Parece que houve uns pândegos que, em manifestação de grande originalidade, resolveram meter no tribunal uma providência cautelar para travar o fecho da Maternidade Alfredo da Costa.
Até aqui tudo bem. Os portugueses descobriram, com grande alegria, a figura jurídica ideal para infirmar ou impedir tudo o que não obtenha o seu alto apoio.
O que não está nada bem é que haja um tribunal que se considere competente para travar um mero acto de gestão do governo, mais que legítimo, normal e corriqueiro. Que haja quem sofra de acendrados amores pelo velho hospital, paciência, há gente para tudo, até para gostar de torcer pés na horrenda calçada portuguesa que todos os dias ataca a nossa segurança e a nossa mobilidade (como se diz agora).
Estes actos de evidente judicialização da política e da administração pública teriam uma importância relativa se se tratasse de mera ”iniciativa popular”. Há muito disso por aí, para o melhor e para o pior. Mal é que os tribunais, não contentes com os altos serviços que vêm prestando ao país, se metam em tudo e mais alguma coisa, se considerem competentes para tudo e mais alguma coisa, se tornem instrumento e arma de arremesso para todo o bicho careta.
11.3.14
António Borges de Carvalho

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