IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CORTAR O MAL PELA RAIZ?

Li não sei onde que a “guerra” já não é entre esquerda e direita, mas entre os que “têm” e os que “não têm”. Uma generalização como outra qualquer, portanto errada. Num país como Portugal, os que “não têm” vão sobrevivendo, o que é pouco, os que “têm”, têm pouco – dinheiro a sério é coisa que não há desde os idos de 75 -, isto é, ou não chega para investir a sério ou tem medo do risco. As tiradas proto-marxistas não resultam nem têm a esperteza entre as suas qualidades.

Dizem as mesmas “fontes” que esquerda e direita se afastam no esquema, conforme se vão afastando do centro. Nada mais errado. O espectro político não é um segmento de recta, é um círculo onde as ideias, a partir do ponto A, se vão afastando e depois se aproximam até se tocar lá no extremo B do diâmetro traçado a partir de A. Por outras palavras: a “narrativa” dos dois extremos que se tocam em B é mais ou menos a mesma: populismo, nacionalismo, não aceitação da realidade, criação do inimigo externo, apelos à “dignidade”, à “consciência nacional”, à recusa de “tutelas”, “apelos à ‘História’ “, etc.. Assim se explica, por exemplo, a aliança grega entre os dois extremismos, a confessa admiração do Syriza por tarados tipo Chávez, aliás objecto dos mais rasgados elogio por parte do sr. Tripas. Assim se explica a admiração dos fascistas gregos pelo nacionalismo agressivo do sr. Putin, bem como a ameaçadora aproximação à Rússia e à China por parte da coligação grega. Imaginar que os sorrisos e os beijinhos do Vakis aos seus colegas europeus encerram alguma sombra de sinceridade é um erro crasso. O homem está ali com o seu sorriso alarve para encantar isabéis moreira (“porra!”), ao mesmo tempo que trabalha para o desmembramento da União e para o fim do euro, ao mesmo tempo que tece loas à invasão da Ucrânia e se opõe às sanções à Rússia, o que quer dizer que sabe que tem respaldo garantido por parte de quem comunga dos seus objectivos. Entre o proto-fascismo imperante na Rússia e o orgulhoso nacionalismo democrático do Syriza (ambos são poderes eleitos), venha o mais sábio descobrir as diferenças.

O problema é que, se a União ceder demenos, sabe-se o caminho russo-venezuelano que a Grécia tomará. Se a União ceder demais, condenar-se-á a adiar o problema. Já se viu como o Syriza encara os seus compromissos: tomando medidas que não tem dinheiro para pagar, certamente à espera dos euros da União ou dos rublos do vizinho. Tanto faz: parece que a rectaguarda está protegida.

Será possível acreditar em tal gente? Tudo indica que não. Por isso, bem vistas as coisas, parece que a União deveria considerar a hipótese de cortar o mal pela raiz. Quanto mais tarde, quanto piores serão as consequências.

 

13.2.15

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “CORTAR O MAL PELA RAIZ?”

  1. “CORTAR O MAL PELA RAIZ?”É difícil! Desde logo quando um dialogo de ideias (ou ideais), como no imediatamente anterior, começa a “aquecer”, o irritadiço “abandona o barco” talqualmente o fazem os …….Assim não se consegue “CORTAR O MAL PELA RAIZ”!

  2. Se tiverem dúvidas perguntem ´à ana gomes.E se puserem a aninhas e a isabelinha no mesmo programa ainda melhor.Vai ser cá uma peixeirada, que não vos contam.Ambas 2 intelectuais de primeira água

    1. Se tiverem dúvidas perguntem ao “anónimo”, que ele sabe tudo.

  3. Curiosa, a sua primeira frase. É que, como julgava evidente, a diferença fundamental entre Direita e Esquerda SEMPRE FOI entre “têm” e “não têm”, entre Haves e Have Nots. Tudo o resto – funções do Estado, questões fracturantes, comunismo, etc. – veio depois e é circunstancial. O comunismo até perdeu a Guerra Fria, tornou-se símbolo de repressão e é hoje irrelevante, mas continua a existir Esquerda. Porquê? Porque continua a existir uma desigualdade gritante, e galopante: 1% da população controla metade da riqueza. Há total supremacia do capital sobre o trabalho. A Banca e os “mercados” mandam mais que os governos. Mesmo no 1º Mundo, aumenta a clivagem entre ricos e pobres. Muitos perdem o emprego, outros esgotam os bens de luxo. Na Direita está sempre subjacente uma selecção natural: quem tem mais é porque fez por isso. Merece. Quem tem menos que faça mais. Quando se tenta falar do sistema financeiro e monetário, de lucros obscenos, ou de mamões e offshores com pessoas de Direita, como o Irritado, invariavelmente encolhem os ombros. É assim a vida, e tal. São desculpas de mau pagador, de invejoso. De esquerdalha. O problema, como alguns reis e um czar aprenderam à força, é que quando a maioria não tem, o caldo entorna. Até os macacos têm uma noção inata de equidade, de igualdade. Bem ou mal, por exclusão de partes a Esquerda representa a igualdade. A maioria das pessoas não leu Marx, receia o comunismo e borrifa-se no socialismo. Mas sabe que não tem. E que alguns, uns poucos, têm cada vez mais. E que algo tem de mudar. O Irritado chama a isto mera generalização. Suspeito que alguns reis e um czar também chamavam.

    1. Errado, meu amigo, quase completamente errado. Veja a “igualdade” que a esquerda arranjou, na Rússia, em Cuba, na Coreia e por aí fora. Partindo do princípio que o seu conceito de igualdade está certo (não está), quem criou condições para haver com que pagar a sua igualdade: a Tatcher, o Reagan, e outros “malditos” da nossa praça. As grandes roturas, as roturas revolucionárias, jamais criaram igualdade, bem pelo contrário. A esquerda, que diz querer “o homem novo” e outras patacoadas, teve que “gerir” o homem que existe, como ele é, não como gostaria que fosse. A extrema direita, igualzinha, também se funda numa inexistente realidade. Foi o que fizeram o Mussolini, o Adolfo e outros artistas, sempre a proteger o “trabalho”, o “povo”, sempre a criar socialismo, o mesmo que a esquerda. Os problemas de que fala merecem atenção, mas não será aquilo a que chama esquerda que os resolverá.

      1. O ideal da Esquerda não é a realidade da Esquerda, mas o mesmo se pode dizer da sua Direita. Thatcher e Reagan foram precisamente quem abriu, de par em par, as comportas da mama financeira que asfixia países e economias. Disse-me em tempos que as ideologias são apenas linhas mestras, orientações gerais. Concordo, tem razão. O problema é quando começamos a defender a nossa ideologia como se fosse um filho. Até pode andar a roubar velhinhas, não importa, é nosso filho. Quando muito tem ligeiros defeitos, mas essencialmente é sempre bom. É como discutir religião, não se chega a lado nenhum. Sendo concretos, a Esquerda não defende a igualdade e a Direita a estratificação da sociedade? E se uma representar o trabalho e outra o capital, a seu ver qual delas representa o quê?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *