IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • A QUESTÃO GREGA

    Uma história:

    A Academia das ciências da Índia, desejosa de valorizar o seu património natural, resolveu convidar algumas congéneres para fazer um ensaio sob o Tema “Elefentes”.

    Algumas respostas ao convite:

    Os franceses apresentaram um dossier intitulado “Les éléfants et la bataille d’Indochine”;

    Os ingleses enviaram um estudo subordinado ao tema: “The elephant and the British Empire”;

    Os portugueses debruçaram-se sobre “Os elefantes e o Senhor Dom Manuel I”;

    Os espanhóis não mandaram nada, porque não perceberam a pergunta:

    Os alemães contribuiram com uma obra em 14 volumes intitulada: “Algehmeineelephantenlehre”;

    Os polacos deram à estampa um volume com o título “Os elefantes e a questão polaca”.

    *

    Estamos hoje, mais ridículos que os polacos da anedota, reduzidos à “questão grega”. A questão grega mobiliza as gentes, ou melhor, imobiliza as gentes. A intensa propaganda da esquerda tem base em dois argumentos fundamentais: o primeiro é que a Grécia tem que ser ajudada nos termos que entender, o segundo é não se poder “abandonar o berço da democracia”. Começando por este, direi uma coisa absolutamente incorrecta: não sei se a democracia ateniense pode ser chamada “mãe” da actual. Estou em crer que não. Mas o argumento é equivalente a dizer que Portugal tem que ser ajudado porque o Vasco da Gama foi à Índia ou porque o cante alentejano é património de uma coisa qualquer. Poupem-nos aos argumentos históricos: absurdos e, se falássemos de história não sei onde iria parar a argumentação. O segundo é que quem determina o como, o quanto e o quando da nova ajuda é o Syriza, não quem abre os cordões à bolsa. Porque o Sytiza foi eleito e é essa a vontade da maioria do povo. Não é bem assim. O Syriza e os fascistas que o apoiam não são a Grécia, a Grécia já existia antes deles e, como tal, tinha feito acordos, contraído empréstimos, tomado compromissos, subscrito tratados. Mal ou bem, o Syriza herdou tudo isso, está obrigado por tudo isso. E se nada cumpriu, se nada reformou, se nada pagou e, ainda por cima, se levou com dois resgates, um perdão de mais de cem mil milhões e juros de brincadeira e carências a la manière, com que direito quer agora mais privilégios?

    Diz-nos o cinismo político (sem cinismo não há política) que a moral, a palavra, o compromisso escrito e outras parvoíces não fazem parte da diplomacia. Talvez seja verdade. Mas há limites.

    Parece que hoje, 16 de Fevereiro, o Syriza e os seus amigos fascistas recusaram todas as propostas da União. Estarão a meter a União numa camisa de onze varas? Talvez. 

    Mas o problema não é deitar a Grécia (o Syriza) pela borda fora, que cá nos havíamos de aguentar. É o de passar a Grécia para os carinhosos braços do senhor Putin, coisa que o Syriza prepara cuidadosamente. A União não pode, não deve, sob pena de total descrédito, amochar às estúpidas exigências do Syriza.

    Solução? Parece que o senhor Obama está muito sensível à “questão grega”. Se assim é, ele que se disponibilize, precedendo um acordo qualquer com a União que, salvaguardando o interesse estratégico de todos e alivie a Europa do pesadelo grego, ou syriziano.

    Mais troça, mais pesporrência, mais recursos a sentimentalismo baratos e a soluções que nada solucionam, mais fraldas de fora? Isso é que não!

     

    16.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • ESTUPIDEZ ACADÉMICA , TERRORISMO INTELECTUAL

    O santo padroeiro do Bloco de Esquerda veio informar o povo com esta extraordinária revelação: “Portugal tem pela primeira vez um governo que nos representa, é um governo grego, não é um governo português”.

    Dando de barato a formulação da sentença, digna de um tipo com a 4º classe mal amanhada, atente-se no democraticidade do pensamento da criatura. Não se sente representado pelo governo (mau ou bom) que foi eleito no seu país, mas por um irmão ideológico eleito por estrageiros. Nada mais claro, vanguardista até ao tutano: a legitimidade é função da ideologia, não do voto, não das maiorias políticas. Nada disso. Uma legitimidade cubana, soviética, coreana, venezulana, nazi é que é bom! Pior: as vanguardas, que serão “legítimas” se pensarem como o Louça, não precisam, sequer, de ser “nacionais”. Quaisquer estrangeiros são melhores para “nos representar”, desde que sejam “progresistas”, comunistas, chavistas ou equivalente. Que importa que o comunismo, o “progressismo, o chavismo, tenham provocado miséria por toda a parte em se implantaram? Nada. Que importa que, na Venezuela, já não haja fraldas nem sabontetes? Nada. Desde que haja socialismo, do bom, do revolucionário, tudo o resto é detalhe.

    E, diz-se, este black friar é professor numa universidade!

     

    16.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • NOTAS DE UMA MANHÃ DE SÁBADO

     

    Ele há coisas espantosas. A chamada descentralização, boa ou má ou assim assim, não sei ao certo, foi e é bandeira do Costa, do Rio, do PC, do BE et alia. Uma “fé” mais ou menos generalizada. Mas, atenção! Se for feita pela coligação já não presta. Foi ver as meninas do BE, os novos rapazolas do PC, os velhos jacobinos do PS, tudo aos gritos, que se trata de uma desgraça, que o governo o que quer é alijar responsabilidades, o caneco.

    Em que ficamos? Ficamos em que tudo o que for tirar, ou delegar competências do sacrossanto Estado, é mau, mesmo quando, na véspera, de braço dado com o “excelente” poder local, era o máximo. O que, aliás, está de acordo com o “projecto” de tal gente: quem dominar o Estado, domina tudo, e quem põe esse tudo em causa está a tirar à matilha a “unicidade” de que precisa para as suas tirânicas ambições.

    *

    O PR, afinal, está feito com o PS. Até condecorou um autarca socialista que foi acusado das maiores tropelias pelo Tribunal de Contas. Que descoco!

    *

    O ultra oco Costa chegou à conclusão que a TAP, tal como existe, é “garantia da soberania nacional”. Fantástico, não é? É o que diz a experiência, pelo menos na cabeça do fulano: a Espanha, o Reino Unido, a Alemanha e muitos outros estão em franca crise de soberania desde que privatizaram as companhias de bandeira, não é? Se a estupidez fosse de ouro, tínhamos reservas com fartura…

     

    Bom fim de semana.

