O Renzi, jovem PM da Itália, de esquerda, deu uma gravata ao Tripas. Teve graça. Mas o mais engraçado, ou sem graça nenhuma, é que ninguém deu por que se tratava de um chàzinho muito bem dado ou, se se quiser, de uma estalada no focinho. O Tripas engoliu, mas insistiu na carroceirice: recebido com guarda de honra, enquanto o Renzi se perfilava diante dela, o selvagem ria a bandeiras despregadas. Testemunha: uma fotografia que, vejam lá, só veio num jornal: os outros devem ter achado que não era favorável ao desengravatado figurante.
Finalmente, as coisas começam a estar no sítio. As primeiras decisões da rapaziada custam, segundo se diz, uns meros 12 mil milhões. Uma bela e sensata entrada nas negociações, não é? Como aperitivo, nada mal. Assim como o Pinto de Sousa, desempregado e teso, a comprar carros de 100.000. Mas o Pinto de Sousa tinha um “amigo” que lhe cobria os desvarios. O Tripas não tem.
Depois, o fim da austeridade, ou do rigor, como se diz agora. Qual fim qual carapuça. Nem pensar, diz a Ângela com toda a razão. Depois de umas avançadas em Paris e Londres (viram o Tripas sem gravata no Eliseu e o Frofofakis, vestido para a caça às perdizes num dia de Inverno, em Downing Street?), em Berlim foi o caneco. E, em Frankfurt, mais ou menos o mesmo.
As ilusões macacas daquela gente, do tipo das paridas pela intelectualidade do Bloco de Esquerda, estão a entrar em colapso, como era evidente para quaisquer dois dedos de testa. Tirando o Fischer dos verdes, ninguém na Alemanha está pelos ajustes. Pudera! Diz o Forofikis que o dinheiro não foi para o povo mas para os bancos (90%!). O homem deve achar que, se os 325 mil milhões tivessem sido distribuídos pela malta, dava 29 euros por cabeça. Porreiro pá. Era uma pipa de massa “social”.
Muito a sério, já toda a gente percebeu que nada vai poder ser como os gregos queriam, ou tinham a triste ilusão de querer. Quando se propõe pagar a dívida à medida do crescimento económico, mas não se tem, na Grécia como em toda a UE, crescimento económico nenhum, está a contar-se com o ovo no rabiosque da galinha, no caso no da Ângela e de mais uma data de gente. É um continente inteiro, uma União inteira, que, de alto a baixo, deixou de ter economia que permita voos financeiros e consumos crescentes. Resta o “rigor” e uns restos de esperança, não passando esta de wishful thinking.
O IRRITADO é pessimista? Pois é. Basta olhar para a massa anda por cá nos bancos sem que ninguém a queira. Projectos? Que projectos? Investimento estrangeiro? Que investimento estrangeiro? Pois é. Resta o “rigor”.
6.2.15
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário