IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ENSINO

     

    O Comissário-chefe Barroso, com inesperada coragem, veio declarar que, na II República, o ensino secundário era bem melhor que o de hoje.

    Carradas de razão. A disciplina podia ver-se, os professores eram licenciados a sério e só acediam à profissão mediante um curso suplementar chamado “pedagógicas”, de um modo geral sabiam falar e escrever português e… ensinavam! As turmas tinham 30 alunos, chegavam muitas vezes aos 40, e daí não  vinha mal ao mundo ou sacrifícios de maior para os docentes, ou desorganização que se visse.

     

    A III República, ainda bem, alargou o ensino a muito mais jovens, universalizou-o ou, como se diz por aí, “democratizou-o”. Naturalmente, a qualidade desceu. Com o tempo, isso é que é grave, tal descida acentuou-se em vez de estancar. Proliferaram os os teóricos, os inventores de programas, os burocratas e, bem pior, novas concepções ditas pedagógicas, destinadas a pôr o aluno “no centro do ensino”, a considerar este como coisa lúdica, que se faz quase por desporto, sem “pressões” nem castigos nem exames, enfim, nada que se pudesse parecer, de uma maneira ou outra, com o ensino “fascista”.

    Os professores – era preciso muitos mais – passaram a ter habilitações de via reduzida e a entrar na escola impreparados e com dúzias de teorias “democráticas” metidas no bestunto pelo “pensamento” reinante, mal digeridas e interpretadas com o facilitismo da moda. Instalou-se a confusão. Todos os anos mudavam (e mudam) os programas, os manuais, os sistemas. Os teóricos continuaram a parir teorias, pagos pelo Estado para aumentar a bagunça. Do ponto de vista disciplinar, instalou-se o caos. O manual, dito livro único na II República, começou por ser condenado como anti-pedagógico e ditatorial: depois, transformou-se em indústria, negócio chorudo de autores e editoras, a mudar todas as semanas, sacrifício inaguentável para os pais dos alunos.

     

    Tudo isto seria mais ou menos aceitável dado que, embora pior, o ensino chegava a muito mais gente. Mas, ao longo dos anos, ninguém ou quase se preocupou em melhorar a qualidade, em estabilizar, com pés e cabeça, normas e procedimentos. Ao fim de quarenta anos de democracia, as exigências dela ainda não chegaram ao ensino. E, pior ainda, os professores deixaram de o ser, pelo menos em primeiro lugar, isto é, passaram a tratar mais de si que dos alunos. A corporação foi tomada de assalto por demagogos políticos, a quem só interessa “zelar pelos interesses da classe”, transformando-a numa força de destruição, imune a classificações, feroz opositora de todo e qualquer governo, recusando avaliações ou coisas do género, usando todos os meios para reclamar em vez de ensinar. Tudo, como não podia deixar de ser, em nome da “qualidade do ensino” e de outras falsidades inventadas para “agitar a malta”.

     

    Entretando, a natalidade desceu, há menos alunos, é preciso menos escolas e menos professores. Uma boa oportunidade para seleccionar os melhores. Mas os líderes da classe dizem “nem pensar!”. O governo tem que “comer” o que a classe lhe der e não se atrever a avaliar o préstimo de cada um. Nem pensar!

     

    É nisto que estamos. O Comissário-Chefe Barroso tem carradas de razão. Só é pena que não aproveite para pedir desculpa ao país por, aos vinte anos, muito ter contribuído, por palavras e acções para o caos, violento e atrabiliário, do ensino.

     

       14.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ISTO É

     

    Na última marcha popular organizada pela CGTP/PC (ontem, hoje não sei se já houve outras), havia uns artistas que exibiam uma pancarta original. Rezava assim:

     

     

    “A minha reforma é propriedade privada!”.

     

    Será que esta frase escapou ao general Carlos, ou foi obra de algum infiltrado, por certo fascista ou “neoliberal”, desses que andam para aí a defender, contra o povo, a propriedade privada? Não se sabe.

    Mas, fosse a pancarta espontânea ou programada, uma coisa é certa: é mentira.

    A reforma de cada um não é propriedade privada, muito menos de cada um. É, teoricamante pelo menos, a parte que a cada um cabe no rendimento de um fundo constituído a partir de contribuições de trabalhadores.

    Isso de ser “de cada um” é uma norma fascista, do tempo em que o Estado Novo, na sua filosofia “assistencialista”, formou a chamada “Previdência Social”. Dando mostras do mais horrível capitalismo, a ditadura propunha-se pagar reformas a partir das reservas matemáticas dos cidadãos, de cada cidadão. Uma evidente manobra do patronato reaccionário. Até, imagine-se, os governantes da época permitiam-se pedir dinheiro emprestado à Previdência, e pagá-lo com juros, o que mostra bem a agiotagem em vigor à época.

     

    Felizmente, veio o socialismo. A Previdência, à mistura com tantas outras coisas, foi nacionalizada, isto é, passou a ser “nossa”, isto é, passou a pertencer, e muito bem, ao colectivo e não ao individual. Uma grande conquista da revolução. Tendo passado a ser “nossa”, isto é, do Estado, o Estado passou a geri-la, isto é, a usar os meios disponíveis para outros fins que não os que o tenebroso capitalismo tinha imaginado, isto é, num magnânimo alarde de fé no “Estado Social”, o dinheirinho qie lá tínhamos posto passou, e muito bem, a ser distribuído com critérios de “justiça social”, isto é, por muito mais gente e para muito mais fins que não a tal reforma.

    Numa palavra, passaram a vigorar critérios de solidarierade socialista.

    Resultado, a partir de certa altura (governo PS/Pinto de Sousa) quando as pessoas começaram a ir à procura da reforma, e mesmo as que já a tinham, viram-se na contingência de não as vir a ter ou de vir a ter muito menos do que julgavam, isto é, o dinheiro tinha-se acabado, isto é, tinha sido distribuído segundo os critérios do socialismo.

