IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • VERDE PORCARIA

     

    O IRRITADO não se dedica a questões futebolísticas e, embora goste de ver uns jogos, tem pelos teóricos da coisa um irreprimível desprezo.

    Desta vez, o alarve que é presidente do Sporting faz com que o IRRITADO peça desculpa aos tais teóricos. É que o alarve ultrapassa, com a sua, toda a porcaria que os outros possam dizer. Já não nos chegava a pesporrência ordinária do Pinto da Costa. Desta feita, temos a teoria das nalgas e do buraco do rabo do selvagem, por certo encantado com a sua “alegoria”.

    Não faço ideia do que se passa nas altas esferas da futebolice. Ainda menos se o alarve tem alguma razão em estar chateado. Mas ouvi o que a besta disse. E lamento a repetida cobertura mediática da porcaria deste repugnante gandulo.

     

    Pobre Sporting.

     

    5.6.14

     

    António Borges de Carvalho

  • BOMBA ATÓMICA?

     

    O IRRITADO, que não tem, nem o feitio, nem a paciência, nem o savoir faire do primeiro-ministro: se estivesse no lugar dele mandava esta malta toda às urtigas… para não dizer a outras partes.

    Mais uma vez zurzido pelo fundamentalismo ideológico do Tribunal Constitucional, antes que este inventasse mais algum “princípio”, tudo justificaria que entregasse a dívida, o orçamanto, o tratado orçamental, os impostos, os vencimentos, as pensões, os subsídios, as chatices, ao Mário Soares, ao Oco, ao Costa, ao Jerónimo, ao casalinho do BE, ao imperador constitucional, ao PR, dizendo-lhes: “aqui têm a criança, se sabem alimentá-la tratem disso, e vão todos bugiar”.

    Veríamos como e onde todos e cada um destes senhores e entidades iria caçar os gambuzinos necessários, já que tanto sabem do assunto e tantas “soluções” têm na manga. Ficavam todos com as calças na mão, e era bem feito. Talvez, passados uns tempos, percebessem que andam todos na contra-mão. Ou não, não percebiam. Punham as culpas para o “liberalismo” nas suas várias acepções (neo, ultra, hiper, etc.) e achavam que o facto de arranjar, a curtíssimo prazo, outra bancarrota – o que é a sua comprovadíssima especialidade – era culpa da dona Ângela, do Sarkozy, do Barroso, do Passos e de outros culpados do costume.

     

    *

     

    Nem uma das doutas decisões do Tribunal Constitucional recorreu fosse a que artigo fosse da Constituição. Nada nelas há que refira que a medida A ofende a alínea X do artigo Z, ou que a medida B vai ao arrepio da alínea Y do número 3 do artigo W.

    Zero. Só falam de “princípios”, estejam eles ou não explícitos na Constituição. Como os “princípios” de que se valem não passam disso mesmo, princípios, não é possível, à luz do direito positivo, concluir o que os ofende ou não. A interpretação dos princípios e da conformidade das normas com eles é totalmente subjectiva, como é o caso. O TC “julga”, exclusivíssimamente, com base em ideologia, em partis pris ou em convicções “morais”. Nada que tenha o mínimo vestígio de objectividade. Se isto é “julgamento”, vou ali e já venho.

     

    *

     

    Voltando à desejável atitude “atómica” do primeiro-ministro, o momento é o ideal. Ao contrário do que se passava no tempo do golpe de Estado do Sampaio, agora o PS está na mais ridícula das guerras. Era vê-los estrebuchar! Ainda ontem ouvi o sinistro “arcebispo” do PS e do Costa, Santos Silva, clamar, tremebundo, contra a hipótese de eleições antecipadas. Que não, não é o momento, o governo tem que ficar, o PM até não é tão mau como isso! Ha, ha.

    Mais uma razão para o PM lhes atirar com a crise ao focinho.

    Mas as coisas são como são. O PM é digno e nunca alijou fosse que responsabilidade fosse. Essa é a sua força, mas também, do ponto de vista eleitoral, a sua fraqueza.

     

    *

     

    Às vezes vale mais dar tudo por tudo, como faria, e fez, Sá Carneiro, do que insistir em ser governo quando a soberania está nas mãos de fundamentalistas sem escrúpulos (o TC), quando a separação de poderes se tornou letra morta, quando o pior de todos os poderes (o judicial) invade sem vergonha nem escrúpulo as áreas que ao legislativo e ao executivo estão consignadas.

     

    4.6.14

     

    António Borges de Carvalho

  • CALINADAS

     

    A agência que trata da publicidade dos gelados Olá, através de um dos seus, por certo ilustres e devidamenbte licenciados “criativos”, pespegou por aí uns slogans em que escrevia “já experimentas-te…” e “já ganhas-te…”.

    É comum entre os tais criativos – muitos aprenderam português em universidades e consideram-se uns génios – dar os mais diversos pontapés na gramática, de que os exemplos acima não são mais que mais um sinal.

    Mais grave é que o DN, na sua edição de hoje, classifique as bojardas do Olá como “erro ortográfico”. Erro ortográfico? Que se saiba, tanto as palavras “experimentas” e “ganhas”, como a palavra “te”, ortograficamente, estão certas. Os erros são morfológicos, para além de ser de carroceiro, de cabo de esquadra ou de… criativos.