     

    14.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • CORTAR O MAL PELA RAIZ?

    Li não sei onde que a “guerra” já não é entre esquerda e direita, mas entre os que “têm” e os que “não têm”. Uma generalização como outra qualquer, portanto errada. Num país como Portugal, os que “não têm” vão sobrevivendo, o que é pouco, os que “têm”, têm pouco – dinheiro a sério é coisa que não há desde os idos de 75 -, isto é, ou não chega para investir a sério ou tem medo do risco. As tiradas proto-marxistas não resultam nem têm a esperteza entre as suas qualidades.

    Dizem as mesmas “fontes” que esquerda e direita se afastam no esquema, conforme se vão afastando do centro. Nada mais errado. O espectro político não é um segmento de recta, é um círculo onde as ideias, a partir do ponto A, se vão afastando e depois se aproximam até se tocar lá no extremo B do diâmetro traçado a partir de A. Por outras palavras: a “narrativa” dos dois extremos que se tocam em B é mais ou menos a mesma: populismo, nacionalismo, não aceitação da realidade, criação do inimigo externo, apelos à “dignidade”, à “consciência nacional”, à recusa de “tutelas”, “apelos à ‘História’ “, etc.. Assim se explica, por exemplo, a aliança grega entre os dois extremismos, a confessa admiração do Syriza por tarados tipo Chávez, aliás objecto dos mais rasgados elogio por parte do sr. Tripas. Assim se explica a admiração dos fascistas gregos pelo nacionalismo agressivo do sr. Putin, bem como a ameaçadora aproximação à Rússia e à China por parte da coligação grega. Imaginar que os sorrisos e os beijinhos do Vakis aos seus colegas europeus encerram alguma sombra de sinceridade é um erro crasso. O homem está ali com o seu sorriso alarve para encantar isabéis moreira (“porra!”), ao mesmo tempo que trabalha para o desmembramento da União e para o fim do euro, ao mesmo tempo que tece loas à invasão da Ucrânia e se opõe às sanções à Rússia, o que quer dizer que sabe que tem respaldo garantido por parte de quem comunga dos seus objectivos. Entre o proto-fascismo imperante na Rússia e o orgulhoso nacionalismo democrático do Syriza (ambos são poderes eleitos), venha o mais sábio descobrir as diferenças.

    O problema é que, se a União ceder demenos, sabe-se o caminho russo-venezuelano que a Grécia tomará. Se a União ceder demais, condenar-se-á a adiar o problema. Já se viu como o Syriza encara os seus compromissos: tomando medidas que não tem dinheiro para pagar, certamente à espera dos euros da União ou dos rublos do vizinho. Tanto faz: parece que a rectaguarda está protegida.

    Será possível acreditar em tal gente? Tudo indica que não. Por isso, bem vistas as coisas, parece que a União deveria considerar a hipótese de cortar o mal pela raiz. Quanto mais tarde, quanto piores serão as consequências.

     

    13.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • MALTA CORRECTA

     

    As cidadãs e os cidadãos abaixo assinados…

    Abro um parêntesis:

    Há uma regra geral na língua portuguesa propriamente dita que postula que uma categoria onde há machos e fêmeas é designada pela forma masculina. Assim, diz-se “os pais”, “os parentes”, “os irmãos”, etc., sem prejuízo de, em cada categoria, haver masculino e feminino. O politicamente correcto – universal desgraça muito comum em Portugal – impõe, analfabetamente, que não se diga, por exemplo, “os portugueses” – abrangendo homens e mulheres – mas sim “os portugueses e as portuguesas”, segundo fórmula que se julga ter, em má hora, sido inventada pelo sr. Balsemão. Numa época em que a “igualdade de género” é um dos mais queridos temas e nobres objectivos da sociedade política, se os cidadãos acima se citassem só no masculino, poderiam entrar na categoria de machistas, falocratas, misóginos, ou outras coisas piores. Manda o politicamente correcto que lhe sacrifiquem a língua.

    A regra geral tem excepções. Por exemplo, diz-se “rebanho de ovelhas”, esquecendo os carneiros, o mesmo se passando com as cabras e outros substantivos colectivos. Julgar-se –ia que o politicamente correcto, em nome dos carneiros e dos bodes, se deveria revoltar contra esta humilhante situação, e comunicar o caso a umas entidades, autoridades, observatórios e outras porcarias que há para aí com copiosa fartura, bem como às associações de agricultores, criadores de gado, ao PC, etc. Mas não se revolta: a indignação é de sentido único.

    É claro que também vicejam para aí as “presidentas”, como a Gelma e a viúva rica, mas, com as bojardas destas artistas ninguém se incomoda.

    Temos que ter paciência, quando a língua é tratada, ou comandada, por “especialistas” tais a dona Edite Estrela e o intragável Malaca Casteleiro.

     

    Fecho o parêntesis.

    A distinta colecção de figurões e figurãs (respeitinho pela igualdade de género!) que começa o seu paleio com a frase que abre este post obedece ao politicamente correcto. Outra coisa não seria de esperar.

    Frustrados do centro e da direita, cérebros do PC e adjacentes, gente tão ridícula como Freitas do Amaral, oportunistas como Sampaio da Nóvoa – o tal que está “disposto a tudo” –, o mentecapto Ferro Rodrigues, o banqueiro Cravinho, a dona Helena, a dona Lídia, o repugnante Pacheco, o sinistro César, o parvalhão Adão, etc., uma colecção de cérebros animada pelo objectivo comum da baralhar o jogo, actividade a que chamam “relançar a economia”, “servir o país” ou outros slogans que soam a falso ou a verdadeiro segundo quem os pronuncia. No caso, a falso, como é evidente. Falso e ignorante.

    Economia? Quantos deles, se é que algum, já produziu alguma coisa para além de bocas e “ensinamentos”? Quantos já venderam ou compraram alguma coisa? Quantos sabem o que é um armazém, um stoque, uma guia de remessa, uma letra de câmbio, um aperto de tesouraria, um gerente bancário que é parvo, uma menina que tem quatro menstruações por mês, uma comissão de trabalhadores do PC, uma feira industrial, enfim, quantos deles têm um mínimo de noção ou de experiência na pequena economia, na que dizem ser o motor do desenvolvimento? Nenhum. Zero. Népias. Nicles.

    Mas todos são capazes de perorar sobre as razões da estagnação, das dificuldades, dos constrangimentos, e de entrar na ladaínha ad nauseam repetida por populistas de meia tijela que cavalgam os problemas das pessoas, que os aumentam, os exploram, à procura de audiência e pelouro. Tudo, é claro, desde que seja contra o governo, um governo que não lhes dá poleiro, nem a eles nem a banqueiros ou seja a quem for. O resto é conversa.

    Agora, descobriram que a melhor maneira de negociar com o Fakis e o Tripas é fazer o que eles querem. A ignorância, desta vez diplomática, financeira e económica, é de cabo de esquadra. Segundo eles, o governo português devia entripalhar-se todo, desatar aos gritos, ser mais papista que o Papa, deitar para o caixote os sacrifícios que temos feito, os – poucos mas bons – resultados que temos obtido, arranjar maneira de aumentar os juros, de fomentar a desconfiança dos mercados, enfim, tudo o que necessário seja para nos fazer regressar o mais depressa possível aos doces braços da troica.

    Mas têm audiência nos media, reportagens, entrevistas, o diabo a quatro. Objectivo atingido. Politicamente correcto.

     

    12.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • GRANDES GREGOS!

    “Não é com vinagre que se apanha moscas”, velho dito cá do sítio. Não sei se terá correspondente em grego. O que sei é que, mesmo que haja, o Tripas e o Vrofakis não estão a par da sabedoria popular.

    É evidente o ataque de nacionalismo de que vão sofrendo, a fazer inveja ao velho Mussolini. A Pátria não se deixará pisar! O orgulho grego não admite tutelas! O nosso glorioso passado, como o nosso digníssimo presente, têm que ser respeitados, etc.). Exactamente a mesma retórica do partido-sócio, da dona Marine, do tipo do UKIP, do castelhano do rabo de cavalo e de tantos outros que por aí andam, a alma em estremeções, a vender populismo nacionalista aos incautos e a fabricar o inimigo externo, como é apanágio de todas as ditaduras, mesmo das “internacionalistas”.

    É evidente que esta retórica não cola num continente que ainda se lembra do nacionalismo e das suas dramáticas consequências.

    Há mais, nesta triste história. A começar, a visita aos mártires do nazismo. Logo a seguir, o “não cumprimos” do aumento do salário mínimo e da readmissão de mulheres da limpeza, obviamente desnecessárias, e de mais uma data de funcionários da mesma natureza. Tudo desafios, tão provocatórios quanto estúpidos. A culminar, o Tripas vai apresentar os seus respeitosos cumprimentos ao embaixador do camarada Putin, um rapaz simpático. Nesta senda de política externa, o homem veio, dias depois, a fazer, em Bruxelas, uma “declaração de voto” pró Russia.

    Vai daí, o Fakis faz uma operação de charme em trajos menores, fralda de fora e casaco SS. O Tripas faz o mesmo, mas só sem gravata. Conseguem umas manifestações de “compreensão” meramente diplomáticas e um balde de água fria do entrevadinho, que não é de modas e tem o eleitorado à perna. Com o Draghi, um balde não chegou, foi um duche gelado.

    Passados estes inteligentes movimentos, pensar-se-ia que a coisa amainava, isto é, que os tipos acabassem por perceber o adágio do vinagre e das moscas, e tentassem alguma coisa com um mínimo de lógica. Mas a inteligência não parece abundar lá no síio. Perante o mundo, Tripas declara que não recuará um milímetro. Num discurso desafiador, declara que os países (a Grécia) devem poder tomar “as suas próprias decisões” sem contar com os demais. Ainda não deu por que a Grécia é membro da União há quarenta anos e que, na União, é preciso contar com os outros. No meio da loucura, afirma que vai reabrir a TV e que haverá energia e refeições grátis para todos. Os tratados a que deve obediência servem para “humilhar os países”. “Se não mudarmos a Europa, a extrema direita irá fazê-lo”, decreta o demagogo, sem cuidar que, se alguém anda a fazer o trabalhinho da extrema direita, esse alguém é o próprio. Mas, louve-se a coerência e o medinho que já deve sentir, ele, que tinha recusado liminarmente a hipótese de um “acordo transitório”, anuncia que vai propor um “acordo de transição”. Estão a ver a diferença?

    Enfim, muitas mais foram as patadas na poça. Mas fiquemos por aqui. Como o Fakis, diz-se, vai avançar hoje em Bruxelas com propostas “construtivas”, esperemos que algum bom senso entre na mioleira daquela gente.

     

    10.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • FILOSOFIA SOARISTA

     

    Como é sabido, o IRRITADO não costuma debruçar-se sobre as bojardas, as calinadas, os dislates, as frustrações, as parlapatices e os insultos idiotas e gratuitos escritos pelo repugnante Mário Soares. Hoje, porém, está arrependido: é que, tendo-o excepcionalmente feito , deu com, pelo menos, três basilares asserções que fariam inveja ao Almirante Américo Tomás e que merecem antologia. Chapeau!

    A saber:

    1. A Grécia voltou a ser, após tentos séculos,… um motivo de debate na União Europeia.

    Sensacional descoberta histórica: no tempo de Sócrates (o autêntico) já havia União Europeia, onde a Grécia era muito debatida…

    1. (O Brasil vive) hoje uma situação difícil por causa da seca que o está a afligir em virtude da falta de água.

    Outra descoberta, desta vez digna do Nobel: há secas que não têm nada a ver com falta de água…

    1. (O Brasil, por causa da seca, tem) uma situação muito grave. Todos os Estados da lusofonia o devem apoiar.

    Meus amigos, juntem-se aos angolanos, moçambicanos e outros, e vá de agarrar em dois baldes de dez litros de água da companhia e ir a correr até São Paulo. A solidariedade lusófila do autor é esmagadora…

     

    10.2.15

     

    IRRITADO

  • GALINHEIRO EM GUERRA

    Dona Ana Gomes “tresouviu” umas escutas e arranjou maneira de reinsultar o Portas. Os instintos pidescos desta diplomata, revelados em variadas ocasiões, são a evidente explicação para o camarada Seguro a ter posto a bom recato em Estrasburgo. Confundindo alhos com bogalhos, segundo os seus policiais interesses, tratou de lançar mais uma daquelas campanhas em que é especialista, a fazer inveja ao major Silva Pais e ao Dr. Barbieri Cardoso, a cuja organização certamente pertenceria se tivesse nascido uns anos mais cedo.

