IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CONSELHO HIGIÉNICO

     

    É sabido que, a começar pelos dirigentes da televisão dita de serviço público, ainda há em Potugal adeptos ou admiradores do inaceitável marmanjo que se chama Pinto de Sousa e que dá pelo nome de engenheiro Sócrates.

    O que ninguém sabia era que tal indivíduo terá tido “inibições”. Bem pelo contrário, era, e deve continuar a ser, o mais desinibido de todos os portugueses, no sentido de o mais desavergonhado.

    Inteligentíssimas figuras do PS, porém, vieram informar a canalha dizendo que a criatura está a perder “inibições”. Perguntar-se-á quais. Tais sábios esclarecem: terá perdido o medo de andar na rua. Não que seja quem for, neste país de brandos costumes, tenha medo de andar na rua. Mas porque, diga-se em favor do cidadão em causa, tendo consciência do mal que nos fez, achava natural ser insultado e agredido a cada esquina. Tinha razão. O IRRITADO, por exemplo, se entrasse num restaurante e o visse, ia comer a outro sítio, se o visse na rua atravessava para o outro lado ou tremia de desprezo perante tal e tão horrenda visão.

    O camarada Lelo, um zero à esquerda como toda a gente sabe, entre outros, está muito contente. Segundo afirma, “até tem andado com ele na rua”. Vejam a coragem do cretino! Também ele terá perdido “essa inibição”, certamente porque, antes de a perder, evitava andar por aí tão mal acompanhado. Isto é, borrava-se de medo.

     

    O IRRITADO a ninguém deseja a desgraça de dar com tal gente por perto. Outrossim aconselha, em tal caso, o cuidado de não sujar os olhos encarando-a, bem como uma desinfecção geral se proximidade for maior que o tolerável.

    E que ninguém lhe dê a honra de o insultar ou agredir.

     

    23.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DECO PROTESTE

     

    Da tão prestigiada organização chamada DECO, ou DECOPROTESTE, ou DECO PROTESTE, acaba o IRRITADO de receber um grosso envelope.

    Uma leitura rápida do seu conteudo levou-o a ficar a saber que tem “direito” a vários “prémios” além do de poder participar num concurso milionário.

    De borla, vai ser-lhe enviada uma máquina de fazer filmes, coisa de altíssima tecnologia. Formidável! E mais: vai ser contemplado, também de borla, como um reprodutor de música equipado com um rádio despertador. Deslumbrante! Além de tudo isto, a participação no concurso é grátis. Fantástico!

    A fechar este alarde de generosidade, a DECO, em extraordinária demonstração de solidadriedade humana, comunica que vai enviar ao IRRITADO 4 revistas a 2 euros cada. Como não ficar agradecido?

    Lendo um pouco mais, o IRRITADO chega à conclusão que tem ainda a oportunidade única de, aceitando as “ofertas”, receber, durante dez meses, as revistas da DECO só por 6,59 euros por mês e, a partir daí, passar a pagar 13,28 euros por mês, ou seja, 159,36 euros por ano.

    A fechar a rebrilhante proposta, a DECO, altruista, manda, ou propõe, que o IRRITADO, a fim concretizar os seus “direitos”, assine uma declaração autorizando “a DECO PROTESTE a enviar instruções ao meu banco para debitar a minha conta de acordo com as instruções da DECO PROTESTE”. Note-se: não será o IRRITADO a dar instruções ao banco, será a DECO a dá-las como muito bem entender. Formidável, não é?

     

    A DECO serve para proteger o consumidor, ou é uma empresa como outra qualquer, feita para sacar ao consumidor?

    Resta saber se a organização que tão generosamente contactou o IRRITADO tem “utilidade pública” ou é uma “associação sem fins lucrativos”, isto é, se não paga impostos. Quem quiser que investigue.

    Protestemos.

     

    21.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DA NACIONAL BUROCRACIA

     

    Há coisas que abalam as profundas convicções anti-estatistas do IRRITADO.

     

    Se você quiser, por exemplo, alterar a morada na sua ficha bancária, terá que ir ao banco, assinar um docuento, garantindo, e provando, que se mudou.

    Você tem nomes fictícios, palavras passe, cartõezinhos com números secretos, mensagens SMS, um ror de “seguranças” que o seu banco lhe fornece. Com elas, pode fazer as mais refinadas e complicadas operações, compras e vendas na bolsa, transferências internacionais, pagamentos a particulares e ao Estado (no caso do Estado, nem é preciso grande “segurança”, é pagar e acabou-se!), etc.. Mas, para mudar a morada, só com papel assinado.

     

    Você quer mudar o carro ligado ao seu identificador Via Verde. Vai à coisa, espera hora e meia com o papelinho na mão e, quando a menina o atende, é para lhe dizer que traga a certidão permanente, a fim de provar que tem direito a assinar um extensíssimo formulário.

    Para se filiar na coisa, é ir lá e pagar. Ainda que espere a mesma hora e meia, é fácil. Para o resto, está feito ao bife.