    Não será por acaso que algum tipo da Unilever, menos ignorante que os “criativos”, tenha vindo pedir desculpa da “ocorrência” e do “lapso”. É claro que não se trata nem de lapso nem de ocorrência. Trata-se de pura burrice. Mas, pelo menois, não teve o desplante de aplicar às calinadas o adjectivo “ortográficas”.

    Disso se encarregaram os jornalistas, por certo também cheios de licenciaturas “democráticas”.

     

    4.6.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DA SOBERANIA POPULAR

     

    Vários foram os scores dos áulicos do Imperador.

     

    Destacados no pódio, o próprio Imperador Ribeiro, com 100%, quatro cruzes vemelhas. O arauto do Imperador, Cadilha, como é lógico, averbou a mesma marca. Um Mariano, católico – supostamente ortodoxo – afinou também pela estrita imperial fidelidade. Dois conimbricenses, não é de estranhar; um, o católico, improvável alfacinha.

    Segunda linha na opinião do Imperador, com três cruzes, uma senhora, Castro, um Ventura e um cooptado, Caupers.

    Com duas cruzes, gente que o Imperador passará a ter na lista dos supeitos: nada menos que três senhoras, Martins, Mesquita e Mata-Mouros (o bando das 3, pensará o Imperador).

    Mais duvidosos ainda, uma senhora, Amaral, um (outro) Ribeiro, e um Barbosa: uma cruz. Gente de somenos.

    Finalmente, o que não passa de um traidor e que deverá suscitar a imperial fúria: Machete, cooptado, zero cruzes.

     

    Assim, segundo o INE e o IRRITADO, em 52 cruzes possíveis, houve 30. Em 52 vistos possíveis, houve 22. O Imperador ganhou com quase 58% dos votos, contra 42% de traições.

    Postas as coisas em termos partidários, o PS teve 15 cruzes em 20, o PSD 10 em 20, os independentes, ou quase, 4 em 12.

    Assim se prova, como diz o “Público”, que os “juízes voltaram a revelar independência face aos partidos que os indicaram” (???!!!).

    Quem vai pagar esta porcaria, quem é, quem é?

     

    *

    Aqui há tempos, uns indignados quaisquer recorreram da história das reformas e dos vencimentos ao Tribunal Europeu dos direitos do Homem. Levaram com os pés.

    Daqui se prova que ao contrário do que muita gente diz, temos soberania. Só que a soberania não é do povo, nem da “Europa”. É do Tribunal Constitucional.

     

    3.6.14

     

    António Borges de Carvalho

  • COERÊNCIA A RODOS

     

    Há para aí 30 anos, num belo dia de sol, o IRRITADO encontrou o Primeiro-Ministro Mário Soares na praia do Alvor. Cumprimentaram-se com cordialidade. Sua Excelência, após natural conversa de xaxa, resolveu queixar-se: “Porque é que vocês, lá no jornal, dizem tanto mal do governo, e de mim próprio?”. Ao que o IRRITADO respondeu: “Senhor Primeiro-ministro, é simples, o senhor é socialista e nós não”. Surpreendentemente, Soares respondeu: “E quem lhe diz que eu ainda sou socialista?”. E o IRRITADO: “Ora aí está uma grande notícia! Vou mandar vir o chefe de redacção e um fotógrafo para o dr. dar uma entrevista a declarar que abandonou o socialismo!”

    É claro que a coisa ficou por aqui, entre risos e despedidas.

    Se recordarmos os tempos em que o mesmo indivíduo declarava publicamente que ia pôr o socialismo na gaveta – tinha percebido que o socialismo não resolvia nem um só dos problemas que tinha pela frente – e compaginarmos esta atitude e a do Alvor com a recente declaração de fidelidade da mesma pessoa ao PS, ao socialismo, ao Costa, à fé inabalável em que “os socialistas devem, sem hesitações, ser chamados, a pronunciar-se… sobre as ecolhas que o partido precisa de fazer”, que pensaremos?

    Diz ele que é para “honrar a tradição republicana”. O que seja tal “tradição”, não explicou, porque, evidentemente, ou é inexplicável ou vergonhosa.

     

    Saúde-se a “coerência” deste nobre republicano. Só não se percebe porque, se teve que meter o socialismo na gaveta para deixar Ernâni Lopes resolver-lhe os problemas nos anos 80, agora não faz o mesmo. Como é que o socialismo, no tempo dele, era para esconder durantre a desgraça, e agora, perante o mesmo tipo de situação, resolverá o socialismo seja que problema for?  

      

      3.6.14

     

    António Borges de Carvalho

  • BURRICES E ESPERTALHICES

     

    Então não é que o PS vai a eleições para escolher o seu “candidato a primeiro-ministro”? Minhas senhoras e meus senhores, é verdade!

    O PS que, como a restante opsosição, faz da nossa abstrusa Constituição arma de arremesso político, descobriu de repente  que, em Portugal, há candidatos a primeiro-ministro, coisa que só existirá na cabeça oca do Oco e no bestunto ordinário de quem o traíu, o Costa. Na Constituição tal coisa não existe, não senhor. Pura invenção. E, no entanto, um “universo eleitoral” de contornos indefinidos – outra trafulhice – vai “eleger” um candidato à coisa. É de estalo.

    Diz quem lê o livro sagrado do socialismo que o Presidente da República indigita o primeiro-ministro tendo em conta os resultados eleitorais. Consulta os partidos com representação parlamentar e indigita quem quiser. Se a praxis do processo resulta, em regra, na nomeação do chefe do partido mais votado, tal não infirma que o PR possa nomear quem entender. É, aliás, o que, por absurdo, significa a nova invenção. Ao admitir, formalmente, que o indigitado pode não ser o chefe do partido mais votado, a inacreditável gataria socialista reconhece-o. Por outras palavras, não cabe ao vencedor das legislativas “nomear” o PM.