    Dona Isabel Moreira, mui ilustre defensora e propagandista dos deficientes sexuais, foi aos arames e chamou à sua camarada todos os nomes que ela merecia. Manipulação de provas! Vícios persecutórios! Desonestidade!

    Louve-se a coragem desta senhora, aliás tão espernéfica e convencida como a outra. Mas, desta vez, com carradas de razão.

     

    10.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • EM QUE FICAMOS?

    A propaganda que, veiculada pela gente do costume, por aí viceja sobre o SNS, leva-nos a crer que os serviços públicos estão, sem excepção, em rotura, que os “ataques” do “neoliberalismo” levam direitinho à destruição do sacrossanto serviço, que cada defunto é defunto porque o governo cortou no investimento, que a desgraça que sobre nós se abate é de dimensões colossais, que o ministro da saúde afinal não presta, não passa de um “economicista”, um “financista” sem alma, que se aproxima uma hecatombe tal que nem a peste negra a suplantaria.

    Vejamos os monumentais ataques desferidos contra o SNS e, claro, todos nós.

    Falando de dinheiro, o ano de maior despesa foi 2012 (as dívidas da herança socialista!), depois, mais estabilizada a buracaria da mesma origem, tanto as previsões como a execução orçamental têm vindo a subir e, segundo aprevisão do governo, subirão mais em 2015. O equilíbrio está quase restabelecido, isto é, diminuem as dívidas, não as verbas a utilizar na prestação de cuidados.

    Mais uns dados. Nos cuidados continuados, o número de camas, em 2013, era de 21.515, em 2014 foi de 21.613. Os doentes admitidos somaram 23.208 em 2013 e passaram a 25.009 em 2014. As altas, em 2013, foram 21.318 e, em 2014, 24.734. As intervenções cirúrgicas em ambulatório, em 2013, foram 55,8% do total e, em 2014, 57.9%. O número de médicos subiu de 7.400 para 7.594. O de enfermeiros desceu de 8.837 para 8.820. O de técnicos superiores de saúde subiu de de 662 para 669. O de técnicos de diagnóstico e terapêutica passou de 1.912 para 1.937. Se falarmos do médicos de família – ainda insuficientes – o progresso é de muitos milhares.

    Afinal, onde está o desinvestimento? Onde a desumanidade? Onde o “economicismo”? Que fundamentos tem a gritaria? E, se houver algures dados negativos, onde irá a demagogia buscá-los? Não se sabe, mas irá com certeza. De certeza também que, na ausência de provas, provas se inventarão. Na ausência de problemas gerais, generalizar-se-ão os pontuais. Esta, sim, uma verdadeira epidemia. Uma epidemia política, não sanitária. Sem sanidade nenhuma.

     

    9.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • ALGUNS CONTOS INFANTIS E OS SEUS FANS CHEIOS DE SARRO

    – Quem quer casar com a Carochinha, que se acha formosa e bonitinha?

    Catarina Martins

    *

    – Os três porquinhos

    R. Tavares, A. Drago, A. Gomes

    *

    – O Rei cruel

    Pinto de Sousa

    *

    – Espelho meu

    J.A. Dias

    *

    – O príncipe grego (porra!)

    Isabel Moreira

    *

    – O bisavô mau

    M. Soares

    *

    – Daqui a mil anos

    Jerónimo S.

    *

    – O Coxo

    A.Costa

    *

    – A fada má

    M.F. Leite

    *

    – O gato das botas

    J.Coelho

    *

    – O mago traidor

    J.P. Pereira.

     

     

    E ainda há quem diga que Passos Coelho não tem razão!

     

    8.2.15

    IRRITADO

  • REMÉDIOS E BOCAS

    Ontem, o governo anunciou que tinha chegado a acordo com a indústria e que estava ultrapassada a questão do milagroso medicamento que cura a hepatite C.
    Parecia que a barulheira, a exploração ad nauseam de uma defunta e de um doente histérico, as horas e horas de telejornais, etc., tinham acabado. Pura ilusão. Já o mediático doente tinha mostrado que já tinha na mão (de borla) as almejadas pastilhas, ainda o estafermo do lacinho, do “Expresso”, anunciava aos pacóvios a chegada da “alegada” solução. Faz lembrar a história do leão do Jardim Zoológico que, no tempo da II República, tendo atacado um passante que, em seguida, o matou, como o tal passante era do reviralho, foi noticiada assim: “Um pobre leão barbaramente assassinado por um comunista sem escrúpulos”. O gajo do lacinho está ao mesmo nível. Só que a história do leão é anedota, a dele não. Enfim, uma noite inteira disto e de pior.

    Havia um tipo que, no tempo dos socialistas, tinha um certo prestígio. Um tal Correia de Campos, ministro da saúde. Posto a bom recato na oposição, o homem desatou a escrever no “Público” (where else?) as mais absurdas diatribes, baralhando dados, engendrando teorias, assumindo-se como aquilo que, se calhar, é: um politiqueiro de meia tijela. Pois esta criatura, de sociedade com o do lacinho, depois de lhe ter sido contado, tim tim por tim tim, o que se tinha passado, não só se permitiu, sem ponta de conhecimento de causa, desmentir o dito, como entrou na conversa do costume, ainda que com uns inglesismos à mistura. E, para dar uma de conhecedor, engendrou um novo e estupendo argumento: “a morte está fora do algoritmo do governo”. Esclarecedor, não é? Depois, chamou “polichinelo” ao opositor, e desatou a dizer burrices que até umas ilustres desconhecidas que peroravam no mesmo local e que eram, declaradamente, críticas do governo, levaram, por a+b, às cordas.

    Para quem vê notícias à noite, foram horas e horas de repetições e mais repetições. Coisa enfadonha, a fazer pensar que os espectadores estavam a ser induzidos a odiar os queixosos, fartos de os ver e ouvir. Há coisas que, quando exploradas até à abjeção, têm efeitos perversos.

     

    Enfim, convenhamos que serviu para nos poupar às aventuras do Tripas.
    A propósito deste artista, duas frases de ontem, para aliviar a pressão.

    – De um senhor espanhol cujo nome esqueci:
    Não há nada de bom a esperar dele (Tsipras), senão que baixe as calças.

    – De Vasco P. Valente:
    (A sra. Merkel) avisou que não receberia Tsipras (para não aturar a mistura de chantagens e choradeiras com que ele anda para aí a maçar o mundo) e mandou o ministro das finanças comunicar ao jovem que, para ele, não estava.

    Bom fim de semana.

    7.2.15

    António Borges de Carvalho

  • O OVO NO RABIOSQUE

    O Renzi, jovem PM da Itália, de esquerda, deu uma gravata ao Tripas. Teve graça. Mas o mais engraçado, ou sem graça nenhuma, é que ninguém deu por que se tratava de um chàzinho muito bem dado ou, se se quiser, de uma estalada no focinho. O Tripas engoliu, mas insistiu na carroceirice: recebido com guarda de honra, enquanto o Renzi se perfilava diante dela, o selvagem ria a bandeiras despregadas. Testemunha: uma fotografia que, vejam lá, só veio num jornal: os outros devem ter achado que não era favorável ao desengravatado figurante.

    Finalmente, as coisas começam a estar no sítio. As primeiras decisões da rapaziada custam, segundo se diz, uns meros 12 mil milhões. Uma bela e sensata entrada nas negociações, não é? Como aperitivo, nada mal. Assim como o Pinto de Sousa, desempregado e teso, a comprar carros de 100.000. Mas o Pinto de Sousa tinha um “amigo” que lhe cobria os desvarios. O Tripas não tem.

    Depois, o fim da austeridade, ou do rigor, como se diz agora. Qual fim qual carapuça. Nem pensar, diz a Ângela com toda a razão. Depois de umas avançadas em Paris e Londres (viram o Tripas sem gravata no Eliseu e o Frofofakis, vestido para a caça às perdizes num dia de Inverno, em Downing Street?), em Berlim foi o caneco. E, em Frankfurt, mais ou menos o mesmo.

    As ilusões macacas daquela gente, do tipo das paridas pela intelectualidade do Bloco de Esquerda, estão a entrar em colapso, como era evidente para quaisquer dois dedos de testa. Tirando o Fischer dos verdes, ninguém na Alemanha está pelos ajustes. Pudera! Diz o Forofikis que o dinheiro não foi para o povo mas para os bancos (90%!). O homem deve achar que, se os 325 mil milhões tivessem sido distribuídos pela malta, dava 29 euros por cabeça. Porreiro pá. Era uma pipa de massa “social”.

    Muito a sério, já toda a gente percebeu que nada vai poder ser como os gregos queriam, ou tinham a triste ilusão de querer. Quando se propõe pagar a dívida à medida do crescimento económico, mas não se tem, na Grécia como em toda a UE, crescimento económico nenhum, está a contar-se com o ovo no rabiosque da galinha, no caso no da Ângela e de mais uma data de gente. É um continente inteiro, uma União inteira, que, de alto a baixo, deixou de ter economia que permita voos financeiros e consumos crescentes. Resta o “rigor” e uns restos de esperança, não passando esta de wishful thinking.

    O IRRITADO é pessimista? Pois é. Basta olhar para a massa anda por cá nos bancos sem que ninguém a queira. Projectos? Que projectos? Investimento estrangeiro? Que investimento estrangeiro? Pois é. Resta o “rigor”.

     

    6.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • MAMARRACHISMO (à atenção de Carlos Carreiras)

    Há uma data de anos, ao pé da estação de Cascais, brilha um mamarracho inacabado. Como é de timbre, a municipal burocracia licenciou, deslicenciou, tornou a licenciar, mais andar menos andar, mais papel menos papel, mais técnico menos técnico, mais regulamento menos regulamento, mais vereador menos vereador, enfim, um daqueles processos só imagináveis por loucos, mas que tão comuns são na nossa terra. Finalmente, para ajudar a distinta Câmara, parece que o construtor, ou o promotor, ou alguém, foi à falência. Orgulhoso, o mamarracho foi resistindo. Quatro anos depois – só quatro anos! – a autarquia resolveu demolir a coisa e encarregar o povoléu de dizer o que quer que lá se ponha. É a “democracia” directa, muito útil para desacreditar a outra. Nos jornais, pululam já os mais rasgados elogios à corajosa atitude da autarquia.

    O IRRITADO está de acordo. Seja demolido o monstro. Não se sabe se, depois de pronto, seria tão monstro como isso. Dê-se esta asserção de barato. Muito bem, venha o camartelo, que já não é sem tempo.

    Nesta matéria, talvez fosse de pedir alguma coerência ao simpático município. Para tal, conviria dar o mesmo destimo, por exemplo, às novas instalações da Polícia, mamarracho bem pior que o tal do largo da estação: uma caixa de fósforos colossal, colocada a 30 centímetros da faixa de rodagem, forrada de azulejos que nem o urinol da mais porca tasca aceitaria, completamente desinserida da paisagem urbana que a rodeia, uma miséria. Ainda por cima, leu-se não sei onde que as autoridades locais vão adquirir um palácio, salvo erro em Carcavelos, para alojamento da PSP. Então, e o mamarracho? O povo gosta? O povo não é chamado a pronunciar-se? A Câmara não faz nada?

    Já agora, e o musseque (nome gentilmente dado pelo tal povo ao crime urbano que são os caixotes negros atravancados no nobre sítio onde um dia esteve o Estoril Sol)? Não merecem demolição? Merecem pois. Só que… só que, nada, estão ali para ficar, com grande e municipal orgulho. Nem há moralidade nem comem todos.

     

    3.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • TEMPO DE RECUAR

    Nos ominosos tempos da ditadura, dita fascista, era o IRRITADO, obrigatoriamente, membro de um sindicato qualquer da “corporação da indústria”. Descontava 1% do seu salário para a organização. No dia 26 de Abril de 1974, todo contente, mandou o sindicato pentear macacos, e nunca mais se meteu ou deixou que o metessem em tal tipo de agremiação. O PC ainda tentou, à força como na anterior ditadura, restaurar o sindicalismo obrigatório. Acabou por não conseguir, mas manteve até hoje basta influência naquelas coisas, arrogando-se até o direito de, através delas, “representar” quem trabalha, ou acha que trabalha. Coisa, aliás, aceite como tal pelo poder político e pela opinião generalizada que o socialismo criou.