     

    Você quer cancelar a sua assinatura na ZON. É quase indescritível a complicação. Vou tentar fazê-lo. Tem que ir a uma loja (por telefone são horas a ouvir música de péssimo gosto, e ninguém lhe aceita o cancelamanto), esperar a hora e meia da ordem, a menina do balcão não tem autoridade para cancelar a assinatura, você discute com ela mais três quartos de hora, findos os quais “se o senhor insiste, terá que receber um telefonema”, é a resposta final. Você dá o seu número, a menina liga não se sabe para onde e, passados uns minutos, há uma tipa que lhe telefona proferindo ameaças, que tem que pagar a “fidelidade”, que se arrisca a ser perseguido por advogados e procuradores, que está amarrado a compromissos devidamente referidos nas micrométricas linhas do contrato. Você perde a cabeça, diz “porra, eu só quero que vão lá a casa buscar a vossa tralha e que não me chateiem mais”, ao que a gaja volta a insistir, a ameaçar, a tentar dar-lhe a volta como se você fosse parvo. Meia hora depois, lá consegue que a jararaca lhe peça para passar o telefone à menina do balcão, que se ri porque você é doido enquanto recebe autorizção da do telefone para ceder à sua absurda pretensão. Você, finalmente, acha que está tudo feito. Uma ova! “Agora, tem que preencher este formulário, assinar aqui na cruzinha, dar-me o BI para fotocopiar”. Enquanto você preenche o papel, a menina atende outro cliente. Você espera mais uma boa meia hora, enquanto a menina convence o outro desgraçado a comprar uma data de pacotes sem lhe falar em “fidelização”, como é óbvio. Depois, lá entrega o papel, recebe de volta o BI e, felicíssimo, vai-se embora a julgar que resolveu o problema. Ilusão! Daí a uns dias, telefona-lhe uma tipa a dizer que, ou volta atrás, ou recebe uma factura de 400 euros, à conta da sua falta de fidelidade. Você manda-a passear e, dias depois, recebe a tal factura.

    Não pague, que os tipos encolhem-se. Alguma coisa havia de correr bem!

     

    O pessoal queixa-se, com carradas de razão, das burocracias do Estado, das câmaras, do raio. Mas os privados são da mesma laia, como provam os exemplos acima, três que podiam ser mil.

    Em conclusão, a burocracia é um problema geral, nacional, uma forma de uns mostrarem o seu poder sobre os outros, os que têm a desgraça de ser cidadãos, munícipes, clientes, credores, devedores. Parace que somos feitos desta massa, e que não há nada a fazer.

     

    21.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NOVOS CAVAQUISTAS

     

    A chamada esquerda tem dado pancadaria de meia noite no Presidente: que está feito com o governo, que não passa de um títere nas mãos do PM, que, que, que.

    Eis senão quando a malta vira do avesso. O PR, como vetou uma coisa qualquer do governo, passou a ser fenomenal, independente, criterioso, uma maravilha. O IRRITADO sauda com entusiasmo esta reviravolta.

    Só que… só que esta mudança de posição se deve ao aproveitamento da coisa para dar mais porrada no governo: que é uma falta de respeito insistir no decreto, transformando-o em lei da AR. Pois. A Constituição, o Presidente, a Democracia, são gravemente ofendidos por mais esta atitude ditatorial da coligação. Neste caso, a chamada esquerda, toda a esquerda, se está nas tintas para a Constituição, uma vez que esta confere ao governo prerrogativas que lhe permitem pôr em causa o tal veto, e até ultrapassá-lo. Mas, quando convém, a sacrossanta Constituição já não presta.

    É claro que o PR, como as manuelas, os bagões, os capuchos & Cª só se lembra de chatear o governo quando estão em causa os seus rendimentinhos ou rendimentões pessoais. Tocam-lhes na pensão, e é o diabo. Aumentam-lhe a ADSE, e… a luta continua! Noutras matérias são mais sofisticados, mas, nos tostões deles que ninguém mexa. Não faltava mais nada!

    É por isso que estes patriotas se juntam ao nacional esquerdoidismo, nem que, para tal, tenham que “abolir” os preceitos constitucionais como lhes não convém. Santa coerência!

     

    21.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • INSANÁVEL ESTUPIDEZ

     

    Reunido três horas com o PM, veio o Oco dar notícia das enormes (insanáveis!) divergências que os afastam.

    Sobre quais sejam, não brindou o povo com a mais leve sombra de informação. Nem uma palavra. O Oco é opaco, talvez para que se não veja que nem fumo tem na caixa craneana. É de lembrar aqueles miúdos que não querem comer a sopa. O pai, a mãe, a avó, perguntam: “porquê?”, o petiz responde “porque não!”.  Ou então “não digo, toma, toma, toma!”.

     

    Nestes termos, as coisas ficam explicadas. O Oco continua a contar com o ovo no rabiosque da galinha, isto é, que a Europa inteira, o FMI, o BCE, a CE, o Conselho, os governos, os países, os povos europeus, todos anseiam pela sua chegada ao poder. Por unanimidade, ficarão tão contentes com isso que, como por encanto, os juros descerão, os prazos alargar-se-ão, criar-se-á a união bancária, a mutualização da dívida e mais uma série de panaceias que salvarão este jardim das agruras da austeridade. Isto sem esquecer que, pletóricos de alegria, todos se vão oferecer para pagar o subsídio de desemprego aos portugueses atingidos pelo flagelo.

