IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • REFORMA DO ESTADO

     

    Muitos anos atrás alguém legislou – julgo que o ministro Joaquim Ferreira do Amaral – estabelecendo prazos para os deferimentos camarários e criando o deferimento tácito para os casos em que as câmaras ultrapassassem tais prazos sem responder aos requerentes. Esta decisão foi saudada pelo público em geral e correspondeu a uma machadada certeira na burocracia autárquica.

    Como reagiram as câmaras? Desobedecendo literalmente à lei. Se alguém metesse um projecto ou uma pretensão, por pequeninos que fossem, e, passado o prazo de resposta legal, não tivesse recebido resposta, julgaria que o seu pedido estava deferido. Cruel engano. As câmaras diziam sim senhor, está deferido mas, para começar a trabalhar precisa da respectiva licença. Que fazer para a obter? Seguir o caminho da “lei”, isto é, apresentar toda a papelada como se não tivesse havido deferimento nenhum e seguir o calvário do costume. O cidadão podia achar que a lei do deferimento tácito o protegia, e começar a trabalhar sem a tal licença. Na certeza porém que, depois de gastos substanciais contos de réis ( se fossem poucos não faria mossa…) lá estaria o fiscal da câmara a mandar fechar o estanco.

    Anos passaram. As câmaras continuaram a não cumprir prazos de espécie nenhuma, as pessoas deixaram de acreditar no deferimenro tácito, e, poderosíssima, a burocracia venceu mais uma batalha.

     

    Quando se fala em reforma do Estado, é comum acusar-se o governo de não a ter feito, ou de ter feito pouco.

    Agora pensem o que aconteceria, por exemplo em Lisboa, se a câmara se “reformasse” e cumprisse a lei do deferimento tácito. Os milhares de técnicos, arquitectos, engenheiros, juristas, do quadro, a prazo, tarefeiros, a recibo verde, etc., que se entretêm a fazer a vida negra às pessoas, dizendo tudo e o seu contrário desde que chateiem e procrastinem, iam parar onde?

    E se o governo se pusesse, como os críticos acham que é sua obrigação, a fechar todos os inúteis penduricalhos que enxameiam a administração pública, onde iria parar essa malta toda? Onde iriam parar os senhorios que arrendam instalações que não servem para nada? E os concelhos que perdiam a animação económica local que tal malta proporciona? E as empresas que fazem a limpeza das instalações? E, e, e?

    Meus amigos, era a mais desbragada bagunça que imaginar se possa. Os críticos das não reformas passavam a ser, de um momento para o outro, os seus maiores inimigos. Os que acham que se devia cortar a direito nas “gorduras do Estado” desatavam aos gritos em defesa das gorduras do Estado.

     

    O IRRITADO acha que tais reformas deviam ser feitas, ou que já deviam ter sido feitas. Mas imagina o que os exércitos do general Mário Soares, do sargento Jerónimo, do furriel Carlos, do coronel Lourenço, para não falar do tacos de pia do BE, entrariam numa polvorosa tal, numa ânsia de “paulada” de tal ordem, que é difícil imaginar onde isto iria parar.

    A reforma do Estado que, acima de tudo, é a reforma da burocracia e das leis, regulamentos, portarias e porcarias que a protegem, só seria, ou só será possível com um governo democraticamente forte e, sobretudo, com a inteligência que se desejaria a certos “democratas” que insistem na mais feroz estupidez.

     

    6.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ESQUERDA CULTURAL

     

    É tão alta a consideração que Marcelo Caetano merece enquanto professor (ainda hoje não há, pelo menos na sua especialidade, quem lhe chegue aos calcanhares), como baixa acabou por ser a sua prestação como político.

    Com outro administrativista de grande fôlego, Lopez Rodo, seu discípulo e admirador, trocou correspondência intelectual e jurídica que merece estudo. Tal correspondência foi há pouco publicada em livro. Como é natural, a obra teve o seu lançamento na Faculdade de Direito de Lisboa, no mesmo edifício onde, durante tantos anos, comunicou aos alunos o seu alto saber.

    Até aqui, tudo normal. A Faculdade, como edifício, é hoje a mesma do seu tempo. Pensariam os menos avisados que o tal lançamento seria feito num dos magníficos anfiteatros que por lá há. Pensavam mal. A sessão teve lugar numa obscura cave, munida de cadeiras manhosas, onde se apinharam umas dezenas de pessoas. Quem lá fosse assistir não a encontrava e, se perguntasse aos alunos ou aos contínuos, verificava que ninguém estava a par do assunto, sendo indispensável percorrer corredores e corredores mais ou menos subterrâneos até chegar ao local. É de pensar que muita gente tenha desistido.

    A coisa era para esconder, aliás como confessou o seu apresentador, Marcelo Rebelo de Sousa. Segundo a nova direcção da Faculdade, caracterizada pelas suas tendências esquerdistas, o assunto não era compaginável com as comemorações do 25A, por conseguinte acederia generosamente a autorizar a sessão, mas só nas circunstâncias absolutamente indignas em que acabou por se realizar.

    A esquerda muito preza a cultura, desde que a cultura seja “cultura”, isto é, seja de esquerda. E é capaz de tudo o que for preciso, incluindo pisá-la, falsificar a História, desrespeitar pensadores, meter no caixote do lixo o que não lhe convém, calar quem se atreva a pensar de outra maneira que não a dela. A ditadura tinha a “desculpa” de ser ditadura. A esquerda, dita democrática, não tem nenhuma desculpa, mas não se exime de praticar as mais rebuscadas formas de censura e de ostracisar os “descrentes”.

