevismo, nacionalizaram uma data de coisas. Conseguiram, de uma penada, destruir tudo o que era indústria de peso, a siderurgia, os cimentos, a construção naval, a indústria química, etc. Destruiram o que era mais válido e mais precioso em nome do socialismo constitucional. A reconstrução nunca se deu, apesar de alguns meritórios esforços de políticos não socialistas. Temos dois ou três industriais a sério e independentes do Estado, e meia dúzia de verdadeiros criadores de emprego e de riqueza, muitos deles, helas, meros comerciantes, sem ofensa para os ditos. Ou seja, o que prestava para alguma coisa na segunda República foi “arrumado” pela terceira. Isto para não falar na banca: o dinheiro também era para destruir. Que se visse, nunca mais houve disso.
No seguimento desta brilhante política, a nova república, gerida pelos socialistas, tornou-se pasto de falências do Estado, passou a viver de esmolas, e assim vai, pelos vistos, contiunar. O último que feche a porta, se ainda houver porta.
O caso da TAP é paradigmático. Cheio de ânsias de reversões, dando largas aos ditames da ideologia, o chefe Costa arranjou maneira de renacionalizar a TAP. Os prejuízos, endémicos, existiam, mas a TAP, gerida por privados com visão, deu um enorme salto em frente, expandiu-se, criou valor e emprego. Veio o covide. A companhia, como todas as outras, entrou em vertiginosa queda. O Estado, novo accionista (75%!) apanhou com a crise. Certo, o descalabro era inevitável, mas há uma diferença, o mais prejudicado é o Estado, e nós com ele. O accionista que foi corrido pela ideologia socialista foi-se embora com 55 milhões dos nossos impostos no bolso, e está em posição de poder vir sacar, nos tribunais, muitos mais milhões. Responsável: o chefe Costa. Pagantes: todos nós. O chefe Costa jamais assumirá a responsabilidade seja do que for. Se a assumisse, não teria com que pagar o que deve. Tem quem pague por ele: os que cá estão e os que nascerem nos cem anos que se seguem.
Mas animem-se. Um camarada de grande valia tomou conta do assunto. Tem a seu favor o ser mais socialista que o chefe. É o condotieri da ala BE do PS. Vigoroso, loquaz, verborreico, um exemplo acabado de trauliteirismo tonitruante, enfim, o homem ideal para conceber a solução para a TAP. Tem a seu favor não gostar, como o chefe Costa, de responsabilidades. Decidiu fazer o parlamento aprovar o seu maravilhoso “plano”, sem dar lugar a alternativas. Em sua defesa, o chefe não quis arriscar a que o genial plano fosse sujeito a discussões. A coisa foi mascarada com a rábula do desacordo entre os dois, passando o Costa, mais uma vez, por grande democrata defensor da separação de poderes.
O plano vai falhar, e nós vamos pagar. Compreende-se. O transporte aéreo, mesmo que a história da pandemia acabe, tem um futuro negro. O teletrabalho, as reuniões e as conferências virtuais, encarregar-se-ão de dar cabo dele. Mesmo que o turismo recupere – daqui a uns anos – nunca chegará para ressuscitar o sector. É esta a triste realidade.
O inteligentíssimo Pedro Nuno propõe-se vender aviões. A quem? A que preço? Os aviões passaram a activos tóxicos. Se houver algum tarado que os compre, fa-lo-á a dez cêntimos cada um.
Trata-se de um problema global para o qual ninguém terá solução. No nosso caso, há uma certeza, a de que o “plano” do Santos não funcionará, por definição. É que jamais saíu de uma cabeça marxista qualquer plano de jeito.
15.12.20

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