Ontem, o governo anunciou que tinha chegado a acordo com a indústria e que estava ultrapassada a questão do milagroso medicamento que cura a hepatite C.
Parecia que a barulheira, a exploração ad nauseam de uma defunta e de um doente histérico, as horas e horas de telejornais, etc., tinham acabado. Pura ilusão. Já o mediático doente tinha mostrado que já tinha na mão (de borla) as almejadas pastilhas, ainda o estafermo do lacinho, do “Expresso”, anunciava aos pacóvios a chegada da “alegada” solução. Faz lembrar a história do leão do Jardim Zoológico que, no tempo da II República, tendo atacado um passante que, em seguida, o matou, como o tal passante era do reviralho, foi noticiada assim: “Um pobre leão barbaramente assassinado por um comunista sem escrúpulos”. O gajo do lacinho está ao mesmo nível. Só que a história do leão é anedota, a dele não. Enfim, uma noite inteira disto e de pior.
Havia um tipo que, no tempo dos socialistas, tinha um certo prestígio. Um tal Correia de Campos, ministro da saúde. Posto a bom recato na oposição, o homem desatou a escrever no “Público” (where else?) as mais absurdas diatribes, baralhando dados, engendrando teorias, assumindo-se como aquilo que, se calhar, é: um politiqueiro de meia tijela. Pois esta criatura, de sociedade com o do lacinho, depois de lhe ter sido contado, tim tim por tim tim, o que se tinha passado, não só se permitiu, sem ponta de conhecimento de causa, desmentir o dito, como entrou na conversa do costume, ainda que com uns inglesismos à mistura. E, para dar uma de conhecedor, engendrou um novo e estupendo argumento: “a morte está fora do algoritmo do governo”. Esclarecedor, não é? Depois, chamou “polichinelo” ao opositor, e desatou a dizer burrices que até umas ilustres desconhecidas que peroravam no mesmo local e que eram, declaradamente, críticas do governo, levaram, por a+b, às cordas.
Para quem vê notícias à noite, foram horas e horas de repetições e mais repetições. Coisa enfadonha, a fazer pensar que os espectadores estavam a ser induzidos a odiar os queixosos, fartos de os ver e ouvir. Há coisas que, quando exploradas até à abjeção, têm efeitos perversos.
Enfim, convenhamos que serviu para nos poupar às aventuras do Tripas.
A propósito deste artista, duas frases de ontem, para aliviar a pressão.
– De um senhor espanhol cujo nome esqueci:
Não há nada de bom a esperar dele (Tsipras), senão que baixe as calças.
– De Vasco P. Valente:
(A sra. Merkel) avisou que não receberia Tsipras (para não aturar a mistura de chantagens e choradeiras com que ele anda para aí a maçar o mundo) e mandou o ministro das finanças comunicar ao jovem que, para ele, não estava.
Bom fim de semana.
7.2.15
António Borges de Carvalho

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