IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


REMÉDIOS E BOCAS

Ontem, o governo anunciou que tinha chegado a acordo com a indústria e que estava ultrapassada a questão do milagroso medicamento que cura a hepatite C.
Parecia que a barulheira, a exploração ad nauseam de uma defunta e de um doente histérico, as horas e horas de telejornais, etc., tinham acabado. Pura ilusão. Já o mediático doente tinha mostrado que já tinha na mão (de borla) as almejadas pastilhas, ainda o estafermo do lacinho, do “Expresso”, anunciava aos pacóvios a chegada da “alegada” solução. Faz lembrar a história do leão do Jardim Zoológico que, no tempo da II República, tendo atacado um passante que, em seguida, o matou, como o tal passante era do reviralho, foi noticiada assim: “Um pobre leão barbaramente assassinado por um comunista sem escrúpulos”. O gajo do lacinho está ao mesmo nível. Só que a história do leão é anedota, a dele não. Enfim, uma noite inteira disto e de pior.

Havia um tipo que, no tempo dos socialistas, tinha um certo prestígio. Um tal Correia de Campos, ministro da saúde. Posto a bom recato na oposição, o homem desatou a escrever no “Público” (where else?) as mais absurdas diatribes, baralhando dados, engendrando teorias, assumindo-se como aquilo que, se calhar, é: um politiqueiro de meia tijela. Pois esta criatura, de sociedade com o do lacinho, depois de lhe ter sido contado, tim tim por tim tim, o que se tinha passado, não só se permitiu, sem ponta de conhecimento de causa, desmentir o dito, como entrou na conversa do costume, ainda que com uns inglesismos à mistura. E, para dar uma de conhecedor, engendrou um novo e estupendo argumento: “a morte está fora do algoritmo do governo”. Esclarecedor, não é? Depois, chamou “polichinelo” ao opositor, e desatou a dizer burrices que até umas ilustres desconhecidas que peroravam no mesmo local e que eram, declaradamente, críticas do governo, levaram, por a+b, às cordas.

Para quem vê notícias à noite, foram horas e horas de repetições e mais repetições. Coisa enfadonha, a fazer pensar que os espectadores estavam a ser induzidos a odiar os queixosos, fartos de os ver e ouvir. Há coisas que, quando exploradas até à abjeção, têm efeitos perversos.

 

Enfim, convenhamos que serviu para nos poupar às aventuras do Tripas.
A propósito deste artista, duas frases de ontem, para aliviar a pressão.

– De um senhor espanhol cujo nome esqueci:
Não há nada de bom a esperar dele (Tsipras), senão que baixe as calças.

– De Vasco P. Valente:
(A sra. Merkel) avisou que não receberia Tsipras (para não aturar a mistura de chantagens e choradeiras com que ele anda para aí a maçar o mundo) e mandou o ministro das finanças comunicar ao jovem que, para ele, não estava.

Bom fim de semana.

7.2.15

António Borges de Carvalho



2 respostas a “REMÉDIOS E BOCAS”

  1. O Paulo Macedo é o único – o único – membro deste governo cuja competência não é posta em causa. Parece um tipo adequado para gerir qualquer coisa, do Ministério da Saúde a um campo de concentração. É o típico capataz discreto e eficiente. Como é óbvio, isto da hepatite não é culpa dele. É da farmacêutica. A tal Gilead tem a lata de dizer, no site, que «adheres to the highest ethical standards of business conduct». Éticos, dizem eles. São o perfeito exemplo da mama farmacêutica em roda livre. São também o exemplo do capitalismo em roda livre: lucros obscenos, pornográficos, porque o lucro é sagrado e intocável. Não há limite. Quantos morrem, até nos EUA, apenas para que estes mamões se encham ainda mais. E quando alguém tenta bater o pé a mamões, como o Tripas, o sistema cai-lhe logo em cima. O Irritado vai atrás. Uma coisa é não gostar do Tripas, ou do laxismo grego. Outra coisa é a genuflexão pavloviana a um sistema corrupto e mamão, até em prejuízo próprio, só porque alguém é de outra cor pulhítica ou não usa gravata. São os chamados idiotas úteis. Mas o Irritado não é um idiota: é assim por opção.

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