    A esquerda manda na Faculdade de direito. Está tudo torto.

     

    5.5.14

     

    António Borges de Carvalho

     

    ET. Imaginem que a sessão era acerca da obra artística do Álvaro Cunhal: anfiteatro número 1, tímbales e charamelas, não é?

  • ELOGIO FÚNEBRE

     

    Como é hábito em relação aos mortos, tem-se visto por aí os mais altos encómios à emérita figura de Veiga Simão. Não há cão nem gato que não gabe a sua passagem directa do poder autoritário para o democrático, em viagem de longo curso até ao PS. Cada um é livre de viajar para onde entende, competindo a quem o recebe ajuizar da genuinidade da viagem.

    Adiante. A reforma do ensino que terá feito, ou tentado, durante o marcelismo, tornou-se alto serviço à Pátria de um momento para o outro. Talvez fosse. Compreenda que a sua gloriosa memória tenha, subitamente, emergido em inúmeras cabeças tidas por pensantes.

    O IRRITADO não se pronuncia sobre reformas do ensino, cuja quantidade é de tal maneira grande e tão folcloricamente rebuscada, se não ridícula, que escapa a qualquer juízo.

    Mas recorda aquilo por que era conhecido, ao tempo, o Professor Veiga Simão: o homem que introduziu os “gorilas” nas faculdades. Não contente com a habitual vigilância da PIDE através de contínuos, funcionários e até estudantes e docentes, resolveu torná-la mais “próxima”, mais “eficaz”, através da contratação e/ou colocação dos tais “gorilas” nos corredores das faculdades.

    Mudada a nora, ei-lo no governo provisório! Diz-se que foi a Maçonaria que lá o colocou. É capaz disso. Não foi o único maçon que, sendo figura do regime (havia-os, e muitos, por lá), emigrou, passando, na boca de outros maçons, a ter sido sempre um democrata da mais fina cepa.

    O IRRITADO reconhece que o senhor era um tipo inteligente, até bem intencionado, que, é de pensar, acreditou na primavera marecelista, que fosse pessoa séria, que tenha tido um papel importante na Universidade de Lourenço Marques, etc..

    Mas acha que os pormenores acima citados deviam, post mortem, fazer parte do seu currículo.

     

    5.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • FRAGILIDADES

    Há para aí trinta nos, de tanto ouvir falar tive a fragilidade de ir ao “Frágil”. Uma experiência boa para esquecer. Mas não esqueci. Uma porta sebenta, um interior sebento e de gosto quiçá “progressista”, uma malta mais ou menos perdida em fragilidades diversas, uma fulana rotunda e grossa à porta, a deixar passar os que mereciam tal distinção. Não sei porquê, mereci-a. Ao som da adequada música (?), movimentavam-se uns seres mais ou menos diáfanos, outros com uma alegria de pedrada, porventura a esquecer deficiências de vária ordem.

    Não era sítio para gente normal, gente como nós, a que os “locais” chamariam terríveis nomes, reaccionários, burgueses (como se outra coisa eles fossem) e outros mimos. Hoje, chamar-nos-iam neoliberais, homofóbicos ou outros adjectivos, todos eles significando terríveis pecados contra a moral a que os tempos chamam correcta.

    Não arranjaste outro sítio para me levar? Perguntou a minha mulher, ansiosa por se ver livre daquilo. Deixa lá, bebemos um copo, vemos um bocado deste folclore e depois vamos a outro lado qualquer, impus.

    Pedimos um whisky. Veio uma coisa que nem de Sacavém merecia o nome. Até o gelo devia ser falsificado ou “temperado”.

    Pusemos os copos em cima do balcão e demos às de Vila Diogo, não sem apresentar as nossas despedidas à gorda da porta, que nos olhou com o mais profundo desprezo.

     

    Mudaram os tempos. O “Frágil” deve ter fechado, eventualmente por já não ser suficientemente “progressista”.

    Até que, simbolicamente, se tornou sede de mais um subproduto da esquerda folclórica: uma coisa chamada “Livre”, ao que parece destinada a manter no Parlamento Europeu um tipo que pôs os cornos ao Louçã.  

    A história repete-se. Os continuadores da malta do “Frágil”, talvez empenhados em dar à malta mais umas falsificações, deitam a cabecinha de fora. A zurrapa é a mesma. Quem gostar, beba. Não desejo bom proveito, que bom proveito é coisa que o “Livre” não proporcionará seja a quem for.

     

    4.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • EVITAR O INFERNO

     

    O Oco veio esclarecer o povo sobre uma coisa que todo o povo já sabia: acordos sim, mas quando o PS ganhar as legislativas.

    Ou seja, àqueles que acham bem que venha a haver um acordo de regime, o idiota informa: primeiro, votem em mim, depois eu vou fazer acordos com o PSD e com o CDS. Ou seja, meus amigos, os acordos não são coisas precisas para o futuro do país, são uma bengalinha para que eu possa ser primeiro-ministro!