    Por óbvia consequência, os que se revêem no socialismo e gostam dele, não deveriam queixar-se, isto é, a massa que descontaram deixou de ser, egoisticamente, de cada um, e passou a ser distribuída “solidariamente”, para outros fins. De que se queixam? Até deviam estar contentes pelo destino “social” que o Estado socialista lhe deu!

    Pensar-se-ia que a CGTP/PC seria a última a protestar. Deveria, pelo contrário, dizer aos seus seguidores, incluindo os profissionais de manifestações, que deviam orgulhar-se por ter contribuído para a “sociedade”. E, entre outros, aquela senhora, apre!, que parece estar sempre a sair do cabeleireiro, deveria ser objecto de um bom conselho do Oco: ó filha,não protestes, isto é o socialismo!

     

    Isto é, como dizia a dona Margarida Tatcher que, coitadinha, já lá vai, o socialismo acaba quando se acaba o dinheiro dos outros.

    O problema é que, por cá, o dinheiro dos outros já se acabou, mas o socialismo continua por aí. É constitucional, gaita!

     

    13.4.14

     

     

    António Borges de Carvalho

  • RUSGAS

     

    Pela calada da noite de Sábado, a PSP do Porto fez uma operação stop e uma rusga electrónica de detecção de velocidade.

    Nesta última matéria, apanharam no radar, em excesso, 78 viaturas, das 704 que controlaram. É de estranhar que fossem tão poucas, dados os excessos da lei a este respeito.

    Nas outras (480 fiscalizados), os resultados foram sensacionais: 25 detidos. 14 bêbados segundo os critérios em vigor, o que quer dizer que deviam ser uns 5 ou 6; 5 traficamtes de droga (haxixe, cocaína e liamba); 3 ladrões de automóveis; 1 fugitivo à justiça; 2 tipos sem carta. Além disso foram apreendidos os documento a 16 (critérios desconhecidos) e “abafados” 1113 euros não se sabe porquê.

     

    O IRRITADO, habituado que está à profusão de sociólogos e de especialistas em estatísticas sobre a mais inacreditáveis coisas, aconselha vivamente tal classe a que se debruce sobre este assunto. E dá uma ajuda: é lógico resumir como segue:

    – Na cidade do Porto, em cada cem condutores de veículos automóveis:

    – 11 andam em excesso de velocidade;

    – 3 andam com os copos;

    – 1 anda na droga;

    – 1 rouba automóveis;

    – 1 é cadastrado em fuga;

    – 1 anda sem carta;

    – 3 indescriminada ilegalidade;

    – Não se sabe quantos andam com mais dinheiro no bolso que o que a PSP acha razoável.

     

    A partir destes irrefutáveis dados, que concluir? Que o Porto é bestial, ou que o Porto está numa desgraça de criminalidade e desprezo pela Lei?

     

    À atenção dos muitos milhares de pensadores que ganham a vida com a sociologia.

     

    13.4.14

     

     

    António Borges de Carvalho

  • “INCONSEGUIMENTO” CASTRENSE

     

    Desta vez a senhora da Assembleia portou-se à altura. Mandou bugiar o Vasco Lourenço e a sua boiada.

     

    Que gente, afinal, é esta, que ameaça paulada, que faz exigências bacocas, que é primitiva e rasca e ignorante, que anseia por poder sem eleições, que não quer sair de cena, que se quer sentir dona do país, referência da democracia, consciência nacional, que põe pela ruas da amargura a dignidade que possa haver no 25 e que, apesar da sua radical estupidez, ainda há, reduzindo-a ao ridículo, gente possuída pela sanha de querer ser mais que os outros, de querer tutelar o regime, de exigir direitos que não tem, nem merece, nem têm cabimento, de pôr de lado o que de melhor terá feito (entregar o poder ao povo por via eleitoral)? Que gente é esta?

     

    Porque não se metem num partido, ou não fazem um partido para pôr as suas “ideias” à disposição dos eleitores? Porque querem que as pessoas pensem que, afinal, fizeram o 25 para cavalgar a democracia, ou que o que queriam era só mais dinheiro, sobretudo o dinheiro que os milicianos, que faziam a guerra por eles, ganhavam e que, muito mais do que eles, se batiam, mesmo quando nada tinham a ver com a ditadura?

    Porque convertem o 25 numa miserável questão corporativa, ainda por cima de uma parte restrita da corporação que dizem representar?

     

    Estas perguntas, no entanto, não são reflexo dos principais problemas.

    Problema é que haja quem se reveja nesta saloiada.

    Problema é que os media dêem a estes ignaros direitos de destaque, em vez de os remeter ao caixote do lixo a que escolheram pertencer.

    Problema é que, das Forças Armadas da democracia, a que ainda há quem se honre de pertencer, não venha reacção que se veja e que dê ânimo a quem ainda acha que o 25 deve ser comemorado.

     

    A dona Presidente disse que “o problema é deles” e, por uma vez, disse bem: pô-los nos varais.

    Mas o problema também é nosso, e esse é que é o verdadeiro problema.

     

    11.4.14

     

    António Borges de Carvalho     

  • QUE É FEITO DO TRATADO?

     

    Parece que, de um país frio, triste e desinteressante, vêem ordens terminantes sobre o chamado programa cautelar, seguro, bengala, almofada, ou o que lhe queiram chamar.

    Parece que não há político (à excepção do Oco), nem criatura opinadora, nem governo, nem país, nem nada, que não ache melhor haver tal coisa. À excepção da Finlândia. Segundo um ilustre comissário, ele próprio finlandês, a Suomen Tasavalta (é mais ou menos assim que se diz República da Finlândia em finlandês!) não quer. E, como tal gente não quer, não haverá bengala.