     

    Pois. Olhem o Hollande, o mais que tudo do Oco, de rabinho entre as pernas como um cachorrinho desmamado! O Oco meteu o homem no saco: Hollande deixou de existir.  Escaldado, arranjou outro namorado: o alemão que quer pôr no poleiro do PE. Agora é que é! Falhou o franciú, venha o tudesco!

     

    Se a estupidez tivesse rodas, o PS já estava na Fórmula 1.

     

    18.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • OS TRÊS PISTOLEIROS

     

    Em Loulé foi criada uma comissão para as comemorações do 25 de Abril. Dando mostras de respeito pelos mais sérios valores democráticos, a tal comissão organizou uma sessão para a qual convidou três altíssimas figuras do MFA: Vasco Lourenço, Otelo e Martins Guerreiro. Não se sabe porquê, mas calcula-se, o reitor da universidade local prestou-se a “moderar” a coisa, como se fosse preciso moderar uma sessão em que todos iam dizer o mesmo, ou como se a universidade devesse avalizar porcarias deste género.

    Para quem já não sabe quem é esta gente, atente-se na preocupação dos organizadores de chamar à liça, democraticamente, várias correntes de opinião. Só que, certamente por engano, só convidou uma: Lourenço, que acha que “não foi para isto (a democracia) que se fez o 25 de Abril”; Guerreiro, um dos mais lídimos representantes do bolchevismo nas Forças Armadas do tempo e actualmente um não-ilustre desconhecido; Otelo, um ignorante socialista revolucionário e indiscutível líder e inspirador da “melhor” organização terrorista de iniciativa nacional, à qual se deve nada menos que 17 assassínios, e à qual deu o nome da “sua” revolução: 25 de Abril.

    Para quem não gosta da data, nada melhor que confundi-la com esta gente. Pior, achar que esta gente é, como gostava de ser, a dona e senhora da única mensagem válida do 25 de Abril que é o inegável valor da liberdade. A quem assim pensa, há que lembrar que tal liberdade foi coisa que outros, com esforço e sangue, viriam a conseguir, apesar desta gente.

    Os donos do 25 (até o Vasco, que se chegou a pensar ser um democrata) são de opinião contrária: o que queriam mesmo não era a liberdade. A não ser que ela, obrigatoriamente, significasse socialismo puro e duro. O 25 valeu para que esta gente viesse a poder proclamar as suas asneiradas sem que ninguém a meta na prisão ou no manicómio. Isso não reconhecem.

    De resto, se o 25 é do povo, como diz alguma propaganda, mas de todo o povo, não dos que esta gente selecciona como povo, como o Cunhal seleccionava as “amplas liberdades”.

    O povo somos todos, e temos oportunidade de dar ao país os governos que quisermos, de direita, do centro ou da esquerda.

    Por isso que estas sessões, organizadas para espalhar, não a mensagem democrática do 25, mas o seu lado ditatorial, sejam a pior maneira de comemorar a data. Os três da vida airada, que ali vieram dizer os seus disparates, bem podiam ir para casa chatear outro em vez de propagandear o seu triste atraso intelectual e ideológico.

     

    18.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • CRIMES ECONÓMICOS

     

    Nos terríveis tempos em que Portugal era governado por um bolchevista tresloucado chamado Vasco Gonçalves, acolitado por Álvaro Cunhal e sua gentalha, era costume, para perseguir alguém ou meter na cadeia os suspeitos de falta de socialismo, produzir acusações de “sabotagem económina”.

    Hoje é diferente. Há crimes económicos, autênticos, não inventados, que, ou passam entre os pingos de chuva, ou são objecto de prescrições mais ou menos estranhas, todos eles beneficiando do estado de catalepsia laboral de que enferma a generalidade dos serviços de justiça.

    O mais flagrante e escandaloso de todos NUNCA foi objecto de queixa, procedimento judicial, iniciativa do Estado, iniciativa popular, ou fosse do que fosse. Trata-se, como devem calcular, do monumental atentado que um tal Carlos César, sinistra e esteticamente porcina figura dos Açores, cometeu e que, a la limite, foi a mais importante causa da falência dos estaleiros de Viana do Castelo. É claro que tal falência foi ajudada pelas maluquices venezuelanas do senhor Pinto de Sousa, mas tal não desculpa o prejuízo deliberadamente causado pelo chamado governo dos Açores, em favor de alugueres milionários de navios gregos.

    A coisa passou como se nada fosse. Toda a gente, a começar pelos próprios trabalhadores e pelo mais-que-tudo dos protestantes, o camarada Carlos, passando pelos governos, pelos PGR e tutti quanti, se borrifou no assunto. Estranhamente, neste caso, até os media resolveram não “investigar”.

    Não se sabe donde virá a protecção generalizada de que o governo açoreano tem gozado. É-nos permitido imaginar as mais diversas teorias, maquinações, corrupções, tráficos e razões.

    A mais importante verdade, nesta matéria, é o facto de nada nem ninguém se ter preocupado em escarafunchar na sujeira.

    Talvez um dia…

     

     

    17.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DA INTELIGÊNCIA SOCIALISTA

     

    1. Em delirante peroração eleitoral, o Oco resolveu ter mais uma brilhante “ideia”: o desemprego acima de xis por cento passará a ser pago por Bruxelas. Magnífico! Genial!