    Para além de oco, vazio, sem uma ideia nova, sem uma solução seja para o que for, rodeado de malfeitores políticos, e não só, de Silva Pereira a Jorge Coelho, sem ser capaz de pôr nos varais a canalha socrapífia, perito em baratíssimas demagogias, repetindo as mesmas patacoadas, prometendo o imprometível, garantindo ser capaz de fazer o infazível, cego ao que tem acontecido ao socialismo europeu, de Hollande àquele alemão que quer o lugar do Barroso, este zero à esquerda lança o seu repto, tão estúpido quanto o dono: se quiserem conversa, só comigo a mandar.

    O IRRITADO, que suspeita, ou tem a certeza que acordos seja de quem for com o PS serão sempre indesejáveis – ninguém, com recta intenção ou seriedade mental poderá correr o risco de acordar seja o que for com tal gente – chama desde já a atenção daqueles  pêpêdês que, se perderem as eleições, têm a ilusão “patriótica” de vir a partilhar o poder com o PS: metem-se numa camisa de onze varas, uma vez que serão submetidos à pior da ditaduras, a da estupidez, e acabarão por colaborar no inglório enterro que nos espera se gente da laia do Oco chegar ao governo. Portanto, deixem os acordos para o CDS, se for caso disso. E guardem-se para quando for preciso.

    O país, esse, tem tempo para pensar a fim de, em 2015, evitar a mais horrífica das hipóteses: um governo do Oco.

     

    2.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DA LOUCURA

     

    Loucura ou insânia: condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais. Segundo a lei civil, a loucura desculpa os actos cometidos contra a sociedade.

    Não, o IRRITADO não percebe nada de psiquiatria. Foi à Wikipedia, e pronto, ficou com umas noções.

    Perguntar-se-á por que carga de água.

    Explico: o IRRITADO anda preocupado com o camarada Soares. Vendo-o dizer as enormidades que diz, vendo-o negar-se a si próprio todos os dias (como julgarão os bem intencionados), ou mostrar o que na verdade é (como dirão os que não o chupam), vendo-o alinhar com quem alinha, há que encontrar uma boa desculpa.

    Depois de muito pensar, o IRRITADO descobriu-a: é ela a loucura (perturbações mentais, delírios, alucinações, psicoses). Aí está: o homem tem desculpa: ensandeceu! Tarou, saltaram-lhe os carretos!

    No entanto, ainda que a inimputabilidade seja aplicável às bojardas dos tarados, a sociedade deve prevenir-se e defender-se contra as investidas anti sociais de tais infelizes, designadamente através do seu internamento em estabelecimento especializado.

    Eis o que o IRRITADO propõe para o camarada Soares, a fim de que não dê mais argumentos a quem dele não gosta, nem desiluda ainda mais os que caíram na asneira de o admirar.

    Trata-se, como é evidente, de uma proposta salvífica e caridosa para o camarada Soares, coitadinho!

     

    2.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • PROPOSTA

     

    Ao ouvir hoje algumas declarações da excelentíssima senhora dona Manuela, o IRRITADO propõe:

     

    a) Que a academia sueca lhe atribua o prémio Nobel da dor de corno;

    b) Que a fundação do Pingo Doce lhe ofereça um cabaz de bens essenciais dedicado aos aposentados privilegiados mas cheios de maus sentimentos;

    c) Que lhe seja conferida pelo doutor Cavaco a grã-cruz da rapacidade descontente;

    d) Que a Comissão Europeia a convide para um seminário subordinado ao tema “Da invejocracia militante e seus reflexos no aquecimento global”;

    e) Que o camarada Jerónimo a proponha para cavaleira da ordem da foice de oiro;

    f) Que a camarada Martins, aos gritinhos, proponha a imediata decisão de a mandar, post mortem, para o panteão da república, com honras militares;

    g) Que o senhor Capucho crie um forum destinado em exclusivo a frustrados e corridos, oferecendo-lhe a presidência da direcção, devidamente remunerada de forma a compensar, com efeitos retroactivos, as perdas da ilustre aposentada,;

    h) Que a Faculdade de Economia de Cacilhas a distinga com um doutoramento Honoris Causa;

    i) Que o professor doutor Pinto da Costa patrocine a geminação do FCP com a senhora, a fim de poderem chorar nos braços um do outro;

    j) Que o coronel de aviário Vasco Lourenço lhe ofereça a presidência da assembleia geral da sociedade 24A;

    k) Que o grande Oriente Lusitano lhe confira o grau 33 em reconhecimento pelo seu impecável alinhamento com as teses de vários e importantes irmãos;

    l) Que o Benfica lhe ofereça a comenda da mais desagradável desadepta;

    m) Que a federação universal dos ilusionistas a distinga com a comenda do disfarce mais imaginativo;

    n) Que a Conferência de São Vicente de Paula da Freguesia da Buraca lhe envie, semanalmente, um saco de plástico cheio de couves de Bruxelas.

     

    O IRRITADO espera, com estas tão carinhosas e respeitosas propostas, contribuir para aliviar as mágoas da pobre senhora.

     

    2.5.14

     

    António Borges de Carvalho

     

     

  • BOM SENSO

     

    O senhor Mexia, mui ilustre presidente da EDP, coitado, não tem culpa de não haver centrais nucleares em Portugal, nem de, por isso, termos a energia ao preços que temos, por exemplo 40% mais cara que em França – segundo um estudo que por aí anda em que não custa ao IRRITADO acreditar, por experiência própria.