     

    Não comentando a comovente solidariedade que vem dos gelos lá de cima, deveríamos perguntar o que é feito do Tratado de Lisboa, antiga menina dos olhos do Pinto de Sousa e do Barroso, “porreiro pá”. O IRRITADO será, com certeza, ignorante quanto ao que reza tal instrumento, ou quando a alguma vacatio legis tendencialmente eterna. Mas lembra-se que o tal tratado lhe foi vendido, entre outras coisas, como uma espécie de democratização das decisões na UE. Através de complicados critérios, sobrepostos e simultâneos, tornava-se possível tomar decisões maioritárias. Parecia lógico, já que decisões unânimes entre quase trinta são, como é evidente, fonte de paralização política da União.

    Porém, segundo a informação disponível, a dona Finlândia decidiu por todos nesta questão do cautelar. A dona Finlândia decide, e toda a gente amocha. Será assim? Ou será que há por aí uma data de gente a pendurar-se nela, pondo-lhe as culpas de uma decisão que, sem o confessar, desejava?

    A dona Ângela, por seu lado, tirou o cavalinho da chuva, e disse que o problema é nosso, façam como quiserem, são soberanos, não é? Os outros alinham com esta douta, prática e pragmática opinião.  BCE está calado como um rato mudo. O FMI está fora da jogada.

     

    Que terá acontecido ao Tratado? Deixou de se ouvir falar em tal coisa, que parece ter-se ficado pela nomeação de um triste e desconhecido belga para Presidente do Conselho e de uma inglesa ainda mais triste e mais desconhecida, além de completamente inútil, para foreign secretary.

     

    Hoje, a coqueluche é o tratado orçamental, violento espartilho destinado a fomentar a elegância das nações: magrinhas, mas com contas que se possa ver.

    Que é do Tratado de Lisboa?

     

    Entretanto, a vida continua. Por cá, vamos ter uma saída suja, mas dita limpa, quando a saída limpa seria aquela a que, pelo menos o Oco, chama suja. Será que o tipo é finlandês?

     

    11.4.14

     

    António Borges de Carvalho    

  • JUSTA PROTECÇÃO

     

    Há dois ou três dias, vinha o IRRITADO para casa, cheio de pressa, e eis que dá com tudo entupido. Algum acidente? Não. Era a polícia a proteger uma manifestação da CGTP.

    Os mais generosos dizem que havia por lá mil pessoas. Dava para o efeito pretendido: entupir o trânsito, infernizar os ouvidos e a vida de cada um, ter a televisão por conta, pôr a besta do Carlos a dizer asneiras do alto de um palanque, etc. Umas gajas gritavam os slogans da ordem por potentes instalações sonoras. Ninguém respondia, mas não faz mal.

    Mil(?) profissionais – era a meio da tarde, hora de trabalho – conseguem propaganda a rodos. Estavam a trabalhar na especialidade para que foram treinados. Devia ser por isso que a polícia os protegia, contra os outros, os que têm outros ofícios. O direito ao trabalho em versão comuno-policial.

     

    10.4.14

     

    António Borges de Carvalho    

  • GUERRAS DA TRETA

     

    Vamos a uma teoria da conspiração.

    O IRRITADO nunca teve,nem tem, a mais pequena dose de simpatia pelo senhor Rodrigues dos Santos, aquele que pisca o olho às pessoas.

    Por outro lado, a “consideração” que tem pelo senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, é do conhecimento de quem o lê.

    Nas últimas semanas, as duas criaturas têm entusiasmado os media por causa dos diferendos televisivos de que têm feito o devido alarde. O primeiro terá posto questões incómodas ao segundo, e este ter-se-á irritado e respondido torto.

    O IRRITADO tem conhecimento da coisa pelos jornais, já que, como não gosta de vomitar, não assiste às polémicas sessões de propaganda do Pinto de Sousa generosamente oferecidas pelo “serviço público” de televisão, impingidas às pessoas e por elas pagas.

    Aqui vai a teoria: foi tudo combinado!

    O fulano perdia audiências todas as semanas. Em relação às bocas do Rebelo de Sousa, nem um terço de espectadores se arranjava. Daí, arranjar um frisson suplementar, a ver se alguém ligava. Uma boa “guerra”, bem fingidinha, era o ideal para excitar as massas.

    A coisa, felizmente, não resulta, mas, de um ponto de vista de marketing, não terá sido mal engendrada. Os tipos são péssimos, mas não são parvos.

     

    10.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • JUSTIÇA SOCIAL E CORTES

     

    Muita gente pergunta, ou se pergunta, porque será que, para além das manifestações dos profissionais, amadores e apendizes das ditas, não há, que se veja, protestos dos verdadeiramente mais desfavorecidos. Com tantos génios das sociologias, das estatísticas, das politologias e das etc. que por aí vicejam e vão ganhando a vida com opiniões, estudos e manifestros, é de estranhar que do chamado povo, contrariando os fervorosos desejos dos mários soares, boasventuras, viriatros, pachecos & Cª, não se tenha visto nada de retumbante ou relevante. Porquê?

     

    O IRRITADO, sem pretensões a ter achado a verdade, arrisca, talvez sem razão, algumas razões.

    A primeira é que fome propriamante dita, daquela a sério, como muito bem dizia a dona Jonet aqui há dias, é coisa que não temos por cá.

    A segunda é que a política de cortes e mais cortes tem poupado os que menos têm. A ferocidade do fisco e dos seus funcionários tem-se concentrado na classe média, que vai deixando de o ser mas ainda aguenta, como dizia o outro.

    A terceira é que os géneros de primeira necessidade têm preços mais baixos e que a história do IVA a 23%, se é terrível em vários sectores, não atinge os que mais protestam (restauração, hotelaria, etc.), os quais mantêm, ou até baixam, os seus preços – ainda que muitos tenham passado a pagar impostos, coisa que não fazia parte da sua “filosofia”.

    A quarta é que os reformados e pensionistas mais atacados são os das grandes reformas e pensões. Os demais também levam na cabeça, mas em percentagem menos insuportável. Interessante, nesta matéria, é que os mais virulentos ataques a tais cortes vêm dos reformados lá de cima (Cavaco, Ferreira Leite, generais, juízes e quejandos), não de quem sente o aperto por umas dezenas ou até centenas de euros.

