IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • OUTRA VEZ A LISTA!

    Afinal havia lista! Sabem porquê? Porque a Cavilhas, o Coelho, o Costa e, acima de tudo, o Pacheco, grande guru do estrume, disseram que sim.

    E, na opinião das criaturas, se não havia lista era como se houvesse! E esta? Grande problema político, a ausência de lista.

    Qualquer criatura, não apoiante da maioria mas minimamente fornecida de neurónios, e de honestidade!, que tivesse ouvido o “depoimento” do artista do sindicato, teria percebido que o sacripanta não tinha nada para dizer, para além de bocas destinadas a salvar a pele aos macacos das finanças que andam a vasculhar nas contas de cada um e que são objecto, como é óbvio, de investigação e, esperemos, de passagem à disponibilidade, de preferência sem vencimento.

    As personalidades acima também perceberam. Têm neurónios, mas falta-lhe o resto. Demissão! O secretário de Estado, a senhora das finanças, o Primeiro Ministro, tudo para o olho da rua. Já agora, porque não o Presidente da República, os deputados da maioria, a mulher a dias de Belém e, aproveitando a maré, o tipo do Sporting, o Vieira e o chefe da banda da Amareleja. O Pinto da Costa é que não!

    Não acham?

     

    20.3.15

  • A LISTA VIP

    Anda para aí um sururu dos diabos por causa da “lista vip”. Exista ou não. Já se percebeu que foi uma ideia que não chegou a ser aprovada ou, sequer, a chegar às instâncias competentes. Tudo isto é empolado, escarafunchado, se não foste tu foi o teu pai, e por aí fora.

    Pertencer à lista devia ser um direito de todos nós, porque somos cidadãos, indivíduos, porque temos ou devíamos ter o intocável direito de ter a nossa vida privada sem que houvesse tipos a esgravatar.

    Compreende-se que os funcionários da secção xis tenham acesso aos números dos cidadãos da sua área de competência, exclusivamente esses e exclusivamente para verificar se pagaram ou não pagaram o que deviam pagar. Mais nada.

    Não é o que se passa. Qualquer gandulo das finanças, a soldo de jornalistas mais ou menos pidescos ou movido por intenções policiais, pode entrar nos dados daqueles que quer perseguir, enxovalhar, demolir. Nos desses e nos de todos nós. É o princípio da chantagem, da inveja, da inversão de valores, uma ofensa brutal aos direitos das pessoas, à sua vida privada, aos seus problemas pessoais.

    Basta o que basta. Basta que nos persigam por razões de excesso de zelo, por instintos burocráticos exacerbados, por mero gozo administrativo. Há meios, e que meios, para nos infernizar a existência. Há requintadas formas de substituir o que devia ser da esfera da Justiça, pondo-o na da burocracia.

    A haver lista vip, que estejamos todos nela, e deixa de ser necessária. Consultar os meus dados sem mandato ou competência para tal devia ser um crime público sem perdão. Se o objectivo for mais que “curiosidade”, então devia ser crime grave e qualificado.

    Transformado que está o clima de campanha eleitoral, que devia ser de discussão de ideias, em puro ambiente de perseguição política de uns e de outros, tanto a existência ou não da lista vip como a sua utilização ad nauseam para fins persecutórios só contribui para o descrédito do que devia ser digno.

     

    19.3.15

  • DA GUERRA “COLONIAL”

    Um senhor, Nuno Pereira de seu nome, identificado como histriador, proferiu uma sentença eleita “frase do dia”. Reza assim: “A história oficial diz pouco, é preciso aprofundar os factos, devemos aproveitar que ainda há muitas testemunhas. A guerra colonial é um dos maiores tabus da história portuguesa.”

    Não podia estar mais de acordo. Não sei quem o Pereira é, em que clube joga, ou o que quer ao certo dizer com aquilo.

    A história das guerras ultramarinas da segunda metade do século vinte é objecto das mais abjectas e retorcidas interpretações e de narrativas “oficiais” aprendidas nos manuais de uma esquerda que nem a si própria – às suas origens – tem respeito. A “historiografia” nacional não se cansa de “criminalizar” uma geração, um passado, uma História, em favor de puras “interpretações convenientes”, da generalização abusiva e canalha de episódios isolados, de louvaminhas a bandos de “intelectuais progressistas” que causaram, em duas ou três décadas, mais mortes, mais fome, mais doença, mais guerra, que 500 anos de “colonialismo”, colocando as questões numa dimensão “moral” que nunca tiveram.

    Se o tal senhor Nuno Pereira quer pôr os pontos nos is do que realmente se passou, honra lhe seja. Se quer perpetuar e “aprofundar” a aldrabice que por aí medra, então que se vá lixar.

     

    18.3.15

  • IRRITAÇÕES

    Parece que o ilustre causídico que se ocupa dos interesses do 44, depois de uma fase mais ou menos piadética, entrou em crise nervosa, quem sabe se por causa dos habeas corpus negados ou dos juízes da relação que lhe deram redondamente com os pés e se encarregaram de dizer que havia, no caso do seu constituinte, graves indícios de vários crimes. É natural, dirá quem vai assistindo aos acontecimentos. E também é natural as que piadas, mais ou menos simpáticas, do homem se tenham transformado em fel. Compreenda-se. Facto é que o fulano a mandou uma jornalista “tomar benho” (cheiraria mal?), e chamou “mentiroso” a outro, isto para dizer o menos, já que há quem afirme que houve coisas piores. A vida corre-lhe tão bem ou tão mal que se foi a bonomia.

    O IRRITADO deseja ao visado que se acalme. Se não o fizer, por este andar acaba por perder a tineta.

     

    18.3.15

  • INQUIETAÇÕES

    Nos jornais de hoje há duas más notícias.

    A primeira tem a ver com o regresso dos portugueses ao chamado consumismo. Tudo se vende mais, dos yogurtes aos automóveis (só ligeiros, foram mais trinta mil em 14 do que em 13), ao crédito ao consumo. Está tudo mais barato, mais fácil de financiar, o mau tempo já passou, não é? Uma ova.

    A segunda diz respeito à publicação de estatísticas que apontam para o comércio, a restauração e a hotelaria como os ramos da economia onde o mercado de trabalho é mais florescente, onde há mais oferta e mais procura. Como já tem sido dito nestas páginas, o chamado “IVA da restauração” não teve efeito negativo de nenhuma espécie em tão reclamante sector e no CDS, para não falar na filarmónica da esquerda.

    Pela Europa fora, e até no Japão, as coisas não serão muito diferentes, o que é demonstrativo do maior problema que temos pela frente. A nossa civilização não investe, come e bebe, não fabrica, consome. Já não temos indústria que se veja, menos ainda que se imponha. Ou produzimos coisas que ninguém mais faça ou temo-las mais baratas noutro lado. É a grande pergunta que o senhor Draghi e tantos outros deviam fazer. Não há injecções de dinheiro barato que sirvam, se aplicadas noutra coisa que não seja a produção de bens transaccionáveis, e os produtos verdadeiramente trasccionávies são cada vez menos, consequência da globalização, da concorrência e do Estado social. Perdemos o comboio do avanço tecnológico e parecemos não ter vontade nenhuma de apanhar outra vez a locomotiva, ou a carruagem da frente.

    Remédio? Uma grande volta civilizacional. Escopo de todos, objectivo de alguns, com eco em nenhures.

     

    18.3.15

  • TIRIRICAKIS

    Ora atentem nestas notícias:

    A Grécia vai esvaziar fundos de pensões públicas e reservas de tesouraria de outros fundos públicos para pagar duas prestações ao FMI (setecentos e tal milhões). Perante isto, o senhor Fakis declara que se trata de um “pequeno” e “pouco significativo problema de tessouraria”.

    A acrescer, o mundo é informado sobre a existência de um plano para “melhorar a posição de liquidez”, mas não diz como nem que plano.

    Fakis insiste em sacar uns milhares de milhões à Alemanha, sabendo perfeitamente que ninguém acredita na existência da dívida de guerra e que, mesmo com muito jeito, se chegassem a um caridoso acordo, seria peanuts, e daqui a muitos anos. Trata-se, no douto parecer deste radical caviar, não de uma questão de dinheiro (pudera, ele não precisa de dinheiro para nada!), mas de uma questão “moral”.

    Porquê? Porque, no parecer da criatura, o Syriza quer “uma Europa bem sucedida, uma união monetária de sucesso”. Tem razão: tem-se farto de contribuir para tal, não tem?

     

    Donde se prova que, ao contrário do que disse Passos Coelho, não estamos perante “um conto de crianças”. É muito pior. Estamos perante um novo Tiririca, só que, com este, pior fica.

     