    Nem terá culpa da moda dos moinhos de vento, na qual alinhou por pressão política do senhor Pinto de Sousa e insistência “técnica” e “ecologista” de várias entidades hoje forradas de massa à conta da coisa.

    Mas… o senhor Mexia, por inúmeras razões, é uma das pessoas mais generalizadamente odiadas deste jardim. Ninguém pode com o homem. Ninguém gosta de pagar balúrdios pela energia, ainda por cima sabendo que não é uma questão directamente relacionada com preços de matérias-primas ou outros custos inultrapassáveis, antes de opções energéticas ruinosas e de ditames empresariais a que os governos que lá vão não se opuseram e que o que cá está, metido em resultados de negociações de outrem, se vê à nora para alterar.

     

    Este post, embora não pareça, não é sobre políticas energéticas. É sobre condecorações.

    O Presidente de República resolveu condecorar um ramalhete de personalidades. Está no seu soberano direito. O problema é que, entre elas, está… o senhor Mexia! Pode haver vastas razões para a escolha. Uma não haverá, com certeza: a do reconhecimento público por parte dos cidadãos. Então vai condecorar um tipo que é objecto de irreprimível ódio popular e que tudo indica estar-se nas tintas para isso?

     

    Não se sabe o que terá informado, nesta ocasião, a douta cabeça do Presidente. Uma coisa de certeza certezinha, não foi: um mínimo de bom senso.

     

    1.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • TIRAR O CAVALINHO DA CHUVA

    A oposição militar, coisa digna da República Democrática das Bananas, tem várias sedes, vários “partidos”, várias agremiações, vários porta-vozes, vários generais, coronéis e por aí abaixo até às praças contratadas. Tudo minha gente devidamente unido pelo socialismo, um ideal(!?), e pelos constrangimentos da algibeira e dos privilégios herdados do “fascismo” e ora postos em causa.

    À cabeça desta enorme manada agiganta-se a chamada Associação 25A, onde oficiam figuras tão ilustres quanto o assassino Otelo, o primitivo Lourenço, o frustrado Garcia dos Santos e tantos outros que foram gozar dos rendimentos e das promoções na reserva em vez de continuar a trabalhar. Todos a achar que o golpe que fizeram há 40 anos lhes dá o sacrossanto direito de pôr, perante eles e para todo o sempre, a Pátria de joelhos.

    Que querem eles? Galarim, sem dúvida. Dinheiro, com certeza. Até são capazes de pensar que, se cair o governo, passa a chover por aí notas de quinhentos por todos os lados.

    Mas, atenção! Não querem responsabilidades! Só beco-beco! Pelo menos, foi o que o camarada Lourenço veio dizer numa almoçarada qualquer. O rapaz recusa “alimentar expectativas de que a 25A vai resolver os problemas “. Pois. A 25A não resolve problema nenhum. Especializou-se em criar problemas, não em resolvê-los.

    Haja alguma compreensão. O Lourenço, dada a pressão popular para que tome conta “disto”, dada a insistência de milhões de portugueses para que ponha ordem “nisto”, assoberbado pelas multidões que tem à porta a chamar-lhe Dom Sebastião, Messias, Salvador, etc., dá uma de humildade: não, não contem connosco “não nos arvoramos em solução”. Só beco beco.

    Por outras palavras, tiram o cavalinho da chuva. São uns heróis.

     

    1.5.14

     

    António Borges de Carvalho

  • HOMENAGENS

     

    1

     

    Homenageemos Vasco Graça Moura. Muito bem. Sem mais palavras, já que todo o bicho careta correu para os microfones, condoído e repetitivo.

    Vejamos agora a sessão de entrevistas oferecidas pela TV, e imaginemos que o defundo era uma figura do PS, ou ligada ao PS, ou que fora alguém no PS. Lá viria o Alegre pó pó pó, o Soares bla bla bla, mais uma série de minhocas ga ga ga, que o homem era um grande republicano e socialista, uma figura ímpar da organização, etc. e tal.

    Acontece que VGM era do PSD! Que chatice! Um indiscutível e raríssimo grande intelectual era do PSD, além de virulento atacante do PS e da esquerda folclórica! Uma contradição nos termos! Um verdadeiro intelectual não pode deixar de ser da esquerda, não é? Que chatice!

    Sendo assim, nenhum dos ilustres comentadores fúnebres se lembrou de citar a posição política do senhor. Os da esquerda, por motivos óbvios, de espanto e inveja. Os do PSD, ou por humildade, ou por não querer apropriar-se do corpo, ou por outras considerações menos nobres.

    Há diferenças, não há?

     

    2

     

    O Oco tem que arranjar maneira de aparecer todos os dias na TV e nos jornais. À falta de melhor, desta vez mandou organizar um jantar de homenagem aos antigos líderes da secção de Lisboa do PS, certamente gente de tal maneira ilustre que ninguém sabe quem seja. Para a próxima, consta que o Oco mandou preparar um almoço de homenagem às mulheres da limpeza do Largo do Rato, e outro dedicado a um cauteleiro que lhe vendeu um vigésimo com a terminação. Grandes temas não faltam!

    Tem o Oco toda a razão. No tal jantar, fez, como de costume, um discurso chato, totalmente vazio de ideias, a repetir patacoadas e mirabolantes intenções. À pala disso, a SIC Notícias (das demais não sei) contemplou-lhe as burras a demagógicas inanidades com dez minutos de antena! Valeu ou não valeu a pena?