     

    Se compararmos os cortes portugueses com os gregos ou os irlandeses (as contas andam feitas por aí) verificamos que o governo português é, de todos, o que mais preocupações sociais tem tido. É evidente que não deixará de ser diariamente acusado do contrário, mas isso é timbre da generalidade dos nossos opinadores, bem como dos partidos socialistas e comunistas, para quem as contas, quando são más, óptimo, quando são boas não se conta com elas. Isto para não falar desse escol, principescamente pago, que é o Tribunal Constitucional.     

     

    7.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ORIGINALIDADES

     

    Como é sabido, os portugueses, a todos os níveis, descobriram que os tribunais estavam aí para infirmar decisões políticas ou administrativas mais que legítimas, seja através do tenebroso Tribunal Constitucional, seja dos outros. Através dos partidos, no caso do primeiro, ou de qualquer marmanjo, no dos restantes, neste caso via uma coisa que se chama providência cautelar.

    A providência cautelar à portuguesa tem várias originalidades. A primeira é que, em geral, os tribunais ficam muito contentes por se achar competentes nas mais extraordinárias e absurdas matérias, a segunda é que as providências cautelares, se julgadas improcedentes, não têm qualquer efeito sobre os que as motivaram, a terceira é a bagunça e a confusão.

    Não se percebe como é que, em questões de lana caprina, de mera gestão do dia a dia, qualquer disposição possa ser objecto de decisão judicial.

    Não se percebe, por exemplo, que um tipo (o Fernandes da CML) consiga mandar parar, via tribunal, as obras do túnel do Marquês, assim causando milhões e milhões de prejuizo a muita gente e à própria CML, e ande por aí a pavonear-se sem pagar um centavo a ninguém, armado em defensor do povo no cadeirão da câmara.

    Vem isto a propósito dos exames dos professores. Toda a gente já percebeu que a distinta classe é contra todo e qualquer exame, toda e qualquer avaliação, todo e qualquer julgamento sobre a sua (in)competência, e se considera acima de toda e qualquer crítica. Vai daí, no caso que anda pelos jornais, o xarroco do comité central e a sua malta meteram providências cautelares por todos os lados, em todos os tribunais que tinham à mão. Daí, a bagunça e a confusão. O tribunal A acha que o bigodes tem razão. O tribunal B diz o contrário. E assim por diante. A jurisprudência em Portugal é letra morta, a começar pelo constitucional e a acabar em Alguidares de Baixo. Vem a Relação (as Relações) e repete-se a brincadeira. Quando o Supremo decidir (quando?) a pessegada terá barbas, e o comité central terá averbado mais uma magnífica vitória.

    Viva a Justiça! Viva o Estado de direito!  

     

    4.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • RSI

     

    O IRRITADO anda a dormir. Só agora soube que, para ter direito ao chamado RSI, o arruinado e paupérrimo cidadão tinha, ou tem,  que provar não ter mais de 100.000 (cem mil) euros, e picos, no banco.

    A solidariedade socialista, ou o Estado “social”, tem coisas destas. Os milhões de infelizes que se vêem à nora para ir vivendo e que nunca tiveram cem mil euros no banco nem nada que se pareça, dão, a tipos que não pagam impostos, nem fazem nenhum, nem têm rendimentos – a não ser os dos cem mil euros, coitadinhos – um estipêndio mensal, tax free, para se sentir “inseridos”.

    Fantástico, não é? Se os felizes contemplados com estas benesses sociais vivessem do rendimento líquido dos tais cem mil, viviam mal. Se, pelo contrário, vivessem com mil euros por mês, tirados dos cem mil, sem fazer a ponta de um chanfalho viveriam menos mal durante uns nove anos! Se somarmos a isto o o RSI, iriam buscar mais uns trinta mil, o que lhes daria para uns doze anos, fazendo o mesmo, ou seja, nada. Não é mau, pois não?

    E se os tipos que legislaram estas coisas, bem como os que as mantiveram ou mantêm, pagassem do seu bolso o que mandaram os outros pagar a tais “pobres”, não seria justo? Não era não senhor, porque a solidariedade socialista e o Estado “social” têm destas coisas, e não há volta a dar.

     

    4.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • REESTRUTURAR CABEÇAS

     

    Tem o IRRITADO seguido, com curiosidade, esperança e afã, a posição do PS sobre o panfleto dos 74, adoptado já por figuras incandescentes da economia nacional e internacional e seguido agora de petições, audições, resoluções, comissões, e pofusões de bocas político-oportunistas, a ver quem apanha o nobre comboio.

    O PS começou, ao mais alto nível, por se demarcar da iniciativa. Reestruturação tem um significado no dicionário da macro-economia, significado que foi, à partida recusado pela organização. Depois, vieram os fulanos do costume, o Brilhante, o Medina, sei lá, deitar água na fervura, qua a reestruturação não era berm reestruturação, era uma coisa parecida que não era reestruturação mas sim reestruturação. Mais tarde veio o sinistro Galamba, com seu ar de ameaça ao trânsito, dizer que sim senhor, o que o panfleto dizia era isso mesmo, reestruturação, e que sim, estava certíssimo. A prova é que o tal Galamba correu a assiná-lo. O Oco tem-se metido em baias, a ver o que a coisa dá. Finalmente, por intermédio desse seriosíssimo fabricante de ideias ocasionais que é o camarada Alberto Martins, veio o PS passar da demarcação original ao apoio das petições, recomendações, e demais ocasiões.

    Em que ficamos? Em nada, nadinha. Vai haver umas rábulas parlamentares, o olho verde do barrilinho do BE vai ameaçar mais na TV do que é costume, se é possível ameaçar mais do que é costume, o C. da Silva bolchevista entrará em mais uma data de debates, o S. da Silva perorará mais umas horitas na TVI e não só, e até o PC, que não pode apanhar o comboio todo, se vai meter no depósito do gasóleo.