    Pode o recém descoberto “universo eleitoral” escolher quem entender. Caber-lhe-á propor esse nome ao PR, se estiver em condições de formar governo – o que, mesmo que ganhe as eleições, não é garantido – e mais nada. Caberá ao PR aceitá-lo ou não.

     

    O processo a que a vilania do Costa levou e que a Constituição, os estatutos do PS e a prática política não prevêm, tem destas coisas. A cobardia do Oco ao aceitar os efeitos de tal vilania ultrapassa a compreensão das pessoas, exluídos os comentadeiros e a a “informação”, entidades sempre prontas a perfilhar o que “está a dar”, em vez de olhar para as coisas como elas são.

    Se o Oco não fosse oco teria dito: “Ai queres apear-me para te sentar na minha cadeira? OK. Vamos a isso. Pega nos estatutos e anda, que eu cá te espero”. Isto quereria dizer: usa a tua influência para convocar um congresso destinado a correr comigo, seguido de eleições em que serás candidato contra mim.  

    Mas o Oco está tão viciado em exigir demissões (v.g. a do governo) por processos ilegítimos, tais o golpe de Estado constitucional, que arranjou para a gataria socialista mais uma catraca de oportunidade.

     

    Tão burro é o Oco, como espertalhão o Costa. Venha o diabo e escolha entre um burro sério (como alguém lhe chamou) e um espertalhão a quem ninguém chamou tal coisa …

     

    2.6.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DIXIT!

     

    30 de Maio de 2014, 19 horas e 35 minutos.

     

    Na sala do trono, sítio das magnas decisões, o Imperador reuniu com seus validos, devidamente trajados, dando ao momento a merecida e habitual solenidade. Assim se manifesta, desde tempos imemoriais, o poder absoluto.

    O povo aguardava, temeroso, a palavra sem recurso do grande deste terra, do maior, do omnipotente, da verdadeira sede do soberania, quem sabe se do poder divino, encarnado no Imperador por força do Livro de Horas do socialismo a que os tempos modernos e os zelotas profissionais chamam Constituição. O Imperador sabe que, segundo o mesmo Livro de Horas, poderia tomar uma ou outra decisão quanto ao que lhe era pedido pelo povo. Sabia também que podia recorrer a critérios de bom senso, de equidade e de justiça, a fim de não perturbar ainda mais a já difícil vida dos seus súbditos. Mas, se tal fizesse, poderiam as menos qualificadas franjas de tais ignaros achar que não tinha demonstrado o seu poder, coisa de que o Imperador é, acima de tudo, justificadamente cioso.

    Chamou o seu costumado arauto e deu-lhe a palavra para ler o seu dictat. O povo ouviu mas não rejubilou, a não ser os mais primitivos exegetas do Livro de Horas. Estes vão continuar, fiéis ao Imperador, a prejudicar a solução dos problemas do povo.

     

    O mais importante, porém, é que o poder absoluto do Imperador não foi beliscado. O poder é o poder. Os humores do Imperador são sagrados.

     

    Longa vida e saúde ao nosso bem-amado Imperador!

    Consta que Kim-jong-un, do outro lado do mundo, lhe vai mandar um telegrama.

     

    30.5.2014

     

    António Borges de Carvalho

  • PÉS NO CHÃO

     

    O PS, coitadinho, anda engalfinhado nas martingalas que lhe são próprias. O camarada Costa, respaldado pelo odioso Soares pai e odiado pelo não tão miserável Soares filho, avança, mostrando a lealdade, o bom senso e a honestidade política que lhe são próprias; os socrélfios, já devidamente encostados a Bruxelas, inamovíveis, riem-se com diabólica satisfação; a pífia (adjectivo soaresco) vitória eleitoral transformou-se em derrota (frase do Oco); figuras sinistras (adjectivo do IRRITADO), tais o Santos Silva e o Cravinho, rejubilam com um eventual regresso ao partidário galarim (estavam reduzidos aos galarins das sempre criteriosas televisões); quem sabe, o milionário de Paris – mais um protegido da TV – arreganha a dentuça.

    Deixá-los, que o problema seria só deles se não fosse também nosso. Para já, disfrutemos do espectáculo de ópera bufa que nos proporcionam e não pensemos muito nisso, a não ser para uma boa troça. Depois logo se vê.

     

    Punhamos os pés no chão. Não, não vou falar de Passos Coelho, que já os pôs, interna e externamente, ou sempre os teve no sítio, pés e outras coisas.

    Hoje, os meus pés foram postos no chão pela gloriosa EDP. A benemérita organização mandou-me, e, julgo que ao resto da malta, uma gloriosíssima news letter, auto-eloguiando os seus feitos no fornecimento de energias renováveis, coisa que muito contribui para a camada de ozono, para as emissões de CO2 e para outras indispensáveis benesses, coisa a que devemos, ou devemos dever, na opinião correcta, os maiores agradecimentos. Nós e o mundo, o planeta, a ONU, a UE, o Gore e outros que tais.

    Enquanto os grandes produtores dos odiados elementos que “matam o planeta e comprometem o futuro da humanidade” se estão nas tintas para tão ingentes problemas, Portugal (somos os maiores!, na opinião da EDP e do ministro do ambiente, entre outros) dá um exemplo global de correcção! Os moinhos de vento fornecem, segundo a EDP, 50% da energia que nós, inveterados consumistas, gastamos. E, no futuro, será ainda melhor! Hossana!