    É este o tipo de “negociações” que o chefe dos nossos socilistas acha que o governo devia ter? Calcule-se o que seria se o PM chegasse a Bruxelas com uma destas. Saía de lá com o rabo entre as pernas e com carimbo de parvo, como é evidente. Mas, nisto de eleições, vale tudo. Se os burros votassem o PS tinha a vitória na mão.

     

    2. Noutra notável demonstração de inteligência, o “unificador” eleitoral da organização, Assis de seu nome (este não tem a desculpa do Oco, porque não é estúpido) veio declarar que, se o novo presidente da CE for um socialista progressista alemão será muito melhor para nós que ter lá um conservador liberal. O IRRITADO não tem, à partida, preferência por qualquer dos candidatos ao lugar. Mas, contrariando as bocas eleitorais do Assis, chama a atenção para o facto de o tal “socialista progressista”, quando cá veio, ter tecido simpáticas declarações em relação ao governo e ao PM. Além disso, é membro de um partido que faz parte do governo alemão e que está completamente de acordo – salvo certos folclorismos – com a política da chefe, que é a dona Ângela. Mais sublinha que é muito provável que o “conservador liberal” tenha mais espaço para melhorar as coisas, se for fiel ao que disse ao longo da crise da UE, que o tal alemão.

    Coisas que a inteligência socialista, se é que existe, não vê.

     

    16.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DIFERENÇAS

     

    Toda a gente se lembra das manobras do senhor Pinto de Sousa para dominar a informação adversa. A coisa atingiu o seu climax na demolição da dona Manuela Moura Guedes, que tinha uma tribuna diária anti-governo. Compras falhadas, monumentais broncas, fúrias protestativas,  etc., vergonhosas atitudes que não valerá a pena esmiuçar. A rapariga acabou por ir para casa. Tratava-se do conceito socialista de “liberdade de expressão”, na sua mais requintada forma.

    Hoje, bem mais virulento e desagradável que a Manuela, cavalga o anti-governamentalismo dessoutra espernéfica balzaquiana chamada Constança, que dispõe de diárias e várias tribunas para desancar o PM e a maioria com as mais histéricas e descabeladas diatribes.

     

    Vejam a diferença: o PM não mexe uma palha contra ela. Deve irritar-se com a coisa, como qualquer ser humano. Mas nada fez para lhe tocar. Ela que se esprema, ou exprima, à vontade. O conceito de liberdade de expressão é hoje outro, não o conceito bandido do Pinto de Sousa e do seu partido.

     

    Não significa isto que tal liberdade seja bem usada pela Constança, como não o seria pela Manuela. Significa é que os tempos são, pelo menos neste aspecto, bem melhores.

     

    16.3.14

     

    António Borges de Carvalho   

  • ESTARIA COM OS COPOS?

     

    No bocado a que assistiu da, habitualmente enfadonha, peroração da dona Manuela na TVI24, o IRRITADO ouviu coisas do arco da velha:

     

    – Disse a senhora que, no seu querido manifesto, não aparecem assinaturas dos “extremos”, nem à direita nem à esquerda. Por um lado, a senhora dá foros de existência à extrema direita, coisa que ela talvez conheça. Por outro, acha que o Louçã, socialista revolucionário, e outros bloquistas, não são de extrema esquerda, ainda menos o Carvalho da Silva e outros que tais. Na mente da senhora, todos estes são adeptos ferozes da democracia liberal!

     

    – Disse a senhora que os manifestantes do manifesto – grandes patriotas! – tiveram o cuidado de não divulgar o dito “em nenhum jornal estrangeiro”. Ou seja, como é evidente, ninguém, além fronteiras soube de nada, não é?

     

    – Disse a senhora, de si própria, que é “livre e independente”. Pois claro: isso de ter sido ministra do PSD, feroz cavaquista, líder partidária, etc., dá-lhe uma indiscutível independência.

     

    – Disse a senhora, em relação aos assessores do PR que foram corridos, que “desconhece o assunto”. Pois claro, evidentemente!

     

    – Disse a senhora que o PR, no livrinho que publicou, fez uma “análise objectiva e esclarecedora”. Então, por que carga de água é que ela e os seus camaradas fizeram outra?

     

    – Disse a senhora que ela e seus camaradas fizeram o manifesto para “esclarecer as pessoas”. Então, foi Cavaco, ou eles, quem esclareceu?

     

    Concluindo: estaria com os copos?

     

    14.3.14

     

    António Borges de Carvalho  

  • AVISO À NAVEGAÇÃO

     

    O Capucho, extraordinário avatar dos deuses do antigo PSD, de cuja herança se reclama, reincarnação estragada ou grosseiro arremedo dos que já lá vão e o poriam com dono se por cá andassem, anda agora a comunicar à plebe o texto sagrado e os nomes dos seus novos amigos, tais os sinistros boaventuras ss, os cravinhos, os louças e quejandos, ou tais um conjunto de colegas traidores aos seus e ao seu país.