    Vem isto a propósito de um dos projectos da nova organização que agrupa umas dúzias de grupelhos que, mui democraticamente, acham que é “tempo de avançar”. Para onde? Dizem eles, por exemplo, que há que “reforçar a centralidade da negociação colectiva”, isto é, tirar a cada um o direito de se expressar por si, de contratar o que acha que lhe convém e de usar mecanismos do Estado de Direito se vir ofendidos seus interesses. Para esta gente, a liberdade individual e a “preocupação com as pessoas” leva a “centralizar” os seus interesses e em dar o privilégio da representação de cada um a organizações que cada um não representam.

    Mas há mais. Os cerca de cinquenta movimentos, associações, partidos, filarmónicas, etc., ansiosos por avançar (só líderes são três por cada cinco filiados), querem estabelecer um “rendimento básico” para toda a malta e acabar de uma vez por todas com o “carácter assistencialista” dos subsídios actualmente em vigor. É de saudar esta tão inteligente medida: acabar com excepções descriminatórias. Existes, logo recebes. Um aumento do rendimentos para todos nós! Ficamos também a saber que os tostões que o Estado dá passarão a muito melhores porque deixarão de ser “assistencialistas”, isto é, um euro não assistencialista vale mais que um euro assistencialista! Uma descoberta digna de manuais para a educação de adultos mais ou menos analfabetos. Contra os subsídios assistencialistas, avançar, avançar! É tempo!

    Nesta senda, nada melhor do que “valorizar o salário mínimo”, isto é, aumentá-lo, presume-se que para mais ou menos igual ao do Luxemburgo. De onde vem a massa? É de presumir que da mesma inesgotável fonte de onde brota o “rendimento básico”, seja ela qual for.

    A decorar o ramalhete vem o “condicionamento das instituições de crédito”, obrigando-as a juros de excepção para as pequenas e médias empresas. Por outras palavras, juros determinados pelo Estado. Desiluda-se, meu caro, se esta malta mandar, você nunca mais poderá discutir os juros com os bancos. A coisa fica planificada. Igualitariamente!

    É bom não esquecer que, quando o “Avançar” avançar, as privatizações serão ”travadas” e as empresas já privatizadas serão objecto de “recuperação para a esfera pública”, isto é, nacionalizadas. Pois então! A árvore das patacas vai chegar para tudo? Talvez não. Deve tratar-se, como é natural e lógico, de nacionalizações segundo o sistema do MFA, caso em que serão de borla. É tempo! Tempo velho, mas tempo.

    Ah! É verdade, há que “desencadear a renegociação da dívida”. Vá lá, que desta não dizem “não pagamos”, o que é, pelo menos, uma inqualificável cedência burguesa. Há que chamar a atenção da rapaziada para estes lapsos.

    E também “avançam” numa receita tipo CDS! Como, evidentemente, não precisam de dinheiro, vai de baixar o IVA, desta vez com o carinhoso nome de “realocação e distribuição das taxas”. Claríssimo,não é?

    Ia passando em claro a magna questão das “remunerações exorbitantes”, que serão objecto de “contenção”, e cuja exorbitância será, é de julgar, objecto de determinação colectiva dos juízes do “Avançar”. Presume-se que se refiram a alguma intervenção na esfera privada, já que, na pública, remunerações exorbitantes… não há. Mas, na opinião dos convencidos convencionados, a esfera privada é coisa para acabar, devendo ser esta a explicação para os objectivos formulados.

    Garantir a “universalidade no acesso às funções sociais do Estado”. Esta, à primeira vista, parece contraditória. Ricos, remediados e pobres, todos com as mesmas condições de acesso. Mas não é. A verdade é que, se os altos ideais destes paraquedistas vingassem, todos seríamos igualmente pobres, o que conferiria impecável justiça ao tal acesso.

    Como diria o poeta, “acabava, quando uma núvem que os ares escurece / sobre nossas cabeças aparece”, ora corporizada por esse alto objectivo, que irmana os circunstantes na sessão com o impagável Rio e o parlapatão Costa: a “regionalização”. Uma bela rosa a colorir o bouquet.

     

    Para já, é tudo. Há os que comem disto. Poucos, mas maus.

     

    2.2.15

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS, O IRRITADO desafia os ilustres economistas da nossa praça a quantificar os custos da operação do “É tempo de avançar”, bem como a dar-nos algumas pistas sobre a natureza de qualquer eventual árvore das patacas.

  • VAE VICTIS

    É sabido e incontroverso que o Costa tem andado por aí a meter os pés pelas mãos a propósito de tudo e mais alguma coisa. Quanto ao Syriza, o homem anda de cabeça perdida. Desta feita, descobriu que o PS não tem nada a ver com o PASOK. Nas suas palavras, “o PS não é nem será como o PASOK”. Assim, clarinho para militante perceber.

    Convém lembrar o que o PASOK foi para o PS, a estrénua amizade entre Soares e Papandreu pai, as andanças ultra fraternas na Internacional socialista, os parceiros de eleição, como o Craxi, trafulha maçon mais tarde fugido no norte de África para evitar extradição, a profunda comunidade ideológica e política com o Papandreu filho, os rasgados elogios à sua última vitória eleitoral, as loas ao Venizellos. Se havia partidos verdadeiramente irmãos, eram eles o PASOK e o PS.

    Agora que o Papandreu filho levou uma tunda de morte nas eleições, meus senhores, há que tirar o cavalinho da chuva. O Syriza é que é bom!

    Afinal, que fez de mal o Papandreu para ir à vida? A resposta é simples: fez o mesmo que o PS em Portugal: um Estado social tresloucado, uma sociedade mergulhada em subsídios, reformas e prestações malucas, um programa de obras públicas tão absurdo como insustentável, a criação tresloucada de hábitos de consumo e de endividamento pessoal e institucional, um desprezo profundo pela produção de bens transaccionáveis, uma lógica económica sem saída, uma corrupção generalizada… tudo, tim tim por tim tim, igualzinho à obra política dos senhores Soares, Guterres e Pinto de Sousa, antes e agora figuras de proa e referências máximas do PS.

    Costa nega tudo, passa generosa esponja sobre a obra do seu miserável partido. Não, não somos nem seremos como o PASOK, que ideia, que fantasia, quase um insulto pensar o contrário! À boa maneira soviética, Costa, em vez de pedir perdão ou respeitar a verdade, rasga as fotografias de família, dá o dito por não dito, manipula a história. Como o sócio do Benfica que rasga o cartão quando o clube perde.