     

    O problema é o que pagamos para ser um tão glorioso membro da comunidade internacional. A dona EDP, se fosse minimamente honesta, ou dissesse a verdade toda, devia acrescentar à news letter o preço que a coisa nos custa. Devia acrescentar à news letter o valor das rendas que lhe pagamos, bem como aos pimentas e outros privilegiados da nossa praça, à conta das ventosas maravilhas, devia acrescentar à news letter os custos das centrais térmicas que substituem os moinhos quando não há vento,  devia acrescentar à news letter o maravilhoso impulso dado ao ramo pelo senhor Pinto de Sousa, as garantias de facturação que aprovou, as PPP’s idiotas que celebrou em nosso nome, os brutais desperdícios de energia que provocou, etc. e tal.

     

    Pois é, meus amigos, à pala de patacoadas como a nossa “responsabilidade” no clima, à pala de negócios multimilionários como os das “emissões” de CO2, , à pala das políticas – e não só – do socraaldrabismo e de outras prestidigitacões da moda correcta, a indústria, a agricultura, a economia em geral, e nós, gemem e gememos com a energia mais cara da Europa, um gigantesco garrote económico e social.

     

    Façamos como o Passos Coelho. Punhamos os pés no chão.

     

    30.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • TRETAS ELEITORAIS

     

    Algumas observações “analítico-trêticas” sobre as eleições:

     

    – Primeira treta: a abstenção. Ninguém sabe qual foi. Tudo o que se diga é abusivo e aldrabão. Os cadernos eleitorais incluem criancinhas, defuntos, emigrantes (num só debate, um sabichão disse que estes eram 300.000, outro 200.000 e um terceiro 120.00. Poderão ser 2 ou 3, ou 1.000.024, por exemplo): nove milhões de eleitores em dez milhões de habitantes. Lindos cadernos!

     

    – Segunda treta: o PS está muito contente porque foi o 3º partido socialista mais votado na Europa. Talvez tenha sido. Que fique contente com isso, percebe-se. Mas também se percebe porque é que o PS Europeu continua minoritário. E também se percebe que, a votar assim, continuamos na cauda do pelotão em matéria de discernimento político.

     

    – Terceira treta: o Bexigoso, na opinião do Oco, fez uma campanha de grande nível democrático e cheia de boa educação. Ficamos a saber o que, na cabeça do Oco, é a democracia e a boa educação. Como o IRRITADO tem dito, o cómico tem a cabeça nos pés. O bexigoso não podia ter sido mais ordinário e, em matéria de pensamento, tem o mesmo do Oco: nenhum.

     

    – Quarta treta (a maior de todas): a grande vitória do PS. Passados mais de dois anos de inevitável massacre fiscal e de não menos inevitável desemprego, de uma luta sem tréguas da “informação” que temos, de milhares de manifestações e outras intervenções do Carlos e do Jerónimo, dos gritinhos da meia-leca do BE, da proliferação de associções mais ou menos assassinas, do esmerado cultivo de ódios, tudo a matraquear no governo (a coragem política do PM acaba por ficar à altura da bravura guerreira de Nun’Álvares quando responde com calma e boa educação às cavalidades alheias), de investidas de “intelectuais”, de traições de “altas figuras” do PSD a destilar sem decoro as suas dores de cotovelo, de generalizadas negações do óbvio… o PS teve mais 4% de votos e não conseguiu ter à porta do Altis mais do que as 50 pessoas que de lá saíam. Se isto é uma grande vitória, vou ali e já venho. Se isto é uma grande derrota da coligação, meus amigos, então a Lua é cúbica! Todas, mas todas, as proclamadas ambições do PS foram à viola.

     

    – Quinta treta: o discurso do Oco. Repetição, de trás para diante e de diante para trás, das inanidades que anda há dois anos a divulgar: nem uma só ideia, nem um caminho, nada. Puro, enjoativo e recorrente blabla.

     

    – Sexta treta: o BE escanchado. Não é fácil, reconheçamos, ter um pé no comunismo e outro na democracia. A coisa racha pelo púbis. No entanto, no uso da sua esclarecida verve, a histérica acha que foi uma vitória! O velho não sei o que disse, mas é de imaginar que não tenha ido mais longe que a colega. Perdão, camarada.

     

    – Sétima treta: a eleição do Màrinho. O socrapirismo volta com novo representante. Prendado com os anos e anos de palanque nas televisões que o tornaram conhecido à pala de bocas tonitruantes, este populista de trazer por casa cavalgou a “notoriedade” e convenceu uma data de ignaros. Parabéns. O malandrim comeu votos aos partidos que foi um vê se te avias. Teve a sua graça, em termos de humor negro. Agora, algumas inteligências dizem que roubou votos ao PS. Pois, e ao PSD/CDS também. A não esqucer.

     

    – Sétima treta: o Livre. Livrámo-nos do Livre, o que não é nada mau. O deputado pendura deixou de ter cabide: o que tinha roubado ao Louça foi à vida. Aleluia.

     

    – Oitava treta. O impasse. O Oco resolveu declarar que estamos num “impasse político”. Só se for no Largo do Rato. Aliás, o camarada Costa já se encarregou de dizer como é: o PS tem que leflectir e tirar as consequências internas da pífia vitória que teve. A almejada “mudança” morreu antes de nascer: um aborto natural. Mudança, só se for outra: a do Oco.