    16.3.15

  • MURROS

    Tal como previsto pelo IRRITADO, em solene sessão e sob a augusta presidência dessa figura impar que se chama Vasco Lourenço, numerosa cavalgada se apeou em nobres instalações, a fim de salvar a Pátria dos malefícios da “Europa”, da dona Ângela, do euro e do governo e de Cavaco.
    Para memória futura, note-se quem pagou a coisa: nada menos que três prestigiadas organizações que comungam de convicções socialistas ou são dirigidas por gente dessa área, assim como, evidente e maioritariamente, irmãos ou parentados com os filhos da viúva. A saber: a Fundação Gulbenkian, cujo fundador deve estar aos saltos na cova, a Fundação Oriente, socialistíssima, e o banco social/GOL/comunista Montepio Geral.
    Na tribuna, imponentes como não podia deixar de ser, o dito Vasco Lourenço, e o camarada Pezará. Na assistência, a turba multa era chefiada pelos palradores radicais Sampaio da Névoa e Rui Tavares. O general Eanes também lá estava, mas esse vai a todas. Não conta, ou conta menos que os outros, apesar de achar que ainda conta muito.
    Algumas achegas para se ajuizar da qualidade da reunião:
    Após ditirâmbicos elogios a Soares, ao outro Sampaio e, ainda que a contra gosto, a Eanes (a ideia era deixar Cavaco de fora), este Sampaio, ínclito patriota, declarou que “está disposto a morrer pela liberdade”, o que arrancou entusiásticos aplausos à assistência. Não se sabe o que, para gente desta, “liberdade” significa, mas algo me diz que se confunde com socialismo, ou com poder socialista. Ou seja, sob a batuta deste Sampaio o socialismo obrigatório é o máximo, e até está consagrado na Constituição da III República. Depois, fez o velho discurso da indispensável união da esquerda, certamente para criar base eleitoral para a sua candidatura a Belém, coisa para a qual, como já tinha modestamente declarado “está pronto”. Com uma originalidade que faz inveja ao mais sábio, este académico declarou-se contra a austeridade, que tem sido “um desastre”. Ele saberá, mas não diz, onde vai buscar os meios para acabar com ela, com o desemprego, com os impostos, como vai restaurar os salários e as pensões e, já agora, como irá mandar soltar os prisioneiros de Évora (esta não disse o homem, mas parece implícita). Muito triste, diz que, na esquerda, “ainda estamos fragmentados”, isto é, são o saco de gatos de sempre, ninguém sabendo o que há-de fazer à vida que não seja dar na cabeça dos outros. “Se há tantas forças de mudança”, leia-se os gatos do saco, “porque é que não há mudança?”. Pelos vistos, não aprendeu nada com o Hollande, ainda menos com o Tripas. E mais: declara que “com políticos antigos não há políticas novas”. Então, e o Vasco, e o Soares, e o Pezará, e o outro Sampaio, e ele mesmo, que deve ir a caminho dos setenta, são políticos novos? Pelo contrário. A reunião não passou de um encontro de velhadas como ele: os novos estão no governo. Uma chatice!
    Outro “jovem” político e rouco académico, Paz Ferreira, dedicou sua prelecção, ou visão de futuro (?) a dar pancadaria no Governo e no Presidente. Este então, levou que se fartou, “o PR está “enfeudado ao partido e à finança”, daqui se concluindo que os do PS não estavam. Soares em Belém nunca ajudou o PS (não fez outra coisa), Sampaio nunca perpetrou golpes de Estado para pôr o Pinto de Sousa e quejandos do PS no poleiro. E, ça va de soi, jamais o Pinto de Sousa esteve “feito” fosse com que poder financeiro fosse. Lapidar, este catedrático! E não se ficou por aqui: o PR Cvaco é “um robot, “não sabe dizer não”(?!), anda a “dividir os portugueses” (?!) e “a criar ódios entre gerações (???!!!). O torquemada da corrupção, um tal Morais, foi mais longe, o PR e o PM devem demitir-se! Nem mais, limpeza geral! Grande artista.
    Enfim, distinguiram-se mais oradores, o pretendente Carvalho da Silva, o Rui Tavares, et alia, todos afinados pelo mesmo diapasão. Qual era esse diapasão? Não, meus amigos, nada a ver com a anunciada “cidadania”, menos ainda a ver com o futuro, nada de propostas ou ideias, nem com pés e cabeça nem sem eles. O diapasão era o mote da demolição do PR e do governo, saiam daí que a gente quer os lugares. Mais nada, rigorosamente mais nada, que assim é que se prepara o “futuro”.
    Não quero acabar sem uma respeitosa referência ao impagável Lourenço. Está ele à espera, quer dizer, esperançado, “no PC, no BE e noutros que estão a surgir” (às dezenas, acrescento), ou seja, nos gatos do saco. E, asserção basilar que tudo resume: “chegou o momento de se dar um estrondoso murro na mesa!”.
    Esta dos murros, o IRRITADO aplaude: uns estrondosos murros na tromba do Lourenço e na desta colecção de parlapatões.

    15.3.15

  • O CONCLAVE

    Seguindo o exemplo do grande democrata Soares, essoutro grande democrata que é Vasco Lourenço convocou as forças vivas da Nação para um encontro destinado a resolver, de uma vez por todas, os problemas do povo e do país. À convocatória subjaz um pensamento de grande grande profundidade, muito acarinhado nos meios académicos: a democracia é de esquerda. É esta evidente verdade um dos tradicionais esteios que animam os espíritos mais salientes da história oficial e da educação republicana. É de estranhar que haja largos milhões de portugueses que ainda o não percebam. Doutriná-los será boa razão para a convocatória de mais este brilhante conclave, do qual se espera a formulação definitiva do núcleo básico das regras para a salvação da Pátria.

    Conheci o indiscutível chefe desta organização há para aí cinquenta anos. Era ele um garboso aspirante a oficial que, por razões desconhecidas, foi internado num regimento que fervilhava de milicianos à espera de embarque para Angola. Dormimos no mesmo quarto, demo-nos mal. O homem era um profissional da guerra, eu um mero paisano mascarado de militar. Ele tinha cursos especiosos e especiais, era um tropa de elite, estava preparado para defender a unidade da Nação, ameaçada nas matas de África e nos areópagos internacionais. A malta, como é evidente, estava-se nas tintas para os discursos do insigne profissional, não sonhando que ele viria a acabar por fazer exactamente o contrário do que as suas prédicas rezavam.

    À época, a política ultramarina do Estado Novo, aliás a mesma de I República, era tida pela generalidade da população como mera continuação de 500 anos de História, daí lhe vindo a legitimidade. Poucos imaginaram que a inacção política e a imprudente teimosia do governo havia de conduzir, dez anos depois, ao triste fim do que dizia defender.

    Posto este apontamento histórico, hemos de convir que é legítimo mudar de ideias ao ponto de negar o que, ao tempo, se pensava com tanto pundonor e tão grande exigência. Foi o que aconteceu ao camarada aspirante a oficial. Misturou-se com os outros que abominavam os milicianos, e entrou de corpo inteiro na transformação das promessas democráticas em promessas socialistas. Até foi general, se a memória me não trai, acabando por se reformar muito cedo em coronel, como os outros. Quanto a coisa descambou, acagaçou-se e teve, honra lhe seja, papel de relevo na desbolchevização do regime. Mas ficou o socialismo obrigatório que os bolchevistas, ajudados por tantos, tinham metido, com cópia de temperos, na Constituição que ainda anda por aí.

    Hoje, na qualidade de chefe da oposição castrense, dá-se ao luxo de cometer as maiores ofensas à democracia, tais a recusa de a comemorar. No seu pequenino cérebro, a democracia, não sendo socialista não é democracia. Pode o pagode votar à vontade, mas terá que votar “bem”, caso contrário os que elegeu não são legítimos. É este brilhante raciocínio que leva o comandante do pelotão a pôr os galões de salvador da “Pátria”, ou seja, do socialismo, convocando as hostes para “debater e pensar”. Pelo caminho, ajudado pela ultra servil “informação”, vai parangonando loas ao camarada Tripas e dizendo, por exemplo, que a dona Ângela é nazi. Isto, é claro, no meio de uma fraseologia que se destina a convencer as gentes da legitimidade, dele e dos seus, para fazer política fora da política, para ameaçar com a mal contida violência que a sua cabeça diz andar por aí e para justificar que o 25 de Abril lhe confere, quarenta anos depois, direitos de tutela sobre o regime.

    Termino porque já estou farto. Os meus leitores que se debrucem, por exemplo, sobre a lista de “personalidades” que responderam ao apelo do Lourenço, e se deliciem com ela.

     

    14.3.15

  • AI CAVACO, CAVACO

    Há muito deixei de ser admirador do Senhor Presidente. Não é de estranhar, já que nunca admirei nenhum presidente. Mas reconheço que, institucionalmente, tem sido o melhor de todos eles: firme na defesa da estabilidade governativa, respeitador dos mandatos dos demais eleitos, produtor de alguns conselhos com pés e cabeça, nunca organizou congressos politiqueiros, etc. Muitas falhas terá tido, como aquela de aturar parvoíces a um checo de segunda, como as decalarações absurdas sobre as suas finanças pessoais, como o intolerável ridículo de andar sempre com a mulher à perna, etc..

    Qual é o grande problema de Cavaco? Não ter sido eleito pela esquerda. Por isso, ao contrário dos seus antecessores, não tem “imprensa”.

    Soares andou com a patroa a cavalo em elefantes e tartarugas na Índia, cheio de flores e turbantes. Em visita de Estado a São Tomé pôs-se em cuecas e foi tomar banho de mar deixando de boca aberta um monte de ministros engravatados. A “imprensa” rejubilou, elogiou, pôs-se de joelhos. Parecia um Rei!

    Cavaco fez umas férias tropicais com a família, sem despesas para o Estado. Subiu a um coqueiro. Foi troçado, arrastado em fotografias gozonas.

    Soares comprou um prédio ao senhorio, coitado do senhorio. Tem um casarão para os lados de Mafra, outro no Algarve, num local onde nenhum português seria autorizado a construir. Toda a “imprensa” acha muito bem. Cavaco, algarvio, julgo que já antes de ir para o poder tinha uma casa lá na terra. Foi objecto de acusações de pirismo pela “imprensa”. Depois, trocou de casa e andaram pelotões de pides a ver se lhe descobriam negócios pouco claros. Se não descobriam, insinuavam. Quis fazer uma marquise lá em casa. Foi perseguido pela Câmara e pela “imprensa”. Soares, é de julgar, nunca fez obras nas suas casas ou, se fez, câmara alguma se meteu com ele, nem nenhum jornal foi vasculhar o assunto.

    Soares foi feroz e fundamentadamente atacado num livro por um ex-colaborador. O livro desapareceu, o colaborador também. Soares, de braço dado com a “imprensa”, ignorou os dois. Cavaco não pode escrever uma linha que a “imprensa” não torça, não use, não controverta.

    Outros exemplos, com outros presidentes, se podem alinhar. Não valerá a pena. O que está demonstrado, está demonstrado. Para a “imprensa”, se se é eleito pela esquerda, tudo bem, todos os disparates, todas as patadas na poça, até golpes de Estado, nada há que mereça qualquer “toque” menos elogioso.

    Razão tem o Vasco Lourenço. A nossa democracia ou é de esquerda ou não é democracia.

     

    14.3.15

  • DO RIDÍCULO E DO CONTRAPRODUCENTE

    Os jornais de hoje trazem notícias aterradoras: parece que vamos ter candidatos de peso à Presidência. Nada menos que a montanha de laca e a voz de falsete da dona Maria de Belém e a importância folclória da reciclagen bolchevista do Carvalho da Silva. A coisa é tão ridícula que se dirá digna da pessegada que é o nosso, tão original como burro, sistema “semi-presidencialista”.

    Para que serve o PR? A experiência mostra que quem para lá vai tem o poder de mandar umas bocas de vez em quando, de se meter onde não é chamado, de se embrulhar em politiquices, de fazer congressos oposicionistas e visitas protocolares, além de, como o intolerável Sampaio, se meter em matérias castrenses e perpetrar golpes de Estado. O tal “independente representante da Nação” jamais foi independente, dele se exigindo, consoante o sentir de cada um, que “faça coisas”, para uns umas, para outros outras, todas mais ou menos impossíveis à luz da Constituição ou das conveniências.

    É a nossa infelicidade política levada ao extremo. Votamos para eleger um senhor que, ou não serve para nada, ou serve para complicar o que, de si, já não é simples. Por outras palavras, enquanto eleitores somos tratados como idiotas e levados a achar que a ridícula e contraproducente existência de um “Chefe de Estado” com as características constitucionais do nosso é uma coisa importante para a nossa vida, quando só serve para dar abébias à esquerda, quando é de esquerda, ou uma no cravo outra na ferradura, quando não tem tal origem. É o que diz a experiência, uma experiência com mais de trinta anos, sempre a mesma se a virmos a partir de 82, e pior antes disso, se considerarmos a presidência castrense e pretensamente salvífica do General Eanes e dos seus tristes governos.

    Um sistema único na Europa! Somos os maiores! Como o Fado ou o Cante o são da Humanidade, devia ser candidato a património da estupidez ou, no Guiness, a recordista do ridículo. Apesar disso, imagine-se, há candidatos e apoiantes de candidatos à candidatura! Há, aos montes, “pais da Constituição” e apaniguados capazes de parir tratados sobre a excelência e a “produtividade” da asneira.

    Todos os chefes de Estado da Europa Ocidental, à excepção do francês (mas esse tem poder, chefia o governo, competem-lhe a defesa e a política externa, etc.), são de nomeação parlamentar, tanto os Presidentes como os Reis, o que confere aos primeiros a independência possível e, aos segundos, reconhece a independência inerente. Talvez, nestes casos, os chefes de Estado tenham condições para, não tendo poderes funcionais, servir para alguma, ou muita coisa, e ser objecto de consenso generalizado.

    Entre nós, um cargo inútil e contraproducente é alvo de inúmeros ambiciosos ou prègadores de fancaria e fonte de dislates, macacadas eleitorais e enormas despesas.

    Até quando?

     

    13.3.15

    António Borges de Carvalho

  • DO VAZIO

    O IRRITADO não pode deixar de fazer uma pequena referência a um programa daquela senhora que interrompe toda a gente com perguntas mais ou menos sem sentido, interrompendo cada um quando os espectadores estão interessados no que cada um vai dizendo. Escopo de todos os “profissionais” das TV’s, com raríssimas excepções.

    O IRRITADO confessa que não viu aquilo tudo, preferindo passar a ocupar a noite com livros de quadradinhos.

    Pode dizer-se que, desta feita, as interrupções não faziam grande mal, já que a intervenções do “painel”, as mais das vezes, pouco ou nada adiantavam. De um lado, tínhamos um fulano, dito “constitucionalista”, cujo nome não sei nem me interessa. Achava ele, como acham todos os de igual ideologia, ou opinião, que se faz omeletes sem ovos ou que, consumidos os ovos, alguém virá cá pôr outros no cesto: assim tipo Fakis ou Tripas, ou os múltiplos Fakis e Tripas que por cá abundam, convencidos que têm “soluções” nascidas como por encanto dos seus politiqueiros cerebelos. Na mesma bancada, perorava a mais desagradável surpresa dos últimos anos, de seu nome António Capucho, rotulado para a ocasião como “ex-membro do Conselho de Estado”. Pelos vistos, ter sido posto à margem de tal organização é o mais importante facto da vida do homem, como aquele que tinha no cartão de visita “ex-passageiro do paquete Funchal”. Fazia uma falta dos diabos no tal Conselho, na opinião do próprio. Rotular-se assim é dar à casca, é mostrar que nada o move para além de dizer cobras e lagartos dos que não lhe reconheceram as excelsas qualidades ou o acharam já gasto. Tinham razão, como o superveniente comportamento do homem veio demonstrar. Para além de outros disparates, na sua esclarecida opinião Portugal, quer dizer, o governo, já devia ter feito uma “aliança com a Grécia, a Itália, a Irlanda, com Chipre e com o utros pedintes que se apresentassem ao serviço. Como é sabido, nenhum deles se prestaria a tal coisa, que isto de brincar com a falta de dinheiro não é para sociedades de falidos ou pataratas frustrados.

    Do outro lado da barricada, falaram dois senhores desconhecidos, que disseram algumas verdades que toda a gente conhece, provocando os olhares escandalizados do Capucho e do colega. Sem hitória de maior.

    O IRRITADO viu ainda dois membros da selecta audiência. Um, proveniente de um dos três mil movimentos de esquerda radical que por aí vicejam, foi de tal maneira coerente que não se percebeu patavina do que disse. Outro (outra!) confessadamente do BE ou coisa do género, repetia que a sua inexistente “experiência política e académica” a autorizava a repetir por palavras suas, correctos e aumentados, os dislates dos tipos da bancada da esquerda.

    Assim vai a informação, o debate político, a controvérsia. Nem uma ideia, nem uma proposta, nem uma opinião com pés e cabeça, nada. Chamava-se aquilo “Ideias para o futuro” ou coisa que o valha.                

     

    11.3.15

     

    António Borges de Carvalho

  • EVOLUÇÃO NA CONTINUIDADE

    Costa nomeou o núcleo duro de “personalidades” destinadas a “pensar” o programa.

    Aí estão eles! Gente nova? Nem pensar. Malta vinda directamente do socretinismo. Sob a direcção do feroz propagandista do partido, Seixas da Costa, alinham-se tipos do calibre de um Paulo Pedroso, muito conhecido em certos meios, João Cravinho, criador das SCUTs, Helena André, grande apaniguada do Pinto de Sousa, Augusto Santos Silva, o homem mais desagradável da Europa, uma desconhecida vinda da zona golpista, perdão, sampaista, e até, imagine-se, o mais bronco porta voz do governo póstumo, J. Tiago Silveira.

    Alguns expatriados do segurismo vêm servir de raminho de salsa: o sizudo Brilhante Dias e uma Helena Freitas, muito conhecida lá em casa.

    O 44, na sua cela alentejana, deve estar feliz e contente. O seu povo volta à mó de cima! O Costa, medroso, vai-se escondendo dele (os elogios ficaram por conta do Ferro) mas, fiel a um nobre passado, manda-lhe esta mensagem de conforto e de continuidade da sua grande obra, na certeza de que, se chegar a mandar, a barrela voltará a funções.

    Pela nossa parte, ficamos a saber com o que podemos contar, ou seja, em quem não votar.

     

    11.3.15

     

    António Borges de Carvalho

  • RUI TAVARES

    Este nosso recém conhecido, dado às luzes do mundo pelo inefável Louçã e por essa catequista do socialismo que manda no jornal “Público”, teve, em pouco tempo, uma data de títulos. Já foi “deputado europeu do Bloco de Esquerda”, “deputado europeu” sem Bloco de Esquerda, “Historiador”, “dirigente do Livre”… Não sei se se atribuíu mais alguma “profissão”, mas talvez não lhe ficasse mal “propagandista do Syriza” ou, por exemplo, “pretendente a salvador da esquerda”, “aspirante a um lugarzinho no PS”, ou outros qualificativos igualmente justos.

    Os nomes interessam menos que quem os usa, ainda que se auto classifique ao usá-los. Este Tavares tornou-se político, como acima disse, pela mão do Louçã, que o fez assentar praça em general, quer dizer em Estrasburgo e Bruxelas. Isto permitiu-lhe propagandear inúmeras viagens, presenças em variegados aeroportos, escrever crónicas sobre diversas civilizações, sempre com a ajuda da tal senhora do “Público”, muito interessada em ajudá-lo com espaço e umas massitas que fazem muito jeito, sobretudo depois de ter chegado ao fim o eurotacho. A certa altura do seu brilhante percurso, o nosso homem zangou-se com o Louçã e acabou o namoro. Esperava, coitado do Louçã, que ele, abandonado o barco, voltasse para casa. Nem pensar! O Louçã pensava que o lugar era do Bloco, o Tavares disse que não. Ele foi eleito! Antes de o Louçã o ir buscar ninguém sabia quem ele era, mas a moral da esquerda republicana e socialista é mais forte que a lógica das coisas, isto é, morder na mão do dono deve fazer parte do catecismo em vigor.

    Foi pós esta demonstração de honradez que o Tavares deixou de se declarar do Bloco, para passar a assinar só “deputado Europeu”. Percebeu que a consideração pública que ganhara era igual a zero, mas conveniências são conveniências e o tipo tinha que aproveitar o conhecimento público que tinha ganho à pala do Louçã. Lá ficou pela estranja até acabar o mandato e, pela estrada aberta pela fulana do “Público”, começou a “construir a alternativa”, ou seja, a tratar da vidinha. Não é o que quase todos andam a fazer?

    Tudo isto seria, helas!, “perdoável”, não fora a súbito proselitismo “moral” a que o homem se agora se dedica.

    Ignorando que toda a gente lhe conhece o currículo político (não se sabe se tem outro), este torquemadazinho da porcalhota vem, do alto da belmírica tribuna, acusar Passos Coelho de “inversão moral”(!?): atrasou-se a pagar sobre verbas recebidas de fundos europeus para pagamento de “nada de especial”. E o que o Tavares recebeu do Parlamento europeu por um cargo a que não tinha qualquer direito substantivo e que foram, de longe, bem mais chorudos do que Passos jamais terá recebido e cujos impostos estão pagos? Terá feito alguma “coisa de especial”, para além de trair quem o promoveu? Como é que este badameco se atreve a prègar moral para consumo das massas?

    É o que está a dar, não é? Para gente do nível mental e ético do Tavares, é o que interessa. Não foi este tão sério político/comentador quem, quando, depois de desbragada propaganda, o Syriza começou a levar para trás, achou que era tudo uma grande vitória? Transformar a mentira em verdade não é, afinal, demonstração clara do que é a moral republicana e socialista de alto nível?

     

    9.3.15

     

    António Borges de Carvalho

  • ACONSELHAMENTO GRATUITO E DESINTERESSADO

    Exmº Senhor António Costa

    Com a isenção e a independência que o caracterizam, vem o IRRITADO deixar-lhe algumas dicas sobre como vir a conquistar o poder:

    – Antes de mais, deve demarcar-se com toda a clareza da herança do seu amigo 44. Quer isto dizer denunciar os males que causou ao país e ao PS. Não tem que se meter nos casos judiciais que afligem o fulano e boa parte do seu partido. Se assim proceder, as pessoas deixarão de ter a impressão, ora plenamente justificada, de que v. não passa de um continuador, ou avatar, do 44;

    – Deve condenar, sem margem para dúvidas, a política da máfia (não tenha medo de usar a palavra) que o antecedeu no partido e no país – deixando de fora o outro oco – e deixar claro que não a repetirá;

    – Ciente do indiscutível facto da continuidade da presença de tal máfia nas suas fileiras partidárias, com alta representação – não esquecer o caso do César, do Ferro, do Galamba e de tantos outros – deve denunciá-la e prometer que nenhum deles entrará no seu futuro governo;

    – Coerentemente com esta postura, mandará calar essa gente de uma vez por todas e prometer ao Povo que nenhum dos apaniguados do 44 integrará as listas de deputados; poderá dizer que guardará um lugarzinho para o seguramente oco, o qual, ao contrário dos outros, não lhe fará mal nenhum;

    – É claro que os prejudicados por estas atitudes ficarão furibundos, mas v., que é um homem corajoso, não se deixará impressionar, na certeza que os que derem à sola, que não serão muitos, irão, à semelhança da dona Joana Amaral Dias, fundar um número indeterminado de partidos radicais;

    – A partir daqui, começará v. a fazer política: poderá oferecer lojas do cidadão em todas as esquinas, dizer que vai pôr os tribunais a funcionar em tascas e campos de futebol, bem como prometer o que lhe vier à cabeça, desde que toda a gente acredite que v. não é o que parece;

    – Deverá parar imediatamente com as porcarias dos ataques às não dívidas de Passos Coelho, dado que é preciso ser muito estúpido para acreditar em porcarias e que a maioria das pessoas não é estúpida;

    – Como cautela suplementar, jamais falará da sua obra na CML. A malta já percebeu que o que foi bem feito não se deve à Câmara e que os seus malefícios, mais do Fernandes e da Helena – a burocracia infrene, as esterqueiras de Entrecampos e do Parque Mayer, as dívidas ao Névoa, etc. – são o que de si ficará;

    Para já, é tudo. Logo que o IRRITADO disponha de informação mais actualizada, não deixará de, com proverbial generosidade, lhe dar os seus conselhos, certo de que a sua imagem de insenção e honestidade não deixarão de ter eco na alma dos eleitores, sobretudo quando votarem outra vez no Passos Coelho.

     

    Com os melhores cumprimentos

    IRRITADO

     

    9.3.15

     

    António Borges de Carvalho

  • PORCARIAS

    Na Grécia, eis criado o mais repugnante sistema de cobrança de impostos: a bufaria obrigatória. As donas de casa, os estudantes, os cidadãos em geral, até os não cidadãos (os turistas!) são autorizados, perdão, incentivados a tornar-se denunciantes, bufos, fiscais de impostos. Não, não se trata de declarar o número fiscal, apesar de tudo facultativo na nossa parvónia, mas de pôr o pessoal, com aparelhos de escuta e câmaras de video, a registar infracções fiscais de terceiros. Aí temos, oficialmente instituído, o embrião da NKVD. Todos contra todos, quem mais denunciar melhor “cidadão” se torna. O amigo Putin agradece a ideia. Daqui à política vai um passinho.

    Em Portugal, a instâncias do jornal socialista “Público”, logo seguido de um coro bem ensaiado, a mentalidade da trampa tem natureza análoga. Ainda não chega a todos mas para lá caminha. Se pagaste depois so prazo, mesmo com juros, és mau, se tiveste, como outros milhões de portugueses, uns processos de cobrança, que também saldaste, com custas e juros, és péssimo. E, se fores primeiro ministro, então passas a perigoso e anti social cadastrado. A mesma gente que andou mais de seis anos, a encobrir as mais rebuscadas e variadas aldrabices de um PM que nem precisava de cavadelas para mostrar as minhocas, apressa-se agora a encher páginas e páginas para transformar minhoquices em hediondos crimes. A mesma organização que dominou a justiça com mão de ferro para encobrir o actual presidiário 44 e outros da mesma laia, que chegou ao ponto de legislar branqueamentos fiscais, (certamente a pensar no futuro…), e a punir, via legislação ad hoc, juízes “antipáticos”, a mesma protectora e visível mão que limpava as maiores tropelias, considera-se agora à altura e no direito moral e político de fazer o contrário por razões que nada têm a ver com os desmandos do seu verdadeiro chefe, ora encarcerado por uma justiça que, finalmente, se pode considerar independente da política.

    Orgulhosa, a tipa que se apoderou politicamente do “Público” assume a “pressão social e política” que ela própria criou, sem medida nem escrúpulo. E ameaça: “a pressão não vai terminar por aqui”. O Costa é acusado pela fulana de “passividade sobre um caso tão grave quanto este”. Manifestamente, o Costa já falou até demais sobre o assunto. Mas como, na cabeça da tripeira, o “problema” das não dívidas fiscais de Passos Coelho é o que há de mais importante na nossa vida, tudo o que o Costa disser sobre o assunto é pouco. O variado bouquet dos sirysas nacionais, aliado às forças “democráticas” do PS, comandadas pelo obsoleto vazio mental e moral do pateta alegre, estão de prevenção, camartelo em punho, a explorar mais esta oportunidade de nos transformar em polícias.

    Assim vai a procaria.

    Nota: aqui há anos, já estava em vigor a lei ora esgrimida contra o PM, um ex-deputado quis pôr em dia as suas contribuições para a SS, em falta durante uns anos em que tinha estado no Parlamento. Pediu ao ilustre socialista Almeida Santos, presidente daquela organização, que pagasse a parte respeitante à “entidade patronal”, pagando o interessado a sua. A resposta do camarada foi que não senhor, não pagava porque a dívida já tinha prescrito. A moral é boa quando condena terceiros, não é? Porcalhões.

     

    8.3.15

     

    António Borges de Carvalho

  • GENTE BURRA

    Aqui e ali, parece que há alguns zelotas do PS que já perceberam que a perseguição policial que vêm movendo contra o PM pode vir a dar resultados perversos. São poucas e honrosas excepções, dado que a inteligência não é apanágio da agremiação. A prová-lo, um dos burros mais altamente colocados pelo Costa, Ferro Rodrigues, fulano que lê cábulas no plenário e costuma não dar duas para a caixa – só comparável com o ilhéu César – embarca em mais uma louvaminha ao chefe (o autêntico, não o Costa), declarando a sua admiração pela carta-esterco enviada de Évora, a qual, na sua opinião, é um monumento digno de se tornar património da humanidade.

    Esta malta, que andou anos a dar cobertura a todas as trafulhices do 44 e dos seus apaniguados, deve ir buscar moral para isto à estrumeira da cabeça.

    É de esperar que o tiro lhes saia pela culatra. Haja Justiça!

     

    6.3.15

     

    António Borges de Carvalho

  • IRRESISTÍVEL

    Com a devida vénia, o IRRITADO não resiste a reproduzir uma frase lapidar, ontem publicada, com a assinatura de Miguel Esteves Cardoso. Para que jamais seja esquecida. Para que a verdadeira sabedoria tenha, neste blog e, desejavelmente, em toda a parte, o lugar que lhe é devido.

    Aí vai:

    Há 25 anos, em 1990, todos nós tínhamos menos 25 anos do que hoje temos.

    Fantástico!

     

    5.3.15

     

    IRRITADO

  • DAR À CASCA

    O IRRITADO tem andado no dicionário à procura de adjectivos para classificar a missiva do 44 que serve de manchete ao jornal do amigo Oliveira, a toda a largura. O mesmo para a atitude do dito jornal, ou panfleto. Baldada intenção. Mesmo recorrendo ao mais ordinário e reles dos vernáculos, não se consegue encontrar palavras ou expressões que, ao pé do 44 e do DN, não sejam de uma celestial brandura.