    Interessante a sério é o PS, como de costume. Já disse tudo e o seu contrário uma data de vezes. Desta feita parece ter encontrado a solução, não para adiantar soluções que está mais que provado nem sonhar, mas para não perder a oportunidade mediática com que a coisa premeia qualquer bitate sobre a matéria.

    Depois, como é evidente, o panfleto terá o destino da generalidade dos panfletos, dos do professor Karamba aos do lava mais branco: o caixote do lixo. Faça-se-lhe justiça: irá para o caixote, não por ser bom ou mau. Mas porque, a certa altura, deixará de estar “a dar”. E é tudo.

    O que precisa reestruturação, mas reestruturação a sério, é a cabecinha dos tipos do PS.

     

    2.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • “RAZÕES” SOCIALISTAS

     

    Como bem sabe quem o lê, tem o IRRITADO dito cobras e lagartos da não aceitação do ferry pelos Açores e da valiosa contribuição de tal atitude para o problema dos estaleiros de Viana do Castelo.

    Como é sabido, a coisa deu-se mais ou menos na mesma altura em que os estaleiros estavam a ser salvos pelas “vendas” do camarada Pinto de Sousa ao camarada Chávez, o que fez somar a fome à falta de comer.

     

    Dois governos socialistas (Lisboa e Ponta Delgada) mancomunaram-se para destruir a empresa.

     

    Mas… a capacidade de tripudiar e alterar a verdade das coisas é o principal trunfo de certa gente. O insuportável camarada Santos Silva veio dar um verdadeiro show dos seus talentos. Antes de mais, disse que a coisa se passou num período em que “a situação política nos Açores” “não permitia” que houvesse entendimento entre o governo do país e o dos Açores, já que “havia (por lá) um inquérito parlamentar” em que a líder parlamentar da oposição (PSD) “estava muito activa”. Ou seja, a decisão de dar cabo dos estaleiros de não foi do governo socialista dos Açores, que a tomou, nem do governo do país, que a aceitou: é sibilinamente atribuída à líder minoritária do PSD das ilhas! “É esta a minha opinião”, garantiu o Silva, eventualmente para disfarçar a porcaria.

    Como o motivo da coisa foi o navio dar menos um nó de velocidade do que estava previsto (as alterações ao projecto não contam), acha o Silva que “os estaleiros cometeram um erro crasso na questão da velocidade”. Não, não foi o governo dos Açores que achou mais rendoso (?) alugar barcos aos gregos a preços fantásticos, não foi o governo do PS nem o resposável do sector (o Silva, pois então!) quem foi o responsável pela coisa, fomos todos: “nós (nós uma gaita!), o Estado português e a empresa, falhámos”.

    Depois, deve ter sido o amigo banana (não o Silva, nem o governo) quem aceitou todas as exigências do governo  açoriano, não foi o Silva nem o governo do PS quem teve medo de um processo judicial, apesar dos pareceres em contrário de vários juristas, não foi o governo do PS, ainda menos o Silva, quem mandou devolver os adiantamentos aos Açores, não foi o governo do PS nem o Silva quem meteu nos estaleiros, para “compensar”, uns 37 milhões… foi, com certeza, o amigo banana.

     

    O homem acaba com uma tirada de profunda honestidade, ao considerar-se “responsável político” pelo acontecido. Hossana! Hossana não: se assim se considerasse ter-se-ia demitido. Demitiu-se uma ova.

    E continua a ter a lata de atirar baldes de areia aos olhos das pessoas.

     

    2.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • BPN/BdP

     

    Ninguém faz ideia – nem interessa fazer – sobre o assunto do momento: Barroso convocou Constâncio para falar do BPN, ou falaram do assunto do BPN à mistura com outras coisas?

    Das declarações de ambos sobressai, e é o que interessa, que falaram sobre o assunto, quer dizer, acerca do que era público e notóro sobre as tropelias da organização. Barroso tinha as dúvidas que toda a gente tinha, que vinham nos jornais, que eram objecto das mais diversas afirmações e especulações.

    Também sobressai – ambos o dizem – qua as conversas havidas, isoladas ou no meio de outras, tiveram lugar anos antes de estourar a bomba, ou seja, a tempo de a desactivar.

     

    Posto isto, e acreditando na unanimidade dos dois senhores, sobreleva o que Constâncio disse: que o BPN foi devidamente investigado, “o mais investigado” de todos os bancos, e que de tais tão frequentes e profundas investigações, o BdP “nunca encontrou nada” de suspeito. Donde se conclui que os fiscais do BdP, acima de todos o Constâncio, andaram a dormir na forma, foram totalmente incompetentes, ou foram comprados para se calar. Não encontraram “nada” do que, por aí, toda a gente, sem ser fiscal do BdP, suspeitava, escrevia, passava de boca em boca. Tudo aleivosias, maquinações, invenções, especulações, perseguições políticas? Não. Desta feita a vox populi tinha carradas de razão.

     

    Sejam quem forem os culpados do que se seguiu – bronca, prisões, nacionalizações, julgamentos, colossais perda de dinheiro dito público (que é dinheiro privado nas mãos do Estado), –  indesmentível facto é que a gestão criminosa do BPN se prolongou anos e anos com o aval e, portanto, a cooperação do BdP, o qual “nada” encontrou nem descobriu. Nada!

    Os culpados são os “gestores” do BPN e da SLN? Com certeza. Mas culpado é, acima de qualquer dúvida, também o Constâncio , actual vice do BCE. Como é que o Draghi atura um tipo destes?

    O mínimo que Constâncio podia fazer seria assumir o falhanço da sua supervisão. Mas não assume. Esbraceja. Como se alguém quisesse saber se foi convocado pelo PM com essa agenda ou se as conversas vieram no meio de outras agendas! Como se alguém quisesse saber se o BdP fiscalizou muito ou pouco! Como se não fosse verdade como punhos que deixou passar – por incompetência ou de propósito – as maiores trafulhices, durante anos e anos.