     

    – Nona treta. A nossa Marine Le Pen, isto é, o Jerónimo, subiu, não tanto como como diz ter subido ou como subiu a sua mais sofisticada versão francesa.

     

    – Décima treta. A nossa Marine, bem como o Oco, clamam por eleições antecipadas. esquecem-se de que não dispõem dos bons ofícios do Sampaio para os lever ao colo ao poder. Ainda bem. É tempo de fazer voltar ao regime alguma normalidade, ou seja, que o golpe de estado constitucional tenha deixado de estar na moda.

     

    E por hoje é tudo. Outras “análises” se seguirão, se para tal o IRRITADO tiver pachorra. Tretas não faltam, nem vão faltar.

     

     26.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MARKETING

     

    Um fulano, ao que se diz “advogado”, “artista” e “músico”, tripeiro, de seu nome Adolfo Luxúria Canibal, resolveu (para já “simbolicamente”) desatar aos tiros a tudo e mais alguma coisa que lhe cheire a dinheiro ou a política.

    Adolfo – como Hitler – Luxúria – é lá com ele – Canibal – cheio de bons instintos, como é óbvio. Não insultarei os pais da repelente criatura dizendo que lhe deram tal nome. Prefiro pensar que a escolha foi do próprio, ansioso por comunicar ao mundo as suas mais amadas escolhas filosóficas, doces tendências, e amor ao próximo.

    Contra o dinheiro, como se tivesse pouco. Contra os políticos, como se fizesse outra coisa que não política. O fim lógico da porcaria seria que, literal e não simbolicamente, desse um tiro na cabeça, não é? Não fazia cá falta nenhuma, a não ser ao mau gosto e à caca.

    No entanto, a coisa tornou-se “viral” na internet, e vai dar balúrdios ao Adolfo, em CD’s e outras brincadeiras. Marketing político em baixíssima, mas refinada expressão.

    O outro Adolfo aplaudiria.

     

    24.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UM POLITICÃO

     

    Diz-se que o Tribunal Constitucional é um órgão de soberania de carácter jurídico e independente. Dizem os seus detractores, como o IRRITADO, que a coisa, na sua versão actual, nada tem de jurídico nem de independente.

    Talvez para esclarecer as dúvidas que estas antagónicas opiniões possam suscitar, o respectivo Presidente, um senhor da barbas que gosta muito de jornalistas e de galarim, veio esclarecer as massas sobre quem tem razão.

    Começa por dizer que aquilo os famosos “direitos sociais” têm a mesma natureza que os outros, a que chama “de liberdade”. Uma vez que são iguais, o Estado tem obrigação de os proteger da mesma maneira. Isto é, o facto de o IRRITADO  ter o direito de escrever as suas opiniões e de ser sócio do Carcavelinhos, coisa que só depende dele e do Carcavelinhos, tem exactamente a mesma natureza que o direito de custar ao Estado – quer dizer, aos outros – tudo o que o o senhor Presidente acha que deve custar, mesmo que o Estado – ou os outros – não tenha dinheiro para pagar. Nesta ordem de ideias, o homem acha, desculpando-se com a Constituição, que tais direitos “reforçam a estrutura(?) da liberdade”. Assim, opina que tais “direitos”, os sociais, equiparados aos outros, impõem um compromisso político com a garantia desses direitos.

    Aqui temos o esclarecido pensamento dess’alta figura pública, que se desculpa da equiparação do que não é equiparável com… a Constituução.

    O IRRITADO, como é patente para quem o lê, não gosta da Constituição, acha que ela é irreformável e que devia, não ser revista, mas substituída por outra, sem outra ideologia que não fosse a do cumprimento das regras básicas da democracia. Mas acha (tem a certeza) que, com todos os seus defeitos, se a Constituição fosse lida por outrem que não este senhor, nela se encontraria o suficiente para ir ao encontro dos nossos problemas e necessidades, isto é, para, hierarquizando prioridades, se chegar a conclusões contrárias àquelas a que o TC usa chegar. Já foi assim em tempos, mas… nesses tempos o primeiro-ministro era o Mário Soares…, o que leva a que a jurisprudência herdada seja, hoje, simplesmente metida no caixote.

     

    Donde se conclui que as opiniões do senhor Presidente são tão jurídicas como as do Jerónimo, isto é, são exclusivamente políticas, destinadas a fazer política e a, ilegítima e abusivamente, transformar o TC, materialmente, num mero partido da oposição, só que mais poderoso que os demais.

     

    24.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • OS GATOS NA CAMPANHA

     

    Estas eleições, anunciadas como “europeias” em proclamadas boas intenções do camarada Assis et alia, são tudo menos europeias. O PS marimbou na “Europa” e tratou de dar largas à sua sede de poder, tratando de as transformar em legislativas antecipadas. Os objectivos proclamados de reforma das instituições da União, de “luta” intransigente pela alteração das posições da Comissão e do Conselho (e da dona Ângela!) em relação às dívidas soberanas, etc., não passaram de fogo de vista, a vender uma coisa  em que, como noutras, o partido é completamente ignorante e nada sério: a política europeia.

    Se é verdade que os eleitorados, cá e lá fora, costumam utilizar este tipo de eleição para dar sinais aos respectivos governos, não é usual, por parte de partidos responsáveis, tentar, por causa delas, fazer cair os governos. Ainda menos em exclusivo.