    O IRRITADO espera com ansiedade o jantar do cauteleiro, certo de que, como é de justiça, o discurso do Oco será devidamente propagandeado.

     

    30.4.14

     

    António Borges de Carvalho     

  • ELEITORALISMOS

     

    É costume acusar os governos de eleitoralismo quando tomam alguma medida “boa” em ano de eleições. Umas vezes, tais acusações são justas – por exemplo, o aumento dos funcionários feito contra todo e qualquer bom senso, sentido de Estado ou noção das responsabilidades, pelo nosso coveiro, um tal Pinto de Sousa, dito Sócrates -, outras não o serão, ou são elas próprias mero eleitoralismo ou oportunidade “informativa”.

    Desta vez, o “Expresso” dá-nos uma manchete em que informa que o governo vai baixar o preço da energia a um milhão e quinhentos mil portugueses (quinhentas mil famílias) e, simultaneamente, aumentar o preço aos demais. Na primeira página, e em mais meia dúzia de ocasiões o jornal acrescenta “em ano de eleições”.

    É a campanha a começar. Só não se percebe como é que um jornal dito “independente” há-de entrar nela, ainda por cima de tão canhestra forma. Como é possível considerar eleitoralista uma medida que alivia 15% da população e castiga 85%?

    A inteligência falha muitas vezes, até àqueles que se acham inteligentes mas são vencidos pela dose de esperteza saloia de que não conseguem libertar-se. Em alternativa, a partidarite tolda-lhes o raciocínio.

    Dando aos “expressivos” jornalistas o benefício da dúvida, imaginemos o que o seu alto pensamento deve ter parido: se os beneficiados são os mais pobres, como os mais pobres são burros, não contam, o que conta são os eleitores saídos dos outros 850.000. Percebem a lógica? Eu também não, porque não há nisto lógica de espécie nenhum, só verrina, e da estúpida.

     

    26 .4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • VINTE E CINCO DE ABRIL

     

    Entre abraços e beijos, o trambolho Soares, comovido, disse ao Otelo: “Você é o nosso herói!”.

    Pois.

    Otelo, o “general” do COPCON, que mandava prender pessoas sem sequer saber quem eram, que ameaçou assassinar gentes indiscriminadas no Campo Pequeno, cuja fúria assassina havia de se materializar na fundação e direcção da mais mortífera organização terrorista que a III República conheceu, dezassete pessoas cobardemente assassinadas, vinte atentados à bomba, assaltos a bancos, etc. é… o “nosso herói”. Quem assim o considera foi presidente da república, entre outras coisas… o que o move agora?

    Se um canalha de dimensão de Otelo é um herói da democracia, então a democracia não se respeita a si própria. No caso vertente é o trambolho que, por raiva e frustração partidária, alardeando os mais reles sentimentos e a mais acabada das irresponsabilidades, trata um bandido, um terrorista, um assassino, por “herói”.

    Para quem acha que o 25 de Abril valeu a pena não pode haver maior ofensa a tal data.

     

    Adiante, que há mais porcaria. O autoproclamado dono, ou principal accionista, do 25 de Abril, outro general de aviário, depois promovido a coronel sabe-se lá porquê, um tipo que deixou de trabalhar, mas não de receber, há para aí trinta anos, passeou a sua porcina figura pelo largo do Carmo, onde fez um discurso que o camarada Jerónimo gostosamente subscreveria, e se declarou ali “com o povo”. Haveria que perguntar qual povo. E responder: qual povo qual carapuça! O que ali estava eram as hostes do Carlos, do Louçã, do Sousa e, com certeza, alguns incautos comproblemas, a servir de raminho de salsa: no fundo, os mesmos que haviam de ir à Avenida dar berros contra o governo, gritar, estilo Manel Alegre, contra as “ameaças à democracia”, como se ameaças à democracia não fossem a miserável apropriação e partidarização de uma data que devia ser de congratulação geral, o povo unido na comemoração da democracia, em vez de palco para acusações e gritaria.

     

    Mas há mais. No Parlamento, três partidos e um penduricalho do PC dedicaram o tempo de antena a defender o indefensável – as omeletes sem ovos – em vez de louvar a Liberdade, ou na recorrente contumácia de confundir a Liberdade com a liberdade de ser socialista. Nem o Presidente escapou: as hordas que fazem profissão de fé num republicanismo à moda de Robespierre abstiveram-se de o aplaudir e ficaram sentados à sua entrada. A democracia, a própria República, para eles, ou é sinónimo do seu poder ou não é nem democracia nem república!

     

    Não se sabe se esta pobre terra, alguma vez na vida, terá uma noção clara do que é importante e nos pode unir como povo, coisa que não é, nem o socialismo nem o imobilismo constitucional que tanto mal nos têm feito.

    Mas é de esperar que, na hora da verdade, o povo propriamente dito, não a maralha do Soares e Cª, manifeste, e certamente manifestará, que o povo é outra coisa que não as multidões arregimentadas por gente que, dizendo defender a Liberdade e a Democracia, outra coisa não fazem que não seja senão pô-las pelas ruas da amargura.

     

    25.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • O TRIGO E O JOIO

     

    O IRRITADO, insuspeito em relação às suas simpatias pelo storyteller Tavares, chama a atenção de quem o lê para o magnífico artigo hoje por ele publicado no “Expresso”. De se lhe tirar o chapéu!

     

    Para não se ficar pelos elogios (ou não seria irritado…), aqui vai: viu nas livrarias um volume dedicado ao Pai do supracitado articulista, no qual, seleccionados por este, são reproduzidos escritos daquele.

    Muito bem: acho que o “Tareco” merece isto, e muito mais. O problema é que parece que o falecido Senhor nasceu para a escrita, a opinião, a polémica, as ideias… com o 25 de Abril. De antes de tal data… zero!

    O que, em vez de fazer justiça a quem a merece, acaba por inculcar que o homem “acordou” ao som dos cravos!

     

    Mais injusto é impossível.

     

    25.4.14

     

    António Borges de Carvalho 

     

  • PREPARANDO O FUTURO

     

    Nota-se um certo regresso do CDS aos saracoteios e pespinências que se pensaria arquivados. O portismo (de Portas, não de FCP) volta a atacar, como o monstro mijão da anedota. Em evidente borbulhar, a rapaziada, por ventura cansada da viril disciplina a que os ademanes políticos do chefe a conduziram no ano passado, não resiste a espraiar opiniões avulsas, no geral conducentes, ou a dizer que existe, ou a querer vender algum peixe.

    O cliente de eleição das postas de pescada da canastra do CDS não pode deixar de ser o clube do Oco. Os rapazes vêm dizer que, apesar de estar nesta coligação, não deixam de ter “preocupações” comuns com as do esbracejar do socialismo moribundo.

    A mensagem é clara: contem conosco em 2015, se não for antes. Há que estar preparado para tudo, não é? Vamos dando umas dicas, para que não deixem de contar com a nossa disponibilidade.

     

    A política tem destas coisas, é normal, sobretudo quando a espinha de cada um o permite.

     

    24.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • CRIMES PÚBLICOS

     

    Em segunda convocatória – a primeira resultara na palhaçada da aula magna – reuniu o pelotão dos gerontes, como sempre chefiado por esse trambolho raivoso que se chama Mário Soares.

    A mesa reunia costumeiros esquerdo-histéricos, possivelente ansiosos que haja alguém, no seu perfeito juízo, que ligue às suas diatribes. “Deixá-los falálos, que eles calarão-se-ão-se”, diz a gíria. Não será bem assim.

    Estas reuniões têm a sua utilidade. Fazem lembrar as comemorações dos cem anos do 5 de Outubro que, tendo servido para afagar as almas dos seus velhos amigos, serviram também para desmascarar a fatídica data perante a opinião pública. Agora, fica à vista a verdadeira natureza “democrática” desta gente, feita de frustração, ódio, raiva e muito pouca noção do mundo em que vive, quer queira quer não. Um mundo que, para bem e para mal, “matou” o dos seus sonhos de poder – um mundo em que, finalmente, o socialismo se apoderasse das pessoas, como se as pessoas reais tivessem alguma coisa a ver com a “impessoalidade” de tal doutrina.

    O socialismo triunfou, ou, por outras palavras, teve alguma “utilidade”, quando se tornou “liberal”, isto é, quando soube compaginar-se com o capitalismo, que lhe fornecia os meios para ir fazendo umas coisas. Deixando de haver tais meios (o dinheiro dos outros), o socialismo faliu e, por muitos anos, terá que meter a viola no saco. Isto, se falarmos do socialismo com alguma “altura” moral, o que há muito deixou de ser o caso destes raivosos fora.

     

    O pelotão – já não é brigada, sequer batalhão ou companhia – do reumático apresentava um leque de gerontes da alto coturno: o tal Soares, ladeado por figuras de lata de conserva, o Rosas, o Lourenço, o Matos Gomes (antigo capitão dos magalas comunistas que correram com o Jaime Neves dos Comandos, hoje “historiador independente”), o golpista Sampaio, essa desgraça humana do Freitas do Amaral, e tutti quanti, banqueiro do socialismo incluído. Um invejável e vasto leque de falantes múmias do socialismo obrigatório.

    Do que a “informação” passou cá para fora realce-se a tristeza do Lourenço ao constatar que não há “condições” para uma revolta militar que acabe com o governo. No seguimento da tese da paulada que há tempos defendeu, acha que deve ser “o povo” a dar cabo do governo, isto é, da odiada democracia formal. Já há, diz ele, “legitimidade (dos militares) para correr com esses tipos que estão no poder; não há é condições”. Que maçada!

    O Soares, esse, vai mais longe: os dislates foram de tal ordem que, pelo menos o jornal que tenho à frente, não os citou. Asneiradas que até a um jornal socialista envergonham. Apelo ao derrude da democracia por qualquer meio, por violento que seja. A máscara caiu-lhe. Na aula magna tinha dito que as circunstâncias podiam levar à violência, o que foi legitimamente interpretado como apelo à dita. Desta feita o velho demagogo pede que haja mesmo violência. Não tarda, apela à guerra civil.

    As palinódias das múmias, tipo Freitas (cheio de saudades da União nacional), são o menos. O que fica desta reunião é o incitamento ao levantamento popular e ao uso da violência. Reconheça-se que mais lhes não resta, uma vez que estão agarrados ao cemitério das suas ilusões. O mundo já é outro. O que se seguirá, seja o que for, jamais será o deles, ou seja, o do poder deles. Mas a massa cinzenta já não lhes chega para o perceber.

     

    Uma nota final, à atenção da dona PGR. Os díscolos políticos acima citados incorreram, de forma pública e notória, pelo menos nos crimes “incitamento” – “à alteração violenta do Estado de direito”, “à desobediência colectiva” e “à guerra civil”. Tudo devidamente tipificado no Código Penal. A dona PGR não viu, não ouviu, estava distraída?

    Ou estes crimes só merecem atenção quando praticadas por gente “baixa”?

     

      23.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A CÁFILA

     

    Diz-se, com foros de verdade, que ao capitão Salgueiro Maia se ficou a dever a ausência de mortos e feridos durante o golpe militar do 25 de Abril, sem prejuízo do seu empenhamento na liça.

    Talvez não tenha, afinal, sido esse o seu maior feito. O militar em causa, caída a ditadura, recolheu a quartéis. Nunca foi general de aviário, nem passou à peluda continuando a receber o ordenado e a ser promovido.

    Muitos dos que hoje o elogiam fizeram o contrário. Agarraram-se ao poder, tutelaram-no, viveram à custa dele sem fazer a ponta de um chanfalho e ainda hoje se acham no direito de obrigar a que os ouçam em tribunas que lhes não pertencem.

    A boçalidade de um Vasco Lourenço, bem como o facto de ser escolhido pelos seus pares para a guerra política, mostram bem os sentimentos “democráticos” que os animam. A si próprios continuam a atribuir direitos que se julgaria terem querido dar aos outros.

    Parece que esse bimbo idiota e convencido, o tal Lourenço, sonha candidatar-se à presidência da República. Dir-se-ia que ainda bem: levaria uma tunda de tal ordem que seria, de uma vez por todas, posto a propagandear a sua importância e as suas ideias lá em casa. Pura ilusão. A importância que a si próprio atribui continuaria, bem como imprensa a servir-lhe de trombone.

    Se queremos respeitar e homenagear Salgueiro Maia e a sua memória, façamo-lo lembrando a todos que entre ele e os lourenços, os correias, os santos, os otelos e outros que tais, há uma colossal diferença: a que separa um homem honrado que arriscou sem ambições pessoais e os que por lá andaram à procura de galarim, de palco e de honrarias.

           

    Houve outro “capitão da Abril” que não quis deixar de defender as suas ideias políticas. Usou a liberdade cívica que tinha ajudado a recuperar: Marques Júnior. Mas fê-lo como cidadão: candidatou-se e foi eleito. Também ele fez a diferença em relação ao Lourenço e aos seus sequazes. Tire-se-lhe o chapéu.

     

    O 25/40 virá.

    A cáfila discursará à mesma hora que os eleitos.

    Como é evidente, a “informação” vai dar-lhe a atenção que não merece.

    Continuamos na mesma.

     

    20.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA PORCARIA

     

    Do alto dos inúmeros palcos televisivos e jornalísticos de que nunca deixou de dispor, um provinciano mal vestido chamado Assis foi tratando de convencer as pessoas que era um tipo decente, capaz de dialogar, diferenciando-se para melhor da série de indivíduos absolutamente intragáveis e intelectualmente pouco sérios em que o PS é fértil.

    A posição de candidato número um da agremiação ao Parlamento Europeu fê-lo abandonar a imagem de moderação e quase simpatia que vinha dando de si próprio e que, pelos vistos, ou era pura mentira ou máscara que as conveniências impunham. Inúmeras provas disto mesmo andam por aí.

    Por um lado, bla bla bla, que a campanha eleitoral deve ter “altura”, deve ater-se a propostas “europeias”, etc.

    Por outro… o melhor é citá-lo, para avaliar bem de quem se trata e da confiança que merece:

     – O governo é “ideologicamente primário, tecnocraticamente incompetente, politicamente inexistente”;

    – “O governo devia ser obrigado a possuir competências e qualificações que… manifestamente não tem”;

    – Há um membro do governo que, “igual aos seus restantes membros”, “escreve tweets patetas” e “nunca leu Shakespeare, nem sequer em tradução portuguesa”;

    – Há outro que não passa de um “apparatchik ligeiramente alfabetizado”;

    – O governo faz parte dos “dogmáticos, dirigidos com arrogância e imbuídos de uma mentalidade escassamente democrática”;

    – O governo sofre de “pensamento neoliberal na sua versão mais extremista”;

    – Pedro Lomba, quando diz que o que verdadeiramente se deve ao 25 de Abril é a liberdade, “limita-se a navegar entre o patético e o ridículo” e é um dos rostos de um governo despudoradamente ignorante e aviltantemente sectário”;

    – Outro membro do governo há que “pensa com a densidade de um robot tecnocrático” e tem “uma mente verdadeiramente simples”;

    – Passos Coelho, “um homem destinado a assumir como destino a indómita tarefa do empobrecimento nacional” e a levar as pessoas a “cair no abismo de uma paixão ideológica a raiar a obsessão”, é “menos que um político vulgar”, “um lamentável demagogo”;

    – “Paulo Rangel parece um disco riscado”. Uma só palavra – despesismo. Uma só obsessão o PS”, a mostrar que “a cultura pode combinar com a demagogia”, destinada a conquistar os “espíritos mais débeis” que “são sempre os melhores soldados no exército dos extremistas dogmáticos”

      

    E aqui temos, senhoras e senhores, em meia dúzia de exemplos, um verdadeiro “socialista moderado”, um homem interessado numa campanha “séria” e focada em “assuntos que valem a pena” e “propostas para a Europa”.