    Por isso que sejam tão culpados os que estão a ser julgados (esperando-se que os crimes não prescrevam) e eventuais outros, como os que lhes encobriram, ou “ignoraram”, as maroscas, acima de todos o Constâncio.

    Só que uns, espera-se, pagarão pelo que fizeram, enquanto o Constâncio se repoltreia nos cadeirões do BCE.

     

    Anda por aí muita malta a pôr as culpas para os partidos, porque daqueles, os primeiros são, maioritariamente, do PSD, ou porque o Constâncio (e outros) é do PS. Tal malta, de um lado ou do outro, não tem razão. Há gente boa e gente má em ambos os partidos. Os crimes são individuais, não colectivos.

     

    2.4.14

     

     

    António Borges de Carvalho

  • BLOCO CENTRAL

     

    Ficámos hoje a saber que a dona Ana Gomes “não descarta” o bloco central, que “pode vir a ser necessário”.

    Lida a coisa como deve ser, a inacreditável senhora vem informar os infelizes que, se o PS ganhar as eleições (garantidamente sem maioria absluta), poderá ir pedir batatinhas ao PSD. Bloco central sim, mas com a dona Gomes a mandar!

    O PS, que tem “insanáveis” discordâncias com o PSD e recusa sistematicamente toda e qualquer aproximação política exigida pelos tempos que correm, quer o bloco central!

    O PSD, na boca do ex-moderado Assis e de outros demagogos arregimentados, é mau, incompetente, mentiroso e trafulha.

    O PSD é todos os dias vítima dos mais descabelados – e idiotas! – ataques do Oco.

    Mas o PS, com estranha generosidade – leia-se oportunismo –  está na disposição de, se estiver por cima, se servir dos votos do PSD para “estabilizar” o seu poder. Genial.

     

    Não esqueçamos que já foi assim no passado, com brilhantes resultados.

     

    31.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ABOMINÁVEIS CRIATURAS

     

    1

     

    Diz o sinistro camarada Santos Silva que “Rodrigues dos Santos fez uma entrevista à traição, a examinar o primeiro-ministro José Sócrates, quando a RTP o convidou para um comentário semanal, e não para um interrogatório post-mortem ao seu governo”.

    O IRRITADO, que gosta dos três igualmente, desta vez dedica umas palavrinhas ao primeiro. O homem acha que o seu protegido Pinto de Sousa – que ainda trata por “primeiro-ministro” – está acima e para além de qualquer pergunta, sobretudo se se tratar de coisa que o incomode. Uma espécie de deus ex-máquina, que há que tratar com o devido respeito, e não aborrecer. A PIDE continua no fundo da alma do irritante jacobino. Não contente, acha que o dito “primeiro-ministro” está ali para fazer “comentários”, não para falar do seu governo. Como se costumasse fazer outra coisa que não fosse louvar-se e louvar tal governo! Como se os seus “comentários” não fossem, quase sem excepção, pura propaganda pessoal, eivada de mentira e de demagogia.

    Há opiniões que merecem respeito, mesmo não se concordando com elas. Mas as do sinistro camarada Santos Silva, por abomináveis e aldrabonas, não merecem respeito de espécie nenhuma.

     

    2

     

    As tarefas que temos pela frente, na douta opinião do novel demagogo chamado Assis, são “inadiáveis”, “reconhecidamente difíceis”, e implicam “capacidade de consensualizar”.

    Deve ser por isso que o PS tem levado a cabo a tarefa “reconhecidamente difícil” de “consensualizar”. Então não se está mesmo a ver? O país inteiro admira a capacidade de compromisso, de consensualização, de sacrifício das posições ideológicas do PS, em favor de um caminho comum para a Nação.

    Está mesmo a ver-se, não está?  

     

    3

     

    Sete magníficos directores de jornais, tudo gente do maior prestígio, mediante solene comunicado pronunciaram-se sobra a bronca do secretário de Estado que, por razões desconhecidas, resolveu dar à língua sobre hipóteses várias.

    Dizem eles, dos píncaros da sua impecável moral deontológica, que deviam às estúpidas bocas “sigilo sobre a fonte e não sobre o assunto”.

    Deve ser por isso que toda a gente ficou a saber quem era a fonte do assunto.

       

    4

     

    A firma que patrocina a selecção nacional de futebol inventou, para ela usar no mundial, um equipamento alternativo, por sinal bem bonito. Tal equipamento é azul e branco, como o do FCP e de outros.

    Vai daí, em mais um estertor de republicanismo socialista, jacobino e maçónico, aparece o velho Arnaud, indignado, a reclamar que tais cores não nos identificam. “Alterar as cores que identificam Portugal não faz sentido”, “a Nação não se revê nas cores desse equipamento”, são frases do ilustre carbonário après la lettre.

    Ao IRRITADO, como a qualquer pessoa no pleno uso das suas faculdades mentais, jamais ocorreria que, às cores alternativas do equipamento, fosse atribuído um significado “monárquico”. Mas, já que o homem resolveu, mais uma vez, aproveitar a ocasião para dar largas à sua asnática maneira de ser, é de recordar que as cores portuguesas durante mais de setecentos anos foram o azul e o branco, tendo sido substituídas em 1911, não por unanimidade, pelas da Carbonária, organização terrorista ao serviço do republicanismo. Para quem tiver dois dedos de testa e de respeito pela Nação, tais são cores nacionais. O vermelho e o verde não passam das cores da República, vertidas numa das mais feias bandeiras deste mundo. Já que sesta é oficial, merecerá respeito, coisa que o azul e o branco da nossa História não merecem ao fulano.

     

    5

     

    Para acabar estas reflexões com um elogio, sublinhe-se a atitude da António Reis, tão jacobino, maçónico, socialista e republicano como o Arnaud, que, com algumas judiciosas considerações, pôs pelas ruas da amargura as alarvidades do seu camarada/irmão.

     

    30.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • FUNCIONALISMO PÚBLICO, HI, HI

     

    Em cumprimento do disposto… faz-se público que o técnico superior, F…., pertencente ao mapa de pessoal da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, cessou o contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado em 21 de dezembro de 2013, por motivo de falecimento.