    Porquê? Por duas razões. Primeiro, porque o PASOK caíu, e quem cai não presta: uma demonstração evidente da qualidade moral que enche a alma do Costa. Segundo, porque, sendo gritante que não tem, na manga ou fora dela, qualquer sombra de solução, de caminho, de ideia salvífica a propor, acha que o melhor é pendurar-se em quem ganhou, mesmo sabendo de ciência certa que quem ganhou não vai trazer nada senão mais suor e mais lágrimas, se não trouxer também mais sangue. Costa sabe disto. Mas também sabe que, para além das mirabolantes propostas e promessas do Tripas, pouco ou nada lhe resta para dizer ou prometer.

    O Syriza ganhou. Tem com ele cerca de 20% dos gregos, destes sendo a maior parte meros protestantes.O PS tem hipóteses de ganhar cá no sítio. Por isso que a mais patrótica, socialmente aceitável, talvez positiva e, sobretudo, moralmente decente das atitudes será fazer o possível para que tal desgraça nos não caia em cima.

     

    1.2.15

     

    António Borges de Carvalho

  • NA MOUCHE

     

    Ontem e hoje, a euforia dos media vai todinha para o Podemos.

    Das opiniões que a TV colheu, para além das habituais frases, mais ou menos sentidas mas inconsequentes, de protesto de rua, respiguemos este diálogo:

    TV: Que acha disto?

    Cidadão: Que não falem à Troica, na me preocupa muito. Mas gostava que eles tivessem alguma alternativa.

    Sem comentários.

     

    1.2.15

     

    IRRITADO

  • DA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

    Docemente reunidos na chamada Comissão do BES, os pais da Pátria receberam uma missiva do Dr. Ricardo Salgado.

    A que se destinava a coisa? Basicamente a assacar responsabilidades da derrocada da sua organização nada menos que ao Presidente da República, ao Primeiro-ministro, ao Vice-primeiro-ministro e não sei mais a quem. Os ditos, no douto parecer do remetente, estariam metidos na marosca… porque o tinham recebido por duas vezes!

    Não é de espantar que o Dr. Salgado tenha tomado esta iniciativa, uma vez que culpar terceiros parece ser a sua mais querida, profunda e informada especialidade.

    De espantar é que os ilustres deputados, pelo menos os da esquerda parlamentar, tenham desatado numa gritaria descomunal, que querem ver lá o PM, o VPM e até, imagine-se, querem que o PR, por eles interrogado (?), lhes responda por escrito.

    Toda a gente sabe que o PR e o governo recusaram adiantar uns milhares de milhões para ajudar o grupo Espírito Santo a tapar a buracaria em que se meteu.

    Mas os tais partidos não são de modas.

    Se o Estado tivesse aberto os cordões à bolsa, aqui d’el Rei que estava a gastar – à moda do PS – o nosso dinheiro para ajudar banqueiros mamões e exploradores do povo. Como o Estado não se meteu na tramóia, aqui d’el Rei que é preciso apurar as responsabilidades daqueles senhores do governo e de Belém.

    A oposição à portuguesa é, como se sabe, do estilo grego. Mas, que diabo, um bocadinho de vergonha não faria mal nenhum, nem ao Dr. Salgado nem aos partidos da esquerda.

     

    30.1.15

     

    António Borges de Carvalho

  • DESORDENS

     

    Ontem teve o IRRITADO a desgraça de ouvir a desagradabilíssima criatura que a ilustre classe dos advogados elegeu bastonária da sua ordem. A mulher é uma espécie da passionária (para rimar com bastonária), que vomita as mais inacreditáveis aleivosias contra a ministra da Justiça. Não chegou o triste espectador, sequer, a perceber as razões, porventura ponderosas, que levavam tão horrível harpia a desbocar-se daquela maneira. A saraivada era de tal ordem que a fulana se deve ter esquecido daquilo que, de substancial, a levava a estar tão raivosa, ainda que, como de costume, lhe tivessem dado tempo de antena de sobra.

    A locutora da organização televisiva veio em socorro do res+eitável público, esclarecendo que tão rebuscada indignação se devia ao facto de a ministra ter admitido, num papel qualquer, a presença de não advogados nas respectivas firmas. Se é isso, porquê tal e tão grande fúria? Será que as firmas de saúde só podem ter médicos no capital? E as de engenharia só engenheiros? Parece que, no parecer da distinta criatura, o Salvador Caetano – coitado, já lá vai – se quisesse fazer, ou mandar fazer, carroçarias, tinha, pelo menos, que ser especialista em construções metálicas devidamente homologado pela Ordem dos engenheiros. Há raciocínios cuja lógica, por demasiado inteligente, escapa ao pobre bestunto do IRRITADO. Distinta sucessora e seguidora do inacreditável produtor de bojardas que quer ser presidente da República, Màrinho de seu nome, esta autóctone consegue ultrapassá-lo em palavreado verrinoso, o que não é fácil.

    Noutra zona do mais activo profissionalismo, temos um tal Silva, também bastonário, desta vez dos médicos. O homem tem uma noção muito especial das suas funções. Confunde ordem com sindicato, faz greves, e dedica-se à boca política em vez de tratar de assuntos deontológicos ou profissionais onde, se tivesse alguma noção do que lhe compete, não lhe faltaria que fazer.

    Enfim, parece que as ordens, nesta terra, são mais desordens que outra coisa.

     

    30.1.15

     

    António Borges de Carvalho

  • SAUDADES DA UNIÃO SOVIÉTICA

    Nos idos da perestroika – andava o tovarich Gorbacthev a braços com o evidente colapso da economia planificada – o IRRITADO passou uma semana em Moscovo.

    Pasmado, assistiu à abertura do primeiro MacDonalds da URSS. Numa enorme praça apinhava-se uma monumental bicha de gente, em espiral – uns trinta de largura -, esperando pacientemente a enorme felicidade de comer um gorduroso hamburger. Um espectáculo verdadeiramente espantoso para um ocidental a quem, apesar de viver num país cheio de problemas, jamais seria dado pensar na simples possibilidade de estar dez horas ou mais (houve quem fizesse as contas) à espera de tal coisa.

