É sabido e incontroverso que o Costa tem andado por aí a meter os pés pelas mãos a propósito de tudo e mais alguma coisa. Quanto ao Syriza, o homem anda de cabeça perdida. Desta feita, descobriu que o PS não tem nada a ver com o PASOK. Nas suas palavras, “o PS não é nem será como o PASOK”. Assim, clarinho para militante perceber.
Convém lembrar o que o PASOK foi para o PS, a estrénua amizade entre Soares e Papandreu pai, as andanças ultra fraternas na Internacional socialista, os parceiros de eleição, como o Craxi, trafulha maçon mais tarde fugido no norte de África para evitar extradição, a profunda comunidade ideológica e política com o Papandreu filho, os rasgados elogios à sua última vitória eleitoral, as loas ao Venizellos. Se havia partidos verdadeiramente irmãos, eram eles o PASOK e o PS.
Agora que o Papandreu filho levou uma tunda de morte nas eleições, meus senhores, há que tirar o cavalinho da chuva. O Syriza é que é bom!
Afinal, que fez de mal o Papandreu para ir à vida? A resposta é simples: fez o mesmo que o PS em Portugal: um Estado social tresloucado, uma sociedade mergulhada em subsídios, reformas e prestações malucas, um programa de obras públicas tão absurdo como insustentável, a criação tresloucada de hábitos de consumo e de endividamento pessoal e institucional, um desprezo profundo pela produção de bens transaccionáveis, uma lógica económica sem saída, uma corrupção generalizada… tudo, tim tim por tim tim, igualzinho à obra política dos senhores Soares, Guterres e Pinto de Sousa, antes e agora figuras de proa e referências máximas do PS.
Costa nega tudo, passa generosa esponja sobre a obra do seu miserável partido. Não, não somos nem seremos como o PASOK, que ideia, que fantasia, quase um insulto pensar o contrário! À boa maneira soviética, Costa, em vez de pedir perdão ou respeitar a verdade, rasga as fotografias de família, dá o dito por não dito, manipula a história. Como o sócio do Benfica que rasga o cartão quando o clube perde.
Porquê? Por duas razões. Primeiro, porque o PASOK caíu, e quem cai não presta: uma demonstração evidente da qualidade moral que enche a alma do Costa. Segundo, porque, sendo gritante que não tem, na manga ou fora dela, qualquer sombra de solução, de caminho, de ideia salvífica a propor, acha que o melhor é pendurar-se em quem ganhou, mesmo sabendo de ciência certa que quem ganhou não vai trazer nada senão mais suor e mais lágrimas, se não trouxer também mais sangue. Costa sabe disto. Mas também sabe que, para além das mirabolantes propostas e promessas do Tripas, pouco ou nada lhe resta para dizer ou prometer.
O Syriza ganhou. Tem com ele cerca de 20% dos gregos, destes sendo a maior parte meros protestantes.O PS tem hipóteses de ganhar cá no sítio. Por isso que a mais patrótica, socialmente aceitável, talvez positiva e, sobretudo, moralmente decente das atitudes será fazer o possível para que tal desgraça nos não caia em cima.
1.2.15
António Borges de Carvalho

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