    No uso, nem sequer sofisticado, da sua tradicional desonestidade, o PS chegou ao ponto de centrar a campanha num “programa de governo”, com chorrilhos de miríficas promessas e demagogia muito mais que q.b.. Como se fosse isso o que está em discussão! Populismo barato, é o menos que se pode chamar à campanha do PS.  

     

    Internamente, o Oco tratou de vender a esperança de uma chegada ao poder mais depressa do que seria democraticamente normal. Isto a fim de unir os gatos do seu saco – incluindo o abominável Pinto de Sousa! Os gatos responderam com uma súbita “unidade”, isto é, puseram as orelhinhas de fora, não fosse o diabo tecê-las e o poder vir mesmo mais depressa. Quando esta estúpida promessa falhar, os gatos voltarão a arranhar-se uns aos outros, para justificado gáudio do IRRITADO.

     

    Parece que a vitória desta miserável estratégia está garantida. Mas também parece que será uma vitória de xaxa. E, desiludidos com o Oco, os gatos far-lhe-ão a cama. Vai ser giro.

     

    22.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A NOVA EXTREMA DIREITA

     

     

    É “engraçado” verificar que, ao mesmo tempo que os partidos de direita nacionalista, xenófoba, autoritária e inimiga da União e do euro e vicejam lá por fora, por cá nem sequer há disso. Portugal tem a extrema direita desocupada, ou desinstitucionalizada.

     

    Terá? Nem por isso. Os temas da extrema direita europeia são a menina dos olhos da… extrema esquerda em Potugal! O PC é, de longe, o mais declaradamente nacionalista, seguido de perto pelo BE e pelos minhocas maluquinhos, tipo MRPP ou POUS.

     

    Mais uma originalidade do nosso “processo”. Não haverá outro país civilizado onde de verifique um fenómeno desta natureza. No fundo, não é de admirar: os partidos verdadeiramente fascistas não eram socialistas, estatistas, e dos “trabalhadores”? O camarada Arnaldo Matos costumava chamar ao PC “social-fascista”. Enganava-se: todos os totalitarismos são “sociais”, ou socialistas. Fascismo, socialismo e comunismo são primos direitos.

     

    O Jerónimo é a nossa Marine Le Pen.

     

     

     

    22.5.14

     

     

     

    António Borges de Carvalho    

     

  • CAMPANHA E TRETA

    E lá veio o Oco proclamar que não aumentará impostos! Onde é que eu já ouvi isto?

    Pois não, não aumentará impostos se não precisar de aumentar impostos. Será que a obra de Passos Coelho foi tão boa tão boa que não vai ser preciso?

    E o que é que isto, verdadeiro ou falso, tem a ver com as eleições europeias? Zero! E o que é que as 80(!) “medidas” têm a ver com estas eleições? Zero! E a “industrialização”, ou melhor, a “adopção de uma estratégia industrial 4.0” (sic)? E a “estação oceânica dos Açores”? Estará o Oco a gozar com o pagode? E as outras 78 “medidas”? Zero. Zero a ver com as eleições europeias, zero a ver com qualquer coisa de minimamente sério.

    O Oco parece não ter aprendido a lição. Há para aí um ano, desatou aos gritos que queria legislativas antecipadas. Teve que meter a viola no saco, como toda a gente sabe. Agora, vai pelo mesmo caminho. Apresenta “programas de governo”, como se estivesse em campanha para eleições parlamentares.

     

    Ou muito me engano ou, mesmo que as sondagens estejam certas, vai ficar com duas violas no saco. E é bem feita!

     

    20.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • PROPAGANDA

     

    É feio criticar as pessoas por motivos estéticos. Da propaganda eleitoral não se poderá dizer o mesmo. Mas é de não resistir a certas tentações.

    Já viram o leque de damas e cavalheiros com que o socialismo nos brindou? É lindo! Uma série da balzaquianas, feias como a noite, mais um monte de fulanos que jamais poderiam servir de modelo. Clamam mudança: então que se mudem, não fazem cá falta nenhuma. Já agora, podiam começar por mudar de oco. E aquele tipo dos animais & Cª? Faz medo ao inferno. Um tipo com uma cara daquelas, que nem devia sair de casa, deve achar-se lindo nos cartazes. Se os cães votassem… E a menina do BE? Bem sei que irrita menos que a sua espernéfica “chefa”. Mas, que diabo, apregoar que se quer pôr “de pé” faz o menos mal intencionado pensar que está deitada.

    E o pândego do Araújo Pereira que, desiludido com o PC – já está demasiado rico para os “standards” leninistas – vai lançar uma mensagem de apoio ao chamado Livre e ao infiel (ao Louça) Tavares? Vai ser uma mensagem pelo menos “fedorenta”, de fartar de rir.

     

    Infelizmente, a estética das pessoas e a burrice das mensagens não são coisas que motivem os eleitores. Senão, até podia haver esperança.

     

    20.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DIA NACIONAL

     

    Contra a “homofobia”, a CML celebrou o “dia nacional”. Uma surpreza, já que ninguém sabia da existência de tal coisa, mesmo que “nacional”.

     

    Os deficientes sexuais não param de propagandear os seus handicaps em vez de ser discretos sobre eles como soía ser noutros tempos.

    Aqui há anos, a CML, sob a alta direcção do camarada Soares, teve a generosidade de oferecer, com as devidas obras de reabilitação e adaptação, um palacete às associações que promovem a adopção das suas “opções”. Os lisboetas pagaram a coisa com os seus impostos, licenças, alvarás, IMIs, etc.

