“Não é com vinagre que se apanha moscas”, velho dito cá do sítio. Não sei se terá correspondente em grego. O que sei é que, mesmo que haja, o Tripas e o Vrofakis não estão a par da sabedoria popular.
É evidente o ataque de nacionalismo de que vão sofrendo, a fazer inveja ao velho Mussolini. A Pátria não se deixará pisar! O orgulho grego não admite tutelas! O nosso glorioso passado, como o nosso digníssimo presente, têm que ser respeitados, etc.). Exactamente a mesma retórica do partido-sócio, da dona Marine, do tipo do UKIP, do castelhano do rabo de cavalo e de tantos outros que por aí andam, a alma em estremeções, a vender populismo nacionalista aos incautos e a fabricar o inimigo externo, como é apanágio de todas as ditaduras, mesmo das “internacionalistas”.
É evidente que esta retórica não cola num continente que ainda se lembra do nacionalismo e das suas dramáticas consequências.
Há mais, nesta triste história. A começar, a visita aos mártires do nazismo. Logo a seguir, o “não cumprimos” do aumento do salário mínimo e da readmissão de mulheres da limpeza, obviamente desnecessárias, e de mais uma data de funcionários da mesma natureza. Tudo desafios, tão provocatórios quanto estúpidos. A culminar, o Tripas vai apresentar os seus respeitosos cumprimentos ao embaixador do camarada Putin, um rapaz simpático. Nesta senda de política externa, o homem veio, dias depois, a fazer, em Bruxelas, uma “declaração de voto” pró Russia.
Vai daí, o Fakis faz uma operação de charme em trajos menores, fralda de fora e casaco SS. O Tripas faz o mesmo, mas só sem gravata. Conseguem umas manifestações de “compreensão” meramente diplomáticas e um balde de água fria do entrevadinho, que não é de modas e tem o eleitorado à perna. Com o Draghi, um balde não chegou, foi um duche gelado.
Passados estes inteligentes movimentos, pensar-se-ia que a coisa amainava, isto é, que os tipos acabassem por perceber o adágio do vinagre e das moscas, e tentassem alguma coisa com um mínimo de lógica. Mas a inteligência não parece abundar lá no síio. Perante o mundo, Tripas declara que não recuará um milímetro. Num discurso desafiador, declara que os países (a Grécia) devem poder tomar “as suas próprias decisões” sem contar com os demais. Ainda não deu por que a Grécia é membro da União há quarenta anos e que, na União, é preciso contar com os outros. No meio da loucura, afirma que vai reabrir a TV e que haverá energia e refeições grátis para todos. Os tratados a que deve obediência servem para “humilhar os países”. “Se não mudarmos a Europa, a extrema direita irá fazê-lo”, decreta o demagogo, sem cuidar que, se alguém anda a fazer o trabalhinho da extrema direita, esse alguém é o próprio. Mas, louve-se a coerência e o medinho que já deve sentir, ele, que tinha recusado liminarmente a hipótese de um “acordo transitório”, anuncia que vai propor um “acordo de transição”. Estão a ver a diferença?
Enfim, muitas mais foram as patadas na poça. Mas fiquemos por aqui. Como o Fakis, diz-se, vai avançar hoje em Bruxelas com propostas “construtivas”, esperemos que algum bom senso entre na mioleira daquela gente.
10.2.15
António Borges de Carvalho

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