    Usando listas de endereços email que ninguém terá autorizado (o do IRRITADO é um deles), e coadjuvado por reencaminhadores de serviço, mais manifestista que os seus panfletários companheiros, aos incautos envia, orgulhoso dos seus feitos e amigos (diz-me com quem andas…), timtim por timtim, a mirabolante e extemporânea proposta dessa plêiade de heróis para quem o ódio ao governo legitima que se prejudique o país num momento crucial da sua vida.

    Já andam por aí várias vozes que, tendo, broncamente, assinado a coisa para ver o nome no jornal, a “esclarecer” que não, não era de renegociação que estavam a falar, era de coisa diferente que, por acaso gramatical, se chama renegociação. Não, não queriam o esquema grego, queriam um esquema como o grego mas que não fosse grego, que não, não querem prejudicar ninguém, foram traídos pelas circunstâncias, pelo timing, etc. O barco já estremece, o naufrágio está à vista, o melhor é tomar providências.

    Quem não quer navegar com tal gente que se ponha a pau, porque tal gente é capaz de querer arrastar-nos a todos nas vagas das asneiras em que sossobram ou sossobrarão.

      

    13.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A FILARMÓNICA

     

    De repente, o Sevinate, ao levar um pontapé no mataco, quis dar uma de juízo. Afinal, segundo ele, a filarmónica da treta fez mal: não devia falar em “reestruturação da dívida”, ainda menos devia dar publicidade ao panfleto nesta altura. Não explicou por que carga de água o assinou, mas isso é coisa para psiquiatras e escapa à apreciação do IRRITADO. Outros arrependidos se lhe seguirão, diz um dedo que adivinha.

    Afinal, o que uniu a filarmónica?

    Preocupações com a situação do país? Nem pensar. Se tal coisa existisse, que sentido faria sujeitar-nos aos riscos a que o panfleto nos sujeita? Oportunidade? Só se for a oportunidade de causar mais problemas, numa altura em que não há quem não perceba que devia haver contenção de bocas e de exibições. Consistência ideológica? Aqui, o IRRITADO tem dúvidas. Afinal, em termos de consequências, que diferença faz o socialismo do Cravinho do do Freitas, dando de barato a coerência do primeiro e a falta de coluna vertebral do segundo? Que diferença faz a “democracia cristã” do Bagão das “preocupações” marxistas do Carvalho da Silva? Que diferença faz a social histeria da dona Manuela do socialismo revolucionário do Louçã, e este da “social democracia” do Capucho?

    Se, pelo contrário, estas “personalidades” pensam diferentemente umas das outras, qual é o cimento que as fez unir-se? Aqui, já o IRRITADO não tem dúvidas: é a travessia do deserto de uma data de gente que, em boa hora, o eleitorado correu de cena. Então é admissível que figuras tão “gradas” como estas estejam reduzidas aos favores – e que favores! – dos media para mostrar que existem? De maneira nenhuma. Todas elas se acham com o incontornável direito a ter poder. Se o não têm, há que dar cabo dos que os mantêm na gaveta, mesmo que isso comece por nos dar cabo da vida ainda mais do que as dívidas e os cortes. A inveja, a dor de corno, a frustração, a vingança e outros sentimentos de parecido jaez estão na base do panfleto, são o que o informa. Todos unidos, à espera de galarim. Haverá alguns que fogem a esta “lógica”, como essa desgraça em figura humana que se abateu sobra a CIP, um tal Saraiva, ou a munificente e oriental figura de Adriano Moreira, pessoa cujos objectivos ou fundamentos ideológicos não há quem descortine. Para os panfletários, devem ser uma espécie de raminhos de salsa.  

    Assim se constituiu a filarmónica. Uns tocam trombone, outros ferrinhos, mas uniram-se na música, música intelectual e politicamente pimba, mas música na mesma.

     

    Para dizer algo positivo, lembremos a opinião da dona Teodora Cardoso, Presidente do Conselho de Finanças Públicas, que não tem nada, antes pelo contrário, a ver com o governo. Cito: “Se nós estivéssemos numa situação catastrófica, não haveria outro remédio, como não houve na Grécia. Mas nós não somos a Grécia”; “Dizemos isso há anos e agora parece que estamos a querer ser a Grécia outra vez. Isso [reestruturação da dívida] não resolve os problemas. O que resolve o problema da sustentabilidade da dívida é pormos a economia a crescer – e para isso precisamos de financiamento e nós não devemos afastar esse financiamento – e a disciplina orçamental”. “Estes manifestos dão a ideia que não se acredita na capacidade do País de disciplinar o orçamento”.

     

    Haja alguém , indiscutivelmente independente e sem frustrações ou histerismos, a dizer a verdade.

     

    13.3.14

     

    António Borges de Carvalho   

  • HOMENAGEM AO TRAULITEIRISMO

     

    Conta-se, com foros de verdade, que, há já uns trinta anos, um deputado do CDS saíu, altas horas, de São Bento, meteu-se no carro e, talvez vítima do sono, capotou na Praça de Espanha. Rodas ao ar, o homem desmaiou. Atrás, viajava o feroz casal comunista Carlos Brito/Zita Seabra que, ao ver o acontecido, se precipitou para ajudar. O nosso homem, ao acordar do desmaio, deu de caras com o par de bolchevistas. Xiça, morri e já estou no inferno!, terá dito, com notável espírito.