    Mas não era tudo. Por exemplo, lá no hotel onde, miseravelmente, o IRRITADO comia – quase não havia restaurantes – o camarada de serviço, a quem tratávamos por Jerónimo, além de servir à mesa, trabalhava em câmbios. Quem quisesse rublos metia uma nota de dez dólares dentro do guardanapo, chamava o Jerónimo, dizia-lhe que queria outro e, minutos depois, ele trazia um guardanapo lavadinho, dentro do qual vinha uma quantidade enorme dos ditos rublos.

    Os taxistas que, sem excepção, vendiam caviar a 5 dólares a lata, levavam, por tabela, cinco rublos por uma corrida. Outros pediam cinco dólares, o que sugnificava que a tal corrida tanto podia custar 5 dólares como 5 cêntimos, ou menos.

    O IRERITADO quis ir ao Bolchoi. Não havia bilhetes. Com uma nota de cinco dólares (seria a tabela geral?) instalou-se confortavelmente num camarote onde, sózinho, assistiu ao Evgueni. Porreiro pá.

    No dia em que vínhamos embora, um amigo, de idade avançada, foi objecto de uma paradigmática cena. Depois de fazer as malas, chamou a mulherzinha das limpezas e deu lhe o molho de rublos que ainda tinha no bolso e que já não lhe serviam para nada. A funcionária, agradecida, fechou a porta do quarto e começou, sorridente, a despir-se.

    Para telefonar para casa impunha-se ir à recepção do hotel e marcar uma chamada. A menina dizia que amanhã, pelas 19 horas, a tal chamada iria directamente parar ao quarto do requerente. No dia seguinte, à hora aprazada, o citado estava, ansioso, metido no quarto. Às 20, desesperado, voltava à recepção, a fim de protestar. Ao que a menina de serviço respondia que a chamada tinha sido pedida pela sua colega da véspra, pelo que não sabia de nada. Nos dias seguintes, a mesma coisa: a menina marcava a chamada para uma hora em que já lá não estivesse, ou coisa assim. Ao quinto dia, através de um “amigo”, presume-se que do KGB, o IRRITADO lá conseguiu falar com a família. Foi então informado sobre a situação das meninas da recepção: cada uma trabalhava 24 horas seguidas, uma vez por semana. Estavam todas “empregadas”, 7 para um posto, ou dois, ou três, de trabalho. Nenhuma era responsável pelo que, na véspera, a colega tinha feito. Normal. Era o pleno emprego versão soviética.

    *

    A que propósito, perguntar-se-á, vem o IRRITADO, em 2015, chatear as pessoas com estas memórias?

    Explicação: é por causa do Syrisa.

    O camarada Vrofokakis, ou lá o que é, resolveu readmitir todos os funcionários públicos que tinham sido dispensados. Óptimo para os funcionários, quer fossem precisos quer não. Pleno emprego! Depois, ou antes, o mesmo Croposapoulos, ou lá o que é, decidiu readmitir 600 tarefeiras da limpeza que tinham sido corridas do ministério. Porreiro pá, pelo menos para as senhoras em causa. Ao mesmo tempo, despedia um número indeterminado de técnicos. Porreiro pá, para a propaganda do Syrisa, nada porreiro pá para os técnicos.

    Estas corajosas medidas merecem algum esforço de “análise”. Se as mulheres da limpeza são necessárias, imagine-se o estado de imundície em que o ministério se encontrava, há meses sem ter quem o limpasse. Mas, e se o ministério não estava porco? Então para que se readmite as mulheres da limpeza? Pleno emprego, meus amigos, quer dizer, emprego soviético. E os técnicos? Ou eram precisos e foram mal corridos, como as mulheres da limpeza na hipótese um, ou não eram precisos e não se compreende: se as mulheres da limpeza, na hipótese dois, foram readmitidas sem ser precisas, porque raio hão-de os técnicos não precisos ser corridos? Há pleno emprego soviético para umas e não há pleno emprego soviético para outros?

    A explicação é simples. As senhoras da limpeza são trabalhadoras e, em princípio, de esquerda; os técnicos são burgueses e, se calhar, são do centro (da direita não, que é sócia).

    Não é só o pelo emprego soviético, é também justiça do mesmo nome. A Martins, o Tavares, o Pacheco, a Draga, o Jerónimo e o Costa aplaudem freneticamente.

     

    30.1.15

     

    António Borges de Carvalho

  • DA MULTIPLCAÇÃO DOS MINISTROS E DOUTRAS MINUDÊNCIAS

     

    O camarada Tripas anunciou um governo de 10 ministros.

    Quando, com enorme estardalhaço, o reuniu pela primeira vez, teve mais de 30 à volta da mesa e uns 60 no total da sala. Eis o primeiro milagre da esquerda bem pensante. Não se sabe o que diz o BE a este respeito, isto é, sabe-se: diz coisa nenhuma, coitado.

    E, campeão da “paridade”, o BE nada diz sobre a ausência total de ministros-fêmea. Será que o tão incensado rapaz não passa de um falocrata? Será que o tipo andou aos beijinhos à Martins e à outra, grandes mulheres, para comprar o seu silêncio? A tal respeito, essa é que é essa, andam caladinhas como ratas.

    O IRRITADO terá errado quando achou que o Tripas podia ser um Hollande II. Mais abalizados opinantes acham que é um novo Chávez. Talvez menos tarado, mas igualmente “eficaz”.

    O camarada Tavares anda eufórico, a vender o seu amigo Varoufakis, ou lá o que é. Segundo parece, o dito tem três estrelas Michelin em omeletes sem ovos e o Nobel da geometria em quadraturas do círculo.

    A Grécia, coitada, já suportou um perdão de dívida de 100.000.000.000 de euros. Já só deve mais uns 200.000.000.000, ou coisa que o valha. Está no bom caminho, segundo o Varoufakis, ou lá o que é. Aliás, este orago dos altares do Sirysa, do BE e – é bom não esquecer – do PS do Costa, teve o cuidado de informar urbi et orbe que quem vai pagar tudo é a Alemanha. Como se chega a um pensamento destes não se sabe, mas, na opinião dos supracitados crentes, deve ser genial, como é próprio de um “académico prolífico”, “economista acidental”, “radical moderado” e “marxista errático”. Em suma, um sábio.

     

    O IRRITADO ficará atento aos próximos capítulos desta palhaçada.

     

    29.1.15

     

    António Borges de Carvalho