     

    É certo que cada um é como cada qual. É certo que cada um, se não tem cão, poderá caçar com gato.

    Que têm os demais com isso? Nada, é certo, para bem ou para mal.

    Façam lá o que entenderem com o corpinho. Mas não chateiem, nem vivam à conta dos demais, por muito “correcta” que seja a exigida “solidariedade”e o propagandeado “respeito”. Se começassem por se respeitar a si mesmos não faziam propaganda nem pediam batatinhas.

     

    20.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • COM PAPAS E BOLOS…

     

    Poucos haverá que, como o IRRITADO, apesar de causticados, e de que maneira!, pelo que o governo lhes tem feito, mantenham a lucidez suficiente para ir distinguindo o trigo do joio. Não há nada mais fácil que comparar as intenções, ditas mentiras, de Passos Coelho, com o que tem sido feito ao longo da legislatura. O homem dizia uma coisa e fez outra. Canalha, bandido, aldrabão, etc., parece não haver adjectivos que cheguem. Alguns pormenores esclarecedores são esquecidos: o défice herdado era falso, estava monumentalmente escondido em empresas públicas “de direito privado”, sem reflexo orçamental, nas colossais consequências da nacionalização do BPN, (em vez de o levar simplesmente à falência, solução “liberal”), nas catastróficas consequências de loucas PPPês, nos contratos swap especulativos, na cortina de fumo sobre a situação da segurança social, na interminável procissão de minhocas escondidas à espera de cavadela, em suma, no infindável lixo que estava debaixo do tapete. O erro – hoje dito “mentira” – de Passos Coelho foi ter julgado que a situação com que ia lidar era uma, e ter-se-lhe apresentado outra, completamente diferente. Mas, para os críticos, quem mentiu foi ele, não quem o precedeu!

    Uma vez descoberta a verdade, e consciencializado o “garrote” troiquista, estavam criadas as condições para a austeridade que temos sofrido (ou que uns 20% da população têm sofrido) sem que outra solução houvesse, ou que seja quem for tenha proposto, pelo menos com pés e cabeça. Pode controverter-se se devia ter sucedido mais assim ou mais assado, mas não que fosse que evitável. O que não se pode dizer é que Passos Coelho tem usado a mentira como instrumento político. Bem pelo contrário, à revelia dos seus mais elementares interesses políticos e até pessoais, Passos Coelho tem sabido falar verdade, por muito que tal verdade lhe possa custar. É certo que andou para trás e para diante em muitas matérias, que não soube explicar devidamente a situação (talvez por não querer chafurdar na trampa do socretinismo), e que tem tido um parceiro perturbador à perna.

    Mas também é certo que herdou um programa que não era o seu, que o levou por diante sem sombra de eleitoralismo, que aguentou a alcateia sem tergiversar, que tem à perna um partido não eleito (o Tribunal Constitucional), que conseguiu muito mais do que se julgaria possível, que tem tido uma coragem acima de qualquer crítica, que tem enfrentado as contrariedades internas e externas com rara virilidade.

    Este texo não é um elogio. É um simples olhar sobre a realidade.

    *

    A realidade desta campanha eleitoral é esta: nos tempos que a precederam, a oposição, leia-se o PS, clamou aos quatro ventos que ia discutir o que está em discussão, a “Europa”, o papel do Parlamento Europeu, a evolução da aplicação dos tratados, etc..

    Veja-se o que está a acontecer: nem uma palavra sobre o assunto. Pancadaria interna e absolutamente mais nada. Transformar as “intenções europeias” em parlapatices para quando o PS for governo (t’arrenego!), eis o que se vê. O candidato “moderado” transmutou-se em demagogo ordinário, serrabeco e mais populista que o Berlusconi. Ontem, a família – leia-se o saco de gatos – socialista, com horas de televisão, ouviu deleitada as promessas eleitorais (não para as europeias, para as outras) do seu miserando chefe. Sobre a “Europa”, nem uma palavra. Oposição barata e, mais uma vez, populista. Mediante o lançamento de novos impostos, o fulano prometeu coisas. Desta feita, o fim da “TSU dos pensionistas”, a reposição dos subsídios dos velhos, e assim por diante, como se os deputados europeus do PS fossem fazer isso em Bruxelas!

    Em suma, não há campanha para aquilo em que as pessoas são chamadas a votar. O que há é mera oportunidade de inundar o país de aldrabices sobre tudo, menos sobre o que se dizia estar em causa.

    Como diria o “filósofo”, o PS está a dar “o seu melhor”, ou seja está a mostrar a sua verdadeira face, a sua face de sempre, a de um bando de malfeitores, políticos e não só.

     

    18.5.14

     

    António Borges de Carvalho

     

    ET. Não ficaria o IRRITADO bem com a sua consciência se não assinalasse, com enorme satisfação e até carinho, o doce tête à tête do Capucho com o Assis. Que ternura! Lembram-se dessoutra maravilha que foi o cafezinho do Pinto de Sousa com o Figo? Les bons esprits se rencontrent… ao pequeno almoço e não só. 

  • DOS MALEFÍCIOS DO IVA

     

    A começar pelo IRRITADO, não haverá ninguém que goste do IVA a 23% (ou a 23.25%, que é mais ou menos a mesma coisa).

    Outra coisa é saber das efectivas consequências ao nível do consumidor.