     

    É a sensação que tem hoje o IRRITADO ao ver o “escol” que rodeou a notável figura do senhor Soares na luzida cerimónia em que lhe foi entregue uma coisa pelos estrangeiros que actuam em Portugal à caça de manchetes. Se não estamos no inferno, pouco falta. Desta feita, a maralha da estranja agradece as “bocas” do fulano ante o olhar embevecido de inúmeras personalidades da nacional inteligentsia, ao nível do Pinto de Sousa ou do Vasco Lourenço.

    Soares, como é do conhecimento geral, nunca foi grande espingarda. Tempos houve em que foi importante, mas hoje é de pensar se o que o movia era o interesse geral ou a glória pessoal. É que as demonstrações de mau carácter foram tantas e tão sinuosas, a velhice tem-nas agravado de tal forma, o homem é de tal maneira ultramontano e trauliteiro, que não se sabe por alma de quem é possível atribuir-lhe – a não ser pela negativa – o título de “personalidade do ano”, ou coisa que o valha. Se fosse personalidade de 1975, vá. Mas, de 2013, não cabe na cabeça de ninguém no seu perfeito juízo.

    É possível que, dada a nossa natureza “periférica”, os media  estrangeiros escolham uns tipos de segunda para os representar. Mesmo assim, é difícil comer esta.

    Voltando ao princípio destas linhas, para justificar a infernal sessão de homenagem outro critério não resta senão o que, mais uma vez, demonstra o que é a generalidade da imprensa: bons são os que traulitam o suficiente para que sirvam de mote a parangonas, não os que vão dizendo umas verdades ou umas opiniões mais ou menos lógicas.

     

    13.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • SAÍDA LIMPA

     

    Quando, há uma data de anos, o inefável Guterres chegou à conclusão que tinha levado país para um “pântano” onde refocilávamos “de tanga”, estava não só a fazer uma honesta autocrítica como a falar verdade.

    Mais tarde, a dona Manuela desatou aos gritos: não há dinheiro, não há dinheiro, não há dinheiro! E, chegada ao primeiro balcão, vai de inventar os PEC’s (pagamentos especiais por conta), as receitas extraordinárias, as vendas de dívida e outras martingalas.

    Pela mesma altura, um indivíduo, oriundo de duvidosos e obscuros projectos camarários e de cursos de inglês técnico, aparecia (lembram-se dos debates com Santana Lopes?) a dizer que a dona Manuela era uma ignorante, que preciso era investimento público, que a economia crescia com ele, etc. e tal.

    Tal e tão sabedor fulano subiu ao poder e por lá ficou intermináveis anos. Prometeu o céu, e fez, correcto e aumentado, aquilo que achava que a dona Manuela devia ter feito. O problema é que se enganou nas agulhas: o que fez levou ao inferno, não ao céu. Mas a auto-crítica e a honestidade, com ele e até agora, tinham deixado de fazer parte da “moral” do Largo do Rato.

    É no inferno que estamos. Mas parece que ainda há quem não queira perceber que, com o brutal empurrão daquele artista e a barafunda europeia, sair do inferno não é coisa para que se possa ver prazo. Há umas luzinhas, é certo, mas a obra suja do tipo dos exames ao Domingo não é coisa que se destrua a curto ou médio prazo. Talvez a muito longo prazo, mas não é certo. Certo é que, mesmo nesse muito longo prazo, as feridas que o homem rasgou na nossa carne, mesmo que saradas, deixarão irrecuperáveis cicatrizes.

     

    Quem se recusa a perceber (dona Manuela incluída – mas não conta, é dor de cotovelo), bem como os seguidores do autor da proeza, exige ao governo “a verdade”. Mas, se a verdade do governo for a esperança, o governo está  a mentir. Demita-se! Se o governo disser que as dificuldades estão para durar, então o governo, para além de ter falhado, tem um discurso derrotista. Demita-se! Se o PR diz que prefere um programa cautelar, é porque o governo falhou e o PR está feito com ele. Mas se o PR tivesse dito que preferia uma saída “limpa”, ai Jesus que está a ceder à dona Ângela.

    Para cúmulo, hostes de descontentes de “alta representatividade”, da direita e da esquerda, vêm clamar pela “reestruturação da dívida”, nova panaceia, ou novo placebo. Verdadeira descoberta da pólvora. Como se não fosse coisa que se conversa de há muito, mas que, como é evidente, tem que ser tratada com pinças, não com manifestos de quem quer galarim.

     

    Com cautelar, sem cautelar, com seguro, sem seguro, à irlandesa,  à argentina, direitinho, à balda ou à laia da gaita, não há saída limpa. Poderá correr melhor ou pior, poderá continuar ou não continuar a relativa melhoria das coisas. Certo é que de “limpeza” terá pouco.

    O PM já avisou que isso de salários e pensões foi chão que deu uvas: tão depressa não sairão da cepa torta. Disse a verdade. Fez mal. Como mal faria se dissesse o contrário, não é, ó Pacheco, não ó Capucho?

     

    O que vale é qaue podemos ficar descansados: o Tribunal Constitucional já veio declarar que não deixa. Não se sabe se descobriu uma mina de ouro ou se se prepara para prestar mais um alto serviço ao país.