    19 de fevereiro de 2014

    O Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo

    Eduardo Bravo Henriques

    207640344

     

    In Diário da República, 2ª série – nº42 – 28 de Fevereiro de 2014, Parte C, pág. 5992

     

     

    28.3.14

     

    IRRITADO

  • ESTADO DE CHOQUE

     

    Mais que irritado, o IRRITADO está (27.3.14 às 22.30) em estado de choque.

    É que, na sua habitual ânsia esquerdófila, a SIC Ntotícias acaba de nos mimar com uns 25 minutos da mais desbragada pouca vergonha: nada menos que o avatar do Pinto de Sousa, o tipo do beicinho pendente, que foi presenteado com esse invejável direito de antena.

     O “PSD transformou Portugal numa fábrica de pobres”, afirmou o socrapífio gangster. E o IRRITADO, que julgava ter sido ele, o partido dele, o chefe dele, ele, quem foi a causa próxima dos nossos problemas! Não é de ficar em estado de choque? Como é possível dizer-se uma coisa daquelas?

    “A austeridade é uma ruína”, “é preciso travar isto!”. “É o que os socialistas querem em toda a Europa”. Como é possível?

    Quando a austeridade, depois de colossais esforços, parece começar a dar bons resultados, este bandido político vem dizer que é ao contrário, ou seja, que devemos deitar fora os esforços e voltar aos tempos da irresponsabilidade e da demagogia.

    Depois, inculca que, se ele e seus sequazes forem eleitos, “travarão” a austeridade, quer dizer, aumentam os saláros, baixam os impostos, arranjam 500.000 postos de trabalho, todos principescamente remunerados, e por aí fora, um mar de rosas para toda a gente. Se tudo isto não fosse sabidamente mentira, o estado de choque passaria a delirium tremens.

     

    (Conceda-se que há no PS, se calhar à revelia das instruções do Pinto de Sousa e das palermices do Oco, gente que, ao de leve, vai aflorando a verdade e dizendo o contrário do que diz este monumental aldrabão).

     

    Sob a batuta de tipos como o do beicinho pendurado, diz ele, os socialistas europeus, lá, no doce refrigério do Parlamento, vão desenvolver exponencialmente a nossa economia, acabar com a austeridade e distribuir dinheiro a rodos por toda a malta, não é? Olhem o exemplo do Hollande! Não prometeu o mesmo que o pintodesousismo beiçolista promete? Olhem onde foi parar!

    Se o socialismo ganhar estas eleições europeias, então teremos um Presidente do PE socialista e alemão, que dará as maiores garantias de desenvolvimento económico e social a todos os europeus, diz o facínora.

    Então o SPD, e bem, não está às ordens da dona Ângela? Está, mas ideias são ideias, o problema não é de quem as faz, mas de quem as come por boas.

    E se este charlatão, em vez de dizer que o governo “sempre recusou falar com o PS”, seguisse o patriótico exemplo do SPD? Não seguiu. Por cá os acordos são “impossíveis”, disse o Oco quando foi obrigado a conversar com o PSD por imposição do PR, as diferenças são “insanáveis”, disse o Oco ao fim de três horas de conversa com o PM. Isto sem que, até hoje,  haja quem saiba quais são os acordos impossíveis, ainda menos de que insanáveis diferenças se trata.

     

    Bom. Findo o suplício de ouvir este tarado, o IRRITADO usou estas palavras para aliviar o estado de choque, e vai beber um copo e acabar de ler um romance do Vargas Llosa, que não é aldrabão nenhum.

     

    27.3.14

     

    António Borges de Carvalho         

  • NOVOS HERÓIS

     

    Temos lido, ouvido e visto, a história de um soldado apontador que não disparou a metralhadora quando para tal foi mandado por um superior. A coisa ter-se-á passado no Terreiro do Paço em 25 de Abril de 1974. O homem fazia parte das forças com que a moribunda II República terá tido a ilusão de travar o golpe.

    As tropas “inimigas” estavam frente a frente. O homem não disparou, apesar da ordem. Hoje é, por isso, considerado um herói, presume-se que com lugar garantido no Panteão da III República.

    Trata-se, como é evidente, de uma fabricação. Um soldado que, de política, ditaduras, democracia, etc., percebia tanto como de chinês, vindo de uma aldeia perdida não se sabe onde, foi, por artes de berliques e berloques, transformado num conscientíssimo e indefectível democrata, ansioso por libertar a Nação dos opressores e, quem sabe (basta ir um pouco mais longe no imaginário da moda), um cidadão de altíssima coragem que correu o enorme risco de desobedecer em combate, a fim de defender as suas ideias.

    Não será um pouco demais? Mesmo aceitando que o gesto teve enorme importância no desenrolar pacífico dos acontecimentos, não é preciso ser “fascista” para imaginar as coisas de outra forma. O tal soldado, não sabendo lá muito bem o que se passava, nem quem estava “por cima”, ao ver-se na contingência de provocar que lhe dessem um tiro no toutiço, decidiu abrigar-se no blindado em vez de disparar. Se o golpe triunfasse, o que sentiria ser o mais provável, nada lhe aconteceria. Se se desse o contrário, então manteria as hipóteses de salvar o coiro dentro da carapaça do carro.

     

    Esta reflexão nada tem a ver com a condenação do 25, coisa que o IRRITADO não faz. Até gostou, e muito, da reviravolta, o pior foi sobrevir o socialismo e ainda não termos acabado com ele.

     

    Ninguém saberá dizer ao certo o que motivou o soldado. Mas não parece legítimo pô-lo nos altares como se vem fazendo, no fundo diminuindo o 25 no que teve de positivo.