    O 44, mostrando à saciedade a sua natureza inferior ao escarro, resolve enfiar a uma carapuça que ninguém disse ser-lhe destinada. E enfia-a da cabeça aos pés. Abaixo de cão, pior, abaixo de Lacão, pior, abaixo de Fertuzinhas, pior ainda, abaixo de Soares. Dir-se-ia impossível tal descida às profundezas da porcaria e da indignidade. Mas, contando com o que há de mais repelente no género humano, nada tem de impossível, como o 44 e o DN demonstram, preto no branco.

    E daí, se recorrermos aos nossos mais caridosos sentimentos, talvez encontremos uma explicação – para o 44, que não para o jornal. É que, quando o miserável saloio ouviu o PM dizer que não tinha enriquecido com a política nem tinha “ajudado” a tapar buracos de terceiros – o Salgado que o diga! – ele achou que o assunto era com ele, já que passou anos a fazer favores e a meter ao bolso uma data de milhões, por intermédio de um “amigo” que tinha “ajudado”. Quer isto dizer que, nas insondáveis profundezas da sua consciência, ou da falta dela, achou que era a ele que o PM se dirigia. Daí a dar à casca como deu, usando as mais primárias e burras acusações, foi um passinho. Toda a sua ordinaríssima natureza (não há quem não a reconheça como tal) veio ao de cima. Não há casca que a cubra.

     

    5.3.15

     

    António Borges de Carvalho

     

     PS. No comentário acima, nem sombra de fundamento judicial. Basta o que a criatura já confessou publicamente e por escrito para que o IRRITADO tenha por ele a consideração que tem.

  • AJUDA ÀS INVESTIGAÇÕES

    Sempre atento às nobres dligências pidocráticas em curso, o IRRITADO vem, modestamente, sugerir algumas pistas, desde já as recomendando à directora do público, cujo nome não cita por razões de higiene, à dona Ana Gomes, conhecido clone do major Silva Pais, à novel agente Sónia esterlicadinha, a um desconhecido com cara de cadáver que há pouco conheceu as luzes da ribalta, aos partidários do falecido Enver Hoxa e dos inigualáveis Estaline, Vladimir Ilitch, Trotsky, Che, Xéxé Soares et alia, bem como ao Pacheco, à dona Manuela e demais contratados de serviço.

    A saber:

    – Em meados dos anos 90, foi o jovem Pedro apanhado pela polícia a fazer xixi junto a um embondeiro, algures na ex-província de Angola;

    – Dois anos mais tarde, a PIDE encontrou-o a dar beijinhos a uma pequena muito gira, em plena Mutamba;

    – Seis meses depois de tirar a carta, apanhou uma multa por ter posto uma roda em cima do passeio;

    – Nos arquivos da polícia, consta que nunca teve licença de isqueiro;

    – Quando andava no liceu, apanhou dois dias de suspensão por ter andado à porrada com um colega;

    – A multa acima citada foi paga com dois meses de atraso, mas sem juros de mora, em virtude de uma cunha metida pelo guarda nocturno da zona;

    – Em data desconhecida, mas perante inúmeras testemunhas, foi ouvido e visto a cantar uma cantiga brejeira;

    – Consta que, por volta dos vinte anos, foi, duas vezes!, ao cinema sem pagar;

    – No futebol, terá apanhado dois cartões vermelhos e quatro amarelos;

    – Como líder da jota, dava grande importância às meninas, e consta que teve, várias vezes, as cotas em atraso.

    Apenas algumas humildes achegas sobre terríveis e indesmentíveis factos a somar à ingente questão dos pagamentos à SS, bem como dos processos fiscais já resolvidos a contento dos cobradores, casos em que é acompanhado por 5.824.342 cidadãos, os quais já deviam estar todos num campo de concentração, só não o estando porque as personalidades acima citadas, bem como o major Otelo, não estão no poder. Quando lá chegarem, libertarão o 44 – que será nomeado Gauleiter – e abrirão instalações no Campo Pequeno e na Serra da Malcata, que tem mais hectares disponíveis.

     

    5.3.15

     

    IRRITADO

  • A CASTANHA ESTALARÁ

    Já está mais que esclarecida a peregrina história das “dívidas” de Passos Coelho. Não há nada nem ninguém que ainda não tenha percebido.

    Há é quem finja. Uma tal Rabeca, do BE, diz que não percebeu e que quer explicações. Uma magrizela, Sónia(!?) de seu nome, fertuzinha aleivosias aos microfones. O Costa regouga palermices. Aquele tipo de barbas que não tem barba que se veja, faz o habitual arzinho de mestre escola e desboca-se como pode, cassete atrás de cassete, que é o que manda o comité central. As televisões entram em trabalho de orgasmo “informativo”. A malta, em casa, boceja, farta de tanto e tão reles e barato oportunismo. Ainda não ouvi, nem vi (felizmente!) aquela maquineta de gritar do partido melancia: não perco pela demora, não é?

    Algo me diz que esta castanha acabará por lhes estalar nas bocas. Sim, na da Rabeca, na da Sónia, na do tipo de barbas sem barba, nas pevides da melancia, nas insaciáveis bocarras das agremiações que representam.

    Como as pessoas, na sua maioria, não são parvas, olham para aquilo e mandam-nos bugiar. Ai, a castanha vai estalar, vai vai. Prouvera que lhes faça séria mossa!

     

    3.3.15

     

    António Borges de Carvalho