Sempre fiéis à nobre condição de “informadores”, os jornais “de referência” anunciaram que os lisboetas vão passar a tomar banhos de mar junto ao sarcófago de Luís de Camões e os portuenses a remar no passeio da Foz, já que a “Subida do mar põe Jerónimos e Porto histórico em risco” (manchete do DN, a quatro colunas e três linhas bold). O jornal privado chamado “Público” faz a coisa com menos destaque mas paragona equivalente no interior.
“Património mundial a caminha para o desaparecimento”, é o menos que podem afirmar.
Depois, lá mais para baixo, os tais paladinos da “informação” esclarecem que os “cientistas” que chegaram a estas conclusões dizem que o tal “desaparecimento” se dará daqui a 2.000 anos, mais coisa menos coisa.
Não se sabe, nem interessa saber, que raio de dados puseram os “cientistas” no computador para chegar a uma conclusão de tal brilhantismo. Pusessem eles mais ou menos uns cagagésimos de milímetro na subida das águas, e teríamos as suas terríveis consequências para a semana que vem, ou daqui a 30.000 anos.
Vivemos num mundo estranho. Já tivemos a gripe das aves, as vacas loucas, já andámos para aí a lavar as mãos com desinfectantes, já pagamos milhões por causa do CO2, um nunca acabar de ameaças, de pandemias, de degelos, o planeta a morrer, o diacho. Agora, o melhor será comprar coletes salva vidas e barcos de borracha, não vá os “cientistas” ter-se enganado e a inundação vir aí mais depressa do que dizem.
Ora bolas.
7.3.14
António Borges de Carvalho

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