Como muitos portugueses da área liberal-reformista, tenho andado a pensar como votar nas presidenciais.
Marcelo seria o voto “natural”. Mas muita gente pensa que as presidenciais deviam dar-lhe uma lição que “premiasse” a sua evidente aliança com o governo social-comunista, o que quereria dizer votar noutro qualquer, com óbvia exclusão dos mosqueteiros da esquerda. Fazer baixar o score de Marcelo, fazê-lo sentir que “há vida” para além do social-comunismo, conseguir que perceba que vivemos num clima de total ausência de estratégia e de futuro, que estamos mergulhados no pântano de um poder exclusivamente apostado na sua própria manutenção, ou eternização, parece ser obrigação dos eleitores como eu. O voto outro que em Marcelo poderia ser útil, obrigando-o vir a deixar uma herança presidencial que ultrapassasse a maldição socialista que sobre nós se abateu.
Dona Gomes chegou à conclusão que Marcelo é um “desestabilizador”, ideia só possível de sair de uma cabeça como a da dita senhora. O mais (tristemente) Presidente estabilizador da política portuguesa está, em tal cabeça, de pernas para o ar. “Estabilizadores” serão Eanes e o seu PRD, Soares a sua luta contra os governos que lhe não convinham, Sampaio, que dissolveu uma maioria que não lhe agradava? A grande perseguidora de tudo o que é gente (menos do Sócrates…) inventa o mais estúpido de todos os argumentos para demolir Marcelo. O tipo do PC, esse não interessa, mas vai pelo mesmo caminho, com os argumentos clássicos. A do BE, coitada, é uma tristeza vê-la espernear.
Mas, e os outros? Os que são alternativa de voto para os liberais conservadores? Ainda não ouvi, da parte deles, um só argumento de peso contra Marcelo. Na base do “tem que ser”, inventam razões contra, em vez dar sinal de quaisquer meritórias ideias.
No pântano da III República, dita semi-presidencialista mas não mais que semi-parlamentar, com uma Constituição absurdamente ideológica, primeiro socialista-castrense, depois socialista-civilista, que virou as teorias do Duverger de pernas para o ar, anda o Presidente desde sempre à procura de funções e de influência. Para quê?
Em tais águas estagnadas, a hipótese de votar Marcelo ganha terreno. Para quem não tem o hábito de se abster, é um problema.
11.12.20

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