    Na linha argumentativa dessoutro luminar do socialismo nacional que dá pelo nome de Mário Soares, este díscolo mental (usando o tipo de adjectivos de que tanto gosta) espraia desta forma incívica e acívica – passem os neologismos – a porcaria moral e intelectual que lhe borra a caixa craniana.

     

    Mais comentários não merece. Quem quiser saber tudo, isto é, quem não tenha o vómito fácil, leia o jornal socialista “Público”, edição de ontem.

     

    18.4.14

     

    António Borges de Carvalho  

  • ALTOS CRITÉRIOS

     

    Soube-se hoje (porquê só hoje???) que Sua Excelência o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, dr. Nascimento, validou aqui há tempos umas escutas telefónicas do Primeiro-Ministro com um tal Ricciardi, do Banco Espírito Santo, considerando-as de relevância penal.

    Ocorre aos ignorantes, no número dos quais o IRRITADO se inclui, perguntar: então se as do Pinto de Sousa, dito Sócrates, foram para o lixo por ordem do mesmo alto dignitário da justiça que temos, apesar de um número indeterminado de magistrados considerar que tinham a tal relevância penal, porque é que as do Passos Coelho são validadas? Temos aqui politiquice, ou quê?

    Indo um pouco mais fundo, verificamos que a doutíssima personalidade, no seu despacho, afirma que as escutas Ricciardi/Passos “são importantes em termos de investigação criminal”, mas não em relação ao Primeiro-Ministro. “Pelo contrário; percebe-se que (o PM) está na defensiva e até diz que não quer falar sobre isso” (o assunto que o Ricciardi lhe levava).

    Ficam os ignorantes mais aliviados. Afinal o mau da fita é o Ricciardi, não o Passos Coelho!

    Mas, pensando mais um bocadinho, é de concluir que, no caso do Pinto de Sousa, o tipo não estava “à defesa” é até queria “falar sobre isso”, com palavrões e tudo. Então porque foram as escutas para o caixote, se todos os magistrados envolvidos no processo achavam que não deviam ir?

    Temos rabo do do gato de fora, ou não?

     

    17.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • PASSAGEM PARA A DEMOCRACIA

     

    Esse insigne monumento da nossa mais alta intelectualidade, espírito independente e alma de grande artista político que é Pacheco Pereira, foi contratado pelo jornal socialista Diário de Notícias para se espraiar sobre o 25 de Abril e seus heróis, aqueles que seleccionou. O IRRITADO não se pronuncia sobre a selecção nacional fabricada pelo grande opinador.

    Mas, na sua inesgotável e prolixa “análise”, há um pequeno pormenor que o IRRITADO não pode deixar passar em claro.

    Diz o grande cérebro: “ Não era possível imaginar que em Portugal, depois de tantos anos de ditadura não houvesse explosão e turbulência”.

    Ou nós, portugueses, somos uns selvagens, ou o analista esqueceu-se de olhar para o lado.

    É que, em Espanha, passou-se de uma longuíssima ditadura para uma democracia, mas não houve nem explosão nem turbulência! Por conseguinte, ou o homem acha que não é, por definição, possível passar sem bagunça de uma coisa para a outra (o que é mentira, como a Espanha demonstrou), ou que a coisa foi da nossa exclusiva responsabilidade (e, nesse caso, somos uns selvagens).

     

    Seria talvez altura de dizer qualquer coisa sobre as razões da diferença entre um processo e outro.

    Antes de mais, o que foi oferecido aos espanhóis foi a democracia tout court. A nós ofereceram a democracia adjectivada, isto é, a “democracia socialista”, vertida numa constituição que, embora híbrida e impraticável, quarenta anos passados ainda se mantém híbrida e impraticável.

    Depois, os espanhóis tiveram um herói chamado Santiago Carrilho, que percebeu que o estalinismo era coisa do passado, e preferiu a democracia. Por cá, o Cunhal gritava que “democracia parlamentar, jamais!”.

    Acresce que os espanhóis (comunistas, socialistas e puros republicanos incluídos) souberam aceitar um Rei que com eles e com a democracia se comprometeu, e nós tivemos o Costa Gomes, o Vasco Gonçalves e, com muitas diferenças mas parecida “fé”, o Mário Soares.

     

    Dizer, ainda que implicitamente, que os espanhóis foram foram civilizadíssimos e nós uns selvagens é abusivo e trafulha.

     

    16.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MISTÉRIO

     

    Uma nobre série de grandes empresas “pedem salário mínimo acima de 500 euros”.

    Haverá que perguntar a tais entidades por alma de quem não aumentam o salário mínimo lá em casa. Quem as impede?  O governo? Claro que não. Se querem aumentar aumentem. Estão à espera de quê? Seria de supor que tais organizações não pagassem salários mínimos. Ficamos a saber que pagam. E que precisam de “ordens” do governo parar aumentar os salários dos empregados que andam pelos mínimos. Será que são os empregados que não querem ser aumentados?

    Enfim,um mar de absurdos. Que gente!

     

    16.4.14

     

    António Borges de Carvalho