     

    11.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • SAPATEIROS A TOCAR RABECÃO

     

    Parece que houve uns pândegos que, em manifestação de grande originalidade, resolveram meter no tribunal uma providência cautelar para travar o fecho da Maternidade Alfredo da Costa.

    Até aqui tudo bem. Os portugueses descobriram, com grande alegria, a figura jurídica ideal para infirmar ou impedir tudo o que não obtenha o seu alto apoio.

    O que não está nada bem é que haja um tribunal que se considere competente para travar um mero acto de gestão do governo, mais que legítimo, normal e corriqueiro. Que haja quem sofra de acendrados amores pelo velho hospital, paciência, há gente para tudo, até para gostar de torcer pés na horrenda calçada portuguesa que todos os dias ataca a nossa segurança e a nossa mobilidade (como se diz agora).

     

    Estes actos de evidente judicialização da política e da administração pública teriam uma importância relativa se se tratasse de mera ”iniciativa popular”. Há muito disso por aí, para o melhor e para o pior. Mal é que os tribunais, não contentes com os altos serviços que vêm prestando ao país, se metam em tudo e mais alguma coisa, se considerem competentes para tudo e mais alguma coisa, se tornem instrumento e arma de arremesso para todo o bicho careta.

     

    11.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DAS LACAIS MÁGOAS

     

    A abarrotar de laca, dona Maria do Alto do Pina, perdão, de Belém, mini Presidente do Oco e aderentes, disse de sua justiça sobre a manifestação das forças ditas de segurança.

    Em cândida confissão da verdade verdadeira, pronunciou-se desta forma: “Há que agradecer à CGTP, pela sua capacidade de organização e respeito democrático”. Numa frase, resumiu a natureza das coisas: profissionalismo de alto gabarito, legitimidade, eficiência, etc., o costume.

     

    O elogio à agremiação do Carlos contrastou com as doutas apreciações que a distinta criatura fez das atitudes do governo e da coligação. Neste caso, esganiçou a alta capacidade de diatribe que deve ter cultivado na leitura das epístolas de São Soares aos ignaros. O governo tem uma “atitude de confronto”, “faz mal as coisas”, tem “atitudes provocatórias”, mostra “impreparação” e “relativismo moral”, “trata tudo por igual ao pontapé”, sofre de “falta de jeito”,  os seus membros são “imaturos”, “desprezam as instituições”, desconhecem “a geopolítica das emoções”, “não percebem nada do assunto”, nem “que há limites”, “quebram diversas barreiras” e são a evidente causa dessa “manifestação contra o governo” que consiste em “as mães matarem o filho e suicidar-se a seguir”.

    Tudo isto, segundo a genial declarante, causa imensa “mágoa”, quer dizer, segundo o IRRITADO, deve desorganizar a laca. Pobre senhora!

     

    Por acaso, um dos líderes sindicais da polícia veio à televisão dizer que a culpa de tudo era do governo anterior, não deste. Mas o homem ou estava enganado, ou não fazia parte das hostes da CGTP que a adorável senhora tanto aprecia e louva.

    Não conta.

    Houve elogios ao ministro que, vagamente, perpassaram nas notícias.

    Não conta.

    O que conta, para a generalidade da “informação”, é que, revelando alto civismo, os polícias se portaram “à altura”, não se sabe de quê mas à altura. Por outras palavras, coitados, só deitaram abaixo as barreiras metálicas e só subiram uma dúzia de degraus da escadaria, porque “não quiseram subir mais”. Só usaram potes de fumo negro, só feriram dez colegas –ferimentos ligeiros! – e, coitados, na versão do IRRITADO, só não subiram mais na presunção de que os feridos deixariam de ser ligeiros. Exemplar!

    É claro que os arautos da reacção dizem que havia uma data deles com bebedeiras das antigas, outros mascarados, outros armados da varapaus (bandeiras!).

    Não conta.

     

    O que conta é que os polícias, como os estivadores, os juízes, os militares, os contínuos, os motoristas, os maquinistas, os enfermeiros, os calceteiros, o Presidente da República, a dona Manuela, as corporações, tudo minha gente está, como não podia deixar de ser, “acima”, “fora”, “para além” do âmbito dos efeitos da austeridade. Uns porque, como os polícias, têm “missões especiais”. Outros porque são, eles próprios, “especiais”. Outros porque sim.

    De acordo que é preciso dominar a crise, a dívida, etc., desde que tal lhes não toque na vidinha. Nesta matéria, o IRRITADO está com eles, farto de impostos e sem saber como vai pagar as dívidas que lhe arranjaram. Força camaradas! Alguém há-de pagar. Eu é que não, xiça!

     

    Outro facto altamene positivo que urge assinalar é a bonomia “democrática” como a generalidade da “informação” foi, ao longo das tropelias, comentando a coisa. A justa luta da polícia contra a polícia foi tratada com punhos de renda por meninas e meninos, senhoras e senhores dos jornais e adjacências, bem como pela “simpatia” da dona Assunção. Os comentadores, por seu lado, desdobraram-se em considerações de compreensão e estima.

     

    O que vale é que as ondas, mesmo as mais alterosas, acabam na praia.

     

    7.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ESPELHOS DA NAÇÃO

     

    Antigamente, as Forças Armadas eram o “espelho da Nação”. Não se sabe exactamente o que isso queria dizer. Depois do 25, continuaram a ser o mesmo espelho, ainda que espelhassem o contrário.