    Um apontamento interessante é a barulheira quer por aí anda por causa do IVA da restauração. Todos os dias, dos políticos do CDS aos da esquerda – folclórica e clássica -, dos tasqueiros aos hoteleiros, dos vendedores de morangos aos altos dirigentes da classe, não há quem não passe a vida a vir à televisão e aos jornais arengar sobre a “injustiça”, as “ameaças ao turismo”, “o fim de um sector”, “os milhões de desempregados”, etc., tudo por causa do IVA.

    Acontece que qualquer cidadão, quando abre o seu email, fica submergido em anúncios e mais anúncios de hotéis, restaurantes, bares, etc., a propor as mais extraordinárias borlas, descontos e preços de arrasar. Qualquer cidadão que vai tomar a sua bica logo de manhã paga exactamente o mesmo, ou menos, do que pagava antes do brutal aumento do IVA, com factura e tudo. E assim por diante.

    Então o IVA sobe e os preços descem, ou ficam na mesma? Como explicar tão estranha coisa? A ideia que fica é a de que, pelo menos neste sector, o governo podia aumentar o IVA para trinta por cento: forrava uma pipa de massa, e o Zé Povinho não dava por nada!? O IRRITADO não aconselha tal coisa, mas lá que é de nela pensar, é.

    Que se passou então? Várias coisas. Os tipos que viviam à custa das rendas baixas e da fuga aos impostos foram à vida. Os outros aguentam-se e procuram cativar clientes. O mercado passou a funcionar como nos países civilizados. E está mais vivo que antes. Os que berram contra o IVA são os que queriam manter margens especulativas ou se recusavam a modernizar-se e a investir. O resto é conversa e parlapaté político.

    Às vezes (quase sempre) a parte da sociedade que dá volta “por cima” safa-se, os que nunca tiveram safa, a não ser com privilégios e aldrabices, não se safam. Que mal há nisto?

     

    11.5.14

     

    António Borges de Carvalho    

  • EMOÇÕES ESQUERDÓIDES

     

    Anda por aí a causar um frisson dos diabos a notícia da vinda a Portugal (Penha Longa – Sintra) dos manda-chuva da troica, com chegada no dia das eleições para o PE.

    Parece que se vão encontrar para mais uma sessão de bocas mais ou menos inúteis. Mas isso é o menos. O importante, o que tem enervado inúmeras personalidades da área da extrema esquerda (Mário Soares, Manuel Alegre, Vasco Lourenço, o Jerónimo, a Martins e o Semedo, por exemplo), as quais consideram tal vinda como uma ilegítima intromissão nas eleições europeias de Portugal. Isto, como é evidente, para antecipar uma “inteligente” justificação para putativa tunda eleitoral que venham a levar. Se não levarem, a argumentação será a mesma, isto é, dirão que o seu “sucesso” teria sido mais “expressivo” não fosra a presença de tais manda-chuva.

    Os jornais que, embora informem mal, costumam andar bem informados, dizem que as “personalidades” e os seus séquitos chegarão no dia 25 e se encontrarão para jantar às 8 da noite, uma hora depois de fechadas as urnas e já conhecidos os resultados. Como é que isto pode influenciar o voto de cada um é coisa que só nas retorcidas cabeças daquela gente pode caber. Mas, enfim, como não dizem nem pensam duas seguidas, que se entretenham com estas palermices. Se assim não fosse estariam a passar, aos eleitores, um atestado de estupidez ou de cobardia, não é?   

     

    11.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • QUESTÕES EPISTOLARES

     

    À falta de melhor, a central de argumentos eleitorais do PS decidiu exigir que fosse imediatamente posta a circular uma carta que o governo vai escrever ao FMI.

    Acho muito bem. O problema é que vai escrever. Ainda não escreveu. Por isso, não tem nada para mostrar. Parece lógico, pelo menos para pessoas normais. Para as outras não será. O problema é delas, como diria a rapariguinha da Assembleia.

    E é mesmo. Diga a missiva o que disser, o PS, que está com falta de material para os seus ridículos jogos florais. Acha, e tem razão, que a tal carta lhe forneceria material para sonoros ataques durante a campanha eleitoral. Não porque a coisa venha a trazer grandes novidades, coisas terríveis, ameaças ao nosso viver, mais impostos, menos salários, prometa fechar o hospital de Santa Maria e a Câmara do Porto, anuncie a abertura de um campo de ncentração para a oposição ou garanta declarar guerra à Rússia. Não. O PS sabe que, seja o que for que lá for escrito, haverá sempre forma de dizer cobras e lagartos, sobretudo se anunciar o que o próprio PS fará se tivermos a desgraça de o pôr no governo em 2015. O PS, à falta de ideias, de uma só que passe de puro blabla, espera que o governo lhe dê algumas novidades para poder alimentar a cassete. Um desejo legítimo.

    O problema é que, até ver, não há carta nenhuma. O IRRITADO acha que sim senhor, o governo, antes de a enviar, devia mostrá-la ao Oco. Também sabe que é da praxe que a revelação pública da coisa compita ao destinatário e que, por isso, o governo não deverá torná-la pública por iniciativa própria. Mas o Oco, coitado, que acha que vai ser primeiro ministro (xiça!), está doido para desatar aos gritos, assim que conhecer a coisa.

    E é nisto que estamos. Cria-se uma polémica do caraças por causa de uma coisa que ainda não existe! Esperemos pela próxima, que será tão imaginativa e inteligente como esta.

     

    9.5.14

     

    António Borges de Carvalho