     

    Aqui há anos, num hotel (dos caros) em Londres, um alto funcionário apresentou-se-me como português. Tinha um crachá que rezava “Oliver”. Então chama-se Oliveira, disse-lhe. Sim, respondeu o homem, aqui chamam-me Oliver, porque o tenho esse apelido também, mas, em Portiugal sou o Tenente Coronel Corte Real. Como assim? O nosso ten-cor esclareceu: sabe, eu era tenente dos comandos, e desertei de Moçambique para a África do Sul. Depois, vim aqui parar e por cá fiz a minha vida. Tenho a reforma de Sua Magestade, um andar em King’s Road, um filho advogado e uma filha arquitecta. Trabalho no hotel por prazer, sou amigo do dono, costumo jogar golfe com ele. Então, perguntei, como é que passou de tenente a tenente coronel? Fácil e normal, esclareceu. Depois da revolução fui reintegrado, passei à reserva, fui sendo promovido, e o ordenadinho é depositado todos os meses… olhe, até me mandam um bacalhauzito pelo Natal.

    Um ou dois anos passados, voltei ao hotel. Olá, senhor tenente coronel, tá bom? Tudo bem, foi a resposta, só que, agora, sou coronel!

    Fica a história como foi. Ainda há-de haver algum jornalista que descubra este indefectível democrata e o ponha a dar entrevistas à televisão.

    Há muito mais exemplos, como o do major do Boavista, que foi reintegrado e promovido, depois de ser corrido por causa de negócios de batata. Um herói, um defensor da liberdade que, com repugnate injustiça, ainda não foi condecorado.

     

    Assim se faz “história”, ou se inventam histórias. Pobre 25!

     

    27.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • O ROL DOS ARTISTAS

     

    Com a devida pompa e circunstância, o Oco apresentou à Pátria o rol dos escolhidos para as viagens.

    Agiganta-se, como grande novidade, a chamada paridade, isto é, haver pessoas que são escolhidas pelo sexo. Para ser verdadeiramente progressista, deveria o Oco ir mais além e seguir exemplos que vêm da Europa, isto é, consagrar categorias que já constam de alguns bilhetes de identidade em países mais desenvolvidos. Para que houvesse paridade a sério, devia a lista incluir pelo menos uma fufa, um pederasta, um transsexual e, suponho, outras especialidades de género. Enfim, talvez fique para a próxima, quando o PS , do ponto da vista ético-civilizacional, tiver avançado mais um pouco.

     

    Vejamos o nobre rol.

    À cabeça, o ex-inimigo Assis, tipo que parecia relativamente moderado mas que, desde que lhe foi dada esta prebenda, se transmutou em trauliteiro de alto gabarito, como provam à saciedade as suas últimas aparições. Depois, a dona Maria João Rodrigues, tecnocrata bruxelense e antiga ministra do Guterres, cuja passagen pelo governo não deixou saudades nem deixou de deixar: zero. A seguir, ó maravilha, o insuportável Zorrinho, o que nos enche de esperança, na medida em que irá, espera-se, aparecer menos na TV com a sua melíflua demagogia e o seu cínico parlapaté. Chegamos à dona Elisa Ferreira: há quem diga que tem alta vocação para relatórios parlamentares – honra lhe seja -, senhora que foi figura de proa do pintodesousismo e cuja passagem pelo correspondente governo deixou tantas marcas como a da dona Maria João. Aqui, alegremo-nos: a contemplada com o sexto lugar é Ana Gomes, essa grande figura de viajante, senhora de características caninas que, se tivesse nascido uns anos antes, é de pensar seria a substituta ideal do major Silva Pais.  Segue-se um tal Ricardo Santos, que o IRRITADO, com muita pena, não sabe quem é. Em sétimo lugar, temos o tipo do beicinho à banda, Silva Pereira de seu nome, um dos mais lídimos exemplos da alta estirpe dos pintodesousistas e insuportável produtor de bocas clubistas. Na oitava oportunidade – esperemos que a última – surge mais uma senhora, a dona Liliana Rodrigues, ao que se diz muito conhecida lá em casa. Vem então o senhor Manuel dos Santos: ou se trata de um velho maçon mais ou menos ultramontano, ou é outro cuja qualidade o IRRITADO desconhece, mas calcula. Na zona de previsível paisagem, seguem-se Maria Manuela Nunes, ilustre(?) desconhecida, e um dos mais irritantes populistas do socialismo: José Junqueiro.

    O resto é mesmo paisagem.

    Como ramo de salsa, talvez com o objectivo de dar credibilidade ao rol, surge, em último lugar, Eduardo Lourenço, intelectual de valia, a mostrar que o Oco não tem respeito pela terceira idade, antes abusa dela quando a apanha nas suas inevitáveis fraquezas.

     

    O eleitorado terá oportunidade de mostrar merecido apreço pelo esforço que o Oco fez para serenar os ânimos,  garantindo, acha ele, que passam a chateá-lo menos lá na agremiação. Espera-se que o faça, ainda que, para o IRRITADO, tal esperança signifique o contrário da do “Expresso”.

     

    26.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • BOAS NOTÍCIAS

     

    Corações ao alto! A coisa, lá para os lados do Oco, parece estar a abrir fissuras.

    O camarada Medina, nº 2 do Costae antigo grande socrapífio, veio dizer que as bocas do PR a favor de um consenso com o PSD são muito bem vindas, e que o Oco faz mal em não agir em conformidade. O IRRITADO, que não recomenda a ninguém acordos com o Oco, fica contente por ver que, lá de dentro do Rato, começa a ouvir-se vozes menos ocas.

    Que dizer, por outro lado, daquele primitivo chamado Gaspar (não confundir com o outro), um dos principais membros do sanctus sanctorum do Oco, que garantiu a continuidade da austeridade e da “estabilidade” dos salários diminuidos e das pensões cortadas se o PS fosse governo?

    Parece que, até dentro da organização, há já quem não acredite numa só palavra do que o Oco diz, e trate de se sangrar em saúde antes que seja tarde.

    Pelo menos à primeira vista, são boas notícias. Mas como, do PS, tudo é de esperar, é preciso redobrar os cuidados.  

     

    23.3.14

     

    António Borges de Carvalho