    Hoje, continuam a espelhar. Espelham que se fartam.

    Olhem o general que, antes que fosse tarde, sacou a reforma sem descontos e continuou, sem dizer nada a ninguém, a exercer as mais altas funções que a tropa proporciona aos seus profissionais. É um espelho da Nação, ou não é?

    Olhem um tal Cracel (raio de nome), conhecido díscolo militar, que já chega ao ponto de ir fazer queixinhas ao Tribunal Constitucional, como se tivesse competência para tal. É um espelho da Nação, ou não é?

    Olhem o Tribunal Constitucional que, em vez de correr com o Cracel, vai acusar a recepção. É um espelho da Nação, ou não é?

    Olhem os oficiais, os generais, os vintecincos – não, não são só os sorjas ou os taratas – que fazem reuniões conspiratórias, jantares, almoços, conferências, discursos na aula magna, o diabo a quatro. São um espelho da Nação, ou não são?

     

    Há que compreender. Os espelhos da Nação não podem ser privados seja do que for, antes pelo contrário. Sentem-se a espelhar uma Nação arruinada, a esbracejar em ondas que arrasam privilégios, prebendas e excepções. Esta não querem eles espelhar. A crise é boa para os outros.

     

    7.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NADAR EM TERRA

     

    Sempre fiéis à nobre condição de “informadores”, os jornais “de referência” anunciaram que os lisboetas vão passar a tomar banhos de mar junto ao sarcófago de Luís de Camões e os portuenses a remar no passeio da Foz, já que a “Subida do mar põe Jerónimos e Porto histórico em risco” (manchete do DN, a quatro colunas e três linhas bold). O jornal privado chamado “Público” faz a coisa com menos destaque mas paragona equivalente no interior.

    “Património mundial a caminha para o desaparecimento”, é o menos que podem afirmar.

    Depois, lá mais para baixo, os tais paladinos da “informação” esclarecem que os “cientistas” que chegaram a estas conclusões dizem que o tal “desaparecimento” se dará daqui a 2.000 anos, mais coisa menos coisa.

    Não se sabe, nem interessa saber, que raio de dados puseram os “cientistas” no computador para chegar a uma conclusão de tal brilhantismo. Pusessem eles mais ou menos uns cagagésimos de milímetro na subida das águas, e teríamos as suas terríveis consequências para a semana que vem, ou daqui a 30.000 anos.

     

    Vivemos num mundo estranho. Já tivemos a gripe das aves, as vacas loucas, já andámos para aí  a lavar as mãos com desinfectantes, já pagamos milhões por causa do CO2, um nunca acabar de ameaças, de pandemias, de degelos, o planeta a morrer, o diacho. Agora, o melhor será comprar coletes salva vidas e barcos de borracha, não vá os “cientistas” ter-se enganado e a inundação vir aí mais depressa do que dizem.

     

    Ora bolas.

     

    7.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • O DINOSSAURO PORTUGUÊS

     

    Parece que foi descoberto na Pontinha um dente de dinossauro. Não era notícia por aí além, pelo menos até os jornais descobrirem que o bicho é PORTUGUÊS! E, como bom português, é o maior dinossauro do MUNDO!

    Consta até que, há 150.000.000 de anos, este dinossauro já falava a língua de Camões e Eça, já cantava o fado, e até está na linha directa de varonia do Viriato Soromenho Marques e de outros trogloditas da nossa praça.

    Óptimo!

     

    7.3.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ESCLARECIMENTOS

     

    Segundo consta, vai haver larga cópia de polícias contra os polícias que vão, outra vez, manifestar-se. Desta feita, parece que a peocupação do governo será a de garantir que a mesnada não subirá as escadas do Parlamento.

    Felizmente, os promotores da coisa, já vieram esclarecer-nos sobre o assunto, assinalando diversas circunstâncias de relevo.

     

    Assim:

    1. Da outra vez, a subida das escadas foi um “gesto simbólico”, não teve nada a ver com desobediência, arruaça ou ordinarice;
    2. Apesar disso, se tal vier a repetir-se, já se sabe que será obra de “elementos infiltrados que nada têm a ver com os polícias”;
    3. Aliás, “há apelos nas redes sociais de grupos anti-governo para comparecer na manifestação” o que “pode provocar conflitos”;
    4. A mobilização de forças ordenada pelo governo nada tem a ver com seja que riscos for. É coisa “anormal e intimidatória”. O ministro até parece que “está desejoso que alguma coisa aconteça de mal”. Por outro lado, é evidente que “quer meter medo aos manifestantes”;
    5. Um representante da organização veio, aliás, e com toda a razão, informar que “não pode garantir que não haja conflitos”;
    6. Os polícias estão revoltados porque não deviam ser atingidos pelos cortes na função pública, já que têm “mais obrigações que os outros” e têm que ter “um tratamento diferenciado”.

     

    Poderia o IRRITADO tecer judiciosas considerações sobre estes esclarecimentos, generosamente prestados por diversos promotores da manifestação. Mas prefere deixar essa tarefa a quem quiser pensar um bocadinho no assunto.

     

     6.3.14

     

    António Borges de Carvalho